sexta-feira, 8 de maio de 2026

Bandidos de Farda (6): Lista inédita de militares da inteligência do Exército aponta novos torturadores. Reportagem documental de Juliana Dal Piva, Igor Mello e Chico Otavio

  Os agentes brasileiros se concentraram em fazer visitas ao Estádio Nacional do Chile, que àquela altura –34 dias depois do golpe que derrubou o presidente Salvador Allende – era usado como cárcere  para prender e torturar opositores perseguidos pela junta militar comandada pelo general Augusto Pinochet.

Do ICL:

Lista inédita de militares da inteligência do Exército aponta novos torturadores

POR JULIANA DAL PIVA, IGOR MELLO E CHICO OTAVIO


No dia 15 de outubro de 1973, um bimotor brasileiro pousou na pista do Aeroporto Los Cerrillos, em Santiago, capital do Chile. Nele, chegaram a terras chilenas cinco agentes de diferentes órgãos de repressão da ditadura militar brasileira. Faziam parte da comitiva o major Victor de Castro Gomes e o capitão Paulo Barreira. Os agentes brasileiros se concentraram em fazer visitas ao Estádio Nacional do Chile, que àquela altura –34 dias depois do golpe que derrubou o presidente Salvador Allende – era usado como cárcere  para prender e torturar opositores perseguidos pela junta militar comandada pelo general Augusto Pinochet.WD13 ICL BANNERICL DESKTOP

A escolha de Victor de Castro Gomes e Paulo Barreira tinha um motivo: os dois oficiais integravam as fileiras do CIE (Centro de Informações do Exército) no Rio de Janeiro. O órgão teve papel central na eliminação de opositores políticos ao longo das década de 1960 e 1970, o auge da violência do regime no Brasil. Castro Gomes e Barreira fazem parte de uma lista inédita com os nomes, patentes – e em muitos casos os codinomes– de 73 oficiais e praças que integraram o CIE  do Rio em meados dos anos 1970.

A lista faz parte dos documentos do coronel Cyro Etchegoyen que estão sendo publicados no projeto “Bandidos de farda”, do ICL Notícias, produzido nos últimos sete meses com uma série de reportagens e um documentário que estreará no dia 17 de maio. O projeto revela os crimes que o coronel Cyro escondeu em um imenso arquivo mantido por ele até sua morte. São 23 pastas e 3 mil páginas de documentos públicos inéditos, que pertenciam ao acervo do Exército brasileiro, mas que foram levados ilegalmente pelo coronel Cyro e que ficaram guardados com um outro militar após a sua morte. Em outubro do ano passado, uma fonte, que terá sua identidade mantida em sigilo por segurança, entregou uma primeira parte ao Instituto Fernando Santa Cruz, idealizado pelo ex-presidente da Ordem dos Advogados do Brasil, Felipe Santa Cruz. Fernando era militante da Ação Popular (AP), está desaparecido desde 23 de fevereiro de 1974 e Felipe é seu filho. Uma segunda parte foi entregue pela mesma fonte em fevereiro deste ano à jornalista Juliana Dal Piva, repórter do ICL Notícias.

 

Victor de Castro Gomes depois se tornaria coronel e, antes de ir ao Chile, atuou nas torturas e assassinatos da “Casa da Morte” de Petrópolis. O ICL Notícias descobriu que ele é o “Dr Pepe” apontado por Inês Etienne Romeu como um de seus torturadores. Ela morreu em 2015, mas desde que foi presa no cárcere clandestino, em 1971, denunciou uma série de militares, alguns constam da lista do coronel Cyro.

A identificação nominal dos agentes revela uma grande parte do efetivo do CIE no período em que o coronel Cyro chefiou a seção de contrainformações, entre 1969 e 1974. Até hoje, muitos ex-integrantes da repressão não foram identificados e não há dimensão do total do efetivo utilizado nas operações secretas de captura, assassinatos e tortura.

Apenas sete dos 73 militares na lista do coronel Cyro constam entre os 377 torturadores identificados pela Comissão Nacional da Verdade (CNV). Outros dois integrantes do CIE – os sargentos Carlos Quissak e Clodoaldo Paes Cabral aparecem no relatório da CNV em uma denúncia de tortura, mas não foram incluídos na relação dos torturadores.

Desses nove torturadores que constam no relatório da CNV, foi possível identificar que apenas um segue vivo: o sargento Jacy Ochsendorf e Souza, um dos réus pela tortura, assassinato e desaparecimento forçado do ex-deputado Rubens Paiva.

ICL Notícias cruzou diversas bases de dados para identificar cada um dos nomes apontados. Os 73 militares listados no documento guardado por décadas por Etchegoyen – com direito a anotações feitas a mão pelo coronel– tomaram parte de vários dos episódios de violência mais infames dos 21 anos do regime militar, como o sequestro e assassinato do ex-deputado federal Rubens Paiva, a perseguição ao líder guerrilheiro Carlos Lamarca e na Operação Condor.

