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terça-feira, 29 de dezembro de 2015

No Photoshop de “Veja” fabricam-se messianismos e oráculos. Texto de Alberto Dines, do Observatório da Imprensa



“Ele salvou o Ano!” — as quatro palavras acrescidas do eufórico ponto de exclamação servem para um goleiro ou goleador, campeão de natação ou maratonista, protagonista de telenovela, fotonovela ou graphic-novel (“Veja”, edição 2458).  


IMPRENSA EM QUESTÃO > A MARCHA DO TEMPO

No Photoshop de “Veja” fabricam-se messianismos e oráculos

Por Alberto Dines em 29/12/2015 na edição 883 do Observatório da Imprensa

“Ele salvou o Ano!” — as quatro palavras acrescidas do eufórico ponto de exclamação servem para um goleiro ou goleador, campeão de natação ou maratonista, protagonista de telenovela, fotonovela ou graphic-novel (“Veja”, edição 2458).
Mesmo sem óculos ele exibe algo do cândido e imbatível Clark Kent. Ao descobrir que o dono deste rosto desenhado por ângulos retos, talhado em criptonita e dono de uma índole inquebrantável atende pelo nome de Sergio Moro então desvenda-se que o Salvador da Pátria de 2015 é muito mais do que isso: será o Redentor, o Esperado, o sereno e sábio Messias que nos livrará das humilhações e acabará com nossas desgraças.
Indiscutível boa-pinta, 43 anos, o juiz paranaense foi submetido a um tratamento, digamos “idealizador”, pelo operador de Photoshop da “Veja” (Janos), que da foto original de Lalson Santos representando um jovem, despojado e atlético juiz  nasceu um colosso mitológico, monumental, saído do cinzel de Michelangelo.
É possível que o leitor/leitora de “Veja” tenha adorado a máscara resultante e a máscula confiança nela contida. Mas a intervenção cosmética desagradou a muitos — certamente a começar pelo próprio Moro, familiares, companheiros da Força-Tarefa, alunos, amigos e simpatizantes.
A promessa de resgatar o ânimo do país não pode estar inscrita num rosto — glamoroso ou magnético — claramente simplificado.  As instituições brasileiras exigem mais do que feições e fisionomias carismáticas para serem devidamente reabilitadas.
Mesmo que o ilustre retratado esteja imunizado contra a idolatria que  é capaz de suscitar não é impossível que segmentos periféricos da Operação Lava-Jato sejam contaminados pela onipotência advinda dos triunfos das investigações e cometam indignidades incompatíveis com a sua missão saneadora. E isto não é hipótese.
Convém lembrar que o nefando “Mein Kampf” (Minha Luta), escrito por Adolf Hitler em 1925-1926 e liberado para tradução e impressão, lido ou relido nos dias que correm talvez pareça desconexo, irracional, tacanho, mas no fim daquela década até meados da seguinte, o demoníaco manual levou uma das sociedades mais instruídas e disciplinadas da Europa e entregar-se ao mesmo desvario e fanatismo que grassa em ambientes mais primitivos.
A foto da capa de “Veja” combinada às da retrospectiva de 2015 (pp.48-69) não parecem editadas por jornalistas, mas por consumados semiólogos e psicolinguistas a serviço de uma narrativa balizada por símbolos subliminais. Em seguida à figura intrépida e mansa de Moro, o Anjo do Bem, seguem-se uma Dilma Rousseff agachada para entrar no helicóptero, Eduardo Cunha fazendo enorme careta e a coleção dos ex-poderosos presos pela Lava-Jato conduzidos pelo onipresente “japonês” (o agente federal Newton Ishii).
O culto à personalidade tem um incrível poder de irradiação, as venerações íntimas, pessoais – muito mais do que as vociferadas, ideológicas — são capazes de criar dinâmicas incontroláveis. As catástrofes do século passado foram produzidas pelo mesmo tipo de intoxicação – a devoção irrestrita a figuras totêmicas como Mussolini, Hitler e Stalin.  Não careciam do Photoshop (ainda não inventado), bastava-lhes a truculência.



