Do Portal do José:
Textos de Filosofia e ensaios sobre temas atuais
O Instituto Iter, fundado por André Mendonça em 2023, quase dois anos após o ex-ministro de Jair Bolsonaro assumir uma cadeira no Supremo Tribunal Federal (STF), firmou um contrato sem licitação com a gestão Ricardo Nunes (MDB), na Prefeitura de São Paulo, no valor de R$ 380 mil para desenvolver dois cursos de aperfeiçoamento aos servidores municipais no prazo de 3 meses. Os dados são públicos e foram levantados pelo Fórum Investiga, núcleo de jornalismo investigativo da Fórum.
O contrato foi assinado em 24 de setembro de 2025 por Victor Godoy Veiga, que assumiu como CEO do Instituto Iter após atuar como ministro da Educação de Jair Bolsonaro. Pela prefeitura paulistana, o documento foi assinado digitalmente pela secretária Municipal de Gestão, a advogada Marcela Cristina Arruda Nunes – leia a íntegra do contrato entre a Prefeitura de São Paulo e o Instituto Iter.
O valor total, já empenhado no documento, foi de R$ 380 mil para “prestação de serviços especializados de treinamento e aperfeiçoamento de agentes públicos municipais, por meio da oferta dos cursos “Governança e Gestão Estratégica em Contratações Públicas” e “Excelência na Gestão e Fiscalização Contratual”, realizados no âmbito das ações formativas de competência da Escola Municipal de Administração Pública de São Paulo – EMASP”.

O contrato previa 41 vagas, ao custo de R$ 200 mil, para o curso de “Governança e Gestão Estratégica em Contratações Públicas”, com um total de 5 horas. A capacitação deveria ser realizada de forma presencial ao custo de R$ 4.878 por participante.
Já para o curso de “Excelência na Gestão e Fiscalização Contratual”, ao custo de R$ 180 mil, teriam sido ofertadas 64 vagas para cada capacitação de 16 horas. O curso individual foi R$ 2.813 por participante.
O prazo de vigência do contrato foi determinado em 3 meses, contados a partir da assinatura do contrato “podendo ser prorrogado, desde que justificado”.
Para dispensar a licitação para prestação do serviço, a gestão Ricardo Nunes lançou o mesmo artifício jurídico do governo Tarcísio Gomes de Freitas (Republicanos), que justificou com a mesma Lei nº 14.133/2021 a inexigibilidade para firmar um contrato no valor de R$ 1.630.758,00 em 14 de maio deste ano com a Fundação Para o Desenvolvimento da Educação (FDE).
Um Estudo Técnico Preliminar (ETP), disponível no Portal Nacional de Contratações Públicas (PNCP), apresenta os motivos que justificaram a contratação direta do Instituto de André Mendonça, mesmo com cursos mais baratos e de maior carga horária disponíveis no mercado.
No item 3.3, sobre a “hipótese de contratação direta”, o estudo afirma “que os cursos disponíveis atualmente no credenciamento e no catálogo da EMASP não atendem às necessidades descritas” e lista cursos semelhantes oferecidos no merca, mas que, segundo a análise não contemplaria a contratação.

Em relação ao Curso “Governança e Gestão Estratégica em Contratações Públicas”, o estudo cita dois cursos similares, um deles do Tribunal de Contas do Estado do Rio Grande do Sul, com maior carga horária e menor valor. Um deles, da Unieducar Inteligência Educacional, custa R$ 198,26 com carga de 40 horas a serem cumpridas em até 30 dias. O mais extenso, de 100 horas, custa R$ 495,69.
Entre as justificativas apresentadas, a prefeitura paulista diz que o curso oferecido pelo Iter tem como “diferencial importante o formato presencial e imersivo que “promove a troca de experiências entre dirigentes e especialistas, favorecendo o networking e a aplicação prática imediata dos conhecimentos”.
No site da Emasp o curso é apresentado com carga horária de 4,5 horas e a metodologia é uma “apresentação teórico-expositiva dialogada (palestra), com discussão de caso que envolva conteúdo de todos os módulos”.
Os educadores listados são o advogado Ronny Charles, que atua como coordenador dos cursos de Licitações e Contratos do Instituto Iter, e o próprio André Mendonça.

Em outra justificativa, o estudo afirma que “enquanto os cursos das demais instituições são voltados a servidores públicos em geral, o curso do Iter é especialmente desenhado para dirigentes da alta administração, com uma abordagem estratégica voltada à tomada de decisão institucional”.
No curso “Excelência na Gestão e Fiscalização Contratual”, o parecer apresenta cinco cursos semelhantes, com maior carga horária e menor custo, no mercado. Mas, segue argumentando que o Iter se diferencia “no que diz respeito à profundidade normativa, aplicabilidade prática e alinhamento com jurisprudência de órgãos de controle, em especial do TCM-SP”.
