Mostrando postagens com marcador Alemanha. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Alemanha. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 1 de janeiro de 2019

Bolsonaro ameaça direitos humanos no Brasil, diz chefe da Anistia Internacional Alemã




Chefe da Anistia Internacional na Alemanha quer que direitos humanos entrem na agenda de cooperação econômica
 
Markus Beeko. Foto: Aliança Internacional/M. Skolimowska
 
Jornal GGNO secretário-geral da Anistia Internacional (AI) na Alemanha, Markus Beeko, está preocupado com a piora das condições dos direitos humanos no Brasil, logo após a posse do presidente eleito, Jair Bolsonaro (PSL). Em entrevista à agência de notícias AFP, divulgada nesta segunda-feira (31), ele afirmou que, em 2018, a entidade registrou um aumento significativo de ataques contra ativistas de direitos humanos no país.
 
Entre os exemplos, está o assassinato Marielle Franco, no Rio de Janeiro, em março, juntamente com o motorista Anderson Gomes. A vereadora denunciava casos de violência policial. "Neste contexto, todos os Estados têm o dever de apoiar a sociedade civil no Brasil nos próximos meses”, pontuou Beeko. O secretário-geral destaca que, durante o período de vida pública, Bolsonaro fez repetidamente "anúncios e ameaças (...) bastante vigorosos" racistas e homofóbicos:
 
"Tememos um aumento da violência, assim como um agravamento da difamação, criminalização e estigmatização sociais", alertou, completando que o crime organizado vêm "operando em um clima de impunidade no Brasil nos últimos anos", o que tende a aumentar, baseando-se nos discursos de Bolsonaro que reforçam e autorizam a atuação violenta e impunidade.
 
Beeko sugere que os países que apoiam a AI aumentem o envio para o Brasil de observadores e também que a comunidade internacional faça uma lista com temas de possíveis violações do novo governo brasileiro no Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas. 
 
"Talvez isso proteja a sociedade civil de forma limitada, mas estes são sinais importantes", completando que o respeito aos direitos humanos entre na agenda da cooperação econômica entre os países. 
 
*Com informações do DW Brasil
 

terça-feira, 18 de setembro de 2018

Fremdschämen, a constrangedora ‘aula’ sobre nazismo dos brasileiros bolsominions aos alemães




O termo alemão para "vergonha alheia" resume o que foi a enxurrada de críticas de internautas brasileiros ignorantes a um vídeo da Embaixada alemã afirmando que nazismo é de direita.

Do El País

Fremdschämen, a constrangedora ‘aula’ sobre nazismo dos brasileiros aos alemães

por Marina Rossi e Regiane Oliveira
São Paulo / Recife 
Uma palavra sintetiza a aula sobre nazismo que um grupo de brasileiros tentou dar aos próprios alemães na Internet: fremdschämen (vergonha alheia). O que era para ser um vídeo sobre como se ensina a história do nazismo, publicado no Facebook pela Embaixada da Alemanha em Brasília e pelo Consulado Geral em Recife, se tornou um campo de guerra nas redes sociais.


