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sexta-feira, 24 de outubro de 2014

A resposta digna da Presidente Dilma Rousseff à desacreditada e manipuladora Revista Veja e a análise brilhante de Luis Nassif sobre o factóide da Pior revista do Brasil



  A capa da edição antecipada da pior revista do Brasil dois dias antes do segundo turno, que demonstra a explícita tentativa da Veja de influir nas eleições 2014, repercutiu negativamente na maior parte dos eleitores que ainda pensam e expôs a podridão de uma mídia empresarial tendenciosa e sem-caráter. 

  Vejamos a resposta direta, lógica e firme da Presidente Dilma Rousseff à mais esta (dente tanas nos últimos 12 anos) de golpismo da Veja, da Globo e outros, na tentativa de sangrar um governo progressista e impor a volta de um governo elitista, voltado para os interesses da Casa Grande e do Capital em detrimento do social. 

  Abaixo do video, a transcrição da fala da Presidente.Llogo depois, transcrevemos também a importante e lúcida análise do golpismo da Veja, em artigo de Luis Nassif:



  Todos os eleitores sabem da campanha sistemática que esta revista move há anos contra Lula e contra mim. Mas desta vez a Veja excedeu todos os limites. Desde que começaram as investigações sobre ações criminosas do senhor Paulo Roberto Costa, tenho dado total respaldo ao trabalho da Polícia Federal e do Ministério Público.
  Até a sua edição de hoje, às vésperas da eleição em que todas as pesquisas apontam minha nítida vantagem sobre meu adversário, a maledicência da revista Veja se limitava a insinuar que eu poderia ter sido omissa na apuração dos fatos. Isso já era um absurdo, isso já era uma tremenda injustiça.
  Hoje, a revista excedeu todos os limites da decência e da falta de ética, pois insinua que eu teria conhecimento prévio dos malfeitos na Petrobras, e que o presidente Lula seria um dos seus articuladores. A revista comete essa barbaridade, esta infâmia contra mim e Lula sem apresentar a mínima prova. Isso é um absurdo. Isso é um crime.
  É mais do que clara a intenção da Veja de interferir de forma desonesta e desleal nos resultados das eleições, a começar pela antecipação da sua edição semanal para hoje, sexta-feira, quando normalmente chega as bancas no domingo.
  Mas como das outras vezes, e em outras eleições, Veja vai fracassar no seu intento criminoso. A única diferença é que ela não ficará impune. A justiça livre deste país seguramente vai condená-la por este crime. Ela e seus cúmplices tampouco conseguiram sucesso no seu intento de confundir o eleitor.
 O povo brasileiro tem maturidade suficiente para discernir entre a mentira e a verdade. O povo brasileiro sabe que não compactuo nem nunca compactuei com a corrupção. A minha história é um testemunho disso, e sabe que farei o necessário, doa a quem doer, toda vez em que houver necessidade de investigar e de punir os que mexem com o patrimônio do povo. 
 Sou uma defensora intransigente da liberdade de imprensa. Mas a consciência livre da nação não pode aceitar que, mais uma vez, se divulgue falsas denúncias no meio de um processo eleitoral em que o que está em jogo é o futuro do Brasil.
  Os brasileiros darão sua resposta à Veja e seus cúmplices nas urnas. E eu darei a minha resposta a eles na Justiça.

A última tacada de Fábio Barbosa e da Editora Abril



por Luis Nassif, extraído do Luis Nassif Online/Jornal GGN






    O amigo liga em pânico: “A imprensa vai acabar com a democracia no Brasil”. Respondo: “É a democracia que vai acabar com a imprensa e implantar o jornalismo”.

  A aventura irresponsável de Veja – recorrendo a uma matéria provavelmente falsa para pedir o impeachment de um presidente da República - não se deve a receios de bolivarianos armados invadindo a Esplanada. Ela está sendo derrotada pelo mercado, pelo fato de que, pela primeira vez na história, a Internet trouxe o mercado para o setor fechado, derrubando as barreiras de entrada que permitiram a sobrevida de um jornalismo anacrônico, subdesenvolvido, a parte do país que mais se assemelha a uma republiqueta latino-americana.

  É um caso único, de uma publicação que se aliou a uma organização criminosa - de Carlinhos Cachoeira - e continuou impune, fora do alcance do Ministério Público Federal e da Polícia Federal.

