quinta-feira, 3 de setembro de 2026

UOL: Vorcaro diz que doação (feita por ele) a Bolsonaro e Tarcísio foi propina negociada com Kassab

 

Do UOL:

O ex-banqueiro Daniel Vorcaro afirma em sua proposta de delação premiada que a doação de R$ 5 milhões para as campanhas de Tarcísio de Freitas (Republicanos) e Jair Bolsonaro (PL) na campanha de 2022 têm origem em negociação de propina. Na campanha de 2022, Tarcísio recebeu R$ 2 milhões e Jair Bolsonaro R$ 3 milhões em doações de Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro e um dos investigados na operação Compliance Zero. De acordo com Daniel Vorcaro, essas doações foram "contrapartidas financeiras" pagas após um "ajuste indevido com Gilberto Kassab para a manutenção do Credcesta no governo Tarcísio".



Em áudio, Nikolas Ferreira, bolsonarista, chama Daniel Vorcaro de ‘lindão’ e pede liberação de ativo de minério. Veja aqui a reportagem de Juliana Dal Piva, do ICL

 

Deputado federal bolsonarista Nikolas Ferreira intermediou conversa entre seu ex-assessor e banqueiro do Master

Do ICL:

Em áudio, Nikolas chama Vorcaro de ‘lindão’ e pede liberação de ativo de minério


 

Reportagem de Juliana Dal Piva


O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) pediu que o banqueiro Daniel Vorcaro ajudasse seu advogado e ex-assessor de seu gabinete, Thiago Rodrigues de Faria. Nas palavras do deputado bolsonarista, era necessária ajuda do dono do banco Master para liberar “um ativo de minério”. No áudio, enviado no dia 30 de março de 2025, ao qual a coluna teve acesso com exclusividade, Nikolas chama o banqueiro de “Dani” e de “lindão” e diz que “quer ter mais proximidade” com Vorcaro.

No áudio, Nikolas diz: “Ei Dani, tudo bom? Como você está? Como estão as coisas aí? Desculpa te incomodar num domingo aí, é jogo rápido, também não quero tomar muito seu tempo. É o seguinte, meu amigo, meu advogado, enfim, irmão meu aqui, comentou comigo e falou daqui do seu nome. Eu falei: ‘não conheço o Dani, enfim, não tenho a proximidade assim, até mesmo a que eu queria ter, enfim, de conversar e trocar ideia, mas eu o conheço.’ Ele falou: ‘cara, tô com um ativo minerário lá, inclusive já passou pela ficha técnica, o pessoal técnico dele, enfim, tá pendente lá, tem algumas pessoas que sabem disso lá na empresa.’ E eu falei: ‘não, ué, eu posso dar um toque nele’. Então assim, não sei nem do que se trata, mas enfim é como é uma pessoa, enfim, que eu confio totalmente, tô passando aí pra você, pra se for do teu interesse, passar o contato dele aqui pra vocês tocarem isso, beleza? No mais, qualquer coisa tô aqui à disposição”

Nikolas envia o áudio e Vorcaro responde minutos depois com um áudio de visualização única. Na sequência, Nikolas agradece e envia o contato de Thiago Faria. Vorcaro então responde: “Amém irmão. Estamos na guerra juntos”. Nikolas escreve que vai “dar banho na pequena agora” e completa na sequência: “pra amanhã voltar pra guerra”. A conversa termina com Vorcaro dizendo ao deputado para “Thiago me chamar”.

No dia seguinte, 1 de abril de 2025, Nikolas avisa que Thiago estará em Brasília e “qualquer horário ele estará disponível”. O banqueiro responde um dia depois dizendo: “Deixa comigo”.

Pelo conjunto de mensagens, não é possível saber se Vorcaro ajudou no pedido do assessor de Nikolas. No áudio enviado ao banqueiro, Nikolas também fez questão de se desculpar com Vorcaro por postagens que haviam gerado críticas do dono do Master a ele em abril de 2024 quando o deputado criticou um evento financiado pelo banco em Londres e que contou com a presença de ministros do STJ, STF e TSE.

Na mensagem de áudio, Nikolas também reiterou o arrependimento a Vorcaro: “Troquei ideia lá com o Pastor Valadão naquela época, lá naquela postagem, eu falei: ‘Pastor, eu não fazia ideia que era este o Banco do Dani etc. e tudo, se não, obviamente eu não teria postado, já teria conversado anteriormente’, mas enfim, acabou que a palavra dita não tem como voltar, né? Mas espero que tenha sido esclarecido, enfim, depois vamos marcar da gente se encontrar também, tá bem? Um abraço, lindão.”

A coluna enviou  cinco perguntas para Thiago Faria e Nikolas. Faria disse que Nikolas está em campanha e não iria incomodá-lo. “Essas perguntas são nada a ver”, disse. “O Vorcaro é de Belo Horizonte e eu sou de Belo Horizonte e a gente conhece todo mundo. Uma vez eu, enfim, tinha um ativo minério porque eu trabalho nessa área de mineração e mandei um ativo minerário pra todo mundo de um contrato que todo mundo sabe que já saiu de uma pessoa que teve um problema e ao qual eu nunca fui chamado para depor na PF porque eu não tenho nada a ver com isso”, finalizou Faria, em um áudio enviado para a coluna.

