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terça-feira, 25 de agosto de 2026

O método NAZIFASCISTÓIDE: como a extrema direita ataca professores para engajar eleitores

 


Gravações e ataques online evidenciam como docentes são atgacados e explorados politicamente pela extrrema-direita...


Da Agência Pública, repulbicado no ICL Notíticas:

O método: como a extrema direita ataca professores para engajar eleitores

Gravações clandestinas e ataques online evidenciam como docentes são explorados politicamente desde 2022


Por Camila Borges – Agência Pública

O ano letivo de 2024 seguia seu curso normal quando Jadir Anchieta, professor de História, começou a ouvir comentários de estudantes que diziam ter saudades de Jair Bolsonaro. Era uma aula sobre o período entreguerras, ministrada a uma turma do 9º ano do Ensino Fundamental na Escola Estadual São Tarcísio, no município catarinense de São Bonifácio. O professor havia acabado de entrar na sala quando um grupo de alunos passou a fazer provocações sobre temas políticos. Foram poucos minutos, mas, para Jadir, a cena durou uma eternidade. A dinâmica parecia ensaiada. Cerca de quatro alunos o bombardearam com perguntas e cobraram um posicionamento sobre o tema. Ele sabia que aquele comportamento fugia ao perfil da turma e a direção da escola precisou mediar o conflito. O que o professor de História não sabia, contudo, era que a cena havia sido gravada pelos estudantes.

Em diferentes regiões do Brasil, o roteiro percorrido por Jadir Anchieta tem se repetido. Há um padrão em curso, segundo Rodrigo Timm, advogado do Observatório Nacional da Violência Contra Educadores (Onve). Primeiro, estabelece-se um clima de desconfiança em torno do ambiente escolar e de seus profissionais. Em seguida, os alunos são incentivados, muitas vezes pelos próprios pais, a gravar os professores em vídeo ou em áudio. Essas gravações são, então, retiradas de seu contexto original e repassadas a parlamentares da extrema-direita. O material ganha espaço nas redes e se transforma em um ativo político.

Um levantamento da Agência Pública identificou, desde as últimas eleições gerais, em 2022, até 2025, ao menos 18 parlamentares, a maioria do Partido Liberal (PL), que fizeram ataques a professores. Entre eles estão nomes como Júlia Zanatta (PL-SC), Jessé Lopes (PL-SC), Alex Brasil (PL-SC), Ana Campagnolo (PL-SC), Alan Lopes (PL-RJ) e Fernando Cordeiro (PL-SC), todos em busca de uma vaga nas eleições de outubro.

A estratégia de atacar professores é, ainda, uma maneira de ascender politicamente: é o caso do vereador Fernando Cordeiro (PL) de Chapecó, no oeste catarinense, que quase triplicou a votação no município após liderar ataques contra uma docente e agora se prepara para disputar o cargo de deputado federal por Santa Catarina. Cordeiro recebe apoio da deputada estadual Ana Campagnolo (PL-SC), que, em seu mandato, ficou conhecida por denunciar “professores doutrinadores”, ganhando projeção política após processar sua orientadora de mestrado.

A gravação da aula de Jadir, por exemplo, foi parar nos perfis da deputada federal Júlia Zanatta, do PL de Santa Catarina. O professor e a direção da escola foram surpreendidos pela exposição nas redes sociais. Dias depois, em uma nova publicação, Zanatta comemorou as providências imediatas tomadas pelo governador de Santa Catarina, Jorginho Mello, também do PL. Tratava-se da abertura de um Processo Administrativo Disciplinar (PAD), instaurado para apurar a conduta de Jadir por agir “de forma inadequada no exercício de suas funções”. A postagem que expôs o professor de História alcançou mais de 30 mil curtidas e foi compartilhada por outros nomes da extrema direita, como o vereador Fernando Cordeiro, do PL de Chapecó.

A repercussão do caso escalou até a Câmara dos Deputados, em Brasília. O deputado federal Gustavo Gayer, do PL de Goiás, apresentou uma moção de repúdio contra Jadir na Comissão de Educação, então presidida por Nikolas Ferreira, do PL de Minas Gerais, mas a proposta foi rejeitada por 20 votos a 13. Durante a sessão, outros parlamentares denunciaram a instrumentalização do episódio. O deputado Tarcísio Motta, (PSOL-RJ), afirmou que o caso era mais uma manifestação de uma parcela da extrema-direita, em busca de ganhos eleitorais por meio da perseguição a profissionais da educação.

Apesar da moção de repúdio ter sido barrada no Congresso Nacional, as consequências estaduais seguiram seu curso. Em decorrência do PAD aberto pela Secretaria de Educação de Santa Catarina, Jadir foi afastado de suas funções em março de 2024. O afastamento foi prorrogado duas vezes até que, em agosto do mesmo ano, ele foi demitido. O Tribunal de Justiça de Santa Catarina (TJSC) anulou o PAD apenas em maio de 2025 e determinou a readmissão do professor. Na decisão, o desembargador responsável argumentou que a “sala de aula não é um campo de polícia ideológica” e que o docente não pode estar “submetido a censores discentes, tampouco à disposição de visões idiossincráticas de bedéis mascarados como pais”.

