sexta-feira, 4 de setembro de 2026

Moraes pede investigação de André Mendonça por Abuso de autoridade

 

Da TV GGN:




Paulo Motoryn: “Após tarifaço, segunda interferência eleitoral (explícita) é a atuação de André Mendonça”

 

Jornalista aponta delegados ligados ao bolsonarismo e vazamentos seletivos como fatores de contaminação do pleito


Do Jornal GGN:


Motoryn: “Após tarifaço, segunda interferência eleitoral é a atuação de André Mendonça”




Após o tarifaço imposto pelos Estados Unidos ao Brasil, a atuação do ministro André Mendonça (STF) no caso Master representa, na avaliação do jornalista Paulo Motoryn, uma segunda frente de interferência no processo eleitoral de 2026. Em entrevista à TVGGN nesta quarta [confira abaixo], ele apontou a atuação do ministro, a presença de delegados ligados ao bolsonarismo em seu gabinete e os vazamentos seletivos como fatores que estariam contaminando o debate político às vésperas da disputa.

A avaliação de Motoryn ocorre em meio à determinação de Mendonça para que a Polícia Federal aprofundasse informações envolvendo o ministro Alexandre de Moraes antes de o plenário do Supremo decidir sobre a abertura de uma investigação. “O papel do juiz não é fazer a investigação. A investigação é da Polícia Federal. Juiz entra quando o inquérito está pronto, quando tem a denúncia oferecida pelo Ministério Público, aí sim ele vai fazer o julgamento. Mas o juiz conduzir a investigação é muito problemático”, afirmou.

O jornalista também chamou atenção para a composição do entorno de Mendonça. Segundo ele, delegados que trabalharam com o ministro durante sua passagem pelo Ministério da Justiça e que são identificados com o bolsonarismo passaram a atuar em seu gabinete. “Não é a imprensa alternativa de esquerda, ativista, que está falando isso. O próprio Otávio Guedes estava falando na GloboNews o quanto esses delegados que estão no entorno do Mendonça são identificados com o bolsonarismo e egressos da Operação Lava Jato”, disse.

O episódio se insere em uma disputa maior, na qual instituições e a grande mídia podem influenciar o ambiente eleitoral por meio da divulgação seletiva de informações, em uma espécie de “Lava Jato 2”, como antecipado pelo jornalista Luis Nassif.

Motoryn classificou o cenário como parte de uma “guerra híbrida” e comparou a forma atual de atuação dos Estados Unidos com a interferência norte-americana que antecedeu o golpe de 1964. “O quanto que os Estados Unidos, de alguma maneira, pré-golpe de 64, negavam que interviriam no Brasil, escondiam a ação militar que fizeram na costa brasileira. E aqui é o contrário: é uma Operação Tio Sam em tempo real. E esse debate que a gente traz há algum tempo sobre o papel dos Estados Unidos no Brasil foi tratado nessas últimas décadas como conspiracionismo”, afirmou.

Assista à fala do jornalista:




ANDRÉ MENDONÇA SOB SUPREMA SUSPEITA

 

O ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), pediu que o ministro André Mendonça seja investigado por abuso de autoridade, improbidade administrativa e crime de responsabilidade na condução do caso Master e INSS (Institutos Nacional do Seguro Social)


Da Folhapress, também diculgado pelo ICL Notícias:

MENDONÇA SOB SUSPEITA

Moraes aponta abuso de autoridade



Por Luísa Martins

(Folhapress) – O ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), pediu que o ministro André Mendonça seja investigado por abuso de autoridade, improbidade administrativa e crime de responsabilidade na condução do caso Master e INSS (Institutos Nacional do Seguro Social).

A decisão foi tomada no âmbito do inquérito das fake news. Moraes afirma que Mendonça agiu para direcionar as investigações, “com quebra da imparcialidade judicial e favorecimento a determinados grupos políticos”.

De acordo com Moraes, o colega conduziu irregularmente tratativas de delações premiadas e direcionou determinados alvos para a investigação “por motivos pessoais e políticos, inclusive com a indicação prévia de medidas cautelares” a serem apresentadas pela PF (Polícia Federal).

Esses alvos seriam o próprio Moraes e o presidente do Senado Federal, Davi Alcolumbre (União-AP).

A medida é tomada por Moraes dois dias depois de Mendonça retirar o sigilo de um relatório da PF que aponta Moraes como o interlocutor do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Master. Na decisão, Mendonça sinalizou que levará ao plenário a possibilidade de investigar o colega.

Segundo Moraes, há por parte de Mendonça “indícios crescentes de enviesamento da condução da supervisão judicial, manifestados em direcionamento temático de intensidade progressiva quanto a linha investigativa determinada”, além de “quebra da cadeia de custódia das provas apreendidas”.