Assessor de Nikolas envolvido na Operação Rejeito

Faria teve seu nome exposto por envolvimento com empresas e investigados que foram presos na Operação Rejeito, deflagrada em setembro de 2025, alguns meses depois da troca de mensagens.

A PF prendeu 22 pessoas preventivamente em meio a uma investigação de um esquema criminoso de extração ilegal de minério de ferro na Serra do Curral, em Nova Lima, na Região Metropolitana de Belo Horizonte.

Segundo uma reportagem do jornal O Estado de Minas, Thiago Rodrigues de Faria atuou como intermediário, por meio de um contrato de confiabilidade, de uma negociação envolvendo uma lavra de minério e empresas investigadas pela PF nessa operação. Uma delas é a Gmais Ambiental. Pelo trabalho do assessor de Nikolas, os verdadeiros donos não teriam os nomes publicizados.

De acordo com os investigadores, a Thiago Rodrigues Sociedade Individual de Advocacia  tinha um contrato, assinado em janeiro de 2025 com a Gmais, e receberia 25% do lucro total, estimado entre de US$ 30 e US$ 45 milhões, caso a autorização para que uma área pudesse voltar a minerar e uma lavra fosse vendida.

No inquérito da PF, está descrito: “chamaram a atenção os valores prováveis da negociação sobre os quais os apresentantes seriam remunerados. O valor inicial era de US$ 30.000.000,00 podendo ultrapassar os US$ 45M, valor que geraria 20% de comissão aos parceiros Gmais, Estabil escritório contábil e Thiago Rodrigues advocacia”, diz um trecho do inquérito.

Esse contrato entre a Gmais e a empresa do assessor de Nikolas também tinha como sócia a mineração Topázio Imperial, que detém os direitos minerários de uma lavra onde está localizada uma das barragens de maior risco de Minas Gerais, a barragem Água Fria, considerada um dos sete barramentos com maior risco de rompimento no Brasil. Na época, estava sem operação por ação do MPF.

Ainda de acordo com a PF, o grupo queria vender a lavra da Topázio para exploração. No entanto, era necessário liberar a empresa, detentora dos direitos minerários de lavra em Ouro Preto, no Distrito de Rodrigo Silva.

Leia também


Desmascarando: IMAGEM DE MENDONÇA VAI PARA A LAMA COM O VAZAMENTO DE SEU ENCONTRO SECRETO COM VORCARO

 

Sobre o cinismo e hipocrisa do terrivelemente evangélico e fundamentalista bolsonarista André Mendonça e seus abusos para proteger Flávio Bolsonaro

Do Canal Desmascarando




Qual a lógica da imprensa (Globo, Folha, Estadão, etc.), na campanha pró-Flávio Bolsonaro?, por Luís Nassif

 

É um método que, de tão primário, torna-se humilhante para o jornalismo. Como se pôde chegar a uma manipulação tão rasteira e escancarada?

Do Jornal GGN:

    Jean-Michel Basquiat


 Não resta a menor dúvida sobre a ação articulada dos grandes veículos de mídia em favor da candidatura de Flávio Bolsonaro. As digitais estão evidentes na tentativa de criar um falso escândalo — o chamado caso Lulinha — e equipará-lo artificialmente às investigações sobre Flávio Bolsonaro.

Trata-se de uma farsa explícita, alimentada pelo ministro André Mendonça e endossada acriticamente pela imprensa.

É um método que, de tão primário, torna-se humilhante para o jornalismo brasileiro. Como se pôde chegar a uma manipulação tão rasteira e escancarada?

Se não houvesse fatores estruturais em jogo, a irracionalidade seria total. A imprensa só floresce em ambiente democrático e com o regular funcionamento das instituições. É nesse ecossistema que ela exerce influência e relevância — fiscalizando e pressionando o Judiciário, o Legislativo e os governos, além de alavancar seus negócios e patrocínios. Em um ambiente selvagem — como tende a ser o país sob a hegemonia do crime organizado e de milícias —, anula-se qualquer veleidade de influência e respeitabilidade do jornalismo.

Para além da miopia conjuntural, quais razões explicam esse alinhamento? Entremos no campo das hipóteses explicativas:

Hipótese 1 — A ameaça externa e o compliance da geopolítica

Conforme detalhei no artigo “A imprensa na guerra híbrida”, uma das hipóteses é a pressão do Departamento de Estado norte-americano.

Em novembro de 2017, no julgamento do ex-presidente da CBF José Maria Marin e de outros dirigentes em Nova York, o argentino Alejandro Burzaco, ex-presidente da Torneos y Competencias e delator da Justiça americana, afirmou sob juramento que Globo, Televisa e Torneos teriam participado de um pagamento de US$ 15 milhões a Julio Grondona, então vice-presidente da FIFA e presidente da AFA. Segundo Burzaco, o pagamento estava relacionado à obtenção de direitos de mídia das Copas do Mundo de 2026 e 2030.