(Arte: Agência Pública)
(Arte: Agência Pública)

Processos contra educadores aumentam nas eleições

No levantamento da Pública, também foram analisadas as características de 596 PADs abertos pela Secretaria de Educação de Santa Catarina e publicados no Diário Oficial entre janeiro de 2021 e 31 de dezembro de 2024. Os dados mostram que, em ambos os anos eleitorais, a abertura de processos contra educadores como Jadir foi maior. Fernando Penna, coordenador do Onve, observa que, em períodos de disputas políticas, o número de processos contra educadores aumenta, o que evidencia que as escolas se consolidaram como espaços de embate ideológico.

A análise dos PADs também identificou indícios de punições desproporcionais, espetacularização dos casos e prolongamento indevido dos trâmites. Cerca de um terço dos processos analisados pela reportagem no período foi arquivado, seja pela inocência do servidor, seja pela inexistência do fato. Para Penna, o índice revela que muitos PADs são abertos sem materialidade, desprovidos de testemunhos efetivos ou de evidências de infração. São instaurados de forma vazia, com o propósito de intimidar.

Para Jadir, o arquivamento do processo não apaga os impactos da exposição. O professor conta que ficou profundamente abalado pela violência sofrida. Precisou deixar São Bonifácio, foi alvo de ameaças e viu milhares de pessoas o xingarem na internet. Eram desconhecidos, e ele não sabia se representavam um perigo real. Quase dois anos após a abertura do PAD, Jadir avalia que a ação orquestrada serviu para “faturar cliques e votos”.

A situação de Jadir, contudo, não se encerrou com a decisão judicial. Em julho de 2025, mesmo sob a vigência da Lei Federal nº 15.100/2025, que proíbe o uso de celulares em sala de aula, o professor teve, mais uma vez, a aula gravada por alunos. O áudio foi, novamente, divulgado nas redes sociais. Entre os comentários, o deputado estadual Sargento Lima, do PL, que já havia discursado contra “professores doutrinadores” na Assembleia Legislativa de Santa Catarina, afirmou que o episódio provava a importância da instalação de câmeras nas salas de aula.

Lima já havia se envolvido em outro episódio, em fevereiro de 2023, relacionado à orientadora educacional Juliana Andozio, que foi vítima de uma sindicância acusatória, suspensa e afastada, após permitir que uma aluna trans usasse o banheiro feminino da escola. De acordo com a educadora, seis famílias queriam saber “qual banheiro a aluna trans usava” e “queriam proibir as discussões sobre gênero, orientação sexual, diversidade, questões da mulher, da democracia e do grêmio estudantil na escola”.

Juliana sofreu ataques após as “denúncias” feitas pelo vereador Bericó (PL) nas redes sociais. Seu carro foi alvo de ovos, pedras e limões. “Jogavam coisas na escola, jogaram fogos de artifício em mim, jogaram lixo na minha casa. Eu tive que ir morar três meses na casa da minha mãe porque passavam motoqueiros na frente da minha casa me xingando de coisas horrorosas”, desabafa.

O caso chegou à tribuna da Alesc quando o deputado Sargento Lima (PL) ameaçou a educadora. “Fosse minha neta, uma das minhas enteadas, meu filho, uma dessa, um suplente estaria assumindo a minha vaga aqui porque eu estaria na cadeia. Simplesmente isso”, disse o parlamentar na sessão de 15 de março de 2023. O processo que acusava Juliana de “doutrinação político/partidária” foi anulado em janeiro de 2024.

O relatório “Um estudo quantitativo da perseguição a educadoras/es no Brasil”, publicado em 2025 pelo Onve, aponta que a violência contra professores começou a se intensificar a partir de 2010. Os picos ocorreram em 2016, 2018 e 2022, anos marcados pelo impeachment de Dilma Rousseff e por duas eleições presidenciais. A pesquisa, que ouviu mais de três mil educadores nas cinco regiões do país, indica que o Sul concentra o maior número de casos, seguido pelo Sudeste. Fernando Penna observa que o dado não surpreende, uma vez que Santa Catarina, estado com maior presença de políticos de extrema-direita, foi um dos que registraram o maior número de respondentes.

O coordenador do Onve projeta que, em 2026, a direita mobilizará todas as estratégias políticas que já deram retorno eleitoral para voltar ao poder. A perseguição a educadores e a incitação do pânico moral em torno da ideologia de gênero devem estar no centro dessa mobilização. A hipótese de Penna é que 2026 será um ano particularmente difícil para os profissionais da educação.

Todos os parlamentares citados foram procurados pela reportagem, mas não houve retorno até a publicação. Já a Secretaria de Educação de Santa Catarina afirmou “seu compromisso com a legalidade, a transparência e a proteção da comunidade escolar”.

