sexta-feira, 11 de setembro de 2026

UOL: Flávio Bolsonaro denunciado pelo mesmo crime de traição que Eduardo não seria surpresa | Sakamoto e Pedro Serrano, jurista

 

Do UOL:

A investigação veio à tona agora, porque Mendonça levantou o sigilo de 15 procedimentos envolvendo o caso do Banco Master que estão sob sua relatoria, após solicitação feita pelo presidente da Corte, ministro Edson Fachin. O caso Dark Horse continua sob sigilo, pois ainda está em caráter preparatório para eventuais diligências investigativas.



Juliana Dal Piva e Paulo Motoryn: Polícia Federal investiga Flávio Bolsonaro por corrupção e lavagem de dinheiro em esquema de Vorcaro

 

Inquérito autorizado por André Mendonça apura atuação do senador na captação de recursos de Daniel Vorcaro para o filme “Dark Horse”


Do ICL Notícias:



Por Cleber Lourenço, Juliana Dal Piva e Paulo Motoryn

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) é investigado pela Polícia Federal em um inquérito no Supremo Tribunal Federal (STF) que apura suspeitas de corrupção, lavagem de dinheiro e evasão de divisas no financiamento de “Dark Horse”, filme sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro. A investigação foi autorizada pelo ministro André Mendonça em 22 de julho, após pedido da PF e parecer favorável da Procuradoria-Geral da República (PGR).

A apuração mira a participação de Flávio na obtenção e cobrança de recursos junto a Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. A PF encontrou no celular do banqueiro mensagens, ligações e registros de encontros que, segundo os investigadores, mostram o senador atuando diretamente nas tratativas para financiar a produção.

O inquérito específico sobre “Dark Horse” corre sob sigilo. Sua existência e parte dos elementos que levaram à abertura da investigação vieram à tona após Mendonça retirar o sigilo de outros procedimentos relacionados ao caso Master.

A PF pediu formalmente a abertura da apuração em 8 de julho. No documento enviado ao STF, os investigadores afirmaram que pretendiam apurar a eventual prática de lavagem de dinheiro, evasão de divisas, corrupção e outros delitos relacionados ao financiamento internacional do filme, com “possível participação” de Flávio.

Paulo Gonet deu aval ao pedido em 21 de julho. O procurador-geral afirmou haver “indícios consistentes” das condutas narradas e considerou necessário aprofundar hipóteses que envolvem potencialmente corrupção passiva, corrupção ativa, evasão de divisas e lavagem de dinheiro.

No dia seguinte, Mendonça autorizou a abertura do inquérito. A investigação foi formalmente aberta pela PF em 23 de julho.

O que a PF investiga

A suspeita de lavagem de dinheiro está relacionada ao possível uso de empresas e de um fundo no exterior para ocultar ou dissimular a origem, a movimentação ou o destino dos valores usados no financiamento.

A hipótese de evasão de divisas será investigada para saber se houve remessas internacionais com declaração falsa, uso de intermediários, falta de identificação adequada dos beneficiários finais ou finalidade econômica diferente daquela declarada.

No caso da corrupção, a questão central é outra: saber se os aportes foram solicitados, oferecidos, prometidos ou recebidos em razão da função pública exercida por algum dos envolvidos ou como forma de vantagem indevida. A PF também mencionou preliminarmente a possibilidade de organização criminosa e outros delitos que possam surgir durante a investigação.

Os enquadramentos são preliminares. A abertura do inquérito não significa que Flávio tenha cometido esses crimes, mas que a PF recebeu autorização do STF para aprofundar os indícios e verificar se as suspeitas se confirmam.

Flávio aparece como interlocutor direto de Vorcaro

A representação da PF dedica um capítulo inteiro aos “indícios de participação” de Flávio na viabilização e cobrança dos aportes para “Dark Horse”.

Os investigadores afirmam que dados extraídos do celular de Vorcaro mostram o senador participando de tratativas relacionadas ao financiamento.

Os contatos remontam a dezembro de 2024. Naquele mês, Thiago Miranda Silva procurou Vorcaro para marcar uma reunião com Flávio e informou que um dos assuntos seria o “filme do presidente”. O encontro foi agendado para 11 de dezembro. Mário Frias (PL-SP) também participaria da reunião por ser apontado como idealizador do projeto.

Em janeiro de 2025, aparecem cobranças pelo primeiro aporte. A partir de agosto, segundo a PF, a comunicação passa a ocorrer diretamente entre Flávio e Vorcaro.

Em 20 de agosto, mensagens indicam um provável encontro presencial. Vorcaro informou o horário e Flávio respondeu que estava “a caminho”.

