A Polícia Federal deflagrou nesta terça-feira (26) a oitava fase da Operação Compliance Zero, que investiga o esquema de crimes financeiros e lavagem de dinheiro envolvendo o Banco Master. O ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro (PL) foi o principal alvo das buscas.
Os agentes federais cumpriram dez mandados de busca e apreensão no Rio de Janeiro e em Brasília, expedidos pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF). Uma das ordens judiciais foi executada na cobertura onde Castro reside, na Barra da Tijuca, zona oeste do Rio. Durante as três horas de ação no local, os policiais apreenderam dois telefones celulares.
O advogado Carlo Luchione, responsável pela defesa de Castro, informou que o ex-governador acompanhava as buscas “com serenidade”. Esta é a segunda vez em menos de 15 dias que o político é alvo da PF; no último dia 15 de maio, ele já havia sido vasculhado na Operação Sem Refino, que apura fraudes fiscais e pagamento de propinas no setor de combustíveis.
Rombo na previdência estadual
O foco desta fase da Operação é o repasse de R$ 3 bilhões do Fundo Único de Previdência Social do Estado do Rio de Janeiro (Rioprevidência) — fundo responsável pelo sustento de 235 mil aposentados e pensionistas do estado — para o conglomerado financeiro do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Master, que atualmente está sob liquidação e com o proprietário preso em Brasília.
A ofensiva é um desdobramento da Operação Barco de Papel, de janeiro deste ano, que inicialmente detectou R$ 970 milhões em aplicações suspeitas entre outubro de 2023 e julho de 2024. De acordo com a PF, a nova fase revelou que, a partir de julho de 2024, foram aportados outros R$ 2,01 bilhões em fundos da mesma instituição financeira.
“A investigação é um desdobramento da Operação Barco de Papel que identificou aportes suspeitos do Rioprevidência em Letras Financeiras de banco privado que totalizaram cerca de R$ 970 milhões, entre outubro de 2023 e julho de 2024“, informou a Polícia Federal em nota oficial.
Diferente dos tradicionais Certificados de Depósito Bancário (CDBs), as letras financeiras adquiridas pelo instituto fluminense não possuem a cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC). Com a liquidação do Master, o montante bilionário passa a ser tratado formalmente como dívida comum, o que torna a recuperação do dinheiro dos servidores públicos incerta.
Alertas ignorados e pressão política
As aplicações financeiras ocorreram mesmo sob expressas advertências do Tribunal de Contas do Estado (TCE-RJ), que havia emitido uma proibição para que o Rioprevidência injetasse novos recursos no banco privado. A divergência entre as auditorias do tribunal, que calculavam o dano em R$ 1,6 bilhão, e os R$ 3 bilhões apontados pela PF decorre da descoberta de novas movimentações ocultas identificadas pelos investigadores.
A crise respinga também na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj). O deputado estadual Flávio Serafini (PSOL) obteve o apoio necessário para a abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para auditar os critérios técnicos desses investimentos, que também teriam envolvido R$ 200 milhões oriundos da Companhia Estadual de Águas e Esgotos (Cedae). A comissão aguarda instalação formal.
O avanço das investigações aprofunda o isolamento de Cláudio Castro, que renunciou ao cargo de governador em março para evitar a cassação pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em um processo por abuso de poder político e econômico nas eleições de 2022.
Cruzando fronteiras com refugiados, testemunhando crimes contra a humanidade, viajando com papas ou cobrindo cúpulas diplomáticas, Jamil Chade percorreu mais de 70 países. Com seu escritório na sede da ONU em Genebra, ele foi eleito o segundo jornalista mais admirado do Brasil em 2025. Chade foi indicado 4 vezes como finalista do prêmio Jabuti. Ele é embaixador do Instituto Adus, membro do conselho do Instituto Vladimir Herzog e foi um dos pesquisadores da Comissão Nacional da Verdade.
Flávio e Trump: A autópsia de uma humilhação
Governo considera que viagem era apenas uma estratégia para tentar abafar o caso Master
Flávio Bolsonaro precisava de uma foto ao lado de Donald Trump para tentar virar a página na crise com seu envolvimento no escândalo do Banco Master. Conseguiu. Mas a imagem é o espelho de uma humilhação.
O chefe, sentado. Aquele que suplica um favor, ao seu lado, quase pedindo desculpas por estar presente. Sequer no mesmo nível ou de mãos dadas.
