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terça-feira, 15 de março de 2016

O claro ódio fascista dos que se julgam superiores.... É o nazismo verde-amarelo!





Enviado por Henrique O
Do Medium


por Mariela Lamberti
O resultado?
Assustador.
Primeiro uma grande vaia. Ok.
Depois muitas palavras e gestos agressivos. Ok.
Alguns muito furiosos chamando pra descer. Ok.
E aí que começam a chutar o portão de metal de entrada do nosso prédio. Entram no prédio.
Trancamos as portas. Muito tensos. Estávamos em cinco.
Ligo para a portaria que não responde. 
Logo batidas um pouco violentas na porta, não sabemos quem foi. 
Muita tensão. Chegamos a nos armar.
Mas logo se acalmou, nada aconteceu. 
Ainda não sei o que exatamente aconteceu lá embaixo.
Foi um baita susto.
Minutos depois recebemos um interfone furioso da síndica nos comunicando que levaremos uma multa pois invadiram nosso prédio quebrando o portão.
A alegação furiosa dela é que penduramos um lençol vermelho provocando a marcha e que, logo, a responsabilidade do portão quebrado e do perigo de ter o prédio invadido é nossa.
Provocamos nos mostrando contrários à marcha junto aos vizinhos do apartamento de cima? Sim.
Mas e o ódio destemido dos que quiseram revidar a discórdia de maneira bárbara e completamente ilegal?
É assim? É assim que é o mundo mesmo?
Esses zumbis vão tomar nosso país.
Já não sinto esperança nenhuma.
Nós, que nos expressamos como centenas se expressam pelas janelas e ruas agora, devemos pagar por uma ilegalidade cometida por dois ou três zumbis tomado por esse ódio injetado neles.
Acontece que ela está agora ali embaixo segurando uma bandeira do Brasil. 
E a bandeira diz: a culpa é delas, a reação deles foi para proteger nosso país

William Nozaki sobre uma revolta às avessas, ou: os ricos indignados no Brasil


" (...) medo e preguiça fez com que o pêndulo de uma disputa em aberto oscilasse paulatinamente para a direita, que, a partir de uma associação entre elites, classes médias, mídia e judiciário que aprenderam a se apropriar da gramática política das ruas. O segundo turno eleitoral em 2014 evidenciou esse conjunto de tensões, a temperatura política e social seguiu aumentando em 2015 e no início desse ano, delineando o avanço do autoritarismo político e do conservadorismo social que agora explicitam suas faces golpistas e anti-democráticas."