Ligação coincide com remessa para fundo nos EUA

Em 8 de setembro de 2025, Flávio enviou um áudio a Vorcaro cobrando pagamentos do filme. O senador demonstrou preocupação com o risco de a produção ficar inadimplente com o ator Jim Caviezel e o diretor Cyrus Nowrasteh. Vorcaro pediu desculpas e afirmou que tentaria resolver a situação.

Uma semana depois, Thiago Miranda informou ao banqueiro que Flávio queria encontrá-lo pessoalmente para mostrar o que estava sendo gravado.

No dia seguinte, 16 de setembro, houve uma ligação entre Flávio e Vorcaro. A PF destaca que o contato coincidiu com a última remessa identificada da Entre Investimentos para o Havengate Development Fund, fundo sediado nos Estados Unidos utilizado no financiamento de “Dark Horse”.

A coincidência temporal é apontada pelos investigadores como elemento relevante, mas não demonstra, isoladamente, que a conversa tenha provocado a transferência.

A PF identificou US$ 12,33 milhões enviados pela Entre Investimentos ao Havengate ao longo de 2025. Já o acordo de financiamento localizado nas comunicações de Vorcaro previa um investimento total de US$ 24 milhões. Os valores das parcelas estabelecidas no documento eram semelhantes aos encontrados nas remessas internacionais.

“Estou e estarei contigo sempre”

Os contatos entre Flávio e Vorcaro continuaram.

Em outubro, o senador voltou a cobrar os aportes e disse que a produção estava “no limite”. Flávio afirmou que, se Vorcaro não conseguisse fazer o pagamento, precisaria avisá-lo para que encontrasse outra saída com urgência. Também convidou o banqueiro para jantar com o ator principal e o diretor do filme.

Em 7 de novembro, Flávio enviou um vídeo a Vorcaro e afirmou, segundo a PF, que aquilo somente estaria acontecendo graças à ajuda dele.

O último contato destacado pelos investigadores ocorreu em 16 de novembro de 2025, um dia antes da prisão de Vorcaro. Flávio tentou telefonar para o banqueiro e depois escreveu: “Irmão, estou e estarei contigo sempre, não tem meia conversa entre a gente. Só preciso que me dê uma luz! Abs!”.

Ao analisar esse episódio, Gonet afirmou que Vorcaro teria obtido uma possível “promessa de apoio ou interferências do próprio Senador”. O procurador-geral ponderou, porém, que ainda era necessário encontrar eventual ato praticado no exercício do mandato que pudesse estabelecer uma relação entre o financiamento e a atuação parlamentar de Flávio.

A PGR pediu, por isso, que fossem levantadas propostas legislativas apresentadas ou apoiadas pelo senador que pudessem ser de interesse do Banco Master, de empresas vinculadas à instituição ou de Vorcaro. Também sugeriu uma busca completa nos celulares e computadores já apreendidos pela PF no caso Master e em investigações relacionadas para localizar referências a Flávio.
Os documentos conhecidos até agora não apontam um ato parlamentar específico praticado por Flávio em benefício de Vorcaro. Esse é um dos pontos que o inquérito pretende esclarecer.

Para a PF, porém, os elementos já reunidos mostram que Flávio não aparece apenas como alguém mencionado por terceiros. Os investigadores o classificam como “interlocutor direto” de Vorcaro nas tratativas sobre o financiamento, com cobranças de pagamentos, reuniões e acompanhamento das gravações. A investigação pretende esclarecer seu papel na estruturação, cobrança, execução e destinação dos aportes.

Flávio admite que procurou Vorcaro para obter recursos para “Dark Horse”, mas nega irregularidades. O senador afirma que buscava financiamento privado para uma produção privada sobre seu pai, que não houve dinheiro público e que não ofereceu vantagens ao banqueiro em troca dos aportes.

Flávio Dino derruba mentira de Flávio sobre o esquema de corrupção Dark Horse e operação expõe origem do dinheiro

 

Do Canal Mídia Ninja:




Em meio à crise com STF, PF deflagra operação ligada ao caso Dark Horse, apreende celular de Mario Frias e mira emendas para o filme. Por Ana Gabriela Sales, no Jornal GGN

 

Operação Make Up cumpre 49 mandados e investiga repasses a entidades ligadas à produtora de Dark Horse

Do Jornal GGN:


Em meio à crise com STF, PF deflagra operação ligada ao caso Dark Horse, apreende celular de Mario Frias e mira emendas para o filme


    Foto: Valter Campanato/Agência Brasil +reprodução de Poster de divulgação do Filme Dark Horse.



