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segunda-feira, 17 de outubro de 2022

Portal do José: Malafaia tenta explicar o "Pintou o clima" de Bolsonaro

 

Do Portal do José:

17/10/22- FALTAM 13 DIAS. Bolsonaro fez uma grande besteira na campanha. Sua alma verdadeira foi revelada. O pedófilo oculto em sua personalidade escapou numa fala. A questão é que as explicações não estão funcionando. 

Malafaia apareceu com uma justificativa mirabolante. Mas quem acreditará? Seus fiéis podem ficar desconfiados, finalmente. Afinal, são guiados por um pastor ou um estelionatário da fé? Ontem tivemos o primeiro debate para o segundo turno. Qual o impacto nos eleitores. Saberemos na medida que aparecerem as próximas pesquisas eleitorais mais qualificadas. No momento o cenário está favorável a Lula. Mas essa campanha não começou agora. Sigamos.



sexta-feira, 13 de março de 2020

Sob Bolsonaro, Funai promove evangelização-doutrinação-alienação destrutiva dos índios


No Vale do Javari (AM), coordenador da área de Índios Isolados negocia cargos para facilitar acesso de religiosos aos povos. Proselitismo predatório já conta com apoio de helicóptero. Desmatamento na região mais que dobrou, somente no ano passado


Por Igor Carvalho, no Brasil de Fato
O pastor Ricardo Lopes Dias, que recentemente foi nomeado para o cargo de chefia da Coordenadoria Geral de Índios Isolados e Recém Contatados (CGRIIC) da Fundação Nacional do Índio (Funai), teria convidado lideranças indígenas da Terra Indígena do Vale do Javari para assumir cargos no órgão agora dirigido por ele.
Fontes ligadas à Funai informaram que o missionário chegou a oferecer a Coordenação Regional do órgão em Atalaia do Norte (AM) para indígenas do Vale do Javari, entre outros cargos. A medida seria uma tentativa de amenizar as críticas que Lopes Dias tem sofrido por sua atuação como evangelizador na região durante os anos 1990 e 2000.
O vereador de Atalaia do Norte, Manoel Chorimpa (PROS), da etnia Marubo, confirmou que Lopes Dias “está tentando cooptar algumas lideranças para poder convencer as aldeias [de seu trabalho]”. “Eles estão fazendo essa articulação de forma bem confidencial. Eles estão chamando os jovens, principalmente na etnia Maioruna. Acabamos detectando essa movimentação. É uma questão bem interna”, afirma.
Ainda de acordo com Chorimpa, o atua coordenador de Índios Isolados está desgastado com os povos no Vale do Javari. “A nomeação dele foi um impacto para o movimento indígena, sabemos do histórico do missionário na região e conhecemos a estratégia dele. Sabemos que a questão de contato com os indígenas que já estabeleceram relação com o país não é o foco dele, ele quer entrar e falar com os isolados”, diz.
Nesta quarta-feira (4), a União dos Povos Indígenas do Vale do Javari (Univaja) divulgou uma nota denunciando “o aumento do assédio de grupos missionários em nossa região”. De acordo com o movimento, a crescente atuação dos evangélicos na região ocorre no momento em que Lopes Dias é nomeado para a CGRIIRC.
“Jovens estudantes com o objetivo de desestabilizar as ações do Movimento Indígena, dar a largada para uma corrida pela “conquista de almas” por religiosos fundamentalistas e desbloquear os entraves para a exploração comercial de nossas terras por um projeto genocida de Governo”, afirma o documento.
Em seguida, os indígenas acusam Lopes Dias, mais uma vez, por tentativa de aliciar lideranças locais. “Tem exercido direta e indiretamente a articulação, prometendo cargos na Funai local para alguns desses indígenas, causando grande instabilidade nas aldeias e no Movimento Indígena. A nossa preocupação é que essas ações sejam consolidadas, de fato, com o único intuído de ‘abrir as portas’ da Terra Indígena para ações nefastas de proselitismo religioso em todas as aldeias que ‘não foram alcançadas pela bíblia’, inclusive as dos povos isolados, dessa vez, usando-se o órgão indigenista oficial como ponta de lança nessa investida etnocida e genocida”, diz o texto.

