terça-feira, 18 de agosto de 2026

Luis Nassif: Por que o caso Flávio Bolsonaro -Vorcaro é minimizado? - Cortes TV GGN

 

Da TV GGN:




DANIELA LIMA E LEONARDO SAKAMOTO SE REVOLTAM AO VIVO, NO UOL, APÓS ATAQUE COVARDE DE UM BOLSONARISTA CONTRA MARINA SILVA E FAZEM ALERTA GRAVE!

 

Da TV Afiada -  UOL:




Luis Costa Pinto: André Mendonça, o "terrivelmentre evangélico" indicado por Bolsonaro, abriu a porta do STF para ala golpista e lavajatista da PF e do MPF

 

Ministro compromete Corte silenciando sobre vazamentos com alvo certeiro no caso que envolve Fábio Luís da Silva, Roberta Luchsinger e Marco Aurélio Santana

Do ICL Notícias:


Mendonça abriu a porta do STF para ala golpista e lavajatista da PF e do MPF




Usada com abuso e à larga durante a vigência da Lava Jato e a existência da breve e devastadora “República de Curitiba”, a estrutura de produção de falsos indícios de provas, manipulação de dados e vazamentos orquestrados para veículos de comunicação com histórico de hostilidades para com o PT e os governos dos presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff está de volta ao noticiário nacional no caso do “Triângulo do Lobby”. Há evidente interesse eleitoreiro nisso tudo. A agenda de divulgação dos mais recentes prints e diálogos manipulados do caso obedecem a uma agenda e ao calendário da campanha eleitoral presidencial. Essas advertências foram feitas ao longo da última segunda-feira, 17 de agosto, dentro do Supremo Tribunal Federal.

O ministro André Mendonça assumiu a relatoria das investigações contra Fábio Luís Lula da Silva por meio de uma combinação de prevenção processual originária e sorteio eletrônico do STF. Inicialmente, ele se tornou relator do inquérito principal que apura fraudes bilionárias em descontos de aposentados e pensionistas no INSS (Operação Sem Desconto). Como o nome de Fábio Luís surgiu no escopo dessa investigação — sob a suspeita de ser sócio oculto de um dos operadores do esquema, Antônio Carlos Camilo Antunes, o “Careca do INSS” —, o ministro passou a conduzir as ações e medidas cautelares envolvendo Lulinha de forma automática por prevenção legal.

Em julho de 2026, a Polícia Federal (PF) solicitou a abertura de novas linhas de investigação contra o filho do presidente para apurar supostos crimes de tráfico de influência e corrupção nos Ministérios da Saúde (envolvendo a comercialização de cannabis medicinal) e na Dataprev. Ao encaminhar os pedidos ao STF, a PF e a Procuradoria-Geral da República (PGR) defenderam que as novas suspeitas tratavam de fatos autônomos e sem relação direta com as fraudes previdenciárias. A intenção técnico-processual era evitar a distribuição automática (prevenção) para o gabinete de Mendonça, permitindo que os processos fossem distribuídos livremente na Corte.

Durante o recesso do Judiciário, o ministro Alexandre de Moraes, no plantão da presidência, acolheu o parecer da PGR e determinou que os novos casos fossem para a livre distribuição por sorteio. No entanto, o sistema eletrônico de sorteio do STF acabou selecionando o próprio André Mendonça como relator de dois desses novos inquéritos. Mesmo com o entendimento de que os fatos eram distintos, o sorteio randômico do tribunal manteve a centralização das principais frentes de investigação sobre o filho do presidente sob a condução do ministro.

O QUE PESA CONTRA O GABINETE DE MENDONÇA

Embora os ministros evitem contestações públicas, o acúmulo de casos sensíveis no gabinete de André Mendonça — que além das fraudes no INSS e dos inquéritos de Fábio Luís e Roberta Luchsinger, também herdou a relatoria do caso Banco Master (após o colega Dias Toffoli deixar o caso) — causou forte desconforto na Corte por duas razões centrais:

·         Desgaste institucional: Alguns dos demais ministros da Corte avaliaram que as decisões rígidas de Mendonça (exigir que a PF entregue dados brutos das investigações diretamente ao seu gabinete e proibir a troca de investigadores sem aviso prévio) criaram uma queda de braço desnecessária com a PF, desgastando a imagem do Supremo.