Não é possível saber a data exata em que a planilha –uma espécie de controle de pessoal do CIE do Rio– foi elaborada. Contudo, há pistas. Entre as informações contidas no documento está a data da última promoção de cada um dos militares. Essa informação mostra que a relação foi elaborada depois de fevereiro de 1974, já durante o governo Geisel. Isto porque é a promoção mais recente, referente à mudança de patente do então 1º sargento Américo da Costa Magalhães.

Durante 50 anos, a memória sobre a ditadura militar brasileira convencionou tratar o aparato de repressão como algo marginal dentro do autoritarismo do regime. Essa narrativa foi condensada em uma expressão: os porões da ditadura. No entanto, os documentos inéditos obtidos com exclusividade pelo ICL Notícias contam uma versão diferente dessa história.

Das condecorações mais cobiçadas a compensações financeiras, a análise das carreiras dos 73 militares listados em um desses documentos mostra um grupo de profissionais altamente valorizado pelos generais que governavam o país.

Ao menos 28 dos oficiais e praças listados na planilha de Cyro Etchegoyen foram contemplados com a Medalha do Pacificador, uma dos mais importantes reconhecimentos oferecidos pelo Exército brasileiro.

A pesquisadora Maria Celina Araújo se dedica há alguns anos a sistematizar todas as pessoas que já receberam a medalha. Nem todos os homenageados ao longo dos anos estão envolvidos em crimes de direitos humanos, em especial, durante a ditadura. Mas, segundo ela e as demais pesquisas sobre os crimes da época, a grande parte dos militares que foram premiados naquele período foram reconhecidos por suas ações contra opositores políticos.

“Foram as pessoas (militares da ditadura) que mais se envolveram com repressão, que mais foram longe no sentido de às favas com os escrúpulos, né? As pessoas que tiveram mais iniciativa no sentido de prender, de torturar, de. Enfim, demonstrar serviço, né?”, explica Maria Celina.

A valorização pela cúpula do regime, no entanto, era bem mais do que simbólica. Mais da metade dos mencionados no documento recebeu durante vários anos uma gratificação financeira especial por estar lotada oficialmente no gabinete do ministro do Exército.

Essas bonificações financeiras deixaram rastros no Diário Oficial da União (DOU). A pesquisa no acervo mostra que, em vários casos, movimentações como a concessão e fim das gratificações, bem como transferências de local de serviço eram feitas em bloco. O fato aponta que os militares listados na planilha de Etchegoyen de fato trabalhavam em uma mesma equipe.

O caso mais emblemático diz respeito a uma publicação no DOU de 21 de dezembro de 1972. As duas portarias do general Orlando Geisel –ministro do Exército e irmão do futuro presidente Ernesto Geisel– transfere do estado da Guanabara para Brasília um grupo de 12 oficiais e 39 praças. Eles foram lotados, a partir de 1973, em Brasília.

O grupo viria a participar do planejamento e das ações operacionais que acabaram por desmantelar a Guerrilha do Araguaia, mantida pelo PCdoB (Partido Comunista do Brasil).

Entre os transferidos estavam o coronel José Luiz Coelho Netto, subcomandante do Centro de Informações do Exército no Rio, e o próprio Etchegoyen. Também figuram na relação vários dos mais famosos torturadores da ditadura brasileira, todos lotados no CIE carioca: casos do capitão José Brandt Teixeira –um dos militares que atuou na “Casa da Morte” de Petrópolis e nos desaparecimentos da Guerrilha do Araguaia.

Brandt foi denunciado pelo MPF (Ministério Público Federal) no Pará pelo assassinato, decapitação e desaparecimento forçado do militante do PCdoB Arildo Valadão, em novembro de 1973. Também figuram na lista 15 dos 73 militares 

Coluna de Jamil Chade: Trump diz que reunião com Lula foi ‘muito produtiva’ e chama brasileiro de ‘dinâmico’

 

Encontro bilateral de 3 horas não teve cobertura da imprensa no Salão Oval, evitando emboscadas tradicionais de Trump. Americano destaca negociações sobre tarifas

Do ICL:


Reportagem do analista político internacional Jamil Chade

Quase três horas de um encontro e sem emboscadas públicas. Assim foi a reunião entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump. Fontes que estiveram na Casa Branca contaram ao ICL Notícias de que o encontro foi marcado por um debate “franco” sobre temas espinhosos. Mas o Palácio do Planalto comemora um clima positivo, “sem pegadinhas” por parte de Trump e nem qualquer troca de farpas.

O encontro deveria durar apenas 45 minutos, nesta quinta-feira. Mas acabou sendo ampliada para mais de uma hora e 20 minutos no Salão Oval. A prorrogação da conversa elevou as expectativas entre os assessores do Palácio do Planalto sobre os resultados da viagem. Os dois líderes então seguiram para num almoço oferecido pelo americano, em seu próprio gabinete e em outro sinal considerado como positivo.

Não houve, porém, qualquer anúncio de acordos e nem o Itamaraty previa que isso seria possível. Nos principais temas bilaterais, não havia ainda um consenso suficiente para que tratados ou projetos fossem anunciados.

Ao final do encontro, Trump foi às redes sociais e deu um foco especial na questão comercial.

