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sábado, 1 de agosto de 2020

Contra “descalabros” de Bolsonaro (e seus militares coniventes), intelectuais apoiam a “Carta ao Povo de Deus" dos 152 bispos brasileiros”






Projeto Brasil Nação, movimento de intelectuais e artistas, manifestou apoio às críticas feitas por 152 bispos brasileiros




No texto, intelectuais criticam "descalabros" do governo federal e denunciam que Bolsonaro age de forma deliberada para "para destruir o Brasil" - Marcos Corrêa/PR



do Brasil de Fato

Contra “descalabros” de Bolsonaro, intelectuais apoiam “Carta ao Povo de Deus”


As duras críticas a Jair Bolsonaro (sem partido) feitas por 152 bispos, arcebispos e bispos eméritos brasileiros na Carta ao Povo de Deus seguem recebendo manifestações de apoio. Nesta sexta-feira (31), intelectuais e artistas do Projeto Brasil Nação endossaram publicamente o posicionamento dos religiosos, criticando “descalabros” do governo federal e denunciando que Bolsonaro age de forma deliberada para “para destruir o Brasil e subordiná-lo aos interesses estrangeiros”.
O Projeto Brasil Nação é um movimento suprapartidário que reúne intelectuais, artistas, cidadãos de diferentes visões políticas, como Margarida Genevois, Fábio Konder Comparato, Luciano Coutinho, Maria Victoria Benevides e os ex-ministros Luiz Carlos Bresser-Pereira e Celso Amorim (veja a lista completa ao final desta matéria).
Na Carta ao Povo de Deus, divulgada na segunda-feira (27), e endossada posteriormente por mais de mil padres, os religiosos criticaram a incapacidade de enfrentar as crises no Brasil. O texto também rechaça a postura do presidente ao difundir “discursos anticientíficos, que tentam naturalizar ou normalizar o flagelo dos milhares de mortes pela covid-19”.
Leia na íntegra a manifestação de apoio do Projeto Brasil Nação:
O Projeto Brasil Nação apoia e se solidariza com a “Carta ao Povo de Deus”, assinada por mais de 150 de bispos brasileiros. O texto aponta os descalabros produzidos pelo governo Bolsonaro, que impõe ao país milhares de mortes na pandemia, ataques à democracia, desagregação social, desastre ambiental, uma “economia que mata”.
De forma deliberada, Bolsonaro age para destruir o Brasil e subordiná-lo aos interesses estrangeiros, colocando a Nação como vassala dos Estados Unidos. Roendo as instituições, desprezando a população e aniquilando pequenas empresas, o governo se transforma em inimigo da vida, da saúde, da democracia, da soberania, da diplomacia, de direitos, da ética, da educação, da cultura, do desenvolvimento com justiça, igualdade e paz.
Como reforça o documento dos bispos, “o momento é de unidade no respeito à pluralidade!”. Seus signatários propõem “um amplo diálogo nacional que envolva humanistas, os comprometidos com a democracia, movimentos sociais, homens e mulheres de boa vontade”.
O Projeto Brasil Nação, movimento suprapartidário que reúne intelectuais, artistas, cidadãos de diferentes visões políticas, apoia essa ideia e se soma a esse chamamento. É preciso, como afirmam os religiosos, despertar “do sono que nos imobiliza e nos faz meros espectadores da realidade de milhares de mortes e da violência que nos assolam”.
São Paulo, 31 de agosto de 2020
Projeto Brasil Nação
Luiz Carlos Bresser-Pereira
Celso Amorim
Margarida Genevois
Fábio Konder Comparato
Luciano Coutinho
Maria Victoria Benevides
Luiz Gonzaga Belluzzo
Paulo Sérgio Pinheiro
Eleonora de Lucena
Paulo Nogueira Batista Júnior
Maria Auxiliadora Arantes
Rodolfo Lucena
Luiz Felipe de Alencastro
Maria Aparecida Aquino
Fernando Morais
João Pedro Stedile
Silvio Almeida
Leda Paulani
José Luiz Del Roio
Antonio Elpídio da Silva
Rosane Borges
Edson Carneiro Índio
Tata Amaral
Edson França
Mario Vitor Santos
Gilberto Maringoni
Eduardo Fagnani
Benedito Tadeu Cesar
Ismail Xavier
Henri Arraes Gervaiseau
William Nozaki
Paulo Kliass
Cassia Damiani
Ângela Cristina dos Santos Ferreira
Altamiro Borges
Rodrigo Medeiros



domingo, 28 de junho de 2020

Movimento mundial Stop Bolsonaro toma conta de ruas e praças em diversos países


Da Rede Brasil Atual:


Os manifestantes denunciam a política do governo brasileiro em relação à pandemia, de deixar a população à mercê do novo coronavírus



a Praça dos Três Poderes amanheceu repleta de cruzes, para marcar a memória de brasileiros que perderam a vida

São Paulo – Manifestantes de diversos países foram às ruas contra a política de Jair Bolsonaro em relação à covid-19, que já matou mais de 57 mil pessoas no país. A curva de contágio segue ascendente, com mais de 1,3 milhão de infectados pelo novo coronavírus.
Em Brasília, a Praça dos Três Poderes amanheceu repleta de cruzes, para marcar a memória de brasileiros que perderam a vida devido à escolha do governo, de deixar a população à mercê do novo coronavírus.
O ato internacional Stop Bolsonaro é promovido por diversas entidades do Brasil e de outros países.
Residente na Dinamarca, a jornalista Selma Vital, responsável pelo grupo Aurora, disse à repórter Marilu Cabañas, da Rádio Brasil Atual. Rádio Brasil Atual que o governo Bolsonaro atinge todos os brasileiros, inclusive quem mora no exterior.
“Esse ato dá a possibilidade de quem está fora do país também ecoar a indignação. Enquanto vimos países pararem, por conta da pandemia, Bolsonaro não fez nada“, criticou.
O Stop Bolsonaro terá programação ao longo do dia em diversas partes do país. Em São Paulo será a partir das 14 horas.

Confira os atos em diversas cidades:






quinta-feira, 2 de janeiro de 2020

De todos os de bem e em prol da civilização, nossa meta para 2020 é....




Destruir o fascismo!

quinta-feira, 25 de julho de 2019

As quatro capas de proteção constitucional do The Intercept: imprensa, expressão, informação e verdade histórica. Artigo de Carol Proner, dos Juristas pela Democracia



"Aqui entra todo o debate a respeito da conduta de procuradores, juízes, policiais federais envolvidos em atos de conluio, seus aparelhos de telefone funcionais, o dever de transparência, o princípio da imparcialidade a as violações ao devido processo legal, todas questões afetas à transparência e à publicidade dos atos do poder público e que superam qualquer dissimulação a respeito de hackers e crimes informáticos."






As quatro capas de proteção constitucional do The Intercept: imprensa, expressão, informação e verdade histórica

Do 247:

Para Carol Proner, dos Juristas pela Democracia, "não se trata apenas de liberdade de imprensa a dar cobertura constitucional ao trabalho do The Intercept, mas também de liberdade de expressão, do direito à verdade e do direito (de acesso) à informação, quatro capas jurídicas imbricadas que garantem absoluta legalidade e o dever de proteção estatal ao trabalho dos jornalistas liderados por Glenn Greenwald"