Agora, com as medidas de Donald Trump convertendo empresas norte-americanas em braços diretos da geopolítica de Washington, elevou-se drasticamente o risco sobre as empresas de mídia brasileiras. Como escrevi no artigo:

“Uma reunião entre o Departamento de Estado e executivos; uma audiência parlamentar; uma carta de congressistas; uma declaração pública de Rubio; uma investigação da USTR; ou simplesmente a pergunta de um funcionário americano — ‘sua companhia está financiando organizações envolvidas na censura de cidadãos americanos?’ — pode bastar para que departamentos jurídicos recomendem suspender publicidade. Não seria uma sanção formal. Seria compliance induzido pelo Estado”.

Hipótese 2 — O fator Faria Lima e a grande lavanderia financeira

A gestão de Roberto Campos Neto à frente do Banco Central abriu as comportas para dois tipos de negócios:

O primeiro foi a proliferação desregulada de novas figuras financeiras: Sociedades de Crédito Direto (SCDs), Sociedades de Empréstimo entre Pessoas (SEPs), Instituições de Pagamento (IPs), estruturas de Banking as a Service (BaaS), multiplicação de bancos digitais sem carta bancária tradicional e toda sorte de securitizadoras.

O segundo foi a transformação de parcela do mercado em uma engrenagem de lavagem de dinheiro, atendendo tanto ao crime organizado quanto à blindagem de ganhos fiscais e financeiros de pessoas físicas e jurídicas.

A defesa da candidatura de Flávio Bolsonaro se prenderia, assim, à preservação dessa imensa lavanderia.

Hipótese 3 — O banquete das privatizações e os grandes negócios com o Estado

A aliança com grandes bancos de investimento mira os grandes negócios com o patrimônio público: a liquidação e privatização da Petrobras, do Banco do Brasil e da Caixa Econômica Federal.

Hipótese 4 – enfraquecimento preventivo

É uma velha tática. A campanha visa ou derrotar Lula ou, na melhor das hipóteses, registrar um Lula vitorioso, porém enfraquecido.

Seja qual for a combinação de motivos, a atual campanha eleitoral é a pá de cal em qualquer veleidade da grande imprensa de resgatar o papel do jornalismo em meio à barafunda de desinformação das redes sociais. Veículos como The New York Times, Financial Times, The Times, El País e The Guardian mantiveram princípios básicos: apuro da notícia, rigor de análise, respeito à relevância factual e recusa a embarcar em fake news primárias — exatamente o oposto do que faz a mídia brasileira ao inflar o falso caso Lulinha.

O jornalismo passa a ser tratado como mero instrumento temporário para viabilizar o próximo salto corporativo do grupo. Cumprida essa etapa, descarta-se a verdade e o próprio jornalismo por desnecessário.

Lula no Jornal Nacional

Um exemplo de como o jornalismo da Globo não respeita nem jornalistas experientes. A maior parte da entrevista de Lula ao Jornal Nacional foi sobre as fake news distribuídas pela Polícia Federal. Todas as perguntas versavam sobre escândalos. Nenhuma sobre planos de governo.

Depois, na avaliação dos jornalistas de O Globo, saiu esse primor.

Thomas Traumann (Nota 2): “Desacostumado a entrevistas duras, o presidente Lula passou a maior parte do tempo na defensiva, respondendo sobre casos de corrupção envolvendo seu filho e ex-chefe de gabinete. Encerrou se perdendo no tempo das considerações finais”

E não havia a alternativa para Lula desconsiderar o baixíssimo nível das perguntas.

LEIA TAMBÉM:

Os abusos de André Mendonça e o risco (calculado) de anular a Operação Master, salvando Flávio Bolsonaro. Artigo de Luís Nassif

 

Passou ao largo da mídia a enorme sequência de ilegalidades cometidas por André Mendonça ao quebrar o sigilo do inquérito do Banco Master.

Do Jornal GGN:

    Reprodução - Daniel Vorcaro e André Mendonça


Em países primários, rituais jurídicos são interpretados pela mídia como meras formalidades, e não como resultado de séculos de discussão da ciência do direito.

É esse tipo de pensamento que foi responsável pelas dezenas de linchamentos perpetrados pela mídia ao longo das últimas décadas.

Por isso mesmo, passou ao largo da mídia a enorme sequência de ilegalidades cometidas por André Mendonça, ao quebrar o sigilo do inquérito do Banco Master envolvendo seu colega Alexandre Moraes.

Os abusos cometidos foram inúmeros.

Vamos a um levantamento com o auxílio da IA:

A. Qual seria o rito correto

1. Indícios que atingem autoridade com foro no STF (Moraes, PGR, DG-PF)

  • Nada de aprofundamento de ofício. O achado fortuito (serendipidade) impõe remessa imediata ao juízo competente e cisão do feito (art. 80 do CPP).
  • Contra Ministro do STF, a competência penal originária é do próprio STF (art. 102, I, “b”, CF) e a iniciativa é exclusiva do PGR (art. 129, I, CF): inquérito só se instaura por requerimento do Procurador-Geral, com supervisão judicial — nunca por deliberação solitária do relator.
  • Por envolver membros da Corte, o encaminhamento correto era questão de ordem ao Plenário (ou à Turma competente), submetendo a diligência ao colegiado antes de qualquer ato.