O encontro não estava na agenda oficial da Casa Branca e nunca foi colocado, mesmo depois de realizado. Um contraste com outros líderes que foram recebidos com tapete vermelho.
Flávio entrou no Salão Oval, entregou documentos sobre um apelo para que o PCC seja considerado como um grupo terroristas e fez uma foto.
Trump arranhou um sorriso. Tenso, Flávio nem isso conseguiu.
Uma segunda foto ainda contou com Paulo Figueiredo e Eduardo Bolsonaro, os articuladores de medidas contra o Brasil.
E o encontro terminou, em poucos minutos.
Flávio Bolsonaro, Paulo Figueiredo e Eduardo Bolsonaro junto com Donald Trump – Foto: Divulgação
Nas redes sociais, o presidente americano alertou sobre as condições meteorológicas, deu seu apoio a candidatos para as eleições legislativas e distribuiu memes. Mas não fez referências aos brasileiros que foram ao seu gabinete.
No Palácio do Planalto, a viagem era vista como uma “boia de salvação” para a candidatura de Flávio. Inclusive para alertar aos demais rivais de direita que ele não irá desistir de sua campanha eleitoral.
Como no restante da América Latina que optou por sucumbir ao trumpismo para chegar ou se manter no poder, o bolsonarismo já tem sua foto ao lado daquele que, de fato, dará as cartas se a extrema direita voltar ao poder no Brasil.
A imagem é a autópsia de uma humilhação de um movimento político que joga contra a soberania do país.
Flávio prometeu uma entrevista coletiva após o encontro. Mas já avisou: não responderia sobre nada além da visita aos EUA. A tal da liberdade de expressão que tanto é promovida pelo bolsonarismo parece ter se perdido pelos corredores da Casa Branca. Assim como a dignidade do candidato.
A foto que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) divulgou ao lado do presidente Donald Trump, na Casa Branca, inspirou uma enxurrada de memes nas redes sociais.
Na maior parte das montagens, Flávio é mostrado como alguém subserviente ao presidente dos Estados Unidos
A foto que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) divulgou ao lado do presidente Donald Trump, na Casa Branca, inspirou uma enxurrada de memes nas redes sociais.
Na maior parte das montagens, Flávio é mostrado como alguém subserviente ao presidente dos Estados Unidos e aparece como se fosse garçom ou entregador de delivery.
A percepção é de que o presidenciável do PL fez de tudo para conseguir um rápido encontro com Trump apenas para obter a foto que vai usar como promoção pessoal, mesmo sem ter participado de qualquer reunião com o governante estadunidense.
Nos dois retratos divulgados, Trump não se deu ao trabalho de levantar para cumprimentar Flávio, o irmão Eduardo e o blogueiro Paulo Figueiredo.
Veja abaixo alguns dos memes resultantes dessa cena constrangedora:
(Folhapress) — A Câmara dos Deputados aprovou, nesta quinta-feira (21), um projeto de lei que permite ao Ministério da Agricultura interferir e até barrar a classificação de espécies como invasoras ou em extinção, o que é uma atribuição da pasta do Meio Ambiente. O texto segue para o Senado.
A proposta é mais uma da série de textos impulsionados pela bancada ruralista nesta semana. Os projetos visam tanto incentivos financeiros para o agronegócio como o enfraquecimento de restrições ambientais.
Entre as outras propostas que avançaram nos últimos dias está o projeto que limita operações do Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente) contra desmatamento ilegal e o que reduz em quase 40% a Floresta Nacional do Jamanxim, na Amazônia paraense, e abre brecha para mineração e regularização da grilagem na região.
O pacote foi acordado pela bancada ruralista, a mais forte do Congresso, com o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB).
O ministro do Meio Ambiente, João Paulo Capobianco, classificou a investida do agro como um “rolo compressor”.
A proposta aprovada nesta quinta-feira é uma resposta à recente decisão da Conabio (Comissão Nacional de Biodiversidade), que enquadrou a tilápia dentro da lista de animais exóticos e invasores — o que por si só não veda à criação do peixe, mas permite que medidas desse tipo sejam tomadas.
No fim do ano passado, o Ministério do Meio Ambiente suspendeu temporariamente toda a lista (que abrange um total de 444 espécies) após a repercussão negativa do caso.
