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sexta-feira, 10 de setembro de 2021

Xadrez da volta do Brasil velho de guerra, com Supremo e com tudo, por Luis Nassif

 

Ontem foi um jorrar de informações jornalísticas, boatos, rumores de toda ordem. Juntando todos os elementos em uma narrativa lógica, é possível entender o  que está por trás das loucuras e do recuo de Jair Bolsonaro.


Do Jornal GGN:


Ontem foi um jorrar de informações jornalísticas, boatos, rumores de toda ordem. Juntando todos os elementos em uma narrativa lógica, é possível entender o  que está por trás das loucuras e do recuo de Jair Bolsonaro.

Peça 1 – Bolsonaro perde os caninos

A peça central dessa ópera bufa são as investigações das fake news, conduzidas pelo Ministro Alexandre de Moraes. Elas continuaram avançando, aparentemente chegaram ao destino final – os financiadores – e colocaram na alça de mira o filho Carlos Bolsonaro e o próprio Jair.

É esse fato que gerou todos os desequilíbrios de Bolsonaro e induziu-o aos desafios à democracia, nos eventos de 7 de Setembro, e à sua tentativa de antecipar o golpe de Estado marcado para 2022.

No evento, Bolsonaro repetiu o valentão de todos os tempos. Com os seguidores, sentiu-se fortalecido, bradou, blasfemou, ameaçou. No dia seguinte voltou à realidade, ele sozinho contra as instituições.

Os abusos do dia 7 provocaram riscos de ruptura em dois pontos de apoio de Bolsonaro: as Forças Armadas e o Centrão. Há menção na mídia de recados que teriam sido passados pelo Alto Comando a Bolsonaro, sobre os riscos de jogar o país na anarquia.

Por outro lado, houve manifestações em defesa das instituições da parte do presidente da Câmara Arthur Lira, do Senado, Rodrigo Pacheco, e do Procurador Geral Augusto Aras.

Barroso não é Alexandre Moraes, capaz de correr riscos em pleno apogeu de Bolsonaro.  Barroso só caminha em terreno firme. Aliás, o comportamento de Barroso lembra o clássico “O homem que matou o facínora”. James “Luís Roberto Barroso” Stewart desafia o pistoleiro Lee “Bolsonaro” Marvin. Mas quem atira, de fato, é John “Alexandre Moraes” Wayne.

Ontem, o duríssimo discurso do Ministro Luís Roberto Barroso claramente refletiu os novos tempos. Sem a garantia expressa de que Bolsonaro tinha perdido seus dois caninos – o que foi confirmado poucas horas depois – Barroso jamais avançaria na retórica daquele modo desafiador.

A única diferença é que, no filme, o advogado mocinho desafiou o pistoleiro de peito aberto, sem a garantia de que teria respaldo do outro mocinho.

Peça 2 – o fator Michel Temer

Se Barroso é basicamente um personagem de marketing, seu colega Gilmar Mendes é o conhecedor das entranhas do poder. Provavelmente foi um dos tecelões do novo pacto que se está montando, tendo como parceiro Arthur Lira, presidente da Câmara, Ciro Nogueira, o PGR Augusto Aras e fontes militares confiáveis.

Como dissemos em outro Xadrez, Bolsonaro não tinha envergadura política, nem alcance intelectual, sequer para negociar uma anistia ampla pós-governo, para ele e sua família. Ele é um bruto, um tosco que só sabe resolver diferenças no braço.

No braço, no caso, foi organizar as manifestações de 7 de Setembro, estimular a participação de policiais armados e, depois, dar-se conta de que a fantasia se esfumaçou no dia 8. Aí entrou em pânico.

Não foi de Bolsonaro a iniciativa de chamar Temer. Ele a aceitou como bóia de salvação e entrou no pacto pagando um alto preço.

Peça 3 – o falso pastor Jim Jones

O pacto acertado impôs a Bolsonaro sua mais dura derrota. Exigiu-se dele:

  1. A carta à Nação, pedindo desculpas até o limite da humilhação.
  2. O humilhante telefonema a Alexandre Moraes,

Não foi apenas um gesto de recuo tático. Com sua decisão, Bolsonaro se queima com seus seguidores. Até então, os fanáticos eram a única arma com a qual ele contava. Para manter esse ponto de apoio, valia tudo.