2. A determinação de mapear destinatários das mensagens

  • O art. 3º-A do CPP (Pacote Anticrime) veda expressamente a iniciativa do juiz na fase de investigação e a substituição da atuação probatória do órgão de acusação. A diligência só poderia partir de representação da PF ou requerimento da PGR.
  • A decisão precisaria ser fundamentada e limitada ao objeto autorizado da interceptação (art. 2º, parágrafo único, Lei 9.296/96) — não pode servir de porta de entrada para investigar quem não era alvo.

3. A retirada do sigilo da PET 16.662/DF

  • Interceptações correm em autos apartados, sob segredo de justiça (art. 8º, Lei 9.296/96). O levantamento deveria ser parcial, fundamentado e precedido de vista ao MP e à defesa — que, segundo o artigo, sequer tinha acesso integral ao material.
  • Trechos sem pertinência probatória deveriam ser preservados ou inutilizados por decisão judicial (art. 9º), justamente para proteger terceiros e não investigados.

4. Posição pessoal do relator

  • Havendo interesse próprio ou atrito institucional com os alcançados pela medida, o caminho era declarar-se impedido/suspeito (arts. 252 e 254 do CPP) ou submeter a condução ao colegiado — não conduzir sozinho.

B. Tipificações a que está sujeito (em tese)

Lei de Abuso de Autoridade (nº 13.869/2019) — todos exigem o dolo específico do art. 1º, §1º (prejudicar outrem, beneficiar-se ou mero capricho); o §2º ressalva que divergência de interpretação da lei não é abuso:

  • Art. 27 — instaurar/requisitar procedimento investigatório sem indícios ou sem competência: detenção de 6 meses a 2 anos e multa. (já no artigo)
  • Art. 25 — obtenção de prova por meio manifestamente ilícito: reclusão de 1 a 4 anos e multa — a pena mais grave do conjunto, e a que dialoga diretamente com a tese de nulidade.
  • Art. 28 — divulgar gravação ou trecho sem relação com a prova que se pretende produzir, expondo a intimidade: detenção de 6 meses a 2 anos e multa. É o tipo mais preciso para o vazamento seletivo.
  • Art. 30 — dar início a persecução sem justa causa fundamentada: detenção de 1 a 4 anos e multa.

Legislação de interceptações

  • Art. 10 da Lei 9.296/96 — quebrar segredo de justiça de interceptação sem autorização ou com objetivo não autorizado: reclusão de 2 a 4 anos e multa. Por especialidade, prevalece sobre o art. 325 do CP quanto ao material interceptado — este é o ponto que falta no Quadro de Penas.

Código Penal

  • Art. 325 — violação de sigilo funcional: detenção de 6 meses a 2 anos ou multa (§2º agrava se por meio eletrônico com dano). (já no artigo)
  • Art. 319 — prevaricação, se o ato contra disposição de lei visou satisfazer interesse ou sentimento pessoal: detenção de 3 meses a 1 ano e multa. (já no artigo)

Responsabilidade político-administrativa

  • Lei 1.079/1950, art. 39, item 5 — proceder de modo incompatível com a honra, dignidade e decoro da função: julgamento pelo Senado (art. 52, II, CF), perda do cargo e inabilitação por até 8 anos.
  • Registre-se que o CNJ não tem competência disciplinar sobre Ministro do STF (art. 103-B, §4º, CF) — daí o impeachment ser a única via administrativa real.

Todos os crimes comuns seriam de ação penal pública incondicionada, a ser deflagrada pelo PGR perante o próprio STF.

  • Risco central: como as provas derivam do celular apreendido, a usurpação de competência pode acionar a teoria dos frutos da árvore envenenada. A nulidade já foi requerida pelo PGR.



Mais uma vez o golpismo explícito da poderosa midiática Vênus Platinada: A jornalista Neide Duarte, ex-repórter da Globo, acusa a emissora de tentar “derrubar Lula”

 

Neide Duarte criticou sabatina do presidente no JN e questionou uso de informações (seletivamente) vazadas de investigação da PF como elemento para levantar suspeitas

Do Jornal GGN:


    Neide Duarte, jornalista. Foto: Zé Paulo Cardeal/Globo - via memoriaglobo

A jornalista Neide Duarte, que trabalhou por décadas na Globo e passou por alguns dos principais telejornais da emissora, criticou publicamente a condução da entrevista do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Jornal Nacional.

Em publicação nas redes sociais, Neide afirmou que a emissora estaria novamente empenhada em uma “batalha para derrubar Lula” e questionou o espaço dado durante a sabatina a informações relacionadas a uma investigação da Polícia Federal.

A manifestação foi publicada após a participação de Lula no programa Entrevista com o Candidato, conduzido pelos jornalistas César Tralli e Renata Vasconcellos. O presidente foi entrevistado no contexto da cobertura eleitoral, e parte da conversa abordou suspeitas relacionadas a Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, filho do presidente.

Para Neide, entretanto, a abordagem adotada pelos entrevistadores teria privilegiado elementos ainda não comprovados em detrimento das propostas apresentadas pelo candidato. “A metade da entrevista foi sobre pedaços de frases, fotografias, suspeitas, nenhuma prova”, escreveu a jornalista.