A revolta às avessas, ou: os ricos indignados no Brasil
por William Nazaki - no Luis Nassif Online
A crise financeira internacional de 2008 ao mesmo tempo em que explicitou as contradições do capitalismo financeirizado abriu as portas para um novo ciclo de lutas globais: Tunísia, Egito, Bahrein, Iêmen, Líbia, Síria, Espanha, Grécia, EUA, foram palco de diversas experiências de lutas contra ditaduras políticas, recessões econômicas e exclusões urbanas.
Merecem destaque nesse caldeirão as experiências que conseguiram converter insurgências sociais em disputas institucionais mais amplas, passando da micropolítica dispersa para a macropolítica robusta com capacidade de afrontar as estruturas do poder e do capital, como nos casos do Podemos espanhol, do Syriza grego e do Occupy Wall Street norte-americano.
A despeito das inúmeras diferenças entre esses movimentos (alguns dos quais partidos-movimentos), há uma espécie de mínimo denominador comum que os alinhava: parte significativa dessas iniciativas surgiram de baixo para cima se revoltando contra políticas de viés liberal, conservador e direitista.
De alguma forma, o Brasil se inscreve também nesse cenário de lutas globais, sobretudo a partir das Jornadas de Junho de 2013 que trouxeram consigo o esboço de novas formas de organização e ativismo e também uma nova agenda articulando direitos urbanos e direitos humanos, municipalismo associativista e liberdades individuais.
No entanto, nessas plagas tropicais, as forças de esquerda no poder, salvo raras exceções, tiveram pouca capacidade e pouca sensibilidade para perceber o surgimento desses novos atores sociais e dessa nova agenda pública.
O principal partido de esquerda, PT, ensimesmado nas suas estruturas burocráticas assustou-se com o fato inédito de não ser ele o protagonista das primeiras convocações para a ocupação das ruas, e, ao invés de avançar na disputa de hegemonia na sociedade preferiu de saída repulsar as novidades as tachando de ações direitistas; em movimento análogo, os governos petistas, na prefeitura de São Paulo e no âmbito federal, optaram pelo apego iluminista à tecnocracia de planilhas e deram respostas de políticas públicas equivocadas, erráticas e/ou atrasadas.
Essa combinação de medo e preguiça fez com que o pêndulo de uma disputa em aberto oscilasse paulatinamente para a direita, que, a partir de uma associação entre elites, classes médias, mídia e judiciário aprenderam a se apropriar da gramática política das ruas. O segundo turno eleitoral em 2014 evidenciou esse conjunto de tensões, a temperatura política e social seguiu aumentando em 2015 e no início desse ano, delineando o avanço do autoritarismo político e do conservadorismo social que agora explicitam suas faces golpistas e anti-democráticas. Vale destacar: as derrapadas políticas e ambivalências econômicas apresentadas pelo Governo Dilma só contribuíram para jogar água no moinho da crise institucional e social em que agora nos encontramos.
Desse modo, os setores mais progressistas da sociedade se percebem diante de um quadro bastante complexo: se, por um lado, o PT e o governo precisam ser criticados, por outro lado, é preciso atentar para que nessa conjuntura tais críticas podem alimentar o caldeirão do anti-petismo que tem servido somente ao ódio e à intolerância; mais ainda: se, por um lado, Lula e Dilma foram tímidos em nome da conciliação ampla e até mesmo retrocederam em certas agendas, por outro lado, ataca-los nessa conjuntura significa colocar sob risco a própria normalidade do funcionamento das instituições políticas do país. Não resta dúvidas de que nesse momento defender Lula e o governo Dilma significa defender o Estado de Direito Brasileiro e o tripé que o organiza: as instituições democráticas, a constituição federal e a consolidação das leis trabalhistas.