Ele declarou:

Acabei de concluir minha reunião com Luiz Inácio Lula da Silva, o dinâmico Presidente do Brasil. Discutimos diversos temas, incluindo Comércio e, especificamente, Tarifas. A reunião foi muito produtiva. Nossos representantes têm reuniões agendadas para discutir alguns pontos-chave. Outras reuniões serão agendadas nos próximos meses, conforme necessário. Presidente DONALD J. TRUMP

A viagem de Lula foi marcada por uma quebra de protocolos e da postura tradicional do republicano.

Ao sair do comboio, o brasileiro foi recebido pelo republicano em um tapete vermelho. Trump, ao contrário do que tem feito com dezenas de interlocutores para intimidá-los, não usou o aperto de mão para “puxar” o brasileiro. O gesto foi recebido com alívio por diplomatas, já que a marca registrada do republicano tem sido alvo de polêmicas em diferentes capitais pelo mundo. Já o brasileiro deu um tapinha no ombro do americano ao sauda-lo. “Como vai?”, disse Lula.

O brasileiro entrou na Casa Branca pela ala Sul, o mesmo local usado pelo rei Charles, na semana passada.

Lula evita emboscada de Trump

Outro sinal considerado como positivo foi a decisão da Casa Branca de aceitar não abrir o Salão Oval para a imprensa antes do início das reuniões e como é de costume. A expectativa era de que isso poderia significar que as delegações preferem dar maior atenção ao conteúdo do encontro para que, só depois, fariam anúncios concretos sobre o que foi debatido.

Mas, diante do avançado da hora, o pronunciamento conjunto no Salão Oval e local de várias emboscadas por parte de Trump foi cancelado.

Lula dará ainda nesta quinta-feira uma coletiva de imprensa na embaixada do Brasil em Washington.

O gesto de mudança de protocolo teria sido adotado depois de um pedido do governo brasileiro, o que foi atendido por Trump. No ano passado, na Malásia, Lula teria ficado irritado com a presença da imprensa americana antes do encontro, o que acabou reduzindo o tempo de discussão entre os dois líderes.

Os temas, porém, não são dos mais fáceis. Quando a reunião entre os dois presidentes foi confirmada, a ala bolsonarista passou a fazer pressão e subsidiar pessoas próximas ao presidente dos EUA com informações para prejudicar o encontro ou, pelo menos, minar os resultados da reunião.

Trump, porém, recebe Lula num momento complicado de seu governo. Sua popularidade está em seu nível mais baixo e sua campanha militar no Irã está sendo questionada até entre sua base mais radical.

No encontro, o lado americano estava sendo representado pelo vice presidente JD Vance, pelo secretário de Tesouro, Scott Bessent, o secretário de comércio, Howard Lutnick, além da chefe de gabinete do Trump, Susie Wiles e o Representante Comercial Jamieson Greer.

Marco Rubio, secretário de Estado e um aliado dos bolsonaristas, não estará presente. O chefe da diplomacia dos EUA está em Roma.

Além de Lula, a delegação contou com os ministros Mauro Vieira e Dário Durigan, além de Márcio Rosa, Alexandre Silveira e Wellington Silva.

Pauta na mesa

Lula pretendia propor ao americano uma cooperação para lutar contra o crime organizado, mas se recusa a falar na possibilidade de declarar o PCC e o Comando Vermelho como grupos terroristas. O Brasil ainda tentaria explicar aos chefes da Casa Branca que não se justifica a adoção de novas tarifas contra produtos brasileiros.

Do lado americano, Trump esperava fazer propostas para uma aproximação ao país na exploração de terras raras. O Brasil, porém, rejeita a ideia de ser simplesmente um fornecedor de minérios e quer o processamento também no país.

De uma forma geral, porém, a missão de Lula é a de desenhar um pacto de não ingerência por parte de Donald Trump. Num ano eleitoral, a prioridade declarada da diplomacia brasileira é a de defender a democracia do país contra ataques externos.

A meta é a de manter aberto o canal entre os dois principais líderes no Hemisfério Ocidental e desmontar eventuais espaços para ataques contra a soberania brasileira.

Uma das linhas de atuação do Palácio do Planalto é a de fazer uma diferenciação entre o que são temas legítimos da relação entre Brasil e EUA e o que seria considerado como uma ingerência.

Lula irá levar a mensagem, por exemplo, de que classificar grupos criminosos brasileiros como “terroristas” não se justifica e rebater as investigações comerciais contra o país.

O governo diria com todas as letras: “não existem terroristas no Brasil”.

Durante o encontro, a delegação brasileira levaria dados do combate ao crime organizado e vai mostrar a diferença entre o narcotráfico e o terrorismo. Os membros do governo iriam insistir que o Brasil “não tem grupos terroristas”.

Tudo, porém, terá como pano de fundo a tentativa de construção de uma relação que dê garantias ao Brasil de sua capacidade de autonomia na região e a preservação do processo eleitoral sem a interferência do governo dos EUA.

A esperança é de que, com a visita, Lula consiga evitar que Trump se envolva diretamente numa tentativa deliberada de desestabilização do Brasil. O risco continua sendo alto mesmo com o republicano neutralizado. Para a diplomacia brasileira, essa ingerência pode ocorrer por meio das big techs, de grupos ultraconservadores da sociedade civil americana e por ações encobertas por parte de alas mais radicais do trumpismo.