A Polícia Federal, em parceria com a Controladoria-Geral da União (CGU), deflagrou nesta quinta-feira (10) a Operação Make Up para apurar um suposto esquema de desvio de verbas públicas oriundas de emendas parlamentares. A ação tem como alvos o deputado federal Mario Frias (PL-SP) e a empresária Karina Gama, sócia da produtora responsável por “Dark Horse“, cinebiografia de Jair Bolsonaro.

Agentes cumprem 49 mandados de busca e apreensão no Distrito Federal, São Paulo, Rio de Janeiro e Ceará. Durante as diligências, o telefone celular do parlamentar foi apreendido. Determinada pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), a ofensiva mira repasses direcionados a entidades da sociedade civil ligadas a Karina, como o Instituto Conhecer Brasil (ICB) e a Academia Nacional de Cultura.

Esquema e movimentações financeiras

As apurações apontam a existência de uma organização criminosa que direcionava recursos públicos para empresas subcontratadas de forma irregular, sem a comprovação da prestação dos serviços. Segundo a PF, levantamentos identificaram a circulação de centenas de milhões de reais entre os envolvidos, com manobras de ocultação de valores registradas até julho deste ano. A investigação abrange os crimes de peculato, lavagem de dinheiro, falsidade documental, organização criminosa e fraudes em licitações.

Uma auditoria da CGU revelou indícios de irregularidades em uma emenda de R$ 2 milhões indicada por Mario Frias, que atua como roteirista e produtor-executivo de “Dark Horse“. O parlamentar nega que a verba tenha financiado a obra cinematográfica e sustenta que a destinação teve finalidade social.

Conexão com Daniel Vorcaro e STF

O financiamento da produção é objeto de duas frentes de investigação na Suprema Corte. Enquanto o inquérito sob relatoria de Flávio Dino foca no uso de emendas, uma segunda apuração, conduzida pelo ministro André Mendonça, analisa repasses efetuados pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, a pedido do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

Na quarta-feira (9), Mendonça homologou a delação premiada do empresário Antonio Carlos Freixo Junior, envolvido no caso. O colaborador detalhou a realização de sete transferências entre janeiro e setembro de 2025 para um fundo nos Estados Unidos gerido por um interlocutor do ex-deputado Eduardo Bolsonaro. Os aportes somaram US$ 12,3 milhões (cerca de R$ 62,8 milhões). Os investigadores apuram se os valores custearam o longa-metragem ou se financiaram a permanência de Eduardo em solo americano.

Além das apurações federais, o Instituto Conhecer Brasil é alvo de investigações no âmbito estadual em São Paulo devido a um contrato de R$ 108 milhões com a prefeitura paulistana para a instalação de pontos de acesso de internet.

LEIA TAMBÉM:

quinta-feira, 10 de setembro de 2026

Flávio Dino em ação: Entenda os principais pontos da Operação Make Up, que investiga o filme ‘Dark Horse’

 

Investigação da Polícia Federal e da CGU apura desvios em emendas parlamentares, fraudes contratuais e conexões com a produção cinematográfica sobre Jair Bolsonaro

Do Brasil 247:

Flávio Dino avança na apuração sobre a produtora de Dark Horse enquanto o braço envolvendo Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro segue sob relatoria de André Mendonça


 A Polícia Federal deflagrou nesta quinta-feira (10) a Operação Make Up no âmbito da Petição 16.669/DF, sob relatoria do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), para apurar a atuação de uma suposta organização criminosa voltada ao direcionamento de emendas parlamentares federais, fraudes em licitações e contratos, peculato e lavagem de dinheiro. As investigações têm como ponto central repasses federais e estaduais direcionados às organizações da sociedade civil Instituto Conhecer Brasil (ICB) e Academia Nacional de Cultura (ANC), ambas presididas pela empresária Karina Ferreira da Gama, figura associada à produção do filme ‘Dark Horse’ — obra sobre Jair Bolsonaro (PL).

A apuração teve início a partir de relatórios de auditoria da Controladoria-Geral da União (CGU), além de Informações de Polícia Judiciária (IPJs) e Relatórios de Inteligência Financeira (RIFs) do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (COAF). O esquema sob investigação envolve a destinação de emendas parlamentares do deputado federal Mario Frias (PL-SP), bem como indicações das emendas dos deputados Marcos Pollon (PL-MS) e Bia Kicis (PL-DF).

O papel do filme ‘Dark Horse’ e as conexões políticas

Conforme os levantamentos da Polícia Federal compilados na decisão do STF, Karina Ferreira da Gama é apresentada como empresária responsável pela produção do filme Dark Horse. Além do vínculo com a obra cinematográfica, os relatórios policiais registram a proximidade política de Karina com o deputado federal Mario Frias.