Não se trata apenas de liberdade de imprensa a dar cobertura constitucional ao trabalho do The Intercept, mas também de liberdade de expressão, do direito à verdade e do direito (de acesso) à informação, quatro capas jurídicas imbricadas que garantem absoluta legalidade e o dever de proteção estatal ao trabalho dos jornalistas liderados por Glenn Greenwald. 
As revelações são mais que jornalismo, pois permitem a realização do direito à verdade histórica. Permitem a revelação do que vinha sendo denunciado por juristas em todo o país: a disfuncionalidade de setores do sistema de justiça e o conhecimento de eventuais crimes cometidos por funcionários públicos num trabalho de inestimável valor à sociedade brasileira.
A Constituição de 1988 tem mania de liberdade e repudia a censura prévia. O artigo 5º, dispõe sobre a liberdade de expressão para brasileiros ou estrangeiros residentes no país, assegurando a manifestação e a expressão independentemente de censura ou licença. Apesar do repúdio à censura, a liberdade de expressão não é absoluta. Ao direito correspondem deveres e limites comuns a qualquer liberdade, cujos abusos implicam responsabilização de condutas caluniosas, injuriosas e difamantes. Daí decorre o sentido geral de vedação ao anonimato, como forma de possibilitar a responsabilização das condutas abusivas. 
Já a liberdade de imprensa tem finalidade diversa, embora complementar ao caso em tela. Trata das garantias ao exercício profissional na realização do jornalismo como forma de noticiar, denunciar e dar publicidade a fatos visando o direito à informação e o interesse público. Somente a imprensa livre e o respeito à soberania investigativa podem assegurar o bom funcionamento democrático e uma sociedade liberta da censura. 
Tanto quanto a liberdade de expressão, a liberdade de imprensa também usufrui do rol de garantias e limites constitucionais. Ao mesmo tempo, é necessário que a liberdade de imprensa receba um tratamento específico para que seja protegido o correlato interesse público de acesso à informação. É o caso do anonimato que, quando indispensável ao exercício profissional, é flexibilizado para permitir o sigilo da fonte.
Vê-se claramente, portanto, que ambas as categorias de direito envelopam o trabalho dos jornalistas do The Intercept nas revelações sobre a Lava Jato. Tanto a liberdade de imprensa, e o respectivo sigilo da fonte, como a criteriosa curadoria antes de cada revelação, imbricam as duas categorias de direitos fundamentais. Tanto o trabalho de imprensa livre, protegendo a fonte, como a liberdade de expressão e opinião dos jornalistas a respeito dos fatos estão plenamente protegidos pela Constituição, havendo uma indiscutível união de liberdades – expressão e imprensa – atuando lado a lado para garantir um direito maior, o direito da sociedade saber o que realmente está acontecendo nos bastidores da Operação Lava Jato.
A descoberta da verdade como papel da imprensa livre exige, como contrapartida, a proteção do exercício profissional, ou seja, a garantia de que o jornalista poderá falar e escrever livremente, publicar, denunciar, ir e vir sem se sentir ameaçado, sabendo-se protegido pelas leis e pelo Estado no cumprimento de um serviço de interesse público. 
A imprensa livre pressupõe o sentido do agir profissional em prol de uma sociedade igualmente livre e democrática, capaz de arbitrar os próprios rumos. E supõe, precipuamente, o engajamento ético com a verdade jornalística, o compromisso de não sonegar informações, de não distorcer, não alterar ou modificar o sentido original, em suma, o compromisso de não deformar ou falsear as informações. 
E é aqui que reside o mais importante e estrutural sentido do exercício profissional da liberdade de imprensa, o que lhe serve de alicerce de legitimidade porque responde ao soberano e irrenunciável direito à verdade dos fatos para o bom arbítrio dos rumos de uma sociedade democrática. O site The Intercept, ao receber o material de fonte anônima e tomar a decisão de publicá-lo na integra, guardadas as limitações e cuidados legais, realiza o acesso à informação e o direito à verdade. 
Nunca é demais ressalvar que a liberdade de imprensa não se confunde com a liberdade de empresa, o que, não raro, remete ao abuso discursivo das liberdades em proveito dos monopólios midiáticos. Coisa diversa é a liberdade de imprensa, legitimada pelo interesse público, que deve ser preservada inclusive como forma de denunciar os interesses dos grandes grupos e a sonegação da verdade.
Ainda que o direito à verdade não tenha previsão explícita no texto constitucional, a sua fundamentalidade é reconhecida tanto do ponto de vista formal como material, sendo a transparência e a publicidade dos atos do poder público um arrimo do Estado Democrático de Direito. Com o avanço e a consolidação da democracia, a sociedade brasileira têm aprendido a reivindicar o direito de acesso às informações relevantes como forma de exigir, cotidianamente, a transparência na gestão pública. 
Por evidente, a ideia de Estado constitucional e democrático é avessa ao segredo. Ainda que o direito à verdade e o acesso à informação encontrem óbices que podem justificar o sigilo individual ou coletivo, o grau de transparência e de acesso às informações públicas são um termómetro de saúde democrática. 
Esse é o sentido histórico e de acúmulo constitucional da Lei 12.527 de 2011, a chamada Lei de Acesso à Informação (LAI). A lei, plasmando a ideia do acesso em detrimento do segredo, estabelece mecanismos para que qualquer pessoa possa solicitar informações públicas a órgãos competentes e foi duramente atacada logo no início do governo Bolsonaro. Quando considerada ao lado da liberdade de imprensa, a LAI empresta um sentido público ainda mais denso ao trabalho do The Intercept, já que a legislação estabelece, como objetivo central, que todas as informações produzidas ou sob a guarda do poder público, são informações públicas e, como tal, devem ser acessíveis à cidadania, ressalvadas informações pessoais e hipóteses de sigilo legalmente estabelecidas. 
Aqui entra todo o debate a respeito da conduta de procuradores, juízes, policiais federais envolvidos em atos de conluio, seus aparelhos de telefone funcionais, o dever de transparência, o princípio da imparcialidade a as violações ao devido processo legal, todas questões afetas à transparência e à publicidade dos atos do poder público e que superam qualquer dissimulação a respeito de hackers e crimes informáticos.
E por tudo isso que o trabalho de Gleen Greenwald e sua equipe precisa ser defendido. O que eles fazem é mais que jornalismo. Realizam um inestimável trabalho de reconstituição da verdade histórica em tempos bloqueados pelo arbítrio judicial e pelo saudosista das sombras do passado.

