sexta-feira, 3 de julho de 2026

Canadá Diário: IMPRENSA INTERNACIONAL EXPÕE como DONALD TRUMP transforma EUA em ESQUEMA BILIONÁRIO DE CORRUPÇÃO/PIRÂMIDE típicos da extrema-direita

 

Do Canadá Diário:

Donald Trump ganhou bilhões de dólares enquanto ocupava a Presidência dos Estados Unidos. Ao mesmo tempo, mais de um milhão de investidores ligados aos seus principais projetos de criptomoedas acumulavam perdas gigantescas.

Uma investigação da imprensa internacional estimou que Trump e seus filhos ganharam aproximadamente US$ 2,3 bilhões com seus principais negócios digitais. O valor perdido pelos investidores desses projetos também teria chegado perto de US$ 2,3 bilhões. Trump ganhou. Seus seguidores perderam.


Neste vídeo, investigamos como Donald Trump transformou a Presidência dos Estados Unidos, a Casa Branca, sua imagem política e até as comemorações dos 250 anos da independência estadunidense em uma poderosa máquina de dinheiro, propaganda e influência.

Declarações financeiras divulgadas recentemente revelaram que Trump recebeu mais de US$ 2 bilhões em apenas um ano. Grande parte desse dinheiro veio de criptomoedas, tokens digitais, licenciamento de produtos, negócios imobiliários, relógios, clubes privados, acordos judiciais e empreendimentos internacionais.

A família Trump recebeu centenas de milhões de dólares da World Liberty Financial. Outra empresa ligada ao presidente ganhou grandes quantias com moedas digitais que exibiam o rosto de Trump.

Enquanto isso, o governo estadunidense adotava decisões favoráveis ao mercado de criptomoedas, reduzia a pressão regulatória e promovia os Estados Unidos como a nova capital mundial dos ativos digitais.

Esse cruzamento entre poder político, decisões governamentais e negócios familiares criou um dos maiores conflitos de interesse da história moderna dos Estados Unidos.

A situação se tornou ainda mais grave com a divulgação de um relatório parlamentar sobre as comemorações dos 250 anos da independência estadunidense.

Segundo o relatório, aliados de Trump teriam criado uma estrutura paralela acusada de disputar doações, direcionar patrocinadores, coletar dados políticos e oferecer vantagens a grandes financiadores.

Pacotes milionários de patrocínio incluíam reconhecimento especial, participação em eventos e até fotografias com Donald Trump.

A investigação também relaciona operadores políticos, antigos integrantes das campanhas de Trump, empresas contratadas pelo governo e organizações ideológicas de extrema direita.

Até eventos realizados dentro da Casa Branca foram envolvidos na polêmica.

Uma competição do UFC realizada nos jardins da residência presidencial recebeu exposição de empresas ligadas aos negócios da família Trump. Lutadores também receberam prêmios em uma moeda digital emitida por uma dessas empresas.

A Casa Branca, símbolo máximo do poder público estadunidense, passou a funcionar como palco político, vitrine comercial e ferramenta de valorização da marca Trump.

A imprensa internacional também revelou negócios ligados à família presidencial na Arábia Saudita, no Catar, nos Emirados Árabes Unidos, na Romênia e em outros países.

Governos e investidores estrangeiros passaram a manter relações financeiras com empresas ligadas ao presidente enquanto negociavam tarifas, tecnologia, segurança, comércio e decisões diplomáticas com Washington. Neste vídeo, reunimos informações publicadas por Reuters, Associated Press, The Guardian, The Wall Street Journal, The Washington Post e outros veículos internacionais para compreender como Donald Trump transformou o cargo mais poderoso do planeta em um ativo extremamente lucrativo.