Nesse sentido, é importante explicitar: as forças que hoje lutam pela obstrução e pela queda do governo, e que atuam pela criminalização e pela judicialização da esquerda, o fazem não em nome daquilo que o PT e o governo têm de problemático, mas sim em nome daquilo que ele tem de positivo: as conquistas sociais e econômicas que permitiram a redução da miséria, da pobreza e da desigualdade, em consonância com a ampliação de direitos. É contra isso que se insurge e que se instala um Estado de Exceção no Brasil capitaneado por juízes, promotores e procuradores que se insurgem contra os direitos e a favor dos privilégios seculares que fazem parte da rotina política e social do país.
A prova desse argumento se evidencia em uma visada de olhos quando se observa o perfil dos manifestantes que foram às ruas nesse último domingo (13/03/2016), trata-se majoritariamente de homens, brancos, adultos ou de meia-idade, de classe média e alta, com acesso à boa escolaridade. Além disso, são atores sociais que aderem menos a partidos políticos e movimentos organizados e mais a lideranças individuais midiáticas e muito conservadoras, esse grupo social prefere o mundo dos negócios ao universo da política institucional, nessa conjuntura se sentem mais representados pelo judiciário, pelas policias e pela igreja do que pelos poderes executivo, legislativo e pelos representantes eleitos. Em última instância, preferem defender a arena privada da família e dos “bons costumes” à esfera pública da política e da democracia (vide pesquisa Datafolha).
É curioso e sintomático que uma parcela da sociedade acredite que há hoje em curso no Brasil um processo de combate à corrupção, trata-se de uma percepção distorcida e equivocada. Não há combate à corrupção possível a ser protagonizada por juízes com relações partidárias, policiais federais descontrolados, promotores que agem ao arrepio de lei, tudo isso apoiado por lideranças político-partidárias e parlamentares investigadas por desvio de recursos públicos e outros tantos mal-feitos, todos endossados por uma parcela da elite e da classe média que não cansa de reproduzir as ilicitudes do dia-a-dia, com seus pequenos subornos, sonegações de impostos e toda sorte das pequenas imoralidades presentes no tal “jeitinho” de quem gosta de se apresentar seguindo a lógica da “carteirada” e do “você sabe com quem está falando?”.
Disso decorre a pergunta: o que se quer combater de fato quando se fala em corrupção? Ora, trata-se de uma revolta de elite e da classe média estabelecida em favor da preservação dos seus mecanismos de distinção e privilégios materiais e morais. No período de crescimento econômico, ainda que indiganadas, as frações da elite brasileira conviveram com a mobilidade social e a ascensão das classes populares, mas no momento de reversão do ciclo econômico, quando o emprego, a renda e a mobilidade passaram a se desacelerar o acotovelamento geral se converteu em revolta e ódio contra os de baixo. Isso não significa que as classes populares e trabalhadoras estejam satisfeitas com o rumo do governo e do país, mas a se considerar o perfil dos manifestantes do último domingo, fica claro que quem está catalisando os impulsos e desejos golpistas é parte significativa das camadas mais abastadas.


