terça-feira, 11 de agosto de 2026

Tradição golpista regada a dinheiro público: Deputados questionam uso de recursos das Forças Armadas por clubes militares que divulgam sempre notras golpistas contra a Democracia

 

Requerimento cobra da Defesa dados sobre imóveis, pessoal e recursos destinados às entidades; canais das Forças Armadas já foram usados para divulgar atividades dos clubes

Doi ICL Notícias:



Por Cleber Lourenço

Deputados querem que o Ministério da Defesa informe quais estruturas e recursos das Forças Armadas são colocados à disposição do Clube Militar, Clube Naval e Clube de Aeronáutica, associações privadas que divulgaram, na semana passada, uma nota conjunta com críticas ao governo, ao Judiciário e às instituições. O requerimento pede informações sobre imóveis, militares, servidores, veículos, serviços e outros recursos públicos utilizados pelas entidades desde janeiro de 2023.

Levantamento do ICL Notícias mostra que os clubes mantêm diferentes relações com as Forças Armadas. A Marinha, por exemplo, mantém serviços dentro de instalações do Clube Naval, já abriu uma unidade de formação para dirigentes apresentarem benefícios da entidade a futuros oficiais e hospeda a revista do clube em uma plataforma institucional. Canais oficiais do Exército e da Aeronáutica também já foram usados para divulgar atividades de seus respectivos clubes.

É justamente a dimensão dessa relação que os deputados Padre João (PT-MG) e Pedro Uczai (PT-SC) querem conhecer. No requerimento apresentado à Comissão de Fiscalização Financeira e Controle da Câmara, eles pedem informações sobre o apoio material e humano eventualmente destinado às três entidades desde janeiro de 2023.

É essa relação entre as associações privadas e a estrutura pública que os deputados Padre João (PT-MG) e Pedro Uczai (PT-SC) querem detalhar. No requerimento apresentado à Comissão de Fiscalização Financeira e Controle da Câmara, eles pedem documentos e informações que permitam identificar quais recursos das Forças Armadas são destinados aos clubes e quais custos recaem sobre a União.

Os parlamentares querem saber quais imóveis da União são utilizados pelas entidades, quantos militares da ativa ou da reserva e servidores atuam nos clubes e se há prestadores de tarefa por tempo certo (PTTCs) vinculados às associações. O pedido inclui ainda informações sobre veículos, combustível, segurança, tecnologia, manutenção, cerimonial e serviços administrativos.

Os deputados também questionam o sistema de desconto em folha das mensalidades dos clubes. Eles querem saber quanto é movimentado por meio dessas operações e se a União tem custos para realizar os descontos.

O requerimento ainda precisa ser aprovado pela comissão antes de ser encaminhado formalmente ao Ministério da Defesa.

Nota golpista levou relação à mira da Câmara

O requerimento foi apresentado uma semana após Clube Naval, Clube Militar e Clube de Aeronáutica divulgarem conjuntamente a nota “Os riscos à Nação”, assinada pelos presidentes das três associações.

Publicado em 3 de agosto, o documento afirma que o país vive uma “grave deterioração política, institucional e econômica”, critica governo, Judiciário, política externa e setores da imprensa. Também acusa uma tentativa de “desmoralização das Forças Armadas” e relaciona esse processo às investigações e condenações decorrentes da tentativa de golpe após as eleições de 2022.

A nota não convoca explicitamente à violência ou a uma ruptura institucional e termina defendendo diálogo e consenso, mas reproduz ataques às instituições e elementos do discurso que cercou a ofensiva contra o resultado eleitoral de 2022.

O requerimento não afirma que recursos públicos tenham financiado a manifestação. O questionamento é sobre qual estrutura estatal está à disposição das associações privadas que a assinaram.

Marinha mantém serviços e abre portas ao Clube Naval

Parte dessa relação aparece nos próprios canais oficiais das Forças. O Serviço de Veteranos e Pensionistas da Marinha mantém postos de atendimento em instalações do Clube Naval. A relação divulgada pela Força identifica determinados atendimentos nesses locais como destinados “somente [a] sócios”.

