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sábado, 22 de setembro de 2018

Até os ventos contrários nos conduzirão ao porto seguro, por Leonardo Boff



Imagem relacionada   "O povo brasileiro ainda não acabou de nascer. O que herdamos foi a Empresa-Brasil com uma elite escravagista e uma massa de destituídos. Mas do seio desta massa, nasceram lideranças e movimentos sociais com consciência e organização. Seu sonho? Reinventar o Brasil. O processo começou a partir de baixo e não há mais como detê-lo nem pelos sucessivos golpes sofridos como o de 1964 civil-militar e o de 2016 parlamentar-juridico-mediático."

Segue o texto de Leonardo Boff, constante de seu site:



O povo brasileiro se habituou a “enfrentar a vida” e a conseguir tudo “na luta e na amarra”, quer dizer, superando dificuldades e com muito trabalho. Por que não iria “enfrentar” também o derradeiro desafio de fazer as mudanças necessárias, no meio da atual crise, que nos coloquem no reto caminho da justiça para todos.
O povo brasileiro ainda não acabou de nascer. O que herdamos foi a Empresa-Brasil com uma elite escravagista e uma massa de destituídos. Mas do seio desta massa, nasceram lideranças e movimentos sociais com consciência e organização. Seu sonho? Reinventar o Brasil. O processo começou a partir de baixo e não há mais como detê-lo nem pelos sucessivos golpes sofridos como o de 1964 civil-militar e o de 2016 parlamentar-juridico-mediático.
Apesar da pobreza, da marginalização e da perversa desigualdade social, os pobres sabiamente inventaram caminhos de sobrevivência. Para superar esta anti-realidade, o Estado e os políticos precisam escutar e valorizar o que o povo já sabe e inventou. Só então teremos superado a divisão elites-povo e seremos uma nação não mais cindida mas coesa.
O brasileiro tem um compromisso com a esperança. É a última que morre. Por isso, tem a certeza de que Deus escreve direito por linhas tortas. A esperança é o segredo de seu otimismo, que lhe permite relativizar os dramas, dançar seu carnaval, torcer por seu time de futebol e manter acesa a utopia de que a vida é bela e que amanhã pode ser melhor. A esperança nos remete ao princípio-esperança de Ernst Bloch que é mais que uma virtude; é uma pulsão vital que sempre nos faz suscitar novos sonhos, utopias e projetos de um mundo melhor.
Existe, no momento atual, marcado por um quase naufrágio do país, certo medo. O oposto ao medo, porém, não é a coragem. É a fé de que as coisas podem ser diferentes e que, organizados, podemos avançar. O Brasil mostrou que não é apenas bom no carnaval e na música. Mas pode ser bom na agricultura, na arquitetura, nas artes e na sua inesgotável alegria de viver.
Uma das características da cultura brasileira é a jovialidade e o sentido de humor, que ajudam aliviar as contradições sociais. Essa alegria jovial nasce da convicção de que a vida vale mais do que qualquer outra coisa. Por isso deve ser celebrada com festa e diante do fracasso, manter o humor que o relativiza e o torna suportável. O efeito é a leveza e a vivacidade que tantos admiram em nós.
Está havendo um casamento que nunca antes fora feito no Brasil: entre o saber acadêmico e o saber popular. O saber popular é “um saber de experiências feito”, que nasce do sofrimento e dos mil jeitos de sobreviver com poucos recursos. O saber acadêmico nasce do estudo, bebendo de muitas fontes. Quando esses dois saberes se unirem, teremos reinventado um outro Brasil. E seremos todos mais sábios.
O cuidado pertence à essência do humano e de toda a vida. Sem o cuidado adoecemos e morremos.. Com cuidado, tudo é protegido e dura muito mais. O desafio hoje é entender a política como cuidado do Brasil, de sua gente, especialmente dos mais vulneráveis, como índios e negros, cuidado da natureza, da educação, da saúde, da justiça para todos. Esse cuidado é a prova de que amamos o nosso pais e queremos todos incluídos.
Uma das marcas do povo brasileiro bem analisada pelo antropólogo Roberto da Matta, é sua capacidade de se relacionar com todo mundo, de somar, juntar, sincretizar e sintetizar. Por isso, em geral, ele não é intolerante nem dogmático. Ele gosta de acolher bem os estrangeiros. Ora, esses valores são fundamentais para uma globalização de rosto humano. Estamos mostrando que ela é possível e a estamos construindo. Infelizmente nos últimos anos surgiu, contra a nossa tradição, uma onda de ódio, discriminação, fanatismo, homofobia e desprezo pelos pobres (o lado sombrio da cordialidade, segundo Buarque de Holanda) que nos mostram que somos, como todos os humanos, sapiens e demens e agora mais demens.. Mas isso, seguramente, passará e predominará a convivência mais tolerante e apreciadora das diferenças.
O Brasil é a maior nação neolatina do mundo. Temos tudo para sermos também a maior civilização dos trópicos, não imperial, mas solidária com todas as nações, porque incorporou em si representantes de 60 povos diferentes que para cá vieram. Nosso desafio é mostrar que o Brasil pode ser, de fato, uma pequena antecipação simbólica de que tudo é resgatável: a humanidade unida, una e diversa, sentados à mesa numa fraterna comensalidade, desfrutando dos bons frutos de nossa boníssima, grande, generosa Mãe Terra , nossa Casa Comum.
É um sonho? Sim, aquele necessário e bom.
Leonardo Boff escreveu Brasil: concluir a refundação ou prolongar a dependência? Vozes 2018.