  A capa de Veja não surpreende. Há muito a revista abandonou qualquer veleidade de jornalismo.

  Acusa a presidente da República Dilma Rousseff e o ex-presidente Lula de conhecerem os esquemas Petrobras com base no seguinte trecho, de uma suposta confissão do doleiro Alberto Yousseff:


- O Planalto sabia de tudo - disse Youssef.
- Mas quem no Planalto? - perguntou o delegado.
- Lula e Dilma - respondeu o doleiro.

  Era blefe.

  Na sequência, a "reportagem" diz:


“O doleiro não apresentou - e nem lhe foram pedidas - provas do que disse. Por enquanto, nesta fase do processo, o que mais interessa aos delegados é ter certeza de que o depoente atuou diretamente ou pelo menos presenciou ilegalidades”.

  Na primeira fase da delação premiada tem-se o criminoso falando o que quer. Enquanto não apresentar provas, a declaração não terá o menor valor. E Veja tem a fama de colocar o que quer nas declarações de fontes.


  Ligado ao PSDB do Paraná, o advogado de Yousseff desmentiu as informações. Mas não se sabe ainda qual é o seu jogo.

  As apostas erradas da Abril


   Golbery do Couto e Silva dizia que a mentira tem mais valor que a verdade. A verdade é monótona, tem uma só leitura. Já a mentira traz um enorme conjunto de informações a serem pesquisadas, as intenções do mentiroso, a maneira como a mentira foi montada.

  Daí a importância da capa de Veja: permitir desvendar o que está por trás da mentira.

  A primeira peça do jogo é entender a posição atual do Grupo Abril.

  Apostas de altíssimo risco só são bancadas em momentos de altíssimo desespero. A tacada da Veja torna quase irresistível a proposta de regulação da mídia e de repor as defesas do cidadão que foram suprimidas pelo ex-Ministrio Ayres Britto, ao revogar a Lei de Imprensa.

  Qual a razão de tanto desespero nessa aposta furada?
  
  A explicação começa alguns anos atrás.


  No mercado de mídia, o futuro acenava para o advento da Internet e da TV a cabo e para o fim das revistas e do papel. As apostas da Abril foram sempre na direção errada.

  Ela montou um dos primeiros portais brasileiros, o BOL, que posteriormente fundiu-se com a UOL. Graças à sua influência política, conseguiu frequências de UHF e canais de TV a cabo.

  A editora endividou-se e, para tapar buracos, Civita foi se desfazendo de todas as joias da coroa. Passou os 50% que detinha na UOL para a Folha – por um valor insignificante; vendeu a TV A para a Telefonica.  Associou-se ao grupo sul-africano Naspers, em uma operação confusa, visando burlar o limite de 30% para capital estrangeiro em grupos de mídia, previstos na lei.

  Não parou por aí.

  Adquiriu duas editoras – a Atica e a Scipionne –, que dependem fundamentalmente de compras públicas, confiando no poder de persuasão dos seus vendedores junto à rede escolar. A decisão do MEC (Ministério da Educação) de colocar todos os livros em uma publicação única, para escolha dos professores, eliminou sua vantagem comparativa.

  Aí decidiu investir em cursos apostilados para prefeituras, um território pantanoso. Finalmente, “descobriu” o caminho das pedras, passando a direcionar todas suas energias para a área de educação.


 Para tanto, criou uma nova empresa, a Abril Educação, colocou debaixo dela as editoras e os cursos e contratou um executivo ambicioso, Manoel Amorim,  que aumentou exponencialmente o endividamento do grupo, para adquirir cursos e escolas. Foi uma sucessão de compras extremamente onerosas, que deixaram o grupo em má situação financeira. A solução foi vender parte do capital para um grupo estrangeiro. Nem isso resolveu sua situação.

  No ano passado, em conversa com especialistas do setor de mídia, Gianca Civita, o primogênito, já antecipava que a editora iria ser reduzida a meia dúzia de revistas e à Veja. Colocara à venda suas concessões de UHF e esperava que algum pastor eletrônico se habilitasse.

   O cartel da jabuticaba

  A editora viu-se depauperada em duas frentes. Uma, a própria decadência do mercado de revistas; outra, a descapitalização ainda maior para financiar a aventura educacional da Abril.

 Além disso, foi vítima do maior tiro no pé da história da mídia brasileira: o “cartel da jabuticaba”.

