Mostrando postagens com marcador apoio a Lula. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador apoio a Lula. Mostrar todas as postagens

domingo, 3 de março de 2019

Lula, um homem, por Leandro Fortes



As pessoas não foram enterrar Arthur, foram levar amor a Lula, foram oferecer seus corações, sua fé, seus olhos para que por eles Lula pudesse chorar também

Um homem

por Leandro Fortes, no Jornal GGN



Lula, em silêncio, comandou com os olhos o espetáculo de dor e esperança do que deveria ter sido apenas um enterro triste, como sempre são devastadoramente tristes os enterros de crianças.
Em silêncio, coroado de cabelos brancos, Lula fez o mundo tremer.
Pois foi o mundo todo que viu os seguranças, as polícias, os soldados, as armas e o rancor mobilizados, todos borrados de medo, sem compreender a força daquele homem.
Aquele homem que os deixou nus.
As pessoas não foram enterrar Arthur, foram levar amor a Lula, foram oferecer seus corações, sua fé, seus olhos para que por eles Lula pudesse chorar também. Vieram pedir Justiça, esperar nem que fosse um milagre.
Em silêncio, Lula falou mais alto do que todos, foi além da roupa de mártir que se recusa a vestir. Cruzou o mar de dor com dignidade. E, no pouco tempo que lhe deram para sofrer, fez o mundo sofrer com ele, cada pessoa decente, cada humano em sintonia com o outro, cada irmão, cada irmã.
Lula enterrou Arthur e, generoso, trouxe calor de novo aos nossos corações. Encheu nossa alma de coragem e se colocou, outra vez, à frente da luta.
De novo, esse homem preso sem provas, vítima de um Judiciário apodrecido, deixou apavorados seus algozes, seus detratores e os dementes que os seguem.
Um velho calado, vestido apenas de coragem e amor, fez toda essa gente tremer.
Preso, Lula nos deu liberdade. Sempre vamos dever isso a ele.”


segunda-feira, 9 de abril de 2018

Lula recebe a solidariedade do mundo inteiro



"Em todos os cantos do planeta surgem manifestações de solidariedade a Lula pelo atentado que a Lava Jato, a pf, procuradores, juízes, stf, Globo & mídia perpetraram contra ele."

Segue o artigo de Jeferson Miola, extraído de O Cafezinho:


Jeferson Miola
Lula recebe solidariedade do mundo inteiro. O mundo manifesta sua repulsa à agressão jurídico-midiática perpetrada contra ele.
No estrangeiro, Lula é considerado um prisioneiro político que foi encarcerado não por crimes que não cometeu, mas pelas suas ideias e pela obra civilizatória e humanitária que executou como Presidente do Brasil em favor do povo pobre e que, por isso, deve ser duramente castigado.
Ao desfechar um dos seus lances principais, o golpe sofreu um baque não contabilizado: está sendo cada vez mais contestado e desmoralizado, em escala planetária.
Em todos os cantos do planeta surgem manifestações de solidariedade a Lula pelo atentado que a Lava Jato, a pf, procuradores, juízes, stf, Globo & mídia perpetraram contra ele.
Para os próximos dias, organizam-se protestos em frente às embaixadas do Brasil em vários países de todos os continentes.
O Brasil finalmente retornará ao noticiário internacional, mas não pelos seus atributos maravilhosos e pela sua relevância geopolítica dilapidada em pouco mais de 18 meses, mas como Estado-pária no qual a classe dominante espezinha a Constituição.
A imprensa, mesmo a conservadora, não encontra outro adjetivo para caracterizar a prisão do Lula senão como um ato de violência e de arbítrio que atenta não somente contra o próprio Lula, mas contra o Estado de Direito e a democracia.
O Brasil é visto no mundo como de fato é: um regime de exceção que avança para o fascismo – por isso os olhos apreensivos do mundo se voltam para o Brasil.
Os fascistas avançaram uma jogada no tabuleiro, na ilusão de um passo adiante do golpe e da consolidação ditatorial, mas o efeito poderá ser o contrário. O arbítrio está cada vez mais desnudo – tanto internamente como no exterior.
No GGN, Olímpio Cruz fez um inventário abrangente da repercussão mundial do golpe nesta nova etapa – vale ler [clique aqui].

domingo, 20 de março de 2016

Brasileiros no exterior protestam em defesa do governo e da democracia


Protestos ocorreram em ao menos 4 cidades na Europa e em Nova York.
Faixa exibida em Paris dizia 'Golpe não! Ditadura nunca mais'.