·         Preocupação com nulidades: Parte do tribunal alertou, nos bastidores, que o tensionamento excessivo com os órgãos de investigação abre brechas jurídicas para que as defesas dos acusados aleguem interferência indevida, o que poderia anular as provas no futuro.

Levantada pela defesa dos citados no inquérito – Fábio Luís Lula da Silva e Roberta Luchsinger, que sequer sabem ainda do que exatamente são acusados e se podem se considerar investigados formalmente, ou não – a preocupação com as nulidades encheu o ministro André Mendonça, nomeado para o tribunal por Jair Bolsonaro por ser “terrivelmente evangélico”, mexeu com os brios do ministro e o fez dobrar a aposta nos despachos diretos com policiais federais que atuam nas ações. A direção-geral da Polícia Federal começou a ser escanteada em todo o processo, bem como procuradores e subprocuradores da República de alas mais legalistas e não lavajatistas do Ministério Público Federal.

A partir da criação desse núcleo processual paralelo no caso das ações que apuram a existência, ou não, do tal “Triângulo do Lobby”, André Mendonça perdeu o controle e a curadoria dos fatos. Pautas prontas para a publicação, com calendário de divulgação casando com o processo eleitoral, começaram a pulular em redações que tangenciam a adesão ao bolsonaristas ou a aderência a alguns dos temas da extrema-direita. O sistema de vazamento de informações manipuladas obedece ao mesmo regime utilizado pela Lava Jato a partir de Curitiba, na força-tarefa comandada pelo ex-procurador Deltan Dallagnol que seguia as coordenadas do ex-juiz Sérgio Moro e tinha anuência do gabinete da Procuradoria Geral da República chefiado pelo ex-PGR Rodrigo Janot e seu valete José Pelela.

DINÂMICA IDÊNTICA AO LAVAJATISMO

A dinâmica da engrenagem que moeu reputações na Lava Jato e criou a atmosfera de “caos denuncista” no país é a mesma dos tempos da nefasta República de Curitiba. Além dos veículos claramente identificados com a extrema-direita como a revista Oeste, o jornal virtual Gazeta do Povo e perfis extremistas mantidos por políticos satélites do bolsonarismo, portais e sites do espectro de oposição ao governo Lula como “Metrópoles”, “Poder360” e outros veículos virtuais vêm sendo utilizados na tática de turvar o ambiente eleitoral com os vazamentos manipulados a partir de indícios que deveriam estar sob investigação.

A partir do vazamento orquestrado para o Metrópoles da última colagem de diálogos e prints de telas de celulares que tinham por objetivo construir um enredo artificialmente desconfortável para o ex-chefe de gabinete da Presidência da República, Marco Aurélio Santana, ocorrido na segunda-feira 17 de agosto, o ministro André Mendonça começou a perder suas linhas de defesa dentro do STF. Três ministros do Supremo passaram a tentar arrebatar a opinião ao menos mais dois deles para que o grupo peça ao presidente da Corte, Luiz Edson Fachin, a remoção das relatorias dos casos que envolvem Fábio Luís Lula da Silva do gabinete de Mendonça. O ambiente no STF voltou a ficar muito tenso.


Começou a grande batalha pela democracia e pela soberania contra o entgreguismo e o neofascismo, por Luís Nassif

 

 

Há de se reconhecer contribuição de Lula para a democracia brasileira, jogando dentro das regras do jogo e aprofundando a democracia social.