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segunda-feira, 4 de maio de 2026

João Cezar Castro Rocha: #Congressoinimigodopovo - Davi Alcolumbre sairá da presidência do Senado para a presidência de uma cela na Papuda....

 

Do Canal CDM TV:

Segundo João Cezar de Castro Rocha Davi Alcolumbre sairá da presidência do Senado para a presidência de uma cela na Papuda. O Congresso Nacional aprovou uma lei que beneficia diretamente o crime organizado.







A terra queimada pelos Senadores no caso da redução da dosimetria para criminosos e golpistas bolsonaristas não é uma política, mas a ausência dela. Por José Sócrates, ex-Primeiro Ministro de Portugal


Não estou a ver o povo brasileiro aplaudir os senadores que fazem votações de puro revanchismo político


A terra queimada não é uma política, mas a ausência dela


José Sócrates

Primeiro-ministro de Portugal, de 2005 até 2011







Podemos criticar a motivação, mas não a legitimidade. Podemos apontar, e com justiça, as maléficas consequências institucionais da decisão. Mas não podemos pôr em causa a legalidade do ato. Ninguém é dono dos votos dos senadores, a não ser eles próprios — que respondem apenas perante o povo, não perante outra qualquer instituição. É a isso que chamamos soberania popular — a decisão foi política e o debate deve continuar na política. Para quem está viciado em apelos judiciários sempre que perde (como se perder e ganhar não fizesse parte do jogo democrático), faz sentido lembrar o dito espirituoso do ministro Barroso: perdeu, mané.

E quem perde, em democracia, tenta de novo. Talvez como nenhum outro político, o presidente Lula da Silva sabe exatamente do que estou a falar: perdeu três vezes e três vezes se levantou — para ganhar à quarta vez, em 2002. Foi este percurso (ao qual se somaram a prisão e a terceira vitória) que fez dele um protagonista político singular — só é derrotado quem desiste de lutar.

E para aqueles que veem nesta votação uma derrota presidencial, eu peço que não se precipitem. Não estou a ver o povo brasileiro aplaudir os senadores que fazem votações de puro revanchismo político, esquecendo os superiores interesses institucionais do país. No meu ponto de vista, o que aconteceu foi feio demais, mas, seja como for, tenha quem tiver razão, o problema é político e deve ser resolvido na arena da política, não nos tribunais.  É ao povo que compete dizer quem andou bem e quem andou mal, e só saberemos a opinião do povo em breve, nas eleições. Portanto, muita calma nessa hora (ou, como dizem por aí com muita graça, muita hora nessa calma) — quanto a quem perde e a quem ganha, estamos ainda para ver.

Sem prejuízo de melhor análise, julgo que o presidente, como democrata que sempre foi, vai respeitar a decisão do Senado e fazer outra escolha que sujeitará, de novo, à aprovação do Senado. E aí se verá a verdadeira intenção dos senadores: avaliar o currículo do indicado ou retirar o poder constitucional do presidente de indicar os ministros do STF? Cumprir o rito constitucional ou “incendiar o botequim”? Na verdade, a mesma situação aconteceu nos Estados Unidos (com Obama em fim de mandato e o Congresso com maioria republicana) e teve consequências nocivas para os dois partidos — no final, ninguém ganhou, mas a democracia americana, que vive destes rituais, saiu a perder.

Não acredito que o presidente do Senado não agende nova sabatina com novo candidato — aí estaria a ultrapassar os seus poderes e a limitar os dos outros. Portanto, calma. Antecipar a campanha eleitoral com uma disputa de competências entre o presidente e o Senado não me parece ser um comportamento inteligente para os segundos, os senadores da oposição. Seria mau para a democracia brasileira, é certo, mas seria muito pior para a direita brasileira, que escolheria assim, abertamente, a política de terra queimada. Não conheço povo algum que aprecie comportamentos sectários — não deixar governar ninguém, nem eu nem ele, que ganhou limpamente as eleições para presidente da República. Portanto, calma. Muita calma. Ainda é cedo para dizer quem ganhou.

Bandidos de Farda (5): Operações militares da ditadura para assassinar opositores custaram cerca de R$ 1 mi • POR JULIANA DAL PIVA, IGOR MELLO E CHICO OTAVIO

 

    No dia 8 de janeiro de 1973, o Centro de Informações do Exército (CIE) finalizou uma de suas ações mais brutais. Militares ligados ao principal órgão de repressão da ditadura militar invadiram um sítio em Abreu e Lima, na região metropolitana do Recife, e assassinaram cinco integrantes do comando da Vanguarda Popular Revolucionária (VPR), uma das principais organizações da luta armada contra o regime.


Do Instituto Conhecimento Libera - ICL:


No dia 8 de janeiro de 1973, o Centro de Informações do Exército (CIE) finalizou uma de suas ações mais brutais. Militares ligados ao principal órgão de repressão da ditadura militar invadiram um sítio em Abreu e Lima, na região metropolitana do Recife, e assassinaram cinco integrantes do comando da Vanguarda Popular Revolucionária (VPR), uma das principais organizações da luta armada contra o regime.