NASSIF: ANDRÉ MENDONÇA ATROPELOU TODOS OS PROCEDIMENTOS DO SUPREMO (DEMONSTRANDO SUPREMA PARCIALIDADE E SUPREMOS ABUSOS E ISSO AJUDA MUITO O BOLSONARISMO)

 

Da TV GGN:

Neste vídeo, Luis Nassif traz uma análise aprofundada sobre o desmantelamento das instituições democráticas brasileiras. A partir dos desdobramentos do processo de impeachment de 2016 e do "republicanismo ingênuo" adotado nas indicações para a Procuradoria-Geral da República e para o Supremo Tribunal Federal, discutimos como a falta de controle sobre as corporações gerou abusos recorrentes no Judiciário, no Ministério Público e em órgãos de controle como o TCU e a AGU. O auge é a recente atuação do ministro André Mendonça que gerou a crise de desgaste enfrentada por Alexandre de Moraes envolvido no Caso Master.





Faria Lima, Trump/Rubio, André Mendonça e Globo: O Lavajatismo 2.0

 

Da TV GGN:


Lavajatismo 2.0 | Observatório de Geopolítica


  • Pedro Costa Júnior é doutor em Ciência Política pela Universidade de São Paulo (USP). Autor do livro "O Poder Americano no Sistema Mundial Moderno: Colapso ou Mito do Colapso?", Editora Appris, 2019. Analista de Relações Internacionais e Geopolítica do GGN.

  • Paulo Ramirez é Cientista político da Fespsp e ESPM.

  • Rodrigo Siqueira Jr é Advogado, formado Universidade Federal Fluminense - UFF, Diretor do Instituto Fernando Santa Cruz e Observatório da Lava Jato. Ex-Presidente da FENED - Federação Nacional dos Estudantes de Direito.



Agência Xeque: como investigar os mal feitos do bolsonarista André Mendonça, o novo "Sérgio Moro". Reportagem de Luis Nassif

 

Se houver um lampejo de jornalismo ainda no país, os negócios do Iter (instituto de André Mendonça) deverão entrar na mira da imprensa. De qualquer modo, o relatório da PF é um roteiro para investigações de mal feitos de fácil verificação: todos eles estão documentados nas manchetes e nos vazamentos para O Globo.


Do Jornal GGN:


Agência Xeque: como investigar os mal feitos de André Mendonça



A dependência exclusiva de vazamentos de fontes faz com que a grande imprensa sempre ande vários degraus atrás dos fatos.

Principal instrumento de atuação da ala de Mendonça, O Globo limitou-se a desacreditar o relatório da Polícia Federal utilizado por Alexandre de Moraes.

Mostrou as inconsistências, com muitas observações classificadas pelo próprio relatório como “de baixo valor probatório”, e escondeu o principal crime, do qual O Globo é parceiro: a armação contra Fábio Luiz Lula da Silva, com a óbvia intenção de manipular a opinião pública em relação às próximas eleições.

Toda a retórica de O Globo é no sentido de que o relatório não apresenta provas documentais. Ora, não é esse o papel do relatório, mas o de apontar pistas para investigações.

Ele afirma que:

  • Mendonça teria proposto benefício não previsto em lei durante as tratativas da negociação da delação premiada do empresário Maurício Camisotti, um dos principais investigados no escândalo do INSS (clique aqui).
  • O ministro também teria dito que Gonet não é ‘digno de confiança’ devido à sua relação com Gilmar (clique aqui).
  • Relatórios apontam que Mendonça teria cogitado afastar diretor da PF.
  • O relatório da PF aponta que Mendonça teria atuado por motivação política, direcionado investigações contra alvos específicos e dado ordens que levaram à quebra da cadeia de custódia de provas — série de procedimentos previstos no Código de Processo Penal sobre como devem ser usadas, preservadas, processadas, armazenadas e descartadas as provas colhidas nas investigações.
  • Quanto ao vazamento de provas, o relatório constata que “o acervo mais sensível da Operação Sem Desconto encontra-se sob custódia pessoal e sem trilha de auditoria, arranjo incompatível com o regime normativo da instituição”.

Todas essas afirmações são axiomáticas e facilmente comprováveis. No entanto, o ponto mais vulnerável de Mendonça não foi explorado pelo relatório: os negócios obscuros do Instituto Iter.

Os negócios do Iter

Não foi por outro motivo que, em pleno tiroteio do Supremo, no último dia 2, Mendonça interrompeu seus trabalhos para uma nota afirmando que saiu do Iter.

Candidamente, os jornais passaram ao largo dos negócios – muitos deles revelados em primeira mão pelo Jornal GGN.

