segunda-feira, 2 de março de 2026

Trump, o miliciano universal. Reportagem de Chico Alves, Prêmio Embratel de Jornalismo e foi menção honrosa no Prêmio Vladimir Herzog, ex editor-assistente na revista ISTOÉ e editor-chefe do jornal O DIA.

 

COLUNISTAS ICL

O miliciano universal

O presidente dos EUA manda e desmanda, cria e executa suas próprias regras



Uma das mais bem sucedidas criações dos criminosos cariocas nas últimas décadas, as milícias começaram a surgir no início dos anos 2000. Herdeiros diretos dos assassinos comandados por Tenório Cavalcante, na década de 1950, e do Esquadrão da Morte, nos 70, os bandidos atuais têm em relação a seus antecessores diferenças fundamentais. Nos nossos dias, os agentes de Estado, detentores legais da força, não são apenas contratados pelos chefões fora da lei. Na milícia, os próprios policiais são os “empreendedores” do crime.

Além disso, os milicianos não atuam apenas na matança, como acontecia há sete décadas. Hoje, eles usam o poder de decidir quem vive e quem morre para lucrar em todo tipo de comércio ilegal: venda de gás, Internet clandestina, venda de cigarros falsificados, taxa de “segurança” e várias outras modalidades de “negócio”.

O êxito do modelo miliciano foi tal que alguns levantamentos mostram que atualmente há mais comunidades do Rio oprimidas por bandidos desse tipo do que por traficantes de drogas. Algo que contraria frontalmente a previsão do ex-prefeito carioca César Maia, que em 2005, nos primórdios da milícia, chegou a dizer que era um “mal menor”. Ou seja: para Maia, valia ter um grupo marginal dentro do próprio Estado desde que os criminosos convencionais fossem combatidos.

Deu no que deu.

Não se sabe se Donald Trump costuma acompanhar o noticiário policial carioca, mas a verdade é que o presidente dos Estados Unidos está colocando em prática em escala global o mesmo padrão de domínio marginal que os milicianos aplicam em Rio das Pedras, Campo Grande ou Curicica, áreas da zona Oeste do Rio.

Apesar de ser o representante maior de um governo baseado em um consenso legal, Trump resolveu jogar no lixo todas as leis, sejam nacionais ou internacionais– especialmente estas. Foi assim que agiu logo que começou o segundo mandato, ameaçando de invasão governantes do Canadá, México, Dinamarca e outros países.

Da mesma forma que o miliciano dobra o preço do gás e da gatonet nas favelas e ameaça de morte o cliente que buscar alternativa para pagar mais barato, Trump impôs ao mundo um tarifaço aleatório, baseado em equações disparatadas saídas de sua própria cabeça laranja.

Agora, ele simplesmente desaloja de seus postos os governantes que considera ruins. Foi assim com Nicolás Maduro, sequestrado, e também com o Aiatolá Khamenei, assassinado.

E quanto ao intrincado arcabouço legal negociado pelas nações para garantir décadas de mínima estabilidade, depois da Segunda Guerra?

O presidente dos Estados Unidos simplesmente não dá a mínima para isso. Ignora qualquer autoridade que não seja ele próprio e segue à risca a lei do mais forte, o mais antigo de todos os códigos, que a humanidade se esforçou tanto para superar.

Impotentes diante das barbaridades perpetradas por esse presidente facínora e seu assecla Netanyahu, os outros governantes torcem para não serem notados por Trump. Assim como um morador de uma comunidade da zona Oeste carioca rezava para ser esquecido por Jerominho, o fundador da primeira milícia, a Liga da Justiça.

Enquanto isso, o presidente dos EUA manda e desmanda, cria e executa suas próprias regras. Pior: como aconteceu com César Maia no nascimento da milícia, ainda há quem aplauda os desmandos de Trump. O Estadão é um bom exemplo de puxa-saquismo, pelo editorial “Ninguém vai chorar pelo Irã”, em que louvou os crimes do presidente norte-americano e previu que o mundo ainda agradecerá a ele pelo ataque.

Nem mesmo o fato de que o bombardeio ordenado pelos EUA contra Teerã e executado por Israel matou 150 meninas em um colégio sensibilizou o editorialista do Estadão. O jornal celebra os ataques ao governo do Irã e a sua população, mesmo ao arrepio da legislação internacional. Festeja o vale-tudo.

Os acontecimentos dos dias atuais se desenrolam como um pesadelo, sem prazo determinado para acabar.

É tudo realmente preocupante, para dizer o mínimo.

Mas a história costuma surpreender, volta e meia prova que não há tirania que dure para sempre. Cedo ou tarde, Trump pode encontrar adversários que desafiem seu poder. Ou seus próprios compatriotas podem se cansar das atrocidades e apeá-lo da presidência.

A história da milícia conta a ascensão de criminosos pela força, mas também mostra que alguns deles foram derrotados fragorosamente, de forma trágica. Como Adriano da Nóbrega ou Jerominho.

Vejamos até onde o miliciano Trump consegue chegar.