O que o parecer não considera, entre outras inconsistências, é que o curso do Iter teria sido apresentado especificamente para atender a demanda a ser contratada, algo que outros institutos podem desenvolver com a mesma competência – leia a íntegra do estudo técnico apresentado para dispensa de licitação.
Além disso, os documentos públicos não informam como foi feita a contratação e os contatos entre a prefeitura e o Iter, se partiu de uma oferta do instituto de André Mendonça ou se a administração Ricardo Nunes procuro apenas a instituição do aliado para desenvolver o conteúdo específico.
A Fórum entrou em contato com a Prefeitura de São Paulo e o Instituto Iter, de André Mendonça, enviando uma série de perguntas sobre o caso.
Em nota, a Secretaria Municipal de Gestão do governo Ricardo Nunes diz que “o fundamento técnico adotado neste caso não foi a inexistência de alternativas no mercado, mas a natureza intelectual do serviço e a avaliação técnica de que a solução contratada apresentava características específicas consideradas adequadas para a capacitação dos fiscais e da alta liderança”.
A prefeitura paulistana, no entanto, não especifica se buscou outras instituições que pudessem oferecer o mesmo serviço e, tampouco, como surgiu a contratação do Iter, de André Mendonça, conforme indagado.
O Instituto Iter não respondeu as perguntas enviadas pelo Fórum Investiga até o fechamento desta reportagem. O espaço segue aberto.
Leia abaixo a íntegra da nota enviada Secretaria de Gestão da administração Ricardo Nunes e as perguntas enviadas pela Fórum à prefeitura e ao Iter.
A Secretaria Municipal de Gestão (SEGES) informa que a contratação realizada pela Escola de Administração Pública da Prefeitura de São Paulo seguiu estritamente a Lei de Licitações, que autoriza a inexigibilidade de licitação para serviços técnicos especializados de treinamento e aperfeiçoamento de pessoal, de natureza predominantemente intelectual, prestados por instituição de notória especialização.
O fortalecimento do treinamento especializado para servidores públicos integra o Plano de Metas 2025-2028, e o fundamento técnico adotado neste caso não foi a inexistência de alternativas no mercado, mas a natureza intelectual do serviço e a avaliação técnica de que a solução contratada apresentava características específicas consideradas adequadas para a capacitação dos fiscais e da alta liderança — hipótese amplamente aprovada pelos Tribunais de Contas.
Importante destacar que a análise técnica não se restringiu a critérios quantitativos, como preço ou carga horária, mas considerou também aspectos como metodologia, conteúdo, público-alvo, abordagem pedagógica, corpo docente e aderência às necessidades específicas identificadas pela Pasta. A compatibilidade dos preços foi analisada conforme os parâmetros do mercado e da legislação.
1) O Estudo Técnico Preliminar afirma que os cursos disponíveis no credenciamento e no catálogo da EMASP não atendiam às necessidades da Prefeitura e, por isso, justificou a contratação do Instituto Iter por inexigibilidade. Como a Prefeitura chegou a essa conclusão se o próprio ETP identifica outros cursos sobre os mesmos temas, alguns com carga horária significativamente maior e valores muito inferiores? Quais critérios objetivos foram utilizados para concluir que essas instituições não poderiam atender à demanda da EMASP?
2) No caso do curso “Governança e Gestão Estratégica em Contratações Públicas”, o ETP aponta como diferencial do Iter o formato presencial e imersivo e o fato de o curso ser direcionado a dirigentes da alta administração. A Prefeitura pesquisou outros fornecedores que pudessem oferecer um curso presencial com conteúdo e público-alvo semelhantes? Em caso positivo, quais foram consultados e quais propostas apresentaram? Em caso negativo, por que essa comparação não foi realizada antes da contratação por inexigibilidade?
3) No caso do curso “Excelência na Gestão e Fiscalização Contratual”, o ETP afirma que o Iter se diferenciaria pela profundidade normativa, aplicabilidade prática e alinhamento à jurisprudência dos órgãos de controle, especialmente do TCM-SP. Como a Prefeitura comprovou que essas características não poderiam ser oferecidas por outras instituições especializadas em licitações e contratos públicos? A EMASP consultou instituições como IDP, FGV ou outras que oferecem cursos sobre gestão e fiscalização de contratos antes de concluir pela inviabilidade de competição?
4) Os documentos públicos disponíveis não esclarecem como surgiu a contratação do Instituto Iter: se a demanda partiu da Prefeitura, que procurou o instituto para desenvolver os cursos, ou se o Iter apresentou previamente a proposta à administração municipal. Qual foi a origem da contratação? Quem fez o primeiro contato, em que data ocorreu e quais reuniões, apresentações ou propostas comerciais foram realizadas antes da abertura do processo de inexigibilidade?
5) O ETP afirma que o valor estimado da contratação, de aproximadamente R$ 400 mil, foi calculado com base em contratos anteriores do Instituto Iter com outros órgãos públicos. Quais foram esses contratos utilizados como parâmetro e como eles se comparam ao contrato de São Paulo em número de participantes, carga horária, conteúdo e valor? Além disso, considerando que o ETP estimava R$ 200 mil para cada curso, quais fatores levaram o valor final do segundo curso a ser reduzido para R$ 180 mil, totalizando R$ 380 mil?