O Clube Naval também já teve acesso direto a oficiais em formação. Em maio de 2025, dirigentes da entidade foram recebidos no Centro de Instrução Almirante Wandenkolk (CIAW) e apresentaram a todos os 194 alunos do Curso de Formação de Oficiais os benefícios oferecidos aos associados e dependentes.

Há precedente. Em 2018, o presidente do clube esteve no mesmo centro de instrução. Segundo a própria Marinha, a apresentação incluiu informações sobre a estrutura da entidade e “orientações sobre os procedimentos para admissão de novos sócios”.

A relação alcança ainda a comunicação. A Revista do Clube Naval é hospedada no Portal de Periódicos da Marinha, plataforma institucional que oferece gerenciamento, manutenção, treinamento, indexação e suporte técnico às publicações nela instaladas.

A revista já foi usada para manifestações políticas. No fim de 2022, o então presidente do clube, Luiz Fernando Palmer Fonseca, classificou a recuperação dos direitos políticos de Lula como uma “absurda descondenação”, atacou setores da imprensa, criticou o Judiciário e alertou para a volta da esquerda ao poder. O conteúdo continua disponível na infraestrutura digital da Marinha.

A publicação ressalva que opiniões assinadas não representam necessariamente a posição da Força. A questão é a utilização de infraestrutura estatal por uma publicação produzida por associação privada.

Exército e FAB também abriram canais aos clubes

No Exército, canais institucionais como o Informex, utilizado para transmitir informações aos militares, já foram usados para divulgar agendas, eventos, avisos e comunicados relacionados ao Clube Militar.

A relação também envolve questões administrativas. Em 2020, foi publicado contrato entre o Comando do Exército e o Clube Militar para o processamento de descontos autorizados de mensalidades de militares vinculados à Força — justamente uma das modalidades agora questionadas pelos deputados.

Na Aeronáutica, o portal oficial da FAB também divulga atividades do Clube da Aeronáutica. Em abril deste ano, publicou reportagem institucional sobre o lançamento de um livro comemorativo dos 50 anos do clube em Brasília. O material foi produzido pelo próprio Centro de Comunicação Social da Aeronáutica (Cecomsaer), com texto e imagens de militares.

Há exemplos ainda mais diretos. Em 2017, o site da FAB divulgou uma regata organizada pelo Clube da Aeronáutica de Brasília e informou que as inscrições estavam abertas. No ano anterior, também havia divulgado prazo de inscrição em atividade da entidade.

Deputados querem documentos e valores

O requerimento tenta transformar esses registros dispersos em um levantamento completo. Padre João e Pedro Uczai pedem, além dos dados sobre imóveis, pessoal e serviços, cópias de convênios, termos de cessão, pareceres jurídicos e outros instrumentos que autorizem as relações entre Estado e clubes.

Também querem conhecer os valores movimentados por descontos em folha e o eventual custo administrativo dessas operações para a União.

Os clubes militares são associações privadas, mas mantêm relações históricas com as Forças que passam por instalações, serviços e comunicação institucional. Depois da manifestação política conjunta das entidades, os deputados querem saber qual é hoje a dimensão dessa estrutura, quanto ela custa e sob quais regras é mantida.




Pelos frutos se conhece a qualidade da árvore: Exército estimou 241 vezes mais móveis do que comprou para permitir ‘carona’ em ata

 

TCU aponta que 4.585 móveis foram previstos para a 11ª Brigada, mas apenas 19 foram adquiridos pela unidade; ata foi usada por outros órgãos

Do ICL Notícias:


Exército estimou 241 vezes mais móveis do que comprou para permitir ‘carona’ em ata





Por Cleber Lourenço

O Tribunal de Contas da União (TCU) apontou irregularidade em um pregão da 11ª Brigada de Infantaria Leve do Exército, em Campinas (SP), que previa 4.585 unidades de mobiliário para a própria unidade militar, mas resultou na compra de apenas 19 itens. A diferença significa que a quantidade estimada era 241 vezes maior que a efetivamente adquirida e, segundo a Corte, permitia que a ata de registro de preços fosse utilizada por outros órgãos públicos para comprar os mesmos produtos.