A Doutrina Netanydonroe em artigo de Lindener Pareto Jr, Professor, Historiador, Mestre e Doutor pela USP. Curador Acadêmico no Instituto Conhecimento Liberta (ICL).

 

A Doutrina Netanydonroe

A “Doutrina Netanydonroe” não é uma política externa, é uma declaração de guerra contra o próprio conceito de humanidade compartilhada


Todos sabemos, ou deveríamos saber, sobretudo após a carnificina em escala industrial da Segunda Guerra Mundial (1939-1945), que as guerras – todas elas, sem exceção – são a materialização do horror constante. Uma sinfonia macabra onde a vida de crianças e inocentes é a melodia mais dissonante e, paradoxalmente, a primeira a ser silenciada. Goya já o sabia quando pintou os “Desastres da Guerra”: a verdade jaz enterrada sob os escombros, e os “monstros” nascem do sono da razão. No entanto, o eco dos destroços de Guernica, dos fornos de Auschwitz, das cinzas de Hiroshima e Nagasaki parece ter se tornado um ruído branco para os ouvidos dos novos senhores da guerra. Os ataques coordenados dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã, deflagrados em 28 de fevereiro de 2026, sob a égide da “Operação Leão Rugidor”, não são apenas mais um capítulo na sangrenta história do Oriente Médio, são a certidão de óbito de uma era e a proclamação de uma nova e aterradora doutrina: a “Doutrina Netanydonroe”.

O nome não é fortuito. Ele funde, numa palavra-valise de horror, os sobrenomes de Netanyahu e Trump à velha Doutrina Monroe – aquela que, desde 1823, sob o pretexto de proteger as Américas do colonialismo europeu, serviu de biombo para o mais longevo projeto imperialista da história da humanidade. “América para os americanos”, dizia James Monroe, e o que se leu, na prática, foi: “América para os Estados Unidos”. Agora, dois séculos depois, a doutrina foi anabolizada e globalizada. Já não se trata de um hemisfério, trata-se do planeta inteiro. O “Mundo para os Americanos e seus Aliados” é a versão atualizada e sem pudor do velho imperialismo, agora com bombas de precisão e coletivas de imprensa transmitidas ao vivo.

A frágil ordem internacional, concebida sobre as cinzas do último grande conflito global e simbolizada por uma Organização das Nações Unidas cada vez mais espectral, foi simplesmente pulverizada. Não restou sequer o verniz. A linguagem cruel e didática de Donald Trump e Benjamin Netanyahu, uma mistura tóxica de messianismo, oportunismo e violência, nos devolveu a um estado de natureza hobbesiano em escala planetária, aquele “bellum omnium contra omnes” (a guerra de todos contra todos) que Thomas Hobbes descreveu no Leviatã, onde a vida é “solitária, pobre, sórdida, brutal e curta”. Vivemos, de fato, a era do Velho Oeste global, ou, para usar uma expressão que ecoa a brutalidade da nossa própria formação colonial, um mundo “sem fé, sem rei, sem lei”, como Pero de Magalhães Gândavo descreveu os indígenas brasílicos em seu Tratado da Terra do Brasil (1573), projetando sobre o outro a barbárie que era, na verdade, a sua própria. A ironia é brutal: os que se diziam civilizadores são, hoje (ou quase sempre) os bárbaros. Ou melhor, os únicos reis, absolutistas e com um poderio militar sem paralelo na história, são precisamente Trump e Netanyahu.

É absolutamente aterrador, e não apenas sob o prisma do direito internacional, essa ficção jurídica conveniente que só funciona para “os mais fortes”, testemunhar o sequestro e assassinato de líderes de outros países soberanos, como vimos com Nicolás Maduro e agora com Ali Khamenei, morto sob os escombros de seu próprio bunker em Teerã, sem que uma coalizão de nações se manifeste concretamente. Onde estão as sanções, os embargos, as condenações veementes que são tão rapidamente aplicadas a outros? O Conselho de Segurança da ONU se reuniu, é verdade, mas para expor suas visões de mundo irreconciliáveis, não para agir. António Guterres “condenou” e “lamentou”, verbos que, na gramática da impotência diplomática, são sinônimos de silêncio. Não seria preciso, mesmo que apenas na ordem do discurso, afirmar o óbvio? Que os Estados Unidos e Israel se tornaram o novo binômio, o novo “Eixo do Mal” do planeta? Que ambos, em sua simbiose de poderio militar e desprezo pela vida humana, representam a maior ameaça à humanidade desde Adolf Hitler? A expressão “Eixo do Mal”, cunhada por George W. Bush em 2002 para designar Irã, Iraque e Coreia do Norte, sofreu uma inversão dialética: o mal, como sempre, estava em casa.