1) Como surgiu a contratação do Instituto Iter pela Secretaria Municipal de Gestão de São Paulo? O Iter procurou a Prefeitura para oferecer os cursos ou foi procurado pela EMASP? Informar a data do primeiro contato, os responsáveis envolvidos, as reuniões realizadas e quando foram apresentadas as primeiras propostas comerciais.
2) O contrato de R$ 380 mil foi firmado por inexigibilidade, sob a alegação de que o Iter possui especialização diferenciada para oferecer os cursos. Quais experiências, contratos anteriores, qualificações dos professores e outros elementos foram apresentados à Prefeitura para demonstrar essa especialização? O Iter pode informar quais contratos com outros órgãos públicos foram utilizados para justificar ou formar o preço apresentado à Prefeitura de São Paulo?
3) O Estudo Técnico Preliminar da Prefeitura aponta diversos cursos semelhantes oferecidos por outras instituições, inclusive alguns com maior carga horária e preços muito inferiores, e afirma que o Iter se diferencia pelo formato, conteúdo e experiência dos instrutores. Qual é, objetivamente, o diferencial do curso oferecido pelo Iter que impediria outras instituições especializadas em contratações públicas de desenvolver uma capacitação com conteúdo, metodologia e público-alvo semelhantes? O Iter considera que outras instituições poderiam oferecer esse mesmo serviço caso fossem contratadas pela Prefeitura?
“André quer te receber. Acho que dei uma balançada nele naquele assunto”, disse o “anjo da guarda” de Daniel Vorcaro em mensagem
Do Brasil 247:
247 – Mensagens e áudios extraídos do celular de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, indicam que ele teve ao menos uma reunião reservada com o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, em 14 de março de 2025, em São Paulo. O encontro teria durado cerca de duas horas e ocorrido no endereço de um instituto fundado pelo próprio magistrado.
O material foi obtido pelo jornalista Paulo Motoryn e publicado originalmente na newsletter Noites Húngaras, no Substack. Segundo a apuração, a aproximação entre Vorcaro e Mendonça foi articulada ao longo de semanas pelo advogado Ciro Rocha Soares e pelo deputado federal Cezinha de Madureira (PL-SP).
As conversas não revelam qual providência Vorcaro pretendia obter, nem comprovam que Mendonça tenha interferido no Banco Central ou tomado qualquer medida em favor do Banco Master. O conteúdo, porém, mostra que pessoas próximas ao ministro atuaram para viabilizar o encontro, que Mendonça teria sido informado previamente sobre uma situação envolvendo o Banco Central e que houve ao menos uma reunião presencial entre o banqueiro e o ministro.
Um dos trechos mais relevantes é um áudio enviado por Ciro Rocha Soares a Vorcaro em 8 de fevereiro de 2025. Na mensagem, o advogado aparece ao lado de Mendonça em uma alfaiataria e afirma estar atuando em favor do banqueiro.
“Fala, Vorcarinho, trabalhando por você! Levei o André lá no Vasco [alfaiataria] agora, pra fazer um terno”, disse Ciro.
A articulação começou no dia anterior. Em 7 de fevereiro, Ciro tentou ligar várias vezes para Vorcaro e, depois das chamadas não atendidas, enviou mensagens curtas: “Opa”, “me liga” e, às 14h03, “Tô [com] André M.”. No dia seguinte, encaminhou ao banqueiro uma foto em que aparecia ao lado do ministro. A imagem teria sido feita em uma unidade da Alfaiataria Vasco Vasconcelos, empresa com endereços em São Paulo e Brasília.
As mensagens não esclarecem que tipo de “trabalho” Ciro dizia estar fazendo para Vorcaro. Também não indicam se havia contrato formal entre o advogado e o banqueiro, o Banco Master ou empresas ligadas ao grupo. A frase, no entanto, mostra que Ciro apresentava sua proximidade com Mendonça como parte de uma atuação em favor do dono do Banco Master.
A relação entre Ciro e Vorcaro, de acordo com as conversas, ia além de uma interlocução estritamente profissional. Os dois trocavam mensagens em tom pessoal, com declarações de amizade e referências familiares. Em 16 de fevereiro, o advogado voltou a procurar o banqueiro para tratar da aproximação com Mendonça.
“Opa, Dani!!! Preciso muito falar com você. O A.M. quer recebê-lo. E preciso agendar o quanto antes”, escreveu Ciro. Em seguida, reforçou: “Muito importante sua ida nele junto comigo”.
Vorcaro respondeu com um ponto de interrogação e depois sugeriu: “Marca quarta”. Na mesma troca de mensagens, Ciro chamou o banqueiro de “meu irmão caçula, meu protegido”. Vorcaro, por sua vez, referiu-se ao advogado como “irmão, anjo da guarda, parceiro, amigo de verdade” e escreveu: “Se não fosse você eu não estaria de pé”.