quarta-feira, 15 de maio de 2019



Hoje, dia 15 de maio, é o Dia Nacional de Greve na Educação. Manifestações estão programadas em todo o país em protesto contra o corte de verbas nas universidades e institutos federais e contra a reforma da Previdência.



Jornal GGN Hoje, dia 15 de maio, é o Dia Nacional de Greve na Educação. Manifestações estão programadas em todo o país em protesto contra o corte de verbas nas universidades e institutos federais e contra a reforma da Previdência.
Dia de cruzar os braços e ir para as ruas. Secundaristas, universitários, pós-graduados, professores, trabalhadores da Educação e população estarão nessa grande mobilização nacional. Marianna Dias, presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE) diz que a expectativa é de que a sociedade apoie e participe das manifestações.
Universidades vão parar no Brasil inteiro. Até o momento, 70 universidades confirmaram a adesão à greve e aos atos. O presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE) entende que o corte de recursos ‘colocou lenha na fogueira’ e ajudou a ampliar a adesão. ‘Somente juntos vamos fortalecer essa luta pelo direito social e humano a uma educação pública e de qualidade da creche à pós-graduação’, disse.
Escolas e universidades particulares também confirmaram adesão às manifestações de hoje e trabalhadores nestas instituições cruzarão os braços.
Eis a agenda de mobilizações.
SUL
Rio Grande do Sul
– Porto Alegre: Faculdade de Educação (Faced) da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), às 18h.
– Caxias do Sul: Praça Dante Alighieri, no centro, às 17h30
– Viamão: centro de Viamão, às 16h
Santa Catarina
– Florianópolis: Praça Central, às 15h
– Chapecó: Praça Coronel Bertaso, no centro, às 9h30
Paraná
– Curitiba: Praça Santos Andrade, centro, às 9h, com caminhada a partir das 10h até o Centro Cívico.
Às 11h30, haverá ato em frente a prefeitura e, às 12h30, uma reunião com a bancada da Educação na Assembleia Legislativa.
SUDESTE
São Paulo
– São Paulo: Masp, na Avenida Paulista, às 14h
– Sorocaba: Praça Coronel Fernando Prestes, centro, às 9h
– São Carlos: Praça Coronel Salles, às 9h
– Campinas: Largo do Rosário, às 10h30
Minas Gerais
– Belo Horizonte: Praça da Estação, na Avenida dos Andradas, às 9h. A partir das 14h haverá um debate sobre a reforma da previdência na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).
Rio de Janeiro
– Rio de Janeiro: Candelária, na Praça Pio X, às 15h
Espírito Santo
– Vitória: Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), no campus Goiabeiras e Maruípe, às 16h30. Às 8h30 terá um ato unitário na Praça do Papa, também na capital.
CENTRO-OESTE
Distrito Federal
– Brasília: Museu Nacional, às 10h
Goiás
– Goiânia: Praça Universitária, no Setor Leste, às 14h. Já por volta das 15h, os trabalhadores da educação em Goiânia farão ato público na Praça Cívica.
Mato Grosso
– Cuiabá: Praça Alencastro, às 14h, com estudantes, professores e servidores da educação.
Mato Grosso do Sul
– Campo Grande: Gramado do Pontilhão, em frente a Universidade Federal do Mato Grosso do Sul, às 9h.
NORTE
Amapá
– Macapá, Praça da Bandeira, 16h, com estudantes e trabalhadores da educação.
Amazonas
– Manaus: Entrada da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), às 7h e, na Praça do Congresso, às 15h.
Pará
– Belém: às 8h, na Praça da República, haverá um ato público da categoria. Mais tarde, na Praça Dom Pedro II, às 11h, os estudantes realizarão sua manifestação.
Tocantins
– Palmas: Praça dos Girassóis, na Av. Joaquim Teotônio Segurado, às 9h. No mesmo horário, trabalhadores realizarão um ato na Câmara Municipal.
Acre
– Rio Branco: Ato na Universidade Federal do Acre (Ufac), às 7h. Já às 8h terá um ato público, organizado pelos trabalhadores da educação, em frente ao Palácio Rio Branco.
NORDESTE
Maranhão
– São Luis: Ato de estudantes na vivência da Universidade Federal do Maranhão (UFMA), às 11h30. Mais tarde, às 15h, na Praça Deodoro, os trabalhadores da educação farão greve e participar do ato unificado.
Piauí
– Teresina: em frente ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), às 8h, com trabalhadores em educação básica e entidades estudantis.
Alagoas
– Maceió: Centro Educacional de Pesquisa Aplicada (Cepa), na Avenida Fernandes Lima, às 9h.
Paraíba
– João Pessoa: Lyceu Paraibano, na Avenida Presidente Getúlio Vargas, às 9h. Um ato público também será feito, às 14h, na Assembleia Legislativa.
Sergipe
– Aracaju: às 8h30, será feito um ato em frente a Câmara Municipal. Às 14h, uma mobilização unificada entre sindicatos e movimentos sociais, na Praça General Valadão, região central.
Ceará
– Fortaleza: Praça da Bandeira, às 8h. Será feita uma caminhada até a reitoria da Universidade Federal do Ceará (UFC), onde terá um grande ato unificado, com estudantes e trabalhadores.
Pernambuco
– Recife: ato no Ginásio Pernambucana da Aurora, às 15h, que sairá em caminhada até a Praça do Carmo.
Rio Grande do Norte
– Natal: às 15h, os trabalhadores junto com as universidade estarão nas ruas participando do ato unificado em frente ao Midway Mal, na Avenida Bernardo Vieira.
Bahia
– Salvador: Ato em Campo Grande, às 9h. Às 08h30 terá um ato unificado ao lado da prefeitura da capital, com a participação de professores e professoras da rede pública de municipal de Camaçari.