A investigação aponta que Karina participou ativamente da campanha eleitoral de Mario Frias em 2022, e que empresas de sua propriedade prestaram serviços à candidatura do parlamentar. Posteriormente, a entidade por ela gerida, o Instituto Conhecer Brasil (ICB), passou a ser contemplada com verbas públicas federais viabilizadas por emendas parlamentares de autoria do próprio deputado.

A Polícia Federal também identificou que empresas vinculadas à estrutura do ICB e da ANC mantiveram interações financeiras diretas ou indiretas com a produtora Go Up Entertainment Ltda., pertencente a Karina Gama e responsável pela produção do filme, o que indica, segundo a corporação, “possível integração patrimonial e operacional com as entidades beneficiárias das emendas parlamentares”.

Um Termo de Fomento foi assinado entre o ICB e o Ministério do Esporte (MESP), com valor repassado de R$ 1 milhão proveniente de emenda parlamentar de autoria do deputado Mário Frias. O objeto era a implementação do projeto esportivo “Lutando Pela Vida” no município de Pirassununga (SP), destinado ao atendimento de 500 beneficiários em aulas de artes marciais.

A auditoria da CGU e os relatórios da PF apontaram diversas inconsistências graves na execução do contrato:

  • Atestados de Capacidade e Estrutura: O atestado de experiência apresentado pelo ICB para obter o repasse foi emitido e assinado pela própria presidente da entidade, Karina Gama, sem registros independentes sobre a execução real do projeto anterior citado (“Capoeira Nativa”). As fotos enviadas para comprovação de espaço físico pertenciam a outra academia particular (Academia Alliance).
  • Contratação da Pulsa Uniformes: A empresa Pulsa Uniformes e Camisetas Personalizadas Ltda. recebeu R$ 457 mil do ICB pela emissão da Nota Fiscal nº 575, relativa ao fornecimento de tatames, quimonos e faixas. A CGU constatou que a nota fiscal foi quitada integralmente em maio de 2026 sem comprovação de entrega. Em inspeção in loco e verificação promovida pelos auditores, a própria empresa Pulsa admitiu não ter entregue os materiais faturados, alegando que eles continuavam em fabricação.
  • Duplicidade e Divergência nos Tatames: Para tentar justificar a presença de tatames, o ICB apresentou um “Termo de Recebimento Parcial”. Contudo, a CGU descobriu que os 120 tatames encontrados na sede da academia em Pirassununga foram comprados de outro fornecedor por R$ 58,8 mil, sem nenhuma relação com a Nota Fiscal emitida pela Pulsa Uniformes.
  • Contratações de Pessoas Ligadas à Campanha e Gabinete: Entre os prestadores de serviços contratados para atuar no projeto esportivo, a PF identificou Rudyge Alex Scatolini Boldrini (que recebeu R$ 13,7 mil por meio de microempresa individual aberta dias antes do contrato). Rudyge foi doador da campanha eleitoral de Mário Frias em 2022, prestou serviços para a campanha do deputado, recebeu procuração do ICB e chegou a ser eleito conselheiro fiscal da ONG. Além disso, outros contratados como monitores e instrutores não possuíam empresas com ramo de atuação compatível ou eram servidores municipais com acúmulo sem comprovação de carga horária cumprida.

Firmado com o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) no valor de R$ 1 milhão, custeado por emenda de Mário Frias, o projeto previa capacitação em letramento digital e empreendedorismo para 2,5 mil estudantes e 250 multiplicadores.

A investigação da CGU constatou a inexecução total do objeto contratado:

  • O valor integral de R$ 1 milhão foi repassado ao ICB pelo MCTI em fevereiro de 2025.
  • Após o encerramento da vigência em janeiro de 2026, a entidade não apresentou a prestação de contas final no prazo legal. Quando cobrado, o ICB solicitou em maio de 2026 a prorrogação do prazo alegando que ainda precisava fazer o contato com escolas, preparar locais e capacitar multiplicadores, admitindo, portanto, que nenhuma criança ou professor havia sido atendido durante o período contratual.
  • O MCTI rejeitou formalmente as contas do termo de fomento em julho de 2026 por frustração do objeto.
  • Cotações e Empresas Vinculadas: As empresas subcontratadas pelo ICB para este e outros projetos mantinham cruzamentos societários, endereços idênticos ou criação na mesma data. Destacam-se repasses e contratos com a Dinâmica Editora, Instituto Super Poder Educacional (Super Leitores), MTS Assessoria e empresas de assessoria jurídica ligadas a advogados que prestavam serviços pessoais de defesa para o deputado Mário Frias, como a LF&P Consulting (de Fábio Lago Meirelles) e a Aguilera Martinez Sociedade de Advocacia.
  • Envolvimento de Ex-Assessores: O projeto técnico indicava como responsável Kayo Henrique Azevedo, ex-secretário de administração de Pirassununga e irmão de Raphael Augusto Azevedo, ex-secretário parlamentar do gabinete de Mário Frias. A ex-esposa de Kayo, Gardênia Leite Morais, também atuou no gabinete de Frias e foi citada em apurações por movimentações financeiras atípicas.
  • Emendas para São Paulo por parlamentares de outros estados

