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terça-feira, 4 de agosto de 2015

Capitalismo e a prática da descartabilidade planejada ou da "obsolesência programada", em vídeo documentário



Carlos Antonio Fragoso Guimarães

  Segue, ao final deste texto, um vídeo documentário franco-espanhol sobre como o consumismo da atual fase do capitalismo neoliberal é baseado na ideologia insana e ecologicamente nociva da descartabilidade planejada ou obsolescência programada, onde todo novo produto é pensando para ser momentaneamente útil e logo superado e descartado por outro, ad infinitum...


  A "obsolescência programada" surgiu da necessidade capitalista de acúmulo de capital ao promover e incentivar o consumo constante. Embora seus inícios possam ser rastreados nas décadas de 1930 e 1940, foi após o fim da segunda guerra, com a destruição da indústria Alemã e nipônica, que o fenômeno conhecido como "descartalização" se fez mais visível, com um incremento maior a partir da era Ronald Reagan, a partir de 1981. 

  A tática baseia-se num apelo à dissonância cognitiva e acrítica de consumidores, pois a estratégia do mercado busca garantir um consumo constante através da insatisfação, de forma que os produtos que satisfazem as necessidades daqueles que os compram parem de funcionar ou, de modo simbólico e realçado pela mídia, tornem-se ultrapassados, superados obsoletos em um curto espaço de tempo (não apenas coisas em si, mas expressões ditas "artísticas", modismos diversos e mesmos programas de computador, como o Rwindows, seguem este critério), tendo que ser, por imposições sociais e de mercado, substituídos. Existe mesmo um acordo comercial em que boa parte dos "bens de consumo tecnológico" são pensados e fabricados de forma a terem uma vida útil bastante curta (baterias, veículos, computadores, televisõres, celulares, equipamentos de áudio e vídeo, etc.), pouco importando o sério impacto ambiental, social e energético que a produção contínua de material descartado provoca.

  Assistam, pois, o vídeo "Obsolescência Programada" e tirem suas próprias conclusões:





quarta-feira, 31 de julho de 2013

O sujeito egoísta de nossos dias: um burocrata capitalista



Um burocrata é aquele cara que deixa de ter traços pessoais para representar os traços de uma empresa, corporação ou agrupamento. Ele se torna imediatista, plutocrático, não tem ou distorce uma visão de conjunto. Se torna tão artificial que deixa de ser considerado pessoa, se tornando um Darth Vader. 

Sobre isso convém ler esta coluna do jornalista Luis Nassif:

O negociador comedor de fígado


Autor: 
 
Coluna Econômica
O avanço do capitalismo nas últimas décadas, os sistemas de bônus de desempenho e participação em resultados acabaram criando um personagem tipicamente corporativo, o sujeito - em geral sem visão de conjunto - que, nas negociações, toma por objetivo levar vantagem em tudo. É o chamado “comedor de fígado”. E, muitas vezes, acaba comprometendo negociações importantes por falta de visão de conjunto, sensibilidade humana, de não entender que, na outra ponta, há pessoas, não computadores.
***
Um dos grandes empresários brasileiros, Walther Moreira Salles, fez carreira como investidor visionário mas, principalmente, pela confiabilidade que passava aos sócios..
Contou-me certa vez que Nelson Rockefeller interessou-se em tornar-se sócio da Fazenda Bodoquena, que ele tinha em Mato Grosso. Acertaram o negócio, percentual e preço, e deixaram para sacramentar em Nova York.
Lá, um exército de advogados esmerou-se em encontrar pelo em ovo, chifre em cabeça de cavalo e dente em bico de galinha. Foram interrompidos por Rockefeller: "Já acertamos o negócio. O papel de vocês é facilitar, não o de dificultar".
***
Em parte essa gana do tecnocrata decorre do profundo sentido litigante implantado pela advocacia empresarial norte-americana. Em parte, pelo fim do capitalismo de família norte-americano, período que começa a se esgotar nos anos 1960, com o crescimento das sociedades anônimas e a diluição da herança das primeiras gerações capitalistas.
No modelo anterior, o poder era exercido por uma seleção restrita de famílias, o chamado grande mundo empresarial, um clube fechado ao qual poucos tinham acesso. Por restrito e baseado em relações pessoais, havia um conjunto de regras tácitas disciplinando as relações de negócio. Mesmo restrito, as regras de conduta e negociação acabaram se refletindo nos escalões inferiores das próprias empresas, forjando uma ética capitalista - injusta para com os de fora, mas rigorosa para com os de dentro. 
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Esse modelo começa a se esgarçar com a era dos grandes CEOs, processo que se acelera com o próprio advento do chamado neoliberalismo - o período que sucede o fim da paridade dólar-ouro, em 1972. O negociador comedor de fígado torna-se rei, criando uma cultura muitas vezes nociva para os negócios.
Na linha de frente, ele negocia em nome da empresa. Mas seu foco são os centavos que irá ganhar naquela operação específica - centavos em relação aos valores tangíveis e intangíveis que estão em jogo. Com a enorme complexidade dos tempos modernos, essa prática acaba se espalhando por todos os setores da empresa, nas negociações com fornecedores, parceiros.
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Agora, com o advento da Internet, o modelo passa a ser colocado em xeque. O modelo convencional de negócios é substituído pelo trabalho em rede, por milhares de desenvolvedores, startups, inovando não apenas os produtos, como as formas de parceria. A grande corporação é obrigada a se civilizar, principalmente porque os novos tempos acabam com a estratificação empresarial do período anterior. E as negociações são feitas com jovens empreendedores, ariscos a toda forma de hierarquização, ao burocratismo das grandes organizações.
O chamado "fio no bigode" torna-se mais relevante que o comedor de fígado.
Fonte: http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/o-negociador-comedor-de-figado