Em um vídeo de janeiro deste ano, Alvim citou Joseph Goebbels, ministro da propaganda na época da Alemanha nazista
Sérgio Nascimento de Camargo (Foto: Reprodução)
247 - Sérgio Camargo, presidente da Fundação Palmares, fez uma postagem em seu Twitter onde agradece, entre outros, o ex-secretário da Cultura Roberto Alvim, destituído do cargo por fazer apologia ao nazismo.
Confira a postagem:
Em janeiro deste ano, Alvim gravou um vídeo de 6 minutos sobre uma "nova arte" no Brasil, onde fez referências ao ministro da propaganda da Alemanha nazista, Joseph Goebbels. Em fevereiro, Camargo afirmou que a fundação que chefia seguiria “a linha de Alvim”.
O então Secretário da Cultura do governo de Bolsonaro, Roberto Alvim, participara de mais uma manobra da extrema direita para, simultaneamente, testar e naturalizar discursos de regimes autoritários no Brasil com raízes em pensamentos fascistas e nazistas. Do Justificando:
Imagem ao fundo: German Federal Archives/Wikimedia Commons – Arte: Gabriel Pedroza / Justificando
Por Rochester Oliveira Araújo
O Secretário da Cultura do governo de Bolsonaro participa de mais uma manobra da extrema direita para, simultaneamente, testar e naturalizar discursos de regimes autoritários no Brasil com raízes em pensamentos fascistas e nazistas.
Me lembra uma marcha sobre areia de dunas, do período que passeava pelas montanhas de areia de Natal. Em uma marcha de quem sobe dunas de areia, cada passo para cima dá a sensação de um imediato recuo posterior que nos voltaria à posição inicial. Um passo pra cima, a areia sob os pés cede e nos trás de volta pra baixo. Parece uma subida impossível. Mas não é isso que acontece, pois a cada passo, mesmo que haja esse recuo obrigatório com a areia que desliza sob os pés, ainda assim há um avanço e uma escalada. Nesse caso, o avanço e a escalada são no sentido de um regime autoritário e violento contra minorias diversas, trazendo não só os tons fascistas já identificados no comportamento antidemocrático do governo Bolsonarista, mas também outros tons nazistas.
Na manobra da vez, o então Secretário da Cultura Ricardo Alvim plagiou em parte de seu discurso um pronunciamento do Ministro da Propaganda do Regime Nazista, Joseph Goebbels. Em uma “coincidência retórica” que envolvia inclusive uma sincronia sonora com Goebbels, já que Roberto Alvim fala ao som de uma obra de Richard Wagner, compositor favorito de Adolf Hitler, este anunciava que seu projeto de governo seria baseado em uma “arte brasileira da próxima década será heroica e será nacional. Será dotada de grande capacidade de envolvimento emocional e será igualmente imperativa (…) ou então não será nada”, parafraseando o Ministro da propaganda Nazista.
A reação ao vídeo publicado foi imediata e a repercussão negativa provocou aquele recuo obrigatório da areia que cede sob os pés da marcha, mas não deixa de permitir um pequeno avanço e uma naturalização dos discursos do governo. Ricardo Alvim foi exonerado, fazendo parte dessa manobra as respostas públicas onde falsamente se deixam pelo caminho quem comete equívocos, num falacioso desvio de intenção do comando central e das ideias conjugadas.
Contudo, o que é interessante de ponderar é que a reação imediata, após a identificação do plágio do discurso e de sua fonte odiosa se resumiu em um sentimento de indignação – ainda que inflamado – pela audácia do Secretário em fazer de forma tão descarada essa referência e esse aceno ao regime nazista. Pra além da coincidência retórica, para além da obviedade dessa continência que o Secretário fez ao regime nazista, para além do trecho plagiado, o que nos afetou? Será que se o discurso do Secretário não fosse tão evidente na sua menção e alusão ao regime nazista, teríamos percebido ou a indignação teria sido inflamada? Ou será que a marcha sob a duna teria encontrado um piso mais firme para avançar?
No discurso do Secretário há uma soberba cultural evidente que julga seu projeto de governo como capaz de construir um novo projeto civilizatório para o Brasil a partir da construção de uma cultura baseada em “mitos fundantes” como a pátria, a família, Deus e a coragem do povo, destacando elementos como a fé, a lealdade, o autosacrifício e a luta contra o mal como fundamentais para esse projeto.
Como já havia se manifestado anteriormente, a ideia de Alvim sobre a cultura é que esta funcionasse como uma “máquina de guerra”, e talvez por isso mesmo seu nome tenha sido escolhido para a pasta do governo Bolsonarista. O funcionamento de um braço do governo – que adquiriu natureza de secretaria, não mais de Ministério – voltado diretamente para a propaganda das suas concepções e ideologias, não tratando a cultura como uma expressão popular que merece respeito e revela a diversidade da formação nacional, mas sim como um instrumento de imposição de um pensamento e propagandista. Em seu discurso, o secretário destaca a necessidade de artistas que percebam sentimentos novos que brotam na sociedade brasileira, destacando a ideia de um porvir que quer construir como projeto de governo, funcionando como propaganda positiva.
