Vídeo 01:
Textos de Filosofia e ensaios sobre temas atuais
Do ICL:
Levantamento indica desconfiança e expõe impacto da politização, crises recentes e envolvimento de militares em investigações
Por Cleber Lourenço
As Forças Armadas registram um dos piores níveis de confiança da série recente ao aparecerem com rejeição majoritária em levantamento do instituto AtlasIntel. O dado consolida um processo de desgaste que se intensificou nos últimos anos e reposiciona a instituição no imaginário público brasileiro.
Segundo a pesquisa, 60 por cento dos entrevistados afirmam não confiar nas Forças Armadas, enquanto 27 por cento dizem confiar. Outros 13 por cento não souberam responder. A diferença entre confiança e desconfiança indica um cenário que vai além da polarização e aponta para uma perda mais estrutural de legitimidade.
Historicamente associadas à disciplina, hierarquia e estabilidade, as Forças Armadas operavam com níveis mais elevados de confiança social. O novo patamar revela uma ruptura nessa percepção e coincide com um período de forte exposição política e institucional.
Nos últimos anos, os militares passaram a figurar com frequência no noticiário por motivos que extrapolam sua atuação tradicional. Investigações, questionamentos judiciais, falhas operacionais e episódios envolvendo oficiais contribuíram para deslocar a imagem da instituição de um campo técnico para o centro da disputa política.
Esse processo se intensificou durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro, quando militares passaram a ocupar cargos estratégicos na administração federal. A presença ampliada no poder civil rompeu a barreira que historicamente separava a instituição da política.
Ao assumir funções de governo, os militares passaram a ser avaliados sob os mesmos critérios aplicados a agentes políticos. O desgaste da gestão acabou sendo absorvido pela imagem das Forças Armadas, que deixaram de ser percebidas como um ator neutro.
Além da politização, episódios recentes agravaram o cenário. Os desdobramentos dos atos de 8 de janeiro de 2023 e as investigações sobre a tentativa de ruptura institucional expuseram a participação de militares em diferentes níveis. A divulgação de provas, que incluem áudios, mensagens e planos atribuídos a envolvidos, ampliou o impacto sobre a opinião pública.
Na avaliação do pesquisador Ananias Oliveira, doutorando em Ciências Sociais pela Universidade Federal de Campina Grande e estudioso da participação dos militares na política, o resultado reflete um desgaste acumulado que atinge a instituição em múltiplas frentes.
“Há uma frustração de setores mais radicalizados que esperavam uma ruptura institucional, mas isso não explica sozinho o resultado. O outro fator é o desgaste pela quantidade de militares envolvidos e condenados por participação na tentativa de golpe de 8 de janeiro”, afirmou.
Segundo ele, a exposição dos fatos ao longo dos processos judiciais intensificou a deterioração da imagem.
“A divulgação de provas, como áudios e mensagens, e a própria condenação desses envolvidos ampliam o desgaste. Isso atinge diretamente a percepção pública sobre a instituição”, disse.
Para Oliveira, o cenário atual revela um duplo movimento de perda de apoio.
“Você tem um Exército desgastado dos dois lados. Há frustração de quem esperava uma ruptura e, ao mesmo tempo, rejeição pela associação dos militares a uma trama golpista”, afirmou.
Ele ressalta, no entanto, que o resultado deve ser acompanhado em outras pesquisas para verificar se o patamar se mantém.
“Essa medição apresenta um nível de confiança mais baixo do que o observado em outros levantamentos. É importante acompanhar novos dados e análises qualitativas para entender melhor esse movimento”, disse.
O pesquisador Jorge Rodrigues, do Instituto Tricontinental e do Grupo de Estudos de Defesa e Segurança Internacional, aponta que o impacto sobre a imagem atinge um dos pilares mais sensíveis das Forças Armadas.
“As Forças Armadas brasileiras são muito zelosas de sua imagem. É ali onde dói”, afirmou.
Segundo ele, o desgaste atual é resultado de um acúmulo de exposições negativas ao longo dos últimos anos, especialmente a partir da aproximação com o governo Bolsonaro.
“O ônus de imagem daquele período foi respondido com tentativas de distanciamento entre instituição e governo, mas esse movimento não se sustentou na prática”, disse.