Do Jornal GGN:


Começou a grande batalha pela democracia e pela soberania, por Luís Nassif



    Lula - Lançamento campanha - Vila Euclides - Foto de Ricardo Stuckert


Para Lula, o tiro de partida da campanha não poderia ser melhor. Começou com o mega comício na Vila Euclides e a recuperação das raízes do lulismo, mostrando Lula como a síntese maior de um momento histórico, de inclusão social, de recuperação dos valores populares e da figura dos fundadores do PT. No palco, os sinais de um Brasil plural: na capoeira, nas lideranças negras e indígenas, e na lembrança essencial de dona Lindu. Nas redes sociais, jovens e velhos guerreiros espalhando reels e depoimentos. O tema da soberania alçou voo no Hino Nacional, cantado por Fafá de Belém, na bandeira hasteada e na percepção cada vez mais concreta sobre o risco de uma intervenção norte-americana no país, inspirando até editoriais na grande mídia.

O sentido de urgência estava presente em todos os cantos: o receio de o país cair na grande noite do bolsonarismo ou a insegurança com as novas ameaças que surgem com a digitalização, as redes sociais e as operações militares a serviço de um Império conduzido por um imperador louco.

Houve um sinal, apenas um sinal, por enquanto, da possibilidade de um futuro pacto em torno da figura de Lula.

Ontem, segundo contou a ex-juíza Luciana Bauer, a principal livraria de Nova York exibia uma biografia de Lula com uma chamada reconhecendo seu papel como uma das grandes personalidades da democracia mundial.

O futuro reconhecerá a vida extraordinária de Lula — de como escapou da fome para se tornar presidente e de como, em 2022, deixou a prisão para salvar o país de uma reeleição de Jair Bolsonaro, que certamente marcaria o fim da nação brasileira.

Há de se reconhecer sua contribuição para a democracia brasileira, jogando dentro das regras do jogo e aprofundando a democracia social. Certamente também se entenderão as limitações para um projeto mais consistente de Brasil, em um processo de desgaste político que começou com o Mensalão e culminou no impeachment de Dilma Rousseff.

Em caso de vitória de Lula, o próximo governo será o mais desafiador de todos. De um lado, há as enormes possibilidades abertas pelas terras raras, pela energia verde e pela bioeconomia da Amazônia, entre outras frentes. Mesmo com todos os problemas orçamentários, consolidou-se no país uma estrutura de universidades públicas e institutos de pesquisa. Além disso, o Brasil dispõe de uma extraordinária tradição de associativismo, presente no cooperativismo, nos arranjos produtivos, no Sistema S, no MST e nas associações comerciais.

De outro lado, há a herança trágica do apodrecimento do modelo político — uma tragédia que teve início quando imprensa, Judiciário, Legislativo e partidos políticos saíram do jogo democrático e tentaram ganhar no tapetão, processo facilitado pela maneira imprudente com que Lula recorreu ao presidencialismo de coalizão.

De qualquer modo, a sorte está lançada, e o país democrático parece ter acordado da grande noite, entendendo que é hora de enfrentar a grande batalha pela reinstitucionalização do país e pela construção de um desenho consistente de futuro.


terça-feira, 11 de agosto de 2026

Tradição golpista regada a dinheiro público: Deputados questionam uso de recursos das Forças Armadas por clubes militares que divulgam sempre notras golpistas contra a Democracia

 

Requerimento cobra da Defesa dados sobre imóveis, pessoal e recursos destinados às entidades; canais das Forças Armadas já foram usados para divulgar atividades dos clubes

Doi ICL Notícias:



Por Cleber Lourenço

Deputados querem que o Ministério da Defesa informe quais estruturas e recursos das Forças Armadas são colocados à disposição do Clube Militar, Clube Naval e Clube de Aeronáutica, associações privadas que divulgaram, na semana passada, uma nota conjunta com críticas ao governo, ao Judiciário e às instituições. O requerimento pede informações sobre imóveis, militares, servidores, veículos, serviços e outros recursos públicos utilizados pelas entidades desde janeiro de 2023.

Levantamento do ICL Notícias mostra que os clubes mantêm diferentes relações com as Forças Armadas. A Marinha, por exemplo, mantém serviços dentro de instalações do Clube Naval, já abriu uma unidade de formação para dirigentes apresentarem benefícios da entidade a futuros oficiais e hospeda a revista do clube em uma plataforma institucional. Canais oficiais do Exército e da Aeronáutica também já foram usados para divulgar atividades de seus respectivos clubes.

