Da TV GGN:
O cientista político Pedro Costa Jr comenta os desdobramentos da liberação de novos arquivos envolvendo o Caso Epstein e ressalta a origem dessa liberação de documentos.
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Da TV GGN:
O cientista político Pedro Costa Jr comenta os desdobramentos da liberação de novos arquivos envolvendo o Caso Epstein e ressalta a origem dessa liberação de documentos.
Caso Epstein reúne todos os elementos que a máquina de guerra informacional contemporânea exige: poder, sexo, dinheiro, elite, conspiração.
Do Jornal GGN:
Reprodução vídeoEpstein, Trump e as eleições nos EUA e no Brasil em 2026
por Gustavo Tapioca
A avalanche de documentos nos Estados Unidos explode no ano eleitoral de 2026 como arma política de alto impacto. O escândalo pode não derrubar Donald Trump, mas pode incendiar a disputa pelo Congresso — e exportar para o Brasil o mesmo método de deslegitimação que a extrema direita precisa para tentar impedir a reeleição de Lula.
A política como tribunal digital
O escândalo Epstein volta ao centro da cena política americana no exato momento em que os Estados Unidos entram na disputa pelas eleições legislativas de 2026. A liberação de milhões de páginas, vídeos e registros reabre perguntas antigas e cria outras novas. Mas o impacto mais profundo não está apenas no conteúdo dos documentos. Está no modo como eles são utilizados.
Quem ganha quando a política vira tribunal algorítmico?
Em um ambiente saturado de informação, a lógica do poder se deslocou. Não vence quem prova: vence quem enquadra. Não domina quem investiga: domina quem viraliza. A avalanche documental não se transforma automaticamente em verdade pública. Ela se transforma em matéria-prima para disputa narrativa.
O caso Epstein reúne todos os elementos que a máquina de guerra informacional contemporânea exige: poder, sexo, dinheiro, elite, conspiração. É combustível ideal para redes que operam com indignação permanente e suspeita contínua. Em 2026, esse combustível entra diretamente no motor da disputa eleitoral americana. E, certamente, no Brasil.
A pergunta central deixa de ser apenas “o que é verdade?” e passa a ser “qual versão da realidade mobiliza mais”.
Transparência radical
A liberação massiva de documentos é apresentada como transparência. Mas transparência radical, sem mediação institucional, pode produzir o efeito inverso: excesso de dados, escassez de consenso.
Mais informação não significa necessariamente mais verdade. Em um sistema de comunicação dominado por bolhas ideológicas e plataformas de alta velocidade, a avalanche documental fragmenta o debate público. Cada campo político extrai o que confirma sua narrativa. Cada influenciador transforma recortes em certezas. Cada rede amplifica o que gera engajamento.
A transparência não resolve a disputa. Ela a intensifica.
Nesse cenário, a prova vira meme.
E o meme passa a valer mais que a prova.
Congresso dos EUA: o campo decisivo
As eleições legislativas de novembro de 2026 nos EUA decidirão se Trump governa com maioria, sob bloqueio institucional ou em confronto permanente com o Congresso. Esse é o ponto de inflexão real.
Se aliados mantiverem ou ampliarem maioria, o escândalo tende a ser politicamente neutralizado. Se a oposição conquistar a Câmara ou o Senado, abre-se outra fase: investigações, audiências, pressão institucional constante e eventual tentativa de impeachment.
Mas a equação é mais profunda. Um Congresso hostil pode conter o presidente. Ou pode levá-lo a radicalizar ainda mais.
A pergunta que paira sobre Washington é direta: se perder o controle do Congresso, Trump governará sob contenção institucional — ou sob lógica de vingança política?
A experiência recente indica que o caminho provável é o confronto. E o confronto permanente.
O método como produto de exportação
O escândalo Epstein não permanece dentro das fronteiras americanas. Ele alimenta um ecossistema global de narrativas políticas interligadas. O que se exporta não é apenas informação. É o método.
Esse método já é conhecido:
– saturar o espaço público com suspeitas contínuas;
– dissolver a fronteira entre fato e insinuação;
– transformar eleições em plebiscitos morais permanentes;
– enfraquecer a confiança nas instituições;
– converter crises em clima político constante.