A ação, conhecida como massacre da Chácara São Bento, foi a etapa final do plano da ditadura para exterminar a iniciativa da Vanguarda Popular Revolucionária de retomada de uma guerrilha e também uma resposta dos militares à descoberta do agente duplo José Anselmo dos Santos, o “cabo Anselmo”. Mas nos arquivos do coronel Cyro Etchegoyen, chefe de contrainformação do órgão, aquele era o final da Operação Kymball, uma das dezenas de ações clandestinas conduzidas pelo órgão entre 1969 e 1974.

Os dados de uma caderneta empoeirada de 83 páginas, coordenada pelo coronel Cyro Etchegoyen, expõe os gastos com todo o planejamento desses cinco assassinatos. Além disso, o ICL Notícias fez um cruzamento de informações entre as datas dos pagamentos descritos pelo militar com as informações produzidas pela Comissão Nacional da Verdade e pela Comissão Especial de Mortos e Desaparecidos e encontrou pagamentos de ações militares que resultaram em,  pelo menos, outras 29 mortes cometidas por agentes do CIE durante o período mais violento da repressão política da ditadura militar.

Caderno de contabilidade com anotações feitas por militar registra gastos com operações clandestinas e ações para assassinar opositores durante a ditadura.
Caderno de contabilidade de Cyro Etchegoyen com dados de gastos com o agente infiltrado “cabo Anselmo” e com operações para assassinar opositores

O coronel Cyro registrou informações de despesas e receitas detalhadamente por 54 meses –de dezembro de 1969 a junho de 1974–, os gastos da equipe do órgão com o dia a dia da repressão política durante os governos Médici e Geisel. De acordo com essa contabilidade, o CIE gastou ao menos 615 salários mínimos em operações clandestinas. Em valores de hoje, isso equivale a um orçamento de aproximadamente R$ 1 milhão.

A caderneta faz parte dos documentos do coronel Cyro Etchegoyen que estão sendo publicados no projeto “Bandidos de farda”, do ICL Notícias, produzido nos últimos sete meses com uma série de reportagens e um documentário que estreará no dia 17 de maio. O projeto revela os crimes que o coronel Cyro escondeu em um imenso arquivo mantido por ele até sua morte. São 23 pastas e 3 mil páginas de documentos públicos inéditos, que pertenciam ao acervo do Exército brasileiro, mas que foram levados ilegalmente pelo coronel Cyro e que ficaram guardados com um outro militar após a sua morte. Em outubro do ano passado, uma fonte, que terá sua identidade mantida em sigilo por segurança, entregou uma primeira parte ao Instituto Fernando Santa Cruz, idealizado por seu filho, ex-presidente da Ordem dos Advogados do Brasil, Felipe Santa Cruz. Fernando era militante da Ação Popular (AP) e está desaparecido desde 23 de fevereiro de 1974. Uma segunda parte foi entregue pela mesma fonte, em fevereiro deste ano, à jornalista Juliana Dal Piva, repórter do ICL Notícias, entre estes a caderneta.

Contabilidade da Barbárie

Registrada meticulosamente a mão pelo coronel Cyro Etchegoyen, chefe de contrainformação do órgão, a contabilidade aponta para a existência de pelo menos dois aparelhos clandestinos do CIE. Um deles é a “Casa da Morte”, em Petrópolis, mas um registro em agosto de 1971 indica pagamentos para a “manutenção de um aparelho em Raiz da Serra”, localidade próxima a Magé, no interior do Rio.

Nas minúcias dos custos, há também dados que apontam para, ao menos, 29 operações e ações sigilosas realizadas pelo CIE contra organizações de esquerda. Destacam-se entre as anotações os custos envolvidos na infiltração de agentes duplos em organizações de esquerda.

A primeira delas, segundo o próprio Cyro é a “Operação Morro Velho”, codinome dado a Victor Luiz Papandreu, que o militar descreve como um agente duplo. Papandreu era da VPR, tinha o codinome “Grego” e é registrado como desaparecido desde 1971. O tenente médico Amilcar Lobo contou em livro ter presenciado seu assassinato dentro da “Casa da Morte” quando os militares teriam avaliado que ele não tinha mais condições de dar informações. No entanto, não há comprovação de que ele, de fato, tenha morrido.

Em outro documento do arquivo de Cyro Etchegoyen, ele detalha que só nessa ação foram assassinados cinco integrantes de “comandos nacionais”, seis foram presos e um total de 25 opositores foram identificados. No livro, “Seu Amigo esteve aqui”, da jornalista Cristina Chacel, a autora detalha que os últimos contatos de Carlos Alberto Soares de Freitas e Antonio Joaquim Machado teriam sido com Papandreu.

Casa da Morte de Petrópolis

As anotações de Cyro Etchegoyen também dão pistas sobre a rotina da Casa da Morte de Petrópolis – aparelho clandestino onde mais de uma dezena pode ter sido assassinada. As vítimas depois tiveram seus corpos ocultados.