Também analisamos o papel da extrema direita nesse processo. O populismo trumpista promete combater as elites, enfrentar o sistema e devolver o poder ao povo. Na prática, construiu uma estrutura em que o líder, seus familiares, seus aliados e seus financiadores concentram dinheiro, influência, contratos e acesso político. A bandeira virou produto. A Casa Branca virou vitrine. A Presidência virou marca. O aniversário dos Estados Unidos virou oportunidade de negócios, coleta de dados e propaganda ideológica.

segunda-feira, 29 de junho de 2026

Oferta etrenguista de Flávio Bolsonaro aos EUA expõe submissão e quebra rito institucional

 

 

Do Jornal GGN:

Carta de Marco Rubio revela promessa de alinhar equipe de transição a Washington antes do pleito; oposição vê traição à pátria

Oferta de Flávio aos EUA expõe submissão e quebra rito institucional



    Reprodução Redes Sociais


A correspondência oficial enviada pelo secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, ao senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) expôs uma postura de profunda submissão política e diplomática por parte do parlamentar brasileiro, abrindo uma nova frente de debate na campanha eleitoral de 2026. No documento, Rubio menciona e agradece uma “generosa oferta” feita pelo filho 01 de Jair Bolsonaro (PL): a promessa antecipada de colocar uma equipe de transição de governo à inteira disposição de Washington caso ele vença as eleições presidenciais de outubro.

A referência, que não havia sido divulgada anteriormente pelo senador e só veio a público na resposta oficial do governo norte-americano, provocou indignação e forte reação nos bastidores de Brasília. Lideranças partidárias acusaram formalmente o senador de “traição à pátria” e de submeter a soberania nacional e as decisões estratégicas do Estado brasileiro aos interesses diretos do governo de Donald Trump.

O rito violado: como opera a transição republicana

No rito democrático tradicional, o governo de transição é um mecanismo estritamente institucional, soberano e interno. Trata-se do período compreendido entre a divulgação do resultado das urnas e a posse do novo mandatário, cujo objetivo principal é garantir a continuidade administrativa do Estado sem solavancos e sem ingerência estrangeira.

No modelo brasileiro, o processo é amparado por legislação federal específica e prevê regras claras:

  • Compartilhamento de dados: A gestão que deixa o poder é obrigada a fornecer relatórios detalhados sobre as finanças públicas, programas sociais e contratos vigentes para a nova equipe.
  • Nomeação de equipe própria: O presidente eleito nomeia cargos temporários para compor o gabinete de transição, permitindo que técnicos e auxiliares acessem informações, dialoguem com órgãos públicos e elaborem diagnósticos.
  • Foco doméstico e soberano: A equipe de transição não exerce funções de governo nem toma decisões administrativas. O propósito central é preparar o início da nova gestão com maior previsibilidade. A legislação brasileira não prevê a submissão de relatórios preliminares, auditorias ou consultas de políticas de Estado a nações estrangeiras.

Historicamente, os presidentes eleitos mantêm contatos diplomáticos com governos estrangeiros e investidores antes da posse para debater comércio e cooperação. No entanto, não é prática institucional conhecida colocar formalmente uma equipe de transição brasileira à disposição de uma potência estrangeira.

Ao oferecer essa estrutura para os Estados Unidos antes mesmo da eleição, Flávio Bolsonaro rompe o preceito básico de autodeterminação nacional e transforma um instrumento republicano de diagnóstico em um balcão de negócios internacionais.

Subserviência inócua diante do tarifaço americano

A gravidade do aceno político ganha contornos de humilhação diplomática diante do contexto econômico real. A menção feita por Rubio reproduz um compromisso que já constava da carta enviada pelo próprio Flávio ao secretário de Estado no início de junho, na qual o senador afirmava estar confiante na vitória e preparado para acionar sua equipe para fechar um amplo acordo de comércio. O aceno foi uma tentativa desesperada de conter o desgaste provocado pela proposta americana de aplicar um tarifaço de 25% sobre produtos importados do Brasil.