Redes transnacionais de extrema direita operam com repertório comum. Narrativas circulam entre Estados Unidos, Europa e América Latina. O que se testa em Washington repercute em Brasília. O que se testa em Brasília retroalimenta a polarização global.
O escândalo não precisa ser importado literalmente para o Brasil. Basta que se exporte o método de disputa permanente.
Brasil 2026: vencer ou desestabilizar
O Brasil entra em 2026 com cenário de provável reeleição de Lula. Diante disso, a estratégia da extrema direita não se limita à vitória eleitoral. Pode incluir a produção deliberada de instabilidade.
Se não for possível vencer, é possível deslegitimar.
Se não for possível governar, é possível impedir governabilidade.
A engenharia é conhecida: questionamento contínuo das instituições, produção de crises sucessivas, circulação de dossiês, mobilização permanente de suspeitas. Não é necessário provar. Basta insinuar. Não é necessário convencer a maioria. Basta manter a base mobilizada e o sistema em tensão constante.
Nesse contexto, o caso Epstein funciona como símbolo poderoso. Ele reforça a narrativa de que todos são corruptos, todo sistema é fraudado e toda eleição é suspeita. É um discurso funcional para quem precisa transformar a política em guerra moral permanente.
O objetivo pode não ser apenas derrotar Lula.
Pode ser impedir que qualquer governo progressista tenha estabilidade para governar.
A disputa real: legitimidade
O escândalo Epstein pode ou não produzir consequências jurídicas diretas para Trump. Mas suas consequências políticas já estão em curso. Ele se insere em uma disputa mais ampla: a disputa pela legitimidade das instituições democráticas.
Se o debate público se organiza em torno de suspeitas intermináveis e versões inconclusas, instala-se um ambiente de instabilidade permanente. A confiança nas eleições diminui. A autoridade institucional se fragiliza. O sistema político passa a operar sob tensão contínua.
A democracia não precisa ser derrotada nas urnas para ser enfraquecida.
Basta ser corroída pela desconfiança permanente.
O escândalo Epstein pode não derrubar Trump. Mas pode consolidar um modelo de política baseado em crise permanente, guerra narrativa e deslegitimação sistemática das instituições. Esse modelo já demonstrou capacidade de circulação internacional.
Entre Washington e Brasília, o que está em jogo não é apenas quem vence eleições em 2026. É o ambiente em que essas eleições ocorrerão. A extrema direita global já demonstrou que, quando não consegue vencer pelo voto, tenta inviabilizar o governo do adversário por outros meios: suspeita contínua, sabotagem institucional e guerra informacional permanente.
Se a política vira tribunal algorítmico e a prova vira meme, a democracia não precisa ser derrotada formalmente. Basta ser envenenada no terreno em que ela opera.
A questão central de 2026, nos Estados Unidos e no Brasil, é esta:
a extrema direita precisa vencer nas urnas — ou basta transformar a democracia em um sistema permanentemente ingovernável?
Gustavo Tapioca é jornalista formado pela UFBa e MA pela Universidade de Wisconsin. Ex-diretor de Redação do Jornal da Bahia. Assessor de Comunicação da Telebrás, Oficial de Comunicação do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) e do IICA/OEA. Autor de Meninos do Rio Vermelho, publicado pela Fundação Jorge Amado.
Da TV GGN:
Neste corte da TV GGN, o historiador Luís Fernandes, autor de "A Internacional da Lava Jato", revela como o caso Epstein é apenas a ponta do iceberg de uma crise estrutural do capitalismo e do imperialismo estadunidense.
"Eles estão repetindo as coisas de antes da prisão do Lula. É o sistema que quer derrubar o governo", dispara Tony Garcia, em entrevista ao GGN
Do Jornal GGN:

Em mais uma entrevista impactante para o canal TV GGN, no Youtube, o empresário e ex-deputado Tony Garcia contou bastidores inéditos da Operação Lava Jato. Ao apresentador Luís Nassif, Garcia detalhou como foi usado por Sergio Moro e procuradores de Curitiba para monitorar figuras como Eduardo Cunha e minar o governo Dilma, que acabou sofrendo um impeachment e deixando o cargo em 2016.