A única sobrevivente foi a militante Inês Etienne Romeu – a responsável por denunciar os crimes cometidos por militares no local e por identificar parte dos torturadores que atuavam na casa, inclusive, o “dr Bruno”, codinome de Cyro Etchegoyen. A dirigente da Vanguarda Popular Revolucionária foi levada para o aparelho na Região Serrana do Rio em maio de 1971, onde foi presa e torturada por cerca de três meses.

Em julho daquele ano, a contabilidade registra “despesas com Inez”, no valor de 100 cruzeiros, quase meio salário mínimo na época. Os militares do CIE tinham o objetivo de transformar Inês em uma infiltrada, coisa que nunca aconteceu. Como parte do plano, a colocaram em liberdade em agosto de 1971. Inês, no entanto, chegou na casa de sua irmã Geralda e denunciou a família todo o que aconteceu durante sua prisão.

Naquele mês, a caderneta de Etchegoyen registra várias despesas relativas à ida de Inês –identificada com o codinome de Maristela pelos militares– para Minas Gerais.

Uma delas, confirma a tentativa frustrada de transformá-la em um agente duplo. O coronel Etchegoyen anota “Pago a Maristela, conforme contrato”, também no valor de 100 cruzeiros.

"Cabo Anselmo"

O caso mais famoso de agente duplo, porém, é o do “cabo Anselmo”. Na contabilidade de Cyro Etchegoyen, os custos relacionados à infiltração de Anselmo na VPR no Recife estão rotuladas como Operação Kymball — codinome dado pelos agentes do CIE a ele. Somente nessa ação, a reportagem identificou gastos que somaram mais de 172 salários mínimos –o equivalente a R$ 279,3 mil em valores de 2026.

A operação que resultou no massacre da Chácara São Bento, em janeiro de 1973, consumiu boa parte desses R$ 279,3 mil. A ação foi desencadeada para resgatar Anselmo, que, segundo os arquivos de Cyro Etchegoyen, chegou a ser preso pelos militantes da VPR. A ação de resgate e assassinato dos militantes da VPR mobilizou um total de 18 homens, em cinco equipes do CIE, duas do DOPS de São Paulo e uma outra do DOI do IV Exército, do Recife.

Uma ação clandestina  focada no Rio Grande do Sul, batizada de Operação Pampa, consumiu outros R$ 102,1 mil. Os registros da Operação Pampa mostram a participação direta de Etchegoyen em campo, bem longe do escritório do CIE, no Rio de Janeiro.

Há registros de gastos com duas viagens de “Dr Bruno” – codinome de Cyro Etchegoyen no aparato de repressão– para Porto Alegre durante o ano de 1972. As datas coincidem com viagens oficiais do coronel para a capital gaúcha, conforme anotações encontradas pela reportagem na ficha funcional do militar –nela há ainda uma terceira viagem ao Rio Grande do Sul não registrada na contabilidade em 1972.

Bandidos de Farda (4): Militares roubavam móveis, dinheiro e até brinquedos de imóveis em que faziam batidas. O abuso do poder fascista em ação da ditadura em reportagem de Juliana Dal Piva, Igor Mello e Chico Octávio para ICL

 



    Um dos militares do CIE, de acordo com a denúncia, chegou a usar os objetos furtados para pagar seus caseiros em um sítio de Teresópolis. Alguns bens, após o assalto, eram levados para a sede do Centro de Informações do Exército (CIE), no Palácio Duque de Caxias, no centro do Rio, mas também para um outro escritório secreto que o órgão mantinha na Avenida Presidente Vargas, mobiliado com móveis furtados.

Do Instituto Conhecimento Liberta  - ICL:

Brinquedo de criança, canetas, poltronas, estantes, sapatos, dinheiro, armas e até um carro. Esses são alguns exemplos dos itens que militares do Exército brasileiro roubaram de casas e apartamentos nos quais efetuaram revistas, buscas e prisões de militantes da luta armada. Não importava a quem pertencesse. Agentes inconformados com os desvios dos colegas denunciaram que a pilhagem atingiu pessoas que não integravam grupos de oposição à ditadura. O esquema contava até com o uso de um apartamento na Rua Tenente Possolo, no Centro do Rio, utilizado para “encontros ocasionais com pessoas do sexo feminino”

Um dos militares do CIE, de acordo com a denúncia, chegou a usar os objetos furtados para pagar seus caseiros em um sítio de Teresópolis. Alguns bens, após o assalto, eram levados para a sede do Centro de Informações do Exército (CIE), no Palácio Duque de Caxias, no centro do Rio, mas também para um outro escritório secreto que o órgão mantinha na Avenida Presidente Vargas, mobiliado com móveis furtados.

A denúncia desses crimes consta do depoimento de Israel Sturne, sargento do CIE, tomado em 17 de fevereiro de 1970 pelo coronel Cyro Etchegoyen no informe “Irregularidades na Seção de Operações”. Além dos assaltos, Sturne denunciou um estupro feito por um colega durante uma ação para prender integrantes da ALN em dezembro de 1969. O documento integra o arquivo secreto do oficial que é publicado pelo ICL Notícias no projeto “Bandidos de farda” produzido nos últimos sete meses com uma série de reportagens e um documentário que estreará no dia 17 de maio.