No vídeo institucional, a Alemanha explica que desde cedo as crianças são ensinadas confrontar os horrores do holocausto, como parte do pensamento de conhecer e preservar a história para não repeti-la. No país é crime negar o holocausto, exibir símbolos nazistas, fazer a saudação "Heil Hitler". O vídeo deixa claro que o nazismo é uma ideologia da extrema direita. "Devemos nos opor aos extremistas de direita, não devemos ignorar, temos que mostrar nossa cara contra neonazistas e antissemitas", afirma no vídeo Heiko Mass, ministro das Relações Exteriores.
Muitos internautas contestaram o ministro: "Extremistas de direita? O partido de Hitler não se chamava Partido dos Trabalhadores Socialistas? Onde tem extrema direita?", perguntou um internauta, em relação ao Partido Nacional Socialista dos Trabalhadores Alemães (Nationalsozialistische Deutsche Arbeiterpartei), que ficou ativo no país entre 1920 e 1945. O partido de Hitler misturava uma cultura paramilitar racista, populista, antissemita e anti-marxista, algo como "contra tudo o que está aí" e " ou pelos verdadeiros alemães "de bem".
Houve quem tentasse explicar onde estava o erro da embaixada: "Não é só pelo nome do partido. É uma concentração de poder no Estado. A esquerda (comunismo/socialismo) acredita em poder centralizado no governo para a construção de uma sociedade melhor. A direita acredita na descentralização desse poder, por isso advoga um poder maior ao indivíduo e não ao coletivo (...)". Isto é, como Hitler centralizava o poder, logo, ele não poderia ser de direita, segundo esse internauta.
Enquanto alguns tentavam ver o lado positivo da iniciativa e marcavam amigos para tentar provar que o nazismo é, sim, de direita - "(...) se o Consulado alemão explicando que o nazismo é de extrema direita não te convencer, não sei o que mais poderá", escreveu um internauta. Outros até ameaçaram a embaixada: "[Vocês] perderam uma enorme chance de ficar de boca fechada. Mas não se preocupem. Estou compartilhando este post na Alemanha. Vamos ver o que irão dizer!"
Damaris Jenner, responsável para assuntos de imprensa na embaixada, explica que a ideia era falar sobre como se ensina história na Alemanha. “Na semana em que pensamos em fazer esse vídeo, aconteceram as manifestações em Chemnitze vários jornais brasileiros noticiaram”, diz ela. Os protestos foram realizados por militantes da extrema direita desde o final de agosto contra a morte de um alemão, supostamente esfaqueado por dois imigrantes, e que terminaram em atos de violência.
“Achamos que seria interessante ligar esses dois assuntos para mostrar essa discussão na Alemanha”, afirma Jenner. Mas a reação dos internautas surpreendeu. “Não imaginávamos que repercutiria dessa forma”, diz. “Nosso vídeos costumam ser bem assistidos, mas esse foi excepcional”. Até o fechamento desta reportagem, o vídeo tinha mais de 630.000 visualizações na página da embaixada. Jenner diz que, além da audiência alta, fez diferença o engajamento dos usuários. "Geralmente tem menos debate”, diz. Ela afirma que alguns comentários foram respondidos “de forma cordial” pela própria embaixada ou pelos consulados que replicaram o vídeo, mas que em muitos casos os próprios usuários responderam uns aos outros.

"Quem protesta contra os nazistas não é de esquerda, mas normal"; "direitos humanos ao invés de humanos de direita" e "nós somos todos humanos", nos cartazes em protesto em Chemnitz, na Alemanha, no dia 3 de setembro.  GETTY IMAGES
Apesar da polêmica e de alguns comentários pouco cordiais de usuários, a embaixada não pretende retirar do ar a publicação. “Isso é um assunto importante em muitos países atualmente”, diz Jenner, sobre a temática levantada pelo vídeo. “Mas as reações daqui são devido a situação política do Brasil”, afirma. Desde as jornadas de junho de 2013, o país vive um clima acirrado de polarização política. Grupos alinhados ao pensamento da direita se uniram em torno do impeachment da petista Dilma Rousseff. Enquanto grupos de esquerda acusavam os adversários de golpe. Neste cenário, a defesa falaciosa de que o nazismo seria um movimento de esquerda se tornou comum entre militantes da direita nas redes sociais.