Flávio inclusive se inscreveu para depor como testemunha em uma audiência pública da Seção 301 do Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR), agendada para 6 de julho, sob o pretexto de mitigar os impactos da sobretaxa.

Contudo, a resposta escrita por Marco Rubio sinalizou que Washington manterá a linha dura em relação às barreiras comerciais impostas ao Brasil. O secretário de Estado americano apenas registrou a oferta de alinhamento do brasileiro e deixou claro que a agenda protecionista de Donald Trump não será flexibilizada por conta da subserviência antecipada do candidato.

O documento público limita-se ao registro da oferta e não traz qualquer compromisso ou contrapartida assumida pelo governo norte-americano, além da protocolar disposição de trabalhar com o líder legitimamente eleito pelo povo brasileiro.

Críticas apontam “confissão de dependência”

O episódio unificou o discurso das forças governistas e de setores independentes na defesa da soberania nacional. Integrantes do governo Lula (PT) passaram a sustentar que a iniciativa reforça as críticas de que a família Bolsonaro busca estreitar a interlocução com Washington em temas considerados estratégicos e sensíveis para a política brasileira. O ex-ministro José Dirceu classificou a carta de Rubio como uma “confissão” de que a campanha de Flávio está diretamente umbilical ao interesse estrangeiro, afirmando que “dependência política significa dependência econômica, tecnológica e militar“, escreveu nas redes sociais.

Analistas políticos apontam que nem mesmo nos períodos mais agudos de alinhamento internacional o Brasil testemunhou um candidato oferecer o controle técnico e informacional de seu futuro governo a uma potência estrangeira antes do crivo das urnas.

Enquanto aliados de Flávio tentam minimizar o episódio alegando “antecipação de negociações comerciais e diplomáticas” sem participação estrangeira na condução do governo, o documento oficial expõe o que críticos chamam de abdicação antecipada da autonomia brasileira na formulação de suas próprias políticas de Estado.

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Ana Gabriela Sales

Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

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Do Portal do José:




Canadá Diário: IMPRENSA INTERNACIONAL expõe o método internevionista de TRUMP: A Colômbia foi o ensaio, O BRASIL É O ALVO? 😱 🇧🇷 🇺🇸

 

Do Canal Canadá Diário:

Neste vídeo, investigamos os sinais de que Trump e seus aliados podem estar preparando o terreno político para atacar a legitimidade da eleição presidencial brasileira caso Flávio Bolsonaro seja derrotado.



Portal do José: FLAVIO DESMASCARADO NA PRETENSA "BATALHA ESPIRITUAL"! LULA: PESQUISAS APONTAM CAMINHO! FIM DAS BETS

 

Do Portal do José:




sexta-feira, 26 de junho de 2026

Alvo da PF, Banco Digimais, do mercador Edir Macedo, dono da Igreja Universal, foi denunciado um mês antes do Master por praticar mesmo tipo de golpe

 


Com rombo de R$ 8,5 bilhões, instituição financeira de Edir Macedo teria inflado patrimônio com ativos podres e contratos falsos

Do Jornal GGN:


O bispo Edir Macedo, líder da Igreja Universal do Reino de Deus, foi alvo de uma operação da Polícia Federal nesta terça-feira (23), em decorrência de investigações sobre irregularidades no Banco Digimais. O caso traz à tona detalhes revelados em reportagem da revista piauí, assinada pela jornalista Consuelo Dieguez em março de 2026, que expõe uma crise profunda na instituição, cujo rombo estimado chega a 8,5 bilhões de reais.

A relação de Edir Macedo com o Digimais começou em 2009, quando ele adquiriu 40% do então Banco Renner, aumentando sua participação até assumir o controle total em 2020, quando a instituição foi rebatizada. Sob sua gestão, o bispo nomeou lideranças ligadas à Igreja Universal, como o bispo João Urbaneja, para comandar o banco, apesar da falta de experiência técnica desses nomes no mercado financeiro.