sexta-feira, 5 de abril de 2019

A pedagogia espírita e os massacres pelo Brasil e pelo mundo, por Dora Incontri



O processo civilizatório é justamente aquele que trabalha, transforma, educa e sublima essas pulsões, sejam elas de outras vidas ou não

Do Jornal GGN e Espiritismo Progressista



Minha mais engajada militância na vida tem sida a ideia de uma pedagogia espírita, que não é uma proposta de pedagogia doutrinante e sectária do espiritismo (ao invés trabalhamos com a inter-religiosidade e o pluralismo). Essa corrente é herdeira de grandes educadores como Comenius, Roussseau, Pestalozzi e do próprio Rivail/Kardec, que foi discípulo de Pestalozzi e pedagogo durante 30 anos na França. É prima irmã de pedagogias como a de Montessori, Freinet, Paulo Freire e outros; é uma proposta emancipatória, que pretende renovar a educação pelo mais fundo de si mesma, levando em conta seu contexto e sua interação social.
Qualquer um, desses grandes educadores citados acima, poderia dar boas respostas para questões pedagógicas, sociais e existenciais que enfrentamos no mundo contemporâneo. Um mundo esvaziado de sentido, violento e desumanizado.
Quando nos defrontamos com as tragédias ocorridas nessa semana, no Brasil e na Nova Zelândia, precisamos recorrer à filosofia, à psicanálise, à espiritualidade, para acharmos algumas causas, que são muitas, complexas e entrelaçadas, e pensarmos possibilidades de prevenção, e não nos desesperarmos totalmente da humanidade.
Sim, na superfície aqui no Brasil, temos o presidente eleito, apontando arminhas com crianças e estimulando a violência e propondo o armamento da população. Isso é grave e agrava a situação. Mas está longe de ser a causa profunda. Aliás, justamente devemos nos perguntar porque uma tal pessoa, que tanta apologia faz da violência e da tortura, atraiu tantos jovens e adolescentes, que aderiram ao seu discurso. As mesmas obscuridades profundas do inconsciente das massas que levam a se identificar com tais personagens (não só a do presidente eleito, mas de seu guru e de seu entorno familiar e político) são as que levam um menino a sair atirando contra crianças e professores.
Todos temos o nosso lado sombrio. Para a visão reencarnacionista, certamente já participamos de crimes, guerras, massacres – basta ver a história humana. Se nós somos os que fizemos essa história milênios, séculos, décadas atrás, então trazemos toda essa violência em nós. Mas mesmo que não aceitemos a ideia da reencarnação, nosso inconsciente, formado pelo atavismo da espécie e pelos recalques da infância, também tem pulsões destrutivas, como bem percebeu Freud e que se não forem sublimadas, podem estourar a qualquer momento, seja no indivíduo, seja nas massas.
O processo civilizatório é justamente aquele que trabalha, transforma, educa e sublima essas pulsões, sejam elas de outras vidas ou não.
O que se dá é que de tempos em tempos na história humana, esgarçamos o verniz da cultura e há um estímulo geral para os monstros virem à tona.
Quem recebeu uma educação amorosa, quem teve condições sociais de se firmar como um sujeito autônomo, com boa autoestima, quem teve acesso ao melhor que há da cultura humana, terá mais recursos para se manter no nível da humanidade e não escorregar para a brutalidade.