A irregularidade foi reconhecida no Pregão Eletrônico 26/2019, destinado à compra de mobiliário. O TCU considerou procedente a representação especificamente quanto à “superestimativa de itens para fins de comercialização da ata de registro de preços”.

Na prática, o mecanismo funciona assim: um órgão realiza uma licitação e registra os preços e as quantidades que pretende adquirir. Outros órgãos podem, dentro das regras aplicáveis, aderir posteriormente à mesma ata, sem realizar uma nova licitação. O problema apontado no caso da 11ª Brigada está na dimensão das quantidades originalmente registradas.

Documentos analisados pelo TCU ajudam a dimensionar a diferença. As compras registradas inicialmente para a unidade militar somaram apenas 0,41% do total previsto.

A diferença também aparece nos valores. Segundo registros do processo no TCU, foram empenhados R$ 16,5 mil para a própria Brigada, diante de uma estimativa de aproximadamente R$ 5,3 milhões.

O pregão era destinado à compra de mobiliário e tinha valor estimado total de aproximadamente R$ 64,6 milhões. Os dois grupos da licitação foram adjudicados por cerca de R$ 52,6 milhões.

Uma das atas, assinada pelo então coronel João Marcelo Faiad e Silva como ordenador de despesas, previa até R$ 29,34 milhões em mobiliário fornecido pela Forma Office.

O ponto central da nova decisão do TCU não é a possibilidade de outros órgãos aderirem a uma ata — procedimento previsto nas compras públicas —, mas a criação de quantidades acima da necessidade do órgão responsável pela licitação com a finalidade de permitir a utilização daquela ata por terceiros.

No julgamento, o TCU rejeitou as justificativas apresentadas por Gustavo Godoy Ribeiro da Silva e pelas empresas Forma Office e Forma Style. Gustavo Gabriel Aquino Santos e João Marcelo Faiad e Silva foram considerados revéis, situação processual em que o responsável não apresenta defesa no prazo estabelecido pela Corte.

O tribunal determinou ainda que a decisão seja comunicada ao Centro de Controle Interno do Exército, ao Ministério Público Federal (MPF) e ao Ministério Público Militar (MPM).

Outros órgãos compraram pela ata

Documentos públicos mostram que a ata do Exército acabou efetivamente utilizada por órgãos que não participaram originalmente da licitação.

O então Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, por exemplo, aderiu à ata da Forma Style e contratou R$ 740,3 mil em cadeiras, poltronas e sofás. O próprio contrato identifica expressamente a aquisição como uma adesão à ata resultante do Pregão 26/2019 da 11ª Brigada.

O Tribunal Regional Federal da 3ª Região (TRF-3) também aderiu a uma das atas. O tribunal contratou R$ 47,4 mil em produtos fornecidos pela Forma Office.

As adesões, conhecidas no setor público como “caronas”, já haviam chamado a atenção do TCU durante a análise do caso. Em decisão anterior, de 2021, a Corte chegou a determinar que não fossem autorizadas novas adesões nem realizadas novas contratações derivadas das atas questionadas.

O Ministério Público Federal já descreveu esse tipo de prática, quando acompanhado de quantidades sem correspondência com a necessidade real do órgão gerenciador, como uma espécie de “barriga de aluguel”: uma repartição pública cria uma ata suficientemente grande para que o fornecedor possa posteriormente utilizá-la para realizar negócios com outros órgãos.

A existência de adesões, isoladamente, não significa que os órgãos que compraram pela ata tenham cometido irregularidades.

MPF arquivou investigação antes da nova decisão

O caso tem outro componente. Antes de o TCU concluir o novo julgamento, uma investigação civil aberta pelo MPF em Campinas para apurar possíveis irregularidades relacionadas ao pregão havia sido arquivada.

A investigação apurava, entre outros pontos, suspeitas relacionadas à definição das quantidades previstas no pregão e a uma eventual participação de servidores para beneficiar as empresas envolvidas.

Em junho, a 5ª Câmara de Coordenação e Revisão do MPF homologou por unanimidade o arquivamento.