Esse é mais um dos paradoxos brasileiros, ao contrário do que se passa em parte dos ciclos de lutas globais, aqui temos uma revolta da elite e da classe média contra um governo de viés progressista e de esquerda. Essa inversão revela como parte da elite nacional tem nomeado de indignação aquilo que na verdade traduz a sua própria indignidade. 

segunda-feira, 14 de março de 2016

Cynara Menezes sobre os protestos: "Mais do mesmo"


    "Não se trata de menosprezar os manifestantes e sua insatisfação com o governo. Eu entendo. Mas é possível tranquilamente dizer que são os mesmos que já não votavam nem votarão no PT. Ou seja, não mudou o perfil de quem está indo para as ruas contra Dilma. São os mesmos que ficaram insatisfeitos com a vitória da petista na eleição em 2014. Não houve acréscimos, não ganharam a adesão das classes mais baixas, da periferia. A insatisfação apenas das classes média alta e alta não pode ser razão para a retirada do poder de uma presidente legitimamente eleita. Um só setor da sociedade não pode tomar para si o arbítrio de decidir o destino de todos."



mimimi

(Eis a questão)
Por Cynara Menezes, em seu blog
Pouco importa que, segundo o Datafolha, tenha tido mais gente nessa manifestação de hoje em São Paulo do que no outro “recorde de público”, em março do ano passado. Naquela época, a manchete era que a manifestação na avenida Paulista “só perdeu para as Diretas-Já”. Hoje foi “superou as Diretas-Já”. Sorry, mas não se derruba um governo porque um Estado não se sente representado por ele. Somos uma federação de 26 Estados, além do Distrito Federal. E inegavelmente não existe uma onda tomando o País pelo impeachment de Dilma. Podem espernear e gritar: não há clima no país para derrubar Dilma.
Não se trata de menosprezar os manifestantes e sua insatisfação com o governo. Eu entendo. Mas é possível tranquilamente dizer que são os mesmos que já não votavam nem votarão no PT. Ou seja, não mudou o perfil de quem está indo para as ruas contra Dilma. São os mesmos que ficaram insatisfeitos com a vitória da petista na eleição em 2014. Não houve acréscimos, não ganharam a adesão das classes mais baixas, da periferia. A insatisfação apenas das classes média alta e alta não pode ser razão para a retirada do poder de uma presidente legitimamente eleita. Um só setor da sociedade não pode tomar para si o arbítrio de decidir o destino de todos.
O que a mídia esperava não se concretizou, mesmo com o empurrãozinho da condução coercitiva de Lula e da delação (que não se sabe até agora se existiu) de Delcídio. Mesmo com todo seu furor golpista em editoriais pedindo o fim do governo e a renúncia de Dilma, o tsunami não veio. Sim, teve muita gente. Além de São Paulo, que teve 500 mil pessoas na rua, segundo o Datafolha, houve 100 mil em Brasília, 160 mil em Curitiba e 120 mil em Recife, segundo a PM. Mas beeeem distante do “crescendo” que eles esperavam. Falta medir a reação do outro lado (e dos outros Estados) se Dilma sofrer impeachment –ou se Lula for preso. Não se pode subestimar a reação de pessoas alfabetizadas politicamente.
Mesmo que se consiga um movimento para derrubar Dilma dentro do Congresso, sabe-se lá com que justificativas jurídicas –porque até agora não há nenhuma–, não existe clamor popular para respaldá-lo. Pelo menos não o suficiente. Eu quero ver até onde a “grande” imprensa pretende esticar esta corda. Já não pode mais contar com a parceria do candidato derrotado Aécio Neves, que foi escorraçado da manifestação em São Paulo. Estará a velha mídia disposta a chocar o ovo da serpente e se colocar à direita do tucanato, ao lado do grande expoente das manifestações, Jair Bolsonaro, para tirar o PT do poder?
Não duvido. Só não esperem contar com o apoio popular. O povo não é bobo.

Aleluia! Uma voz lúcida no meio dos branquinhos egoístas, exclusivistas e golpistas, em um vídeo dos Jornalistas Livres e Mídia Ninja




Da Mídia Ninja e Jornalistas Livres:

No meio da manifestação de hoje uma voz se diferenciou do pensamento dominante, apontando a falta de conhecimento histórico e político de quem esteve na Paulista. "Eu tenho medo de quem pede o retrocesso e só pensa em si mesmo."



#marchadoscorruptosSP  Fonte: Midia Ninja

Outra foto emblemática e um vídeo esclarecedor do "Alto Nível" dos manifestantes do dia 13 de março



Não foi contra a Corrupção... Se o fosse o grito seria contra o Congresso Nacional. Foi contra a Democracia, a resultado das Urnas. Foi contra a Justiça Social. Foi a favor do elitismo, do exclusivismo. A favor de Bolsonaro e Feliciano. A favor do machismo e do fascismo... Basta ver os vídeo abaixo onde "Branquinhos e loiros" falam, ou se quiserem, vociferam em forma de fala seu desejo do Fim do Bolsa Família, das cotas e das "regalias para os pobres", entre outros discursos feitos durante o dia 13 de março... Só cego para não ver que a ideia nazi-fascista da eugenia permanece mais forte que nunca. 
Nem é preciso dizer da ignorância ou claro sinal de desconhecimento dos indicadores sociais diante do que a tal entrevistada anti-PT narrou no vídeo: "Os pobres ficam só bebendo pinga e pondo filho no mundo. Ninguém quer trabalhar." Segundo o Banco Mundial, entre 2001 e 2013, o percentual da população vivendo em extrema pobreza caiu de 10% para 4%”. Desde 2002, 36 milhões de brasileiros saíram da situação de extrema pobreza.



Fonte: Mídia Ninja

domingo, 13 de março de 2016

Avaliação de Jandira Feghali sobre este dia 13 de março e a pressão pró-golpe da Globo



Segue vídeo onde a deputada Jandira Feghali avalia as manifestações deste domingo, dia 13 de março, destacando a ação mídia-setores do judiciário e a reação inesperada recebida por alguns políticos de partidos que promoveram as passeatas...