Quando a perseguição é transformada em voto

A partir de uma denúncia feita pelo vereador Fernando Cordeiro, de Chapecó, a professora de Língua Portuguesa Ibriela Sevilla foi alvo de um PAD por trabalhar, em sala de aula, o livro Não Alimente a Escritora, da autora catarinense Telma Scherer. A atividade ocorreu em uma turma do primeiro ano do Ensino Médio da Escola Estadual Professora Angela Lourdes Lago. Pais de alunos acionaram a direção da escola e pediram a demissão da professora, alegando que o livro continha linguagem inapropriada. A obra, que consiste em um poema de 94 páginas, já havia sido utilizada por Ibriela em 2023, na mesma escola, sem suscitar qualquer problema.

O PAD aberto contra Ibriela em 2024 foi arquivado quase um ano depois, quando a comissão responsável concluiu pela inocência da docente. Durante o trâmite do processo, a professora foi exposta nas redes sociais e nas câmaras legislativas municipais e estaduais. Desde o episódio, Ibriela tem acompanhamento psicológico e psiquiátrico.

(Arte: Agência Pública)
(Arte: Agência Pública)

O vereador Fernando Cordeiro, então em pré-campanha para a reeleição, publicou, em março de 2024, uma crítica à conduta da professora em suas redes sociais. Três dias depois, o caso chegou à deputada estadual Ana Campagnolo, do PL, que repercutiu o assunto na tribuna da Assembleia Legislativa.

Para Fernando Penna, a dinâmica indica uma atuação em rede entre os parlamentares. “Quando um vereador faz a denúncia e uma deputada estadual a divulga, há uma articulação clara. A deputada serve como plataforma, enviando a mensagem de que outros vereadores que fizerem o mesmo também ganharão projeção. Um parlamentar reforça o outro, construindo, assim, um empreendimento político”, diz.

Em 2020, Fernando Cordeiro foi eleito com 1.422 votos, a 14ª maior votação em Chapecó. Em 2024, ele quase triplicou seu eleitorado e tornou-se o vereador mais votado do município. Para o coordenador do Onve, o crescimento expressivo da votação após a perseguição a uma professora exemplifica como esse tipo de violência tem sido convertido em capital político.

(Arte: Agência Pública)
(Arte: Agência Pública)

A própria deputada Ana Campagnolo, que auxiliou Cordeiro na exposição do caso, ganhou projeção política após um conflito com sua orientadora de mestrado, a historiadora Marlene de Fáveri, da Universidade do Estado de Santa Catarina. O episódio foi exposto publicamente durante a campanha eleitoral de 2018, quando Campagnolo foi eleita deputada estadual com mais de 34 mil votos. Até então, ela nunca havia concorrido a cargos políticos e atuava como professora de História em escolas de Chapecó. Após denunciar “professores doutrinadores” em seu primeiro mandato, Campagnolo reelegeu-se em 2022 como a deputada mais votada da história do parlamento catarinense, com 196.571 votos.

Procurado, Fernando Cordeiro alegou que “o objetivo foi representar os pais e alunos que me procuraram solicitando ajuda, representando-os nas instâncias legais e competentes, relatando material apresentado pela referida professora”.

Um padrão repetido pelo Brasil

Os casos de Jadir, Ibriela e Marlene não são exceção. O roteiro de perseguição e violência se repete esporadicamente em outras regiões do país. Em Magé, no Rio de Janeiro, a professora de Artes Daniela Abreu enfrentou uma situação semelhante. Ela trabalhava há 17 anos no Colégio Estadual Professor Alfredo Balthazar da Silveira e nunca tinha registrado problemas com os alunos. A escola sempre foi reconhecida por sua atuação combativa, com grande adesão do corpo docente ao sindicato. Em contrapartida, grupos locais pressionavam pela militarização da instituição.

Nesse contexto de tensão, em 2022, Daniela passou a ter conflitos com estudantes que faziam declarações racistas em sala de aula. No início do ano, um aluno a agrediu verbalmente e a ameaçou fisicamente. O estopim da violência, no entanto, ocorreu em setembro daquele ano, quando um casal de alunos abordou a professora na sala dos docentes e pediu materiais da campanha do então candidato Luiz Inácio Lula da Silva. Daniela recusou o pedido, mas, diante da insistência dos estudantes, cedeu um adesivo e pediu que o aluno o guardasse. Ela não sabia que a interação estava sendo filmada.

Quinze minutos depois, policiais militares e fiscais do Tribunal Regional Eleitoral (TRE) entraram na escola. Segundo relatos de funcionários, a abordagem ocorreu sem mandado. Vídeos da entrada dos policiais e da entrega do adesivo eleitoral circularam nas redes sociais. Daniela foi acusada de ser doutrinadora, e as imagens simulavam uma prisão que, de fato, nunca ocorreu.