Segundo a decisão do Ministério Público, as diligências realizadas e uma sindicância não encontraram elementos suficientes para caracterizar “fraude, conluio, direcionamento ou lesão ao erário”, nem atos de improbidade administrativa.

A conclusão do MPF não elimina a irregularidade administrativa reconhecida pelo TCU. São esferas de responsabilização diferentes: enquanto a Corte de Contas analisou a regularidade da contratação e a atuação dos responsáveis, o inquérito civil buscava elementos que permitissem avançar sobre suspeitas de atos ilícitos.

O arquivamento, porém, ocorreu antes da decisão de 29 de julho na qual o TCU considerou procedente a representação sobre a criação de quantidades superestimadas para permitir a utilização da ata por outros órgãos.

Ao concluir o julgamento, o próprio TCU determinou que o novo acórdão fosse encaminhado novamente ao MPF.

O ICL Notícias questionou o Ministério Público Federal sobre se a nova decisão do TCU poderá provocar uma reavaliação do arquivamento do inquérito civil.

Caso também está na esfera militar

Apesar do arquivamento na esfera civil, documentos do MPF registram a existência de uma apuração criminal conduzida pelo Ministério Público Militar relacionada aos fatos.

O envio do novo acórdão ao MPM determinado pelo TCU acrescenta, portanto, uma nova peça a uma investigação cuja situação atual ainda não é pública.

O ICL Notícias questionou o Ministério Público Militar sobre o estágio da apuração, eventuais diligências realizadas e se o Acórdão 2010/2026 já foi incorporado ao procedimento.

O Exército também foi procurado para informar qual era a demanda real da 11ª Brigada quando o pregão foi elaborado, explicar a diferença entre as quantidades estimadas e efetivamente adquiridas pela unidade e detalhar quantos órgãos aderiram às atas e quanto foi contratado por meio delas.

A reportagem perguntou ainda sobre a situação funcional atual de João Marcelo Faiad e Silva, Gustavo Gabriel Aquino Santos e Gustavo Godoy Ribeiro da Silva e sobre eventuais procedimentos administrativos instaurados pela Força.

TCU já havia aplicado punições

O Pregão 26/2019 já havia provocado sanções meses antes do novo julgamento.

Em março, no Acórdão 657/2026, o TCU aplicou multas que, somadas, chegam a R$ 180 mil aos três agentes públicos envolvidos. Gustavo Godoy Ribeiro da Silva recebeu multa de R$ 60 mil; João Marcelo Faiad e Silva, de R$ 90 mil; e Gustavo Gabriel Aquino Santos, de R$ 30 mil.

Godoy também foi declarado inabilitado por cinco anos para exercer cargo em comissão ou função de confiança na administração pública. A Forma Office e a Forma Style foram declaradas inidôneas pelo mesmo período, nos termos estabelecidos pelo tribunal.

Godoy tentou posteriormente reverter a decisão, mas o TCU não conheceu do pedido de reexame apresentado por ele, por considerar o recurso intempestivo e sem fatos novos capazes de justificar sua análise.

No julgamento mais recente, o tribunal decidiu não aplicar novas sanções pela questão das quantidades superestimadas justamente porque os envolvidos já haviam sido punidos no processo pelas demais irregularidades identificadas no mesmo pregão.

A nova decisão, entretanto, encerra uma questão que ainda permanecia pendente no processo: para o TCU, houve irregularidade na definição das quantidades do Pregão 26/2019 com a finalidade de ampliar a utilização da ata por outros órgãos públicos.

quinta-feira, 6 de agosto de 2026

Daniela Lima e Leonardo Sakamoto expõem os abusos e o intervencionismo do bolsonarista e "terrivelmente evangélico" André Mendonça na Polícia Federal às vésperas das Eleições 2026

 

Do Canal Mídia Ninja (com vídeo do UOL News):






Sakamoto, no UOL: Polícia Federal, em nota dos 27 Superintendentes Regionais da PF, reclama de 'toffolização' de André Mendonça em caso de Lulinha

 

Do UOL:

Leonardo Sakamoto analisa a nota pública da PF sobre a interferência de André Mendonça no caso de Lulinha. O colunista diz se tratar de uma 'toffolização' no STF.



quinta-feira, 6 de agosto de 2026: Reinaldo Azevedo – Superintendentes da PF em todo o Brasil saem em defesa de Andrei Rodrigues, alvo de explicita tendenciosidade do "terrivelmente evangélico" indicado por Bolsonaro André Mendonça

 

Do Canal Metrópoles:

Os 27 superintendentes regionais da Polícia Federal (PF) assinaram nota pública defendendo a independência da corporação em investigações e reafirmando a “confiança na Direção da Polícia Federal”, chefiada por Andrei Rodrigues. O movimento ocorre em meio à tensão entre a PF e o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal. Rreinaldo Azevedo comenta



Mídia Ninja: Lindbergh lista dos indícios de crimes de Vice de Flávio Bolsonaro e revela a real face da chapa do crime nas Eleições 2026

 

Do Canal Midia Ninja:




André Mendonça (o bolsonarista "terrivelmente evangélico") pisoteia a Constituição. Artigo de Luís Nassif

  

A coluna da Daniela Lima descreve Mendonça assumindo controle direto e informal sobre a PF nos casos Master e INSS

Do Jornal GGN:

André Mendonça pisoteia a Constituição, por Luís Nassif


    André Mendonça - Imagem gerada por IA

Tem-se um Ministro do Supremo Tribunal Federal, André Mendonça, atropelando todos os princípios de justiça, influenciando de forma escancarada as eleições, interferindo na autonomia de outros poderes. E o máximo que se consegue de reação é a informação sobre o “desconforto” de seus colegas.

A jornalista Daniela Lima, da UOL, trouxe um levantamento preocupante sobre a atuação de Mendonça, uma volta escancarada às piores arbitrariedades da Lava Jato.

A coluna da Daniela Lima descreve Mendonça assumindo controle direto e informal sobre a PF nos casos Master e INSS — reuniões presenciais com delegados, determinações fora da pauta corporativa, despacho travando remanejamento na direção-geral. Isso é uma escalada em relação ao que já estava documentado: em fevereiro ele já havia revertido decisões de Toffoli e “empoderado” a PF; agora o relato é de que ele foi além — de árbitro processual para gestor operacional da investigação.

Se ele está de fato dando ordens diretas a delegados sobre prioridades de apuração — “escapando à agenda da corporação e às funções de praxe de relator”, como diz a coluna — isso dá sustentação factual adicional à tese de que o enquadramento “Lava Jato 2” envolve uso direcionado do aparato investigativo, não descoberta orgânica.

O despacho proibindo a direção-geral da PF de remanejar equipe. Isso é mais forte que os episódios anteriores (troca de peritos, restrição de acesso) porque tira do comando institucional da PF qualquer margem de resistência — fica sem “defesa”.

O problema não se esgota na arbitrariedade processual. Mendonça quebrou o sigilo de Fábio Luís sem qualquer indicação pública, até agora, de vínculo com o caso Master. Houve vazamento de informações envolvendo a lobista Roberta Luchsinger. Já no caso de Flávio Bolsonaro — mesmo após o áudio em que pede R$ 134 milhões a Daniel Vorcaro vir a público em maio —, o inquérito só foi solicitado pela PF em julho e autorizado por Mendonça em 23/07, mais de dois meses depois. É esse descompasso de ritmo, e o absoluto sigilo das investigações sobre Flávio, que faz a diferença. Mendonça interfere diretamente no processo eleitoral.