A reportagem da piauí aponta que o Digimais apresenta conexões estreitas com o escândalo do Banco Master, compartilhando os mesmos tipos de ativos e, em alguns casos, os mesmos gestores e administradores. A ID Corretora, que administra alguns fundos do Digimais, possui em seus quadros ex-executivos do Master, e o mercado suspeita que ela tenha absorvido carteiras da Reag, gestora ligada ao Master que foi liquidada pelo Banco Central.

Um mês antes do caso Master explodir, o Banco Digimais foi denunciado ao Banco Central após o fundo de investimento EXP1 relatar ter sido lesado em uma operação de 650 milhões de reais. Segundo a piauí, o fundo adquiriu carteiras de crédito consignado do banco, mas uma auditoria internacional descobriu que 22 mil contratos, no valor de 500 milhões de reais, eram falsos e não possuíam lastro. O Digimais teria admitido a inexistência dos créditos, que eram compostos por ativos originados justamente pelo Banco Master e pela Reag.

As fraudes praticadas por ambos os bancos, conforme detalhado pela reportagem, consistiam primordialmente na inflação artificial do patrimônio para forjar uma solidez financeira que permitisse a emissão desenfreada de novos títulos de dívida, os CDBs. De forma didática, a piauí explica que as instituições utilizavam “ativos podres” — como títulos da Vale da década de 1920 sem valor real ou terrenos superavaliados em mais de dez vezes o preço de mercado — para “maquiar” os balanços e elevar o patrimônio líquido. Com o balanço inflado artificialmente, os bancos podiam captar mais recursos de investidores, muitas vezes oferecendo taxas de retorno muito acima do mercado e utilizando a garantia do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) como isca para atrair clientes, enquanto negociavam carteiras de crédito fictícias entre si para ocultar rombos bilionários.

Segundo a reportagem, hoje o Digimais é presidido por Aldemir Bendine, ex-presidente da Petrobras e do Banco Central, que foi chamado para tentar reestruturar a instituição, focando em áreas como crédito consignado e financiamento de automóveis. Sua missão principal é “limpar” o balanço do banco para torná-lo atraente para uma possível venda. A piauí aponta que sua nomeação pelo bispo Edir Macedo, que é de extrema-direita, foi vista como um movimento estratégico para negociar a dívida do banco junto ao Banco Central, atualmente presidido por Gabriel Galípolo, que é identificado com a esquerda. Logo após assumir, Bendine tomou a decisão de recusar o estorno de 650 milhões de reais solicitado pelo fundo EXP1, que havia denunciado a compra de carteiras de crédito falsas da instituição.

Outra ligação política feita pela reportagem é com o Partido Republicano, que atua como “braço político da Igreja Universal e de Edir Macedo” no Congresso por meio da bancada evangélica e do Centrão. Sob a presidência do bispo Marcos Pereira, um dos poucos homens de confiança de Macedo, a legenda transforma a crise técnica do Banco Digimais em um complexo dilema para o governo Lula (que busca a reeleição) e o Banco Central, que temem que uma intervenção rigorosa na instituição provoque instabilidade política e prejudique a governabilidade em anos eleitorais. Diante desse cenário, a situação do banco é vista como uma potencial “moeda de troca” política pela revista, uma vez que o apoio do Republicanos – que tem Tarcísio de Freitas em seus quadros – em futuras disputas presidenciais pode ser condicionado ao tratamento dado ao Digimais pelo órgão regulador.

Por fim, o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) é apontado pela reportagem da piauí como o órgão que deve arcar com o prejuízo bilionário caso o Banco Digimais venha a quebrar, uma vez que a instituição utilizou a garantia de depósitos de até 250 mil reais como “isca” para atrair clientes para seus CDBs de alto risco. A preocupação do FGC é imediata porque o rombo estimado em 8,5 bilhões de reais ameaça o patrimônio do próprio fundo, que já foi severamente afetado pelo colapso do Banco Master, custando 52 bilhões de reais aos seus cofres. Segundo a fonte, o FGC já dá o prejuízo como certo e propôs um acordo para assumir 70% da dívida, enquanto os 30% restantes seriam cobertos pelo controlador Edir Macedo, que elevou o risco para o fundo ao retirar 2 bilhões de reais da Record que estavam investidos no banco, deixando um passivo de 1,75 bilhão para o FGC pagar em caso de falência.