Já em março deste ano, levantávamos a hipótese de Daniel Vorcaro ter patrocinado o Iter (clique aqui).

Desde então, estes foram os pontos apurados:

Xadrez de Mendonça 1 — Cláudio Castro (RJ)

Contratante: Secretaria de Segurança Pública do RJ (governo Cláudio Castro), R$ 518 mil, autorizado em maio/2025.

Interesse: Mendonça votou contra a inelegibilidade de Castro no TSE no período entre autorização e assinatura do contrato.

Aqui estão todas as impressões digitais: Castro assinou o contrato com o Iter e segurou o pagamento por 11 meses, aguardando a votação no Tribunal Superior Eleitoral sobre sua inelegibilidade. Mendonça foi um dos dois votos favoráveis a Castro (o outro foi de Nunes Marques). Onze dias depois, o pagamento foi liberado.

Xadrez de Mendonça 2 — Conselho Federal de Contabilidade (CFC)

Contratante: CFC — dois contratos em três meses, somando R$ 1,73 milhão.

Interesse: escritórios de contabilidade (KPMG, EY, PwC, Crowe) deram pareceres sem ressalvas sobre ativos fraudulentos do Master; CFC é entidade reguladora desse setor sob escrutínio no caso.

Xadrez de Mendonça 3 — Cioeste (São Roque)

Contratante: Consórcio Intermunicipal da Região Oeste Metropolitana de SP (Cioeste), liderado pelo prefeito de São Roque, Guto Issa — R$ 1,2 milhão, julho/2025.

Interesse: São Roque investiu R$ 93 milhões no Master via fundo previdenciário (São Roque Prev), com prejuízo após a liquidação.

Xadrez de Mendonça 4 — TJ do Amazonas

Contratante: Tribunal de Justiça do Amazonas — R$ 1.635.900, MBA por inexigibilidade de licitação.

Interesse: Amazonprev (fundo previdenciário ligado ao TJAM) investiu R$ 50 mi em Letras Financeiras do Master, sem aprovação formal do comitê; PF apura propina na Operação Sine Consensu.

Antonio Denarium (governador de Roraima, PP)

Iter fechou contrato de R$ 273,6 mil com o governo de RR em fevereiro de 2025.

Meses depois, em agosto de 2025, Mendonça pediu vista do processo de cassação de Denarium no TSE (acusado de abuso de poder político e econômico nas eleições de 2022) e renovou o pedido, travando o julgamento.

O possível contrato com Vorcaro

No artigo “André Mendonça tenta apagar os rastros da ligação com o Master”, está o roteiro completo para investigar a visita de Daniel Vorcaro à sede do Iter, em São Paulo, para uma conversa reservada com Mendonça.

Segundo nota oficial, Mendonça afirma que tratou com ele apenas sobre algumas questões relacionadas a precatórios. Com amadorismo, não se deu conta de que uma das frentes de atuação do Master era a tentativa de validação de precatórios inviáveis.

Mas o buraco é mais embaixo. O Iter é obrigado a divulgar contratos firmados com o setor público, mas pode manter sob sigilo os contratos com o setor privado.

O que fizemos foi pegar o último contrato público, antes da visita de Vorcaro, em 14 de março de 2025, e o primeiro contrato público após a visita. Comparando a numeração de ambos, a diferença corresponderia a contratos firmados com o setor privado no período da visita de Vorcaro. Olhe o resultado:

  • No dia 11 de março de 2025, o Iter emitiu a Nota Fiscal nº 189.
  • No dia 14 de março de 2025, André Mendonça recebeu a visita de Daniel Vorcaro na sede do Iter, em São Paulo. Alegou que foi uma consulta sobre precatórios. Contudo, consultas sobre processos fazem-se no gabinete do ministro, no STF; reuniões na sede privada de uma empresa do ministro servem para negócios.
  • No mesmo dia 14 de março, o Iter emitiu a Nota Fiscal nº 226.
  • Isso significa que, em apenas 3 dias, foram emitidas 37 notas fiscais para clientes privados.
  • No dia 1º de setembro de 2026, Paulo Motoryn divulgou a reunião de Vorcaro com Mendonça na sede do Iter.
  • No dia 2 de setembro, o GGN revelou a existência de 37 notas fiscais emitidas em apenas 3 dias e desafiou o ministro a divulgar quem eram os clientes.
  • Entre 9h30 e 11h do mesmo dia, o gabinete de Mendonça divulgou uma nota confirmando o encontro com Daniel Vorcaro no Instituto Iter, esclarecendo que a reunião ocorreu uma única vez, por iniciativa do próprio empresário, e que o diálogo limitou-se ao acompanhamento de um processo referente a precatórios que tramitava na Corte — um posicionamento auto incriminatório.
  • Ainda no dia 2 de setembro, em pleno tiroteio do caso Master e no momento mais crítico da carreira de André Mendonça, o ministro anunciou ter se reunido com seu sócio e se desligado da sociedade do Iter.