A professora relata que passou por instantes de terror e se sentiu minúscula em meio à barbárie. Ao longo de 2022, ela havia sido gravada em outras aulas sem o seu conhecimento. Mais tarde, compreendeu a intencionalidade daquelas filmagens, que foram utilizadas na sindicância instaurada contra ela.

(Arte: Agência Pública)
(Arte: Agência Pública)

A perseguição ganhou contornos institucionais em 2023, quando o deputado estadual Alan Lopes, do PL, passou a atacar publicamente a professora. Eleito presidente da Comissão de Educação da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro em abril de 2023, o parlamentar foi ao colégio de Daniela para gravar um vídeo intitulado “Desmascaramos a ‘professora’ militante esquerdista”. Lopes reuniu filmagens clandestinas feitas nas aulas de Daniela e declarou que o período de denúncias engavetadas por doutrinação em sala de aula havia acabado no Rio.

Um levantamento publicado pelo Onve em 2024 revela que, em quatro anos, a Secretaria Estadual de Educação do Rio de Janeiro abriu 1.320 sindicâncias contra professores. O número representa a média de uma sindicância por dia entre 2020 e 2024. O estudo aponta que agentes públicos têm manipulado o instrumento da sindicância para criminalizar, isolar e silenciar educadores. O pico de aberturas de sindicâncias ocorreu em 2022, ano eleitoral, com quase 500 procedimentos instaurados.

Após a publicação do vídeo pelo deputado Alan Lopes, Daniela foi alvo de uma sindicância e, quatro meses depois, de um PAD. Ela foi acusada de realizar campanha eleitoral na escola, fazer apologia às drogas e enaltecer a vereadora Marielle Franco, assassinada. Segundo o processo, a professora teria descumprido os deveres previstos no Estatuto dos Funcionários Públicos e os preceitos éticos do Código de Ética Profissional do Servidor.

Nesse período, Daniela ficou extremamente fragilizada. Ela conta que grupos organizavam reuniões e a chamavam de “Marielle de Magé”, não como um elogio, mas como um alvo. Diziam que não precisavam mais matá-la, pois já haviam conseguido quebrá-la por dentro.

Em setembro de 2025, o PAD foi arquivado. Assim como no caso de Jadir Anchieta, o arquivamento não apagou as violências sofridas. Daniela foi alvo de ameaças e precisou deixar a cidade para evitar uma tragédia. Desenvolveu crises de ansiedade, falta de ar e depressão. Pensou em abandonar a sala de aula e teve medo de morrer. Foi, segundo ela, o momento mais difícil de sua vida.

Os resultados dessa violência

Quase dois anos após a gravação que resultou na abertura de seu Processo Administrativo Disciplinar, Jadir Anchieta continua a ministrar aulas de História. Diante de novas turmas, ele continua abordando temas como o nazifascismo, as crises democráticas e os conflitos políticos do século 20. A diferença, agora, é que a sensação de estar sendo gravado nunca o abandona. Hoje, ele pensa duas ou três vezes antes de falar, o que torna a rotina exaustiva.

Para os pesquisadores do Onve, o método de alguns políticos da extrema-direita produz um efeito que vai além dos episódios individuais: cria um ambiente de insegurança e medo, levando os educadores à autocensura.

Em um contexto de polarização política e com a aproximação de novas eleições, especialistas alertam que o uso de estratégias de perseguição contra educadores tende a se intensificar. As explicações sobre crises democráticas, questões de gênero ou temáticas religiosas continuam no quadro negro. Mas agora, entre os cadernos e os livros, paira sempre a possibilidade de um celular gravando em silêncio.

terça-feira, 20 de agosto de 2024

Para uma Antropologia para o entendimento do novo fascismo, ou seja, da extrema-direita. Artigo de Franco Berardi

 

O projeto que enfrentamos foge às antigas categorias da política. Enraizou-se na competição sem tréguas, que o neoliberalismo tanto estimulou, e na mentalidade gaming – hiperacelerada e acrítica – a que conduzem as telas e seus algoritmos


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Por Franco Berardi (Bifo) em El Salto | Tradução de Glauco Faria

Dinâmica profunda da onda nazi-libertária

A reunião de cúpula da ultradireita branca ocidental em Madri, em 29 de maio, foi o ponto culminante de um processo que escapa às categorias da política moderna. Continuamos a interpretá-lo com as categorias que temos: democracia, liberalismo, socialismo, fascismo etc… Mas acredito que essas categorias interpretativas da política não capturam a essência desse processo, que não é realmente novo no nível enunciativo e programático, mas que é radicalmente novo no nível antropológico e psicocognitivo. As declarações dos líderes da direita global não explicam a força disruptiva do movimento que ninguém parece ser capaz de deter, com algumas exceções, como a Colômbia, o Brasil e a Espanha socialista, bastiões da resistência humana.