Logo após a divulgação da carta, youtubers bolsonaristas, líderes da quadrilha que invadiu o Planalto, das quadrilhas que atuaram nas rodovias, o próprio Zé Trovão, trataram de desautorizar o, até então, chefe maior. Sem liderança, nem rumo, deram declarações confusas de que manteriam as manifestações contra o STF, e não de apoio a Bolsonaro, uma incongruência à altura do seu nível intelectual. 

Nos próximos dias, assistirão, bestializados, as milícias que pararam as rodovias sendo caçadas pela Polícia Federal e pela Polícia Rodoviária Federal por todo o país.

O efeito do recuo de Bolsonaro sobre seus fiéis seria o mesmo que o reverendo Jim Jones, depois de induzir 900 seguidores ao suicídio coletivo, voltasse atrás e deixasse os fiés estrebuchando. A diferença é que Jim Jones era um fanático autêntico e Bolsonaro apenas um manipulador do fanatismo alheio.

O pacto não se resumiu a isso. 

Há mais pontos de interesse unindo os principais personagens:

  1. 1. Ontem mesmo, Alexandre de Moraes determinou ao Conselho Nacional do Ministério Público a suspensão da análise de pedido de investigação contra o PGR Augusto Aras. Aliás, quem conhece Aras sabia, desde o início, que a blindagem a Bolsonaro era uma questão tática.
  2. 2. Arthur Lira está nas mãos de Gilmar Mendes. Três ações de improbidade administrativa contra Arthur Lira estão paradas no STF, suspensas pelo Ministro Gilmar Mendes. Outras ações, que o acompanham desde o início da década de 2010, também paradas no Supremo.

O pacto permitirá a Lira manter a presidência do Congresso e a articulação do Centrão; blindará Aras contra as ações judiciais que pipocariam em todas as instâncias, depois que ele deixasse o comando da PGR; garantirá algum tempo a mais para a concretização dos grandes negócios da privatização. E, principalmente, haverá uma reaglutinação da direita contra a ameaça Lula.

Peça 4 – a nova etapa do jogo

Bolsonaro sossegará o facho? Sossegará. Ele é mente primária, valentão de torcida organizada. Terá outras recaídas, berrará, baterá a cabeça na parede, mas não assustará mais nem as emas do Palácio, nem avançará nos arroubos retóricos públicos.

Como malandro-que-se-faz-de-louco que é, sabe que Alexandre de Moraes continuará com a bala de prata, pronto para atirar no primeiro filho a qualquer novo exagero retórico.

Além disso, depois da enorme mobilização para os comícios de São Paulo e Brasília, para a invasão da praça dos Três Poderes, e de ver dois dias depois o chefe maior se humilhando perante os adversários, que seguidor repetirá o ato de solidariedade?

Definitivamente, Bolsonaro virou carta fora do trabalho, perdão, do baralho também.

A partir de agora, em cima do vácuo criado pelos episódios, haverá dois movimentos políticos relevantes.

Do lado dos Centrões – o político, o militar e o jurídico – a tentativa de reconstruir o pacto com Supremo e com tudo, para enfrentar o adversário comum: a candidatura Lula. E, principalmente, para terminar a obra de desconstrução nacional, consolidando o grande negócio da privatização. 

A direita órfã, que provavelmente irá desaguar ou no PSDB – espelho mais sociável do bolsonarismo – ou nos DEMs da vida. E se limitará a louquinhos de palanque.

Peça 5 – Brasil e sua melhor tradução

Agora, o Brasil velho de guerra volta a se manifestar. O pacto será a imagem de Michel Temer, a melhor tradução do país institucional. O presidente que foi gravado indicando um intermediário para um encontro com o subornador; o intermediário gravado saindo do encontro com uma pasta com R $500 mil, o político pequeno, encantador do baixo clero, o deputado eleito pelo jogo de bicho, que passou toda sua vida política se alimentando do feudo do porto de Santos, voltará a frequentar o panteão dos grandes nomes nacionais.

Até a gloriosa Ordem dos Advogados do Brasil e seu aguerrido presidente, Felipe Santa Cruz, prestam loas a Temer, a cara (de pau) do Brasil. 

Só há um porém.