    A investigação da Polícia Federal e a Nota Técnica da CGU ressaltaram uma aparente desconformidade com as regras de vinculação federativa na destinação de emendas para a Academia Nacional de Cultura (ANC), entidade parceira do ICB também gerida por Karina Gama.

    Foram identificadas a indicação de emenda parlamentar no valor de R$ 1 milhão de autoria do deputado federal Marcos Pollon (eleito pelo estado de Mato Grosso do Sul), e de emenda no valor de R$ 150 mil da deputada federal Bia Kicis (eleita pelo Distrito Federal). Ambas as emendas destinavam-se ao projeto “Heróis Nacionais”, a ser executado no Estado de São Paulo. De acordo com os relatórios do processo, os valores das emendas de Pollon e Bia Kicis não chegaram a ser efetivamente repassados à ANC em razão de óbices técnicos e normativos identificados na celebração dos termos de parceria.

    Contrato com a Prefeitura de São Paulo e desdobramentos judiciais

    A representação policial também reuniu informações de investigações conduzidas pela Polícia Civil de São Paulo. O Instituto Conhecer Brasil (ICB) celebrou contrato com a Prefeitura de São Paulo para a instalação e manutenção de pontos de internet sem fio gratuita em comunidades periféricas, pacto inicialmente estimado em R$ 108 milhões e posteriormente ampliado por aditivos.

    A apuração estadual e os relatórios financeiros do COAF identificaram que o ICB repassou milhões de reais a empresas subcontratadas sem capacidade técnica instalada, como a Ultra IP Tecnologia (que recebeu mais de R$ 8,5 milhões em curto período) e a Favela Conectada (Urban Connect), havendo fluxo atípico de valores entre as subcontratadas e integrantes do núcleo empresarial investigado.

    Em razão do imbricamento entre as investigações estaduais e federais, o ministro Flávio Dino autorizou o compartilhamento de provas e a unificação das diligências no STF. A Polícia Federal cumpre dezenas de mandados de busca e apreensão pessoal e domiciliar contra os investigados, visando aprofundar as provas sobre a rede de favorecimento, emissão de documentos retroativos e ocultação de bens

Com Flávio Dino, a investigação se movimenta: DARK HORSE É ALVO DA PF, que faz buscas contra o deputado bolsonarista Mário Frias e Karaina Gama, produtora oficial do filme-propaganda sobre Jair Bolsonaro

 

Do ICL Notícias:

DARK HORSE É ALVO DA PF

Mário Frias e Karina Gama sofrem buscas


Por Cleber Lourenço

A Polícia Federal deflagrou nesta quinta-feira (10) uma operação sobre o financiamento de Dark Horse, filme que retrata a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro. Entre os alvos de mandados de busca e apreensão estão o deputado federal Mário Frias (PL-SP) e Karina Gama, produtora do longa e responsável por entidades que receberam recursos de emendas parlamentares.

São cumpridos no total 49 mandados de busca e apreensão nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Ceará e no Distrito Federal. Não há mandados de prisão. A investigação está sob relatoria do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), depois de um inquérito que tramitava em São Paulo ter sido avocado para a Corte. A Polícia Federal realiza buscas nas casas de Karina e Mário Frias.

A presença de Frias e Karina entre os alvos coloca no centro da operação dois personagens que já apareciam na investigação sobre a origem dos recursos relacionados ao projeto. Frias não apenas destinou emendas a uma entidade ligada à produtora como também participou da própria produção de Dark Horse.

Duas entidades de propriedade de Karina também têm buscas de agentes da PF: o Instituto Conhecer Brasil (ICB) e a Academia Nacional de Cultura (ANC).

A PF tenta esclarecer o caminho do dinheiro e as relações entre recursos públicos, as entidades investigadas e o financiamento do longa. A operação desta quinta representa uma nova etapa dessa apuração, agora com apreensão de documentos, celulares e outros materiais que poderão ajudar os investigadores a reconstruir as movimentações financeiras.