A dinâmica tradicional da democracia parlamentar e da luta social parece ter sido superada, como se um ciclone dotado de um poder sem precedentes estivesse varrendo as defesas que a sociedade havia construído após a Segunda Guerra Mundial. A cúpula de Madri reuniu formações que convergem para o supremacismo branco ocidental em vez de movimentos liderados por países como a Índia de Modi, um exemplo de supremacismo não branco, e a Rússia de Putin, um exemplo de supremacismo não ocidental.

Na segunda metade de 2024, é possível que os supremacistas de direita ganhem a presidência dos EUA e obtenham a maioria no Parlamento Europeu, aliando-se ao centro. Mas mesmo que a direita não vença na Europa e os democratas ganhem as eleições nos EUA, isso não mudaria muita coisa, porque em questões fundamentais, principalmente em questões de rearmamento, guerra e mudança climática, não há mais distinção entre os governos de extrema direita e de centro. Pelo contrário, na situação atual, a vitória do lepenismo nas eleições de junho e a vitória de Trump em novembro teriam o efeito de rachar a unidade ocidental na guerra contra a Rússia.

Mas o objeto da minha reflexão não é o resultado das eleições de 2024. O que me interessa aqui é entender a dinâmica antropológica e não meramente política que transformou as sociedades do Ocidente e a maior parte do planeta depois de ter destruído o movimento trabalhista organizado e desativado uma após a outra das instituições internacionais da era liberal-democrática, começando pela ONU. O que está acontecendo pode ser reduzido a um retorno do fascismo histórico? Eu diria definitivamente que não: o nacionalismo fascista continua sendo a principal referência da linguagem e da mentalidade da classe política que está surfando na onda reacionária porque são pessoas de nível intelectual muito baixo, sem a capacidade de encontrar conceitos e palavras que correspondam à força que a transformação antropológica colocou à sua disposição. Parece-me que não há consciência de direita que corresponda ao poder da direita. A brutalidade, afinal de contas, não costuma ser autoconsciente. O que está surgindo é um fenômeno de proporções gigantescas que não pode ser explicado pelas categorias da política porque está enraizado na mutação tecno-antropológica pela qual a humanidade passou nas últimas quatro décadas e porque constitui o resultado do hiper-liberalismo, que fez da competição (ou seja, da guerra social) o princípio universal das relações inter-humanas.

As explicações políticas da onda brutalista libertária captam apenas aspectos marginais do fenômeno: os democratas liberais argumentam que a ordem política está abalada pela soberania autoritária. Os marxistas, ou muitos deles, interpretam o que está acontecendo como um retorno do fascismo histórico após os erros cometidos pelo movimento trabalhista organizado. Mas nenhum deles explica o mais importante, a qualidade antropológica e psíquica que está por trás da adesão em massa aos movimentos ultrarreacionários.

O que precisa ser entendido não é o significado das declarações de Trump, Milei, Netanyahu ou Norendra Modi, mas as razões pelas quais uma maioria crescente da população planetária abraça com entusiasmo a fúria destrutiva desses mercenários. Ao contrário do nazi-fascismo histórico, que praticava a economia estatista, a onda supremacista funde os lugares-comuns do racismo e do conservadorismo cultural com uma acentuação histérica do liberalismo econômico: liberdade para ser brutal. Será esta novidade suficiente para explicar o sucesso esmagador da miscelânea intelectual que por toda parte desperta o entusiasmo das multidões? Devemos pensar que as multidões seguem Trump apesar das suas mentiras descaradas, apesar do seu machismo de baixo grau? E que as multidões israelitas apoiam o governo fascista apesar do extermínio das crianças palestinas, e que a maioria dos argentinos vota em Milei apesar da motosserra com a qual ele se prepara para destruir o estado de bem-estar social e fazer morrer de fome milhões de trabalhadores? Ou talvez o raciocínio devesse ser invertido?

Eu proponho a hipótese de que estamos diante de uma verdadeira inversão de julgamento ético: os americanos votam em Trump exatamente porque ele é um estuprador e mentiroso, os israelenses apoiam Netanyahu exatamente porque ele pratica genocídio, compensando uma necessidade profunda e inconfessada de reparações dos descendentes das vítimas de um genocídio passado. E os jovens argentinos seguem Milei porque acreditam que, finalmente, os melhores poderão se destacar e os demais passarão fome como merecem.

A novidade que precisamos entender é a qualidade psíquica, cognitiva e antropológica do Anthropos 2.0. A inversão cínica do julgamento, o entusiasmo pela violência racista, implicam uma perversão da percepção e da elaboração psíquica, antes mesmo da moral: o capitalismo gore, como Sayak Valencia define a realidade mexicana.

Brutalismo social

Ao fazer da competição o princípio universal das relações inter-humanas, o neoliberalismo ridicularizou a empatia pelo sofrimento do outro, corroeu os fundamentos da solidariedade e, assim, destruiu a civilização social. Quando Milei afirma que a justiça social é uma aberração, ele está apenas legitimando o direito do mais forte e galvanizando a ilusão de massas de indivíduos jovens (em sua maioria homens) convencidos de que são dotados de força para vencer todos os outros. Essa crença não é facilmente desmantelada, porque quando amanhã esses indivíduos forem, como já são, miseráveis solitários empobrecidos, eles culparão apenas os imigrantes, os comunistas ou Satanás pela derrota, de acordo com a psicose que preferirem.