Mas, sabemos que mesmo uma nação educada, culta e supostamente civilizada, como a alemã, que teve um Bach e um Beethoven, um Goethe e um Bertold Brecht, resvalou para a mais funda barbárie, com vasta participação popular, trucidando milhões de pessoas, com um discurso totalmente sem nexo. Eu que vivi na Alemanha, por três vezes, sempre tive essa perplexidade diante do nazismo e agora sou obrigada a enxergar a barbárie ressurgir entre o meu próprio povo.
Aí é que entram minhas reflexões pedagógicas, aliás, iluminadas pelos estudos que tenho do assunto, mas também pela própria experiência de ter vivido e ido a escola, na Alemanha.
A educação teria de ser um processo de desenvolvimento pleno, acolhedor. Todos precisariam de amor inteiro na infância. Winnicott já estudou o quanto a privação afetiva nos primeiros anos da criança causa buracos internos, que levam à loucura e à delinquência. Esse amor necessário não é algo abstrato – é comida, teto, roupa, ambiente saudável. Mas também é toque, colo, carinho, aconchego, escuta, presença protetora e confiável do adulto.
Mais adiante, a criança deveria ser educada não apenas considerando-se seu desenvolvimento cognitivo. E já isso é muito mal feito mesmo nas melhores escolas, imagine-se na sucateada escola pública brasileira. Por que mal feito? Porque a escola deveria ser estimulante, criativa, verde, afetiva, sem muros, com diálogo e democracia e não com regras impostas e chatice extrema. Mas além dessa parte intelectiva, a criança precisaria ter uma educação terapêutica. Aprender a analisar, expressar e trabalhar as próprias emoções. Não se sentir sozinha, rejeitada, cheia de medos e frustrações, sem possibilidade de diálogo e socorro. E nesse caso, ainda pior, na constituição do menino, que é chamado a ser o forte, o herói, o violento, o macho predador… muitas vezes pelo pai ou pelas referências masculinas que tem em torno de si ou pela ausência delas.
Mesmo quando a educação atinge parâmetros de civilização e cultura refinadas, como foi o caso da Alemanha e como é o caso de nossas elites brasileiras (será mesmo?), a ausência de um trabalho com as emoções e com a afetividade, pode deflagrar a abertura para o sombrio que há em nós.
Obviamente que todas essas condições ideais de uma educação integral, formadora do ser e transformadora do mundo, dependem de concretas condições econômicas e sociais. Os pais dessas crianças, os professores desses alunos também precisariam ter sido cuidados, amados, e terem condições dignas de trabalho, alimentação e moradia.
Então, tudo se conecta nas causas dessas tragédias: a estrutura capitalista desigual e injusta; a falta de perspectivas, de sentido existencial; a sociedade que só oferece a possibilidade de consumo como compensação do vazio, mas essa possibilidade não chega às periferias do mundo; a falta de tempo e espaço para cuidar do outro, da criança, do velho, do amigo, porque o trabalho é extenuante, a sobrevivência indigna… E não mencionei aqui a indústria de armas, que se alimenta da morte, lucra com isso e não tem nenhum interesse em promover a paz.
Então… para tudo! Precisamos mudar todas as coisas. E talvez, essas grandes e terríveis tragédias em toda a parte, em que vemos a Deep Web alimentar os instintos mais ferozes e primitivos, em que há crianças e adolescentes matando, se matando e sendo mortos… nos mostrem o quanto esse planeta está torto, o quanto está tudo errado e o quanto precisamos correr para mudar o que está posto.
Nessa reflexão, a perspectiva da eternidade e das múltiplas vidas conforta um pouco, mas não nos deve desacelerar na luta por uma sociedade mais humana. Mesmo porque, mais à frente, reencontraremos a própria história que tivermos ajudado a fazer.