De acordo com a investigação, agentes públicos e privados teriam integrado uma organização criminosa responsável por direcionar recursos destinados a uma organização da sociedade civil para empresas contratadas de forma irregular. Segundo a apuração, não há comprovação de que os serviços pagos tenham sido efetivamente executados.

A Polícia Federal identificou movimentações de centenas de milhões de reais entre empresas associadas ao suposto esquema. Os investigadores apontam ainda que as tentativas de ocultar os desvios teriam se estendido até julho deste ano.

A investigação apura possíveis crimes de peculato, falsidade documental, lavagem de dinheiro, organização criminosa e irregularidades em licitações.

“As investigações apontam a existência de uma organização criminosa, formada por agentes públicos e privados, suspeita de direcionar os valores recebidos para empresas subcontratadas de forma irregular, sem comprovação da efetiva prestação dos serviços contratados. As tentativas de dissimular os desvios teriam se estendidos até julho deste ano”, diz a PF.

Durante a operação, a PF apreendeu sete armas de fogo do deputado federal Mario Frias em endereços ligados ao parlamentar.  Também foram levados computador e celular que serão analisados pelos investigadores.

Apesar de registradas em nome de Frias, as armas foram localizadas em um endereço diferente do informado oficialmente e estavam em situação irregular. A Polícia Federal vai investigar o caso por suspeita de posse ilegal de arma de fogo. A informação foi dada inicialmente pelo jornal “O Globo”.

Armas do deputado federal Mario Frias apreendidas pela PF — Foto: Divulgação
Armas do deputado federal Mario Frias apreendidas pela PF. (Foto: Divulgação)

Emendas colocaram Frias no caminho da investigação

Uma das frentes que levaram o caso ao STF envolve recursos destinados pelo próprio Mário Frias ao Instituto Conhecer Brasil (ICB), entidade presidida por Karina Gama.

Frias destinou R$ 2 milhões em emendas ao instituto. A relação chamou a atenção porque Karina também está à frente da Go Up Entertainment, produtora responsável por Dark Horse, e o deputado participou do projeto cinematográfico.

A investigação passou a buscar respostas para uma questão central: saber se recursos públicos destinados às entidades de Karina tiveram alguma relação, direta ou indireta, com o financiamento do filme.

A produção de Dark Horse também apareceu nas investigações sobre o banqueiro Daniel Vorcaro. Mensagens e documentos apreendidos revelaram discussões sobre aportes milionários no longa e colocaram sob escrutínio a estrutura financeira utilizada para bancar o projeto.

As diferentes frentes abertas em torno do filme passaram, assim, a envolver dinheiro privado, entidades que receberam recursos públicos e personagens politicamente ligados a Bolsonaro.

Dino autorizou PF a acessar material apreendido em São Paulo

A operação desta quinta ocorre depois de Dino autorizar a Polícia Federal a aprofundar o rastreamento dessas relações.

Em agosto, o ministro permitiu que a PF tivesse acesso às provas apreendidas pela Polícia Civil de São Paulo em outra investigação envolvendo o Instituto Conhecer Brasil e Karina Gama.

A investigação paulista apurava irregularidades relacionadas a um contrato milionário firmado pelo instituto com a Prefeitura de São Paulo. O compartilhamento permitiu que investigadores federais cruzassem documentos, equipamentos e informações recolhidas em São Paulo com a apuração que tramita no Supremo.

Foi justamente a existência de elementos envolvendo um deputado federal que levou o caso à esfera do STF. Com Frias entre os investigados, a apuração passou a tramitar sob supervisão da Corte.

Agora, a PF avança sobre os próprios personagens ligados ao financiamento do filme. Além de Frias e Karina, outras 20 pessoas são alvo das buscas realizadas nesta quinta-feira.

A relação completa dos alvos e os fundamentos utilizados pela PF para pedir as medidas ainda devem revelar a extensão da investigação e quais movimentações financeiras estão no centro desta etapa.

O material apreendido será analisado pela Polícia Federal e poderá indicar se há novas conexões entre as emendas, as entidades investigadas e os recursos empregados na produção de Dark Horse.

Irmão do bolsonarista "terrivelmente evangélico" André Mendonça foi promovido por Ricardo Nunes após voto favorável do ministro à Prefeitura

 

Alexandre Mendonça teve ascensão meteórica na SP Regula, responsável pelo setor funerário discutido em ação no STF

Do ICL Notíticas:


Por Paulo Motoryn (Noites Húngaras) e Cleber Lourenço (ICL Notícias)

O irmão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), foi promovido em junho deste ano a secretário-executivo da SP Regula, agência da Prefeitura de São Paulo responsável, entre outras áreas, pela regulação dos serviços funerários da capital. A promoção ocorreu depois de Mendonça votar no STF em uma ação sobre o setor e adotar posição favorável à gestão do prefeito Ricardo Nunes (MDB).