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PL, o partido dos patriotas que apelam pela intervenção estrangeira no Brasil contra o Brasil e os brasileiros, por Marcos Verlaine

 

Poucas contradições são tão evidentes na política brasileira contemporânea quanto a de setores do chamado núcleo duro do bolsonarismo


Do Jornal GGN:

PL, o partido da intervenção estrangeira, por Marcos Verlaine

    Reprodução Redes Sociais

Quando faltam argumentos internos, parte da extrema-direita brasileira volta os olhos para Washington e transforma a soberania nacional em instrumento de conveniência política.

por Marcos Verlaine

É o patriotismo de ocasião, de conveniência, de fancaria, esse do bolsonarismo. A história os punirá gravemente. Aqui lembramos a velha frase do pensador inglês Samuel Johnson, dita em 1775, e serve para criticar oportunistas que se escondem atrás de causas nobres para defender interesses pessoais: “o ‘patriotismo’ é o último refúgio dos canalhas”.

Poucas contradições são tão evidentes na política brasileira contemporânea quanto a de setores do chamado núcleo duro do bolsonarismo que, ao mesmo tempo em que se apresentam como defensores intransigentes da pátria, da bandeira e da soberania nacional, recorrem repetidamente a governos, autoridades e instituições estrangeiras para interferir em conflitos internos do Brasil.

A mais recente iniciativa do deputado Sóstenes Cavalcante (RJ), líder do PL na Câmara, ao acionar a embaixada dos Estados Unidos para questionar decisão do TSE1, insere-se numa sequência de episódios que já se tornaram padrão político.

Sempre que enfrentam derrotas institucionais, investigações judiciais ou decisões do sistema de Justiça brasileiro, lideranças bolsonaristas buscam respaldo externo para pressionar autoridades nacionais e constranger instituições da República.

O fenômeno não é novo. O que chama atenção é sua frequência e sua naturalização. E ausência de punição por parte, principalmente, da Câmara.

Internacionalização do conflito interno

Em democracias maduras, divergências entre Poderes são resolvidas por mecanismos constitucionais internos. Recursos judiciais, debates parlamentares, controle social e disputa política constituem os instrumentos legítimos para enfrentar decisões consideradas injustas ou equivocadas.

O que se observa, entretanto, é tentativa recorrente de deslocar disputas domésticas para o cenário internacional, especial e particularmente para os Estados Unidos.

Nos últimos anos, integrantes do bolsonarismo buscaram apoio de parlamentares americanos, influenciadores conservadores estrangeiros, organismos internacionais e até integrantes do governo dos Estados Unidos para denunciar supostas perseguições políticas, questionar decisões do Supremo Tribunal Federal e contestar a legitimidade de instituições brasileiras.

O caso que agora envolve Sóstenes Cavalcante segue exatamente essa lógica. Em vez de apresentar provas que sustentem a acusação feita contra o PT ou contestar judicialmente a decisão do ministro André Mendonça, o parlamentar decidiu recorrer à embaixada de potência estrangeira para validar a narrativa política doméstica.

Trata-se de escolha reveladora.

Soberania como discurso seletivo

O episódio expõe a curiosa concepção de soberania nacional.


Quando organismos internacionais criticam políticas ambientais, ameaças golpistas ou violações de direitos, setores da extrema-direita costumam reagir com indignação e acusar estrangeiros de interferência indevida nos assuntos brasileiros.