terça-feira, 2 de maio de 2017

CNBB e Bispos do Brasil, além de religiosos de diferentes igrejas, afirmam em alto e bom som para os golpistas de Temer, da Fiesp e Globo: Trabalhador não é Mercadoria


Resultado de imagem para Igreja contra reformas de Temer

     Em outra corajosa homilia, o Pe. Júlo Lancelotti novamente ataca o golpismo Temer-Direita-Empresários contra o povo trabalhador, esclarecendo o posiconamento da CNBB sobre o tema das "reformas" (destruição) dos direitos trabalhlistas e da Previdência, citando igualmente o posicionamento da Igreja Luterana e outras denominações cristãs realmente sérias. Após o vídeo, reportagem do Brasil 247 discute o posicionamento da Igreja Católica ante o processo expresso de desmonte da Nação em prol dos interesse de uma minoria interna e externa....


Segue artigo do Brasil 247, postado por José Duarte Lima em seu blog:

CNBB combaterá reformas de Temer nas igrejas

Confederação Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) vai levar a luta contra o pacote de Michel Temer para dentro das igrejas católicas de todo o País; na avaliação da entidade, reformas como a trabalhista e a previdenciária, nos moldes propostos pelo governo Temer (PDMB), podem até atender aos apelos do mercado, mas deixam de fora interesses básicos do cidadão – justamente o maior afetado por elas, e o que menos ou nada foi chamado a participar dessa discussão; o combate às reformas deve abordado nas missas, além de discutido na cúpula da CNBB; "Não é uma posição político-partidária, mas política, no sentido da polis, do cuidado de todas as pessoas. É importante que se debata e que se converse sobre isso. E faremos", afirmou o secretário-geral da CNBB, Dom Leonardo Ulrich Steiner.
Os bispos do Brasil estão decididos a agir contra a perda de direito dos cidadãos brasileiros.
Para a CNBB (Confederação Nacional dos Bispos do Brasil), reformas como a trabalhista e a previdenciária, nos moldes propostos pelo governo do presidente Michel Temer (PDMB), podem até atender aos apelos do mercado, mas deixam de fora interesses básicos do cidadão –justamente o maior afetado por elas, e o que menos ou nada foi chamado a participar dessa discussão.
O grupo, que se reuniu com representantes da CUT (Central Única dos Trabalhadores) e de outras centrais sindicais no debate por uma agenda de mobilização contra as reformas, pretende abordar o assunto também nas missas.
As informações são de reportagem de Janaina Garcia no UOL.
"No último dia 23, a confederação divulgou uma nota em que criticou duramente a reforma previdenciária ao afirmar, por exemplo, que a proposta defendida pelo governo "escolhe o caminho da exclusão social".
‘Por que não discutir abertamente com a sociedade temas como esses, mas sem se preocupar em sinalizar apenas para o mercado, e sim, preocupado com o cidadão? Não é possível, a partir de um gabinete, determinar o que um cidadão pode ou não", afirma o secretário-geral da CNBB, Dom Leonardo Ulrich Steiner, 66.
Arcebispo auxiliar de Brasília e desde 2001 secretário-geral da entidade, Steiner falou ao UOL sobre como a representação máxima dos bispos, de um país ainda de maioria católica, pretende atuar em relação às medidas defendidas por Temer, seja em posicionamentos oficiais –além de nota do mês passado, o assunto deve entrar na pauta da Assembleia Geral anual da CNBB, no final deste mês –, seja em ações práticas nas comunidades eclesiásticas –como, por exemplo, a abordagem crítica das reformas em missas.
‘Não é uma posição político-partidária, mas política, no sentido da polis, do cuidado de todas as pessoas. É importante que se debata e que se converse sobre isso. E faremos’, afirmou.
Brasil 247