Na escola, os alemães começam a aprender sobre o nazismo quando têm  entre 13 anos e 15 anos. E no Brasil também. "Os alunos da rede pública estudam este tema em História em dois momentos do ciclo básico: no nono ano do ciclo fundamental e no terceiro ano do ensino médio", afirma o professor de história da rede pública de São Paulo Danilo Oliveira. A diferença é que, enquanto na Alemanha a história do Terceiro Reich está nas ruas, no turismo e nas memórias das famílias, no Brasil, as lembranças do passado de influência nazista vão sendo apagadas pelo desinteresse sobre o tema.
É o que aconteceu com a Fazenda Cruzeiro do Sul, em Paranapanema, interior do Estado, onde funcionou na década de 1930 uma colônia nazista. A história da fazenda ganhou destaque a partir do trabalho do historiador Sydney Aguilar que descobriu como 50 meninos órfãos do Rio de Janeiro foram escravizados por dez anos a ponto de terem sido privados até mesmo de seu nome, eles só ganhavam números. Essa história foi contada no filme Menino 23, lançado em 2016. O prédio da sede, construído com tijolos com o desenho da suástica, já não existe mais. O proprietário começou a demolir a estrutura em 2012, e terminou em 2016. E só restou à Procuradoria Geral do Estado processar o dono.
O professor Oliveira admite que o nível de informação dos brasileiros sobre grandes temas da humanidade, como o nazismo, pode piorar nos próximos anos. Isso porque a diferença entre as ideologias de direita e esquerda são mais aprofundadas nas disciplinas de história e sociologia no ensino médio, que deixarão de ser obrigatórias se a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) para esta etapa de estudos for aprovada. Por enquanto, como disse um internauta, "brasileiros questionando a embaixada alemã sobre nazismo é 8 a 1 para Alemanha". Mas pelo andar das coisas, esse placar ainda tem potencial para crescer muito.

quarta-feira, 24 de janeiro de 2018

O julgamento de Lula visto pelo mundo.... Por Patricia Faermann



"Não à toa que 54 dos 300 jornalistas credenciados para acompanhar o julgamento em Porto Alegre são correspondentes internacionais: quase um quinto do total. Artigo do The New York Times intitulado "Democracia brasileira empurrada para o abismo", publicado pelo pesquisador Mark Weisbrot ainda ontem, dava o tom da importância."



Foto: Ricardo Nogueira - EFE


Jornal GGNNão é só o Brasil que parou para acompanhar o julgamento do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4) na manhã de hoje (24). Jornais do mundo inteiro anunciaram as expectativas que afetam o cenário do país latino-americano, em ano que o próximo a comandar a política e economia da nação brasilera é interesse e pauta global.
Não à toa que 54 dos 300 jornalistas credenciados para acompanhar o julgamento em Porto Alegre são correspondentes internacionais: quase um quinto do total. Artigo do The New York Times intitulado "Democracia brasileira empurrada para o abismo", publicado pelo pesquisador Mark Weisbrot ainda ontem, dava o tom da importância.
"Esta semana, essa democracia pode ser mais corroída, quando um tribunal de apelação de três juízes irá decidir se a figura política mais popular do país, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do Partido dos Trabalhadores, será impedido de disputar as eleições presidenciais de 2018, ou ainda ser preso", escreveu.
Na manhã de hoje, antes mesmo do início do julgamento, a manchete estampava os principais periódicos de todos os países. 
