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segunda-feira, 4 de maio de 2026

A terra queimada pelos Senadores no caso da redução da dosimetria para criminosos e golpistas bolsonaristas não é uma política, mas a ausência dela. Por José Sócrates, ex-Primeiro Ministro de Portugal


Não estou a ver o povo brasileiro aplaudir os senadores que fazem votações de puro revanchismo político


A terra queimada não é uma política, mas a ausência dela


José Sócrates

Primeiro-ministro de Portugal, de 2005 até 2011







Podemos criticar a motivação, mas não a legitimidade. Podemos apontar, e com justiça, as maléficas consequências institucionais da decisão. Mas não podemos pôr em causa a legalidade do ato. Ninguém é dono dos votos dos senadores, a não ser eles próprios — que respondem apenas perante o povo, não perante outra qualquer instituição. É a isso que chamamos soberania popular — a decisão foi política e o debate deve continuar na política. Para quem está viciado em apelos judiciários sempre que perde (como se perder e ganhar não fizesse parte do jogo democrático), faz sentido lembrar o dito espirituoso do ministro Barroso: perdeu, mané.

E quem perde, em democracia, tenta de novo. Talvez como nenhum outro político, o presidente Lula da Silva sabe exatamente do que estou a falar: perdeu três vezes e três vezes se levantou — para ganhar à quarta vez, em 2002. Foi este percurso (ao qual se somaram a prisão e a terceira vitória) que fez dele um protagonista político singular — só é derrotado quem desiste de lutar.

E para aqueles que veem nesta votação uma derrota presidencial, eu peço que não se precipitem. Não estou a ver o povo brasileiro aplaudir os senadores que fazem votações de puro revanchismo político, esquecendo os superiores interesses institucionais do país. No meu ponto de vista, o que aconteceu foi feio demais, mas, seja como for, tenha quem tiver razão, o problema é político e deve ser resolvido na arena da política, não nos tribunais.  É ao povo que compete dizer quem andou bem e quem andou mal, e só saberemos a opinião do povo em breve, nas eleições. Portanto, muita calma nessa hora (ou, como dizem por aí com muita graça, muita hora nessa calma) — quanto a quem perde e a quem ganha, estamos ainda para ver.

Sem prejuízo de melhor análise, julgo que o presidente, como democrata que sempre foi, vai respeitar a decisão do Senado e fazer outra escolha que sujeitará, de novo, à aprovação do Senado. E aí se verá a verdadeira intenção dos senadores: avaliar o currículo do indicado ou retirar o poder constitucional do presidente de indicar os ministros do STF? Cumprir o rito constitucional ou “incendiar o botequim”? Na verdade, a mesma situação aconteceu nos Estados Unidos (com Obama em fim de mandato e o Congresso com maioria republicana) e teve consequências nocivas para os dois partidos — no final, ninguém ganhou, mas a democracia americana, que vive destes rituais, saiu a perder.

Não acredito que o presidente do Senado não agende nova sabatina com novo candidato — aí estaria a ultrapassar os seus poderes e a limitar os dos outros. Portanto, calma. Antecipar a campanha eleitoral com uma disputa de competências entre o presidente e o Senado não me parece ser um comportamento inteligente para os segundos, os senadores da oposição. Seria mau para a democracia brasileira, é certo, mas seria muito pior para a direita brasileira, que escolheria assim, abertamente, a política de terra queimada. Não conheço povo algum que aprecie comportamentos sectários — não deixar governar ninguém, nem eu nem ele, que ganhou limpamente as eleições para presidente da República. Portanto, calma. Muita calma. Ainda é cedo para dizer quem ganhou.

quinta-feira, 30 de abril de 2026

#Congressoinimigodopovo - A estranha festa dos senadores do sistema liderados por Davi Alcolumbre contra Lula na derrota de Jorge Messias ao STF

 

Inimigos da democracia e à favor do sistema e do bolsonarismo comemoram no Senado

"É a nata da extrema direita e do fisiologismo. Gente que transformou o Congresso em antro de discurso de ódio, agressões, mentiras, reacionarismo e medidas anti-povo. Tudo regado pelo despejo bilionário de emendas parlamentares para uso inconfessável, fruto da chantagem do Legislativo sobre o Executivo."

Do ICL:


FESTA ESTRANHA




Para quem estiver buscando referência para entender a dimensão da derrota do governo na noite desta quarta-feira (29), há um parâmetro simples a seguir. Basta observar quem são os políticos que comemoram com mais entusiasmo a rejeição da indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal.

É a nata da extrema direita e do fisiologismo. Gente que transformou o Congresso em antro de discurso de ódio, agressões, mentiras, reacionarismo e medidas anti-povo. Tudo regado pelo despejo bilionário de emendas parlamentares para uso inconfessável, fruto da chantagem do Legislativo sobre o Executivo.

Os integrantes dessa festa estranha de gente esquisita se enquadram perfeitamente na situação que Darcy Ribeiro, um dos maiores brasileiros de todos os tempos, definiu um dia: “Eu detestaria estar no lugar de quem me venceu”.

Basta examinar alguns espécimes dessa fauna nefasta, que ontem sorria de orelha a orelha.

Figuras como Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), o braço direito de Silas Malafaia, ponta de lança em todas as propostas extremistas do bolsonarismo, que embala barbaridades em discurso de retórica evangélica. É o “moralista” na casa de quem a Polícia Federal encontrou R$ 430 mil em dinheiro vivo, que ele atribuiu de forma angelical a uma venda de imóveis (consumada somente 11 dias após a batida policial).

Outro que estava exultante era Gustavo Gayer, deputado do PL de Goiás indiciado pela PF pelos crimes de associação criminosa, falsidade ideológica, falsificação de documento particular e peculato. Os investigadores o consideram figura central em suposto esquema de desvio de verbas parlamentares, utilizando entidades inexistentes ou de fachada para ocultar os valores. Foi apontado pela CPI da Pandemia como um dos maiores disseminadores de mentiras durante o auge da covid-19. Teve condenação por violência política contra Gleisi Hoffmann, entre outras ocorrências.

Também festejou o resultado o senador Magno Malta, defensor do golpe de Estado bolsonarista, mais um que usa a retórica religiosa para tornar palatáveis os maiores absurdos. Foi processado por caluniar o ex-ministro do STF Luis Roberto Barroso, a quem acusou de agredir a mulher, entre outras ocorrências.

O time de extremistas em clima de festa é grande: Jorge Seif, Zé Trovão, Bia Kicis, Artur do Val, Sérgio Moro, Rogério Marinho…

São políticos desse naipe lamentável que se agruparam para rejeitar ou para trabalhar pela rejeição de Messias, não por critérios técnicos, mas para avançar ainda mais no processo que torna o Executivo brasileiro mero joguete nas mãos do Legislativo.

É um jogo de xadrez dificílimo que Lula e sua equipe terão que jogar agora para não ficarem completamente encurralados, ainda mais ameaçados pelo pior Congresso da história durante os últimos meses de mandato.

Que o presidente use toda a sua experiência de estrategista para reverter a situação, especialmente neste ano eleitoral.

Não é somente o governo que depende disso, mas o futuro da democracia brasileira.