As mensagens não esclarecem que tipo de “trabalho” Ciro dizia estar fazendo para Vorcaro. Também não indicam se havia contrato formal entre o advogado e o banqueiro, o Banco Master ou empresas ligadas ao grupo. A frase, no entanto, mostra que Ciro apresentava sua proximidade com Mendonça como parte de uma atuação em favor do dono do Banco Master.
A relação entre Ciro e Vorcaro, de acordo com as conversas, ia além de uma interlocução estritamente profissional. Os dois trocavam mensagens em tom pessoal, com declarações de amizade e referências familiares. Em 16 de fevereiro, o advogado voltou a procurar o banqueiro para tratar da aproximação com Mendonça.
“Opa, Dani!!! Preciso muito falar com você. O A.M. quer recebê-lo. E preciso agendar o quanto antes”, escreveu Ciro. Em seguida, reforçou: “Muito importante sua ida nele junto comigo”.
Vorcaro respondeu com um ponto de interrogação e depois sugeriu: “Marca quarta”. Na mesma troca de mensagens, Ciro chamou o banqueiro de “meu irmão caçula, meu protegido”. Vorcaro, por sua vez, referiu-se ao advogado como “irmão, anjo da guarda, parceiro, amigo de verdade” e escreveu: “Se não fosse você eu não estaria de pé”.
Depois dessa conversa, Ciro enviou um áudio de 1 minuto e 39 segundos no qual relatou sua interlocução com André Mendonça. Segundo ele, o ministro havia feito uma homenagem em sua festa de aniversário, evento que também teria contado com a presença do ministro Kassio Nunes Marques, do STF, e do procurador-geral da República, Paulo Gonet.
“O André Mendonça fez uma homenagem pra mim do caralho no aniversário. O Kassio, o Gonet, puta merda, enfim, foi bacana”, disse Ciro.
Na sequência, o advogado voltou ao tema que o levara a procurar Vorcaro: “O André quer te receber. Acho que eu dei uma balançada nele naquele assunto.”
Ciro não explicou, nesse trecho, qual era “aquele assunto”. Mais adiante, porém, fez referência direta ao Banco Central e afirmou que Mendonça já havia sido informado sobre a situação tanto por ele quanto por Cezinha de Madureira.
“O André Mendonça disse que quer te receber junto comigo, me pediu até pra levar o Otto. Ele sabe, soube da situação do Banco Central toda. Eu contei. Ele já sabia que o Cezinha, Cezinha já tinha falado com ele.”
O áudio indica que havia ao menos duas frentes de interlocução com Mendonça: uma conduzida por Ciro e outra por Cezinha. Segundo o advogado, ambos já haviam conversado com o ministro sobre a situação ligada ao Banco Central antes do encontro com Vorcaro.
Uma primeira tentativa de reunião foi marcada para 19 de fevereiro de 2025. No dia 17, Ciro avisou a Vorcaro que estava deixando Brasília e pediu para conversar com ele. Depois de uma ligação de 18 segundos, informou que Cezinha havia confirmado um compromisso para “às 16h de quarta”. A quarta-feira seguinte era 19 de fevereiro.
Na data marcada, Ciro pediu que Vorcaro convocasse Bruno Bianco Leal, ex-ministro da Advocacia-Geral da União no governo Jair Bolsonaro, para participar. Bianco comandou a AGU depois que Mendonça deixou o cargo para assumir uma cadeira no Supremo. Posteriormente, passou a atuar na iniciativa privada e se tornou advogado ligado ao Banco Master, integrando a equipe de defesa de Vorcaro.
“Ô, Dani, deixa eu te falar aqui, pede ao Bruno Bianco chegar aqui quatro e meia, pode ser? Que aí a gente faz uma apresentação aqui. Ou quatro e vinte”, disse Ciro em áudio.
A reunião, porém, não ocorreu naquele horário. A apuração da Noites Húngaras afirma ter conferido a agenda do Supremo e o registro em vídeo da sessão do plenário daquele dia. Mendonça estava em Brasília e participou presencialmente da sessão, que avançou pela tarde, o que tornaria impossível sua presença em São Paulo às 16h. As mensagens não esclarecem se o encontro foi cancelado ou remarcado.
Menos de um mês depois, Cezinha de Madureira voltou a acionar Vorcaro. Em 13 de março, o deputado informou que havia marcado uma reunião com André Mendonça para as 17h do dia seguinte, em São Paulo.
“Amanhã sexta-feira 17:00 com ministro André em São Paulo”, escreveu Cezinha.
Na sequência, o deputado enviou o endereço: Alameda Santos, 647, 16º andar. Vorcaro respondeu: “Show” e “Marcado”. Cezinha acrescentou: “Estarei lá para te receber” e reforçou: “Amanhã sexta-feira 14 às 17:00”.