Se houver um lampejo de jornalismo ainda no país, os negócios do Iter deverão entrar na mira da imprensa.

De qualquer modo, o relatório da PF é um roteiro para investigações de mal feitos de fácil verificação: todos eles estão documentados nas manchetes e nos vazamentos para O Globo.


Honestidade? Imparcialidade? O bolsonarista "terrivelmente evangélico" André Mendonça tenta apagar os rastros da ligação com o Master. Leia a reportagem de Luís Nassif

 

Instituto de cursos de André Mendonça emitiu 37 notas fiscais, algumas após reunião com Daniel Vorcaro no próprio ITER.

Do Jornal GGN:

    André Mendonça em foto de Gustavo Moreno/STF

O ITER, Instituto de cursos do Ministro André Mendonça, é obrigado a divulgar todos os contratos com entes públicos. Não é obrigado a divulgar contratos com entes privados.

Analise a cronologia:

  • no dia 11 de março de 2025, o ITER emitiu a Nota Fiscal no. 189.
  • no dia 14 de março de 2025, André Mendonça recebeu a visita de Daniel Vorcaro na sede do ITER, em São Paulo. Alegou que foi uma consulta sobre precatórios. Consultas sobre processos faz-se no gabinete do Ministro, no STF. Reunião em empresa do Ministro é para negócios.
  • no mesmo dia 14 de março, o ITER emitiu a Nota Fiscal no. 226.
  • significa que em apenas 3 dias, foram emitidas 37 Notas Fiscais para clientes privados.
  • no dia 1º de setembro de 2026, Paulo Motoryn divulga a reunião de Vorcaro com Mendonça na sede do ITER.
  • no dia 2 de setembro, o GGN mostra as 37 Notas Fiscais emitidas em apenas 3 dias, e desafia o Ministro a abrir quem foram os clientes.
  • por volta das 9h30–11h, o gabinete de Mendonça divulgou nota confirmando o encontro com Daniel Vorcaro no Instituto ITER, esclarecendo que a reunião ocorreu uma única vez, por iniciativa do próprio empresário, e que o diálogo limitou-se ao acompanhamento de um processo referente a precatórios que tramitava na Corte. 
  • no mesmo dia 2 de setembro, em pleno tiroteio do caso Master, no dia mais relevante da estridente carreira de André Mendonça, ele anuncia ter se reunido com o sócio dele e se retirado da sociedade do ITER.


Sujeira e conluiu entre iguais: Segundo Daniel Vorcaro, propina doada por ele a Bolsonaro e Tarcísio foi acordo com Kassab, diz site

 

Valores seriam contrapartida para continuidade da operação do cartão de crédito consignado Credcesta no governo de SP, segundo Vorcaro

Do ICL Notícias:

Segundo Vorcaro, propina doada a Bolsonaro e Tarcísio foi acordo com Kassab, diz site


O ex-banqueiro Daniel Vorcaro afirmou, em uma proposta de delação premiada apresentada às autoridades, que R$ 5 milhões destinados às campanhas de Jair Bolsonaro e Tarcísio de Freitas em 2022 teriam origem em uma negociação de propina. Segundo reportagem publicada pelo UOL, o relato dizia que os valores seriam uma contrapartida por um suposto acordo para garantir a continuidade da operação do cartão de crédito consignado Credcesta no governo de São Paulo.

De acordo com a versão apresentada por Vorcaro, R$ 2 milhões foram destinados à campanha de Tarcísio, enquanto R$ 3 milhões foram repassados à campanha de Bolsonaro. As doações foram oficialmente realizadas por Fabiano Zettel, cunhado do ex-banqueiro e também investigado na Operação Compliance Zero. Vorcaro afirmou que Zettel não teria conhecimento das supostas motivações por trás dos pagamentos.

Ainda segundo o ex-banqueiro, a articulação teria envolvido Gilberto Kassab, que apoiou a candidatura de Tarcísio ao governo paulista em 2022 e posteriormente assumiu a Secretaria de Governo do Estado. Vorcaro relatou que Augusto Lima, ligado à operação do Credcesta dentro do grupo, teria buscado Kassab para assegurar a continuidade do negócio após a mudança de governo.

A proposta mencionada por Vorcaro também descreve outras contribuições políticas. Segundo ele, além dos R$ 5 milhões em doações oficiais, teria sido acertado o pagamento de aproximadamente R$ 10 milhões em dinheiro, por meio de caixa dois, destinados a pessoas que supostamente atuariam em nome de Kassab e que repassariam os recursos a campanhas do PSD.