É justamente a dimensão dessa relação que os deputados Padre João (PT-MG) e Pedro Uczai (PT-SC) querem conhecer. No requerimento apresentado à Comissão de Fiscalização Financeira e Controle da Câmara, eles pedem informações sobre o apoio material e humano eventualmente destinado às três entidades desde janeiro de 2023.

É essa relação entre as associações privadas e a estrutura pública que os deputados Padre João (PT-MG) e Pedro Uczai (PT-SC) querem detalhar. No requerimento apresentado à Comissão de Fiscalização Financeira e Controle da Câmara, eles pedem documentos e informações que permitam identificar quais recursos das Forças Armadas são destinados aos clubes e quais custos recaem sobre a União.

Os parlamentares querem saber quais imóveis da União são utilizados pelas entidades, quantos militares da ativa ou da reserva e servidores atuam nos clubes e se há prestadores de tarefa por tempo certo (PTTCs) vinculados às associações. O pedido inclui ainda informações sobre veículos, combustível, segurança, tecnologia, manutenção, cerimonial e serviços administrativos.

Os deputados também questionam o sistema de desconto em folha das mensalidades dos clubes. Eles querem saber quanto é movimentado por meio dessas operações e se a União tem custos para realizar os descontos.

O requerimento ainda precisa ser aprovado pela comissão antes de ser encaminhado formalmente ao Ministério da Defesa.

Nota golpista levou relação à mira da Câmara

O requerimento foi apresentado uma semana após Clube Naval, Clube Militar e Clube de Aeronáutica divulgarem conjuntamente a nota “Os riscos à Nação”, assinada pelos presidentes das três associações.

Publicado em 3 de agosto, o documento afirma que o país vive uma “grave deterioração política, institucional e econômica”, critica governo, Judiciário, política externa e setores da imprensa. Também acusa uma tentativa de “desmoralização das Forças Armadas” e relaciona esse processo às investigações e condenações decorrentes da tentativa de golpe após as eleições de 2022.

A nota não convoca explicitamente à violência ou a uma ruptura institucional e termina defendendo diálogo e consenso, mas reproduz ataques às instituições e elementos do discurso que cercou a ofensiva contra o resultado eleitoral de 2022.

O requerimento não afirma que recursos públicos tenham financiado a manifestação. O questionamento é sobre qual estrutura estatal está à disposição das associações privadas que a assinaram.

Marinha mantém serviços e abre portas ao Clube Naval

Parte dessa relação aparece nos próprios canais oficiais das Forças. O Serviço de Veteranos e Pensionistas da Marinha mantém postos de atendimento em instalações do Clube Naval. A relação divulgada pela Força identifica determinados atendimentos nesses locais como destinados “somente [a] sócios”.

O Clube Naval também já teve acesso direto a oficiais em formação. Em maio de 2025, dirigentes da entidade foram recebidos no Centro de Instrução Almirante Wandenkolk (CIAW) e apresentaram a todos os 194 alunos do Curso de Formação de Oficiais os benefícios oferecidos aos associados e dependentes.

Há precedente. Em 2018, o presidente do clube esteve no mesmo centro de instrução. Segundo a própria Marinha, a apresentação incluiu informações sobre a estrutura da entidade e “orientações sobre os procedimentos para admissão de novos sócios”.

A relação alcança ainda a comunicação. A Revista do Clube Naval é hospedada no Portal de Periódicos da Marinha, plataforma institucional que oferece gerenciamento, manutenção, treinamento, indexação e suporte técnico às publicações nela instaladas.

A revista já foi usada para manifestações políticas. No fim de 2022, o então presidente do clube, Luiz Fernando Palmer Fonseca, classificou a recuperação dos direitos políticos de Lula como uma “absurda descondenação”, atacou setores da imprensa, criticou o Judiciário e alertou para a volta da esquerda ao poder. O conteúdo continua disponível na infraestrutura digital da Marinha.

A publicação ressalva que opiniões assinadas não representam necessariamente a posição da Força. A questão é a utilização de infraestrutura estatal por uma publicação produzida por associação privada.