18/03/2016 18h46 - Atualizado em 19/03/2016 12h46

Brasileiros no exterior protestam em defesa do governo e da democracia

Protestos ocorreram em ao menos 4 cidades na Europa e em Nova York.
Faixa exibida em Paris dizia 'Golpe não! Ditadura nunca mais'.

Do G1, em São Paulo
Manifestantes pela democracia em Nova York (Foto: Lívia Sá/Divulgação)Manifestantes pela democracia em Nova York (Foto: Lívia Sá/Divulgação)
Em pelo menos quatro cidades da Europa e em Nova York, nos Estados Unidos, brasileiros se manifestaram nesta sexta-feira (18) em defesa da democracia no Brasil, em meio à crise política que abala o segundo mandato de Dilma Rousseff. Nas redes sociais, brasileiros postaram fotos de protestos realizados em LisboaParisLondres e Berlim e na cidade norte-americana.
Em Nova York, cerca de cem pessoas foram para Union Square protestar empunhando cartazes com frases como "nós amamos a democracia" "1964 nunca mais" e "cultura contra o golpe". Um jovem também serviu pão com mortadela para ironizar os grupos pró-impeachment que criticam os manifestantes de classe baixa.
"Discursamos contra um possível retrocesso e contra um possível golpe. O próximo passo é começar grupos de estudos por aqui para termos um debate mais profundo sobre tudo que está acontecendo aí", disse a fotógrafa e cineasta Lívia Sá.
A brasileira Nina Santos, doutoranda em Paris, na França, conta ao G1 que um grupo de cerca de 100 pessoas se reuniu em uma praça ao lado coonsulado geral do Brasil em Paris para o protesto. O evento foi organizado pelas redes sociais e defendeu a democracia, a presidente Dilma Rousseff e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Na capital francesa, uma grande faixa foi exibida com os dizeres "Golpe não! Ditadura nunca mais".

Em Lisboa, Portugal, cerca de 70 pessoas se reuniram no Largo de Camões com faixas em defesa da democria. Os manifestantes defenderam que Dilma termine seu mandato, mas o protesto não teve viés partidário.
Manifestantes protestam nesta sexta em defesa da democracia no Brasil no Largo Camões, em Lisboa (Foto: Rafael Madeira)Manifestantes protestam nesta sexta em defesa da democracia no Brasil no Largo Camões, em Lisboa (Foto: Rafael Madeira)
A cineasta Julia Medeiros, que participou do evento, diz que alguns portugueses e angolanos se juntaram ao protesto, que foi organizado pelas redes sociais. Entre os brasileiros, participaram futuros doutores bolsistas do programa Ciências sem Fronteiras, segundo ela.
"Apareceram algumas pessoas gritando palavras de ofensas para nós. Um deles era um brasileiro que mora aqui e outros eram turistas", afirma. "Mas no geral foi bem tranquilo o clima, porque ninguém aceitou provocação", diz.

De Londres, no Reino Unido, o brasileiro Maurício Moraes conta que algumas pessoas que estavam na embaixada do Brasil resolveram se manifestar, em um protesto que não foi combinado previamente. Os cartazes diziam "Londres não quer golpe no Brasil" e "Democracia e Legalidade, #GolpeNuncaMais".
O jornalista André Lobato que também participou do protesto espontâneo diz que está assustado com os últimos acontecimentos da crise política. "Acho que para quem tá aqui, onde mal ou bem as forças políticas se respeitam e tem uma televisão pública que preza - com críticas ou elogios - o debate público, fica muito difícil ver o que está acontecendo com o Brasil e não se assustar", afirmou.
Manifestantes pela democracia em Nova York (Foto: Lívia Sá/Divulgação)Manifestantes pela democracia em Nova York (Foto: Lívia Sá/Divulgação)
Manifestante serve pão com mortadela em protesto pela democracia em NY (Foto: Lívia Sá/Divulgação)Manifestante serve pão com mortadela em protesto pela democracia em NY (Foto: Lívia Sá/Divulgação)
Mauricio Moraes (esquerda) e outras pessoas que estavam na embaixada no Brasil nesta sexta protestam em Londres em defesa da democracia no Brasil (Foto: Mauricio Moraes)Mauricio Moraes (esquerda) e outras pessoas que estavam na embaixada no Brasil nesta sexta protestam em Londres em defesa da democracia no Brasil (Foto: Mauricio Moraes)