quinta-feira, 24 de dezembro de 2015

Os estudantes paulistas, defendendo as escolas públicas da sanha elitista de Alckimin, deram uma aula inesquecível de brasilidade


"Para muitos dos meninos, a rebelião não foi apenas uma aposta de vida, mas um desafio de morte"
Nesta edição, exibida na última segunda (21), na TV Brasil, entrevistamos três estudantes que participaram das ocupações das escolas paulistas.
Recomendo assistir, especialmente os que estão em crise com o país. É um vendaval de cidadania.
Mostra a eficiência da chamada pedagogia da participação, a maneira como, sentindo-se protagonistas, a rapaziada se abriu para o mundo. A explicitação da pedagogia da participação foi uma explosão inesperada, o produto mais relevante de uma movimentação que visou, em um primeiro instante, apenas evitar que alunos fossem remanejados para outras escolas, sem consultá-los.
Nicole dos Santos, 17 anos, aluna do terceiro ano médio da Escola Estadual José Lins do Rego, na Estrada do M’Boi-mirim, no Jardim Ângela, contou que os mais ligados na ocupação foram vários alunos com baixa produtividade na sala de aula.  Muitos deles estavam entre os mais dinâmicos, curiosos, interessados em temas contemporâneos,  em música, cultura, mas não se adequavam ao modelo linha de montagem das aulas, o mesmo conteúdo entregue empacotado em 50 minutos de aula.
Com o movimento, saíram da toca, mobilizaram-se, assumiram compromissos, colocaram em prática seus interesses e foram os que melhor cuidaram da sua escola.
Mais que isso.
Nicole e suas colegas sempre se incomodaram com as brincadeiras machistas dos rapazes. Mas nunca conseguiram que a direção da encarasse a questão, com um debate aberto. Com a ocupação, definiram o machismo como um dos temas de discussão, abriram as discussões e conseguiram abrir a cabeça dos colegas machistas mais renitentes.
O mesmo ocorreu na escola estadual Fernão Dias, de Pinheiros, conforme relato da aluna Luana Nardi, 16 anos. Alunos desinteressados por um método de ensino anacrônico, de ouvir a aula sem participar e limitar-se a fazer a lição sem questionar, de repente viram o mundo se abrir para eles, podendo escolher o tema para as aulas especiais ministradas durante a ocupação.
A crítica à reorganização estava fundamentada, com argumentos em relação aos erros de análise e às questões legais. Como explicou Guilherme Botelho, 16 anos, aluno do segundo ano médio da Escola Estadual Professor Oscavo de Paula e Silva, na cidade de Santo André
No município existem duas favelas, focos de enormes tensões entre os moradores de uma e outra. Fechar uma das escolas e transferir os alunos de uma favela para outra poderia resultar até em mortes, explicou Guilherme.
Mas os técnicos da Secretaria da Educação não tinham a menor ideia porque limitaram-se a tratar os números sem considerar que, por trás deles, havia pessoas, ambientes.
Indagado se haviam analisado com isenção a reforma, Guilherme responde com uma lógica definitiva: se hoje as classes já são superlotadas, há filas e a reforma iria diminuir mais ainda a quantidade de classes, é fácil entender sua lógica, que não é definitivamente a lógica pedagógica. A ocupação também expôs de forma grave o despreparo de alguns diretores.
Na escola José Lins do Rego a diretora chamou a PM e autorizou a invasão da escola. Professores que tentaram defender os alunos terminaram agredidos, alguns hospitalizados.
Lembro-me da velha PUC de Campinas, dirigida por dois clérigos extremamente conservadores, dom Amaury Castanho e outro que não me recordo o nome agora. Quando o Exército tentou invadir o campus, ambos se colocaram na frente do portão e impediram, em defesa dos seus alunos.
Ao final do programa, indaguei se tinham medo. Tinham. Um, o medo de estudantes com as represálias que poderiam sofrer dos diretores. Outro, o medo de jovens de periferia com o que poderia acontecer se a PM viesse atrás deles.
Para muitos dos meninos, a rebelião não foi apenas uma aposta de vida, mas um desafio de morte.