segunda-feira, 1 de abril de 2019

Aos que lutam, por Cilene Victor



A capacidade de ver e de compreender a realidade é só para os que têm a coragem de viver a vida bravamente.
Não, nunca houve porão. Metaforicamente, tudo aconteceu em praça pública, no térreo. Não viu, quem não quis ver!

Aos que lutam

por Cilene Victor

“Vivi durante a ditadura e nunca soube dessa história de censura, de tortura, de presos políticos ou de perseguição”.
Li isso agora há pouco e fiquei pensando que não devo duvidar desse tipo de relato. Essas pessoas realmente não viram nada. Essa visão da realidade é a que remete à ideia equivocada de que houve porão na ditadura. “Se aconteceu isso, não sei, deve ter sido nos porões da ditadura”.
Não, nunca houve porão. Metaforicamente, tudo aconteceu em praça pública, no térreo. Não viu, quem não quis ver!
Este hoje, em breve, será um futuro e muitos dirão que viveram neste final da segunda década do século XXI e não viram a barbárie ser construída e fomentada diariamente no nosso país.
Vão negar o genocídio da juventude negra e dos povos indígenas, vão negar a homofobia e transfobia, vão negar o feminicídio, vão negar a existência de milhões de brasileiros vivendo na extrema pobreza, vão negar a perseguição aos intelectuais, acadêmicos e à imprensa. Vão negar a intolerância e o obscurantismo.
E, novamente, terei de reconhecer que essas pessoas não estarão erradas em dizer que não viram nada.
A capacidade de ver e de compreender a realidade é só para os que têm a coragem de viver a vida bravamente, lutando contra todo o tipo de barbárie que ameaça o nosso tímido projeto civilizatório.
Muita gente não saiu da escuridão e por isso segue celebrando fatos que nós combateremos, brava e ternamente.
Em memória de todas as vítimas da barbárie de ontem e de hoje.

quarta-feira, 30 de janeiro de 2019

“Os fascistas estão de volta. Vamos derrubá-los novamente.” – Lédio Rosa de Andrade



Elenira Vilela, ao lado de Lédio
Foto: Rafaela Martins
“Os fascistas estão de volta. Vamos derrubá-los novamente”

Essas fortes palavras foram ditas pelo Professor Lédio Rosa de Andrade no velório do Reitor Professor Luiz Carlos Cancellier de Olivo (1957 – 2017), grande amigo de Lédio, que o considerava vítima da máfia de toga e distintivo.

Lédio Rosa de Andrade nasceu em Tubarão, Santa Catarina, em 1º de dezembro de 1958, foi vítima da poliomielite na infância e conviveu com os desafios de uma sociedade excludente por toda sua vida. Sempre lutou pela democracia e pela justiça, por isso quando estudante de direito na UFSC, onde se tornou amigo de Cancellier, lutou em defesa da democracia e contra a ditadura que se impôs a nosso país em 1964. Nas suas palavras “A democracia não permite descanso.”

Foi presidente do Diretório Central dos Estudantes desta universidade e se formou em 1981. Com apenas 23 anos se tornou o juiz mais jovem do Brasil à época sempre lutando pela justiça. Ele mesmo afirmava que logo compreendeu que o judiciário raramente faz justiça, ainda assim se destacou por conhecer e defender os direitos dos pobres e dos oprimidos, com base nas leis que conquistamos na Constituição Cidadã e no princípio da dignidade em toda sua vida. Era uma pessoa de extrema cultura, ateu convicto amava a ciência –particularmente a psicanálise, a filosofia e a arte, especialmente a poesia e a literatura. Desenvolveu uma vida acadêmica e uma carreira profissional de destaque, tendo se tornado Professor da UFSC e desembargador.