  Um cartel tradicional consiste em um pacto comercial entre competidores visando aumentar os preços e os ganhos de todos. O “cartel da jabuticaba” brasileiro foi uma peça genial (da Globo) em que todos se uniram contra a distribuição de parte ínfima da publicidade pública para a imprensa regional e para a Internet.

  Alcançaram seu intento, mas não levaram o butim. A Internet não cresceu mas o resultado foi uma enorme concentração de verbas na TV aberta -- e, dentro dela, na TV Globo.

  Poucos meses atrás, o próprio João Roberto Marinho – um dos herdeiros da Globo – manifestava a interlocutores sua preocupação com a concentração da mídia. A Globo jogou em seu favor, óbvio; mas não contava com o despreparo das demais empresas sequer para entender onde estavam seus interesses.

  Quando o faturamento do papel minguou, todos pularam para a Internet. Mas a piscina estava vazia graças às pressões que eles próprios fizeram sobre a Secom e as agências.

  Hoje em dia, o mercado de TV a cabo passou a disputar acirradamente as verbas publicitárias. Se indagar de um executivo do setor se a disputa é com as revistas e jornais, ele dará de ombros: a imprensa escrita não tem mais a menor relevância; a disputa é com a TV aberta.

 A bala de prata de Fábio Barbosa

  É esse quadro de crise nas duas frentes que explica a bala de prata de Fábio Barbosa.

  Nos últimos meses, Fábio Barbosa contratou o INDG, de Vicente Falconi, para um trabalho de redução de custos da Abril, paralelamente à própria redução da Abril..

  Falconi constatou o que o Blog já levantara alguns anos atrás: a estrutura de Veja era superdimensionada para o conteúdo semanal.

  Na época, montei um quadro com todas as reportagens de uma edição, estimei o tempo-hora de cada repórter e editor e, no final, mostrava que seria possível entregar o mesmo conteúdo com um terço da redação.

  Com metodologia muito mais gerencial, Falconi chegou às mesmas conclusões, resultando daí a demissão de várias pessoas em cargos-chave – inclusive Otávio Cabral, repórter das missões sensíveis da revista, que acabou indo trabalhar na campanha de Aécio.

  Apenas amenizou um pouco a queda. Com as duas frentes comprometidas, a Abril entrou em uma sinuca de bico.

  Com a morte de Roberto Civita, começou a enfrentar dificuldades crescentes para renovar os financiamentos. Desde o início do ano, os herdeiros de Roberto Civita estão buscando compradores para a outra metade da Abril Educação.

  Antes disso, desde o ano passado, decidiram sair definitivamente da área editorial. Mas a legislação não permite à Naspers ampliar sua participação na editora. E, se não teve nenhum corte de verba oficial para suas publicações, por outro lado a Abril jamais encontrou espaço no governo Dilma para acertos e grandes negócios, como uma mudança na legislação sobre capital estrangeiro na mídia..

  É nesse quadro dramático, que o presidente do grupo, Fábio Barbosa, tenta a última tacada, apostando todas as fichas em Aécio.

   A última chance

   A carreira anterior de Barbosa foi no mercado bancário. Foi sucessivamente presidente do ABN Amro, depois do ABN-Real, quando o banco holandês adquiriu o Real; depois do Santander, quando o banco espanhol adquiriu os dois.

  No ABN e no Santander foi responsável por uma das maiores operações imobiliárias do mercado. No ABN participou do empréstimo de R$ 380 milhões para a WTorres adquirir o esqueleto da Eletropaulo, na marginal Pinheiros. Seis meses depois, a companhia não tinha mais recursos para quitar o financiamento. Entregou parte do capital aos credores.

  Em 2008, ainda na condição de presidente indicado para o Santander, Fábio anunciou a aquisição da torre pelo banco por R$ 1 bilhão. “A aquisição desse imóvel é um marco e demonstra a determinação do Santander em investir para que tenhamos um Banco cada vez mais forte e competitivo”, afirma ele. (http://migre.me/ms7aW).

  Atuou no início e no final da operação, assessorado por seu homem de confiança, José Berenguer Neto.

  Em pouco tempo começaram a pipocar os problemas da WTorre. Atrasou a entrega da sede do Santander, que ingressou em juízo com pedido de indenização de R$ 135 milhões. A dívida fez com que a WTorre desistisse de lançar ações na Bolsa de São Paulo.