Exército e FAB também abriram canais aos clubes

No Exército, canais institucionais como o Informex, utilizado para transmitir informações aos militares, já foram usados para divulgar agendas, eventos, avisos e comunicados relacionados ao Clube Militar.

A relação também envolve questões administrativas. Em 2020, foi publicado contrato entre o Comando do Exército e o Clube Militar para o processamento de descontos autorizados de mensalidades de militares vinculados à Força — justamente uma das modalidades agora questionadas pelos deputados.

Na Aeronáutica, o portal oficial da FAB também divulga atividades do Clube da Aeronáutica. Em abril deste ano, publicou reportagem institucional sobre o lançamento de um livro comemorativo dos 50 anos do clube em Brasília. O material foi produzido pelo próprio Centro de Comunicação Social da Aeronáutica (Cecomsaer), com texto e imagens de militares.

Há exemplos ainda mais diretos. Em 2017, o site da FAB divulgou uma regata organizada pelo Clube da Aeronáutica de Brasília e informou que as inscrições estavam abertas. No ano anterior, também havia divulgado prazo de inscrição em atividade da entidade.

Deputados querem documentos e valores

O requerimento tenta transformar esses registros dispersos em um levantamento completo. Padre João e Pedro Uczai pedem, além dos dados sobre imóveis, pessoal e serviços, cópias de convênios, termos de cessão, pareceres jurídicos e outros instrumentos que autorizem as relações entre Estado e clubes.

Também querem conhecer os valores movimentados por descontos em folha e o eventual custo administrativo dessas operações para a União.

Os clubes militares são associações privadas, mas mantêm relações históricas com as Forças que passam por instalações, serviços e comunicação institucional. Depois da manifestação política conjunta das entidades, os deputados querem saber qual é hoje a dimensão dessa estrutura, quanto ela custa e sob quais regras é mantida.




Pelos frutos se conhece a qualidade da árvore: Exército estimou 241 vezes mais móveis do que comprou para permitir ‘carona’ em ata

 

TCU aponta que 4.585 móveis foram previstos para a 11ª Brigada, mas apenas 19 foram adquiridos pela unidade; ata foi usada por outros órgãos

Do ICL Notícias:


Exército estimou 241 vezes mais móveis do que comprou para permitir ‘carona’ em ata





Por Cleber Lourenço

O Tribunal de Contas da União (TCU) apontou irregularidade em um pregão da 11ª Brigada de Infantaria Leve do Exército, em Campinas (SP), que previa 4.585 unidades de mobiliário para a própria unidade militar, mas resultou na compra de apenas 19 itens. A diferença significa que a quantidade estimada era 241 vezes maior que a efetivamente adquirida e, segundo a Corte, permitia que a ata de registro de preços fosse utilizada por outros órgãos públicos para comprar os mesmos produtos.

A irregularidade foi reconhecida no Pregão Eletrônico 26/2019, destinado à compra de mobiliário. O TCU considerou procedente a representação especificamente quanto à “superestimativa de itens para fins de comercialização da ata de registro de preços”.

Na prática, o mecanismo funciona assim: um órgão realiza uma licitação e registra os preços e as quantidades que pretende adquirir. Outros órgãos podem, dentro das regras aplicáveis, aderir posteriormente à mesma ata, sem realizar uma nova licitação. O problema apontado no caso da 11ª Brigada está na dimensão das quantidades originalmente registradas.

Documentos analisados pelo TCU ajudam a dimensionar a diferença. As compras registradas inicialmente para a unidade militar somaram apenas 0,41% do total previsto.

A diferença também aparece nos valores. Segundo registros do processo no TCU, foram empenhados R$ 16,5 mil para a própria Brigada, diante de uma estimativa de aproximadamente R$ 5,3 milhões.

O pregão era destinado à compra de mobiliário e tinha valor estimado total de aproximadamente R$ 64,6 milhões. Os dois grupos da licitação foram adjudicados por cerca de R$ 52,6 milhões.