No dia do encontro, 14 de março, Vorcaro procurou Cezinha pouco antes das 17h. “Fala amigo”, escreveu às 16h37. Três segundos depois, avisou: “Estou a caminho”. Após uma ligação de 20 segundos entre os dois, Cezinha enviou a mensagem que, segundo a apuração, confirma a presença de Mendonça no local: “Ministro já está te esperando.”
As conversas de Vorcaro com seu motorista reforçam o deslocamento até o endereço indicado. Às 16h30, o banqueiro encaminhou ao funcionário o mesmo endereço enviado por Cezinha. Em seguida, escreveu: “Descendo” e ordenou: “Vamos nesse endereço”. O motorista respondeu: “Ok dr”. Às 18h40, Vorcaro voltou a escrever ao funcionário: “Saindo”.
O intervalo entre a chegada e a saída indica que Vorcaro permaneceu no local por cerca de duas horas. Segundo a Noites Húngaras, a reunião ocorreu no endereço do Instituto ITER, instituição de ensino fundada por André Mendonça em 2023. O encontro não teria acontecido na sede do STF, no gabinete do deputado ou em uma dependência do Banco Master.
A escolha de um endereço privado levanta questionamentos sobre se a reunião foi registrada na agenda pública de Mendonça, em que condição o ministro recebeu o banqueiro, quem participou da conversa e qual assunto foi tratado. O material divulgado não inclui ata, gravação ou transcrição da reunião. Também não demonstra que o ministro tenha adotado qualquer providência depois do encontro.
Cezinha de Madureira, apontado nas mensagens como um dos articuladores da aproximação, exerce o terceiro mandato de deputado federal por São Paulo e é uma liderança ligada à Assembleia de Deus do Ministério de Madureira. Sua trajetória política está associada à Frente Parlamentar Evangélica. O ministro André Mendonça, por sua vez, foi indicado ao STF por Jair Bolsonaro sob a promessa de nomear um ministro “terrivelmente evangélico”.
Segundo a apuração, Cezinha não apenas indicou o contato de Mendonça. Ele teria falado previamente com o ministro sobre a situação de Vorcaro no Banco Central, participado da tentativa de reunião em fevereiro e organizado diretamente o encontro realizado em março.
O material divulgado também menciona que, em 25 de agosto de 2026, a Polícia Federal apreendeu R$ 510 mil na bagagem de mão de Valéria Linhares, advogada e mulher de Cezinha, no Aeroporto de Congonhas, em São Paulo. Valéria foi assistida pelo advogado Daniel Bialski, que também atua na defesa de Daniel Vorcaro. A coincidência na representação jurídica, ressalta a apuração, não comprova relação entre o dinheiro e o banqueiro ou o Banco Master, mas acrescenta mais um ponto de contato entre os personagens.
A newsletter Noites Húngaras informou que procurou o ministro André Mendonça e o deputado Cezinha de Madureira, mas não obteve resposta até a publicação da reportagem. A assessoria de comunicação do STF confirmou o recebimento da demanda e disse que ela foi encaminhada ao gabinete de Mendonça. Segundo a publicação, o próprio ministro também tomou conhecimento da reportagem, mas não enviou manifestação. Ciro Rocha Soares também foi procurado, mas não foi localizado.
Advogado disse estar “trabalhando” para Vorcaro ao levar relator do caso Master no STF em alfaiataria; semanas depois, banqueiro se reuniu por duas horas com Mendonça em São Paulo.
Do ICL Notícias:
Jornalista investigativo e autor da newsletter independente Noites Húngaras, dedicada à cobertura de política, democracia e extremismo. É comentarista do ICL Notícias. Antes, trabalhou no Intercept Brasil, onde liderou a série Vaza Flávio. Foi repórter no Poder360, Brasil de Fato e Diário Lance e colaborou com o The New York Times.
Por Paulo Motoryn
Mensagens e áudios extraídos do celular de Daniel Vorcaro revelam que o dono do Banco Master teve pelo menos um encontro secreto com o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal.
A reunião ocorreu em 14 de março de 2025, em São Paulo, durou cerca de duas horas e foi realizada no endereço de um instituto fundado pelo próprio magistrado.
A aproximação foi articulada durante semanas pelo advogado baiano Ciro Rocha Soares e pelo deputado federal Cezinha de Madureira, do PL de São Paulo.
Em uma das mensagens mais explícitas, Ciro enviou a Vorcaro uma fotografia ao lado de Mendonça e afirmou que estava “trabalhando” para o banqueiro enquanto levava o ministro a uma alfaiataria.
“Fala, Vorcarinho, trabalhando por você! Levei o André lá no Vasco agora, pra fazer um terno”, disse o advogado em áudio enviado em 8 de fevereiro de 2025.
O material mostra ainda que Ciro e Cezinha conversaram previamente com Mendonça sobre uma situação relacionada aos problemas enfrentados pelo Master no Banco Central.
Em outro áudio, o advogado disse ter deixado o ministro “balançado” com o assunto e afirmou que Mendonça queria receber Vorcaro.