O Credcesta era considerado um dos principais negócios do Banco Master. A empresa PKL One Participações, responsável pela operação do cartão, havia sido credenciada em maio de 2022 para oferecer crédito consignado a servidores públicos paulistas. O produto começou a operar em julho daquele ano e ganhou espaço no mercado estadual.

Vorcaro afirma que as doações e os demais pagamentos teriam sido realizados e que a contrapartida também teria ocorrido, com a manutenção do Credcesta no governo paulista por mais de um ano. Em dezembro de 2024, porém, o governo Tarcísio editou um decreto ampliando o mercado de crédito consignado para outras instituições.

As acusações foram negadas pelos envolvidos. Tarcísio de Freitas afirmou que não possui relação com Vorcaro e que desconhecia qualquer irregularidade relacionada às doações. A defesa do governador também destacou que a campanha de 2022 teve sua prestação de contas apresentada e aprovada pela Justiça Eleitoral.

Kassab classificou o relato como “absolutamente fantasioso” e afirmou nunca ter tratado de doações com Augusto Lima ou Daniel Vorcaro. Ele também negou ter recebido valores em espécie ou participado de qualquer negociação envolvendo o Credcesta.

A proposta de delação de Vorcaro foi apresentada em diferentes versões às autoridades.

Segundo a reportagem do UOL, a Polícia Federal e a Procuradoria-Geral da República rejeitaram o acordo sob o argumento de que os relatos não apresentavam fatos novos nem elementos suficientes de corroboração. Na última semana, o ex-banqueiro voltou a manifestar interesse em colaborar com as investigações durante depoimento ao ministro André Mendonça, relator da Operação Compliance Zero no Supremo Tribunal Federal.


O bolsonarista Nikolas Ferreira usa falso laudo da PF, feito com IA, para tentar negar crimes na sua relação com Vorcaro

 

Do ICL Notícias:


A Polícia Federal não elaborou o suposto relatório que circula nas redes sociais como base para afirmar que não existem indícios de crimes nas conversas entre o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) e Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. O material, divulgado pelo próprio parlamentar, foi desmentido pela corporação.

A PF informou ao site Aos Fatos que não é responsável pela produção da imagem ou pelo texto apresentados como parte de um relatório oficial. O conteúdo ganhou ampla circulação nesta quinta-feira (3), com publicações sobre o assunto alcançando pelo menos 500 mil visualizações no X.

A falsificação também apresenta sinais de ter sido produzida com inteligência artificial. Uma análise realizada por uma ferramenta da OpenAI identificou a presença de SynthID, tecnologia utilizada para marcar conteúdos gerados ou modificados por sistemas de IA.

Sinais de falsificação

O arquivo tenta reproduzir uma página de um documento da Polícia Federal relacionado à Operação Compliance Zero. A montagem traz informações como data de extração, período de análise e referências à Diretoria de Investigação e Combate ao Crime Organizado.

O trecho atribuído à PF seria uma análise de mensagens encontradas no celular de Daniel Vorcaro. Segundo o texto forjado, as conversas com Nikolas envolveriam manifestações públicas do deputado sobre o Banco Master e o Fórum de Londres, além de um pedido para que Vorcaro fizesse uma intermediação junto a um ex-assessor.

A conclusão apresentada na montagem é de que não haveria elementos suficientes para caracterizar crime ou justificar uma investigação específica contra o parlamentar.

Entre os indícios de fraude está o próprio visual do documento. O símbolo da Polícia Federal apresenta diferenças em relação ao emblema oficial da instituição. Há alterações no desenho das fitas e até na forma como o acento da palavra “Polícia” aparece representado.

Também existem problemas na organização do texto. A numeração salta do item 7 para o 7.3, sem os tópicos intermediários. Além disso, aparecem erros de português, como a expressão “contato salvado”.

As informações sobre as datas também chamam atenção. O material indica 18 de novembro de 2025 como data de produção e de extração dos dados. Foi justamente nessa data que Daniel Vorcaro foi preso pela Polícia Federal, um dia depois de sua detenção.

A montagem ainda utiliza características pouco comuns em documentos oficiais da PF, entre elas emojis e a expressão “Relatório de Análise de Dados”.

OpenAI identifica uso de IA

A ferramenta utilizada pelo Aos Fatos apontou a existência de uma marca digital SynthID no arquivo. A tecnologia foi desenvolvida para permitir a identificação de conteúdos criados ou editados com ferramentas de inteligência artificial.

A OpenAI confirmou à reportagem que a presença do SynthID é um indicativo de que o documento passou por algum processo de geração ou edição utilizando recursos de IA.