Uma das atas, assinada pelo então coronel João Marcelo Faiad e Silva como ordenador de despesas, previa até R$ 29,34 milhões em mobiliário fornecido pela Forma Office.

O ponto central da nova decisão do TCU não é a possibilidade de outros órgãos aderirem a uma ata — procedimento previsto nas compras públicas —, mas a criação de quantidades acima da necessidade do órgão responsável pela licitação com a finalidade de permitir a utilização daquela ata por terceiros.

No julgamento, o TCU rejeitou as justificativas apresentadas por Gustavo Godoy Ribeiro da Silva e pelas empresas Forma Office e Forma Style. Gustavo Gabriel Aquino Santos e João Marcelo Faiad e Silva foram considerados revéis, situação processual em que o responsável não apresenta defesa no prazo estabelecido pela Corte.

O tribunal determinou ainda que a decisão seja comunicada ao Centro de Controle Interno do Exército, ao Ministério Público Federal (MPF) e ao Ministério Público Militar (MPM).

Outros órgãos compraram pela ata

Documentos públicos mostram que a ata do Exército acabou efetivamente utilizada por órgãos que não participaram originalmente da licitação.

O então Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, por exemplo, aderiu à ata da Forma Style e contratou R$ 740,3 mil em cadeiras, poltronas e sofás. O próprio contrato identifica expressamente a aquisição como uma adesão à ata resultante do Pregão 26/2019 da 11ª Brigada.

O Tribunal Regional Federal da 3ª Região (TRF-3) também aderiu a uma das atas. O tribunal contratou R$ 47,4 mil em produtos fornecidos pela Forma Office.

As adesões, conhecidas no setor público como “caronas”, já haviam chamado a atenção do TCU durante a análise do caso. Em decisão anterior, de 2021, a Corte chegou a determinar que não fossem autorizadas novas adesões nem realizadas novas contratações derivadas das atas questionadas.

O Ministério Público Federal já descreveu esse tipo de prática, quando acompanhado de quantidades sem correspondência com a necessidade real do órgão gerenciador, como uma espécie de “barriga de aluguel”: uma repartição pública cria uma ata suficientemente grande para que o fornecedor possa posteriormente utilizá-la para realizar negócios com outros órgãos.

A existência de adesões, isoladamente, não significa que os órgãos que compraram pela ata tenham cometido irregularidades.

MPF arquivou investigação antes da nova decisão

O caso tem outro componente. Antes de o TCU concluir o novo julgamento, uma investigação civil aberta pelo MPF em Campinas para apurar possíveis irregularidades relacionadas ao pregão havia sido arquivada.

A investigação apurava, entre outros pontos, suspeitas relacionadas à definição das quantidades previstas no pregão e a uma eventual participação de servidores para beneficiar as empresas envolvidas.

Em junho, a 5ª Câmara de Coordenação e Revisão do MPF homologou por unanimidade o arquivamento.

Segundo a decisão do Ministério Público, as diligências realizadas e uma sindicância não encontraram elementos suficientes para caracterizar “fraude, conluio, direcionamento ou lesão ao erário”, nem atos de improbidade administrativa.

A conclusão do MPF não elimina a irregularidade administrativa reconhecida pelo TCU. São esferas de responsabilização diferentes: enquanto a Corte de Contas analisou a regularidade da contratação e a atuação dos responsáveis, o inquérito civil buscava elementos que permitissem avançar sobre suspeitas de atos ilícitos.

O arquivamento, porém, ocorreu antes da decisão de 29 de julho na qual o TCU considerou procedente a representação sobre a criação de quantidades superestimadas para permitir a utilização da ata por outros órgãos.

Ao concluir o julgamento, o próprio TCU determinou que o novo acórdão fosse encaminhado novamente ao MPF.

O ICL Notícias questionou o Ministério Público Federal sobre se a nova decisão do TCU poderá provocar uma reavaliação do arquivamento do inquérito civil.

Caso também está na esfera militar

Apesar do arquivamento na esfera civil, documentos do MPF registram a existência de uma apuração criminal conduzida pelo Ministério Público Militar relacionada aos fatos.

