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quarta-feira, 9 de dezembro de 2015

A Direita Fascista: Livre para comprar, Livre para Vender votos em troca de ganhos, mesmo - e principalmente - através do mais explícito Golpe


"É curioso, tomara que não trágico, que isso se faça em nome da “moralidade”. Não é inédito, entretanto. Ouve-se o mesmo canto desde a UDN, a caça aos marajás e tantos surtos com que a direita contamina o país para que não tenha de mostrar sua cara real, horrível e má. Há muita gente, porém, que não o percebe. E não percebe que a destruição dos partidos políticos, como se viu ontem e ainda se verá, por estes dias, é o caminho para colocar na venda a varejo os votos parlamentares que precisam para alcançar o poder sem os votos populares que lhes faltam." Fernando Brito

Livre para comprar. Livres para vender

livres
Alguém, depois das histórias da Suíça e dos papéis de André Esteves ainda tem alguma dúvida sobre os “argumentos” que usa Eduardo Cunha para, mesmo a dois passos do cadafalso, obter tantos votos na Câmara?
Sejam dívidas do passado ou promessas de futuro, agora que Michel Temer já oferece as fatias do bolo que não é seu, como conta Monica Bergamo na Folha, há moedas de todos os sons a oferecer.
E, do outro lado, mãos ávidas por recebe-las.
É curioso, tomara que não trágico, que isso se faça em nome da “moralidade”.
Não é inédito, entretanto. Ouve-se o mesmo canto desde a UDN, a caça aos marajás e tantos surtos com que a direita contamina o país para que não tenha de mostrar sua cara real, horrível e má.
Há muita gente, porém, que não o percebe.
E não percebe que a destruição dos partidos políticos, como se viu ontem e ainda se verá, por estes dias, é o caminho para colocar na venda a varejo os votos parlamentares que precisam para alcançar o poder sem os votos populares que lhes faltam.
(outra curiosidade é que os agentes disso são os que sobem em suas tamancas para falar em “unidade do PMDB”, não é?)
Já não sendo, depois de décadas, um homem de partido – embora com partido, sempre – tenho liberdade para dizer que, por pior que seja, qualquer ente coletivo melhora a natureza de seus integrantes, porque estabelece entre eles um sistema de freios e contrapesos que contém a ganância individual.
É isso o que se consegue quando se faz do purismo o fundamentalismo político.
Os mais imundos, nos métodos e nos fins, são os primeiros a proclamar sua honradez.
E apontar os partidos como atividades marginais, aquadrilhadas, onde a honestidade individual, querendo ou não, sucumbe à presença do contágio.
Nessa época de culto ao indivíduo, do “só quero saber do que pode dar certo” é, reconheço, luta inglória, embora não sejam eles, mas as coletividades, em seus erros e acertos, quem empurra o carro da História.
A xepa da política é o lugar onde impera isso, o varejo do indivíduo.
E o varejo é onde não apenas se é livre para comprar os homens públicos, mas para que eles possam se vender.

O sinistro "evangélico" Eduardo Cunha e suas maquinações sombrias



Texto de Carlos Antonio Fragoso Guimarães

 Eduardo Cunha, mestre nas canalhices, roubos, manipulações, com o apoio da grande mídia, não vai se deixar abater pelo fato de um Ministro do STF, Luiz Edson Fachin, ter suspendido seus desmandos na tática de mergulhar o país no caos político e econômico. A suspensão - se o STF não se posicionar a favor da anulação de toda essa pantomima golpista - levará o impeachment para o ano que vem, como ele também quer, pois isso dará tempo à imprensa e mídia comprometidas para "cevar" a mente dos mais incautos, ao mesmo tempo que abafa suas próprias ladroagens e seu próprio rito de cassação no Conselho de Ética.