Manifestações no Brasil
No Brasil, 24 estados e o Distrito Federal realizam atos a favor do governo Dilma, de Lula e do PT. Até às 18h50 desta sexta, as manifestações pró-governo no Brasil reuniram 667 mil pessoas, segundo organizações.

Os atos desta sexta acontecem depois que milhões de pessoas foram às ruas de diversas cidades na últimas quarta e quinta-feira para protestar contra o governo, a nomeação do ex-presidente Lula como chefe da Casa Civil e a favor do impeachment de Dilma.

Os protestos contra o governo foram convocados, segundo os organizadores, após o anúncio de que Lula assumiria a Casa Civil e da divulgação dos grampos telefônicos de conversas do ex-presidente Lula com aliados - entre eles, um diálogo com a presidente, que provocou reação imediata nos meios políticos e nas ruas.

Dilma classificou de 'grampo ilegal' a interceptação telefônica e criticou ainda o que chamou de "vazamentos seletivos".

sábado, 19 de março de 2016

Esqueçam o PiG (Partido da imprensa Golpista): 500 mil pessoas na Paulista e não vai ter golpe, por Renato Rovai

Não vai ter golpe e não vai ter golpe.
Eles vão tentar esconder a grande vitória das manifestações de hoje de você.
Eles vão querer te dizer que a Globo, o Moro e o Gilmar Mendes é que mandam no país.
Eles vão querer te dizer que o Brasil é só branco e que todo mundo tem babá.
Eles vão querer fazer de conta que na Paulista não tinha nem 100 mil pessoas hoje (kkkk).
Eles vão ignorar o Recife, Fortaleza, Salvador, Belém e todas as outras grandes cidades brasileiras.
Eles vão querer te convencer que o Brasil é só de brancos e classe média.
Ele vão querer fazer de você um idiota.
Mas não é assim que as coisas funcionam.
Hoje tinha negros, operários, professores, muitos e muitos estudantes, gays, lésbicas e até brancos classe média.
O Brasil profundo estava nas ruas hoje.
E por isso, do lado deles tem um monte de gente fazendo contas.
Aqueles que não são brucutus e estão do lado de lá pararam para pensar.
Se eles atropelarem a democracia, o país vai entrar numa guerra civil. Vai virar um inferno.
Algo que não interessa a ampla maioria da população.
E que não deveria ser o objetivo daqueles que tem um pingo de responsabilidade política.
Já escrevi aqui e repito, O futuro do Brasil não se decidia no dia 13, mas no dia 18.
E hoje houve resistência. Houve luta. Houve povo.
É preciso pensar no que aconteceu hoje,
É preciso refletir na quantidade de pessoas que foi às ruas depois do massacre midiático dos últimos meses.
Até porque, depois do golpe sempre tem o dia seguinte.
E esses que hoje parecem fortes, serão expurgados e derrotados em dois meses pela direita raivosa.
Porque só ela, com seus instrumentos de força terá capacidade de enfrentar as ruas.
Moro não aguenta esse país por 15 dias.
Esse país é muito maior do que República de Curitiba.
E se quiserem transformá-lo num quintal de abutres, vão se dar mal.
Hoje o povo mostrou que o golpe é só a loucura daqueles que não conhecem o Brasil.
Eles estão loucos, mas terão de se curar.
PS: Pra pensar, Lula foi ovacionado hoje na Paulista. Aécio e Alckmin foram expulsos no domingo.
Texto: Renato Rovai
Foto: Ricardo Stuckert/ Instituto Lula

quinta-feira, 10 de março de 2016

Comunidade Internacional, por meio da United Steelworkers, manifesta-se a Favor de Lula e contra os hipócritas golpistas do próximo dia 13 de março