Rodrigues avalia que a sequência de crises, investigações e casos envolvendo militares contribuiu para romper uma narrativa historicamente construída.
“Casos de corrupção, como o de um coronel preso por desvio em contratos, e o julgamento de oficiais pelo Supremo expõem a instituição e deixam uma mácula. A ideia de uma força moralmente superior começa a ruir”, afirmou.
Para o pesquisador, a queda na confiança também abre espaço para um debate mais amplo sobre o papel e a estrutura das Forças Armadas.
“Há uma janela de oportunidade para discutir o desenho das Forças Armadas, a formação dos militares e a cultura política nos quartéis. Hoje, temos instituições pouco afeitas à democracia, além de caras e fora do controle civil”, disse.
Ele defende que o tema seja tratado de forma mais ampla no debate público.
“É necessário avançar em uma reforma com participação social. Defesa é um tema importante demais para ficar restrito aos próprios militares”, afirmou.
Rodrigues também chama atenção para um contraste relevante nos dados. Enquanto a confiança nas Forças Armadas recua, outras instituições armadas mantêm níveis mais elevados de aprovação.
“Há forte confiança em instituições como Polícia Federal, Civil e Militar. Isso indica que a população ainda valoriza forças de ordem, o que dialoga com uma cultura política que tende a apoiar respostas mais duras para problemas complexos”, disse.
Segundo ele, esse cenário tende a influenciar o debate político nos próximos meses.
“A segurança pública deve ganhar centralidade nas eleições, e existe o risco de que o debate seja capturado por soluções simplistas. É fundamental que o campo democrático apresente propostas baseadas em evidências”, afirmou.
Os dados indicam que a queda de confiança nas Forças Armadas não se limita a um movimento conjuntural, mas reflete um desgaste acumulado que altera a posição da instituição no cenário institucional brasileiro.
Do ICL:
Quando a régua muda conforme o sobrenome (do político), deixa de existir compromisso real com a informação de interesse público
Por Carlos Zarattini
O tratamento dado a Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, escancara um vício antigo da grande mídia, o de perseguir Lula e sua família. Bastou o nome do filho do presidente aparecer, ainda que sem prova direta de participação em irregularidades, para que se armasse uma cobertura barulhenta, carregada de insinuações e movida mais por interesse político do que por critério jornalístico. Quando os fatos atingem figuras da direita, operadores do mercado financeiro e personagens com trânsito no poder, a postura muda, a cobrança perde força, o escândalo esfria e a cautela passa a valer como regra.
Esse contraste ficou evidente nos episódios ligados ao escândalo do Banco Master. Vieram a público informações sobre a proximidade de Daniel Vorcaro com nomes centrais da direita e do sistema político durante a eleição de 2022, com menções a repasses para campanhas de Bolsonaro e Tarcísio de Freitas, num total de R$ 5 milhões.
Também surgiram questionamentos sobre a presença de pessoas ligadas ao banco no entorno do Banco Central durante a gestão de Campos Neto, além do registro de visitas frequentes de representantes do grupo à instituição. Trata-se de um conjunto de fatos que exigiria investigação dura, manchetes sucessivas e pressão permanente por esclarecimentos.
No mesmo contexto, quase não houve o mesmo ímpeto para explorar o caso do deputado Nikolas Ferreira, que viajou, durante nove dias de campanha eleitoral em 2022, num jatinho de Vorcaro em apoio a Bolsonaro. Também apareceram suspeitas levantadas por órgãos de controle sobre movimentações financeiras de agentes políticos da direita, além de denúncias sobre a compra de imóvel de alto valor com dinheiro desviado do INSS por meio de empresas de fachada. São episódios graves, com alcance político e institucional, que mereciam cobertura contínua e rigorosa.
Mas a reação da grande mídia esteve longe disso. Não houve cruzada diária, nem sucessão de capas, nem editorial inflamado, nem cobrança incessante dos envolvidos. O padrão foi outro, com mais contenção, mais silêncio e mais blindagem. Já com Lulinha, basta uma associação lateral, uma proximidade social ou empresarial, para que se monte uma narrativa inflada, repetida à exaustão e tratada como se fosse prova.