A crítica se concentrou especialmente no uso de informações provenientes de uma investigação policial. Neide questionou se trechos de informações atribuídas à Polícia Federal poderiam ser tratados como evidências definitivas e ironizou a classificação da abordagem como “jornalismo investigativo”.

A jornalista também levantou questionamentos sobre a própria atuação das autoridades envolvidas na apuração. “Todos os policiais da Polícia Federal são incorruptíveis???? Vocês garantem???”, escreveu.

A manifestação não apresenta, contudo, evidências de que a Globo tenha adotado deliberadamente uma estratégia institucional para prejudicar Lula. A afirmação de que existiria um “plano” aparece como interpretação e acusação feita pela própria jornalista a partir da forma como ela avaliou a entrevista.

Imagem: Instagram @neideduarte8

Neide questiona espaço dado às suspeitas sobre Lulinha

Um dos principais pontos levantados por Neide Duarte foi a investigação envolvendo Fábio Luís. Segundo ela, a quebra de sigilo bancário determinada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, não teria encontrado elementos que comprovassem as suspeitas levantadas contra o filho do presidente.

“O Mendonça quebrou o sigilo bancário do Fabio Luis em janeiro e não encontrou NADA. Mas vocês continuam nessa batalha para derrubar Lula. Descaradamente agora”, afirmou.

A jornalista também criticou a repercussão posterior da entrevista nos canais de notícias da Globo. Segundo Neide, a programação teria dedicado tempo excessivo justamente aos trechos relacionados às suspeitas, enquanto as respostas de Lula sobre questões de governo teriam recebido menos atenção.

“Tudo o que Lula tentou dizer sobre Brasil, educação, economia, segurança, parece que a maior emissora de TV do país não deu nenhuma importância”, escreveu.

Para ela, a cobertura teria deixado em segundo plano as propostas apresentadas pelo presidente e candidato à reeleição.

A questão ganha peso no caso de Lula pela trajetória da relação entre o presidente e a Globo. Ao longo de diferentes períodos eleitorais, a cobertura da emissora já foi objeto de críticas tanto de setores da esquerda quanto de outros grupos políticos.

A crítica recupera uma discussão histórica sobre o papel da imprensa brasileira em períodos eleitorais: até que ponto a cobertura jornalística deve concentrar-se na investigação de denúncias e suspeitas envolvendo candidatos, e em que momento essa abordagem pode acabar determinando a própria agenda eleitoral?

Em sua manifestação, Neide encerrou a crítica relacionando a atuação da imprensa ao risco de uma nova ascensão da extrema direita no país. “Se este país cair outra vez nas mãos da extrema direita estúpida, inimiga da educação, da cultura, dos projetos sociais, nós, brasileiros, saberemos identificar os responsáveis por isso”, escreveu.

A crítica ganha repercussão adicional pela trajetória profissional de sua autora. Neide Duarte entrou na Globo em 1980 e permaneceu na emissora até 1996. Ao longo desse período, trabalhou em programas como Jornal Nacional, Globo Rural, Bom Dia Brasil, Jornal Hoje e SPTV, além de atuar como repórter especial do Globo Repórter e do Fantástico. Ela também passou pelo SBT e pela TV Cultura antes de retornar à Globo em 2005. Permaneceu na emissora até 2022.

Mensagens revelam reunião SECRETA entre André Mendonça e Daniel Vorcaro. Reportagem de Ana Gabriela Sales, no Jornal GGN

 

Diálogos mostram que empresário Daniel Vorcaro e ministro do STF se encontraram em endereço privado de SP após intermediação de aliados

Do Jornal GGN:


Mensagens revelam reunião secreta entre Mendonça e Vorcaro


    André Mendonça em foto de Nelson Jr. - STF



Mensagens e áudios extraídos do celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, revelam que o empresário manteve ao menos um encontro reservado com o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF). O compromisso ocorreu em 14 de março de 2025, em São Paulo, teve duração aproximada de duas horas e foi sediado no endereço do Instituto ITER, entidade de ensino fundada pelo próprio magistrado. As informações são da newsletter Noites Húngaras, do jornalista Paulo Motoryn, no Substack.

A aproximação foi articulada ao longo de semanas pelo advogado baiano Ciro Rocha Soares e pelo deputado federal Cezinha de Madureira (PL-SP), liderança da Assembleia de Deus do Ministério de Madureira com relação próxima de André Mendonça. O material revela a atuação de intermediários próximos ao magistrado e o conhecimento prévio do ministro sobre temas do interesse do banqueiro.

Nesta terça-feira (1º), a relação entre o STF e a instituição financeira ganhou novos contornos institucionais quando Mendonça retirou o sigilo de um inquérito que envolve supostas mensagens trocadas entre Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes. A decisão gerou reações no meio jurídico: em análise sobre o movimento, o jornalista Luís Nassif, do Jornal GGN, apontou como a derrubada do segredo de justiça desrespeitou o devido processo legal e criou riscos substanciais de anulação de provas da Operação contra Master.