Inicialmente, o projeto previa que seria uma atribuição do Ministério da Agricultura realizar a “manifestação técnica prévia e conclusiva sobre quaisquer atos normativos” de classificação de espécimes, mesmo para casos de risco ambiental, biológico e sanitário.
Também previa que essa manifestação tinha caráter vinculante e que nenhuma decisão podia ser tomada em sua ausência.
O relatório do deputado Rafael Pezenti (MDB-SC), apresentado nesta quinta, alterou o texto, simplificando sua redação.
Pela nova versão do projeto, “qualquer ato normativo que possa alterar o ordenamento, o regime de produção, criação, cultivo, manejo, transporte, processamento ou comercialização de espécie utilizada em atividade produtiva dependerá, obrigatoriamente, de manifestação técnica prévia do respectivo órgão federal competente pela agricultura, pecuária, pesca, aquicultura e florestas plantadas”.
Na prática, retirou-se a previsão de uma posição vinculante ou conclusiva do Ministério da Agricultura. Porém, a pasta segue com poder de barrar as decisões, já que seu posicionamento é obrigatório e prévio dentro do processo de classificação de espécies.
A proposta ainda deverá ser regulamentada, o que, segundo integrantes da ala ambientalista do governo e do Congresso, pode permitir criar regras para essa manifestação do Ministério da Agricultura, de forma que ela não impeça o andamento das atividades ambientais.
Octavio Guedes não perdoa! O jornalista detonou a postura de Sergio Moro ao lado de Flávio Bolsonaro: "Virou papagaio de pirata!". O ex-juiz que prometia prender agora serve de escudo? Assista à análise ácida sobre esse vexame político!
Banqueiro reclamou da publicação de uma reportagem sobre o longa bolsonarista no 'Portal Leo Dias', que foi excluída posteriormente
Mensagens mostram que Vorcaro tinha envolvimento em decisões sobre filme de Bolsonaro
Por Brasil de Fato
Mensagens obtidas pelo The Intercept Brasil mostram que o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, atuou em decisões sobre a divulgação do filme “Dark Horse”, produção sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Em conversa com o empresário Thiago Miranda, CEO do Portal Leo Dias, Vorcaro reclamou da publicação de uma reportagem sobre o longa no site, em 1º de agosto de 2025. Cerca de uma hora depois, o texto foi apagado.
Como mostrou o Intercept em outra reportagem, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República, negociou com Vorcaro R$ 134 milhões para financiar o filme. Desse total, R$ 61 milhões já teriam sido pagos em seis operações.
Segundo a apuração recente do Intercept, Vorcaro financiou o filme e também acompanhou a repercussão pública do projeto. Às 12h07 daquele dia, o banqueiro enviou uma mensagem a Miranda pelo WhatsApp. “Opa tudo bem? Achei que divulgar que ta fazendo o filme muito ruim, nao acha?”, escreveu.
Miranda respondeu às 12h40 e afirmou que a divulgação contrariava um acordo interno. “Acho muito!! Tínhamos combinado de não divulgar nada. Vou entender agora com o Mário”, disse. A referência seria ao deputado federal Mário Frias, produtor-executivo do filme, que também estava em contato com Vorcaro.
Na sequência, Vorcaro voltou a reclamar. “Mas soltou no Leo. Mto ruim”, afirmou. Às 12h46, Miranda respondeu que pediria a exclusão da reportagem. “Acabei de ver. Vou pedir pra apagar”, disse. Logo depois, voltou a concordar com o banqueiro. “Vc tá certo. Como ninguém sabe de nada, eles fizeram e não passou por mim. Foi erro meu. Mas já mandei apagar”. Às 13h06, ele informou que o conteúdo havia sido removido.
Embora o texto não esteja mais disponível no Portal Leo Dias, o Intercept localizou uma cópia arquivada no Internet Archive a partir de um link compartilhado pelo jornalista Leo Dias no X.
Com o título “História de Bolsonaro vira filme nos EUA; ex-presidente será retratado como herói”, a reportagem antecipava detalhes da produção e da sinopse de “Dark Horse”. O texto dizia que Bolsonaro seria retratado como “um homem corajoso e determinado, impulsionado pela carreira política após a decepção com os rumos do seu amado país”.
