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terça-feira, 9 de junho de 2026

PRETO NO BRANCO: RECIBOS DE R$ 61 MILHÕES DE VORCAR PARA O FILME DE BOLSONARO | Cortes 247

 

Do Canal 247:

Documentos revelados pelo Intercept Brasil apontam que o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, participou de uma operação financeira para enviar recursos aos Estados Unidos destinados ao financiamento de Dark Horse, cinebiografia de Jair Bolsonaro (PL). O nome "Vaza Flávio" é referente às negociações feitas pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) com o ex-banqueiro.



quarta-feira, 3 de junho de 2026

As represálias americanas de Rubio e Trump e a continuação do golpe pela Lava Jato 2, por Luís Nassif

 O USTR vai adotar medidas contra empresas brasileiras, criando um clima de instabilidade e tentando vender Flávio Bolsonaro como a âncora.

Do Jornal GGN:

    Donald Trump e Marco Rubio - Flickr White House

Cantei, desde o começo do caso Master, a tentativa de transformá-lo em uma Lava Jato 2. A parceria entre peritos da Polícia Federal e jornalistas lavajatistas deixava claro o roteiro. Primeiro, desqualificar o Supremo Tribunal Federal (STF). Essa estratégia só diluiu quando não dava mais para esconder as relações de Daniel Vorcaro com Flávio Bolsonaro, com o Banco Regional de Brasilia e Ciro Nogueira

A intenção era anular o STF e o Tribunal Superior Eleitoral para permitir o passo seguinte: a plena liberdade ao partido digital, dominado pela ultradireita bolsonarista.

Depois, um conjunto de medidas agressivas dos Estados Unidos em relação ao país, para vender o peixe de que a única saída seria a eleição de um candidato alinhado com Donald Trump. Obviamente, o controle das redes sociais seria essencial para a venda dessa versão.

Primeira tentativa, o tarifaço de Trump foi um tiro no pé. Primeiro, pelos efeitos sobre a própria economia norte-americana. Depois, pela reação de Lula, erigido imediatamente na condição de grande liderança global contra Donald Trump. A reação de Trump foi a de sempre, recuou, descobriu uma afinidade com Lula, aproximou-se formalmente.

Agora, retoma a ofensiva em base mais institucional, mas com o mesmo objetivo de desestabilizar o governo.

1. Comércio digital e pagamentos eletrônicos

Como Queríamos Demonstrar (CQD), uma das alegações da USTR (United States Trade Representative) é que as cortes brasileiras emitiram ordens secretas mandando plataformas dos EUA derrubarem conteúdo político e suspenderem perfis de residentes americanos, às vezes globalmente, proibindo as plataformas de revelar essas ordens, além de impor multas pesadas, restringir acesso a ativos e contas, e em ao menos um caso derrubar um site inteiro. 

O que isso tem a ver com acordos comerciais? Só ao final é que aparece pagamentos: o Brasil teria desfavorecido empresas americanas de pagamento eletrônico, inclusive com políticas que favorecem seu “national champion”. Ou seja, a ofensiva contra o PIX.

Agora, cada vez que o TSE ou o STF derrubar um influenciador ligado aos Bolsonaro, terá que enfrentar a represália do USTR.

2. Tarifas preferenciais (Mercosul–México/Índia)

O USTR alega que, via acordos de escopo parcial com México e Índia — em setores em que esses países são produtores globalmente competitivos —, o Brasil dá tratamento tarifário preferencial a centenas de produtos mexicanos e indianos. A Secom contra-argumenta que esses acordos não restringem o acesso de produtos americanos e que insumos de origem americana incorporados a produtos brasileiros se beneficiam dos acordos do Mercosul. 

3. Aplicação de leis anticorrupção

O USTR é lacônico e duro: o Brasil falharia em tomar ação suficiente para combater suborno e corrupção. A Secom responde com densidade factual: adesão aos instrumentos internacionais, +30 acordos de leniência desde 2017, e uma proposta de abril/2026 ao Departamento de Estado contra crime organizado e corrupção. Aqui o Brasil tem o argumento mais documentado e o USTR, a alegação mais vaga — vale notar que “anti-corruption enforcement” é o item mais politicamente sensível, dado o histórico Lava Jato e o pano de fundo Bolsonaro.