terça-feira, 8 de dezembro de 2015

Bob Fernandes: Os mais corruptos fazem de tudo pelo Impeachment contra a... "corrupção". Estudantes deixam Reis e Rainhas nus....




Impeachment. As variáveis são muitas. As ruas terão mão única ou mão dupla? O que vai querer o Dinheiro Grande? Até onde irá a "Mídia"?

Dois citados por corrupção, na "Zelotes" e na "Lava Jato", comandaram no TCU a votação das "Pedaladas Fiscais", motivo alegado no pedido de impeachment.

No comando Político do impeachment, Eduardo Cunha, Paulinho da Força & Cia. E a oposição que quer o Poder. Paulinho já é réu no Supremo...

...Cunha dispensa apresentação. Crimes conhecidos, mesmo quando ainda não havia provas suíças. Era poupado por ser aliado e motor do impeachment.

"Mas quem conduz o impeachment é o cargo, não Cunha". A argumentação, cínica, hipócrita, parte de muitos dos que se dizem contra corrupção.

Temer. A Velha Política vendida como "sabedoria". Aos que querem Poder futuro, ou "ajudar", Temer jura não ser candidato em 2018...

Isso lembra a fábula, e parábola, "O Escorpião e o Sapo".

Acusados de corrupção foram, estão sendo investigados e presos. Sem obstrução em relação a governo e governistas.

Alguns dos maiores empresários do Brasil estão presos. Um grande banqueiro está preso. Não funciona mais "culpar" apenas "Us Pulíticus". A corrupção é Sistêmica.

A propósito,o FBI informa: Ricardo Teixeira, Marin e Del Nero receberam R$ 120 milhões em propinas para vender direitos de transmissão de Copas. Do Mundo e várias outras.

Há 60 anos, desde Havelange, essa gangue opera a grande paixão dos brasileiros, e um dos maiores negócios do país, o futebol.

Não se sabe? Não se sabia? Vendiam pra quem? Recebiam de quem?
O governo quer repatriar R$ 200 bilhões. Estima-se que mais de meio trilhão de dólares estão escondidos em paraísos fiscais.

Sonegação: brasileiros devem mais de R$ 1,5 trilhão à União. Paulistanos devem mais de R$ 50 bilhões à Prefeitura.

Em 2013, das ruas saíram mensagens múltiplas, difusas, conflitantes. Agora, estudantes de escolas públicas não apenas obrigaram o governo Alckmin a recuar.

Nesse primeiro round, a ação estudantil ensinou: Brasil afora sistemas de produzir e gerir Poder estão viciados, carcomidos, apodrecidos.

A ventania juvenil escancarou: Reis, e Rainhas, estão nus.

quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

A Cartilha de Alckimin diz: politizar, desqualificar e sufocar protesto de alunos