A objeção é previsível e condicionada: “mas e os Khameneis, os Maduros?”. Sim, não passemos pano para as violações de direitos humanos cometidas por regimes autoritários. A tirania é odiosa em qualquer idioma e sob qualquer bandeira. O regime iraniano massacrou seus próprios manifestantes – milhares de mortos na repressão aos protestos de dezembro de 2025, segundo estimativas. A Venezuela de Maduro violou liberdades. Nada disso está em disputa. Mas que medonha hipocrisia é essa que condena o cisco no olho do outro enquanto ignora o míssil Tomahawk no próprio? Os Estados Unidos e o Estado de Israel não representam, cotidianamente, uma mordaça material e simbólica ao mundo? Por que eles podem matar e sair impunes? Por que podem perpetrar um genocídio em Gaza (mais de 75.000 mortos em dezesseis meses, segundo estudo publicado no The Lancet) e agora, como um eco macabro, assassinar e feir centenas de meninas numa escola primária em Minab, no sul do Irã, e ainda serem vistos como os pistoleiros salvadores do mundo?

A morte de uma criança em Gaza não é menos trágica que a de uma criança em Tel Aviv. A dor de uma mãe palestina não é menos real que a de uma mãe israelense. E o corpo de uma menina iraniana soterrada sob os escombros de sua escola, a escola Shajareh Tayyebeh, que em árabe significa “uma boa árvore”, não é menos sagrado que qualquer outro corpo humano sobre a face da Terra. Quando a violência é seletivamente justificada, quando o luto é hierarquizado segundo a nacionalidade ou a religião da vítima, estamos diante daquilo que Hannah Arendt chamou de banalidade do mal: uma maldade que se torna sistêmica, burocrática, executada sem reflexão por homens que apenas “cumprem ordens” ou perseguem “interesses estratégicos”. Eichmann organizava trens para Auschwitz com a mesma frieza com que um burocrata do Pentágono seleciona coordenadas de bombardeio num mapa digital.

Essa violência estatal, que se coloca acima de qualquer lei, é o que Walter Benjamin, em sua Crítica da Violência (1921), chamaria de uma violência mítica, fundadora de um novo direito, o direito do mais forte. Trump e Netanyahu não buscam preservar uma ordem legal, eles buscam fundar uma nova ordem através da força bruta, uma ordem onde sua vontade é a única lei. Eles se tornaram os líderes do maior “Estado fora da lei” do mundo, um “rogue state” que se arroga o direito de decidir quem vive e quem morre, quem é soberano e quem é vassalo. Giovanni Arrighi e Immanuel Wallerstein nos alertaram, há décadas, que a crise terminal da hegemonia americana produziria um “momento caótico” de violência sistêmica. Pois bem: o momento chegou. E ele tem nome, sobrenome e endereço, é Mar-a-Lago, Palm Beach, Flórida. Bem pertinho da antiga mansão de Epstein, sintomático, não?

Não nos iludamos, ninguém e nada está a salvo. Enquanto isso, Netanyahu e Trump se abraçam, sorriem para as câmeras e brincam com o mundo feito “Hynkel”, o Adenoid Hynkel de Charles Chaplin em O Grande Ditador (1940). A cena em que o déspota da Tomânia dança com um globo terrestre, acariciando-o com uma lascívia doentia antes que ele exploda em suas mãos, nunca foi tão atual, nunca foi tão literal. O globo, para eles, não é o lar de oito bilhões de almas, mas um balão a ser chutado, um brinquedo para seu bel-prazer de machos tóxicos e odiosos. Eles jogam o mundo para lá e para cá, em um balé de poder e destruição, e nós, a plateia aterrorizada, assistimos, esperando o momento em que o balão finalmente estoure sobre nossas cabeças.

Chaplin, ao final de seu filme, fez o barbeiro judeu subir ao púlpito e proferir um dos mais belos discursos da história do cinema: “Não sois máquinas! Homens é que sois!” Era um apelo desesperado à humanidade, à compaixão, à paz. Oitenta e seis anos depois, o apelo permanece sem resposta. Os Hinkels venceram. Os barbeiros foram silenciados. E o globo, aquele frágil balão de sonhos, já não dança: ele arde. A “Doutrina Netanydonroe” não é uma política externa, é uma declaração de guerra contra o próprio conceito de humanidade compartilhada. E o silêncio que a acolhe, o silêncio dos governos, das instituições, dos que deveriam gritar, é o som da nossa própria rendição. Carpe diem, leitoras e leitores: o amanhã, se houver, não será como antes.

domingo, 1 de março de 2026

A Mesma Máquina de Escândalos de 2018 - Globo, Folha, Estadão e Faria Lima à frente - que levou ao bolsofascismo no poder volta a operar em 2026 segundo artigo de Gustavo Tapioca, Oficial de Comunicação do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) e do IICA/OEA

 


CPIs, vazamentos seletivos e redes sociais reativam a engrenagem que em 2018 transformou suspeitas em sentença política

Do Jornal GGN:

A Máquina de Escândalos de 2018 volta a operar em 2026, por Gustavo Tapioca



A engrenagem voltou a girar 

O Brasil já viu esse filme. 

