Do Portal do José:
17/10/23 HOJE É UM DIA HISTÓRICO PARA A REPÚBLICA. NÃO É TODO DIA QUE VEMOS INDICIAMENTOS DE TANTOS GRAÚDOS AO MESMO TEMPO. VAMOS AGORA cobrar da PGR que exerça o seu papel. Cadeia para todos é o que o Brasil espera. Sigamos.
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17/10/23 HOJE É UM DIA HISTÓRICO PARA A REPÚBLICA. NÃO É TODO DIA QUE VEMOS INDICIAMENTOS DE TANTOS GRAÚDOS AO MESMO TEMPO. VAMOS AGORA cobrar da PGR que exerça o seu papel. Cadeia para todos é o que o Brasil espera. Sigamos.
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10/10/23 - MUITA COISA ACONTECE NO MUNDO. O BRASIL TEM MUITAS CONEXÕES COM O CONFLITO NO ORIENTE MÉDIO. É fundamental termos o entendimento amplo do que está ocorrendo no mundo. Sigamos.
Se a tentativa de golpe em 8 de janeiro fosse vitoriosa, certamente essas páginas e este que escreve não estaríamos mais aqui

General Heleno é o elo histórico
Levamos nosso protesto para as ruas, para o povo somar na luta. Quando o povo engrossou as fileiras, nos prenderam e nos torturaram, não mais cantamos com as flores nas mãos, a melodia seguiu o ruído das balas dos revólveres e o chispar das metralhadoras.
A democracia é conquista nossa, custou mortes e sofrimentos ocasionados pelos militares.
Nossos heróis morreram nos calabouços da ditadura, seus corpos ainda desparecidos onde estão?
Temos o direito mais sagrado de prestarmos as últimas homenagens e enterrá-los.
Gal. Heleno foi cínico e debochado durante o seu depoimento na CPMI. Foi irônico, desrespeitoso com a Casa Legislativa, com xingamentos, colhido pelo microfone, à relatora, senadora Eliziane Gama (PSD-MA).
Teve uma postura que demonstrou desdém pelo decoro do ambiente e subestimação da inteligência dos parlamentares, contrapondo com a sua arrogância de se achar capaz de ludibriá-los e até de ofender com baixos palavrões a uma mulher senadora da República.
O presidente da CPMI foi leniente com o depoente, porque merecia, após xingar a relatora, no mínimo, uma admoestação severa.
Heleno abusou de figuras de linguagem, ora para esquecer quando lhe convinha e ora para lembrar quando lhe interessava. Ora para se apegar ao sentido estrito de um vocábulo, ora para lhe dar sentido alargado.
Achincalhou com falsos silogismos a inteligência e a paciência alheias.
O general da reserva e ex-ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), afirmou nesta terça-feira (26) que as recentes revelações do ex-ajudante de ordens do genocida Bolsonaro, tenente-coronel Mauro Cid, não passam de “fantasia”. E não aceitou a veracidade das informações colhidas e noticiadas pela imprensa.
Afirmou que o GSI é encarregado da segurança das instituições. O que está incorreto, o órgão cuida somente da segurança da presidência; são essas errôneas e alargadas interpretações, à semelhança da compressão golpista do artigo 142 da Constituição, que prosperaram entre os conspiradores e o gado aquartelado nos acampamentos, que duraram até o dia 10 de janeiro, sob a proteção dos militares.
O militar Augusto Heleno é golpista de longa data, foi, como capitão, ajudante de ordens do ministro do Exército, Silvio Frota, que, em 1977, tentara subverter o plano de distensão do general-presidente Ernesto Geisel.
Silvio Frota era líder da linha dura da ditadura. E seu ajudante, Augusto Heleno, tem muito orgulho de ter sido ajudante de Frota, como declarou à revista Veja.
Orgulho de um ministro do Exército insurgente ao comandante-em-chefe de todas as Forças, íntimo do mentor e articulador da intentona de 8 de janeiro, Jair Bolsonaro, e incentivador dos acampamentos na frente dos quarteis dos bolsonaristas extremados.
General Heleno é o elo histórico mais forte entre a linha dura da ditadura militar e o bolsonarismo golpista.
Em 1977 Bolsonaro era tenente, também entusiasta da linha dura, também indisciplinado, agitador-terrorista, larápio e muambeiro no Exército.