O projeto revela os crimes que o coronel Cyro escondeu em um imenso arquivo mantido por ele até sua morte. São 23 pastas e 3 mil páginas de documentos públicos inéditos, que pertenciam ao acervo do Exército brasileiro, mas foram levados ilegalmente pelo coronel Cyro e que ficaram guardados com um outro militar após a sua morte. Em outubro do ano passado, uma fonte, que terá sua identidade mantida em sigilo por segurança, entregou uma primeira parte ao Instituto Fernando Santa Cruz, idealizado por seu filho, ex-presidente da Ordem dos Advogados do Brasil, Felipe Santa Cruz. Fernando era militante da Ação Popular (AP) e está desaparecido desde 23 de fevereiro de 1974. Uma segunda parte da documentação foi entregue pela mesma fonte em fevereiro deste ano à jornalista Juliana Dal Piva, repórter do ICL Notícias.

Móveis roubados para encontros com amantes

Documento do Exército com trechos destacados registra denúncia de desvio de objetos apreendidos por agentes do CIE durante operações na ditadura brasileira.

No relato, Sturne diz que os paraquedistas que vieram servir no CIE eram os principais envolvidos nos crimes relatados. Ele estranhou o fato de os colegas serem voluntários para qualquer tipo de missão, especialmente estouro de aparelhos.“Em sua impressão todo o problema começou com a vinda dos referidos paraquedistas para o CIE, pois a partir de certo tempo verificou que quando se estourava um aparelho, este era cercado por eles e ninguém entrava no recinto sinão depois de certo tempo”, afirmou o sargento.

Logo adiante, Sturne completou: “Com o correr do tempo soube que os objetos retirados dos aparelhos eram, em sua maioria, levados para a rua Tenente Possolo, local utilizado pelo pessoal da Seção de Operações para encontros ocasionais com pessoas do sexo feminino. Tal apartamento é de propriedade de um amigo do capitão Malhães que lhe cedeu particularmente”. O endereço completo do apartamento para os encontros com amantes não foi informado no documento.

Nas palavras do sargento, do “ponto de vista humano”, ele “chocou-se com a violência sexual sobre a sra Marilene” que alugava quartos para integrantes da Ação Libertadora Nacional e sequer era integrante do grupo. Além de estuprá-la, segundo Sturne, os agentes que atuaram na ação roubaram até um brinquedo de seu filho. “Que dona Marilene pediu-lhe para reaver um objeto (um carrinho de corda) que comprara para dar a seu filho no Natal e que deixara no quarto de Aton. Que informou na S-104 mas tal objeto não reapareceu”, contou.

Quem também lembra do episódio é Augusto dos Santos Mello, filho de Marilene. Ele tinha seis anos, na época, e o dia marcou sua memória para sempre: “Quando eles invadiram minha casa, eles rasgaram o colchão, brinquedo de palha, meu cavalinho todo, os brinquedos. Tudo foi destruído procurando dinheiro. Não ficou nada”.

No depoimento ao CIE, Sturne relatou ainda que, em outra ação, um móvel foi levado para o CIE. “O apartamento era muito bem montado e foi completamente desmontado; sabe que o móvel da sala (tipo estante) foi levado para o escritório do CIE na Avenida Presidente Vargas”, disse. Outro destino dos bens relatados pelo denunciante foi a garagem de um imóvel ocupado por uma mulher e duas crianças ligadas ao ao “tenente-coronel Caldeira” na Colônia Juliano Moreira, em Jacarepaguá.

Militares em veículo do Exército em registro da época da ditadura, contexto em que agentes realizavam operações que incluíam apreensão e desvio de bens de civis.
Crédito: arquivo pessoal família Sturne

Na denúncia, o sargento identificou que esse comportamento não era só dos subordinados, mas também dos oficiais superiores, seus chefes de operações, e citou o caso do então Major Rubens Paim Sampaio. “Quanto ao Major Sampaio (Paraquedista), que soube apenas de uma troca de móveis, isto é, que o referido oficial ao saber que umas poltronas haviam sido enviadas a Jacarepaguá, foi buscá-las e as trocou por outras existentes em sua residência. Nessa ocasião, foi utilizado o caminhão do gabinete para a mudança”, revelou. Sampaio, já morto, também foi denunciado como um dos torturadores de Inês Etienne Romeu, na “Casa da Morte”, de Petrópolis, e é um dos acusados pelo assassinato do deputado federal cassado Rubens Paiva.

Além de Sampaio, algumas das ações que terminaram com assaltos tinham o comando do tenente-coronel Paulo Malhães, morto em 2014.  “Quanto ao capitão Malhães, que sabe ser da teoria de que todas as coisas retiradas devem vir para o CIE, ou para o escritório do Presidente Vargas, ou, finalmente, para a Ten Possolo; que as coisas retiradas devem ser de utilização coletiva pelo pessoal da seção de operações”. Segundo Sturne, para Malhães, o ato de levar objetos das casas não seria ilegal na lei deles. Malhães “considera roubo retirar coisas para uso pessoal”.