O envio do novo acórdão ao MPM determinado pelo TCU acrescenta, portanto, uma nova peça a uma investigação cuja situação atual ainda não é pública.

O ICL Notícias questionou o Ministério Público Militar sobre o estágio da apuração, eventuais diligências realizadas e se o Acórdão 2010/2026 já foi incorporado ao procedimento.

O Exército também foi procurado para informar qual era a demanda real da 11ª Brigada quando o pregão foi elaborado, explicar a diferença entre as quantidades estimadas e efetivamente adquiridas pela unidade e detalhar quantos órgãos aderiram às atas e quanto foi contratado por meio delas.

A reportagem perguntou ainda sobre a situação funcional atual de João Marcelo Faiad e Silva, Gustavo Gabriel Aquino Santos e Gustavo Godoy Ribeiro da Silva e sobre eventuais procedimentos administrativos instaurados pela Força.

TCU já havia aplicado punições

O Pregão 26/2019 já havia provocado sanções meses antes do novo julgamento.

Em março, no Acórdão 657/2026, o TCU aplicou multas que, somadas, chegam a R$ 180 mil aos três agentes públicos envolvidos. Gustavo Godoy Ribeiro da Silva recebeu multa de R$ 60 mil; João Marcelo Faiad e Silva, de R$ 90 mil; e Gustavo Gabriel Aquino Santos, de R$ 30 mil.

Godoy também foi declarado inabilitado por cinco anos para exercer cargo em comissão ou função de confiança na administração pública. A Forma Office e a Forma Style foram declaradas inidôneas pelo mesmo período, nos termos estabelecidos pelo tribunal.

Godoy tentou posteriormente reverter a decisão, mas o TCU não conheceu do pedido de reexame apresentado por ele, por considerar o recurso intempestivo e sem fatos novos capazes de justificar sua análise.

No julgamento mais recente, o tribunal decidiu não aplicar novas sanções pela questão das quantidades superestimadas justamente porque os envolvidos já haviam sido punidos no processo pelas demais irregularidades identificadas no mesmo pregão.

A nova decisão, entretanto, encerra uma questão que ainda permanecia pendente no processo: para o TCU, houve irregularidade na definição das quantidades do Pregão 26/2019 com a finalidade de ampliar a utilização da ata por outros órgãos públicos.

quinta-feira, 6 de agosto de 2026

Daniela Lima e Leonardo Sakamoto expõem os abusos e o intervencionismo do bolsonarista e "terrivelmente evangélico" André Mendonça na Polícia Federal às vésperas das Eleições 2026

 

Do Canal Mídia Ninja (com vídeo do UOL News):






Sakamoto, no UOL: Polícia Federal, em nota dos 27 Superintendentes Regionais da PF, reclama de 'toffolização' de André Mendonça em caso de Lulinha

 

Do UOL:

Leonardo Sakamoto analisa a nota pública da PF sobre a interferência de André Mendonça no caso de Lulinha. O colunista diz se tratar de uma 'toffolização' no STF.



quinta-feira, 6 de agosto de 2026: Reinaldo Azevedo – Superintendentes da PF em todo o Brasil saem em defesa de Andrei Rodrigues, alvo de explicita tendenciosidade do "terrivelmente evangélico" indicado por Bolsonaro André Mendonça

 

Do Canal Metrópoles:

Os 27 superintendentes regionais da Polícia Federal (PF) assinaram nota pública defendendo a independência da corporação em investigações e reafirmando a “confiança na Direção da Polícia Federal”, chefiada por Andrei Rodrigues. O movimento ocorre em meio à tensão entre a PF e o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal. Rreinaldo Azevedo comenta



Mídia Ninja: Lindbergh lista dos indícios de crimes de Vice de Flávio Bolsonaro e revela a real face da chapa do crime nas Eleições 2026

 

Do Canal Midia Ninja:




André Mendonça (o bolsonarista "terrivelmente evangélico") pisoteia a Constituição. Artigo de Luís Nassif

  

A coluna da Daniela Lima descreve Mendonça assumindo controle direto e informal sobre a PF nos casos Master e INSS

Do Jornal GGN:

André Mendonça pisoteia a Constituição, por Luís Nassif


    André Mendonça - Imagem gerada por IA

Tem-se um Ministro do Supremo Tribunal Federal, André Mendonça, atropelando todos os princípios de justiça, influenciando de forma escancarada as eleições, interferindo na autonomia de outros poderes. E o máximo que se consegue de reação é a informação sobre o “desconforto” de seus colegas.