Em 2018, o então favorito nas pesquisas foi retirado da disputa eleitoral após uma sucessão de decisões judiciais cercadas por vazamentos, cobertura em tempo real e construção de uma narrativa moral avassaladora. Lula permaneceu 580 dias preso. Foi impedido de fazer campanha. De dar entrevista. Sequer anunciar seu candidato. A eleição ocorreu sob o peso de uma atmosfera de condenação pública antecipada. 

O resultado é conhecido. 

Em 2026, o cenário é outro — mas o método soa familiar. 

São quase os mesmos personagens. Não é a mesma operação. Mas a lógica reaparece. E já ganhou um nome de guerra: Lava Jato 2. CPIs convertidas em arenas de disputa eleitoral, vazamentos seletivos cronometrados, redes sociais transformando fragmentos em certezas emocionais e uma mídia tradicional que chancela o barulho como fato político. 

A história não se repete mecanicamente. 
Mas rima — e, desta vez, a rima ecoa perigosamente como um retorno do método. 

CPIs como palco: investigação ou espetáculo? 

Comissões Parlamentares de Inquérito sempre foram instrumentos políticos. Não há ingenuidade aqui. Mas, em ambiente de polarização extrema e em pleno ano eleitoral, a CPI deixa de ser apenas instrumento fiscalizador e passa a funcionar como máquina de produção de narrativa. 

Cada sessão vira episódio. 
Cada depoimento, um clímax. 
Cada silêncio, uma insinuação. 

A CPI não precisa provar — precisa sugerir. 

Termos como “indícios”, “possíveis ligações” e “suspeita de envolvimento” são juridicamente prudentes, mas politicamente devastadores. Criam a sensação de que há algo estruturalmente errado, mesmo quando nada foi formalmente demonstrado. 

E a suspeita, uma vez instalada, opera com autonomia. 

O poder do primeiro vazamento 

Nenhuma engrenagem de escândalo funciona sem combustível. 
E o combustível é o vazamento. 

Vazamentos chegam incompletos, descontextualizados, fragmentados — e quase sempre estrategicamente cronometrados. 

O primeiro vazamento molda a narrativa-mãe. 



Ele define o enquadramento moral. 

Desmentidos posteriores raramente têm o mesmo alcance. Explicações técnicas não competem com manchetes. A correção não viraliza como a acusação. 

A opinião pública é formada na largada. 
E a largada quase nunca espera o contraditório. 

Vazamentos não precisam provar nada. 
Precisam apenas insinuar. 

O algoritmo substituiu o juiz 

Se a CPI produz o roteiro e o vazamento fornece o material bruto, as redes sociais fazem o resto. 

A lógica é emocional. 

Influenciadores políticos — de todos os espectros — recortam 15 segundos de um depoimento e transformam em indignação, ironia ou condenação sumária. O meme substitui o relatório. O print substitui o contexto. A repetição substitui a análise. 

O que viraliza não é o fato — é a emoção. 

E quando a emoção se repete milhares de vezes, cria-se a sensação de consenso: “todo mundo está vendo”, “todo mundo está comentando”, “algo grave está acontecendo”. 

A percepção passa a operar como verdade. 

A mídia como legitimadora do escândalo 

Mesmo num ambiente dominado por redes sociais, a mídia tradicional continua sendo o selo de realidade. 

Quando jornais, portais e telejornais entram na cobertura, o ruído digital ganha status de fato político. 

A mídia enquadra, amplifica e serializa. 
Transforma o episódio em saga. 
Mantém o escândalo na agenda. 

A lógica da velocidade e da competição por audiência favorece a dramatização. A busca pelo “novo desdobramento” transforma investigação em narrativa contínua. 

E, assim, a suspeita se consolida como atmosfera. 

Lava Jato 1 e o método 2026: a comparação inevitável 

Em 2018: 

  • Lula liderava as pesquisas. 
  • A Lava Jato produziu sucessivos episódios de alto impacto. 
  • Vazamentos alimentaram a cobertura diária. 
  • A narrativa moral se sobrepôs ao debate programático. 
  • O favorito foi retirado da disputa. 

Em 2026: 

  • Lula novamente lidera as pesquisas, ainda que por margem estreita. 
  • CPIs operam sob clima eleitoral. 
  • Vazamentos surgem de forma estratégica. 
  • A guerra de percepção antecede qualquer conclusão institucional. 
  • Pedidos de inelegibilidade já circulam no debate público. 

Não se trata de afirmar identidade de operações. 
Trata-se de reconhecer identidade de método. 

O método não exige condenação formal para produzir efeito político. 
Exige apenas atmosfera. 

Psicologia da suspeita: por que o método funciona 

Narrativas de corrupção são poderosas porque ativam mecanismos profundos: 

Viés de confirmação: quem já desconfia, acredita mais rápido. 
Heurística da disponibilidade: quanto mais se fala, mais parece verdadeiro. 
Memória moral: a sensação de “algo errado” persiste mesmo após desmentidos. 
Polarização afetiva: escândalos servem para atacar o adversário, não para esclarecer. 