"O Brasil está se preparando para uma decisão judicial histórica que poderia derrubar o líder mais popular da história brasileira moderna de uma eleição que ele está atualmente preparado para vencer - e pode se tornar devastador para o Partido de Trabalhadores que ele fundou", introduziu da capital gaúcha o correspondente Dom Phillips, do jornal britânico The Guardian.
Na França, o Le Figaro mirou a responsabilidade dos desembargadores do TRF-4: "Três juízes de um Tribunal de Recurso do sul do Brasil têm diante deles certamente o julgamento mais difícil de sua carreira. (...) O que está em jogo: uma possível inadmissibilidade da figura emblemática da esquerda na eleição presidencial de outubro, que ele é o favorito. Este seria provavelmente um jogo final para o homem que dominou a política do Brasil nas últimas duas décadas."
"Palácio ou Prisão para Lula", apontou Von Borin Hermann, direto do Rio de Janeiro, para o alemão Süddeutsche Zeitung, no início da manhã. Mas a análise do diário foi um pouco além do comum, especulando, inclusive, se o ex-presidente com viagem marcada à Etiópia na próxima semana se tornaria o primeiro ex-chefe de Estado na América Latina a fugir de uma condenação.
Ao negar o próprio questionamento, os estereótipos marcaram a resposta do jornal alemão: "Há duas respostas a isso. Primeiro, Lula não é alguém qualquer, mas talvez o brasileiro mais famoso que não ganha dinheiro com o futebol. Assim, ele não poderia se esconder. Em segundo lugar, simplesmente não seria seu estilo. Lula, de 72 anos, já anunciou que sua campanha eleitoral presidencial continuará, não importa o que os juízes decidam na quarta-feira".
Na página principal do outro jornal alemão Spiegel, um relato mais objetivo do que se via nas ruas de Porto Alegre na manhã de hoje, pela visão do repórter Jens Glüsing, na matéria "A Batalha de Porto Alegre".
"Milhares de apoiantes de seu partido de trabalhadores esquerdistas vieram a Porto Alegre nos últimos dias para apoiar seu ídolo. Grupos de direita também marcharam, eles gostariam muito de ver Lula na prisão. A atmosfera está tão aquecida que conflitos violentos não podem ser descartados. Os jornais brasileiros já alertam sobre a 'Batalha de Porto Alegre'."
No The Washington Post, as norte-americanas Anna Jean Kaiser e Anthony Faiola viram no julgamento a mobilização nacional, contra e a favor de Lula, mas chegaram a comparar o caso de Lula com o do atual mandatário Michel Temer, que foi absolvido pela Câmara dos Deputados, e até mesmo com "abusos fiscais" que teriam gerado o impeachment de Dilma, em "uma nação exausta por escândalos políticos sem parar".
O El País divulgou em sua versão europeia e da América Latina a transmissão ao vivo. "As acusações são sobre um apartamento em uma praia em São Paulo, de propriedade de uma empresa que fazia negócios com o governo Lula (2003-2010) e que, supostamente, havia dado ao político. Mas, para muitos, esse julgamento tem entendimentos políticos e procura julgar a honestidade e a personalidade de quem foi a referência da esquerda em toda a América Latina", disse o jornal em sua introdução.
"Não há um plano B", disse um parente de Lula ao diário francês Le Monde. "Aos 72 anos, Lula, que é indestrutível, cuja vida se funde com seu compromisso político, não está pronto para jogar a toalha, mas para desafiar a Justiça até o fim. O seu carisma e gênio político chegaram a  tornar o tema de um sucessor algo problemático", disse.