No meio do caminho há 650 mil vítimas da Covid e dos desmandos de Bolsonaro; políticas públicas essenciais desmontadas; retrocessos imensos em todos os campos, nas políticas sociais, na educação, na política econômica. enriquecimento explícito dos filhos. E há sócios nessa  tragédia, por ação ou omissão: militares, políticos, magistrados.

Tudo terminará em pizza novamente, com Supremo e com tudo? Os 650 mil mortos serão apenas uma peça a mais do jogo político? 

Por mais que tentem, em nossos olhos cansados haverá no meio do caminho, sempre a imagem de 650 mil mortos, de 120 mil crianças órfãs, de centenas de milhares de vulneráveis abandonados pelas políticas públicas.

Definitivamente, o Brasil não se suicidará novamente.

sexta-feira, 14 de maio de 2021

Xadrez dos "bastardos inglórios" da direita (Moro, Dallagnol, Lava Jato, Globo, Centrão, Barroso, militares, Temer) que levaram o Brasil ao caos... Por Luis Nassif

 

  E enquanto Bolsonaro procede à mesma desavergonhada distribuição de recursos públicos, através do orçamento oculto, que o centrão domina o país, que o Ministro do Meio Ambiente sai em defesa de criminosos ambientais, Barroso morre abraçado à bandeira da Lava Jato, sustentando que hoje em dia a corrupção pelo menos é envergonhada. O país não abdicou apenas da inteligência, mas do pudor.



Xadrez dos bastardos inglórios que levaram o Brasil ao caos, por Luis Nassif


Peça 1 – a teoria e a realidade

Uma das implicâncias que acumulei na minha carreira jornalística foi em relação a intelectuais livrescos, incapazes de utilizar os princípios que supostamente dominam na análise da realidade. Só aceitam a realidade abstratamente quando ela aparece em forma de livro – e, de preferência, aceito pelo sistema – e quando endossada pela maioria. 

No início da Lava Jato, na visita da Força Tarefa aos Estados Unidos, já havia indícios da influência do Departamento de Justiça na operação. No entanto, em maio de 2018, com todos os sinais no horizonte, cientistas sociais para se mostrarem “modernos” tratavam de classificar as teses de interferência de “teoria conspiratória”.

Não é prerrogativa dos cientistas sociais. Os economistas repetiram, em 20 anos, os dois maiores desastres da história recente do país – a explosão de juros do início de 1995 e o pacote Levy, de 2015. Em ambos os casos seguiam a cartilha – independentemente da realidade econômica e social em que a teoria seria aplicada. Agiram como o médico que receita doses de antibiótico iguais para adultos e crianças.

Essa desmoralização da análise e da informação está na raiz do que viria a ganhar a forma de bolsonarismo e que prosseguirá vivo e fatal como uma cobra cascavel, minando todos os esforços de tentar recuperar o país para a contemporaneidade.

Peça 2 – como se formam as ondas

O processo psicológico que explica a timidez em entender a crise de 1995, os efeitos da Lava Jato, a inação autodestrutiva de Paulo Guedes, é a mesma que levou a ondas como a que sacrificou os donos da Escola Base.

Desafiados a explicar o fenômeno, a cada novo evento, a mídia – e seus especialistas, os cabeças de planilha e os cientistas de papel – saem correndo atrás da primeira interpretação, buscando a faixa de menor risco através de dois expedientes.

O primeiro, seguir o mesmo padrão de coberturas similares, mesmo quando se vive situações excepcionais, isto é, sem precedentes comparáveis – como o fim da inflação do Real ou a crise de 2008.

O segundo, usar a explicação mais acessível ao leitor que, em geral, é a mais superficial e descontextualizada. Cria-se, então, a onda em cima da primeira versão, e amarram-se todas as opiniões posteriores.

Se disser a maior estultice do mundo, mas estiver em companhia da maioria, não será cobrado. Se defender uma posição inovadora ou minoritária, será questionado de todas as formas, e precisará de argumentos seguros para se defender. 

O efeito manada, que tanto criticam no bolsonarismo, é companheiro de cabeceira desse pessoal.

Os que ousam ir contra a maré vivem dois momentos. Na primeira etapa, são vistos com total desconfiança. Depois que as teses são assimiladas, há uma multidão aderindo, diluindo seu pioneirismo.