A matéria citava o diretor Cyrus Nowrasteh, o produtor Michael Davis e a diretora de elenco Ricki G. Maslar. Também informava que já haviam sido escolhidos atores para interpretar Flávio, Carlos, Eduardo e Michelle Bolsonaro. O ator Jim Caviezel, que interpretaria Bolsonaro, não era mencionado.
O texto afirmava ainda que o filme reduziria as “polêmicas e controvérsias que rondam o ex-presidente” e incluiria o atentado sofrido por Bolsonaro em Juiz de Fora, em Minas Gerais. A reportagem não citava valores nem os responsáveis pelo financiamento do longa.
Mesmo após a exclusão da matéria, outros veículos reproduziram as informações publicadas pelo Portal Leo Dias. A existência do filme passou então a ser noticiada por veículos como Veja, Estadão, Folha de S.Paulo, O Globo, UOL e Metrópoles.
Por meio da advogada Hallyne Marques, o Portal Leo Dias afirmou que a reportagem foi removida após dúvidas internas sobre a apuração. “Recebemos o material de uma fonte e, como não estávamos 100% convictos da apuração, acabamos por retirar do ar. A decisão passou por Thiago Miranda, então CEO do portal”, informou em nota.
Thiago Miranda e a defesa de Daniel Vorcaro foram procurados pelo Intercept para comentar a troca de mensagens, mas não responderam até a publicação da reportagem.
O Portal Leo Dias voltou a abordar o filme apenas em dezembro de 2025, quando a crise do Banco Master já havia levado à prisão de Vorcaro. Na ocasião, imagens das gravações vazaram nas redes sociais. Um dia depois, Leo Dias publicou um vídeo com Jim Caviezel caracterizado como Bolsonaro e afirmou que o portal havia mostrado “em primeira mão” os bastidores da produção.
Em nota, o portal disse que retomou a cobertura porque as informações sobre o longa estavam mais consolidadas. “As informações sobre o filme eram mais concretas, inclusive com fotos e vídeos das gravações. Além disso, no mês de dezembro recebemos para uma entrevista ao vivo na Leo Dias TV o Flávio Bolsonaro, que falou oficialmente sobre o filme”, afirmou.
Natuza Nery revela bastidores explosivos do desespero envolvendo Flávio Bolsonaro e o medo da direita para 2026. Clima de tensão, crise e pânico nos bastidores políticos
Neste vídeo, você vai entender por que a candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência da República em 2026 pode ter chegado ao fim. A imprensa internacional não perdoou: Le Monde, Reuters, BBC News, Infobae, France 24, El País, The Economist, Al Jazeera e teleSUR estão cobrindo o escândalo do Banco Master e as relações perigosas entre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o banqueiro Daniel Vorcaro, preso na Operação Compliance Zero acusado de chefiar o maior esquema de fraude financeira da história do Brasil.
Neste documentário investigativo completo, reunimos todas as informações mais recentes de 19 e 20 de maio de 2026. Flávio Bolsonaro admitiu que visitou Daniel Vorcaro na prisão domiciliar, enquanto o banqueiro usava tornozeleira eletrônica. Áudios vazados pelo Intercept Brasil revelam Flávio chamando Vorcaro de "irmão" e cobrando repasses milionários para o filme "Dark Horse", cinebiografia de Jair Bolsonaro estrelada por Jim Caviezel. O valor total negociado chega a R134milho ̃es,epelomenosR 61 milhões foram transferidos para um fundo offshore no Texas, o Havengate Development Fund LP, controlado por Paulo Calixto, advogado de imigração de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos.
A Polícia Federal investiga se parte desse dinheiro foi usada para comprar uma mansão de R$ 3,6 milhões em Arlington, Texas, através do Mercury Legacy Trust, burlando bloqueios judiciais do STF. Eduardo Bolsonaro nega envolvimento, mas um contrato assinado por ele como produtor-executivo de Dark Horse foi revelado.
Mario Frias, deputado federal (PL-SP) e roteirista do filme, também teve áudios vazados agradecendo a Vorcaro: "Só te agradecer, meu irmão. Vamos mexer com o coração de muita gente". Inicialmente, Frias negou que Vorcaro tivesse dado "um único centavo" para o filme, mas depois recuou e admitiu o financiamento.
Jair Renan Bolsonaro, o filho 04, tornou-se réu na Justiça do Distrito Federal por falsidade ideológica, uso de documento falso e lavagem de dinheiro. Ele e o ex-sócio Maciel Alves são acusados de forjar o faturamento da empresa "Bolsonaro Jr. Eventos e Mídia" para obter empréstimos bancários que nunca foram pagos.