Esses mecanismos tornam a suspeita quase indestrutível. 

Quando a narrativa se cristaliza, o dano político já está feito. 

O alvo não é apenas um político — é a eleição 

Em ano eleitoral, o impacto é exponencial. 

Escândalos mobilizam bases, influenciam indecisos, desgastam candidaturas e substituem propostas por batalhas morais. 

A disputa deixa de ser programática. 
Torna-se moral. 

A pergunta deixa de ser “qual projeto de país?”. 
Passa a ser “quem é corrupto?”. 

Quando isso acontece, o debate democrático se empobrece — e a eleição passa a ser decidida no campo da percepção. 

Investigação legítima ou guerra narrativa? 

É fundamental afirmar: investigar é dever institucional. Fiscalizar é obrigação democrática. Apurar irregularidades é essencial. 

Mas há diferença entre investigação e espetáculo. 

Há diferença entre apuração e construção de atmosfera. 

Há diferença entre responsabilidade institucional e guerra de percepção. 

Quando CPIs, vazamentos, redes e mídia passam a operar em sincronização emocional, a linha entre investigação legítima e instrumento eleitoral se torna perigosamente tênue. 

O Brasil aprendeu com 2018? 

A eleição de 2018 foi marcada por um ambiente em que a suspeita antecedeu a sentença e a narrativa moral antecedeu o voto. 

O país ainda debate as consequências daquele ciclo. 

Agora, em 2026, o método ressurge com novas ferramentas — algoritmos mais rápidos, redes mais polarizadas, influenciadores mais profissionais e disputa ainda mais acirrada. 

A democracia não pode ser refém da engrenagem da suspeita permanente. 

Investigações precisam ocorrer — mas não podem ser convertidas em instrumentos de desequilíbrio eleitoral. 

O Brasil já viveu uma eleição moldada pela atmosfera da condenação antecipada. 

Em 2026, a pergunta não é se haverá investigação. 

A pergunta é se a eleição será decidida nas urnas — 
ou novamente no tribunal da percepção. 

Gustavo Tapioca é jornalista formado pela UFBa e MA pela Universidade de Wisconsin. Ex-diretor de Redação do Jornal da Bahia. Assessor de Comunicação da Telebrás, Oficial de Comunicação do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) e do IICA/OEA. Autor de Meninos do Rio Vermelho, publicado pela Fundação Jorge Amado.




Do Portal do José: DIREITA MIDIOTIZADA FESTEJA TRUMP! FATOS OBSCUROS VEM À TONA! BOLSONARISTAS: PAPAGAIOS COM BANDEIRA ALIENÍGENA

 

Do Portal do José:

01/03/26 - PAPAGAIOS ALÉM DA INSANIDADE, OS BOLSONARO FESTEJAM O EXTERMÍNIO DE MAIS UM LÍDER DE UMA NAÇÃO... GRUPOS PODEROSOS QUE FINANCIARAM TRUMP ESTÃO RINDO À TOA... Mais uma vez assistimos uma farsa absurda para justificar ataques à um país para destruição em busca de saques de suas riquezas! No Brasil os escândalos se seguem !



O padrão de colapso em 7 estágios: Espanha, Grã-Bretanha, URSS... Os EUA estão no estágio 5.

 Do Canal Retrocesso da Economia:

Há um padrão na história que se repete com precisão quase matemática — e neste vídeo você vai entender os 7 estágios que levam impérios ao colapso. Não é teoria conspiratória. Não é ideologia. É análise histórica comparativa. Da Espanha imperial ao Império Britânico, da União Soviética aos Estados Unidos, o roteiro se repete: superextensão militar → desvalorização da moeda → espiral de dívida → perda de capacidade produtiva → decadência social → perda do status de moeda de reserva → colapso.


Neste conteúdo, analisamos dados históricos, padrões econômicos e sinais atuais que indicam que os EUA podem estar no estágio cinco de sete. O que isso significa para o dólar? Para a economia global? Para o seu patrimônio? Para o século XXI? Você vai entender: • Como impérios entram em declínio justamente no auge do poder • Por que déficits permanentes e expansão monetária sempre terminam da mesma forma • O impacto da perda industrial e da dependência externa • O risco real de erosão do status do dólar como moeda de reserva • O que acontece quando confiança institucional se rompe A história mostra que nenhum império é eterno. A questão não é emocional. É estrutural. E ignorar padrões históricos nunca foi uma estratégia inteligente. Se você quer entender macroeconomia, geopolítica e ciclos de poder global sem filtros ideológicos, este vídeo é para você.

