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quinta-feira, 4 de maio de 2023

Como as vacinas falsificadas e o assassinato de Marielle se conectam? Artigo de Patrícia Faermann

 

Entenda como as duas investigações estão conectadas nas prisões e buscas feitas  pela PF

Foto: Reprodução/Instagram

Jornal GGN. - Dois alvos da Operação Venire da Polícia Federal, de falsificação dos registros de Bolsonaro de vacinação contra Covid, nesta quarta-feira (03), são figuras-chave para decifrar o inquérito do assassinato de Marielle Franco.

Um deles é Ailton Barros, ex-assessor de Jair Bolsonaro e ex-major do Exército. Em 2022, ele foi candidato a deputado estadual, no Rio de Janeiro, pelo PL, não conseguindo se eleger, ocupa o cargo de suplente.

Foi um dos presos na manhã desta quinta-feira (03) pela PF, suspeito no esquema de falsificação de dados de carteirinha de vacinação do Ministério da Saúde.

Mas além das suspeitas nos crimes de adulteração, nas mensagens que Ailton trocou com outros envolvidos neste esquema, ele afirmava que sabia quem foi o mandante do assassinato da vereadora Marielle Franco, em 2018.

O outro nome-chave do processo é o ex-vereador do Rio de Janeiro, Marcello Moraes Siciliano, alvo de busca e apreensão no atual caso das vacinas, mas que já estava arrolado nas investigações da morte de Marielle, chegando a ser apontado, por um período, como o principal suspeito de mandante do crime.

Por que a investigação das vacinas pela PF levou a mensagens do caso Marielle?

As mensagens foram captadas pela PF no caso da falsificação do registro de vacinas porque, segundo os investigadores, o então ajudante de ordens de Jair Bolsonaro, Mauro Cid, pediu a ajuda do ex-vereador Marcello Siciliano para conseguir um cartão de vacinação de Covid-19, adulterado, para a sua esposa.

Em troca, Siciliano pediu ao assessor de Bolsonaro que o ajudasse a resolver o seu visto de entrada nos Estados Unidos, uma vez que a documentação estava sendo barrada pelas acusações que ele enfrentava sobre o assassinato de Marielle Franco.

Nas mensagens obtidas pela PF, além da troca de favores de Marcello Siciliano – apontado como o mandante do crime de Marielle – com o ajudante de ordens de Bolsonaro, Mauro Cid, o terceiro investigado e ex-assessor de Bolsonaro, Ailton Barros, afirmava que sabia quem foi o mandante da morte.

As informações foram reveladas pela PF, nesta quarta, com a Operação Venire, de falsificação dos registros de vacina da família Bolsonaro e de seus assessores.

Operação Venire: Entenda a ação da PF contra Jair Bolsonaro por falsificação de dados de vacinação. Artigo de Patrícia Faermann

 

A investigação da PF apura uma possível “associação criminosa constituída para a prática dos crimes de inserção de dados falsos de vacinação contra a Covid-19 nos sistemas SI-PNI e RNDS do Ministério da Saúde”.

Bolsonaro em lançamento de plano de vacinação tardio, em dezembro de 2020, do Ministério da Saúde – Foto: Reprodução Transmissão EBC

Jornal GGN. - O ex-presidente Jair Bolsonaro foi alvo de uma Operação da Polícia Federal, na manhã desta quarta-feira (03), acusado de envolvimento em esquema de adulteração de dados do Ministério da Saúde sobre as vacinas de Covid-19. O celular de Bolsonaro foi apreendido e o então assessor do ex-presidente, Mauro Cid, foi levado preso.

Entenda o que é a Operação Venire:

– A investigação da PF apura uma possível “associação criminosa constituída para a prática dos crimes de inserção de dados falsos de vacinação contra a Covid-19 nos sistemas SI-PNI e RNDS do Ministério da Saúde”.

– Os investigados, entre eles o próprio ex-presidente, teriam realizado adulteração em dados de vacinação de Covid-19, entre novembro de 2021 e dezembro do ano passado, com o objetivo de permitir o certificado sanitário internacional para viajar aos Estados Unidos.

– Jair Bolsonaro sempre admitiu que não tomou as vacinas de Covid-19. Mas ele viajou aos Estados Unidos, em dezembro do ano passado.

– Na Operação deflagrada nesta manhã, a PF cumpriu 16 mandados de busca e apreensão e 6 mandados de prisão preventiva em Brasília e no Rio de Janeiro.

– A casa de Jair Bolsonaro foi alvo de um dos mandados de buscas. Em sua residência, o celular do ex-mandatário foi apreendido e ele teria se recusado a informar as senhas dos aparelhos.

– Bolsonaro também foi intimado a depor na Polícia Federal sobre esta investigação. Ele negou prestar depoimento.

– O ex-assessor Mauro Cid foi um dos presos nesta manhã. O tenente-coronel era ajudante de ordens de Bolsonaro, controlava o cadastro do então presidente no ConecteSUS e teria incluído os dados falsos de Bolsonaro e de sua filha de 12 anos, Laura, nos sistemas do Ministério da Saúde.

– Também foram presos o ex-policial militar e fiel assessor de Bolsonaro, Max Guilherme Machado de Moura, o coronel do Exército Marcelo Costa Câmara e o capitão da reserva Sérgio Rocha Cordeiro. Os três foram aos Estados Unidos com o ex-mandatário.

– O último preso é o secretário municipal de Saúde de Duque de Caxias (RJ), João Carlos de Sousa Brecha. Ele teria colaborado na suposta falsificação dos cartões de vacina de Covid-19. De acordo com os investigadores, ele teria registrado que Bolsonaro tomou duas doses do imunizante em Duque de Caxias.

– A Operação da PF ocorre dentro do inquérito das milícias digitais, no Supremo Tribunal Federal (STF). Os investigadores identificaram conexão das supostas falsificações com o discurso contra a vacina de Covid-19 sustentado pelo grupo, até então amplamente disseminado na redes. A atuação da PF foi autorizada pelo relator Alexandre de Moraes.

– Os crimes investigados são de associação criminosa, inserção de dados falsos em sistemas de informação, infração de medida sanitária preventiva e corrupção de menores.

Em atualização