A pesquisa AtlasIntel/Bloomberg de 19 de maio de 2026 já mostra o impacto: Lula lidera com 48,9% contra 41,8% de Flávio em um eventual segundo turno. Antes do escândalo, Flávio tinha 47,8%.
Neste vídeo, você verá a cronologia completa do escândalo, as reações da imprensa internacional, as contradições da família Bolsonaro e o que esperar das próximas fases da investigação da Polícia Federal. A pergunta que fica: o que falta para enterrar de vez a candidatura do clã Bolsonaro?
Fontes citadas neste vídeo: Le Monde, Reuters, BBC News, Infobae, France 24, El País, The Economist, teleSUR, Al Jazeera, The Brazilian Report, Valor International, AP News, ANSA Latina, EFE.
Votação pode liberar repasses em período eleitoral
O Congresso Nacional se prepara para derrubar um veto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e liberar doações de bens, dinheiro e benefícios durante a campanha eleitoral de 2026 A votação está prevista para esta quinta-feira (21), enquanto a Marcha dos Prefeitos acontece em Brasília e reúne diversos prefeitos do país.
A proposta, defendida pelo presidente do Congresso, Davi Alcolumbre (União-AP), está incluída na Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2026, que define as regras do Orçamento da União e abre caminho para a transferência de recursos, cestas básicas, tratores, ambulâncias e outros bens mesmo nos três meses anteriores à eleição, período em que a legislação eleitoral restringe esse tipo de repasse, conhecido como “defeso eleitoral”.
Na prática, a proposta flexibiliza as regras e permite que governos mantenham transferências a municípios e entidades durante a campanha eleitoral, desde que exista alguma contrapartida, como cessão de terreno, participação financeira ou compromisso de uso público dos recursos. A mudança alcança até mesmo o pagamento de projetos bancados com emendas parlamentares.
O trecho da proposta estabelece que a distribuição de recursos e bens públicos não será considerada violação das restrições impostas pelo período eleitoral, quando a legislação normalmente impede esse tipo de repasse nos três meses que antecedem a votação. Um mecanismo semelhante já havia sido utilizado durante o governo de Jair Bolsonaro (PL), nas eleições de 2022.
Embora o governo Lula tenha apoiado a aprovação do texto no Congresso, o presidente vetou o trecho sob argumento de inconstitucionalidade e por tratar de tema eleitoral fora do escopo da LDO. Ainda assim, o Palácio do Planalto liberou parlamentares da base para apoiar a derrubada do veto.
A articulação acontece paralela à liberação de emendas parlamentares em ano eleitoral. Segundo dados do governo, R$ 25,9 bilhões já foram autorizados em 2026, dos quais R$ 11,4 bilhões foram efetivamente pagos.
Parlamentares também articulam derrubar outro veto que permite a municípios com até 65 mil habitantes e em situação de inadimplência continuarem recebendo transferências e emendas federais.
As medidas autorizam o envio de recursos federais para obras e manutenção de estradas estaduais e municipais, além de investimentos em hidrovias locais, flexibilizando limitações para que a União financie ações fora de sua responsabilidade direta.
O dinheiro pedido a Daniel Vorcaro —R$ 134 milhões— é excessivo para pagar o filme sobre Bolsonaro. Mas não daria para encobrir 5% das desculpas esfarrapadas dos filhos. Embora Flávio concorra ao Planalto e Eduardo seja candidato a suplente no Senado, ambos se aventuram no ramo da magia. Falam dez vezes antes de pensar. Cada frase é um novo gambá retirado da cartola. A análise é do colunista Josias de Souza.
A oposição tentou transformar o caso Master em arma contra Lula. Acabou descobrindo que segurava uma granada sem pino
Do ICL:
Áudio de Flávio Bolsonaro mostra que golpe, anistia e Master são uma coisa só
A oposição tentou transformar o caso Master em arma contra Lula. Acabou descobrindo que segurava uma granada sem pino
Por Cleber Lourenço
O áudio de Flávio Bolsonaro com Daniel Vorcaro mostra que golpe, anistia e Master são uma coisa só. Não porque estejam no mesmo processo, no mesmo inquérito ou na mesma planilha de Excel que algum assessor esqueceu aberta. São uma coisa só porque passaram a compor a mesma engrenagem política em Brasília: proteger Bolsonaro, aliviar os condenados do 8 de janeiro e enterrar uma CPMI que poderia expor interesses do Centrão e da própria família Bolsonaro no caso Master.