Mísseis do Irã DESTROEM bases dos EUA | Elijah Magnier & Mohammad Marandi

 

Do Canal Danny Haiphong Português:

Os Estados Unidos e Israel lançaram ataques contra o Irã nas primeiras horas do dia 28 de fevereiro, em uma operação de mudança de regime que, segundo autoridades de Trump e de Israel, deve durar alguns dias. O Irã já retaliou de forma massiva, deixando várias bases americanas e o próprio território israelense sob intenso fogo. O correspondente de guerra Elijah Magnier participa do programa para analisar todos os detalhes.



sábado, 28 de fevereiro de 2026

EUA e Israel atacam Irã; Teerã reage com mísseis no Golfo. Reportagem de Tatiane Correia

 

Operação conjunta atinge alvos no Irã. Em retaliação, Teerã dispara mísseis contra países do Golfo que abrigam bases americanas

    Foto: IRNA English

Estados Unidos e Israel realizam uma operação militar conjunta contra alvos estratégicos no Irã, desencadeando assim uma nova fase na extensa crise no Oriente Médio.

Horas depois, Teerã retaliou com o lançamento de mísseis contra países do Golfo que abrigam ativos militares americanos, ampliando o risco de um conflito regional de grandes proporções.

A sequência de ataques e contra-ataques provocou fechamento de espaços aéreos, alertas de segurança internacional e tensão nos mercados globais, especialmente no setor de energia.

O que aconteceu: ataque conjunto contra o Irã

De acordo com as informações divulgadas até o momento, forças americanas e israelenses coordenaram bombardeios contra instalações iranianas consideradas estratégicas. Explosões foram registradas na capital Teerã e em outras áreas sensíveis do país.

Autoridades israelenses classificaram a operação como preventiva, alegando neutralização de ameaças iminentes. Já o governo americano afirmou que a ação teve como objetivo conter capacidades militares consideradas desestabilizadoras na região.

O ataque ocorre em meio a tensões prolongadas envolvendo o programa nuclear iraniano e disputas indiretas entre Teerã e Tel Aviv.

Em resposta, Teerã lançou mísseis e drones contra territórios que hospedam infraestrutura militar dos Estados Unidos no Golfo Pérsico. Entre os países atingidos ou colocados em alerta estão:

  • Bahrain, onde está sediada a Quinta Frota dos EUA
  • Qatar
  • Kuwait
  • Emirados Árabes Unidos

Autoridades locais relataram interceptações de mísseis e explosões próximas a áreas estratégicas. Alguns países suspenderam voos comerciais como medida preventiva.

O governo iraniano declarou que a ofensiva representa “direito legítimo de defesa” diante do que chamou de agressão externa.

Risco de guerra regional no Oriente Médio

A escalada aumenta o risco de envolvimento de outros atores regionais. Analistas alertam que grupos aliados do Irã no Iraque, Líbano e Iêmen podem ampliar a pressão contra interesses americanos e israelenses.

Além do impacto militar, a crise tem potencial de pressionar os preços do petróleo, afetar rotas comerciais estratégicas, e intensificar a instabilidade diplomática no Conselho de Segurança da ONU

A Rússia condenou os ataques e pediu solução diplomática, enquanto governos europeus pediram contenção imediata.

O que pode acontecer agora?

Especialistas apontam três cenários principais:

  • Escalada militar controlada, com novos ataques limitados
  • Ampliação do conflito, com envolvimento indireto de aliados regionais
  • Pressão diplomática intensa, buscando cessar-fogo emergencial

A dinâmica das próximas horas será decisiva para definir se a crise permanecerá localizada ou evoluirá para um confronto mais amplo no Oriente Médio.

Com informações da Al Jazeera


Tatiane Correia

Jornalista, MBA em Derivativos e Informações Econômico-Financeiras pela Fundação Instituto de Administração (FIA). Com passagens pela revista Executivos Financeiros e Agência Dinheiro Vivo. Repórter do GGN desde 2019.

A Globo, a Faria Lima e Mendonça (o "novo" Moro) na farsa ressuscitada da Lava Jato 2: um país miodotizado que não aprende com a própria história em artigo de Luís Nassif

 

O caso Master marca a volta do jornalista-sela - que se deixa cavalgar pelas fontes selecionadas para os patrões. Repassam os releases sem nenhum filtro crítico.

Do Jornal GGN:

Lava Jato 2: um país que não aprende com a própria história, por Luís Nassif

    André Mendonça por Fellipe Sampaio/STF

Cansei de alertar sobre o óbvio: a campanha contra o Supremo Tribunal Federal, usando como alvos Dias Toffoli e Alexandre de Moraes, era o caminho aberto para a Lava Jato 2.

Mas a ignorância, a incapacidade de não prever as consequências, não é atributo apenas da velha mídia. Pessoas que se jactam de analisar cenários foram incapazes de enxergar dois lances adiante. 

O quadro está aí:

  1. Dias Toffoli foi substituído por André Mendonça.
  2. Afastaram os peritos da Polícia Federal que não faziam parte da patota da Lava Jato. Ficaram os mesmos responsáveis pelos primeiros vazamentos.
  3. Delegados pediram – e André Mendonça  concordou -, a quebra do sigilo bancário de Lulinha.
  4. Aproveitando o embalo, a tal CPI do INSS, insuflada por Rosângela Moro, pede não menos do que a prisão de Lulinha.

Baseados em quê? Em uma suposta ligação com o tal careca do INSS. Em uma suposta viagem bancada pelo tal Careca.