 Dia 13 de março é o dia da manifestação do que há de pior no Brasil: a Hipocrisia, o Fascismo, o Golpismo, o Elitismo e o Cinismo de quem se considera melhor que todo o mundo.... Veja o vídeo internacional onde, por meio da maior Central Sindical dos Estados Unidos, a United Steelworkers, líderes trabalhistas de todo o mundo manifestam apoio a Lula em vídeo (Lula Worth Fight! = Lula Vale a Luta!), após, uma reportagem internacional sobre o Coup D'Etat fascista em curso. Não vamos cair na armadilha deles. Próximo dia 13 fiquemos em casa, deixem os fascistas gritarem todo o seu ódio. Manifestemo-nos depois e sem-violência :

Integrantes do United Steelworkers, maior sindicato do setor industrial da América do Norte, divulgam manifesto e palavra de ordem “Lula vale a luta”. Confira
Por Redação do Portal Fórum
lula vale a luta
Mulheres sindicalistas, brasileiras e da United Steelworkers, maior sindicato do setor industrial da América do Norte, divulgaram em evento realizado no Dia Internacional das Mulheres manifesto em defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
“Nós, brasileiras, junto com as mulheres de aço, as steelworkers dos EUA e do Canadá, nos levantamos em defesa de Lula, em defesa da democracia, da igualdade e da justiça social”, diz o manifesto, lido em evento realizado nesta terça (8).
À mensagem, lida em português e inglês, se seguiu o grito “Lula is worth the fight”, com sindicalistas segurando cartazes com a hashtag #LulaValeaLuta, que já havia sido divulgada em vídeo feito pela entidade na própria sexta-feira. Confira o vídeo abaixo.




Terremoto no Brasil ou É o petróleo, estúpido!




7/3/2016, Pepe Escobar, SputnikNews

Traduzido por Vila Vudu

Imagine um dos líderes políticos mais admirados em todo o planeta na história moderna arrancado do apartamento onde mora, às 6h da manhã, por agentes armados da Polícia Federal Brasileira, enfiado num carro sem identificação e levado ao aeroporto de São Paulo, para ser interrogado por mais de quatro horas, sobre eventos conectados a um escândalo de corrupção de um bilhão de dólares que envolve a petroleira brasileira Petrobrás.Desse material se fazem os delírios de Hollywood. E a ‘lógica’ dos delírios de Hollywood é, exatamente, a ‘lógica’ por trás de mais essa elaborada produção.

Os procuradores por trás da investigação chamada “Car Wash[1], que já dura dois anos, não se cansam de repetir que há “elementos de prova” que implicariam Lula, o qual teria recebido fundos – no mínimo, 1,1 milhão de euros – do esquema de corrupção que envolveria grandes empresas de construção conectadas à Petrobrás. As acusações rezam que Lula teria – e é o máximo que se pode dizer: “teria” – sido pessoalmente beneficiado de grande parte desse dinheiro, sob a forma de um sítio (que não pertence ao ex-presidente), um apartamento modesto à beira-mar, de remunerações por palestras no circuito mundial da ‘palestragem’, de doações à fundação que leva seu nome.Lula é o mais consumadamente talentoso animal político – em nível Bill Clinton, de competência. Já havia avisado que esperava algum movimento desse tipo, porque a máquina da “Operação Car Wash” já havia prendido dúzia de pessoas suspeitas de manipularem contratos e concorrências comerciais entre suas respectivas empresas comerciais e a Petrobrás – mais de $2 bilhões – para subornar políticos do Workers’ Party (WT), ao qual Lula, então presidente da República, era/é filiado.O nome de Lula surgiu nas investigações, pela boca do proverbial gângster que se torna delator para reduzir a própria pena.