A política brasileira tem dessas delicadezas. Quando parece que há três escândalos diferentes, muitas vezes é só o mesmo escândalo usando três ternos. O golpe é a origem. A anistia, ou dosimetria, é a tentativa de apagar a conta. O Master é o cofre que ameaça revelar quem estava no balcão quando a conta começou a circular.
Até a revelação dos áudios, a oposição tentava vender o Banco Master como um escândalo do governo Lula. Era uma operação narrativa previsível: gritar “corrupção” apontando para o outro lado da rua enquanto escondia o próprio endereço no comprovante de entrega. Mas o roteiro desandou quando apareceu Flávio Bolsonaro negociando dinheiro com Daniel Vorcaro para supostamente financiar o filme sobre Jair Bolsonaro.
A partir daí, a frase “Master é do Lula” virou uma dessas peças de propaganda que envelhecem pior do que promessa de campanha do Centrão. O Master não nasceu no governo Lula. O banco cresceu, ganhou musculatura e virou um colosso financeiro durante o ciclo Bolsonaro, sob a presidência de Roberto Campos Neto no Banco Central. Foi nesse período que Daniel Vorcaro assumiu o controle da instituição, rebatizou o banco e viu a operação ganhar escala.
No governo Lula, a fraude foi investigada, o Banco Master foi liquidado pelo Banco Central e Daniel Vorcaro acabou preso pela Polícia Federal. Essa diferença não é detalhe. É o centro da história.
Vorcaro tentou pedir socorro ao ministro Fernando Haddad. Queria audiência, queria conversa, queria uma ponte com o governo. Haddad não abriu a porta. A resposta atribuída ao ministro, diante de um recado em tom de ameaça, foi seca: “Você está falando com a pessoa errada”.
Com Flávio Bolsonaro, o tratamento era outro. Ali não havia porta fechada. Havia intimidade, havia conversa direta, havia relação de confiança. Flávio tratava Vorcaro como “irmão”. A diferença é didática o suficiente para dispensar PowerPoint: Haddad fechou a porta; Flávio abriu o WhatsApp.
É por isso que os áudios mudam o peso político da história. Eles não servem apenas para constranger o filho de Bolsonaro. Eles ajudam a explicar por que o bolsonarismo, que fazia barulho contra o Master, também tinha interesse em não deixar a CPMI avançar até o fim. Uma comissão parlamentar com poder de convocar, quebrar sigilo, expor contratos, rastrear pagamentos e produzir holofote diário poderia chegar ao lugar mais incômodo possível: a relação entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro.
Nesse ponto, o golpe e a anistia entram na mesma mesa. A oposição precisava da dosimetria porque ela funcionava como anistia envergonhada para aliviar a situação de Jair Bolsonaro e dos condenados pelos atos golpistas de 8 de janeiro. Não era apenas uma discussão técnica sobre pena. Era uma disputa sobre o custo político e jurídico da tentativa de ruptura democrática.
O Congresso derrubou o veto de Lula ao projeto que reduzia penas de condenados pelos atos golpistas. A oposição ganhou uma pauta fundamental para sua base. O bolsonarismo ganhou um instrumento político para manter viva a narrativa de perseguição e tentar reduzir a fatura do golpe. O Centrão, por sua vez, ganhou tempo e sombra no caso Master.
Não é preciso imaginar uma ata secreta, assinada com firma reconhecida, dizendo: “troca-se anistia por silêncio sobre o Master”. Brasília não é amadora a esse ponto. Os acordos mais importantes raramente deixam recibo. Eles deixam calendário. Deixam silêncio. Deixam sessão que não anda, requerimento que não é lido, comissão que não nasce, veto que cai e personagem poderoso fingindo surpresa diante do óbvio.
Foi nesse ambiente que Hugo Motta também entrou no centro da história. Em fala na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado, no último dia 12, Renan Calheiros afirmou que uma emenda proposta pelo presidente da Câmara teria obrigado fundos de previdência e fundos de pensão a aplicar recursos no Banco Master. Renan classificou o episódio como mais grave do que os fatos que haviam dominado a semana anterior, justamente porque, segundo ele, a emenda foi aprovada e sancionada.