4. Propriedade intelectual

O USTR detalha: falha em aplicar leis penais e aduaneiras contra produtos falsificados; demora excessiva no exame de patentes, em especial biofarmacêuticas; e falta de medidas antipirataria consistentes. Nada sobre o contrabando de armas, dos EUA para o Brasil.

A Secom não responde ponto a ponto — não trata do backlog de patentes do INPI nem da pirataria. Ela vira o argumento: os EUA são os maiores beneficiários do sistema brasileiro (≈30% dos pedidos de patente, US$ 1,38 bi em royalties em 2024).  O ponto do USTR sobre lentidão do INPI fica sem resposta direta. E nem se levanta o escândalo do acordo Trips – a manobra de José Serra para conceder patente até a medicamentos sem direito a patentes em seus países, e que foi preservado graças à gaveta da relatora Carmen Lúcia, que escondeu o inquérito até o final.

5. Etanol

O USTR alega que em 2017 o Brasil descontinuou abruptamente o tratamento tarifário equilibrado do etanol e desde então não dá reciprocidade às exportações americanas. A Secom confirma a assimetria mas a relativiza e contra-ataca no açúcar: tarifa de 18% do Brasil contra 12,5% dos EUA (“diferença relativamente pequena”), enquanto o açúcar brasileiro enfrenta cota ínfima (~150 mil t) e tarifa equivalente a 80% acima da cota. Este é o item em que a Secom muda o eixo da conversa: aceita a queixa do etanol e abre uma frente nova (açúcar) que o USTR não tratou.

6. Desmatamento

O USTR reconhece que o Brasil tem arcabouço legal, mas alega que historicamente falhou em aplicá-lo e que o desmatamento ilegal persiste. A Secom responde com a série recente: meta de desmatamento zero até 2030, queda de ~50% na Amazônia Legal vs. 2022, área queimada -40% em 2025, e dados do MapBiomas (menor nível em 7 anos). Note o jogo temporal: o USTR usa “historicamente”; a Secom usa o período Lula pós-2023. A hipocrisia da história é que Donald Trump tirou os EUA do acordo de Paris, de preservação ambiental.

Consequências

As peças estão na mesa. Durante o ano, o USTR vai adotar uma série de medidas contra empresas brasileiras, criando um clima de instabilidade e tentando vender Flávio Bolsonaro como a âncora.

Do outro lado da ponte, no entanto, tem as terras raras, os datacenters e uma parceria cada vez mais estreita com a China e os BRICS.

LEIA TAMBÉM:

Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.
luis.nassif@gmail.com

M

Bob Fernandes: Trump ataca Pix e Brasil: se nos EUA, Flávio Bolsonaro seria condenado à morte ou à prisão perpétua

 

Do Canal do Analista Político Bob Fernandes:





Desmascarando o Tariflavio Rachadinha: FLÁVIO BOLSONARO CONSEGUE TAXAR O PIX, COM SANÇÕES DE 25% DOS EUA CONTRA O BRASIL: BANDIDAGEM

 

Do Canal Desmascarando:




sexta-feira, 22 de maio de 2026

A "Lei Vorcaro" da direita mafiosa: Mensagens mostram que o "evangélico" bolsonarista Daniel Vorcaro tinha envolvimento direto em decisões sobre filme de Bolsonaro

 

Do Brasil de Fato divulgado também pelo ICL:

Banqueiro reclamou da publicação de uma reportagem sobre o longa bolsonarista no 'Portal Leo Dias', que foi excluída posteriormente


Mensagens mostram que Vorcaro tinha envolvimento em decisões sobre filme de Bolsonaro




Por Brasil de Fato

Mensagens obtidas pelo The Intercept Brasil mostram que o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, atuou em decisões sobre a divulgação do filme “Dark Horse”, produção sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Em conversa com o empresário Thiago Miranda, CEO do Portal Leo Dias, Vorcaro reclamou da publicação de uma reportagem sobre o longa no site, em 1º de agosto de 2025. Cerca de uma hora depois, o texto foi apagado.