segunda-feira, 24 de abril de 2017

Arcebispo da Paraíba convoca Greve Geral dia 28 contra os desmandos dos golpistas e empresários: Vamos parar o Brasil!




Depoimento de dom Manoel Delson Pedreira da Cruz mostra o apoio da Igreja Católica à Greve Geral



Do Brasil 247:
A Greve Geral que deve paralisar o Brasil próxima sexta-feira, 28, ganhou reforço de membros da igreja Católica. Na Paraíba, o arcebispo dom Manoel Delson Pedreira da Cruz, que foi anunciado pelo Vaticano no início do mês passado como novo arcebispo do estado, gravou uma mensagem convocando a população para participar das manifestações contra a Reforma da Previdência.


"Sabemos que esta reforma implica em tirar direitos adquiridos dos trabalhadores e assegurados na Constituição de 1988", diz com Manoel. "Convocamos todos os trabalhadores a participarem desta grande manifestação, dizendo a palavra que o povo não aceita a reforma da Previdência nos termos que estão anunciando", afirmou o arcebispo.
Em março, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), chegou a emitir uma nota aprovada em seu Conselho Permanente sobre a reforma da Previdência. O documento afirma que a seguridade não é uma concessão governamental, mas sim direitos sociais conquistados com intensa participação democrática.
"Em nossa opinião, trata-se do desmonte da Previdência Pública e da retirada dos direitos trabalhistas garantidos pela CLT. Por isso, conclamamos todos, neste dia, a demonstrarem o seu descontentamento, ajudando a paralisar o Brasil", diz trecho de nota conjunta divulgada por entidades.
Além de Dom Delson, quem também está engajado nos preparativos do "Vamos parar o Brasil", é Dom Genival Saraiva de França, atual administrador apostólico da Arquidiocese da Paraíba. Na última quarta-feira (20), ele esteve reunido com integrantes da Frente Brasil Popular na Paraíba, discutindo detalhes do protesto.

quarta-feira, 14 de dezembro de 2016

Morre Dom Paulo, símbolo da luta pela democracia e direitos humanos, no ano em que mas mesmas sujas forças de 1964 golpeiam novamente a Democracia




Agência Brasil
  



















Em mensagem por ocasião dos 50 anos de sua ordenação episcopal, o Papa Francisco sintetizou: “Quem, de fato, não conheceu a tua grande dedicação na promoção dos direitos dos pobres, na defesa da vida digna para todos, na ajuda às famílias e aos oprimidos! No entanto, não achamos necessário que sejam recordados cada um dos teus encargos e méritos, que são muitíssimos e que, por certo, somente por Deus são conhecidos”.

A trajetória de Dom Paulo Evaristo Arns é marcada pela seu compromisso com a democracia e com o povo. Foi bispo e arcebispo de São Paulo entre os anos 60 e 70, com uma atuação dedicada à população mais pobre, contra as torturas e a favor do voto nas Diretas Já.

Em janeiro de 1971, logo após tornar-se arcebispo de São Paulo, denunciou a prisão e tortura de dois agentes de pastoral, o padre Giulio Vicini e a assistente social Yara Spadini.

Em 1972 criou a Comissão Justiça e Paz de São Paulo e, como presidente regional da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), liderou a publicação do “Testemunho de paz”, documento com fortes críticas ao regime militar.