Na mesma fala, Renan também disse que a cunhada de Motta recebeu R$ 140 milhões do Banco Master a pretexto de um empréstimo que teria vencido, não sido cobrado e não tido nenhuma parcela paga. É uma acusação grave, que precisa ser confrontada com documentos e com a versão dos citados. Mas politicamente o efeito já é incontornável: o presidente da Câmara deixa de aparecer apenas como árbitro institucional da CPMI e passa a ser citado como personagem de fatos que poderiam ser investigados por ela.
Esse é o ponto que amarra tudo. Alcolumbre segurava a chave da sessão do Congresso. Hugo Motta comandava a Câmara. O Centrão tinha razões para temer uma CPMI. O bolsonarismo, depois dos áudios, também. E a dosimetria apareceu exatamente como aquilo que poderia unir interesses diferentes em torno de uma mesma operação política: aliviar Bolsonaro, reduzir o custo do golpe e soterrar o Master.
Nada mais natural, portanto, para o Centrão, do que ajudar a oposição bolsonarista a se fortalecer de novo. Natural não no sentido republicano, evidentemente. Natural no sentido biológico da sobrevivência política. Se foi no governo Lula que o Banco Master foi investigado, liquidado e teve Daniel Vorcaro preso, uma gestão mais à direita passa a ser vista, por esse bloco, como ambiente mais seguro. Mais previsível. Mais confortável. Um lugar onde certas perguntas talvez demorem mais a ser feitas, certos requerimentos talvez não sejam lidos e certas gavetas talvez voltem a cumprir sua função histórica: engolir problemas.
O Centrão não age por amor ao bolsonarismo. Age por instinto. E o instinto do Centrão é simples: farejar risco, calcular custo e se encostar em quem oferece proteção. Quando Lula e as instituições sob seu governo deixam o Master cair, o recado para quem orbitava o banco é péssimo. Quando Flávio Bolsonaro trata Vorcaro como irmão, o recado para esse mesmo mundo é outro. Em política, às vezes a diferença entre uma porta fechada e uma porta aberta vale mais do que um programa de governo.
A história, aliás, já viu esse filme. No auge da Lava Jato, quando o cerco começava a alcançar gente demais e os discursos morais já não davam conta de esconder a lama, o mesmo Centrão ajudou a forjar o inesquecível “grande acordo nacional”. A frase virou símbolo de uma época: um pacto para “estancar a sangria”, com Supremo, com tudo. Era a política tentando salvar a própria pele enquanto fingia salvar o país.
O paralelo com o Master é inevitável. Antes, a desculpa era tirar Dilma. Agora, a desculpa é dosimetria, pacificação, estabilidade institucional ou qualquer outro nome bonito que se coloque na embalagem. O conteúdo, porém, tem cheiro conhecido: quando a investigação ameaça atingir os donos da festa, aparece sempre alguém propondo moderação, acordo, responsabilidade e silêncio. A língua muda. O método, não.
A beleza cínica do arranjo está aí. Cada lado fingia estar defendendo uma causa nobre. A oposição dizia lutar contra penas injustas. O Centrão falava em responsabilidade institucional. Os aliados de Flávio repetiam que o filme era um projeto privado, sem recurso público e sem contrapartida. Todos muito preocupados com a pureza republicana, essa entidade mitológica que em Brasília aparece menos que recibo de propina.
Mas os fatos, quando colocados em sequência, contam outra história. O Master cresceu no período em que o bolsonarismo governava o país. Quando a bomba explodiu, o governo Lula não salvou Vorcaro. O Banco Central liquidou o banco. A Polícia Federal prendeu o banqueiro. Haddad não recebeu o pedido de socorro. Enquanto isso, Flávio Bolsonaro mantinha relação direta com o homem no centro da fraude.
A oposição tentou transformar o caso Master em arma contra Lula. Acabou descobrindo que segurava uma granada sem pino. Por isso, a CPMI deixou de ser apenas uma ameaça ao governo ou ao Centrão. Virou ameaça também ao bolsonarismo.
É nesse ponto que golpe, anistia e Master viram uma coisa só. O golpe produziu a necessidade política da anistia. A anistia virou moeda de mobilização do bolsonarismo. O Master virou o escândalo que precisava ser abafado para não expor quem gritava contra o banco em público enquanto conversava com Vorcaro em privado.