Dando ares de regimes autoritários, o principal dessa função propagandista, contudo, – para além da propaganda positiva – é a destruição ou aniquilação do que lhe é contrário ou diferente. É o não reconhecimento da possibilidade de uma cultura expressiva baseada nos afloramentos da sociedade. Ao final da fala escolhida para ser parafraseada pelo secretário, fica tal evidência onde se anuncia que a cultura ou será tal projeto ounão será nada. É essa ameaça que denota o tom autoritário e o projeto de governo. É o avanço mínimo da marcha da duna que permanece, sobretudo quando para além da coincidência retórica que foi reprimida, permanece a coincidência ideológica que não é contraposta.
É esse tom de propaganda negativa que se herda do regime nazista. Goebbels foi o responsável por políticas como a de queimar livros que não fossem adequados ao projeto de cultura do regime nazista, fazendo arder em 451 graus fahrenheit tudo que fosse considerado subversivo. Em um país em que as obras culturais como o cinema e o teatro dependem do suporte financeiro público, o posicionamento do Secretário Alvim já era bem próximo ao de Goebbels, anunciando os cortes à tais financiamentos e disfarçando sua censura como uma “curadoria”.
A soberba do projeto cultural implica em um não reconhecimento da cultura como uma expressão plural e diversa, e tal discurso tem vasto campo de aceitação na nossa sociedade. Infelizmente, tanto por pessoas que se posicionam à direita como por pessoas que se posicionam à esquerda, politicamente. É o discurso que busca ser capaz de taxar e identificar o que é culturalmente merecedor de fomento, de incentivo e de aplauso a partir das suas concepções individuais que torna esse discurso viável. Foi o discurso ouvido, por exemplo, após o massacre de Paraisópolis, quando se condenou o funk como uma expressão cultural.
É esse o pequeno avanço da marcha da duna que podemos identificar. É notar que o discurso, revestido de correspondência com o discurso do propagandista do regime nazista só dispara o alerta e as reprovações em razão da sua estética depravada e do seu flerte. Que as indignações se concentram mais na existência de uma referência ao regime nazista, na ideia de que alguém foi capaz de fazer essa alusão do que no conteúdo de um discurso que igualmente é repugnante.
Rochester Oliveira Araújo é mestre em Direito Constitucional e Defensor Público do Estado do Espírito Santo.
"Bannon tem o diabólico dom de despertar o ódio latente nas pessoas, por meio do medo. Joseph Goebbels, ministro de propaganda de Adolf Hitler, teria dito que “Uma mentira repetida mil vezes torna-se verdade”. Nesse sentido, a usina de mentiras produzidas por Steve Bannon vem tocando forte a precária inteligência de grande parte dos eleitores brasileiros, promovendo a ascensão do fascismo, que refloresce no mundo."
Farsa Eleitoral. Quem está para ganhar as eleições é Steve Bannon
por Armando Rodrigues Coelho Neto
Fraude em urnas é possível? Quem seriam os sete monges acima do bem e do mal, fiel à Democracia e acima de sentimentos mortais? Nunca imaginei que quem tomou o país no golpe fosse devolver no voto. Como a luta está ai, estamos nela. Hoje, minha desconfiança aumenta com uma nota que recebi: Quem está ganhando as eleições no Brasil é um norte-americano, da extrema direita nacionalista, chamado Steve Bannon.
Bannon tem o diabólico dom de despertar o ódio latente nas pessoas, por meio do medo. Joseph Goebbels, ministro de propaganda de Adolf Hitler, teria dito que “Uma mentira repetida mil vezes torna-se verdade”. Nesse sentido, a usina de mentiras produzidas por Steve Bannon vem tocando forte a precária inteligência de grande parte dos eleitores brasileiros, promovendo a ascensão do fascismo, que refloresce no mundo.
As eleições presidenciais no Brasil se afiguram uma espécie de matrioska - aquela bonequinha russa que quando aberta tem dentro outra oculta, mais outra e tantas mais quantas conseguir embutir/guardar. O golpe de 2016 derivou de uma farsa que embute várias farsas com o supremo e “tudo”, ainda que o “tudo” permaneça como grande incógnita até os dias de hoje. Enquanto as Forças Armadas batiam/batem continência para um presidente desqualificado em todos os sentidos, o golpe tentou se legitimar por meio do desmoralizado poder judiciário. Tão execrável que o filho do candidato BolsoCoiso disse que precisa apenas de um soldado e um cabo para fechar o STF. “São eles contra nós”, disse o sub-Coiso.