A hipótese que ainda se mantém de pé – porque não há prova de nenhuma dessas acusações – é que Lula, quando governou o Brasil, entre 2003 e 2010, ter-se-ia beneficiado pessoalmente do esquema de corrupção que tem no centro a Petrobrás, e que teria obtido favores para si mesmo. Entrementes, a ineficiente atual presidenta Dilma Rousseff também está sob ataque, também por efeito de delação premiada feita pelo ex-líder de seu governo no Senado.Lula foi interrogado em conexão com acusações por lavagem de dinheiro, corrupção e ocultação de patrimônio. A blitz hollywoodiana foi autorizada pelo juiz federal Sergio Moro – que não se cansa de repetir que se inspira no juiz italiano Antonio di Pietro e a famosa investigação dos anos 1990s Mani Pulite (“Mãos Limpas”).E é aqui que, inevitavelmente, a trama engrossa.

Prenda os que jornais e TVs acusam!



Moro e os procuradores da “Operação Car Wash” justificam a blitz hollywoodiana, com o argumento de que Lula ter-se-ia recusado a comparecer a qualquer interrogatório. Lula e o PT negam veementemente a ‘acusação’.

Até agora, repetidas vezes os investigadores da “Operação Car Wash” têm vazado ‘informes’ e ‘declarações’ para a grande mídia – jornais, rádios e TVs –, sempre na direção de divulgar a ‘notícia’ segundo a qual “Até agora só conseguimos morder Lula. Quando o pegarmos, o engoliremos.” Significa, para dizer o mínimo, uma politização, com partidarização, da Justiça, da Polícia Federal e do Ministério Público. Implica também que a blitz à moda de Hollywood pode ter autor ativo. A ‘notícia’ repetida incontáveis vezes no ciclo das ‘notícias’ da grande mídia-empresa, hoje instantaneamente global, foi que Lula teria sido preso ‘porque é corrupto’.
Mas… a coisa vai ficando cada vez mais estranha, quando se descobre que o juiz Moro éautor de artigo publicado numa revista obscura, nos idos de 2004 (“Considerações sobre Mãos Limpas”, revista CEJ, n. 26, Julho-Set. 2004). Nesse artigo, Moro prega, claramente, “a subversão autoritária da ordem jurídica para alcançar alvos específicos” e o uso da mídia para intoxicar a atmosfera política.

Claro que tudo isso serve a uma agenda específica. Na Itália, a direita viu a saga das Mani Pulite como excesso vicioso do exercício da justiça; a esquerda, do outro lado, entrou em êxtase. O Partido Comunista Italiano saiu da investigação com as mãos limpas. Mas no Brasil, a operação tomou a esquerda como alvo predefinido antes de qualquer devido processo legal –, e a direita, pelo menos até agora, está sendo mostrada como constituída só arcanjos tocadores de harpa e cantadores de hinos.

O candidato derrotado nas eleições presidenciais de 2014, por exemplo, herdeiro mimado e cheirador de cocaína Aécio Neves, por exemplo, foi absolvido em três acusações por corrupção, canceladas, pode-se dizer, sem maiores investigações.

O mesmo vale também para outro muito suspeito esquema que envolve o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso – conhecido autopromotor dos próprios suspeitos talentos e feitos, ex-desenvolvimentista convertido em empenhado aplicador de política neoliberais.
A impressão que a Operação Lava-Jato já deixou bem fundamente marcada em todo o Brasil é que acusações de corrupção só são investigadas se o acusado for nacionalista progressista. Os vassalos do consenso de Washington são sempre predefinidos como anjos – generosamente imunizados contra acusações, delações e processos.

Está acontecendo como se vê, porque Moro e a equipe dele estão-se servindo empenhadamente da ‘tática’ que o próprio juiz Moro definiu, de usar a mídia-empresa para intoxicar a atmosfera política, com a opinião pública tornada alvo de manipulação serial, mesmo antes de qualquer acusado ser formalmente acusado de qualquer crime.

Aí está. Já se sabe que Moro e as fontes de que se servem ele e seus procuradores são em enorme medida farsescas, ou trambiqueiros conhecidos, ou mentirosos seriais. Por que, então, tantos parecem acreditar no que eles dizem? Porque não há prova de nenhuma das acusações. Simples. O próprio juiz Moro admite.