Alexandre de Almeida Mendonça, irmão do magistrado, já trabalhava na SP Regula quando o ministro participou do julgamento. Ele ocupa um cargo comissionado na agência e sua nomeação foi formalizada por portaria assinada pelo próprio Ricardo Nunes.

O Diário Oficial do Município aponta que Alexandre entrou na SP Regula como gerente em fevereiro de 2024, passou a superintendente em julho daquele ano e, em junho de 2026, chegou ao posto de secretário-executivo. A SP Regula é diretamente vinculada ao Gabinete do Prefeito e regula e fiscaliza serviços públicos concedidos pela administração municipal.

Procurada pela reportagem, a assessoria da Prefeitura de São Paulo respondeu por nota que é “irresponsável e sem fundamento” a insinuação de relação entre a atuação do Supremo Tribunal Federal (STF) e a contratação do servidor Alexandre de Almeida Mendonça pela SP Regula. “Em primeiro lugar, a representação e defesa dos interesses do Município junto ao Poder Judiciário são atribuições da Procuradoria Geral do Município (PGM), não cabendo à agência reguladora a representação judicial da municipalidade perante tribunais superiores”,  diz o texto. (Veja a íntegra abaixo)

Mendonça abriu divergência em julgamento sobre setor regulado pela agência

A ligação entre a trajetória de Alexandre e a atuação do irmão no Supremo aparece no julgamento de uma ação que questiona aspectos do modelo de concessão dos cemitérios e serviços funerários adotado pela Prefeitura de São Paulo.

Quando André Mendonça analisou o caso no STF, seu irmão já trabalhava na SP Regula. O processo discutia justamente os serviços funerários e cemiteriais de São Paulo, uma das áreas reguladas pela agência municipal.

O relator, Flávio Dino, havia imposto medidas à Prefeitura e às concessionárias após questionamentos sobre o aumento dos preços dos serviços funerários depois da privatização. A gestão Ricardo Nunes contestou essas determinações no Supremo e pediu que fossem derrubadas.

Mendonça votou na mesma direção defendida pela Prefeitura. Depois de pedir vista e interromper o julgamento em março de 2025, abriu divergência contra Dino: sustentou que a ação não deveria ser aceita pelo STF e votou para derrubar as medidas impostas pelo relator. Na prática, se seu entendimento prevalecesse, Prefeitura e concessionárias ficariam livres das obrigações determinadas no processo já que Mendonça votou a favor da tese da Prefeitura em uma disputa sobre um serviço regulado pela agência onde Alexandre de Almeida Mendonça já ocupava cargo.

O julgamento da cautelar não foi concluído. Em abril de 2025, André Mendonça abriu divergência contra Flávio Dino, mas houve destaque de Gilmar Mendes; depois, em maio, o julgamento presencial foi interrompido por pedido de vista de Luiz Fux. Desde então, o processo continuou com diligências, audiências, manifestações e medidas de acompanhamento. Até o momento, não há decisão final.

Processo discutia justamente os serviços funerários e cemiteriais de São Paulo

De gerente a secretário-executivo

A trajetória funcional de Alexandre mostra uma sequência de promoções dentro da autarquia. Sua primeira nomeação localizada pela reportagem foi para o cargo de gerente. Depois, tornou-se superintendente. Em 2026, chegou a secretário-executivo, uma das posições de maior relevância administrativa da SP Regula.

A Secretaria Executiva atua na estrutura que reúne as diferentes áreas operacionais da agência, entre elas a Gerência de Serviços Funerários e Cemiteriais.

Registros da própria SP Regula mostram Alexandre, já como secretário-executivo, participando de reuniões com as gerências da agência, inclusive com representantes da área responsável pelos serviços funerários.

Nunes distribuiu camisetas em apoio a Mendonça

A relação entre a gestão Ricardo Nunes e André Mendonça ganhou um novo episódio no último domingo (7), durante os atos do Dia da Independência em São Paulo. O prefeito distribuiu camisetas em apoio ao ministro do STF, com frases como “#ForçaMendonça” e “O povo brasileiro de bem está com André Mendonça”.

A manifestação ocorreu em meio à crise no Supremo e durante um ato convocado pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) com críticas à Corte.