Querem legitimar o golpe por meio das urnas vai ter eleições. Num jogo de cartas marcadas agendado lá atrás, o candidato BolsoCoiso vem liderando pesquisas, envolvido em aparente crime eleitoral que o Superior Tribunal Eleitoral não quer admitir. O mesmo TSE que defenestrou Lula com base numa alquimia/gambiarra jurídica que atropelou a legislação eleitoral, a qual garante que o candidato sub judice efetue todos os atos de campanha, inclusive utilizar o horário eleitoral gratuito no rádio e na televisão e ter seu nome mantido na urna eletrônica (Lei nº 9.504/97 e alterações da Lei 12.034/2009). Achando pouco, o TSE ignorou o posicionamento da Organização das Nações Unidas sobre o tema.
Naquele julgamento, foi célebre o voto do ministro Luís Roberto Barroso, que destacou não ter “qualquer interesse ou preferência nessa vida que não seja o bem do Brasil... defesa das instituições ... da Constituição e da democracia”. No mesmo voto, o tal juiz disse ser preciso agir com “celeridade, transparência e colegiadamente”... (lindo!) Avançando, asseverou: “Não há qualquer razão para o Tribunal Superior Eleitoral contribuir para a indefinição e para a insegurança jurídica e política” (mais lindo ainda). Além disso, fez apologia a fatos notórios - os quais dispensam provas.
Em que pese tal posicionamento endossado pelo STE, volto ao tema central dessa fala de hoje: Steve Bannon está prestes a ganhar as eleições no Brasil. Mas, os fatos público e notórios, encontráveis nos WhatsApp, FaceBook, Google que todos tiveram aceso, inclusive (por presunção) os próprios ministros do TSE/STF precisam de provas. Só pra lembrar notícia de jornal não é prova, embora tenha sido usada pra condenar Lula. No caso não é mera notícia: são fatos encontráveis em áudios, vídeos, imagens, etc.
Em 2016, a campanha de Donald Trump foi acusada de manipular a opinião pública dos EUA por meio de fake news. Dados pessoais foram coletados via métodos espúrios pela empresa Cambridge Analytica. Christopher Wylie*, ex-engenheiro da empresa, denunciou tudo para o jornal britânico The Guardian. Dados de 50 milhões de usuários foram surrupiados para criar perfis comportamentais e psicológicos de usuários, de forma a saber quais tipos de mensagens eles estariam suscetíveis, como chegar até eles e o que seria necessário para mudar a forma delas pensarem. Leia-se, uma manipulação diabólica.
A imprensa veiculou uma confissão de Mark Turnbull, Diretor de Operações da Cambridge Analytica: “Nós usamos nos Estados Unidos, usamos na África... Já fizemos no México, na Malásia. E agora estamos indo para o Brasil”. Ao que tudo indica, de posse de dados e utilizando algoritmos, a empresa conseguiu traçar perfis psicológicos e pode ter alcançado mentes desprotegidas no Brasil. Aliás, o filho do BolsoCoiso publicou numa rede social, uma foto com Steve Bannon, e escreveu: "Tivemos uma excelente conversa e compartilhamos da mesma visão de mundo. Sr. Bannon afirmou ser um entusiasta da campanha e certamente estamos em contato para somar forças”. Sobre o assunto, a revista época deu chamada confirmando que o marqueteiro de Trump iria ajudar o Coiso.
Interessante essa mesma visão de mundo entre o filho do Coiso e Bannon (é de extrema direita nacionalista, teve/tinha um site cheio de ideias machistas e que sugerem homofobia e xenofobia). Bannon trabalhou na campanha presidencial de Donald Trump e sua empresa, via fakenews, ajudou também a vitória do referendo do Brexit na Inglaterra. É considerado o ser mais perigoso da política americana. Bela aliança!
A diabólica engenharia manipuladora de corações e mentes foi revelada pelo jornal Folha de S. Paulo, na edição de 18/10/18, ao mostrar que empresários teriam bancado a compra de distribuição de mensagens contra o PT por Whatsapp. Noutras palavras, um pacote de disparos em massa de mensagens seria disparado antes do segundo turno. Como não existe capitalismo samaritano e Steve Bannon não se apresenta como voluntario de nada, é de se supor que a verba a isso destinada deva constar na prestação de contas junto ao STE. Afinal, até Sejumoro disse que Caixa 2 é fato grave, a menos que não queira mais “manter isso” e esse assunto “não venha mais ao caso”.
Nesse sentido, retomo o voto de Barroso na parte onde ele disse: “Não há qualquer razão para o Tribunal Superior Eleitoral contribuir para a indefinição e ... insegurança jurídica e política... Em respeito à soberania popular, ao regime democrático, à moralidade para o exercício do mandato eletivo e à própria segurança jurídica, é preciso definir, com a maior brevidade possível, quais candidatos preenchem os requisitos constitucionais e legais para que possam legitimamente disputar as eleições”. Barroso, para negar a candidatura de Lula, disse temer “uma situação consumada, de difícil ou traumática reversão”, ou seja caso Lula fosse eleito. E se o Coiso for eleito e restar provado o Caixa 2, não seria um caso de “difícil e traumática reversão”?
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Armando Rodrigues Coelho Neto - advogado e jornalista, delegado aposentado da Polícia Federal e ex-representante da Interpol em São Paulo