E isso nos leva a um quadro terrível: o complexo midiático-judiciário-policial parece ter sequestrado, no Brasil-2016, uma das mais saudáveis democracias do planeta.
Essa ideia encontra corroboração num fato visível para todos. O ‘projeto’ da oposição de direita no Brasil resume-se a um só objetivo: arruinar a economia da 7ª maior potência econômica do mundo, para, assim, conseguir destruir Lula como candidato á presidência em 2018.

Reina a elite saqueadora


Nada do que acima se lê pode ser compreendido por público global, sem algum conhecimento da Brasiliana clássica. No Brasil, reza a lenda que “o Brasil não é para amadores”. Não é mesmo. Trata-se de sociedade espantosamente complexa – que transitou praticamente sem pausa de um Jardim do Éden [a Terra sem Mal, dos guaranis? (NTs)] (antes de a terra ser “descoberta” pelos portugueses em 1500), para a escravidão [que durou 300 anos e ainda permeia todas as relações sociais (NTs)][2]), dali a outro evento crucial, em 1808: a mudança, para o Brasil, de Dom João 6º de Portugal (e imperador vitalício do Brasil), que fugia da invasão napoleônica, arrastando consigo 20 mil nobres portugueses, que lá organizaram o “moderno” estado brasileiro. “Moderno” é eufemismo; a história mostra que descendentes daqueles 20 mil europeus só fizeram saquear o país, ao longo dos últimos 208 anos. Poucos deles algum dia chegaram a ser julgados e condenados.

As elites tradicionais brasileiras compõem uma das misturas mais repugnante-arrogante-ignorantemente preconceituosas e tóxicas de todo o planeta. “Justiça” – e aplicação policial da lei – só se usam como armas quando as pesquisas não favorecem a agenda daquela gente.
E uma parte intrínseca daquelas elites são os proprietários dos veículos da mídia-empresa hegemônica no Brasil. Em grande medida semelhante ao modelo concentracionista que se vê nos EUA, no Brasil apenas quatro famílias controlam toda a paisagem ‘midiática’, com destaque para a família Marinho, que comanda o império empresarial midiático O Globo. Tenho experiência direta, de dentro, detalhada, de como operam.

O Brasil é estrutura corrompida até o cerne – das elites ‘comprador’ até largas fatias das “novas” elites, que incluem o Workers’ Party. O Partido padece de grave carência de quadros qualificados. Parece inegável que houve e há a corrupção e tráfico de influência envolvendo a Petrobras, construtoras e políticos de vários partidos, embora a coisa nem de longe se possa comparar ao dia a dia do ‘relacionamento’ de compra-e-venda e suborno de políticos, do tipo Estado & Goldman Sachs, ou Estado & Big Oil e/ou do tipo Estado & Irmãos Koch/Sheldon Adelson nos EUA.

Se o que hoje se vê no Brasil fosse, cruzada sem limites contra a corrupção – que os operadores da Operação Car Wash não se cansam de repetir que seria – a oposição de direita/vassalos das velhas elites também já teriam aparecido nas ‘investigações’ e já teriam sido expostas nos veículos da mídia-empresa dominante. Mas se aparecessem nomes conectados às velhas elites, a mídia-empresa dominante atentamente zelaria para que não fossem expostos e apagaria completamente do noticiário qualquer investigação em curso.

E jamais haveria, com personagem das elites, a blitz hollywoodiana montada contra Lula – apresentado como delinquente, com vistas a humilhá-lo diante do mundo.
Os procuradores da Operação Car Wash têm razão nisso: a percepção construída pela mídia-empresa passa a ser a realidade. Sim, mas, e se o tiro sair pela culatra?

Consumo zero, investimento zero, crédito zero

O Brasil atravessa situação extremamente difícil. O PIB caiu 3,8% ano passado; provavelmente cairá 3,5% esse ano. O setor industrial encolheu 6,2% ano passado; a mineração, caiu 6,6% no último trimestre. O país caminha na direção da sua pior recessão, desde… 1901.
Não há Plano B – no governo incompetente de Rousseff – para enfrentar a desaceleração da China, quando se reduziram as compras de produtos agrícolas e minérios do Brasil, nem o tropeço global nos preços de commodities.