sexta-feira, 21 de julho de 2017

Jornais alemães, como o Der Spiegel e o Die Zeit, os mais importantes, falam da falta de provas na condenação de Lula e que Moro fez um julgamento político. Veja o vídeo

Sem Título-4.jpg
Charge de Renato Aroeira

Vídeo da TVT... Assista e reflita... Depois leia o texto retirando do DCM:



Matéria da Der Spiegel sobre a condenação de Lula

Publicado no Facebook de Antonio Salvador, da Humboldt-Universität zu Berlin
Dado que a imprensa brasileira não é lá muito confiável, a cobertura internacional merece ser observada. Ela aponta o modo como o Brasil tem sido visto e como será tratado no contexto internacional, num futuro próximo.
Aqui na Alemanha, durante o fim de semana, foram publicadas diversas matérias analisando a condenação do Presidente Lula.
Um dos periódicos mais importantes da Europa, a Der Spiegel, publicou uma longa análise com o título “Julgamento contra o ex-Presidente do Brasil: Estado no lodaçal”. A matéria já começa dizendo que, há um ano, Lula teria dito à Spiegel não ter medo de prisão, e enfatiza: “por enquanto, ele não tem mesmo motivo para isso”.
Até o juiz Sérgio Moro é citado. A revista afirma que, “por sensatez, ele se absteve de determinar a prisão”, pois se Lula tivesse sido preso, “a crise nacional se agravaria perigosamente”.
Sobre o juiz Sérgio, ainda conclui a Spiegel que “Moro confirmou com sua sentença o que os críticos reprovam nele há muito tempo: o tratamento jurídico do maior escândalo de corrupção da história do Brasil segue critérios políticos, e não legais”,
Segundo a lógica alemã, a razão é visível: a acusação contra Lula, “ter recebido um apartamento”, parece “uma ninharia em comparação com as acusações contra o atual presidente Michel Temer e seus aliados”. A revista é categórica: “Trata-se de centenas de milhões de dólares desviados para contas secretas na Suíça e dinheiro de extorsão em malas de rodinha.”
Em comparação com os movimentos pró-impeachment, tão contrários à corrupção, a Spiegel acha estranho que não haja milhões de pessoas indo às ruas contra Temer.
Afirma com todas as letras: “O principal objetivo das manifestações de um ano atrás, conforme hoje se apresenta, não foi a luta contra a corrupção: aqueles manifestantes queriam derrubar Rousseff e ver Lula atrás das grades. O primeiro objetivo eles alcançaram, o segundo está mais próximo do que nunca. Mas o preço que o país paga por isso é alto.”
Vai adiante: “Se o ex-Presidente for para a prisão, enquanto o odiado Temer e seus aliados conservadores fogem”, muitos brasileiros “perderiam a última fé no Estado de Direito – com consequências imprevisíveis para a estabilidade política”.
Fazendo um balanço da Era Lula e citando seu favoritismo para as eleições de 2018, conclui: “Comparado com o triste quadro do atual governo, seus oito anos brilham ainda mais.”
O triste quadro dispensa comentários, mas um ponto, relativo à imagem internacional do Brasil, chama atenção: “o Brasil já se despediu da política externa, o governo está mais ocupado com a própria sobrevivência política”.
Ainda sobre as próximas gerações, diz a Spiegel: “A mudança geracional nas próximas eleições terá um impacto mínimo. A maioria dos políticos jovens são filhos e filhas da antiga classe dominante – sua família lhes fala mais de perto do que princípios éticos. As forças de inércia são mais fortes que o impulso para a mudança.”
Isto também, segundo a Spiegel, se aplica ao Judiciário. Refere-se expressamente ao Supremo Tribunal Federal: “atua como uma barreira protetora para Temer e seus aliados no Congresso”.
Voltando a Lula, vaticina: “Se ele não poder competir nas próximas eleições, isso atrairá dúvida aos olhos de muitos brasileiros quanto à legitimidade da eleição. A profunda crise sistêmica, que já dura três anos, ofuscaria o mandato do próximo presidente – e, possivelmente, jogaria a democracia no abismo.”
Por fim, mas não por último, salienta: “A solução para o dilema do Brasil deve vir da política. O Judiciário é a instância errada. Como fazer isso, não é claro. Mas uma coisa é certa: o veredicto final sobre Lula virá dos historiadores, não do juiz Moro.”
Pergunta aos concidadãos: os alemães estão compreendendo a coisa toda?
Acompanhe as publicações do DCM no Facebook. Curta aqui.

domingo, 5 de março de 2017

Brasileiros na Alemanha lançam movimento em defesa de Lula. Da Rede Brasil Atual




Grupo organiza site para denunciar e reunir apoios na comunidade internacional contra estado de exceção comandado por Moro e setores do Judiciário
SOSLula_final.jpg