 Em outubro de 2010 a obra continuava causando transtorno, sem ser entregue (http://migre.me/ms7Pc)

  Em agosto de 2011, Fabio saiu do Santander. O clima azedou quando a direção se deu conta dos problemas criados. O presidente mundial Emilio Botin colocou um homem de confiança como espécie de interventor, levando Fabio a se demitir. Junto com ele saiu José Berenguer Neto, que assumiu um cargo na Gávea Investimentos, para atuar na área imobiliária.

 Na época, executivos do banco ouvidos pela imprensa disseram que no ABN Fabio tinha plena liberdade; no Santander, não mais. Fabio deixou o banco sendo elogiado pelo sucessor.

  O episódio não causou tanto estardalhaço quanto a tentativa de Barbosa, no comando da Veja, de tentar um golpe de Estado armado com um 3 de paus.


sábado, 18 de outubro de 2014

O sociólogo e cientista político português Boaventura Sousa Santos afirma que "Apoiar Dilma é um ato de celebração da Cultura"




"É imperioso reconhecer que nos último 12 anos o Brasil deu um salto qualitativo no aprofundamento e na diversificação das questões culturais"


Boaventura Sousa Santos

O texto a seguir, de Boaventura de Sousa Santos, foi extraído do site da revista Carta Maior:

  O melhor espelho de um país é a sua cultura porque é por via da cultura que somos o que somos. Por via da economia somos apenas o que temos e o que temos pode-nos ser retirado com alguma facilidade em tempos em que dominam os mercados globais e os seus patrões, os barões financeiros. 

 A cultura, uma vez cultivada, cola-se à pele do povo e muito dificilmente pode ser retirada. É também o melhor investimento no futuro do país, pois um país cioso da sua cultura e das suas culturas é um país capaz de afirmar a sua identidade e as suas aspirações num mundo interdependente. A cultura é ainda a melhor arma para o aprofundamento da democracia, pois cidadãos e cidadãs cultos são menos facilmente manipuláveis, tendem a ser politicamente mais ativos e o seu ativismo tende a ser mais esclarecido.

 Se tudo isto é verdade, é imperioso reconhecer que nos últimos 12 anos o Brasil deu um salto qualitativo no aprofundamento e na diversificação da cultura, permitindo novas manifestações e mesmo novas concepções de cultura, novos projetos culturais de novos agentes culturais, grupos sociais até agora silenciados ou marginalizados. Esse salto qualitativo tambem ocorreu no grau de exigência dos cidadãos em relação à classe política, uma transformação de que esta, em geral , não se deu conta.


  Olhando os factos, a transformaçaqo cultural do Brasil é extraordinaria durante os governos do PT. O orçamento da Cultura no governo federal saltou de R$ 287 milhões em 2003 para R$ 2,2 bilhões em 2010. E a grande ação implementada nos últimos 12 anos em termos de políticas tem nome: Cultura Viva, o programa, lançado em 2004 pelo então ministro Gilberto Gil, que estabelece e promove uma rede de pontos e "pontões" de cultura espalhados pelo país.

  A lógica da política cultural foi invertida: em vez de levar 'alta cultura' à população, o governo atual decidiu dar apoio às iniciativas culturais e populares já em curso, fortalecendo a diversidade sociocultural brasileira. Essa guinada buscou reconhecer e valorizar manifestações e 'identidades' culturais em seus 'territórios'. Por todo o lado que vou no Brasil deparo-me com a presença dessa transformação cultural.
  Ainda recentemente tive ocasião de participar nas atividades do Instituto Trocando Ideias, de Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, que desenvolve um desses pontos de cultura . A comunidade indígena pataxó que visitei em Porto Seguro, na Bahia, também tem o seu ponto de cultura. O Cultura Viva ganhou tal projeção que se tornou política de Estado, assegurada por lei. Um outro grande feito do atual governo foi a aprovação e adoção do Marco Civil da Internet (http://culturadigital.br/marcocivil/), que estabelece princípios, garantias, direitos e deveres para o uso da Internet no Brasil. Trata-se de uma legislação inovadora no sentido da regulação de um setor sociocultural importantíssimo.

  A continuidade desta vibrante politica cultural pressupõe a vontade política do governo para a fazer prevalecer perante outras prioridades que sempre se manifestam e muitas vezes com mais poder de influência do que a dos que defendem uma politica cultural atuante, solidária, emancipadora. Não tenhamos ilusões: essa vontade está apenas consolidada e garantida na proposta do governo Dilma.