O Banco Central mantém a taxa de juros em espantosos 14,25%. Um “ajuste fiscal” neoliberal desastroso, tentado pelo governo Rousseff, só aprofundou a crise. Pode-se dizer, usando uma figura de linguagem, que hoje Rousseff “governa” – para o cartel de bancos e os rentistas que lucram com a dívida pública brasileira. Mais de $120 bilhões do orçamento do governo evapora, para pagar juros da dívida pública.

A inflação está subindo – já entrando em território dos dois dígitos. Desemprego está em 7,6% – de fato, muito melhor que em muitos países da União Europeia –, mas aumentando.
Os suspeitos de sempre, claro, festejam, e nunca param de ‘analisar’ que o Brasil se teria tornado “tóxico” para investimentos globais.

Não há dúvidas de que a coisa está feia. Não há consumo. Não há investimento. Não há crédito. A única saída possível seria esvaziar a crise política. Mas os micróbios que pululam na ‘oposição’ só têm uma obsessão: o impeachment da presidenta Rousseff.

Pairam sombras da velha tática da “mudança de regime”: para aqueles vassalos de Wall Street/EUA “Império do Caos“, uma crise econômica, alimentada todos os dias por uma crise política, levará fatalmente, necessariamente, à derrubada do governo eleito naquele país BRICS crucialmente importante.

E então, de repente, do nada, aparece… Lula.
A ação da Operação Car Wash pode, sim, sair pela culatra – e gravemente pela culatra. Lula voltou à liça. Entrou em modo de campanha eleitoral para 2018 – embora ainda não seja candidato oficial. Que ninguém jamais subestime um animal político de tal envergadura.
O Brasil não está nas cordas. Se reeleito, Lula pode expurgar do Workers’ Party uma legião de escroques, e imprimir nova dinâmica ao partido e ao país. Antes da crise, o capital brasileiro estava rapidamente se globalizando – via Petrobrás, Embraer, o BNDES (o modelo de banco que inspirou o banco dos BRICS), as grandes construtoras.

Ao mesmo tempo, pode haver vantagens em romper, pelo menos em parte, o cartel oligárquico que controla toda a construção de infraestrutura no Brasil. Para ver as vantagens, basta pensar em empresas chinesas construindo ferrovias para trens de alta velocidade, barragens e portos dos quais o Brasil tão desesperadamente carece.

O próprio juiz Moro teorizou que a corrupção prosperaria, porque a economia brasileira é excessivamente fechada, como foi a Índia até há pouco tempo. Sim, mas… Há enorme diferença entre abrir alguns setores da economia brasileira, e escancarar tudo para que interesses associados às elites comprador estrangeiras saqueiem o país.

E então, mais uma vez, temos de voltar ao tema recorrente em todos os grandes conflitos globais.

É o petróleo, estúpido!

Para o Império do Caos, o Brasil sempre foi grave dor de cabeça desde a primeira eleição de Lula, em 2002 (para avaliação das complexas relações EUA-Brasil, vide o trabalho indispensável de Moniz Bandeira[3]).

Alta prioridade do Império do Caos é impedir a emergência de potências regionais que cheguem abarrotadas de recursos naturais, do petróleo a minérios estratégicos. É o Brasil, descrito em minúcias. Washington como sempre se sente perfeitamente autorizada e legitimada para “defender” recursos que não lhe pertencem. Mas, para tanto, ela não só precisa fazer abortar quaisquer associações de integração regional, como Mercosul e Unasul, mas, sobretudo, tem de impedir que cresça o alcance global dos BRICS.

A Petrobrás sempre foi empresa estatal muito eficiente, que passou a ser também operadora única das maiores reservas de petróleo descobertas, até agora, no século 21: os depósitos do pré-sal. Antes de tornar-se alvo de ataque massivo de especuladores, ‘judiciário’ brasileiro e mídia-empresas, a Petrobrás gerava 10% dos investimentos e 18% do PIB brasileiro.