É por isso que, em todas as discussões, a maioria dos interlocutores procura a faixa de menor risco, que é acompanhar as ondas. No Brasil esse movimento foi acentuado pelo populismo da mídia, de não entrar em dividida contra os consensos.

Peça 3 – a importância da análise empírica

Mas não apenas isso. Há uma enorme mediocridade, uma incapacidade crônica dos cabeças de planilha e dos cientistas de papel de aplicar conceitos aos dados da realidade. Se a realidade não bate com o livrinho, abole-se a realidade. Isso não é ciência.

Lembro-me do início do Plano Real. Abriu-se a economia, apreciou-se violentamente o câmbio e ficou-se aguardando a entrada das importações, para segurar pressões de preços. E as importações não entravam, para desespero dos economistas do Real.

Na época, escrevi um artigo mostrando que havia uma defasagem entre abertura de mercado e entrada das importações. Seria um tempo para identificar produtos importáveis, fornecedores externos, demanda interna.

O então Ministro do Planejamento José Serra me telefonou perguntando se havia lido os trabalhos do até então desconhecido Paul Krugman – que começava a desbastar esse tema.  Não, apenas fui dar uma palestra para um grande atacadista de Uberlândia e ele me contou. Ou seja, bastaria a qualquer dos brilhantes economistas do Real chamar um atacadista e perguntar o óbvio. Mas ficaram esperando os estudos de Krugman.

André Lara Rezende levou vinte anos para entender e defender a relevância da análise empírica, especialmente na identificação das correlações na economia, em eventos extraordinários.

Peça 4 – a lógica da homogeneização da análise

Essa falsa ciência – de se basear em manuais de uso geral, sem se debruçar sobre as características específicas do país -, foi utilizada exclusivamente para a universalização de normas favoráveis ao capital financeiro. 

Usa-se, então, política monetária para lumbago, dor de dente e pneumonia. Uma economia continental, complexa como a brasileira, ficou restrita às mesas de operação. 

Tome-se o fenômeno da inflação. Há inúmeros fatores que podem pressionar preços, quebras de safra, preços de comercializáveis, interrupção de cadeias de produção, aquecimento da demanda. A formação de preços passa por grandes grupos, pequenas empresas, cadeias produtivas agrícolas, aluguéis, serviços pessoais, estado de espirito do consumidor, níveis de inadimplência.  Em países racionais, governos atuam sobre problemas de oferta, quebra de safras, quebra de cadeias produtivas, efeitos do câmbio etc. Mas como o Estado foi demonizado, e o mercado exige homogeneização de análises, qualquer combate à inflação passa exclusivamente pelo Banco Central.

Por trás dessa insuficiência de análise está uma dependência férrea da noção do equilíbrio geral da economia. Monta-se um mundo fictício em que só existem mesas de operação justamente para facilitar o trânsito de capitais, permitindo aos gestores comparar indicadores semelhantes de todos os países. Indicadores, aliás, muitas vezes sem nenhuma relação com a economia real, mas que permitem a sincronização de expectativas do mercado – exclusivamente do mercado, saliente-se.

Criaram-se fantasias, então, como a taxa de juros de equilíbrio. Anos atrás, quando ganhou o prêmio de Economista do Ano, Pérsio Arida calculou uma taxa de juros de equilíbrio de 8% ao ano. Ou seja, cada vez que a taxa real de juros (acima da inflação!!!!) ficasse abaixo de 8%, dispararia reajustes de preços.

Na época, almocei com Pérsio e lhe disse que todos os formadores de preços que eu conhecia se baseavam em princípios tradicionais: há mercado? aumenta. Não há mercado? Reduz. Há competição? Reduz. Há cartelização? Aumenta. Há condições de aumentar os preços? Os preços aumentarão independentemente da tal taxa de juros de equilíbrio.

Mas como sintetizar essa soma complexa de fatores em um único indicador? Toca então a criar essas miragens, que são tão falsas quanto as notas das agências de risco, o Triple A para o Lehman Brothers.

Peça 5 – a burrice institucional brasileira

Concentrei as análises em temas econômicos, que acompanhei mais de perto. Mas essa burrice institucional, de cabeças de planilha e de cientistas de livros, é generalizada e pega todos os escalões da República. Surge no curto-prazismo do operador de mercado, ecoado pela mídia econômica, e no personagem público, autoridade ou editor, que quer surfar, viver intensamente seu momento fugaz de brilho, e o futuro que exploda – especialmente para a organização que ele representa.

