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terça-feira, 16 de junho de 2020

Estudo mostra que aumentou rejeição do brasileiro a ideias militaristas golpistas



“O eleitorado começa a se afastar dos temas mais clássicos do bolsonarismo”, diz o cientista político Leonardo Avritzer
Jornal GGN Uma pesquisa realizada pelo Instituto da Democracia mostra que a defesa de um golpe militar em determinadas situações caiu em comparação com o apoio aferido em 2018.
Naquele ano, 55,3% dos entrevistados disseram que o aumento da criminalidade justificaria um golpe na democracia. Um ano depois, o indicador recuou para 40,3%. Agora, está em 25,3%. De cada dez brasileiros, sete dizem “não” a essa hipótese.
Quando a justificativa do golpe é a corrupção, o índice caiu de 47,8% em 2018 para 29,2% em 2020. Para 65,2%, a corrupção não é justificativa para golpe militar.
A mesma pesquisa aferiu que a confiança nos militares caiu sete pontos desde 2018, de 33,9% para 27%. Para 58,9% dos entrevistados, a presença de militares no governo Bolsonaro não ajuda a democracia. Para 30,1%, não há problema.
A confiança nas igrejas também recuou de 35,2% para 29,7% desde 2018.
Para o cientista político Leonardo Avritzer, um dos coordenadores do estudo, a pesquisa mostra que o “eleitorado começa a se afastar dos temas mais clássicos do bolsonarismo”.
Mas isso não significa que a democracia está salva. Em 2019, 32,9% disseram estar satisfeitos ou muito satisfeitos com o regime. Hoje, esse dado caiu para 25,1%.
Segundo Avritzer, parte da população associa a ideia de democracia ao bom funcionamento do governo: “Se a gestão ou a economia vai mal, a satisfação com a democracia cai.”
O Instituto da Democracia é formado por pesquisadores da UFMG, Iesp/Uerj, Unicamp e UnB. Participam também USP, UFPR, UFPE, Unama e IPEA, e duas instituições estrangeiras, CES/UC e UBA.
O estudo teve financiamento da Fundação de Amparo à Pesquisa de Minas Gerais. Foram ouvidas 1.000 pessoas por telefone. A margem de erro é de 3,1 pontos.
Com informações do Valor Econômico