por Redação RBA publicado 05/03/2017 12h07, última modificação 05/03/2017 12h52

São Paulo – Cidadãos brasileiros residentes em Berlim, capital da Alemanha, organizam-se pela defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva contra as arbitrariedades e ofensivas de que tem sido alvo por conta da operação Lava Jato, sob comando do juiz federal de primeira instância Sergio Moro, com apoio de setores do Judiciário brasileiro, no caso de processos semelhantes contra Lula, sua família e aliados políticos. O grupo lançou um manifesto e um site – SOS Lula –, em que expõe as motivações para a iniciativa, lista notícias e artigos publicados pela imprensa internacional sobre o tema, além de angariar apoios. Adesões à carta e à causa devem ser enviadas para soslula@online.de .
Segundo nota divulgada pelo grupo, a ideia é "divulgar informações e fazer outras manifestações denunciando a perseguição judicial e policial a que vem sendo submetido o ex-presidente do Brasil".
A seguir, a íntegra do documento que firma a criação do movimento:
O SOS Lula é uma iniciativa que começou entre cidadãos residentes em Berlim, com o objetivo de divulgar informações e fazer outras manifestações denunciando a perseguição judicial e policial a que vem sendo submetido o ex-presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, e sua família, no âmbito da Operação Lava Jato e outros processos semelhantes. No texto abaixo explicitamos as razões e o contexto desta iniciativa. Conclamamos outras pessoas e organizações a tomarem iniciativas semelhantes.
SOS Lula
Com base em investigações conduzidas desde 2008, em 2014 a Polícia Federal deflagrou a chamada "Operação Lava Jato", para investigar uma série de atos de corrupção envolvendo autoridades e empresários sobretudo ligados a atividades da Petrobras e empresas privadas conexas. A operação tem sede no juizado de Curitiba, que é parte da 4ª Região Judiciária Federal do Brasil. Envolve, além de equipes da Polícia Federal, procuradores públicos desta região.
Os casos investigados são encaminhados, em primeira instância, para o juiz Sergio Moro, também sediado em Curitiba. Além disto, a Operação acabou por deflagrar uma série de outras semelhantes, envolvendo, além do Ministério Público Federal, outros tribunais, juízes, promotores e policiais federais sediados em outras regiões. Ao longo do seu desenvolvimento, ficou claro que a Operação Lava Jato e as outras conexas se caracterizaram pela parcialidade.
Acusações e o julgamento contra membros do Partido dos Trabalhadores e seus aliados eram conduzidas com muita rapidez. As feitas contra membros de outros partidos têm processamento mais lento; algumas sequer entraram em juízo, e podem prescrever.
Também ficou claro que havia um empenho por parte dos investigadores, em encontrar acusações contra o ex-presidente Lula e seus familiares e amigos. As principais acusações contra Lula podem ser reunidas dentro dos seguintes grupos:
- Reformas e entrega de um apartamento na cidade de Guarujá, estado de S. Paulo, pela empresa construtora Odebrecht em troca de favores.
- Reformas em sítio no município de Atibaia, perto da cidade de S. Paulo, para usufruto de Lula e de sua família, também em troca de favores a favor de Odebrecht.
- Outros benefícios a ele dados em troca de favorecimento da obtenção de contratos para empresas brasileiras no exterior.
- Financiamento privado da guarda de presentes dados ao ex-presidente depois do seu mandato. 
Para realizar seu propósito de encontrar alguma acusação contra o ex-presidente, com o objetivo de condena-lo e encarcera-lo, a Operação Lava Jato e as conexas cometeram uma série de ilegalidades. Destacamos algumas:
- Realizaram gravações ilícitas de conversas telefônicas do ex-presidente e seus familiares.
- Divulgaram ilegalmente estas gravações (as transcrições e o áudio) à mídias reconhecidamente hostis ao ex-presidente, que lhes deram publicidade com exagero.
- Instigaram depoentes, acusados e testemunhas, a fazerem declarações que incriminassem o ex-presidente e seus familiares. Invadiram sua casa, revistando-a de modo agressivo, sem necessidade.
- Detiveram de forma ilegal, durante várias horas, o ex-presidente para que depusesse, quando poderiam te-lo intimado a depor voluntariamente, coisa a que ele nunca se negou.
- Deram declarações apresentadas ao vivo e reproduzidas com exagero pela mídia hostil, apresentando o ex-presidente como "cérebro" de uma organização criminosa. Cercearam ilegalmente as atividades da defesa do ex-presidente, manifestando clara animosidade contra seus defensores.