Enquanto a justiça social é condenada como uma intrusão aberrante do socialismo estatal na liberdade dos indivíduos, a selvageria competitiva é naturalizada: na luta pela vida, quem não estiver à altura da tarefa merece morrer. A empatia não é compatível com a economia da sobrevivência; na verdade, ela é prejudicial para aqueles que a praticam. Como diz Thomas Wade no romance de Liu Cixin, The Dark Forest (A Floresta Negra), 2008: “Se perdermos nossa humanidade, perderemos algo; se perdermos nossa bestialidade, perderemos tudo”. O brutalismo se torna a base da vida social.

O inconsciente conectivo e o fim da mente crítica

McLuhan escreveu em 1964 que quando a comunicação inter-humana passa da dimensão lenta da tecnologia alfabética para a dimensão rápida da tecnologia eletrônica, o pensamento se torna impróprio para a crítica e o pensamento mitológico é restaurado. A mutação tecnocomunicativa está se mostrando mais abrangente do que as próprias previsões de McLuhan. De acordo com o CEO da Netflix, Reed Hastings, o principal concorrente das empresas de informação é o sono. Somando as horas de atividades multitarefas de uma pessoa comum em nossa época, o dia de trabalho é de trinta e uma horas, das quais apenas seis horas e meia são dedicadas ao sono. Em 24/7 Capitalism and the End of Sleep (2015), Jonathan Crary escreve que o tempo médio gasto com o sono diminuiu em um século de oito horas e meia para seis horas e meia. Que efeito a contração do sono pode ter sobre a autonomia mental de um indivíduo?

Durante treze horas, a mente fica exposta a estímulos da infosfera. Um leitor de livros poderia expor sua mente à recepção de sinais alfabéticos por muitas horas, mas a intensidade e a velocidade dos impulsos eletrônicos são incomparavelmente maiores. Quais são as consequências dessa transformação tecnocomunicativa? Resumindo: a mente submetida ao bombardeio ininterrupto de impulsos eletrônicos, independentemente de seu conteúdo, funciona de forma completamente diferente da mente alfabética, que tinha a capacidade de discriminar entre o verdadeiro e o falso nas informações e que tinha a capacidade de construir um procedimento de elaboração individual. Na verdade, essa capacidade depende do tempo de processamento emocional e racional, que, no caso de um jovem que vive treze horas por dia na infosfera eletrônica, é reduzido a zero. A distinção entre a verdade e a falsidade das declarações torna-se não apenas difícil, mas irrelevante, como quando se está em um ambiente de jogo. Em um ambiente como esse, não faz sentido aprovar ou desaprovar a violência dos homens verdes que invadem o planeta vermelho. Fazer isso só serviria para perder o jogo.

A configuração conectiva da mente contemporânea está cada vez mais indiferente à distinção entre verdadeiro e falso, bom e ruim. A escolha entre um estímulo e outro não depende do julgamento crítico, mas do grau de excitação, ou estimulação dopaminérgica. Para dar um exemplo pessoal: na noite de 9 de novembro de 2016, quando os resultados das eleições nos EUA eram esperados, com Hillary Clinton enfrentando Donald Trump, lembro-me de ter acordado às quatro da manhã para ligar meu computador e ver como a disputa havia sido decidida. Não que eu simpatizasse com Hillary, mas achei moralmente repugnante pensar que seu oponente enérgico pudesse se tornar presidente. No entanto, percebi que algo em mim queria que o evento mais barulhento, inesperado e chocante – em resumo, o mais estimulante para a dopamina – acontecesse. E meu sistema nervoso havia encontrado sua satisfação: o horror havia prevalecido e o espectador em mim estava satisfeito, porque todo espectador sempre quer que a tela envie o estímulo mais forte. Acho que a mente conectiva evoluiu em uma direção incompatível com o julgamento moral e a discriminação crítica.

Tecnologia celular e a grande migração

Em geral, o marxismo subestimou a questão demográfica depois que Marx criticou a tese malthusiana em meados do século XIX. Marx estava certo contra Malthus, que previu que o crescimento populacional causaria transtornos sem levar em conta a evolução técnica da produtividade. Mas os marxistas estavam errados ao não considerar as consequências da extraordinária aceleração possibilitada pela medicina e pelo progresso social. O salto demográfico de 2,5 bilhões de pessoas vivas no planeta em 1950 para 8 bilhões, 70 anos depois, significou uma intensificação sem precedentes da exploração dos recursos da Terra e levou, acredito que inevitavelmente, à devastação do ambiente planetário.