Com o cerco da PM em São Paulo e os ataques de fascistas a instituições como a UNE, fica claro toda a truculência da direita golpista

"Difícil explicar para setores mais moderados que há um golpe jurídico em curso, com apoio midiático; ou um golpe midiático, com apoio jurídico. Difícil porque surge sempre a pergunta: “mas um golpe? eles são apenas policiais e procuradores combatendo a corrupção”.

É a narrativa de que “o braço da lei não perdoa ninguém” (essa ideia devo à jornalista Laura Capriglione, formulada durante uma conversa angustiada sobre os rumos do país).

Claro que os setores organizados de esquerda e quem conhece a história do Brasil sabem bem do que se trata: combate à corrupção? Com Aécio (o senador do “terço de Furnas” e das 5 delações) e Alckmin (merendão e trensalão) comandando as massas de classe média?"

A eterna farsa e truculência da Direita.... A ordem democrática se rompe: o cerco nas ruas e nas instituições


Texto de Rodrigo Vianna

Já não é mais possível dizer que estamos a um passo do rompimento da ordem democrática. O rompimento já aconteceu.

Há algumas semanas, escrevi aqui sobre esse “1964 em câmera lenta”. E o quadro se consolida.

PM cerca sindicatos: a esquerda está em minoria,
mas PSDB teme reação até dia 18
Em São Paulo, capital reaça do Brasil, a PM comandada pelo governador Alckmin (PSDB) cercou sindicatos de trabalhadores desde sexta-feira. A Globo e a Veja atacam sem nenhum limite. Guerra de extermínio, para matar a esquerda e os movimentos sociais — estejam ou não alinhados a Lula.

Ao contrário de 1964, o cerco não é comandado pelo Exército — que está quieto. Mas pela burocracia de Estado. Juízes, policiais federais, parcelas do Ministério Público Federal e das promotorias nos estados oferecem à classe média raivosa uma narrativa de “combate aos corruptos”.

1964 foi feito contra a corrupção e contra a esquerda. Nesse ponto, nada mudou. Mas os métodos são mais sofisticados.

Difícil explicar para setores mais moderados que há um golpe jurídico em curso, com apoio midiático; ou um golpe midiático, com apoio jurídico. Difícil porque surge sempre a pergunta: “mas um golpe? eles são apenas policiais e procuradores combatendo a corrupção”.

É a narrativa de que “o braço da lei não perdoa ninguém” (essa ideia devo à jornalista Laura Capriglione, formulada durante uma conversa angustiada sobre os rumos do país).

Claro que os setores organizados de esquerda e quem conhece a história do Brasil sabem bem do que se trata: combate à corrupção? Com Aécio (o senador do “terço de Furnas” e das 5 delações) e Alckmin (merendão e trensalão) comandando as massas de classe média?

Mas o fato é que essa narrativa de “braço da lei contra o partido dos corruptos” vem avançando, e atinge o ápice nesse fim-de-semana com a marcha de 13 de março.

As revistas semanais, a Globo e outras tvs servem a esse discurso, tornando “natural” que o combate à corrupção se faça apenas contra um partido e um setor da sociedade. A esquerda psolista e marineira não percebeu isso antes. Espero que agora perceba: não é o PT apenas que eles querem destruir…

Mas é evidente também que a aposta do governo Dilma, ao romper com a base popular que poderia fazer sua defesa, cria uma situação dramática.

Dilma apostou tudo na governabilidade “institucional”, digamos assim. E nos afagos ao “mercado”. Ficou sem apoio nas ruas, e não ganhou nada nos mercados e instituições.

Dilma entregou poder a Renan/PMDB do Rio, para enfrentar a ala do PMDB que desejava impeachment já em 2015. Pois agora é Renan, empoderado por Dilma na negociação do Pré-Sal, quem acerta os detalhes para o desfecho do golpe.