Ou seja, não é uma arbitrariedade que se esgota em si, um abuso contra a ordem institucional, mas algo que mexe com o futuro do país. E como fica? A ordem institucional no país depende de uma série de tribunais, de instituições, do trabalho da mídia, como defensora da democracia, da independência entre os poderes, dos freios e contrapesos. Mendonça pisoteia todos esses princípios, humilha a Nação, e o máximo que se ouve são muxoxos de Ministros do STF.


domingo, 2 de agosto de 2026

Com a explícita tendenciosidade bolsonarista do "terrivelmente evangélico" André Mendonça e a grande mídia comprometida com os poderosos da direita tetnato refazer a Lava Jato, veio também a reação lúcida: VIRADA NO CASO! DECISÃO SOBRE LULINHA AGITA O CENÁRIO E AUMENTA A PRESSÃO SOBRE FLÁVIO! Vídeo do Canal Lente Crítica

 

Do Canal Lente Critica:

Um novo desdobramento envolvendo o caso de Lulinha voltou a movimentar os bastidores de Brasília e provocou forte repercussão no cenário político. Neste vídeo, mostramos os detalhes da decisão que recolocou o assunto em evidência, as reações dos principais envolvidos e por que esse episódio passou a ser visto como um momento importante para os próximos capítulos da disputa política.

Também analisamos como a investigação pode influenciar o debate público, a repercussão entre aliados e adversários e de que forma o caso tem sido interpretado por analistas e pela imprensa. Entenda o contexto completo, os fatos mais recentes e quais podem ser os impactos desse novo capítulo. Assista até o final para conferir uma análise completa sobre o caso, os bastidores das decisões e os possíveis desdobramentos para o cenário político brasileiro.

sexta-feira, 31 de julho de 2026

Entre a teoria e a prática, o duro desafio de encarar a guerra híbrida dos EUA contra o Brasil, por Luis Nassif

 

Não se trata mais de ameaças pontuais, mas de uma estratégia geopolítica, sancionada pelo próprio Departamento de Estado dos EUA.


Do Jornal GGN:

    Reprodução

Ontem, mencionamos alguns dos instrumentos que serão utilizados pelos Estados Unidos para desestabilização do governo e do país.

Em linhas gerais:

  • Taxação do comércio.
  • Desestabilização financeira, através de movimentos de indução de fuga de capitais.
  • Represálias às autoridades, criando clima generalizado de desconforto.
  • Lei antiterrorismo, como álibi para incursões sobre o território brasileiro que, embora de curto alcance, possam ter enorme impacto político.
  • Guerra política nas redes. Ontem foi noticiado que o Consulado norte-americano está organizando encontros fechados com influenciadores de direita.
  • Infiltração eletrônica nos sistemas públicos, especialmente do TSE.
  • Episódios que possam provocar tumulto público.

Não se trata mais de ameaças pontuais, mas de uma estratégia geopolítica, sancionada pelo próprio Departamento de Estado, visando avançar sobre a mais relevante cidadela da América Latina.

A estratégia de disputa se dará sobre 4 grupos básicos. Em países com relações sociais e políticas menos deteriorados, a estratégia seria clara:

Frente 1 – Forças Políticas

Convocação de um pacto suprapartidário mínimo, ancorado na integridade institucional 

  1. Pacto suprapartidário mínimo, incluindo oposição, sobre a integridade das instituições (Judiciário, TSE, Banco Central) como linha vermelha comum — não um pacto sobre o governo. 
  2. Uso do Congresso como arena de resposta formal: projetos de lei de reciprocidade comercial e de proteção a autoridades sancionadas, convertendo indignação difusa em instrumento jurídico. 

Frente 2 – Opinião Pública

Disputar o enquadramento antes de disputar o fato

  1. Nomear publicamente a ação como “guerra híbrida”, com repetição consistente, para que cada novo evento (tarifa, sanção, tumulto) seja interpretado dentro desse quadro. 
  2. Pedagogia de soberania como contraponto ao efeito manada: demonstrar que ceder a um vetor específico não resolve, pois a pressão migra para o vetor seguinte. 

Frente 3 – Empresariado

  1. Segmentação por interesse objetivo: setores exportadores diretamente atingidos pela tarifa têm interesse imediato em lobby ativo por reciprocidade, não em acomodação bilateral silenciosa. 
  2. Ruptura da lógica de que soberania é “problema do governo” — evidenciar o custo direto ao balanço das próprias empresas.

Frente 4 – Forças de segurança

  1. Blindagem técnica da infraestrutura eleitoral e das redes públicas como resposta binária e apolítica (segurança cibernética).
  2. Protocolo de contenção de tumulto que evite o padrão provocação → resposta desproporcional → deslegitimação do Estado.