Não resta dúvida de que o ex-presidente hoje é alvo e vítima do que, em língua inglesa, se chama de "lawfare" – a mobilização de um aparato legal, com ajuda da mídia, para perseguir um adversário político. O objetivo, cada vez mais claro, desta perseguição, é alija-lo da atividade política, condenando-o, mesmo sem provas, para impedir que possa ter papel ativo na vida política do país nos próximos anos.
Entretanto, deve-se ressaltar que, ouvidos dezenas de denunciantes e mais dezenas de testemunhas de acusação, durante meses e meses de investigação, a Lava Jato e as operações conexas não conseguiram reunir uma única prova contra o ex-presidente e seus auxiliares. Ao contrário, só conseguiram reunir testemunhos que confirmam sua inocência. Apesar disto, as acusações prosseguem seu rumo, e há uma quase certeza de que o ex-presidente será condenado, mesmo sem provas.
Por este motivo, o ex-presidente entrou com recurso junto ao Alto Comissariado de Direitos Humanos da ONU, através do advogado Geoffrey Robertson, alegando que não poderá ter um julgamento imparcial dentro da Operação Lava Jato, presidido pelo juiz Sergio Moro.
O defensor de Lula junto ao Alto Comissariado ressaltou, além das irregularidades cometidas pelos juízes, procuradores e policiais envolvidos na operação, o fato de que o sistema judiciário brasileiro estabelece que o mesmo juiz que preside a investigação deva presidir o tribunal que julga o caso. Isto faz com que o acusado seja, na prática, colocado em posição frágil desde o início do processo final.
Acresça-se a estes fatos a decisão do Tribunal de Recursos da 4ª Região, a que a Vara de Curitiba é submetida, dizendo que a Operação Lava Jato deve permanecer acima das leis comuns, devido ao caráter excepcional de sua investigação. No entendimento dos melhores juristas brasileiros, isto é a confirmação de que o Brasil vive hoje um estado de exceção que, na prática, suspende os direitos constitucionais dos acusados na operação.
Há outras acusações gravíssimas contra a Lava Jato e seus operadores, que vão desde a violação da soberania nacional até a sabotagem da economia brasileira. Segundo elas a operação não se limitou a denunciar corruptos e casos de corrupção. Sua ação inviabilizou o funcionamento de várias empresas, sobretudo no setor naval, aumentando o desemprego no país. Seus agentes têm operado em cooperação estreita com agentes estrangeiros, sobretudo dos Estados Unidos, usurpando funções que deveriam pertencer aos setores responsáveis pela política externa do país.
Mas nosso foco aqui é a violação dos direitos constitucionais de um acusado que, por sua importância política na história brasileira, está sendo vítima de uma perseguição judicial (lawfare). Todo cidadão deve ter o direito a um julgamento justo e imparcial, e isto está sendo negado ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Ele pode se transformar em um novo Nelson Mandela que, independentemente de suas ações, foi vítima de um sistema judiciário parcial e corrupto, decorrente do apartheid sul-africano de então.
Por estas razões, organizamos esta iniciativa SOS Lula, e pedimos a colaboração de todas e todos no sentido de divulgar estes fatos e apoiar a luta do ex-presidente e seus advogados por justiça, que na pessoa do ex-presidente representa hoje a questão da manutenção do estado de direito e da democracia no Brasil.
Sugerimos uma visita ao nosso site: https://soslula.org/home/
SOS Lula Berlim. Por um julgamento imparcial para Lula. Por um estado democrático de direito no Brasil.
Corinta Maria Grisolla Geraldi
Djé Macedo
Flavio Wolf de Aguiar
Helga Dressel
João Wanderley Geraldi
Lígia Chiappini
Luiz Ernesto Bacellar Freudenthal, Pardal
Maristela Pimentel Alves
Martin Radke
Moacir Lopes de Camargo
Nilda Bezerra
Paula Ferreira Lima
Pedro Dolabella Portella
Peter Steiniger
Viviane Santana
Yesko Quiroga
Zinka Ziebell

domingo, 31 de julho de 2016

Fotos e vídeos das manifestações #foratemer no Brasil e no mundo

Agradecimento a Anaximandro Vieira Delmondes pelas fotos

Grande e lúcido Pepe Mujica também está, no Uruguai, na luta pelo #foratemer


Em Amsterdã, na Holanda, brasileiros e holandeses se reunem pelo #foratemer


Na Bahia, houve também o coro #foratemer


O Rio Olímpico se manifestou a plenos pulmões: #foratemer !


Em Londres, também se fez presente o #foratemer !

Também no reduto do pior do fascismo, da Fiesp e dos Marinhos, muita gente foi gritar #foratemer em São Paulo


Na Alemanha, estudantes, professores, trabalhadores brasileiros e germânicos também pedem o #foratemer neste dia 31 de julho de 2016


Porto Alegre, mais uma vez, fazendo bonito contra os acéfalos, midiotas e coxinhas... #foratemer !


#foratemer golpista em todo o Brasil!