O problema não está em investigar Lulinha. Qualquer pessoa ligada ao poder ou a negócios de grande porte pode e deve ser questionada. O problema está em transformar um personagem em alvo fixo de suspeição, enquanto outros nomes, citados em episódios mais concretos e mais comprometedores, recebem tratamento brando, protocolar e complacente.
Esse duplo padrão corrói a credibilidade da imprensa. Quando a régua muda conforme o sobrenome, a posição política ou a conveniência editorial, deixa de existir compromisso real com a informação de interesse público. O que se produz é perseguição seletiva, distorção do debate e proteção indireta aos verdadeiros protagonistas de casos obscuros.
*Carlos Zarattini é deputado federal
Investigação confirma denúncias do GGN sobre "plataforma" de lavagem de dinheiro; grupo tentou comprar Banco Master antes de quebra.
Do Jornal GGN:
Reprodução

A Polícia Federal deflagrou nesta quarta-feira (25) a Operação Fallax, confirmando as suspeitas levantadas pelo GGN em série de reportagens investigativas. O principal alvo das buscas é Rafael de Gois, CEO e fundador do Grupo Fictor, suspeito de chefiar uma estrutura financeira que movimentou R$ 500 milhões e serviu como “plataforma” de lavagem de dinheiro para a facção criminosa Comando Vermelho (CV).
Ao todo, os agentes cumprem 43 mandados de busca e apreensão e 21 mandados de prisão preventiva em São Paulo, Rio de Janeiro e Bahia. Embora Rafael de Gois e o ex-sócio Luiz Rubini sejam alvos centrais da operação, com buscas em seus endereços na capital paulista, a Justiça Federal determinou também o sequestro de R$ 47 milhões em bens e a quebra de sigilo de 172 empresas ligadas ao conglomerado.
Há meses, o GGN detalhou a fragilidade e a opacidade das operações da Fictor. A investigação jornalística apontou que o grupo operava por meio de 17 sociedades em conta de participação (SCPs), com sócios ocultos e patrimônio líquido negativo. O modelo consistia na utilização de ativos sem liquidez para capitalizar artificialmente empresas de fachada — técnica que a PF agora descreve como o cerne do esquema criminoso.
Segundo o relatório da Federal, a organização cooptava funcionários de bancos para inserir dados falsos nos sistemas, permitindo a obtenção de créditos fraudulentos em instituições como Caixa, Banco do Brasil, Bradesco, Santander e Safra. O dinheiro era “lavado” e convertido em criptoativos e bens de luxo para dificultar o rastreamento.
O aspecto mais contundente da investigação é a simbiose entre o núcleo empresarial e o tráfico de drogas. O esquema funcionava como uma lavanderia profissional: recursos oriundos do Comando Vermelho eram inseridos na rede da Fictor para ganhar aparência de legalidade.
O GGN já havia alertado para o custo de captação atípico da empresa — cerca de 30% ao ano, ou 200% do CDI. Esse patamar indicava uma necessidade desesperada de atrair recursos para sustentar o que se assemelhava a uma pirâmide financeira, ignorada pelos órgãos reguladores até o colapso iminente.
A Fictor ganhou as manchetes nacionais em novembro passado, quando tentou adquirir o Banco Master em uma operação de R$ 3 bilhões com supostos investidores árabes. O anúncio ocorreu poucas horas antes de o Banco Central decretar a liquidação extrajudicial da instituição de Daniel Vorcaro.
“A tentativa de compra do Master foi o ato final de uma estratégia megalomaníaca“, aponta a análise de Luís Nassif, do GGN. Após o fracasso da transação, a Fictor enfrentou uma crise de reputação que levou ao resgate de R$ 2 bilhões por investidores e ao pedido de recuperação judicial da Fictor Holding e Fictor Invest, cujas dívidas superam os R$ 4 bilhões.
Os envolvidos na Operação Fallax responderão por gestão fraudulenta, corrupção ativa e passiva, estelionato qualificado, lavagem de dinheiro e organização criminosa. Caso sejam condenados, as penas somadas podem ultrapassar 50 anos de reclusão.
A operação desvenda o que o GGN já classificou como a infiltração do crime organizado em estruturas sofisticadas do mercado financeiro paulista.
Do Canal do ICL:
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O Banco Master e a Refit utilizaram dinheiro do crime organizado para patrocinar um evento do Valor Econômico (do grupo Globo) em NY
Reprodução
A manchete emula apenas o padrão do Jornal Nacional, copiando a manchete do Estadão em relação a Fábio Luís Lula da Silva.