Presidiu celebrações históricas na Catedral da Sé, no Centro de São Paulo, em memória de vítimas da Ditadura Militar. Dentre eles, do estudante universitário Alexandre Vannucchi Leme, assassinado em 1973, e o ato ecumênico em honra do jornalista Vladimir Herzog, assassinado no DOI-CODI, em São Paulo, em 75.

Recentemente, quando lhe perguntaram como gostaria de ser lembrado, respondeu: "Amigo do povo".


Fonte: Portal Vermelho

sábado, 6 de agosto de 2016

Presidenta Dilma Rousseff recebe carta de apoio do Papa Francisco

Reprodução
Crédito: Reprodução
 Fonte: Portal em Pauta
A presidente eleita Dilma Rousseff recebeu uma mensagem de apoio do papa Francisco. De acordo com o teólogo Leonardo Boff, o pontífice demonstrou solidariedade em relação ao processo de impeachment da presidente.
De acordo com Boff, uma “fonte extremamente fidedigna, disse que o papa Francisco escreveu uma carta à Presidenta Dilma Rousseff”, revelou o teólogo em seu perfil oficial no Twitter, na noite desta terça-feira.
No dia 11 de maio, dia em que o Senado votou pelo afastamento de Dilma, o Papa fez um comentário na Praça São Pedro, dizendo que rezava pela “harmonia” e “paz” neste “momento de dificuldade” para o Brasil.
leonardo boff

domingo, 31 de julho de 2016

Albert Einstein, já em seu tempo, reconhecia a perniciosidade fascista de ideias como as da "Escola sem partido"... Veja o Vídeo



   Um dos maiores gênios científicos de todos os tempos e grande pensador humanista, Albert Einstein (1879-1955) conhecia bem os males do fascismo. Foi perseguido pelos nazistas, o que o levou a morar nos Estados Unidos. Mas mesmo neste país teve de se posicionar contra posturas igualmente fascistas, a começar pela perseguição Macartista a seus colegas físicos, quase sempre socialistas e comunistas. Veja o que Einstein falou sobre a manipulação da Educação  - como pretendem hoje fazer os políticos golpistas brasileiros na imbecil tentativa da Escola sem Partidos e na perseguição que tipos como Richa, Alckmin e outros fazem a professores -, como arma de alienação e de fechamento de perspectivas críticas, neste vídeo histórico. - Carlos Antonio Fragoso Guimarães.


sábado, 2 de abril de 2016

O Brasil Democrático dá um Show... Por Renato Rovai


O Brasil democrático dá show e bota água no chope dos golpistas

Texto de Renato Rovai

O povo foi às ruas mais uma vez. De novo de vermelho, mas também de verde e amarelo. De novo em todas as capitais do Brasil. E de novo deu show.


Haja mortadela pra tanta gente nas ruas em todas as capitais no Brasil.
chico buarque chico

Haja mortadela pra garantir que toda a esplanada dos ministérios tenha ficado lotada como nunca esteve nas manifestações pelo impeachment.

Haja mortadela pra transformar o ato da Praça da Sé, em São Paulo, em algo tão parecido com o primeiro comício das Diretas em janeiro de 1984.
O Brasil mostra mais uma vez que não estamos em 1964.
O país mudou. Há movimentos fortes que lutam por direitos.
E muita gente que acredita que a democracia é o nosso melhor caminho.
Há Chico Buarque de Holanda no Largo da Carioca.
Há intelectuais, artistas, professores, jornalistas que não babam pela Globo, advogados que têm vergonha da OAB, gente que não quer o país volte a ser uma republiqueta de bananas.
Esse povo não vai permitir que a nossa democracia seja atropelada.
Não vai aceitar que o golpe que está sendo desenhado pela turma de Temer e Eduardo Cunha, com a sociedade de Aécio e Serra, seja executado.
O Brasil é muito maior do que a união da turma das offshores com a daqueles que querem entregar o Pré-Sal.
No dia 31 de março, aniversário de 52 anos de um golpe que levou o Brasil à breca, o novo golpe ficou menor.
As ruas deram de novo uma lição de democracia.
E a partir de amanhã as contas do Congresso serão outras.
Podem anotar, não vai ter golpe.
O chope deles aguou.