"Loucos com prazeres sádicos"

Sturne foi mais duro com alguns. “Quanto ao sgt Canaã que lhe parece um louco cheio de prazeres sádicos; que é um irresponsável e que leva tudo o que pode para sua casa”

O sargento Iracy, apontado por Sturne como o estuprador de Marilene, admitiu a retirada de itens, mas negou a violência sexual. “Que apanhou para si alguns lápis, 3 canetas esferográficas, 1 par de sapatos usados, 1 grill”, afirmou. Ele disse ainda que “um monte de dinheiro apreendido pelo cap Mauricio da Operação Bandeirante na Ten Villas Villas Boas; não sabe a quantia nem destino”. O capitão Maurício Lima foi apontado pela ex-presidente Dilma Rousseff como um dos agentes que a torturou na Operação Bandeirante em São Paulo.

Após a denúncia de Sturne, um soldado identificado como “Gordo” prestou depoimento em 16 de fevereiro de 1970 e confirmou os assaltos. “Ouvido pelo chefe da Seção de Contra-Informações, o referido soldado confirmou que fez várias mudanças para o pessoal da Seção de Operações do CIE”, disse.

Sturne já morreu, mas o comerciante Reinaldo Sturne, um de seus filhos, recorda bem de um período em que ele e a família passaram a ser perseguidos pelos colegas do pai. “Lembro dele ter dito que foi fazer uma inspeção nesse chamado aparelho que diziam na época e que lá era divididos em paredes falsas e que provavelmente um militar que estava lá na operação haveria dormido com a senhora do apartamento”, conta.

Na memória do comerciante, há uma infância sob tensão e na qual o convívio com o pai era pequeno por um longo período. “Aí ele fez essas denúncias. Depois disso que começou o vai e vem, que até então a nossa vida era tranquila. Depois disso, começou a perseguição em cima dele”, recorda. “Nós tivemos que sair dessa casa e ir para outra, aí novamente não dava dois ou três meses, tinha que mudar dessa casa  ai para outra. Então, morei em laria, Ramos e depois fui parar na Ilha do Governador”, completa.

Dois meses depois do depoimento para Etchegoyen, Sturne foi dispensado da função de auxiliar no gabinete do ministro do Exército — enquadramento funcional dado aos agentes do CIE. O ato administrativo indica que ele deixou de integrar a equipe do órgão de repressão.

Por conta desse afastamento, o sargento também deixou de receber uma gratificação paga aos agentes do CIE, valor que se somava ao soldo dos militares que eram designados para o órgão. A movimentação foi confirmada pela reportagem com base em uma publicação no Diário Oficial da União em 16 de abril de 1970.

domingo, 3 de maio de 2026

Portal do José: DOMINGÃO. ALERTA GERAL! PSIQUIATRAS EXPLICAM O PATOLÓGICO BOLSONARISMO E DIREITA MUNDIAL! CENAS REVELADORAS!

 

Do Portal do José:




Caso Alexandre de Moraes: a arte de mentir da mídia corporativa contando meia verdade, por Luís Nassif

 

Com base em duas informações - e no vício da repetição de notícias sem confirmação - formou-se o consenso.

Jornal GGN:

    Foto de Rosinei Coutinho - STF

O Ministro Alexandre de Moraes conspirou para que Jorge Messias não fosse aprovado pelo Congresso. Quem informou isso? Malu Gaspar, com base em 6 fontes. Aliás, a cada notícia nova, Gaspar aumenta o número de fontes. Mas, com base em 12 fontes, digo que a informação é incorreta (para ser elegante). Quem são minhas 12 fontes? Só digo quando a Malu revelar as suas, porque sigilo de fonte é sagrado.

Outros colunistas enveredaram pelo mesmo caminho, dentro do espírito de pool que contamina o colunismo de palpites. Bastam 2 repetições para o rumor tomar forma de verdade. 

Os pontos que ajudaram a formar a convicção:

* Moraes encontrou-se com Davi Alcolumbre na noite anterior à votação.

* Moraes comentou que Messias seria derrotado por 8 votos. Como poderia saber? Só se estivesse articulado com Alcolumbre.

Com base em 2 informações – e no vício da repetição de notícias sem confirmação – formou-se o consenso.

Hoje, Mônica Bérgamo descreve o jantar oferecido por Moraes em sua casa.

O título é para não fugir do espírito de pool da mídia: “Moraes faz jantar com Alcolumbre na véspera de derrota de Messias e Lula desconfia”. 

Mas o que diz a matéria: “Convidados afirmam que encontro, na verdade, homenageou Mário Sarrubbo, amigo de longa data do ministro, tinha apoiadores de Lula entre os presentes e que conversas giraram em torno de amenidades”.

Quem compareceu: “Além de promotores e procuradores, o magistrado convidou para o encontro pessoas que, amigas dele e de Sarrubo, são também próximas de Lula. Estiveram na casa dele o ministro do STF Cristiano Zanin, o superintendente da PF (Polícia Federal) Andrei Rodrigues e o ex-ministro da Justiça Ricardo Lewandowski”.

Portanto, a mídia não mentiu quando disse que Moraes encontrou-se com Alcolumbre e soube que Messias seria derrotado por 8 votos. Não mentiu, mas não contou a verdade, Porque meia verdade é uma das formas de mentira.

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