A PM cerca os sindicatos em São Paulo, a classe média vai pra rua, e o PMDB dá um prazo de 30 dias pra decidir a saída do governo. São 30 dias para acertar os ponteiros com os tucanos.

Em 1964, Jango caiu quando o PSD abandonou o governo e se uniu à UDN, isolando os trabalhistas. É exatamente o movimento que se repete: a UDN (tucanos) atrai o PSD (temer e seus garotos) para o ataque final.

Eles estão com pressa. Precisam derrubar Dilma e parar a Lava-Jato antes que a investigação (via STF) chegue (já chegou) a Aécio, Renan e Temer.

A essa altura, há quatro fatores que podem interromper o cerco e frear a escalada golpista:
  • Lula, no governo ou nas ruas, comandar a resistência e reagrupar o que resta de movimentos organizados dispostos ao combate (a direita faz cálculos pra saber se é melhor mantê-lo livre ou preso, qual situação seria menos danosa ao golpe);
  • a Lava-Jato, via STF, trazer novas revelações que podem desmoralizar os golpistas (Moro não o fará, porque ele integra a inteligência do golpe institucional; mas Teori mostra que não pretende poupar tucanos e peemedebistas)
  • a esquerda ir pras ruas e mostrar de forma decidida que não aceitará a colombianização do Brasil(na Colômbia, há uma combinação de autoritarismo, exclusão das esquerdas do jogo político e ataque aos direitos — tudo disfarçado sob o manto da “normalidade” institucional);
  • a direita cometer novos “erros” que comprometam seu avanço.
Esse último ponto é o que chamo de “o imponderável de Almeida”.

A ação do MP de São Paulo foi claramente um erro do lado de lá. A petição dos 3 patetas — inepta, absurda — escancara a escalada autoritária travestida de legalidade.

A direita erra, por sua arrogância.

Temer errou com sua carta chorosa, Moro errou na condução coercitiva de Lula, o MP-SP errou esta semana com a petição dos 3 patetas. Alckmin erra usando a truculência da PM. Erram porque acreditam na miragem de que haja “um país inteiro a favor de derrubar o PT, seja de que jeito for”.

A realidade não é bem essa.

Há maioria do povo, sim, inconformada por Dilma ter abandonado o programa vitorioso em 2014. E há a direita de classe média, insuflada pela mídia e por Moro.

O segundo grupo fará qualquer coisa pra derrubar o governo e prender Lula. Acha que está liberado para o vale-tudo. Mas o primeiro grupo, ao ver o abuso do segundo, pode compreender o que há em jogo.

Contemos com a capacidade da direita de escancarar seus métodos.

A direita — que cerca sindicatos e persegue (com PF e procuradores) um ex-presidente e todos aqueles que estão com ele — vai mostrar sua cara nos próximos 30 dias. Vamos ajudar a expor esse rosto sombrio.

Eles entraram numa guerra total. Estão mais fortes. Mas em posição de força muitos exércitos cometem erros. É com isso também que podemos contar, na defesa da democracia.

Mas não sejamos ingênuos. A situação é muito favorável a um golpe institucional, pela direita.

O que nos anima é que a história dá voltas. Um ataque truculento agora, ainda que amparada pela legalidade, deve ser enfrentado de forma firme.

Os movimentos sociais e a esquerda podem até perder essa batalha agora. Mas travá-la é fundamental, porque logo adiante esse governo de direita que pretende se implantar no Brasil vai mostrar seus limites.

Essa gente se engana se pensa que o golpe jurídico-midiático vai ser um passeio no parque. Não será.

Todos pagarão preço alto, inclusive aqueles que hoje usam a violência simbólica (Globo/Veja et caterva) e a força jurídica para humilhar e destruir os adversários.

A resistência será longa, devemos olhar para longe. Lutar agora — mesmo em minoria — significa mostrar que estamos vivos e que não aceitamos o desmonte do Brasil, dos direitos sociais, do Estado nacional.