 Que país é este, meu Deus, onde a Democracia só é vigente se a Casa Grande estiver no poder e apenas enquanto a mesma Democracia for uma conveniente fachada para sua tradição de exploração contínua do país e sua gente?

quarta-feira, 7 de outubro de 2015

Alberto Dines sobre as ousadias de Eduardo Cunha, o "caudilho ensandecido"



    "Ao garantir que permanecerá na presidência da Câmara, Eduardo Cunha não percebe que está oferecendo prova cabal da sua onipotência e periculosidade. Quem é acusado de abusar do poder durante tanto tempo e através de tantos ilícitos não tem credibilidade para garantir doravante um comportamento isento, insuspeito e imparcial." - Alberto Dines


CONJUNTURA NACIONAL > O CERCO A EDUARDO CUNHA

Sobre ousadias: dos patifes e dos decentes

Por Alberto Dines em 21/08/2015 na edição 864 do Observatório da Imprensa

No mesmo dia em que se confirmava a denúncia do Procurador-Geral da República, Rodrigo Janot, contra Eduardo Cunha, o presidente da Câmara Federal, a ministra do STF Cármen Lúcia, declarou que o povo brasileiro sabe o que NÃO quer, porém “as pessoas boas” precisam expressar o que querem — com “a ousadia dos canalhas”.
Mineira legítima, a vice-presidente da nossa suprema corte, consegue ser veemente e arrasadora com a naturalidade de quem dá um bom-dia. Impedida de manifestar-se sobre um processo que ainda não examinou, tem sido capaz de oferecer aos vacilantes conceitos certeiros e opiniões inequívocas.
A verdade é que o deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), é dono de um potencial de ousadias suficiente para transformar a grave crise de governança que atravessamos em impasse institucional. O rol de malfeitorias e as penas solicitadas pelo Ministério Público eram suficientemente fortes para que na denúncia constasse a necessidade de afastar de imediato o acusado da função que exerce.
O procurador Rodrigo Janot preferiu não confrontar o STF antecipando-se ao seu julgamento e, com isso — a contragosto, certamente — garantiu ao denunciado o cenário e a audiência para uma performance de, pelo menos, seis meses num gênero de farsa que o presidente da Câmara de Deputados domina como poucos.
Eduardo Cunha é ousado porque não lhe sobram alternativas. Joga perigosamente porque não conhece outro jogo. Arrisca-se porque não tem o que perder, tal é o seu nível de desapreço por si mesmo. Suas apostas raramente são as mais recomendáveis e os predicados, que o ajudaram a se projetar de forma tão surpreendente, são geralmente mencionados com discrição e/ou eufemismos. Para evitar incômodos e incompreensões.
Impróprio qualificá-lo como kamikaze (do japonês, “vento divino”,) porque aqueles pilotos suicidas nipônicos, celebrizados durante a 2ª Guerra Mundial, se imolavam com pretextos espirituais e místicos. Já o personagem que domina as manchetes nos últimos dias, picado pela ambição e fanatismo só pensa em si mesmo.
Como qualquer cidadão, Eduardo Cunha tem o direito de se defender bem como servir-se dos instrumentos do Estado de Direito para provar a sua inocência. Mas em seu benefício não pode usar o poder que a sociedade lhe conferiu para preservar apenas o interesse público.
Ao garantir que permanecerá na presidência da Câmara, Eduardo Cunha não percebe que está oferecendo prova cabal da sua onipotência e periculosidade. Quem é acusado de abusar do poder durante tanto tempo e através de tantos ilícitos não tem credibilidade para garantir doravante um comportamento isento, insuspeito e imparcial.
Eduardo Cunha não pode continuar no cargo. O país não pode ser submetido à vergonhosa situação de manter no primeiro escalão alguém tão comprometido com a delinquência.
É indecorosa e quase obscena, a ambiguidade da oposição oferecendo um suporte ao denunciado pela facilidade de que dispõe para acionar um processo de impeachment da presidente da República. O que se espera da oposição e especialmente do PSDB é outra espécie de ousadia: a da “gente boa”, os decentes e honrados.
E qual das ousadias preferirá a mídia ?
A ousadia dos pirómanos, apocalípticos, belicistas ou, ao contrário, optará pela prudência e responsabilidade? A mídia terá a audácia de apoiar os delinquentes, aferrados ao projeto de interromper o mandato da presidente Rousseff a qualquer preço ou vai se atrever a apoiar os deputados que pretendem libertar a Casa do Povo do caudilho ensandecido?