Articulação e bastidores

As tratativas começaram em fevereiro de 2025. Em áudios enviados a Vorcaro, Ciro Rocha Soares registrou encontros com Mendonça em Brasília e em uma alfaiataria paulistana, afirmando que estava “trabalhando” pelo banqueiro. O advogado declarou ainda ter deixado o ministro “balançado” ao relatar os problemas enfrentados pelo Banco Master junto ao Banco Central, assunto que, segundo Ciro, também já havia sido apresentado pelo deputado Cezinha de Madureira.

As mensagens mostram forte relação de intimidade entre Ciro e Vorcaro. Em meio às negociações de agenda, o advogado referiu-se ao empresário como “irmão caçula“, enquanto Vorcaro definiu o interlocutor como seu “anjo da guarda“.

Em meados de fevereiro, Ciro tentou organizar um primeiro encontro com a presença de Bruno Bianco Leal, ex-ministro da Advocacia-Geral da União (AGU) no governo Jair Bolsonaro e advogado do Banco Master. Os registros confirmam o agendamento, mas não há dados de geolocalização que comprovem a realização dessa primeira audiência.

O encontro na Alameda Santos

A reunião presencial confirmada ocorreu no mês seguinte. Em 13 de março, Cezinha de Madureira avisou Vorcaro sobre o compromisso agendado para o dia seguinte, às 17h, no 16º andar do edifício localizado na Alameda Santos, 647, sede do Instituto ITER.

Registros de mensagens entre o banqueiro e seu motorista confirmam o deslocamento até o local e a permanência na edificação entre 16h43 e 18h40 do dia 14 de março. “Ministro já está te esperando“, escreveu Cezinha ao empresário momentos antes da sua chegada.

Outro lado

Em nota oficial, o gabinete do ministro André Mendonça confirmou ter recebido Daniel Vorcaro uma única vez, em março de 2025, a pedido do próprio empresário. O texto informa que o ministro se limitou a ouvir o banqueiro sobre a Suspensão de Tutela Provisória (STP) 976, ação do STF que discutia créditos de precatórios do interesse da instituição financeira.

O gabinete ressaltou que a atuação jurisdicional de Mendonça no caso foi contrária aos interesses do empresário e que o ministro não comenta diálogos de terceiros. O advogado Ciro Rocha Soares e Cezinha de Madureira não se manifestaram.

Atualização às 13h59: A reportagem esclarece que Valéria Linhares não possui ou possuiu vínculo matrimonial com o deputado Cezinha de Madureira.

LEIA TAMBÉM:

Reinaldo Azevedo – Chapa de Vorcaro e Mendonça em alfaiate de luxo; ministro: suas decisões e atos são prova de isenção? E a "grande mídia"? Repetindo a Lava Jato....

 

Da Rádio BandNews FM:




quarta-feira, 2 de setembro de 2026

Portal do José: LAMBANÇA! MENDONÇA "ATIRA" EM MORAES E ACERTA FLAVIO! DERROTA BOLSONARISTA: FIM DA 6X1 AVANÇA!

 

Do Portal do José:




Revista Fórum - EXCLUSIVO: Instituto de André Mendonça foi contratado sem licitação por R$ 380 mil pela Secretaria de Gestão de Ricardo Nunes

 

Usando mesmo artifício jurídico do governo Tarcísio de Freitas, Ricardo Nunes contratou, sem licitação, Instituto Iter, de André Mendonça, para ministrar dois cursos em três meses. Estudo técnico, que atestou "inexigibilidade de licitação", mostra treinamentos similares com valores menores e maior carga horária.

    André Mendonça e Ricardo Nunes em evento da Lide, de João Doria - André Mendonça e Ricardo Nunes em evento da Lide, de João Doria (Marina Uezima / Brazil Photo Press via AFP)



DINHEIRO PÚBLICO

EXCLUSIVO: Instituto de André Mendonça foi contratado sem licitação por R$ 380 mil pela Secretaria de Gestão de Ricardo Nunes


Por: Plínio TeodoroPublicado: 02/09/2026 - às 06h54Atualizado: 02/09/2026 - às 07h26


O Instituto Iter, fundado por André Mendonça em 2023, quase dois anos após o ex-ministro de Jair Bolsonaro assumir uma cadeira no Supremo Tribunal Federal (STF), firmou um contrato sem licitação com a gestão Ricardo Nunes (MDB), na Prefeitura de São Paulo, no valor de R$ 380 mil para desenvolver dois cursos de aperfeiçoamento aos servidores municipais no prazo de 3 meses. Os dados são públicos e foram levantados pelo Fórum Investiga, núcleo de jornalismo investigativo da Fórum.

O contrato foi assinado em 24 de setembro de 2025 por Victor Godoy Veiga, que assumiu como CEO do Instituto Iter após atuar como ministro da Educação de Jair Bolsonaro. Pela prefeitura paulistana, o documento foi assinado digitalmente pela secretária Municipal de Gestão, a advogada Marcela Cristina Arruda Nunes – leia a íntegra do contrato entre a Prefeitura de São Paulo e o Instituto Iter.

O valor total, já empenhado no documento, foi de R$ 380 mil para “prestação de serviços especializados de treinamento e aperfeiçoamento de agentes públicos municipais, por meio da oferta dos cursos “Governança e Gestão Estratégica em Contratações Públicas” e “Excelência na Gestão e Fiscalização Contratual”, realizados no âmbito das ações formativas de competência da Escola Municipal de Administração Pública de São Paulo – EMASP”.