A entrevista exclusiva, veiculada na terça-feira (2), expôs ainda supostas omissões de provas por parte de servidores da 13ª Vara Federal de Curitiba durante operação autorizada pelo ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal. Garcia também falou sobre a relação de agências norte-americanas como CIA e FBI com o ex-juiz Sergio Moro, e das táticas de perseguição política e midiática que foram usadas na Lava Jato e que, agora, se repetem com Lula na esteira do escândalo do Banco Master.
Sob a relatoria de Toffoli, o STF investiga a denúncia de que Moro [hoje senador com foro privilegiado] e procuradores de Curitiba teriam usado Tony Garcia como “agente infiltrado” afim de atingir alvos políticos e empresários influentes e arrastá-los para processos judiciais. Ao GGN, Tony Garcia afirmou que uma de suas missões foi manter conversas com o ex-presidente da Câmara, Eduardo Cunha – com quem tinha um relacionamento político bem próximo – com o objetivo de mapear figuras que pudessem virar alvos da Lava Jato e alimentar a tempestade perfeita criada contra o PT, que levou à queda do governo Dilma Roussef.
“Eles [força-tarefa da Lava Jato] me usaram para o Eduardo Cunha narrar para mim tudo o que eles podiam [usar] para irem atrás do PT. O Eduardo Cunha combinou uma coisa comigo, e eles sabiam. Ele me dava o endereço de um Skype e a gente fazia um Skype na hora. O Eduardo começava a me passar quem era o operador disso, quem era aquele, nomes e caminhos, tudo. Eles me davam um calhamaço para eu fazer perguntas para ele. Naquele momento, a gente fazia aquilo [Skype] para não ser grampeado. E a cada noite eles me passavam o que queriam, eu falava com o Eduardo, e o Eduardo me passava. Eles foram minando, inclusive, a Dilma Rousseff“, relatou Tony Garcia.
Na visão de Tony Garcia, o mesmo método lavajatista de forjar elos entre o presidente de turno e escândalos de corrupção em investigação está sendo usado pela grande mídia novamente, agora para tentar associar Lula ao escândalo do Banco Master. O objetivo final seria o mesmo: causar instabilidade no governo Lula e influenciar as eleições 2026.
“Essa rede, eu conheço o que eles estão fazendo, eu sei como eles funcionam. Está acontecendo tudo Igual. Eles estão repetindo as coisas de antes da prisão do Lula e não há reação possível. É o sistema que quer derrubar o governo”, alertou Garcia. “A rede lavajatista de Moro dentro das instituições é enorme. Esse ano aqui, eles vão de novo carimbar nos governos do PT a corrupção”, complementou.
Segundo Tony Garcia, as gravações de conversas que manteve com outros alvos a mando de Moro e do procuradores do Paraná foram encontradas na busca e apreensão feita pela Polícia Federal na 13ª Vara Federal de Curitiba. Ele relatou que soube, nos bastidores, que servidores da Vara, aliados de Moro, teriam tentado dificultar a plena realização da diligência.
“Eu sei o que eles fizeram de desrespeito à Polícia Federal na busca e apreensão e ao ministro Toffoli. O ministro teve de se pronunciar algumas vezes para eles entregarem as coisas para a Polícia Federal, que eles não queriam entregar, porque eles sabem o que está lá. É uma coisa que devasta o TRF-4, devasta o MPF, devasta o Moro, devasta essa gente toda, e vai trazer à baila tudo que eles fizeram. (…) Não posso afirmar ainda, mas soube que foi suprimida alguma coisa. Se isso aconteceu, é obstrução da justiça e isso traz o crime para agora”, afirmou.
O inquérito que apura as denúncias feitas por Tony Garcia contra Moro e agentes que atuaram na extinta Operação Lava Jato tramita no STF em segredo de Justiça. Para Tony, se o ministro Dias Toffoli decidisse derrubar o sigilo, “viraria um escândalo internacional de uma proporção que você não sabe, porque tem CIA, tem FBI, tem tudo [envolvido]. (…) Me usaram por 20 anos para falar isso daí [perseguir o PT]. (…) Está muito mais explosivo que a Lava Jato, porque pega tudo.”
Assista a entrevista completa abaixo:

Quando a participação criminosa se torna relevante economicamente, ela ganha poder político — através do mercado, da mídia e do Centrão.