A Petrobrás descobriu os depósitos do pré-sal baseada em suas próprias pesquisas e inovações tecnológicas aplicada à busca por petróleo em águas profundas – sem nenhuma participação de outros países, de nenhum tipo. A beleza da coisa está em que não há risco: se você perfura aquela camada de pré-sal, o petróleo ali está. Nenhuma empresa do planeta entregaria essa riqueza à concorrência.

Pois mesmo assim, uma lesma da oposição de direita prometeu à Chevron em 2014 que entregaria a exploração do pré-sal com preferência ao Big Oil. Agora, a oposição de direita trabalha para alterar o regime jurídico do pré-sal; a modificação já foi aprovada no Senado. E Rousseff está cordatamente deixando a coisa evoluir. Para piorar, o governo Rousseff nada fez para recomprar ações da Petrobrás – cuja queda vertiginosa foi espertamente construída pelos suspeitos de sempre.

O desmanche meticuloso da Petrobrás, com o Big Oil eventualmente chegando aos depósitos do pré-sal, para deter e manter parada a projeção do poder global de mais um BRICS, tudo isso casa-se às mil maravilhas com os interesses do Império do Caos. Geopoliticamente, isso é muitíssimo mais importante que blitz hollywoodiana e investigação de Operação Car Wash.

Não é coincidência que as três maiores nações BRICS estejam sendo simultaneamente atacadas – em incontáveis níveis: Rússia, China e Brasil. A estratégia combinada pelosMasters of the Universe que ditam as regras no eixo Wall Street/Av. Beltway [governo dos EUA em Washington] é minar por todos os meios possíveis o esforço coletivo dos BRICS para produzir alternativa viável ao sistema econômico/financeiro global – esse mesmo que, atualmente, está submetido ao capitalismo-de-cassino. É pouco provável que Lula, sozinho, consiga detê-los.

Pepe Escobar (1954) é jornalista, brasileiro, vive em São Paulo, Hong Kong e Paris, mas publica exclusivamente em inglês. Mantém coluna no Asia Times Online; é também analista de política de blogs e sites como:  Sputinik, Tom Dispatch, Information Clearing House, Red Voltaire e outros; é correspondente/ articulista das redes Russia Today e Al-Jazeera.


[1] Em port. “Operação Lava Jato”. Dado que toooooooooooooooodos os jornais da mídia-empresa falam de Lava Jato, optamos por introduzir essa variante, na discussão: Operação Car Wash. O mesmo vale para Workers’s Party (WP), para Partido dos Trabalhadores (PT), que optamos por referir em inglês. São ferramentas discursivas q temos de aprender a usar, para reorientar a discussão. Guerra é guerra. Não vai ter golpe. [NTs]
[2] Os dois livros mais importantes sobre essa específica trajetória histórica do Brasil, com sua correspondentemente específica inserção no mundo do capital ocidental são:
– SCHWARZ, Roberto, Um Mestre na Periferia do Capitalismo: Machado de Assis. São Paulo: Duas Cidades, 1990. (3ª ed. São Paulo: Duas Cidades / Ed. 34, 2001), em inglês: A Master on the Periphery of Capitalism: Machado de Assis. Trans. John Gledson. Durham: Duke University Press, 2002); e
– SCHWARZ, Roberto, Ao Vencedor as Batatas: Forma literária e processo social nos inícios do romance brasileiro. São Paulo: Duas Cidades, 1977 (5ª ed., revista. São Paulo: Duas Cidades / Ed. 34, 2000), em ing. Misplaced Ideas: Essays on Brazilian Culture. (Ed. and with an introduction by John Gledson). London: Verso, 1992 [NTs].
[3] MONIZ BANDEIRA, Luiz Alberto. Brasil, Argentina e Estados Unidos: conflito e integração na América do Sul (da Tríplice Aliança ao Mercosul), 1870-2003. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2010, 3ª edição revista e ampliada, 669 págs (dentre vários outros títulos todos importantes). O professor Moniz Bandeira é empenhado amigo do Coletivo de Tradutores Vila Vudu, do que muito nos orgulhamos [NTs].