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O contrato previa 41 vagas, ao custo de R$ 200 mil, para o curso de “Governança e Gestão Estratégica em Contratações Públicas”, com um total de 5 horas. A capacitação deveria ser realizada de forma presencial ao custo de R$ 4.878 por participante.

Já para o curso de “Excelência na Gestão e Fiscalização Contratual”, ao custo de R$ 180 mil, teriam sido ofertadas 64 vagas para cada capacitação de 16 horas. O curso individual foi R$ 2.813 por participante.

O prazo de vigência do contrato foi determinado em 3 meses, contados a partir da assinatura do contrato “podendo ser prorrogado, desde que justificado”.

Inexigibilidade

Para dispensar a licitação para prestação do serviço, a gestão Ricardo Nunes lançou o mesmo artifício jurídico do governo Tarcísio Gomes de Freitas (Republicanos), que justificou com a mesma Lei nº 14.133/2021 a inexigibilidade para firmar um contrato no valor de R$ 1.630.758,00 em 14 de maio deste ano com a Fundação Para o Desenvolvimento da Educação (FDE).

Um Estudo Técnico Preliminar (ETP), disponível no Portal Nacional de Contratações Públicas (PNCP), apresenta os motivos que justificaram a contratação direta do Instituto de André Mendonça, mesmo com cursos mais baratos e de maior carga horária disponíveis no mercado.

No item 3.3, sobre a “hipótese de contratação direta”, o estudo afirma “que os cursos disponíveis atualmente no credenciamento e no catálogo da EMASP não atendem às necessidades descritas” e lista cursos semelhantes oferecidos no merca, mas que, segundo a análise não contemplaria a contratação.

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Em relação ao Curso “Governança e Gestão Estratégica em Contratações Públicas”, o estudo cita dois cursos similares, um deles do Tribunal de Contas do Estado do Rio Grande do Sul, com maior carga horária e menor valor. Um deles, da Unieducar Inteligência Educacional, custa R$ 198,26 com carga de 40 horas a serem cumpridas em até 30 dias. O mais extenso, de 100 horas, custa R$ 495,69.

Entre as justificativas apresentadas, a prefeitura paulista diz que o curso oferecido pelo Iter tem como “diferencial importante o formato presencial e imersivo que “promove a troca de experiências entre dirigentes e especialistas, favorecendo o networking e a aplicação prática imediata dos conhecimentos”.

No site da Emasp o curso é apresentado com carga horária de 4,5 horas e a metodologia é uma “apresentação teórico-expositiva dialogada (palestra), com discussão de caso que envolva conteúdo de todos os módulos”.

Os educadores listados são o advogado Ronny Charles, que atua como coordenador dos cursos de Licitações e Contratos do Instituto Iter, e o próprio André Mendonça.

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Em outra justificativa, o estudo afirma que “enquanto os cursos das demais instituições são voltados a servidores públicos em geral, o curso do Iter é especialmente desenhado para dirigentes da alta administração, com uma abordagem estratégica voltada à tomada de decisão institucional”.

No curso “Excelência na Gestão e Fiscalização Contratual”, o parecer apresenta cinco cursos semelhantes, com maior carga horária e menor custo, no mercado. Mas, segue argumentando que o Iter se diferencia “no que diz respeito à profundidade normativa, aplicabilidade prática e alinhamento com jurisprudência de órgãos de controle, em especial do TCM-SP”.

O que o parecer não considera, entre outras inconsistências, é que o curso do Iter teria sido apresentado especificamente para atender a demanda a ser contratada, algo que outros institutos podem desenvolver com a mesma competência – leia a íntegra do estudo técnico apresentado para dispensa de licitação.

Além disso, os documentos públicos não informam como foi feita a contratação e os contatos entre a prefeitura e o Iter, se partiu de uma oferta do instituto de André Mendonça ou se a administração Ricardo Nunes procuro apenas a instituição do aliado para desenvolver o conteúdo específico.

Outro lado

A Fórum entrou em contato com a Prefeitura de São Paulo e o Instituto Iter, de André Mendonça, enviando uma série de perguntas sobre o caso.

Em nota, a Secretaria Municipal de Gestão do governo Ricardo Nunes diz que “o fundamento técnico adotado neste caso não foi a inexistência de alternativas no mercado, mas a natureza intelectual do serviço e a avaliação técnica de que a solução contratada apresentava características específicas consideradas adequadas para a capacitação dos fiscais e da alta liderança”.

A prefeitura paulistana, no entanto, não especifica se buscou outras instituições que pudessem oferecer o mesmo serviço e, tampouco, como surgiu a contratação do Iter, de André Mendonça, conforme indagado.

O Instituto Iter não respondeu as perguntas enviadas pelo Fórum Investiga até o fechamento desta reportagem. O espaço segue aberto.

Leia abaixo a íntegra da nota enviada Secretaria de Gestão da administração Ricardo Nunes e as perguntas enviadas pela Fórum à prefeitura e ao Iter.