Se fosse aplicado aos regabofes da Globo, patrocinados por Daniel Vorcaro, o sentido da manchete poderia ter sido o mesmo.
Os jornais repetem, passo a passo, a escandalosa campanha da Lava Jato. Na época, a revista Veja, dirigida por Eurípides Alcântara, soltava o lixo. E o Jornal Nacional repetia, achando que, assim, não sujaria suas mãos. Agora a parceria é entre o Estadão – dirigido pelo mesmo Eurípides – e o Jornal Nacional.
O padrão Veja está nítido nessa manchete.

A matéria diz que a Polícia Federal está investigando se o tal careca do INSS teve como beneficiário final uma agência de viagens que emitiu passagens para Lulinha. Não confirma o pagamento para a agência, não estabelece uma relação sequer com Lulinha – a não ser o fato de Roberta Luchinger ter pago uma passagem para ele.
Uma não-notícia, vazada pela Polícia Federal. Apesar do discurso indignado do diretor geral da PF, de que a organização não vaza informações, ela vaza não apenas informações, mas boatos e desconfianças antes de sua comprovação. Pelo visto, Andrei Rodrigues é o último a saber.
Primeiro, a matéria não diz que a tal agência é beneficiária. Diz que a PF ainda investiga. Depois, não estabelece qualquer relação com Lulinha. Apenas informa que Roberta Luchsinger – apresentada como “amiga do Lulinha” – vale-se dos serviços de tal agência e andou pagando viagens para Lulinha através da agência.
O lance seguinte é a informação – mais que conhecida, já divulgada pelos próprios advogados de Lulinha – que o careca do INSS pagou uma viagem de Roberta e Lulinha a Portugal, para conhecer uma fábrica de cannabis, cuja produção ele teria interesse em vender no Brasil.
Por que o careca e sua lobista, Roberta Luchsinger, envolveram Lulinha? Pela mesma razão que o Master patrocinou evento da Globo, contratou escritórios de Ricardo Lewandowski e Alexandre Moraes: demonstração de prestígio. Lulinha é o filho do homem.
O Banco Master e a Refit utilizaram dinheiro do crime organizado para patrocinar um evento do Valor Econômico (do grupo Globo) em Nova York, merecendo elogios de dirigentes da Globo. E suas ligações com o submundo já eram amplamente conhecidas, ainda mais pelos analistas da Globo.
Os jornalões já provocaram uma tragédia política no país, com a ignominiosa cobertura da Operação Lava Jato. Sua repetição é uma ameaça ao Brasil formal. E, se a ignorância não fosse tão crassa, saberiam que seu reinado só acontece no Brasil formal, não na selvageria terraplanista que sucederá em caso de vitória de seu candidato Flávio Bolsonaro.
Assim como no período do Jair, serão os primeiros a pagar a conta.
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Quando diferentes vozes dizem essencialmente a mesma coisa, o debate deixa de ser debate — e passa a ser reafirmação planejada.
Do Jornal GGN:
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O texto abaixo foi construído pelo ChatGPT, de acordo com prompts que preparei e com conceitos que eu utilizei em várias matérias.
O poder da grande mídia nunca esteve apenas no que publicava.
Esteve, sobretudo, no que decidia não publicar — e em como decidia.
As redações brasileiras, especialmente nos grandes conglomerados, sempre cultivaram uma imagem pública de pluralismo interno, debate editorial e compromisso com a informação. Mas, nos momentos decisivos, o funcionamento real era muito mais simples — e muito mais concentrado.
A linha não era construída na base.
Era definida no topo.
Não existe uma sala formal onde se decide “a linha do jornal”. Não há ata, votação ou registro. Mas existe, sim, um núcleo decisório.
Historicamente, ele se organizou em torno de três polos:
Nos momentos críticos, esses polos convergem rapidamente.
A pauta do dia pode nascer na reunião de editores.
Mas o enquadramento nasce acima deles.
Não se trata, na maioria das vezes, de ordens explícitas. O mecanismo é mais sofisticado: um sistema de incentivos e limites implícitos, conhecido por qualquer jornalista experiente.
Todo mundo sabe até onde pode ir.