Helicóptero para a evangelização

A Missão Novas Tribos do Brasil, entidade que atua com o intuito de evangelizar os povos indígenas no território nacional e para a qual Ricardo Lopes Dias presta serviços, adquiriu um helicóptero R66, que custa R$ 4 milhões, para facilitar o traslado dos missionários até as aldeias.
De acordo com o El Pais, o missionário Edward Luz, da Missão Novas Tribos do Brasil, comemorou a compra em um vídeo enviada para fiéis que trabalham na entidade.
“Nós estamos vivendo um momento muito especial nesses dias, quando única e exclusivamente, pela graça e bondade do Senhor, Ele nos supriu com um helicóptero Robinson 66 que será usado no Acre, precisamente na cidade de Cruzeiro do Sul. Um helicóptero que nos ajudará em todo o processo de chegar com mais facilidade nas aldeias onde não há pista de pouso”, afirma Luz no vídeo.

Desmatamento aumenta em área de povos indígenas isolados

A atuação de evangelizadores na região amazônica em áreas indígenas com povos isolados levou organizações que atuam em defesa da causa indígena a apresentarem na Comissão de Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas (ONU) um relatório que alerta para o risco de genocídio dessa população.
O documento elaborado Instituto Socioambiental (ISA) aponta que das 54 Terras Indígenas com registros de povos indígenas isolados (83 registros), 37 delas registram desmatamentos que somaram, até julho de 2019, 336 mil hectares. Em 2019, o desmatamento nessas Terras Indígenas aumentou 113% em comparação com 2018 e 363% maior em comparação com 2017.
O relatório aponta que o desmonte nas políticas ambientais durante o governo Bolsonaro são responsáveis por agravar a situação dos povos isolados e a Fundação Nacional do Índio (Funai) é apontada como o “orgão que apresenta a pior situação” dentro desse quadro.
“As atividades estão praticamente paralisadas com os cortes orçamentários e a alteração de quadros e coordenações. A instituição sofre influência de alas religiosas e ruralistas, como foi o caso da nomeação de um missionário para a Coordenação Geral dos Povos Isolados e de Recente Contato (CGIIRC) e que pode colocar em risco a política de não contato, que nos últimos 30 anos evitou epidemias e massacres dos povos isolados”, diz o relatório do ISA.
O Brasil de Fato comunicou o pastor Ricardo Lopes Dias sobre a denúncia. Porém, o coordenador da Funai preferiu não se manifestar sobre o tema.

“O presidente mandou os missionários”

O líder indígena Davi Kopenawa participou da audiência na ONU onde o relatório foi apresentado. “Aqui vocês tem força pra pressionar o presidente da República que está fazendo muito mal pra gente”, pediu aos presentes na sessão.
“O presidente mandou os missionários para evangelizar meu povo. Os missionários também leva doenças para eles”, afirmou o indígena. “Não estou contente. eu não estou contente com o presidente da República do Brasil, realmente estão querendo acabar com meu povo que está lá morando há muito tempo, há muitos anos”, ressaltou Kopenawa.
Por fim, o líder Yanomami alertou para os riscos da política adotada pelo governo federal na CGRIIRC. “Eu venho aqui para falar da situação do meu povo Yanonami. A lei que o branco escreveu, a lei do Brasil, não está respeitando a própria autoridade brasileira. Não está respeitando os povos indígenas brasileiros. Os indígenas isolados merecem proteção e respeito. Por isso estou falando tudo isso. Eu não vim aqui para falar mal do Brasil. Vim para alertar e informar o que o nosso povo indígena está pensando, querendo. Para autoridades do mundo inteiro não apenas falem do meio ambiente, tem que falar e proteger”, disse.
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terça-feira, 26 de novembro de 2019

Xadrez de como Bolsonaro herdou a retroativa rede neopentecostal de Eduardo Cunha, por Luis Nassif





Para entender o bolsonarismo, peça central é a questão da religião, especialmente do ativismo econômico e político das chamadas religiões neopentecostais.