Outro lado

A Prefeitura de São Paulo e a SP Regula foram questionadas sobre os critérios das promoções de Alexandre, quem decidiu sua ascensão a secretário-executivo e quais eram suas atribuições no período em que o processo tramitava no STF.

A assessoria da Prefeitura enviou a seguinte nota:

“A Prefeitura de São Paulo informa que é irresponsável e sem fundamento a insinuação feita pela reportagem ao estabelecer uma relação fantasiosa entre a atuação do Supremo Tribunal Federal (STF) e a contratação do servidor Alexandre de Almeida Mendonça pela SP Regula. Em primeiro lugar, a representação e defesa dos interesses do Município junto ao Poder Judiciário são atribuições da Procuradoria Geral do Município (PGM), não cabendo à agência reguladora a representação judicial da municipalidade perante tribunais superiores. Em segundo lugar, Alexandre ingressou na SP Regula após um processo de seleção em 2024 que avaliou currículos, histórico de experiências e entrevistas. O funcionário é formado em Administração de Empresas e atualmente ocupa a função de Secretário Executivo na Superintendência de Planejamento. Desde seu ingresso na SP Regula, sempre exerceu funções de gestão administrativa, sem qualquer responsabilidade direta pela gestão dos contratos de concessão. Dessa forma, a narrativa que a reportagem busca sustentar é falaciosa e sem nenhuma comprovação”.

O ICL Notícias procurou André Mendonça para saber se o ministro informou no processo que seu irmão ocupava cargo na SP Regula e se avaliou eventual impedimento ou suspeição para participar do julgamento.

Alexandre de Almeida Mendonça também foi procurado para esclarecer suas funções na agência e eventual atuação em assuntos relacionados aos serviços funerários e cemiteriais.

O espaço permanece aberto para manifestação.

DANI LIMA DESMASCARA E DÁ SHOW SOBRE OS ABUSOS GOLPISTAS DO TERRIVELEMENTE ERVANGÉLICO E ANDRÉ MENDONÇA É MESMO ABANDONADO ATÉ POR PARTE DA IMPRENSA... JOGO COMEÇA A VIRAR...

 

 

Do Canal Desmascarando:




Reinaldo Azevedo – Juristas reais contestam André Mendonça, que passa a ter maioria de críticas nas redes sociais

 

Do Canal Metrópoles:

Os questionamentos à decisão de André Mendonça não ficaram restritos ao Supremo. Uma reportagem da Folha mostrou que juristas apontam problemas na medida. Um dos principais pontos está na própria posição de Mendonça no caso. O professor de Direito Processual Penal da USP, Gustavo Badaró, afirma que o ministro aparece ao mesmo tempo como juiz e possível vítima do monitoramento que atribui à PF. Se Mendonça entende que foi alvo de uma investigação ilegal, pode pedir que o fato seja apurado, mas não poderia conduzir o caso e decidir contra os supostos responsáveis. Já o jurista Ivar Hartmann, chama atenção para um problema mais amplo. Ele lembra que, nos últimos anos, o próprio Supremo abriu espaço para decisões individuais que interferem em cargos cuja nomeação cabe ao presidente da República. Para ele, medidas excepcionais adotadas anteriormente acabaram criando precedentes que agora são usados pelo próprio Mendonça. O desgaste de André Mendonça chegou também às redes sociais. Um monitoramento da Ativaweb DataLab mostra que, pela primeira vez desde o início da crise no STF, o ministro passou a receber mais críticas do que apoio. Reinaldo Azevedo comenta:



Reinaldo Azevedo– Decisão de Flávio Dino sobre Andrei: legal; já a de André Mendonça: ilegal. Contestem com lei. Quero ver...

 

Da BandNews FM:




#GloboGolpista, Folha, Estadão e variantes... A mídia dos grandes grupos de imprensa hegemônicae hereditária, por motivos econômicos, abraçou o golpe dos Bolsonaros contra a Democracia nas Eleições 2026.... Vídeo de Luis Nassif

 

Da TV GGN:

Neste vídeo, Luis Nassif realiza uma análise criteriosa sobre a cobertura jornalística dos principais veículos da imprensa corporativa (Folha de S.Paulo, O Globo e Estadão) e seus impactos sobre a estabilidade democrática e a soberania do Brasil. Nassif aborda a assimetria no tratamento de escândalos políticos, as decisões no Supremo Tribunal Federal, a atuação de André Mendonça, a flexibilização regulatória do Banco Central durante a gestão Roberto Campos Neto e as conexões entre o mercado financeiro e investigações da Polícia Federal. Uma reflexão profunda sobre o papel dos editores e a memória histórica do jornalismo brasileiro.