O sistema, entretanto, não encontrou credenciais de conteúdo C2PA confiáveis da OpenAI. A identificação do SynthID, somada às demais inconsistências presentes na imagem, reforça a conclusão de que o suposto relatório não é um documento oficial da Polícia Federal.

A publicação do documento falso ocorreu após reportagens do ICL Notícias revelarem conversas e áudios entre Nikolas Ferreira e Daniel Vorcaro.

Uma das mensagens mostra o deputado solicitando auxílio do banqueiro para liberar “um ativo de minério”, em março de 2025. Em outro diálogo, Vorcaro afirma que “[bancou todos os voos”] de Nikolas.

A produção e a utilização de documentos falsos podem resultar em responsabilização criminal. O Código Penal prevê pena de dois a seis anos de reclusão, além de multa, para quem falsifica, no todo ou em parte, documento público.

quinta-feira, 3 de setembro de 2026

UOL: Vorcaro diz que doação (feita por ele) a Bolsonaro e Tarcísio foi propina negociada com Kassab

 

Do UOL:

O ex-banqueiro Daniel Vorcaro afirma em sua proposta de delação premiada que a doação de R$ 5 milhões para as campanhas de Tarcísio de Freitas (Republicanos) e Jair Bolsonaro (PL) na campanha de 2022 têm origem em negociação de propina. Na campanha de 2022, Tarcísio recebeu R$ 2 milhões e Jair Bolsonaro R$ 3 milhões em doações de Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro e um dos investigados na operação Compliance Zero. De acordo com Daniel Vorcaro, essas doações foram "contrapartidas financeiras" pagas após um "ajuste indevido com Gilberto Kassab para a manutenção do Credcesta no governo Tarcísio".



Em áudio, Nikolas Ferreira, bolsonarista, chama Daniel Vorcaro de ‘lindão’ e pede liberação de ativo de minério. Veja aqui a reportagem de Juliana Dal Piva, do ICL

 

Deputado federal bolsonarista Nikolas Ferreira intermediou conversa entre seu ex-assessor e banqueiro do Master

Do ICL:

Em áudio, Nikolas chama Vorcaro de ‘lindão’ e pede liberação de ativo de minério


 

Reportagem de Juliana Dal Piva


O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) pediu que o banqueiro Daniel Vorcaro ajudasse seu advogado e ex-assessor de seu gabinete, Thiago Rodrigues de Faria. Nas palavras do deputado bolsonarista, era necessária ajuda do dono do banco Master para liberar “um ativo de minério”. No áudio, enviado no dia 30 de março de 2025, ao qual a coluna teve acesso com exclusividade, Nikolas chama o banqueiro de “Dani” e de “lindão” e diz que “quer ter mais proximidade” com Vorcaro.

No áudio, Nikolas diz: “Ei Dani, tudo bom? Como você está? Como estão as coisas aí? Desculpa te incomodar num domingo aí, é jogo rápido, também não quero tomar muito seu tempo. É o seguinte, meu amigo, meu advogado, enfim, irmão meu aqui, comentou comigo e falou daqui do seu nome. Eu falei: ‘não conheço o Dani, enfim, não tenho a proximidade assim, até mesmo a que eu queria ter, enfim, de conversar e trocar ideia, mas eu o conheço.’ Ele falou: ‘cara, tô com um ativo minerário lá, inclusive já passou pela ficha técnica, o pessoal técnico dele, enfim, tá pendente lá, tem algumas pessoas que sabem disso lá na empresa.’ E eu falei: ‘não, ué, eu posso dar um toque nele’. Então assim, não sei nem do que se trata, mas enfim é como é uma pessoa, enfim, que eu confio totalmente, tô passando aí pra você, pra se for do teu interesse, passar o contato dele aqui pra vocês tocarem isso, beleza? No mais, qualquer coisa tô aqui à disposição”

Nikolas envia o áudio e Vorcaro responde minutos depois com um áudio de visualização única. Na sequência, Nikolas agradece e envia o contato de Thiago Faria. Vorcaro então responde: “Amém irmão. Estamos na guerra juntos”. Nikolas escreve que vai “dar banho na pequena agora” e completa na sequência: “pra amanhã voltar pra guerra”. A conversa termina com Vorcaro dizendo ao deputado para “Thiago me chamar”.

No dia seguinte, 1 de abril de 2025, Nikolas avisa que Thiago estará em Brasília e “qualquer horário ele estará disponível”. O banqueiro responde um dia depois dizendo: “Deixa comigo”.

Pelo conjunto de mensagens, não é possível saber se Vorcaro ajudou no pedido do assessor de Nikolas. No áudio enviado ao banqueiro, Nikolas também fez questão de se desculpar com Vorcaro por postagens que haviam gerado críticas do dono do Master a ele em abril de 2024 quando o deputado criticou um evento financiado pelo banco em Londres e que contou com a presença de ministros do STJ, STF e TSE.