“O André Mendonça disse que quer te receber junto comigo”, relatou Ciro. “Ele sabe, soube da situação do Banco Central toda. Eu contei. Ele já sabia que o Cezinha já tinha falado com ele.”
O conteúdo não revela qual providência Vorcaro pretendia obter nem comprova que Mendonça tenha interferido no Banco Central ou adotado qualquer medida em favor do Banco Master. Comprova, porém, a articulação promovida por pessoas próximas ao ministro, o conhecimento prévio de Mendonça sobre o assunto e a realização de pelo menos uma reunião reservada com o banqueiro.

A articulação começou em 7 de fevereiro de 2025. Naquela tarde, Ciro Rocha Soares fez sucessivas tentativas de telefonar para Daniel Vorcaro. Depois das chamadas perdidas, escreveu: “Opa”, “me liga” e, às 14h03, acrescentou: “Tô [com] André M.”.
No dia seguinte, o advogado encaminhou ao banqueiro uma fotografia na qual aparecia ao lado de André Mendonça. A imagem teria sido feita em uma unidade da Alfaiataria Vasco Vasconcelos, empresa com endereços em São Paulo e Brasília.

Logo depois da fotografia, Ciro enviou o áudio de seis segundos: “Fala, Vorcarinho, trabalhando por você! Levei o André lá no Vasco agora, pra fazer um terno.”
As mensagens não esclarecem que trabalho Ciro dizia estar realizando para Vorcaro nem se o advogado mantinha contrato formal com o banqueiro, com o Banco Master ou com alguma empresa ligada ao grupo. A frase, porém, mostra que ele apresentava sua proximidade com Mendonça como parte de uma atuação em favor de Vorcaro.
Ciro Rocha Soares é advogado com atuação principalmente na Bahia e sócio do escritório Rocha Soares Advogados Associados, sediado em Salvador. Entre 2016 e 2017, exerceu o cargo de ouvidor do Ministério do Turismo.
As conversas mostram que sua relação com Vorcaro ultrapassava uma interlocução estritamente profissional. Os dois se tratavam como irmãos, trocavam declarações de amizade e falavam sobre questões familiares.
Essa intimidade aparece com clareza nas mensagens trocadas em 16 de fevereiro, quando Ciro procurou novamente o dono do Banco Master.
“Opa, Dani!!! Preciso muito falar com você. O A.M. quer recebê-lo. E preciso agendar o quanto antes”, escreveu o advogado às 17h47. Na mensagem seguinte, reforçou: “Muito importante sua ida nele junto comigo”.
Vorcaro respondeu com um ponto de interrogação e depois sugeriu: “Marca quarta”.

Ciro insistiu que precisava conversar por telefone para explicar o assunto. Na sequência, reclamou, em tom amistoso, que Vorcaro havia sido “o único amigo” que não ligara no seu aniversário.
O banqueiro respondeu que quase compareceu à festa, mas teve um problema com os filhos. Disse também que sabia que a comemoração era uma surpresa e, por isso, não quis falar sobre ela antecipadamente.
“Você é meu irmão caçula, meu protegido”, respondeu Ciro. Vorcaro, por sua vez, enviou uma longa mensagem de aniversário. Chamou o advogado de “irmão, anjo da guarda, parceiro, amigo de verdade” e afirmou: “Se não fosse você eu não estaria de pé”.
A conversa ajuda a dimensionar o grau de confiança existente entre os dois no momento em que Ciro atuava para aproximar o banqueiro de um ministro do Supremo.
Depois da troca de declarações, Ciro enviou a Vorcaro um áudio de 1 minuto e 39 segundos. É nessa gravação que o advogado descreve de maneira mais detalhada sua interlocução com André Mendonça.
Ciro começou dizendo que conhecia o momento vivido pelo banqueiro e que havia sentido sua ausência na festa de aniversário. Contou que um senador havia dado “um show” no evento, cantado e perguntado por Vorcaro.
Em seguida, relatou que André Mendonça havia feito uma homenagem a ele durante a comemoração. Segundo Ciro, também estavam presentes o ministro do STF Kassio Nunes Marques e o procurador-geral da República, Paulo Gonet.
“O André Mendonça fez uma homenagem pra mim do caralho no aniversário. O Kassio, o Gonet, puta merda, enfim, foi bacana”, disse.
Logo depois, o advogado voltou ao assunto que o levara a procurar Vorcaro: “O André quer te receber. Acho que eu dei uma balançada nele naquele assunto.”
Ciro não detalhou na gravação qual era “aquele assunto”. Mais adiante, porém, fez referência direta à situação do Banco Central e afirmou que Mendonça já havia sido informado sobre ela tanto por ele quanto por Cezinha de Madureira.
“O André Mendonça disse que quer te receber junto comigo, me pediu até pra levar o Otto. Ele sabe, soube da situação do Banco Central toda. Eu contei. Ele já sabia que o Cezinha, Cezinha já tinha falado com ele.”
A referência a “Otto” parece ser ao senador Otto Alencar, do PSD da Bahia, citado anteriormente na conversa. A identidade, contudo, ainda precisa ser confirmada.