Nota da Secretaria Municipal de Gestão

A Secretaria Municipal de Gestão (SEGES) informa que a contratação realizada pela Escola de Administração Pública da Prefeitura de São Paulo seguiu estritamente a Lei de Licitações, que autoriza a inexigibilidade de licitação para serviços técnicos especializados de treinamento e aperfeiçoamento de pessoal, de natureza predominantemente intelectual, prestados por instituição de notória especialização.

O fortalecimento do treinamento especializado para servidores públicos integra o Plano de Metas 2025-2028, e o fundamento técnico adotado neste caso não foi a inexistência de alternativas no mercado, mas a natureza intelectual do serviço e a avaliação técnica de que a solução contratada apresentava características específicas consideradas adequadas para a capacitação dos fiscais e da alta liderança — hipótese amplamente aprovada pelos Tribunais de Contas.

Importante destacar que a análise técnica não se restringiu a critérios quantitativos, como preço ou carga horária, mas considerou também aspectos como metodologia, conteúdo, público-alvo, abordagem pedagógica, corpo docente e aderência às necessidades específicas identificadas pela Pasta. A compatibilidade dos preços foi analisada conforme os parâmetros do mercado e da legislação.

Perguntas enviadas pela Fórum à Prefeitura de São Paulo:

1) O Estudo Técnico Preliminar afirma que os cursos disponíveis no credenciamento e no catálogo da EMASP não atendiam às necessidades da Prefeitura e, por isso, justificou a contratação do Instituto Iter por inexigibilidade. Como a Prefeitura chegou a essa conclusão se o próprio ETP identifica outros cursos sobre os mesmos temas, alguns com carga horária significativamente maior e valores muito inferiores? Quais critérios objetivos foram utilizados para concluir que essas instituições não poderiam atender à demanda da EMASP?

2) No caso do curso “Governança e Gestão Estratégica em Contratações Públicas”, o ETP aponta como diferencial do Iter o formato presencial e imersivo e o fato de o curso ser direcionado a dirigentes da alta administração. A Prefeitura pesquisou outros fornecedores que pudessem oferecer um curso presencial com conteúdo e público-alvo semelhantes? Em caso positivo, quais foram consultados e quais propostas apresentaram? Em caso negativo, por que essa comparação não foi realizada antes da contratação por inexigibilidade?

3) No caso do curso “Excelência na Gestão e Fiscalização Contratual”, o ETP afirma que o Iter se diferenciaria pela profundidade normativa, aplicabilidade prática e alinhamento à jurisprudência dos órgãos de controle, especialmente do TCM-SP. Como a Prefeitura comprovou que essas características não poderiam ser oferecidas por outras instituições especializadas em licitações e contratos públicos? A EMASP consultou instituições como IDP, FGV ou outras que oferecem cursos sobre gestão e fiscalização de contratos antes de concluir pela inviabilidade de competição?

4) Os documentos públicos disponíveis não esclarecem como surgiu a contratação do Instituto Iter: se a demanda partiu da Prefeitura, que procurou o instituto para desenvolver os cursos, ou se o Iter apresentou previamente a proposta à administração municipal. Qual foi a origem da contratação? Quem fez o primeiro contato, em que data ocorreu e quais reuniões, apresentações ou propostas comerciais foram realizadas antes da abertura do processo de inexigibilidade?

5) O ETP afirma que o valor estimado da contratação, de aproximadamente R$ 400 mil, foi calculado com base em contratos anteriores do Instituto Iter com outros órgãos públicos. Quais foram esses contratos utilizados como parâmetro e como eles se comparam ao contrato de São Paulo em número de participantes, carga horária, conteúdo e valor? Além disso, considerando que o ETP estimava R$ 200 mil para cada curso, quais fatores levaram o valor final do segundo curso a ser reduzido para R$ 180 mil, totalizando R$ 380 mil?

Perguntas enviadas pela Fórum ao Instituto Iter:

1) Como surgiu a contratação do Instituto Iter pela Secretaria Municipal de Gestão de São Paulo? O Iter procurou a Prefeitura para oferecer os cursos ou foi procurado pela EMASP? Informar a data do primeiro contato, os responsáveis envolvidos, as reuniões realizadas e quando foram apresentadas as primeiras propostas comerciais.

2) O contrato de R$ 380 mil foi firmado por inexigibilidade, sob a alegação de que o Iter possui especialização diferenciada para oferecer os cursos. Quais experiências, contratos anteriores, qualificações dos professores e outros elementos foram apresentados à Prefeitura para demonstrar essa especialização? O Iter pode informar quais contratos com outros órgãos públicos foram utilizados para justificar ou formar o preço apresentado à Prefeitura de São Paulo?

3) O Estudo Técnico Preliminar da Prefeitura aponta diversos cursos semelhantes oferecidos por outras instituições, inclusive alguns com maior carga horária e preços muito inferiores, e afirma que o Iter se diferencia pelo formato, conteúdo e experiência dos instrutores. Qual é, objetivamente, o diferencial do curso oferecido pelo Iter que impediria outras instituições especializadas em contratações públicas de desenvolver uma capacitação com conteúdo, metodologia e público-alvo semelhantes? O Iter considera que outras instituições poderiam oferecer esse mesmo serviço caso fossem contratadas pela Prefeitura?