Na mensagem de áudio, Nikolas também reiterou o arrependimento a Vorcaro: “Troquei ideia lá com o Pastor Valadão naquela época, lá naquela postagem, eu falei: ‘Pastor, eu não fazia ideia que era este o Banco do Dani etc. e tudo, se não, obviamente eu não teria postado, já teria conversado anteriormente’, mas enfim, acabou que a palavra dita não tem como voltar, né? Mas espero que tenha sido esclarecido, enfim, depois vamos marcar da gente se encontrar também, tá bem? Um abraço, lindão.”

A coluna enviou  cinco perguntas para Thiago Faria e Nikolas. Faria disse que Nikolas está em campanha e não iria incomodá-lo. “Essas perguntas são nada a ver”, disse. “O Vorcaro é de Belo Horizonte e eu sou de Belo Horizonte e a gente conhece todo mundo. Uma vez eu, enfim, tinha um ativo minério porque eu trabalho nessa área de mineração e mandei um ativo minerário pra todo mundo de um contrato que todo mundo sabe que já saiu de uma pessoa que teve um problema e ao qual eu nunca fui chamado para depor na PF porque eu não tenho nada a ver com isso”, finalizou Faria, em um áudio enviado para a coluna.

Assessor de Nikolas envolvido na Operação Rejeito

Faria teve seu nome exposto por envolvimento com empresas e investigados que foram presos na Operação Rejeito, deflagrada em setembro de 2025, alguns meses depois da troca de mensagens.

A PF prendeu 22 pessoas preventivamente em meio a uma investigação de um esquema criminoso de extração ilegal de minério de ferro na Serra do Curral, em Nova Lima, na Região Metropolitana de Belo Horizonte.

Segundo uma reportagem do jornal O Estado de Minas, Thiago Rodrigues de Faria atuou como intermediário, por meio de um contrato de confiabilidade, de uma negociação envolvendo uma lavra de minério e empresas investigadas pela PF nessa operação. Uma delas é a Gmais Ambiental. Pelo trabalho do assessor de Nikolas, os verdadeiros donos não teriam os nomes publicizados.

De acordo com os investigadores, a Thiago Rodrigues Sociedade Individual de Advocacia  tinha um contrato, assinado em janeiro de 2025 com a Gmais, e receberia 25% do lucro total, estimado entre de US$ 30 e US$ 45 milhões, caso a autorização para que uma área pudesse voltar a minerar e uma lavra fosse vendida.

No inquérito da PF, está descrito: “chamaram a atenção os valores prováveis da negociação sobre os quais os apresentantes seriam remunerados. O valor inicial era de US$ 30.000.000,00 podendo ultrapassar os US$ 45M, valor que geraria 20% de comissão aos parceiros Gmais, Estabil escritório contábil e Thiago Rodrigues advocacia”, diz um trecho do inquérito.

Esse contrato entre a Gmais e a empresa do assessor de Nikolas também tinha como sócia a mineração Topázio Imperial, que detém os direitos minerários de uma lavra onde está localizada uma das barragens de maior risco de Minas Gerais, a barragem Água Fria, considerada um dos sete barramentos com maior risco de rompimento no Brasil. Na época, estava sem operação por ação do MPF.

Ainda de acordo com a PF, o grupo queria vender a lavra da Topázio para exploração. No entanto, era necessário liberar a empresa, detentora dos direitos minerários de lavra em Ouro Preto, no Distrito de Rodrigo Silva.

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Qual a lógica da imprensa (Globo, Folha, Estadão, etc.), na campanha pró-Flávio Bolsonaro?, por Luís Nassif

 

É um método que, de tão primário, torna-se humilhante para o jornalismo. Como se pôde chegar a uma manipulação tão rasteira e escancarada?

Do Jornal GGN:

    Jean-Michel Basquiat


 Não resta a menor dúvida sobre a ação articulada dos grandes veículos de mídia em favor da candidatura de Flávio Bolsonaro. As digitais estão evidentes na tentativa de criar um falso escândalo — o chamado caso Lulinha — e equipará-lo artificialmente às investigações sobre Flávio Bolsonaro.

Trata-se de uma farsa explícita, alimentada pelo ministro André Mendonça e endossada acriticamente pela imprensa.

É um método que, de tão primário, torna-se humilhante para o jornalismo brasileiro. Como se pôde chegar a uma manipulação tão rasteira e escancarada?