Na década de 1960, o etólogo John Bumpass Calhoun falou de um sumidouro comportamental. A devastação ecológica torna inabitáveis áreas cada vez maiores do planeta e impossibilita o cultivo de áreas inteiras. É compreensível que as populações do Sul global (ou seja, as áreas que sofreram os efeitos da colonização e que estão sofrendo especialmente com os efeitos da mudança climática) queiram se mudar para o Norte global (ou seja, a área que desfrutou dos benefícios da exploração colonial e que sofreu menos, por enquanto, com as consequências da mudança climática). Também é compreensível (mesmo que seja imoral, mas o julgamento moral é tão bom quanto um dois de paus neste momento) que as pessoas no Norte global estejam assustadas com a ideia de massas crescentes de pessoas se mudando do Sul global para o Norte global. É por isso que a grande migração empurra e empurrará cada vez mais as populações do Norte para posições abertamente racistas. É por isso que o genocídio já é, e provavelmente se tornará cada vez mais, uma técnica de controle do movimento populacional. É por isso que os europeus estão fazendo tudo o que podem para garantir que milhares de pessoas sejam afogadas no mar ou espalhadas nos desertos do norte da África.

Em seu romance Gun Island (2019), Amitav Gosh relata o ciclo comunicacional da migração de telefones celulares:

Não estamos mais no século XX. Não é necessário um megacomputador para acessar a web. Tudo o que você precisa é de um telefone e agora todo mundo tem um. E não importa se você é analfabeto. Você pode encontrar o que está procurando apenas falando, e seu assistente virtual fará o resto. Você ficaria surpreso com a rapidez e a capacidade de aprendizado das pessoas. É assim que a jornada começa, não comprando uma passagem e obtendo um passaporte. Ela começa com um telefone e uma tecnologia de reconhecimento de voz.

[…] Onde você acha que eles aprendem que precisam de uma vida melhor? Droga, onde você acha que eles têm uma ideia do que é uma vida melhor? De seus telefones celulares, é claro. É lá que eles veem fotos de outros países; é lá que eles veem anúncios em que tudo parece fabuloso; eles veem coisas nas mídias sociais, postagens de vizinhos que já fizeram a viagem […] então o que você acha que eles fazem? Eles voltam a plantar arroz? Você já tentou plantar arroz? Você acha que alguém quer voltar para esses campos depois de ver fotos de seus amigos tomando confortavelmente lattes de caramelo em um café de Berlim? E o mesmo celular que lhes mostra essas fotos também pode colocá-los em contato com intermediários […] digamos que um cara peça asilo na Suécia. Ele precisará de uma história confiável. Não uma daquelas histórias de besteira comuns. Uma história que eles queiram ouvir lá. Digamos que o cara tenha morrido de fome porque seus campos foram inundados; ou digamos que toda a aldeia tenha ficado doente por causa do arsênico no solo; ou digamos que o cara tenha sido espancado pelo seu senhorio porque não conseguiu pagar suas dívidas. Nada disso importa para os suecos. Os suecos gostam de política, religião e sexo. Você precisa ter uma história de perseguição se quiser ser ouvido. É assim que ajudo meus clientes, dou a eles esse tipo de história (Amitav Gosh, L’isola dei fucili, Vicenza, Neri Pozza, 2019, pp. 74-76).

A grande migração do sul e do leste para o norte e o oeste do mundo é o processo que mais contribui para a onda ultrarreacionária, enquanto a oposição entre o Norte imperialista e o Sul colonizado está assumindo contornos cada vez mais nítidos. Basta olhar o mapa dos países que condenam o colonialismo israelense e o mapa dos países que o apoiam para entender a geografia do confronto histórico que está tomando forma. Mas não se deve acreditar que a brutalidade pertence apenas ao mundo ocidental branco: a Rússia de Putin não é ocidental e a Índia de Modi não é branca, mas ambas compartilham as características essenciais do brutalismo e da indiferença ao genocídio. A possibilidade de uma revolução anticolonialista tinha perspectivas progressistas dentro da estrutura do internacionalismo dos trabalhadores, mas isso parece ter desaparecido do horizonte da história. E o fim do internacionalismo abriu a porta para o apocalipse que estamos vivendo.

Curva demográfica e conclusões provisórias

Devemos levar em conta o fato de que a expansão demográfica, que está recuando no Norte global, continuará em escala planetária até que a população mundial chegue a dez bilhões. É verdade que alguns demógrafos preveem que, nesse ponto, em meados do século, a população da Terra começará a diminuir a uma taxa semelhante à que cresceu no século passado. Na opinião de Dean Spears, economista e demógrafo da Universidade do Texas, em Austin, é possível traçar uma curva que sobe abruptamente de dois bilhões para dez bilhões, atinge o pico por volta de 2040 e depois declina de forma igualmente abrupta.