Mas essa mesma indignação desaparece quando a interferência externa pode servir aos interesses políticos desses setores.

A soberania deixa então de ser princípio e passa a ser ferramenta retórica, utilizada conforme a conveniência do momento.

O problema não está em manter relações diplomáticas ou dialogar com governos estrangeiros. Isso faz parte da vida internacional de qualquer democracia. O problema surge quando atores políticos procuram substituir os canais institucionais brasileiros pela tutela simbólica de outra nação.

Nesse contexto, o patriotismo deixa de ser compromisso com o País e se transforma em instrumento de mobilização política.

A velha tentação do protetorado

A dependência psicológica de validação estrangeira possui raízes profundas na história latino-americana.

Durante décadas, elites políticas e econômicas do subcontinente recorreram a capitais estrangeiras em busca de apoio para resolver disputas internas. Em vez de fortalecer instituições nacionais, procuravam árbitros externos capazes de legitimar seus interesses.

O comportamento observado em parte do bolsonarismo reproduz essa tradição.

Ao recorrer constantemente aos Estados Unidos para denunciar decisões judiciais, pressionar autoridades brasileiras ou reforçar narrativas políticas internas, esses grupos transmitem mensagem implícita: as instituições brasileiras não seriam capazes de resolver os próprios conflitos sem a chancela de Washington.

Trata-se de visão incompatível com qualquer concepção séria de independência nacional.

Erosão da confiança institucional

Há ainda consequência mais profunda. Quando lideranças políticas buscam apoio externo para contestar decisões de tribunais nacionais, contribuem para corroer a confiança pública nas instituições democráticas.

O bolsonarismo está sempre atrás de causar distúrbios internos, a fim de corroer por dentro a democracia e o Estado de Direito.


Nenhuma democracia funciona adequadamente se seus atores políticos aceitam as regras apenas quando vencem.

O respeito às instituições não significa concordância permanente com suas decisões. Significa reconhecer que divergências devem ser enfrentadas dentro da ordem constitucional existente.

Transformar embaixadas estrangeiras em instâncias paralelas de recurso político enfraquece esse princípio e alimenta a percepção de que a legitimidade das instituições nacionais depende da aprovação de atores externos.

O verdadeiro patriotismo

O Brasil possui problemas reais e profundos. Suas instituições são imperfeitas. Seus tribunais podem ser criticados. Seus governos podem ser contestados. Seus partidos podem ser investigados. Tudo isso faz parte da democracia.

Mas nenhuma dessas circunstâncias justifica a busca permanente por tutela estrangeira em conflitos internos.

O verdadeiro compromisso com a soberania nacional não consiste em exibir bandeiras, cantar hinos ou repetir slogans patrióticos. Consiste em defender que os destinos do País sejam decididos pelos brasileiros, segundo as leis, as instituições e a Constituição nacional.

Quem recorre continuamente a potências estrangeiras para arbitrar disputas domésticas não fortalece a Nação. Ao contrário, contribui para enfraquecer a autonomia política que diz defender.

E essa talvez seja a maior contradição do bolsonarismo: em nome de suposto nacionalismo, que em geral é estridente, acaba frequentemente agindo como se o Brasil precisasse de autorização externa para governar a si próprio.

E de ser espécie de protetorado dos Estados Unidos. Nisso, eles seguem o líder deles, que bate continência para a bandeira dos Estados Unidos.

Os verdadeiros patriotas podem usar, sem medo de errar, contra esses apátridas, a palavra de ordem que cabem para eles: “Brasil, quem te ama, não te USA”.

Marcos Verlaine – Jornalista, analista político, assessor parlamentar do Diap e redator do HP

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1 Sóstenes aciona embaixada dos EUA após Mendonça determinar remoção de vídeo – https://www.cnnbrasil.com.br/politica/sostenes-aciona-embaixada-dos-eua-apos-mendonca-determinar-remocao-de-video/#goog_rewarded – acesso em 22.06.26