  Por isso a apoio.





sexta-feira, 4 de julho de 2014

Copa do Mundo, o fracasso da mídia golpista e o jogo político

Segue excelente texto de Ricardo Amaral:

O Datafolha e o Vexame da Imprensa 

 Pesquisa expõe vexame da imprensa vira-lata


Não vejo base estatística em análises do tipo E a Copa ajuda Dilma... ou Com Copa do Mundo humor do pais melhora e Dilma cresce (Folha). Os candidatos permanecem na mesma faixa de intenções de voto desde abril, como aponta o Zé Roberto Toledo no Estadão. Diante desse Datafolha, a imprensa hegemônica deveria olhar para o espelho, não para as eleições.

A ampla aprovação da Copa e o orgulho de sediá-la no Brasil melhoram o humor geral do país, o que pode, sim, favorecer a campanha da presidenta Dilma, mas ainda não se trata de ativo realizado. Pela primeira vez em muito tempo melhoram as expectativas sobre inflação, emprego e desempenho da economia, mas é uma melhora tímida, se comparada aos novos indicadores sobre Copa.

O que o Datafolha traz de novo é a derrota espetacular da imprensa vira-lata diante dos fatos.
É isso que os jornais e a TV tentam esconder desesperadamente. Primeiro, tentaram atribuir as previsões catastróficas à imprensa estrangeira. Falso: a mídia estrangeira comeu na mão imprensa hegemônica local, como acontece em qualquer cobertura global, seja de esportes, guerras ou eleições.
O passo seguinte é tentar botar a culpa no povo. Ontem, no Jornal Nacional, havia uma matéria sobre “o aumento do otimismo” durante a Copa. Dizia que o verde-amarelo quase não se via no início da Copa e foi tomando conta do visual ao longo da competição. “A gente não estava acreditando”, confessa uma ingênua entrevistada.

Quem jamais acreditou e torceu contra a Copa foi a imprensa vira-latas. E a sociedade brasileira foi conduzida à descrença, ao mau-humor e à crítica sem fundamento, reproduzindo os bordões e os dados falsos que via na TV e lia nos jornais (aqui vai um pequeno pacote de catástrofes que não se realizaram).

Bastaram três dias de Copa, com os estádios, os aeroportos, o transporte, a segurança e o turismo funcionando, para desmanchar a realidade virtual do “imagina na Copa”. Os fatos falaram mais alto.
Raramente se vê um choque de realidade como esse. Raramente a imprensa hegemônica de um país se vê confrontada tão cruamente com um erro monumental, de sua exclusiva responsabilidade. É desse erro gigantesco, impossível de esconder, que ela tem de prestar contas ao seu público: o Brasil não passou vergonha.



A mídia internacional percebeu o engano e rapidamente se corrigiu. Transmite ao mundo uma imagem realista do país (com exceção dos espanhóis e de uma parte dos ingleses – que passaram a amaldiçoar o Brasil pelo fiasco de suas seleções. Mas essa dor passa com o tempo).

Nossa pobre imprensa vira-latas não tem estatura para fazer autocrítica, porque nunca teve vergonha manipular a notícia. Vai continuar torturando os fatos, como fez no julgamento do mensalão e faz cotidianamente na cobertura política e econômica – a ponto de perder a razão (e muitas vezes ela a tem) por absoluta carência de credibilidade.

É cedo para afirmar qual será o efeito da Copa do Mundo sobre as eleições. Está claro, porém, que a imprensa vira-latas sofreu sua mais fragorosa derrota, desde que minha saudosa avó me ensinou a ler jornais, na altura Copa do Chile, 1962.

O tempo dirá qual foi o tamanho do estrago da operação- não-vai-ter-copa sobre o poder da mídia hegemônica no Brasil. Será proporcional à incapacidade de autocrítica dos seus proprietários e “formuladores”. Seguramente, a democracia vai sair ganhando.

Fonte:  http://jornalggn.com.br/noticia/o-datafolha-e-o-vexame-da-imprensa

segunda-feira, 7 de abril de 2014

A quem interessa realmente sabotar a Copa do Mundo em época de eleições, mesmo as pesquisas isentas, como as da Fipe, demonstrarem os bilhões que entrarão no país durante os jogos?