Vamos a alguns exemplos de relações causa-efeito óbvias de uma geração de ignorantes, sem nenhuma noção sobre a relevância institucional de suas respectivas instituições e sem nenhuma capacidade analítica de perceber as consequências óbvias de seus atos.

Lava Jato e a antipolítica

Há uma ampla literatura mostrando que, quando se desmoraliza o poder político, abre-se espaço para outras formas de poder não eleitos – em geral, o poder militar. Foi o que ocorreu na Itália, Alemanha e Brasil dos anos 30; no Brasil e outros países latino-americanos nos anos 60 e 70. 

No Brasil, mídia, Supremo e mercado ignoraram completamente essa lógica e abriram espaço para o poder militar pegar carona em um líder popular sociopata.

Mídia como partido político

Como dois e dois são quatro, era óbvio que, ao se transformar em partido político, a mídia entraria em uma armadilha fatal. Nenhum grupo político, de esquerda, direita, aceitaria passivamente a convivência com uma mídia que se propõe a sequestrar a política e a se colocar acima do poder político. Diretores de redação mandaram os princípios jornalísticos à merda e gozaram intensamente o poder que detiveram, comprometendo irreversivelmente a segurança futura do próprio exercício do jornalismo.

O Judiciário militante

A mesma ignorância institucional se manifestou no Judiciário. Há o choque do pré e do pós impeachment, cria-se o vácuo de lideranças e deslumbrados sem-noção ganham visibilidade, devido ao protagonismo de suas instituições naquele cenário específico. E passam a se julgar ungidos por Deus para ocupar o espaço vazio e se tornar condutores de povos. Aconteceu com Sérgio Moro, Deltan Dallagnol, Luis Roberto Barroso, trinca de ignorantes vaidosos de diversas extrações.

Depois, à medida que o organismo social e político vai se reconstituindo, são expelidos como vírus nocivos à volta do equilíbrio.

Os militares políticos

Esse mesmo deslumbramento com o vácuo político contaminou militares, como o ex-comandante do Exército, general Villas Boas.

Houve uma invasão do Estado por militares, e a grande derrota na batalha contra o Covid-19 recaiu sobre eles, o maior desgaste à imagem das Forças Armadas desde a redemocratização.

General Pazuello se tornou o paradigma do militar administrador. E os milhares de camaradas levados para o serviço público liquidaram definitivamente com o estereótipo de que as “boquinhas” do serviço público eram prerrogativa de civis.

Peça 6 – os danos à democracia

Essa soma de personagens públicos ignorantes, sem responsabilidade institucional, conseguiu o feito de colocar no comando do país o grupo mais despreparado da história da República, um sociopata que corteja a morte e a destruição.

Bolsonaro é filho direto da irresponsabilidade dos Barrosos, Moros e Dallagnols, dos diretores de redação, dos donos de grupos de mídia, de militares que perderam o pudor, de lideranças políticas que não tiveram paciência de retomar o poder pelo voto.

O legado não é apenas Bolsonaro e seus próximos 500 mil mortos. É a desorganização institucional completa do país e um legado, na opinião pública, que mostra a que foi reduzida a ex-7a economia do mundo, o país que encantava o globo no início da década.

Segundo pesquisa do Instituto da Democracia e da Democratização da Comunicação, denominada de “A Cara da Democracia”, 22,2% dos brasileiros acreditam que a terra é plana; 50,7% acreditam que o coronavírus foi criado pelo governo chinês; 56,4% acreditam que os hospitais são pagos para aumentar o número de pacientes mortos pela Covid-19.

Como conclui Leonardo Avritzer, organizador da pesquisa:

“Elas estão ligadas a uma diminuição da influência da mídia tradicional na formação da opinião pública: 62,6% dizem não confiar na Rede Globo e 41,7% dizem não confiar na Rede Record. Ainda mais surpreendente é que o número de pessoas que confiam na Record, 11,2% é quase o dobro daquelas que confiam na Globo”.

Desde 2005, era óbvio que o jornalismo de esgoto implementado conduziria a isso. Mas a ignorância institucional brasileira, e o oportunismo do curto prazo, falou mais alto. 