Peça 1 – Bolsonaro e Eduardo Cunha

Para entender o bolsonarismo, peça central é a questão da religião, especialmente do ativismo econômico e político das chamadas religiões neopentecostais.
A base de apoio de Eduardo Cunha misturava religião, milícias e um mundo de negócios: igrejas, contrabando, produção clandestina de cigarros, tráfico de armas, segurança privada de novos ricos que precisam andar nas sombras, produção e distribuição de música e literatura religiosa, shows e eventos artísticos, etc. Apesar dessa confluência, obviamente a vinculação de igrejas com crime é parcela menor desse universo.
Jair Bolsonaro herdou essa base. Mesmo antes de seu Partido 38 entrar em operação, significa que ele continuará tendo uma base de apoio razoável e estável no Congresso.
Cunha construiu sua rede de apoio no Congresso e no Estado do Rio financiando deputados. Mas a base de lançamento foram neopentecostais que ele convocava nos boletins diários da rádio Melodia FM, com o bordão “afinal de contas, o nosso povo merece respeito”.
Em janeiro de 2015, a eleição de Cunha para a presidência da Câmara Federal foi entusiasticamente apoiada pelos 90 deputados da bancada evangélica, e pela bancada ruralista.
Para ambos, Cunha acenou com a rejeição a qualquer tentativa de liberalização do aborto e de criminalização da homofobia. Para os ruralistas, a promessa para que o Congresso tenha poder de demarcar terras indígenas.
O entusiasmo poderia ser medido pelas palavras do Pastor Everaldo, presidente nacional do PSC: “Cunha representa a possibilidade de termos uma Câmara independente onde serão colocados na pauta assuntos de interesse do Brasil e não somente do governo e do partido do governo”, disse ele.
Cunha pertencia à Igreja Sara Nossa Terra, com um milhão de fiéis. Trocou pela Assembleia de Deus, com 13 milhões. E obteve o apoio de dois dos principais líderes evangélicos do estado, o bispo Manoel Ferreira e o Pastor Everaldo.
Essa estrutura fio inteiramente absorvida por Bolsonaro.

Peça 2 – a lavagem de dinheiro

Não se trata apenas da economia da fé. A possibilidade de ganho fácil em uma economia informal acabou atraindo muitos jovens ambiciosos também que encontraram um terreno fértil para a ilegalidade.
Trata-se de um território absolutamente informal, no qual as doações não são documentadas nem regularizadas. Fiéis de igrejas pentecostais mais sérias tentaram definir regras, como a necessidade de o doador registrar CPF, mas não conseguiram avançar.
Criou-se, então, um campo fértil para o embricamento entre igrejas e economia clandestina, doações e lavagem de dinheiro, como comprovou o próprio Eduardo Cunha e suas relações obscuras com a Refinaria de Manguinhos.
Uma das denúncias da Lava Jato foi a de que a Igreja Evangélica Cristo em Casa fez um empréstimo de R$ 250 mil pra Cláudia Cruz, esposa de Eduardo Cunha, como forma de lavar dinheiro. A Igreja é presidida por Francisco Oliveira da Silva, ex-deputado federal e aliado de Cunha.
Na denúncia contra Cunha, o então Procurador Geral da República, Rodrigo Janot anotou que parte da propina a Cunha foi paga em doação para uma Assembleia de Deus em Campinas, presidida por Samuel Ferreira, irmão do pastor Abner Ferreira, presidente da Assembleia de Deus de Madureira, frequentada por Cunha.

Peça 3 – o empreendedorismo evangélico

É nesse quadro de informalidade, que se desenvolve o empreendedorismo evangélico, tendo como modelos os Jorge Paulo Lehmans da fé: Edir Macedo, da Igreja Universal do Reino de Deus (patrimônio de US$ 950 milhões), Valdemiro Santigo, da Igreja Mundial do Poder de Deus (US$ 440 milhões), Silas Malafaia (US$ 150 milhões), R.R.Soares, da Igreja Internacional da Graça de Deus (US$ 125 milhões), Estevam e Sônia Hernandes, da Igreja Renascer (US$ 65 milhões).
Reportagem da revista norte-americana Forbes, especializada em negócios, descreveu bem o fenômeno.
Os dois pontos centrais da expansão da economia evangélica foram a ascensão das novas classes sociais e as facilidades de ingresso no negócio religião, tudo pavimentado pela chamada teologia da prosperidade.
No Brasil, diz a revista, com os muito ricos e os muito pobres permanecendo firmemente católicos, a maioria dos evangélicos protestantes no Brasil está na classe média ascendente, seguindo a teologia da prosperidade.
O segundo ponto foi a flexibilização na formação dos pastores. As igrejas protestantes mais tradicionais exigem de seus pastores pelo menos o curso de mestrado. As Neopentecostais, como a Universal do Reino de Deus, oferecem cursos intensivos de formação de pastores por até US$ 350,00 e alguns dias de aula.
Segundo a revista, trata-se de um mercado com ampla expansão. Os católicos representam 64,6% da população, contra 92% em 1970. E os evangélicos passaram de 15,4% para 22,3% da população, ou 42,3 milhões de pessoas, em apenas uma década.
Os novos pastores ganham bons salários – Malafaia paga até US$ 11 mil mensais para os pastores de maior talento -, mas também ganham poder. E o fascínio da riqueza fácil, mas a informalidade do setor, estimulou algumas aventuras mais agressivas no mundo da contravenção.