O áudio revela que havia ao menos duas linhas de interlocução com André Mendonça. Uma era conduzida por Ciro; a outra, por Cezinha de Madureira. Segundo o advogado, ambos já haviam conversado com o ministro sobre a situação relacionada ao Banco Central antes do encontro com Vorcaro.
Ciro disse ainda que iria a Brasília acompanhado de Otto e, em seguida, seguiria para São Paulo, onde seria internado no Hospital Sírio-Libanês. Propôs encontrar Vorcaro no próprio banco, por volta das 17h ou 18h, para que conversassem antes da reunião com Mendonça.
“Se quiser, eu passo no banco, a gente conversa”, sugeriu. Ao final, insistiu que precisava falar com o banqueiro e marcou um encontro para as 18h do dia seguinte.
Em 17 de fevereiro, Ciro avisou que estava deixando Brasília, onde participara de uma reunião, e pediu para conversar com Vorcaro às 18h. “Dani, estou saindo de BSB agora. Estava numa reunião. Preciso falar com você hoje. Podemos marcar às 18h”, escreveu.
Os dois fizeram uma ligação de 18 segundos. Pouco depois, Ciro informou que estava “subindo”, indicando que teria chegado ao local combinado para o encontro com o banqueiro. Às 19h08, enviou uma nova mensagem: “Cezinha confirmou às 16h de quarta”.
A quarta-feira seguinte era 19 de fevereiro. O conjunto das conversas indica que Ciro se referia à reunião com André Mendonça que Vorcaro havia pedido para marcar dois dias antes.
Na data acertada, Ciro procurou novamente o banqueiro e pediu que Bruno Bianco Leal, ministro da Advocacia-Geral da União durante o governo de Jair Bolsonaro, também participasse. Em áudio, orientou Vorcaro a convocar o advogado para que os dois fizessem uma apresentação conjunta.
“Ô, Dani, deixa eu te falar aqui, pede ao Bruno Bianco chegar aqui quatro e meia, pode ser? Que aí a gente faz uma apresentação aqui. Ou quatro e vinte”, disse.
Bruno Bianco fez carreira na Advocacia-Geral da União e comandou o órgão entre agosto de 2021 e janeiro de 2023. Assumiu a chefia da AGU depois que André Mendonça deixou o governo Bolsonaro para ocupar uma cadeira no Supremo.
Após sair do serviço público, Bianco passou a atuar na iniciativa privada e tornou-se advogado ligado ao Banco Master. Mais tarde, integrou a equipe responsável pela defesa de Vorcaro.
As mensagens comprovam que uma reunião foi marcada para aquela quarta-feira, às 16h, e que Ciro tentou incluir Bianco na apresentação. O vazamento, entretanto, não contêm registros de deslocamento, chegada ou saída que permitam cravar que esse primeiro compromisso ocorreu.
O material prova o agendamento e os preparativos. Diferentemente do encontro do mês seguinte, porém, não demonstra de maneira conclusiva a presença simultânea de Vorcaro e Mendonça no local combinado.
Menos de um mês depois, Cezinha de Madureira voltou a procurar Daniel Vorcaro. Em 13 de março, o deputado informou que havia marcado uma reunião com André Mendonça para as 17h do dia seguinte, em São Paulo.
“Amanhã sexta-feira 17:00 com ministro André em São Paulo”, escreveu.
Na mensagem seguinte, Cezinha indicou o endereço: Alameda Santos, número 647, 16º andar. Vorcaro respondeu: “Show” e, depois, “Marcado”. “Estarei lá para te receber”, afirmou o deputado, antes de reforçar a data e o horário: “Amanhã sexta-feira 14 às 17:00”.

Cezinha de Madureira é uma liderança da Assembleia de Deus do Ministério de Madureira e tem relação próxima com André Mendonça. Sua trajetória política está fortemente associada à Frente Parlamentar Evangélica e às lideranças da Convenção Nacional das Assembleias de Deus no Brasil.
Nas conversas analisadas, a participação do deputado não se limitou a compartilhar o contato do ministro. Segundo Ciro, Cezinha já havia conversado com Mendonça sobre a situação envolvendo o Banco Central. Depois, confirmou o compromisso de fevereiro e organizou diretamente a reunião de março, indicando data, horário e endereço.
No dia marcado, 14 de março, Vorcaro procurou o deputado pouco antes das 17h. “Fala amigo”, escreveu às 16h37. Três segundos depois, avisou: “Estou a caminho”.
Houve então uma ligação de 20 segundos entre os dois. Às 16h43, Cezinha enviou a mensagem que confirma que André Mendonça estava no local: “Ministro já está te esperando.”

Os diálogos entre Vorcaro e seu motorista corroboram o deslocamento. Às 16h30, sete minutos antes de avisar Cezinha de que estava a caminho, o banqueiro encaminhou ao funcionário o mesmo endereço enviado pelo deputado: Alameda Santos, 647, 16º andar.