Naquele início de autodestruição, quem ousasse discordar da mídia era massacrado por toneladas de ataques pessoais e de ações judiciais.

Hoje, todos pagam por essa irresponsabilidade. E enquanto Bolsonaro procede à mesma desavergonhada distribuição de recursos públicos, através do orçamento oculto, que o centrão domina o país, que o Ministro do Meio Ambiente sai em defesa de crimonosos ambientais, Barroso morre abraçado à bandeira da Lava Jato, sustentando que hoje em dia a corrupção pelo menos é envergonhada.

O país não abdicou apenas da inteligência, mas do pudor.

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terça-feira, 25 de setembro de 2018

"Radicais", o senhor disse?, por Jean Pierre Chauvin

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"Se ser "radical" é desejar um país com maior protagonismo no cenário mundial; se isso redundar em acesso gratuito ao ensino básico e superior de qualidade; ter direito à saúde amparada pelo Estado etc, então chamem-me por essa alcunha. Antes ser "inflexível", quanto ao bem-estar social, que utilizar o adjetivo ("social") com a chave invertida, tal como já fizeram líderes nada amistosos e autoritários, antes e durante a Segunda Guerra Mundial. " - Jean Pierre Chauvin


Do Jornal GGN:


"Radicais", o senhor disse?, por Jean Pierre Chauvin
Há tempos desconfiávamos que os jornais tradicionais estavam do mesmo lado. Agora, temos certeza. Só isso pode explicar a opção lexical de Folha, Estadão e companhia por termos do naipe de "Centrão" (em lugar de direitona) e, mais recentemente, pelo que chamam de "radicais". Isso sem contar o imenso espaço que, semana sim, semana não, concedem a FHC -- "autoridade" poliglota que restou de sua legenda -- para sentenciar o que ainda não sabíamos.
Em nome da "novidade", o ex-Presidente (que não é o autor exclusivo do Plano Real, de 1994; que recomprou a sua eleição, segundo confirmaram todas as evidências, em 1998; e que se especializou em vender empresas a troco de banana, especialmente para o capital "aberto", mas fechado, dos EUA) resolveu adiar suas viagens para a residência gourmet em Paris (avaliada em milhões de dólares), para ver se ajuda na candidatura de seu correligionário ao posto máximo que um dia os tucanos usufruíram (e que fizeram valer, novamente, desde a "era" temerária).

Para os professores de São Paulo e do Paraná, não faltarão tristes recordações de como foi a política do porrete e da precarização, ministrada em altas doses, aos renitentes profissionais da educação. "Profissionalismo", vale lembrar, não pode ser confundido com "amadorismo". O fato de "amar", ou não", o que se faz não impede fazê-lo com a maior qualidade possível, ou seja, profissionalmente.
Os servidores públicos deste Estado também poderiam testemunhar a distância que há entre as campanhas em torno do IAMSPE (plano de saúde pago, sim, pago) e as condições em que se encontram as instalações do Hospital do Servidor. Que tal convidarmos essas ilustres gentes para fazer uma singela visita ao setor de coleta, digamos, às 6h12 da manhã, quando a longa fila para retirar senha está a se instalar, antes mesmo de o balcão de triagem abrir para atendimento?
Mas, eles pedem que lhes demos um crédito. Afinal, afirmam ser uma alternativa ao radicalismo dos fascistoides e ao assistencialismo dos petistas. Pois bem. O que será que entendem por "radicalismo"? O PSDB, de fato, considera-se no centro do quê? Da Finlândia? Será que se consideram no centro do espectro ideológico? Lamento, estão bem mais próximos de messiânicos, obcecados pela falácia do estado mínimo, da austeridade e da moral de ocasião, do que do "centro" -- que marcou os governos de Lula e Dilma, sabidamente pautados pela coalizão.
Bem, talvez ser "de centro", para os tucanos, consista em defender a redução da quantidade de partidos. Pois bem, o que explica a coligação com as diversas legendas nanicas que voltaram a fazer em 2018?
Se ser "radical" é desejar um país com maior protagonismo no cenário mundial; se isso redundar em acesso gratuito ao ensino básico e superior de qualidade; ter direito à saúde amparada pelo Estado etc, então chamem-me por essa alcunha. Antes ser "inflexível", quanto ao bem-estar social, que utilizar o adjetivo ("social") com a chave invertida, tal como já fizeram líderes nada amistosos e autoritários, antes e durante a Segunda Guerra Mundial. 

segunda-feira, 23 de julho de 2018

Bob Fernandes comenta: Alckimin com o sórdido Centrão pró-Temer... Bolsonaro com Janaína..." e o dito que corre na internet: Fujam para as montanhas!"