Extraído do Brasil 247 e que pode ser confirmado no site da JusBrasil

domingo, 16 de março de 2014

A nova e farsante edição da "Marcha da Família com Deus pela Liberdade", tal qual a primeira, revela a faceta hipócrita e autoritária de uma parte pífia da sociedade


Carlos Antonio Fragoso Guimarães


    A primeira "Marcha da Família" foi uma reação de uma elite conservadora que não via com bons olhos as propostas progressistas do Presidente João Goulart, expressas no Comício da Central do Brasil do dia 13 de março de 1964. Instigados por vários setores reacionários e grupos conservadores, entre eles o Ipes (Instituto de Pesquisas e Estudos Sociais), financiando pelos EUA, a direita se organizou para fazer uma Marcha conservadora de protesto a Jango, embora o grosso da população visse com bons olhos a proposta do presidente.

    Os quarteis, já há anos conspirando contra a democracia e os presidentes Vargas e JK até chegar a Jango, com incentivo e apoio dos Estados Unidos que não viam Jango com bons olhos, viram na tal "Marcha com Deus" o pretexto para lançar um Golpe Militar que lançaria o Brasil em 21 anos de Ditadura, com consequências funestas até hoje.

   Agora, 50 anos depois, embora o mundo e o Brasil tenham mudado, o mesmo ranço autoritário, imbecilizante e elitista que só aceita a democracia quando esta funcione em acordo com seus interesses, com o apoio de uma mídia empresarial golpista, quer reeditar uma nova edição da Marcha, mesmo sabendo que muito mais que metade da população é a favor do governo democrático e legitimamente eleito de Dilma Roussef.

   A proposta de alguns dos extremistas desta segunda edição é de uma nova intervenção militara golpista, e de outros, uma tentativa de enfraquecer a força eleitoral do PT, buscando uma chance de um segundo turno nas eleições de 2014. De qualquer modo, é chocante que a história que, na primeira vez, se transformou em tragédia, agora seja uma farsa perigosa calcado em uma mentalidade tacanha, apoiada pelo pior da sociedade, indo dos fundamentalistas evangélicos pentecostais a ultra-direitistas pró-fascismo.

  É interessante notar que uma das "cabeças" responsáveis pela criação da segunda edição da "Marcha", Bruno Toscano Franco, que a Folha de São Paulo (que apoiou vivamente a primeira Marcha e a derrubada de Jango) destacou em uma matéria publicada ainda hoje, seja reconhecido nas redes sociais pelas ameaças que faz a quem for de esquerda ou simplesmente seja a favor do governo, ameças que vão da morte ao incentivo ao uso de bombas e armas contra o que ele chama de "ditadura comunista" (além de ameaçar igualmente nordestinos, homossexuais, críticos da direita e da ditadura, ou seja, apresentar todos os sintomas, por ignorância, má-fé, deformação ou convicção, que são característicos de sociopatia fascista). Bruno Toscano Franco, o ameaçador da internet alçado a cidadão contrariado pela Folha, responde à processo junto à 1ª Vara Criminal de São Paulo, processo  de nº00006262820148140401 (clique no número para conferir).

  Outro  "exemplo" que também aparece como apoiador da farsa da nova "Marcha" é o já conhecido Maycon Freitas, aquele mesmo dublê da Globo, que a Veja alçou a herói da direita ano passado, nas manifestações de julho, como símbolo da juventude "esclarecida", mas que logo foi desmascarado como um factoide fabricado pela - há muito - não confiável revista dos Civitas.
    
  Veja-se mais sobre os cabeças da "Marcha",  Bruno e Maycon, o artigo esclarecedor de Miguel do Rosário intitulado "O que a Folha não deu sobre os organizadores da nova Marcha da Família". Veja o que a "cabeça organizadora da Marcha" fala dos nordestinos:




terça-feira, 8 de outubro de 2013

Acuada pela Receita Federal e pressionada por patrocinadores de Direita, a Globo politiza minisséries visando as eleições de 2014