Pelo menos três fatores contribuem para esse colapso na taxa de natalidade, os quais não analisarei aqui: o colapso da fertilidade masculina, a relutância das mulheres em carregar as vítimas do holocausto climático e bélico e a tendência da sexualidade de desaparecer como resultado da hiper-semiotização do desejo. Mas é totalmente previsível que a brutalidade política e moral que está sendo imposta em todos os lugares, combinada com o poder crescente das armas de destruição em massa e a racionalidade amoral da inteligência artificial aplicada aos sistemas de armas, levará ao colapso final da civilização humana antes que a curva demográfica entre em sua fase descendente.

Podemos esperar um refluxo da tendência que venho analisando neste texto? Para responder a isso, devemos considerar que a ascensão do brutalismo libertário reuniu e está reunindo uma energia que parece surgir da dinâmica profunda da evolução tecnológica, psíquica e cognitiva da humanidade. Essa energia não pode ser contida pela ação voluntarista dos sujeitos políticos sociais e culturais toda vez que eles não são percebidos de forma alguma no horizonte. Portanto, temo que essa onda só possa ser interrompida quando essa energia tiver produzido todos os efeitos de que é capaz, assim como o Terceiro Reich só parou quando destruiu tudo o que podia destruir, inclusive a Alemanha. Mas a força destrutiva à disposição do Terceiro Reich global de nosso tempo é suficiente para eliminar todos os vestígios de vida humana do planeta.

sexta-feira, 11 de agosto de 2023

Coluna de Reinaldo Azevedo, na Folha: O bolsonarismo tem de ser compreendido e banido, nunca tolerado

  O jornalista e colunista Reinaldo Azevedo, em sua coluna publicada hoje na Folha de S. Paulo, argumenta que a abordagem de tolerância em relação ao bolsonarismo é um erro que não pode ser mais sustentado.

Reinaldo Azevedo e Jair Bolsonaro

Reinaldo Azevedo e Jair Bolsonaro (Foto: Reprodução | Reuters)

247 – No cenário político atual, há uma crescente preocupação sobre a influência e as consequências do bolsonarismo no Brasil. Nesse contexto, o jornalista e colunista Reinaldo Azevedo, em sua coluna publicada hoje na Folha de S. Paulo, argumenta que a abordagem de tolerância em relação ao bolsonarismo é um erro que não pode ser mais sustentado.

Azevedo começa destacando como muitos interpretaram o bolsonarismo como uma mera expressão mais áspera da direita política, mas alerta que esse entendimento não é suficiente para compreender a real natureza do movimento. Ele argumenta que o erro foi supor que Jair Bolsonaro, por sua retórica agressiva e fanfarrona, não buscaria efetivamente minar as instituições democráticas. Esse equívoco, segundo Azevedo, deve ser confrontado, pois o bolsonarismo representa uma ameaça mais profunda à democracia do que simplesmente uma face feia do regime.

O colunista também critica a ideia de que Bolsonaro poderia ser aceito na esfera da civilidade com algumas modificações em seu comportamento. Ele destaca que a palavra "tolerância" deriva do latim "tolerantia", que significa "constância em suportar". Azevedo argumenta que a tolerância não implica em aceitar ideias que contradizem nossas convicções e valores, especialmente quando essas ideias ameaçam a própria estrutura democrática.

Azevedo invoca o "paradoxo da tolerância", formulado pelo filósofo Karl Popper, para questionar se a sociedade deve tolerar ideias que, se postas em prática, levariam à destruição das próprias bases que permitem a sua expressão. Ele enfatiza que a disposição do bolsonarismo de minar a democracia não pode ser encarada com condescendência, mas sim confrontada com firmeza.

O colunista também apresenta evidências que sugerem que o bolsonarismo não é apenas uma retórica inflamada, mas sim uma ameaça concreta à democracia. Ele menciona a articulação da Polícia Rodoviária Federal, sob comando de aliados do então presidente, para fraudar os resultados eleitorais. Além disso, Azevedo aponta para diversos aspectos do governo Bolsonaro que indicam uma falta de governança e uma aproximação perigosa com a barbárie.

Em sua conclusão, Reinaldo Azevedo argumenta que o bolsonarismo não pode ser tolerado em nome da diversidade ou da convivência pacífica. Ele defende que, para preservar os fundamentos democráticos, o bolsonarismo deve ser banido do debate político, sem prejuízo de ser compreendido em sua essência. Azevedo destaca a importância de estabelecer limites inegociáveis para garantir a existência de uma direita democrática no país.



terça-feira, 25 de julho de 2023

Portal do José: DESCONTROLADOS! BOLSONARISMO TENTA SE SALVAR. ATÉ GUEDES QUER DISTÂNCIA! A "BELA "E PILANTRA OU BURRA?

 

Do Portal do José:

25/07/23 - A FILA CONTINUA A ANDAR! SE POR UM LADO o caso Marielle Franco avança para se saber o que motivou o crime, por outro o retrocesso civilizatório não para de se apresentar. A Deputada bonitinha mas ordinária veio a público para desferir mentiras para se justificar. ainda bem que derrotamos essa gente. MEU DEUS! SIGAMOS.