"Se tudo for confirmado Alckmin terá 40% do tempo, 4 minutos e meio. A esse aglomerado de siglas manchetes e editoriais decidiram chamar de "Centro" ou "Centrão".

Tais eufemismos, "Centro", "Centrão", escondem boa parte das bancadas BB-BB: bala, boi, bíblia e bola.

Bancadas que são faca-no-pescoço de presidentes há décadas. Foram decisivas para fazer Temer presidente, para aprovar seus projetos e para ... manter seu pescoço.

Só as lideranças do tal "Centrão", ainda sem contar liderados, são investigadas em ao menos 13 inquéritos criminais, relata a Folha.

Nessa aliança inclua-se também o PTB. Presidido por Robertão Jefferson. Já cassado, condenado, depois indultado pelo ministro Barroso."



Assista ao comentário de Política de Bob Fernandes para o Jornal da TV Gazeta


DEM, PP, Solidariedade, PR e PRB anunciaram apoio a Alckmin. O PSDB larga fortalecido nas alianças e no horário eleitoral.
Se tudo for confirmado Alckmin terá 40% do tempo, 4 minutos e meio. A esse aglomerado de siglas manchetes e editoriais decidiram chamar de "Centro" ou "Centrão".
Tais eufemismos, "Centro", "Centrão", escondem boa parte das bancadas BB-BB: bala, boi, bíblia e bola.
Bancadas que são faca-no-pescoço de presidentes há décadas. Foram decisivas para fazer Temer presidente, para aprovar seus projetos e para ... manter seu pescoço.
Só as lideranças do tal "Centrão", ainda sem contar liderados, são investigadas em ao menos 13 inquéritos criminais, relata a Folha.
Nessa aliança inclua-se também o PTB. Presidido por Robertão Jefferson. Já cassado, condenado, depois indultado pelo ministro Barroso.
Fundamental na costura dessa aliança com Alckmin foi Valdemar da Costa Neto, presidente do PR.
Valdemar da Costa Neto também já cassado, condenado, depois indultado pelo ministro Barroso. Anuncia-se Josué Gomes como vice de Alckmin. Falta Josué decidir-se.
(Ps: Na noite desta segunda-feira, 23, Thais Arbex e Daniela Lima, do “Painel” da Folha, informam que Josué Gomes deixou Alckmin “à vontade” para escolher outro candidato a vice).
Início da noite, 19 de junho de 2002, Brasília. Apartamento do deputado Paulo Rocha, PT (PR).
Entre outros, presentes Lula, José Dirceu, José Alencar e esse mesmo Valdemar da Costa Neto. Lula queria José, pai de Josué Gomes, como vice. José Alencar era do PL.
A aliança dependia desse mesmo Valdemar, então presidente do PL. Que queria dinheiro para campanha do partido.
Acordo fechado, assim como outros. Levou R$ 10 milhões.Que foram sendo pago nos anos seguintes...
Três anos depois o mesmo Robertão Jefferson, o do mesmo PTB, chamaria tais pagamentos de... "Mensalão".
Informa o "Estadão": "Inquérito de Geraldo Alckmin por suposto Caixa II de R$ 10,3 milhões da Odebrecht deve mudar de 'instância' pela sexta vez em três meses".
O tempo dirá se Alckmin decola. O Tempo e os tempos do Judiciário dirão se o Brasil terá outro presidente com inquéritos e espada sobre a cabeça...
...E dependendo dos votos de algo chamado "Centrão" para sobreviver.
Ciro Gomes, sem o "Centrão" que queria, já é oficialmente candidato do PDT. E busca PSB e PC do B.
E Bolsonaro foi oficializado candidato pelo PSL. Ele quer Janaína Pascoal como vice...Ela ainda não comunicou se vai querer ou não...E espalha-se pelas redes sociais uma sugestão:
-"...Fujam para as montanhas...".