Os obstáculos

Obviamente, a teoria é infinitamente mais fácil de desenhar do que sua implementação.

No mundo real, tem-se um Congresso tomado por interesses setoriais e pelo avanço do crime organizado. Na política, há setores quinta-coluna, como o bolsonarismo e setores ligados ao Centrão. No meio empresarial, há uma enorme ausência de interlocutores, os grandes líderes empresariais de outras épocas. E, na opinião pública, uma contaminação extrema com os algoritmos das redes sociais.

A grande bandeira mobilizadora seria a soberania, dos valores nacionais. Mas, historicamente, as chamadas forças democráticas – esquerda, centro-esquerda – abandonaram essas bandeiras, que sempre foram manobradas pela direita, desde a ditadura até o bolsonarismo.

É só conferir a facilidade com que o golpe do impeachment destruiu a Lei do Petróleo, desmontou as políticas sociais, destruiu setores empresariais inteiros, desmontou ganhos sociais.

De qualquer modo, mesmo enfrentando o dilema de Sísifo – condenado a um castigo eterno: empurrar uma pedra enorme morro acima, e, toda vez que estava perto do topo, a pedra rolava de volta ao chão, obrigando-o a recomeçar para sempre – nada é mais brasileiro do que “a esperança é a última que morre”.

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Os choques mais relevantes virão através das redes sociais — e, nesse terreno, a estratégia da direita tem sido certeira.

Do Jornal GGN:

    Javier Milei discursa em convenção do Partido Liberal, no Brasil | Crédito: Reprodução

Um dos aspectos mais ostensivos da guerra híbrida é a tentativa de desestabilizar as autoridades brasileiras por meio de gestos e atitudes calculadas.

A simples ameaça de aplicação da Lei Magnitsky contra uma autoridade brasileira já produz efeitos instantâneos sobre o sistema bancário, sobre a diplomacia e sobre o comportamento das próprias autoridades — o simples fato de cogitá-la já quebra um paradigma.

O mesmo vale para o carnaval fora de época de Javier Milei — com direito a fralda geriátrica em cena pública — que não foi apenas uma extravagância pessoal, mas parece se encaixar numa ação combinada com Donald Trump para conturbar o ambiente político brasileiro, assim como a manifestação do premiê israelense Benjamin Netanyahu.

Essas são apenas pedras jogadas no lago. Os choques mais relevantes virão através das redes sociais — e, nesse terreno, a estratégia da direita tem sido certeira. Numa ponta, Kassio Nunes Marques e André Mendonça à frente do TSE, justamente no ano eleitoral. Na outra, o mesmo Andr Mendonça conduzindo, como relator no STF, a Operação Master.

Os riscos maiores ainda não são plenamente perceptíveis. Há uma vinculação estreita entre as grandes empresas de inteligência artificial e o Pentágono. As versões mais recentes de alguns modelos foram recolhidas ou restringidas justamente por sua capacidade de romper barreiras de segurança de sistemas — um indicativo do quanto essa tecnologia já opera no limiar do uso militar e de inteligência.

A essas frentes, somam-se outras que merecem ser monitoradas:

  • Pressão sobre o sistema financeiro e de pagamentos — sanções, restrições de correspondência bancária e ameaças a instituições que operem com autoridades ou empresas brasileiras específicas, um instrumento que já vinha sendo usado em outros países antes de chegar ao Brasil.
  • Tarifas e barreiras comerciais usadas como instrumento de pressão política, não apenas econômica.
  • Campanhas de desinformação em massa nas redes sociais, amplificadas por perfis automatizados e por figuras políticas alinhadas, com potencial de interferência direta no processo eleitoral de outubro.
  • Dependência tecnológica e de infraestrutura digital (nuvem, IA, cabos submarinos) como vetor de vulnerabilidade estratégica.
  • Uso seletivo de vistos e sanções individuais contra ministros, magistrados e autoridades, como forma de constranger decisões internas.