Fazia parte da Associação de Juízes pela Democracia (AJD) exatamente para encontrar colegas que tivessem semelhantes princípios e práticas no judiciário brasileiro.

Como magistrado implantou o programa “Lar Legal” em 2012, que trouxe a possibilidade de regularização de propriedade de suas moradias a mais de 4 mil famílias em todo o estado de SC e que serviu de exemplo para iniciativas semelhantes no Brasil.

Profundamente abalado com a tragédia imposta pela perseguição política de instituições como a Polícia Federal e o Judiciário, que assassinaram, segundo sua compreensão, o seu amigo e Reitor da sua tão amada universidade, afirmou com a voz embargada “Como professor da UFSC tenho orgulho e alegria, como desembargador tenho vergonha”.

Depois da perda trágica do amigo Cancellier, acompanhou com indignação a perseguição do judiciário ao presidente Lula, episódio em que descreveu o Presidente Lula como perseguido político. Em suas palavras “Veja o exemplo do ex-presidente Getúlio Vargas, que cometeu suicídio e foi acusado de corrupção, ou a morte de Tiradentes, todo mundo pensa que foi um bandido que o executou, mas foi um juiz de direito que deu a sentença. A história se repete agora com Lula”.

Descreveu o atual Ministro da (In)Justiça afirmando “Sérgio Moro hora é juiz, hora é promotor, atua também como policial, só falta virar carcereiro”. Sabemos que não faltou e que depois esse que sempre fez política, tardiamente deixou a magistratura para finalmente assumir a política, como reconhecimento aos serviços prestados para o eleito presidente Jair Bolsonaro e almejando ser Ministro do Supremo.

Para permanecer lutando pela democracia e pela justiça se aposentou como desembargador e se filiou ao Partido dos Trabalhadores no dia 24 de fevereiro de 2018, tendo sua ficha de filiação abonada pelo próprio Presidente Lula. Se dispôs a mais um grande desafio e aceitou disputar uma vaga ao Senado pelo PT nessas últimas eleições e foi incansável em percorrer SC denunciando a perseguição e defendendo mais uma vez a Justiça, na forma de Justiça Social e na defesa das liberdades democráticas que tanto aplicou como juiz garantista que era. Conquistou 327.226 votos de catarinenses convencidos em defender nosso país e nosso povo.

Como Celso Martins (1956-2018) e outros lutadores pela democracia que perdemos recentemente, tenho a impressão de que alguns já se vão antes de verem tragédias anunciadas se repetirem.

Ele deixa sua companheira, três filhas e uma neta, além de uma enorme quantidades de amigos, amigas e admiradores.

Ele faleceu em decorrência de complicações de um problema cardíaco que vinha sendo tratado, inclusive com internação, no último mês.

Sua cultura e sagacidade farão muita falta. A democracia em Santa Catarina, no Brasil e no mundo perdem um de seus grandes defensores!

Lédio Rosa, PRESENTE! Agora… e SEMPRE!!!

Seu velório ocorrerá a partir das 15h de hoje no Cemitério do Itacorubi. Às 21h seu corpo será levado para ser cremado.

Abaixo poesias publicadas em seu blog.

A Festa
Em 29 de outubro de 2018
Os fogos lá fora prenunciam choros ardentes
Dos alegres prementes, logo ali à frente
Não estou triste, mas mudado
De coração calejado, vou me importar
Não com o ideal, mas com a vida real
O que importa afinal
Senão os traços da existência
Rabiscados pelas certezas alheias
Tão certas estão, merecem sua própria razão
E eu então, por que chorar a dor?
Se alheia aos meus próprios erros
Mas vinda das verdades que me desmentem…

Alegria de viver
7 de novembro de 2018
Esqueci-me do mundo
Rio à toa
Como um rio que corre
Sem sentido, senão correr
Meu corpo dança
Os lábios mostram os dentes
E estou alegre
Sem pensar
Para a tristeza espantar…

Elenira Vilelaem homenagem ao professor Lédio Rosa de Andrade
No Desacato