Fonte: Brasil 247

Emissora dos três Marinhos aciona máquina de guerra para influir o mais possível nas eleições presidenciais de 2014; minisséries disparam mísseis; no ar, A Mulher do Prefeito mostra político que desviou verbas para construir estádio para a Copa do Mundo sendo substituído por sua esposa; Amores Roubados, em janeiro, promete revelar contradições da região Nordeste a partir do vale do rio São Francisco; O Brado Retumbante, exibido no ano passado, mostrou presidente ético e galanteador; qualquer semelhança com personagens reais não é mera coincidência; Globo foi multada pela Receita Federal em R$ 274 milhões por irregularidades na compra dos direitos da Copa do Mundo de 2002; tudo a ver?
8 DE OUTUBRO DE 2013 ÀS 11:49
Do Brasil 274 – No Jornal Nacional, da Rede Globo, uma matéria considerada grande, em extensão, tem contados três minutos. No sábado 5, a entrada da ex-ministra Marina Silva no PSB teve uma cobertura de nada menos que 4 minutos e 22 segundos. Foi um claro sinal de que a emissora dos três irmãos Marinho entrara de cabeça, e ao seu modo, nas eleições presidenciais de 2014. Mas já há bem mais politização na telinha da Globo do que as escolhas de seu Departamento de Jornalismo.
Depois dar uma no cravo, ano passado, com a minissérie O Brado Retumbante, na qual o presidente da República era mostrado como um homem ético e profundamente sedutor, agora a Globo dá outra na ferradura.
Com a também minissérie A Mulher do Prefeito, no ar neste momento, a emissora testa seu poder de destruição de imagem. O que se tem no roteiro é um prefeito corrupto, que desviou todas as verbas de sua cidade para a construção de um estádio de futebol para a Copa do Mundo. Derrubado do cargo, ele é substuído por sua esposa.
Foi facil enxergar o senador Aécio Neves no presidente fictício de O Brado, assim como é inevitável lembrar o ex-presidente Lula e da presidente Dilma Rousseff nos papéis ocupados por Toni Ramos e Denise Fraga agora. Sem nenhuma discrição, a Globo dos três Marinho vai mostrando de quem gosta e de quem não gosta.
Em janeiro, a emissora vai colocar no ar Amores Roubados, minissérie na qual pretende mostrar as contradições da região Nordeste. O foco estará no vale do rio São Francisco, cuja obra de transposição de águas é talvez o maior fracasso do governo Lula – e um grande abacaxi para a gestão Dilma. A região, de resto, tende a ser o palco principal das eleições de 2014, onde o governo tentará manter e ampliar a diferença de 10 milhões de votos conquistada sobre a oposição nas últimas eleições. Ali, a oposição renovada pelo governador de Pernambuco, Eduardo Campos, e sua neoaliada Marina Silva, do PSB, jogará a mãe de todas as batalhas eleitorais. A Globo, portanto, procura chegar antes.
Ao tratar dos desvios de verbas públicas para a construção de um estádio para a Copa do Mundo, em A Mulher do Prefeito, a Globo nem passa perto, é claro, de discutir um problema que, para ela própria, vem dando muita dor de cabeça – e de caixa. Este ano, a emissora foi multada em R$ 274 milhões pela Receita Federal, em razão de operações consideradas irregulares na compra dos direitos para transmitir a Copa do Mundo de 2002.
SEM LIMITES ÉTICOS - Uma multa dessa expressão financeira – do tamanho de um estádio de futebol de pequeno porte, diga-se – dá argumentos de sobra para qualquer roteirista escrever uma novela sobre os meandros da maior máquina de propaganda política do País, a própria Globo. Mas é claro que não espaço na grade da emissora para qualquer tipo de autocrítica. O que se quer, ali, é jogar problemas no ventilador, dividir os políticos em duas categorias, entre corruptos e honestos, e praticar em escala via satélite ações de latente politização e falsa moralização.

Fazendo pressão com suas brigadas do departamento de jornalismo, de um lado, e seus exércitos na área de produção, de outro, sobre o governo e em benefício da oposição, a Globo mostra que pretende ser um fator de pressão ao eleitor na eleição de 2014.
Em 1982, no famoso caso Proconsult, a Globo fez uma apuração paralela, no Estado do Rio de Janeiro, para tirar a eleição que terminaria sendo vencida por Leonel Brizola para o governo fluminense. Deu errado.
Em 1989, a mesma Globo editou o debate presidencial decisivo entre os candidatos Fernando Collor e Lula de modo a favorecer o primeiro. Deu certo.
Agora, o jogo de influência começou um ano antes e não se sabe até onde poderá ir. Como já se viu, os limites éticos da emissora dos três Marinho na prática não existem.