Diante desse quadro, há a necessidade urgente de atrair técnicos qualificados e revigorar a ABIN, para construir barreiras adicionais em relação a essas novas ameaças — que não são mais hipotéticas, mas já operam no dia a dia da política brasileira.

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UOL: Trump e Milei têm atitude de desespero contra o Brasil e não por cálculo político, analisa Leonardo Trevisan

 

Do UOL:

O professor Leonardo Trevisan analisa o comportamento recente de Javier Milei e Donald Trump, apontando sinais de desespero em suas estratégias políticas e econômicas ao atacarem o Brasil.



Do Canadá Diário: Senadores dos EUA DENUNCIAM PLANO GOLPISTA de Trump CONTRA O BRASIL e encontro com Flávio vem à tona

 

 

Do Canal Canadá Diário:

Senadores dos Estados Unidos denunciaram o governo Donald Trump por espalhar teorias conspiratórias sobre a eleição brasileira de 2026. Ao mesmo tempo, veio à tona que a missão de dois enviados do governo Trump, barrados pelo Brasil, previa um encontro com Flávio Bolsonaro.

Neste vídeo, o Canadá Diário investiga a missão de Riley Barnes e Samuel Samson, integrantes do Departamento de Estado dos Estados Unidos que solicitaram vistos para viajar ao Brasil durante a campanha presidencial.


A agenda oficial falava em democracia, liberdade religiosa, liberdade de expressão e integridade eleitoral. Porém, a programação também incluía uma reunião com Flávio Bolsonaro, candidato que tenta transformar Donald Trump em seu principal aliado internacional.

O governo brasileiro negou os vistos por considerar que a missão poderia servir para questionar a credibilidade das urnas eletrônicas e interferir na eleição brasileira. O Departamento de Estado negou qualquer intenção de interferência e declarou que a viagem seria uma atividade diplomática rotineira.

A reação mais forte veio dos próprios Estados Unidos.

Senadores democratas da Comissão de Relações Exteriores do Senado acusaram o governo Trump de propagar teorias conspiratórias eleitorais, enfraquecer a confiança na democracia e afastar aliados dos Estados Unidos.

A denúncia ocorre enquanto Donald Trump amplia sua pressão sobre o Brasil, impõe tarifas contra produtos brasileiros e transforma a eleição presidencial brasileira em uma prioridade de sua política externa.

A crise também envolve Daniel Perez, indicado por Trump para assumir a Embaixada dos Estados Unidos em Brasília. O governo brasileiro ainda não concedeu a autorização diplomática necessária para que Perez assuma o cargo. Durante sua passagem pelo Senado, ele declarou que a eleição brasileira estaria entre suas primeiras prioridades.

Por que uma missão estadunidense pretendia discutir a confiabilidade da eleição brasileira justamente durante a campanha?

Qual seria o objetivo do encontro com Flávio Bolsonaro?

Por que Donald Trump demonstra tanto interesse na disputa entre Lula e Flávio Bolsonaro? E por que políticos que afirmam defender a soberania brasileira procuram constantemente apoio, pressão e proteção em Washington?

Esta reportagem analisa a conexão política entre Donald Trump, Flávio Bolsonaro, Jair Bolsonaro e a extrema direita internacional. Também mostra como discursos sobre liberdade e integridade eleitoral podem ser utilizados para fabricar desconfiança, enfraquecer instituições e preparar eleitores para rejeitar resultados inconvenientes.

Fontes citadas e consultadas incluem Reuters, The Guardian, declarações públicas de integrantes da Comissão de Relações Exteriores do Senado dos Estados Unidos e informações oficiais relacionadas ao Departamento de Estado.

Assista até o final e deixe sua opinião nos comentários. Você considera essa missão uma atividade diplomática legítima ou uma tentativa de interferência na eleição brasileira? O Brasil agiu corretamente ao negar os vistos? Compartilhe este vídeo com outras pessoas interessadas em política brasileira, Donald Trump, Jair Bolsonaro, Flávio Bolsonaro, Lula, eleições 2026, democracia, geopolítica e política internacional. Inscreva se no Canadá Diário e ative as notificações para acompanhar nossas análises, investigações e notícias internacionais relacionadas ao Brasil.