Peça 4 – o desenho do novo mercado

O caso do pastor Márcio Matos é bem significativo da resultante de uma atividade que mistura a economia da fé, informalidade, política e lavagem de dinheiro.
Matos é apontado como provável candidato a prefeito em Caxias pela REDE, de Marina Silva. É dono da Pentecostal Anabatista, com mais de 100 igrejas no Brasil, e uma em Miami, na Flórida.
É o maior distribuidor de cigarros na baixada Fluminense.
Ela e a esposa são donos de várias empresas ligadas a cigarro, a Clean Tabacos, a Quality Tabacos, a Gudang Tabacos do Brasil entre outras.
Seu empreendedorismo já foi enaltecido em um publieditorial (publicidade em forma de matéria, fornecida por terceiros) da revista Veja sobre a família Poncio, que controla distribuidora de tabacos, grife de roupa, agência de publicidade e marketing, empresa de aromatizantes, entre outras.

▫ A Operação Vícios

Em maio passado, a Justiça condenou diversas pessoas envolvidas em lavagem de dinheiro, e alvos da Operação Vícios, do Ministério Público Federal do Rio de Janeiro, deflagrada em 2015. Tratava-se de um esquema visando fraudar a Casa da Moeda e a Receita Federal, por uma empresa de nome SICPA Brasil Indústria de Tintas e Sistemas.
A SICPA prestava serviços de controle numérico e rastreamento de produção de bebidas. A partir de 2008 firmou com a Casa da Moeda um contrato de cinco anos, da ordem de R$ 3,3 bilhões, para execução de serviços relacionados ao Sistema de Controle de Produção de Bebidas (Sicobe), da Receita Federal.
A licitação teria sido manipulada pelo auditor-fiscal Marcelo Fisch, que era coordenador geral de licitação. Seu cunhado Farid Raouf Merheb é conhecido doleiro de Brasilia. Entre suas atividades está a representação da Gudang Tabacos Brasil, do pastor Márcio, através da Duke Distribuidora.

▫ Operação Grande Rios

No dia 16 de abril passado, a Operação Grandes Rios, da Polícia Federal (PF), do Ministério Público Federal do Rio Grande do Norte e da Receita Federal, desnudou o esquema de lavagem de dinheiro de fabricantes de cigarros. Eram abertas fábricas de cigarros em nomes de “laranjas”, que acumulava passivos fiscais. Quando a Receita cancelava o registro de funcionamento, nova empresa era aberta em nome de “laranjas”. Os lucros eram lavados no Brasil e no exterior.
Estimou-se que a fraude chegava a R$ 3,5 bilhões. A operação cumpriu 21 mandados de busca e apreensão no Rio Grande do Norte, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, São Paulo e Pernambuco.
Não foram divulgados nomes das empresas e pessoas envolvidas. Mas o modo de operação era significativo dos personagens que se entrecruzam nesse mercado cinzento.

Peça 5 – o apoio de Bolsonaro

Bolsonaro já acenou várias vezes com benefícios e estímulos à economia da fé.
Uma dessas medidas foi o apoio da Apex (Agência Brasileira de Promoção das Exportações) para a internacionalização do aplicativo Atos6, uma “plataforma cristã”, criada para auxiliar igrejas evangélicas no “recebimento de doações recorrentes online”.
É um aplicativo sofisticado, que permite doações, ofertas e dízimos em cartão de crédito e boleto bancário; pastoreio de membros da igreja e novos convertidos e uma integração com o Google Maps, para ajudar a identificar bairros adequados ao perfil dos cadastrados.
Foi anunciado um pacote desobrigando igrejas menores de se inscreverem no Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas (CNPJ; e a elevação (de 1,2 milhão para 4,8 milhões de reais) do piso de arrecadação para que uma igreja seja obrigada a informar suas movimentações financeiras diárias.

Peça 6 – a rede Bolsonaro

No início do governo Bolsonaro, havia muita resistência das Igrejas evangélicas não-pentecostais, ao modelo desenvolvido por Eduardo Cunha. Gradativamente, passou a haver uma adesão cada vez mais ampla a Bolsonaro.
Hoje em dia, além do apoio espontâneo de segmentos a classe média e empresariais, o bolsonarismo conta com as seguintes redes de propagação, atuando em nível nacional.