“Descendo”, escreveu Vorcaro. Em seguida, ordenou: “Vamos nesse endereço”. O motorista respondeu: “Ok dr”. Às 18h40, Vorcaro voltou a procurar o funcionário e avisou: “Saindo”.
O cruzamento dos horários mostra que o banqueiro permaneceu no endereço durante cerca de duas horas. Cezinha havia informado que Mendonça já o aguardava no local, e o deputado afirmara no dia anterior que estaria lá para receber Vorcaro.
As mensagens, portanto, comprovam a existência de pelo menos um encontro presencial entre o dono do Banco Master e o ministro do Supremo. Também indicam a participação de Cezinha de Madureira.
O encontro não aconteceu na sede do Supremo Tribunal Federal, no gabinete do deputado ou em uma dependência do Banco Master.
No endereço indicado por Cezinha — Alameda Santos, 647, 16º andar — funciona, segundo o documento vazado, o Instituto ITER, instituição de ensino dedicada a cursos de formação e aperfeiçoamento profissional. O instituto foi fundado por André Mendonça em 2023.
A escolha de um endereço privado torna necessário esclarecer se o encontro apareceu na agenda pública de Mendonça, em que condição o ministro recebeu o banqueiro, quem mais participou da conversa e qual assunto foi tratado.
O material não apresenta uma ata, gravação ou transcrição da reunião. Também não mostra se o ministro tomou alguma providência depois do encontro.

Cezinha de Madureira exerce o terceiro mandato de deputado federal por São Paulo e é um dos principais representantes políticos da Assembleia de Deus do Ministério de Madureira.
Sua proximidade religiosa e política com Mendonça ajuda a explicar o papel de ponte desempenhado nas conversas. O ministro foi pastor presbiteriano e teve sua indicação ao Supremo promovida por Jair Bolsonaro sob a promessa de escolher um nome “terrivelmente evangélico”.
O deputado aparece no vazamento como uma pessoa com acesso direto ao ministro: teria conversado antecipadamente com Mendonça sobre a situação de Vorcaro perante o Banco Central, confirmado o compromisso de fevereiro e organizado o encontro comprovadamente realizado em março.
O documento menciona ainda que, em 25 de agosto de 2026, a Polícia Federal apreendeu R$ 510 mil na bagagem de mão de Valéria Linhares, advogada e mulher de Cezinha, no Aeroporto de Congonhas, em São Paulo.
Valéria foi assistida pelo advogado Daniel Bialski, que também atua na defesa de Daniel Vorcaro. A coincidência na representação jurídica não demonstra, por si só, que o dinheiro tenha relação com o banqueiro ou com o Banco Master, mas revela mais um ponto de contato entre os personagens.
O que as mensagens provam — e o que não provam
O vazamento comprova que Ciro Rocha Soares procurou Vorcaro enquanto estava com André Mendonça; enviou uma fotografia ao lado do ministro; disse estar “trabalhando” para o banqueiro; e atuou para organizar uma reunião entre os dois.
Também comprova que Ciro afirmou ter apresentado a Mendonça um assunto relacionado a Vorcaro e que, segundo o próprio advogado, a conversa teria deixado o ministro “balançado”.
No mesmo áudio, Ciro disse que Mendonça conhecia “a situação do Banco Central toda” porque ele e Cezinha de Madureira já haviam falado sobre o tema com o ministro.
As mensagens registram ainda o agendamento de um compromisso para 19 de fevereiro, com a possível participação de Bruno Bianco, e comprovam a realização do encontro de 14 de março.
Sobre a reunião de março, há três conjuntos convergentes de evidências: Cezinha informou data e endereço; disse que Mendonça já aguardava Vorcaro; e as mensagens do banqueiro com o motorista comprovam sua chegada e sua permanência no local durante aproximadamente duas horas.
O material, por outro lado, não revela com precisão o pedido que teria sido levado a Mendonça. Também não permite afirmar que o ministro tenha interferido no Banco Central, prometido ajuda, recebido alguma vantagem ou adotado uma decisão em benefício do Banco Master.
A existência de uma reunião entre um ministro do Supremo e um banqueiro não configura, isoladamente, irregularidade. O interesse público está no contexto: a aproximação foi promovida como um trabalho em favor de Vorcaro, envolveu conversas prévias sobre uma situação no Banco Central e ocorreu de maneira secreta, em um endereço privado.
A reportagem procurou o ministro André Mendonça e o deputado Cezinha de Madureira, mas não obteve retorno até a publicação deste texto. A assessoria de comunicação do STF confirmou o recebimento da demanda e informou que ela foi encaminhada ao gabinete de Mendonça. A reportagem também confirmou que o próprio ministro tomou conhecimento da publicação da reportagem e, ainda assim, não enviou resposta. Também tentou localizar o advogado Ciro Rocha Soares para que comentasse as mensagens e os áudios, mas não conseguiu contato. O espaço permanece aberto para manifestações e esclarecimentos dos citados.