Jornal GGNEm São Paulo, a escalada das autoridades do Estado contra as manifestações de alunos contrários ao fechamento sumário de mais de 90 escolas públicas - fenômeno vendido pela grande mídia como "reorganização do ensino" - segue um roteiro pouco original: primeiro, politiza-se a conduta dos críticos ferrenhos ao projeto; depois, desqualificam-se as ações desenvolvidas para chamar atenção para o problema; e quando o conflito ganha traços duvidosos perante a opinião pública, introduz-se a força militar como corretivo contra o lado mais fraco.
É com essa fórmula que o governo Geraldo Alckmin (PSDB), acusado de não dialogar sobre as mudanças na rede pública de ensino, tenta suprimir os protestos em vias públicas e as ocupações em mais de 100 escolas.
No começo, a Secretaria de Educação alegava ruído na comunicação com pais e alunos afetados pelo plano (são mais de 300 mil em todo o Estado), que não teriam tido a chance de entender os objetivos nobres da "reestruturação". Quando as ocupações em escolas que seriam fechadas passaram a crescer exponencialmente e ruas foram tomadas, o discurso passou a ser de ataque a supostas lideranças político-partidárias infiltradas entre alunos para semear a discórdia e sapatear em celebração à fase impopular de Alckmin.
Leia mais:
Na imprensa, pouco foi o espaço dado à visão dos alunos sobre a crise. Nos veículos mais tradicionais, as iniciativas são tímidas - e quando não, podadas. A TV Folha, por exemplo, chegou a publicar na manhã de terça-feira (1º) uma reportagem em vídeo mostrando o que os alunos fazem durante as ocupações: calçadas e pátios de escolas são varridos; paredes velhas e pixadas, pintadas; banheiros, lavados. No mesmo dia, Alckmin fez uma visita de cortesia ao jornal. Leitores deram por falta do vídeo, posteriormente.
Mais tarde, a cobertura do jornal foi focada no "confronto" entre a Polícia Militar e os estudantes. A tensão teria começado ainda pela manhã, em uma escola na região da Bela Vista, após alunos terem supostamente agredido dirigentes de escolas e tentado depredar o espaço público. Em Osasco, a PM também relatou caso de depredação de escola. Os jornais ajudaram com galerias recheadas de imagens do vandalismo sem autor.
A partir de então, a "operação de guerra", com direito ao uso de força policial para sufocar as manifestações, foi autorizada. Nas redes sociais, uma centena de vídeos e fotos da violência desmedida da PM contra adolescentes desarmados. Como de praxe, os agentes de Estado flagrados com cassetetes em atividade não possuíam identificação - o que, nas palavras, de Alckmin, é "normal". Bombas, gás de pimenta, prisões, puxões e empurrões completam o arsenal. Tudo para desobstruir a Nove de Julho, uma das principais vias da cidade, na noite de terça.
O governador só comentou a ação da PM na manhã desta quarta-feira (2), após um grupo de 30 alunos ser forçadamente retirado das ruas mais uma vez. Disse Alckmin, seguindo a cartilha: "É nítido que há uma ação política no movimento. (...) Não é razoável obstrução de via pública. Ainda mais na Doutor Arnaldo. Só o Instituto do Câncer possui mil pacientes por dia que precisam de acesso [à região]. Pessoas precisam trabalhar."
Depois de desqualificar as manifestações que só "prejudicam" a rotina do paulistano "trabalhador", Alckmin finalizou com a defesa de seus subordinados: "A polícia dialoga, a polícia conversa, pede para as pessoas saírem e dá tempo para pessoas saírem. A polícia faz todo o trabalho, é capacitada, treinada, tem paciência." Tudo dentro dos conformes.

sábado, 15 de junho de 2013

A razão do povo e a repressão policial estatal controlada pela burguesia empresarial



É muito interessante notarmos nossa falsa democracia, onde a grande imprensa,a grande mídia, em um primeiro momento, se torna difusora do lado das "autoridades" e do grande capital em detrimento dos direitos do povo. Num segundo momento, não mais podendo esconder a truculência do aparato policialesco estatal, começa a citar parte dos excessos da imaturidade fardada, destacando, contudo,  jornalistas como as principais vítimas, pondo o povo (e em especial, os estudantes) ainda como secundários ou, dependendo do horário em que as elites assistem seus telejornais,  como vândalos. Mas no jornal da Globo, corretos ainda são o Estado e a grande burguesia, esta sim, a ser protegida com todas as forças pelo Estado.

Carlos Antonio Fragoso Guimarães