Quem conhece Lulinha diz que ele tem apenas uma conta no Banco do Brasil, e um fundo de previdência onde pinga contribuições mensais de pequena monta. E daí? Assim como na Lava Jato 1, o que vai importar será a denúncia, não o fato objetivo.

Todo o enorme emaranhado do Master – que será maior quando começar a destrinchar a RAEG – ficará à disposição de quem tem acesso prioritário aos dados. Caberá a essas fontes selecionar os escândalos, os personagens, definir o ângulo a ser coberto, dar o encaminhamento à cobertura. Da mesma forma que fizeram com a Lava Jato.

Em plena Lava Jato, por exemplo, a Associação Brasileira do Jornalismo Investigativo (ABRAJI) oficializou o release, oferecendo seus associados como colaboradores da operação.

Quando apareceu a operação Spoofing, a mídia constatou o maior vexame jornalístico da história, como se tornou um mero apêndice da polícia, endossando as maiores barbaridades factuais.

Mas não houve a autocrítica, a justiça de transição. E o caso Master marca a volta do jornalista-sela – aquele que se deixa cavalgar pelas fontes. Repassam o que as fontes dizem, sem nenhum filtro crítico, para manter vivo o fluxo de vazamentos.

É bobagem esperar dos jornais qualquer movimento pela qualidade, qualquer filtro editorial, qualquer orientação editorial ou planejamento para uma cobertura madura. 

O país continuará à mercê dos golpes midiáticos, com a mesma facilidade que marcou toda sua história.

LEIA TAMBÉM:

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2026

Com os ataques às Universidades, à Educação e às minorias, o fascismo da extrema direita de Donald Trump é muito pior que o macartismo dos anos 50... Naraação de Jamil Chade

 

Nos anos 1950, o compositor Aaron Copland foi convocado a depor diante de Joseph McCarthy, o senador símbolo da caça às bruxas anticomunista nos Estados Unidos. Décadas depois, o país volta a viver um ambiente de pressão e vigilância sobre os pensadores e a educação. Um relatório aponta uma escalada de censura, investigações e restrições contra as universidades, ampliando o controle do ultraconservador governo de Donald Trump sobre o ambiente acadêmico. Saiba mais no episódio desta semana do podcast "De Cabeça para Baixo", com Jamil Chade.

Da Carta Capital:




quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026

Bob Fernandes: Flávio 01 rachava empregos com parentes do Queiroz, do matador Adriano... e agora fala em “TodXs” e o deus Mercado e as eleites estão com ele....

 

Do Canal do analista político Bob Fernandes




O STF na mira da extrema direita, das elites e do mercado finaneiros e, com isso, e a eleição de 2026 sob risco, em artigo de Gustavo Tapioca

 

Crise detonada pelo caso Banco Master entra no tabuleiro eleitoral e reativa engrenagem que, em 2018, abriu caminho para a extrema-direita bolsonarista



O STF na mira e a eleição de 2026 sob risco


Pinterest - WestWing

por Gustavo Tapioca

A crise de imagem que atingiu o Supremo Tribunal Federal nas últimas semanas deixou de ser um episódio interno do Judiciário para se tornar peça central do tabuleiro eleitoral de 2026. Reportagem de Daniela Lima, no UOL, mostra que publicitários e estrategistas já tratam o desgaste do tribunal como ativo político com potencial para impulsionar a oposição e alimentar narrativas antissistema. 

Não se trata de mera percepção. Trata-se de método. 

A mesma engrenagem que operou entre 2016 e 2018 — quando a erosão da confiança nas instituições abriu caminho para a prisão de Lula, sua exclusão da disputa e a vitória de Jair Bolsonaro — volta a girar. Em ano eleitoral, com pesquisas indicando disputa apertada e vantagem estreita de Lula sobre o segundo colocado, Flávio Bolsonaro, o ataque organizado ao STF ganha peso estratégico. 

O tribunal que julgou e condenou a tentativa de golpe passa novamente a ser alvo de campanha de deslegitimação em larga escala. A crise atual não surge no vazio: ela é instrumentalizada e amplificada com precisão política. 

Estamos diante de uma Lava Jato 2. 

O caso Master e a captura eleitoral da crise 

A reportagem de Daniela Lima aponta três elementos decisivos: 

  1. O desgaste do STF entrou no debate eleitoral e tende a fortalecer a oposição a Lula. 
  1. A investigação expôs Dias Toffoli e atingiu também Alexandre de Moraes, alimentando narrativas de conflito de interesses. 
  1. Marqueteiros avaliam que a sensação de “desequilíbrio institucional” pode se tornar tema dominante, superando inclusive segurança pública. 

Tradução política: 
a crise institucional virou combustível eleitoral. 

Isso não significa que ministros não devam explicações — devem, e com máxima transparência. O problema está em outro ponto: a transformação de questionamentos específicos em narrativa de colapso institucional total. Quando episódios são convertidos em prova de que “o sistema inteiro está corrompido”, o objetivo deixa de ser fiscalização e passa a ser deslegitimação. 