A jornalista Daniela Lima, da UOL, trouxe um levantamento preocupante sobre a atuação de Mendonça, uma volta escancarada às piores arbitrariedades da Lava Jato.

A coluna da Daniela Lima descreve Mendonça assumindo controle direto e informal sobre a PF nos casos Master e INSS — reuniões presenciais com delegados, determinações fora da pauta corporativa, despacho travando remanejamento na direção-geral. Isso é uma escalada em relação ao que já estava documentado: em fevereiro ele já havia revertido decisões de Toffoli e “empoderado” a PF; agora o relato é de que ele foi além — de árbitro processual para gestor operacional da investigação.

Se ele está de fato dando ordens diretas a delegados sobre prioridades de apuração — “escapando à agenda da corporação e às funções de praxe de relator”, como diz a coluna — isso dá sustentação factual adicional à tese de que o enquadramento “Lava Jato 2” envolve uso direcionado do aparato investigativo, não descoberta orgânica.

O despacho proibindo a direção-geral da PF de remanejar equipe. Isso é mais forte que os episódios anteriores (troca de peritos, restrição de acesso) porque tira do comando institucional da PF qualquer margem de resistência — fica sem “defesa”.

O problema não se esgota na arbitrariedade processual. Mendonça quebrou o sigilo de Fábio Luís sem qualquer indicação pública, até agora, de vínculo com o caso Master. Houve vazamento de informações envolvendo a lobista Roberta Luchsinger. Já no caso de Flávio Bolsonaro — mesmo após o áudio em que pede R$ 134 milhões a Daniel Vorcaro vir a público em maio —, o inquérito só foi solicitado pela PF em julho e autorizado por Mendonça em 23/07, mais de dois meses depois. É esse descompasso de ritmo, e o absoluto sigilo das investigações sobre Flávio, que faz a diferença. Mendonça interfere diretamente no processo eleitoral.

Ou seja, não é uma arbitrariedade que se esgota em si, um abuso contra a ordem institucional, mas algo que mexe com o futuro do país. E como fica? A ordem institucional no país depende de uma série de tribunais, de instituições, do trabalho da mídia, como defensora da democracia, da independência entre os poderes, dos freios e contrapesos. Mendonça pisoteia todos esses princípios, humilha a Nação, e o máximo que se ouve são muxoxos de Ministros do STF.


domingo, 2 de agosto de 2026

Com a explícita tendenciosidade bolsonarista do "terrivelmente evangélico" André Mendonça e a grande mídia comprometida com os poderosos da direita tetnato refazer a Lava Jato, veio também a reação lúcida: VIRADA NO CASO! DECISÃO SOBRE LULINHA AGITA O CENÁRIO E AUMENTA A PRESSÃO SOBRE FLÁVIO! Vídeo do Canal Lente Crítica

 

Do Canal Lente Critica:

Um novo desdobramento envolvendo o caso de Lulinha voltou a movimentar os bastidores de Brasília e provocou forte repercussão no cenário político. Neste vídeo, mostramos os detalhes da decisão que recolocou o assunto em evidência, as reações dos principais envolvidos e por que esse episódio passou a ser visto como um momento importante para os próximos capítulos da disputa política.

Também analisamos como a investigação pode influenciar o debate público, a repercussão entre aliados e adversários e de que forma o caso tem sido interpretado por analistas e pela imprensa. Entenda o contexto completo, os fatos mais recentes e quais podem ser os impactos desse novo capítulo. Assista até o final para conferir uma análise completa sobre o caso, os bastidores das decisões e os possíveis desdobramentos para o cenário político brasileiro.