Se não houvesse fatores estruturais em jogo, a irracionalidade seria total. A imprensa só floresce em ambiente democrático e com o regular funcionamento das instituições. É nesse ecossistema que ela exerce influência e relevância — fiscalizando e pressionando o Judiciário, o Legislativo e os governos, além de alavancar seus negócios e patrocínios. Em um ambiente selvagem — como tende a ser o país sob a hegemonia do crime organizado e de milícias —, anula-se qualquer veleidade de influência e respeitabilidade do jornalismo.

Para além da miopia conjuntural, quais razões explicam esse alinhamento? Entremos no campo das hipóteses explicativas:

Hipótese 1 — A ameaça externa e o compliance da geopolítica

Conforme detalhei no artigo “A imprensa na guerra híbrida”, uma das hipóteses é a pressão do Departamento de Estado norte-americano.

Em novembro de 2017, no julgamento do ex-presidente da CBF José Maria Marin e de outros dirigentes em Nova York, o argentino Alejandro Burzaco, ex-presidente da Torneos y Competencias e delator da Justiça americana, afirmou sob juramento que Globo, Televisa e Torneos teriam participado de um pagamento de US$ 15 milhões a Julio Grondona, então vice-presidente da FIFA e presidente da AFA. Segundo Burzaco, o pagamento estava relacionado à obtenção de direitos de mídia das Copas do Mundo de 2026 e 2030.

Agora, com as medidas de Donald Trump convertendo empresas norte-americanas em braços diretos da geopolítica de Washington, elevou-se drasticamente o risco sobre as empresas de mídia brasileiras. Como escrevi no artigo:

“Uma reunião entre o Departamento de Estado e executivos; uma audiência parlamentar; uma carta de congressistas; uma declaração pública de Rubio; uma investigação da USTR; ou simplesmente a pergunta de um funcionário americano — ‘sua companhia está financiando organizações envolvidas na censura de cidadãos americanos?’ — pode bastar para que departamentos jurídicos recomendem suspender publicidade. Não seria uma sanção formal. Seria compliance induzido pelo Estado”.

Hipótese 2 — O fator Faria Lima e a grande lavanderia financeira

A gestão de Roberto Campos Neto à frente do Banco Central abriu as comportas para dois tipos de negócios:

O primeiro foi a proliferação desregulada de novas figuras financeiras: Sociedades de Crédito Direto (SCDs), Sociedades de Empréstimo entre Pessoas (SEPs), Instituições de Pagamento (IPs), estruturas de Banking as a Service (BaaS), multiplicação de bancos digitais sem carta bancária tradicional e toda sorte de securitizadoras.

O segundo foi a transformação de parcela do mercado em uma engrenagem de lavagem de dinheiro, atendendo tanto ao crime organizado quanto à blindagem de ganhos fiscais e financeiros de pessoas físicas e jurídicas.

A defesa da candidatura de Flávio Bolsonaro se prenderia, assim, à preservação dessa imensa lavanderia.

Hipótese 3 — O banquete das privatizações e os grandes negócios com o Estado

A aliança com grandes bancos de investimento mira os grandes negócios com o patrimônio público: a liquidação e privatização da Petrobras, do Banco do Brasil e da Caixa Econômica Federal.

Hipótese 4 – enfraquecimento preventivo

É uma velha tática. A campanha visa ou derrotar Lula ou, na melhor das hipóteses, registrar um Lula vitorioso, porém enfraquecido.

Seja qual for a combinação de motivos, a atual campanha eleitoral é a pá de cal em qualquer veleidade da grande imprensa de resgatar o papel do jornalismo em meio à barafunda de desinformação das redes sociais. Veículos como The New York Times, Financial Times, The Times, El País e The Guardian mantiveram princípios básicos: apuro da notícia, rigor de análise, respeito à relevância factual e recusa a embarcar em fake news primárias — exatamente o oposto do que faz a mídia brasileira ao inflar o falso caso Lulinha.

O jornalismo passa a ser tratado como mero instrumento temporário para viabilizar o próximo salto corporativo do grupo. Cumprida essa etapa, descarta-se a verdade e o próprio jornalismo por desnecessário.

Lula no Jornal Nacional

Um exemplo de como o jornalismo da Globo não respeita nem jornalistas experientes. A maior parte da entrevista de Lula ao Jornal Nacional foi sobre as fake news distribuídas pela Polícia Federal. Todas as perguntas versavam sobre escândalos. Nenhuma sobre planos de governo.

Depois, na avaliação dos jornalistas de O Globo, saiu esse primor.

Thomas Traumann (Nota 2): “Desacostumado a entrevistas duras, o presidente Lula passou a maior parte do tempo na defensiva, respondendo sobre casos de corrupção envolvendo seu filho e ex-chefe de gabinete. Encerrou se perdendo no tempo das considerações finais”

E não havia a alternativa para Lula desconsiderar o baixíssimo nível das perguntas.

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