Como mostrou o Intercept em outra reportagem, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República, negociou com Vorcaro R$ 134 milhões para financiar o filme. Desse total, R$ 61 milhões já teriam sido pagos em seis operações.

Segundo a apuração recente do Intercept, Vorcaro financiou o filme e também acompanhou a repercussão pública do projeto. Às 12h07 daquele dia, o banqueiro enviou uma mensagem a Miranda pelo WhatsApp. “Opa tudo bem? Achei que divulgar que ta fazendo o filme muito ruim, nao acha?”, escreveu.

Miranda respondeu às 12h40 e afirmou que a divulgação contrariava um acordo interno. “Acho muito!! Tínhamos combinado de não divulgar nada. Vou entender agora com o Mário”, disse. A referência seria ao deputado federal Mário Frias, produtor-executivo do filme, que também estava em contato com Vorcaro.

Na sequência, Vorcaro voltou a reclamar. “Mas soltou no Leo. Mto ruim”, afirmou. Às 12h46, Miranda respondeu que pediria a exclusão da reportagem. “Acabei de ver. Vou pedir pra apagar”, disse. Logo depois, voltou a concordar com o banqueiro. “Vc tá certo. Como ninguém sabe de nada, eles fizeram e não passou por mim. Foi erro meu. Mas já mandei apagar”. Às 13h06, ele informou que o conteúdo havia sido removido.

Embora o texto não esteja mais disponível no Portal Leo Dias, o Intercept localizou uma cópia arquivada no Internet Archive a partir de um link compartilhado pelo jornalista Leo Dias no X.

Com o título “História de Bolsonaro vira filme nos EUA; ex-presidente será retratado como herói”, a reportagem antecipava detalhes da produção e da sinopse de “Dark Horse”. O texto dizia que Bolsonaro seria retratado como “um homem corajoso e determinado, impulsionado pela carreira política após a decepção com os rumos do seu amado país”.

A matéria citava o diretor Cyrus Nowrasteh, o produtor Michael Davis e a diretora de elenco Ricki G. Maslar. Também informava que já haviam sido escolhidos atores para interpretar Flávio, Carlos, Eduardo e Michelle Bolsonaro. O ator Jim Caviezel, que interpretaria Bolsonaro, não era mencionado.

O texto afirmava ainda que o filme reduziria as “polêmicas e controvérsias que rondam o ex-presidente” e incluiria o atentado sofrido por Bolsonaro em Juiz de Fora, em Minas Gerais. A reportagem não citava valores nem os responsáveis pelo financiamento do longa.

Mesmo após a exclusão da matéria, outros veículos reproduziram as informações publicadas pelo Portal Leo Dias. A existência do filme passou então a ser noticiada por veículos como Veja, Estadão, Folha de S.Paulo, O Globo, UOL e Metrópoles.

Por meio da advogada Hallyne Marques, o Portal Leo Dias afirmou que a reportagem foi removida após dúvidas internas sobre a apuração. “Recebemos o material de uma fonte e, como não estávamos 100% convictos da apuração, acabamos por retirar do ar. A decisão passou por Thiago Miranda, então CEO do portal”, informou em nota.

Thiago Miranda e a defesa de Daniel Vorcaro foram procurados pelo Intercept para comentar a troca de mensagens, mas não responderam até a publicação da reportagem.

O Portal Leo Dias voltou a abordar o filme apenas em dezembro de 2025, quando a crise do Banco Master já havia levado à prisão de Vorcaro. Na ocasião, imagens das gravações vazaram nas redes sociais. Um dia depois, Leo Dias publicou um vídeo com Jim Caviezel caracterizado como Bolsonaro e afirmou que o portal havia mostrado “em primeira mão” os bastidores da produção.

Em nota, o portal disse que retomou a cobertura porque as informações sobre o longa estavam mais consolidadas. “As informações sobre o filme eram mais concretas, inclusive com fotos e vídeos das gravações. Além disso, no mês de dezembro recebemos para uma entrevista ao vivo na Leo Dias TV o Flávio Bolsonaro, que falou oficialmente sobre o filme”, afirmou.