Do Jornal GGN:

Existe uma percepção simplista de que casos como o da Master envolvem apenas oportunistas que se aproveitaram de brechas regulatórias. A realidade é mais complexa e preocupante.
O entrelaçamento entre diferentes atores criou um sistema em que recursos de origem questionável tornaram-se relevantes para a liquidez de segmentos inteiros do mercado financeiro. Compreender essa dinâmica ajuda a explicar a intensidade dos ataques recentes contra instituições de controle, como o Supremo Tribunal Federal.
Não se trata de disputa partidária simples ou de defesa corporativa do Centrão. O que está em jogo é mais profundo.
A disputa real
Duas visões de país estão em confronto:
Modelo 1: Instituições reguladas e funcionais, segurança jurídica, respeito aos direitos fundamentais, combate efetivo ao crime organizado.
Modelo 2: Desregulação radical que beneficia desde milícias cariocas e o PCC paulista até setores do mercado financeiro dispostos a operar em zonas cinzentas. Um país loteado entre grupos de interesse, onde PMs da reserva dão ordem unida em escolas enquanto operadores tradicionais miram as grandes estatais.
Esta é a encruzilhada em que nos encontramos. Vejamos como chegamos aqui.
Peça 1: A mecânica do mercado financeirizado
Todo ciclo financeiro moderno passa por fases previsíveis:
Fase 1 – Excesso de liquidez: Cria-se uma economia circular em que a riqueza gerada no mercado financeiro precisa ser continuamente reciclada no próprio mercado. A Selic atrai mais dólares para o país, aquecendo ainda mais o mercado.
Fase 2 – Busca obsessiva por rentabilidade: A rentabilidade depende da diferença entre preço de compra e venda. Mesmo em mercados em alta, cada rodada exige valorização adicional.
Fase 3 – Inflação de ativos: Para sustentar o ciclo, há valorização excessiva de imóveis, recebíveis, precatórios, créditos judiciais, direitos futuros e tokens.
Fase 4 – Escassez de lastro: Esgotam-se os ativos de qualidade para originar novas operações. É quando o sistema se torna perigoso.
O cenário atual
Chegamos a uma situação instável, caracterizada por:
Esse ambiente é ideal para o capital criminoso, que não precisa ser eficiente — apenas entrar no fluxo.
Peça 2: As vantagens competitivas do crime organizado
O crime organizado prospera neste ambiente por três razões estruturais:
1. Capital paciente e opaco
2. Oferta sob medida de ativos
Fornece exatamente o que o mercado sedento por papel precisa:
Quando o mercado precisa de papel, quem fabrica papel controla o jogo.
3. Assimetria regulatória
A regulação brasileira criou brechas sistêmicas:
Resultado: o crime sempre caminha à frente da regulação.
Peça 3: Os pontos de infiltração
1. Mercado de crédito estruturado
Instrumentos vulneráveis:
Vulnerabilidades:
2. Mercado imobiliário financeiro
Instrumentos vulneráveis:
Característica: instrumentos clássicos de lavagem de dinheiro.
3. Bancos médios e plataformas de distribuição
Perfil de risco:
Resultado: campo fértil para associação criminosa.
4. Fintechs e criptoestruturas
Vulnerabilidades estruturais:
Peça 4: A desregulação como facilitadora
A desregulação raramente é explícita. Ela se manifesta em discursos aparentemente técnicos:
“Confie: o mercado se autorregula.”
Na prática, isso significa:
A captura política
O mais grave: quando a participação criminosa se torna relevante economicamente, ela ganha poder político — através do mercado, da mídia e do Centrão.
Compare a cobertura discreta dada às Operações Poyais (fraudes com criptoativos), Colossus e Carbono e campanha persistente e coordenada contra ministros do Supremo Tribunal Federal, valendo-se das brechas abertas pela ausência de um código de conduta.
Não se ficou apenas na denúncia – necessária – contra os Ministros, mas em uma campanha com o tom moralista da Lava Jato, com adesão de veículos de várias procedências.
A desproporção revela onde estão os interesses reais.
O que se vive não é um caso isolado de corrupção ou oportunismo. É a captura gradual de segmentos do mercado financeiro por capital de origem criminosa, facilitada por desregulação intencional e protegida por poder político.
Reconhecer esse cenário é o primeiro passo para enfrentá-lo.
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