E, mais importante, até onde não deve ir.
2. O processo de filtragem
A construção de uma narrativa passa por etapas invisíveis:
1. Seleção
=> Aqui já ocorre a primeira distorção estrutural.
2. Hierarquização
=> A importância do fato é construída editorialmente.
3. Enquadramento
=> Um mesmo fato pode gerar narrativas opostas.
4. Repetição
=> É aqui que nasce o senso comum.
Esse processo não exige conspiração. Exige consistência.
3. As campanhas silenciosas
Os momentos mais reveladores não são os escândalos. São as campanhas.
Campanhas não declaradas, mas facilmente identificáveis para quem acompanha o fluxo contínuo da cobertura.
Elas têm características claras:
Foi assim em diferentes momentos da história recente.
Na década de 2010, por exemplo, a cobertura da Operação Lava Jato ultrapassou o registro factual e se transformou em narrativa estruturante da política brasileira.
O noticiário deixou de ser episódico. Tornou-se permanente.
E, nesse ambiente, a distinção entre informar e conduzir começou a desaparecer.
4. O circuito fechado de legitimação
Um dos mecanismos mais poderosos da grande mídia sempre foi o que se poderia chamar de “circuito fechado de validação”.
Funciona assim:
Resultado: o que começou como narrativa torna-se “fato institucional”.
Esse circuito foi fundamental, por exemplo, na construção do ambiente que levou ao impeachment de Dilma Rousseff.
A legalidade foi sustentada.
Mas a legitimidade foi construída.
5. O papel das fontes — quem fala e quem não fala
Outro bastidor crucial está na escolha das fontes.
A pluralidade formal muitas vezes esconde uma homogeneidade real.
Economistas ouvidos? Frequentemente do mesmo campo.
Juristas? Os mesmos nomes recorrentes.
Analistas políticos? Inseridos no mesmo universo ideológico.
Isso cria um efeito poderoso:
=> a aparência de consenso
Quando diferentes vozes dizem essencialmente a mesma coisa, o debate deixa de ser debate — e passa a ser reafirmação.
6. Publicidade: o filtro invisível
Nenhum grande grupo de mídia opera desconectado de sua base econômica.
A dependência de grandes anunciantes — bancos, montadoras, varejo, telecom — nunca precisou se traduzir em censura direta. Ela opera de forma mais sutil:
É um tipo de autocontenção estrutural.
Não é preciso mandar calar.
Basta criar um ambiente onde falar custa caro.
7. A relação com o poder institucional
Os bastidores da mídia também passam pelos corredores do poder.
Relações com:
Essas relações não são necessariamente ilegítimas. Em muitos casos, são parte do jogo institucional.
Mas tornam-se problemáticas quando passam a influenciar:
Na fase mais intensa da Lava Jato, o fluxo de vazamentos foi um exemplo claro dessa engrenagem.
8. Quando o controle escapa
O modelo funcionou por décadas porque era centralizado.
Mas ele começou a ruir quando a informação deixou de depender exclusivamente da mídia tradicional.
Redes sociais, plataformas digitais e comunicação direta quebraram o monopólio.
E, com isso, expuseram os bastidores.
A ascensão de Jair Bolsonaro foi, em grande medida, produto dessa ruptura.
Pela primeira vez, um projeto político relevante se construiu contra a mediação tradicional — e venceu.
Foi um choque estrutural.
9. O novo bastidor: o algoritmo
Com o declínio da mídia tradicional, os bastidores não desapareceram.
Eles mudaram de lugar.
Hoje, o poder de filtragem está cada vez mais nas mãos de plataformas como Google e Meta.
Mas com uma diferença crucial:
=> antes, era possível identificar quem decidia
=> agora, a decisão está embutida em sistemas opacos
O editor virou código.
E o critério virou engajamento.
10. Epílogo — o poder que não se vê
Os bastidores da grande mídia nunca foram uma conspiração clássica.
Foram algo mais eficiente:
um sistema de poder internalizado, reproduzido diariamente por rotinas, incentivos e limites.
Um sistema que:
Sem precisar aparecer.
Agora, esse sistema perde força.
Mas o aprendizado que ele deixa é essencial:
=> o poder mais eficaz não é o que grita.
=> é o que define, silenciosamente, o que pode ser dito.
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