O manual da ultradireita: cinco pontos de um método global 

O que ocorre no Brasil segue roteiro testado internacionalmente. A extrema-direita opera com método e etapas claras. 

1. Produção de escândalos com foco institucional 

O alvo não é apenas o governo. 
São as instituições que mediam a democracia: 
Supremo, tribunais eleitorais, imprensa, agências reguladoras. 

Desgastar essas estruturas é pré-condição para qualquer ruptura. 

2. Deslegitimação sistemática 

Ataques permanentes ao Judiciário e ao sistema eleitoral. 
Narrativa de que “tudo está aparelhado”. 
Amplificação em redes e canais de desinformação. 

Objetivo: 
minar confiança pública e preparar terreno para contestar derrotas ou justificar intervenções. 

Este é o ponto central do método. 

3. Personalização e moralização 

A instituição é atacada por meio de indivíduos. 
Casos específicos são ampliados até parecerem prova de corrupção estrutural generalizada. 
O foco deixa de ser o fato concreto e passa a ser a ideia de que nada funciona. 

4. Conversão em ativo eleitoral 

A crise vira narrativa de campanha. 
O discurso antissistema unifica direita tradicional e extrema-direita. 
Candidaturas locais e nacionais passam a explorar a ideia de “colapso institucional”. 

5. Preparação para contestação eleitoral 

O objetivo final não é apenas desgaste reputacional. 
É estrutural: 

  • enfraquecer o tribunal que julgou o golpe; 
  • questionar decisões futuras; 
  • criar ambiente de instabilidade; 
  • legitimar eventual contestação de resultados. 

Lava Jato 1 e Lava Jato 2 

Em 2018, Lula liderava as pesquisas. 
Foi preso. 
Permaneceu 580 dias encarcerado. 
Foi impedido de disputar, de dar entrevista, sequer de dizer quem era seu candidato. 

Hoje, Lula volta a liderar — com vantagem estreita. 
O segundo colocado é o herdeiro político do bolsonarismo. 
E o tribunal que condenou a tentativa de golpe volta a ser colocado sob suspeita generalizada. 

A coincidência não é casual. 

A Lava Jato 1 operou via sistema judicial e mídia. 
A Lava Jato 2 também opera via desgaste institucional contínuo, campanhas digitais e amplificação política. 

O mecanismo é o mesmo: 
criar clima de desconfiança estrutural para interferir no processo eleitoral. 

Toffoli e a porteira escancarada 

É impossível ignorar o papel de decisões passadas que contribuíram para o atual cenário. 
Toffoli escancarou a porteira em momentos críticos, permitindo que a boiada passasse sob o berrante do caos. 

Isso não absolve campanhas de desinformação. 
Mas mostra como erros institucionais são capturados e transformados em arma política. 

Ministros precisam se defender de acusações? 
Sem dúvida. 
Mas a instituição precisa ser protegida de campanhas que visam sua desmoralização total. 

O risco eleitoral real 

O ponto central é este: 
o ataque organizado às instituições pode ser decisivo na eleição de 2026. 

Se a narrativa de colapso institucional se consolidar, três efeitos podem ocorrer: 

  1. fortalecimento do discurso antissistema; 
  1. questionamento prévio do resultado eleitoral; 
  1. deslocamento do debate para terreno de instabilidade permanente. 

A eleição deixa de ser disputa de projetos e passa a ser disputa de legitimidade. 

O problema do campo progressista 

Há um erro estratégico recorrente: 
reagir apenas defensivamente. 

A extrema-direita opera com método e coordenação. 
O campo progressista responde de forma fragmentada. 
Subestima a guerra informacional. 
Demora a construir narrativa unificada. 

Esse déficit vem desde a Lava Jato 1 e permanece na Lava Jato 2. 

Sem enfrentamento direto da campanha de deslegitimação, o terreno fica livre para a erosão institucional contínua. 

O tribunal que julgou o golpe volta à mira 

O STF precisa responder a questionamentos com transparência e rigor. 
Isso é obrigação. 

Mas é igualmente necessário reconhecer que está em curso uma ofensiva política estruturada para deslegitimar o tribunal que julgou e condenou a tentativa de golpe. 

A eleição de 2026 começa sob esse signo. 
Com disputa apertada. 
Com ataques coordenados. 
E com o risco de repetição de um roteiro já conhecido. 

A história recente mostra o que acontece quando campanhas de deslegitimação institucional não são enfrentadas a tempo. 

O método está em operação. 
A pergunta é se haverá resposta à altura antes que seus efeitos se consolidem no processo eleitoral. 

Gustavo Tapioca é jornalista formado pela UFBa e MA pela Universidade de Wisconsin. Ex-diretor de Redação do Jornal da Bahia. Assessor de Comunicação da Telebrás, Oficial de Comunicação do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) e do IICA/OEA. Autor de Meninos do Rio Vermelho, publicado pela Fundação Jorge Amado.