Os saudosistas da ditadura, de sua face mais dura, mais terrorista, revanchistas para reescrever a história, cujo desejo declarado, às claras, era fuzilar uns trinta mil esquerdistas.
Se a tentativa de golpe em 8 de janeiro fosse vitoriosa, certamente essas páginas e este que escreve não estaríamos mais aqui.
Desacreditou a imprensa como portadora veraz da delação do Mauro Cid. Posto em dúvida, é obrigação da Polícia Federal tornar público, até onde possível sem minar o trabalho investigativo, afinal, delação premiada é um meio para chegar aos delinquentes maiores com provas irrefutáveis.
Do Exército à Marinha.
Almir Garnier Santos, estudou na escola naval desde bem jovem e galgou o oficialato durante a ditadura. Era o Comandante da Marinha durante as tratativas da intentona bolsonarista. Não era chefe de si mesmo, tinha o poder de mando e representava essa instituição permanente de Estado, a Marinha de Guerra do Brasil.
Sendo as Forças Armadas organização baseada na disciplina e hierarquia, não é aceitável separar seu comandante da instituição que comandava.
Segundo noticiado pelo jornal Folha de S. Paulo, o ex-comandante do Exército, general Freire Gomes, compartilhou detalhes das conversas que manteve com Bolsonaro a alguns militares, quanto a possibilidade de um golpe de Estado para impedir a posse do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Segundo o jornal, ao menos oito generais confirmaram que Freire Gomes relatou os encontros a oficiais próximos – sem informar o Alto Comando da Força – e que ele sempre teria se posicionado de forma contrária a uma intentona golpista”.
Por que essas revelações não vieram antes? Se um golpe estava sendo armado, qual o dever de um comandante que prestou juramento à Constituição?
Traíram à Carta Maior do país!
Há muitos detalhes que não corroboram com a narrativa de que o comandante do Exército impediu o golpe de ser concretizado, e que a sugestão de acionar a GLO, feita pelo Múcio ao presidente Lula, também era para impedir o golpe, mas passando o comando do presidente para as Forças Armadas nas ruas.
A história não dá credibilidade às FFAA, notadamente ao Exército, de serem defensoras e garantidoras da democracia. Pelo contrário, são autoras de uns 10 golpes.
Do Plano Cohen ao gal. Mourão filho, passando pelo gabinete militar de Jango, é uma teia de altas traições ao Estado democrático de direito.
Se a Forças não querem conviver com a suspeição, o caminho não é negando a história, mas dela se redimindo.
Começando por pedir perdão à nação brasileiras pelos graves crimes cometidos.
Há um plano negacionista em curso, através do qual querem transformar em heróis os sabotadores da democracia e do respectivo Estado de direito.
Parece que os erros são caminhos tortuosos da contrição sem verdadeiro arrependimento, e, sim, de oportunismo e falsificação com a memória e a verdade, tal como fizeram até a instalação da Comissão Nacional da Verdade em relação às atrocidades da ditadura.
O ministro do Supremo, Dias Toffoli, inaugurou o recente caminho e já ergueu o Augusto Aras à estrategista da defesa da institucionalidade democrática; o ministro da Defesa, Múcio, nega a história recente da intentona bolsonarista e dá linha ao seu novelo até o golpe de 64 e decorrente ditadura militar, somando à delação do tenente-coronel Mauro Cid, publicada pela mídia, estão todos a colocar o Exército como salvador das instituições democráticas.
A cantilena pós ditadura era a que houvera excessos de alguns, o sentido é o mesmo com a simplória e insustentável parábola do joio e do trigo no presente.
Os relatórios da CNV comprovam que os chamados excessos eram na verdade política do alto comando da ditadura.
No presente, os recortes atuais não se sustentam, afinal, por que esses “salvadores” foram tão lenientes e cúmplices com os acampados, verdadeiras barracas de campanha como trincheiras para as invasões e depredações das sedes dos três poderes da República.
E se a bomba, nas imediações do aeroporto de Brasília, tivesse explodido, e se o Lula tivesse acionado a GLO?
O autor da bomba já teve a prisão preventiva relaxada, Mauro Cid já está em prisão domiciliar, por decisões do ministro Alexandre de Moraes.
Bolsonaro, envolvido até a cueca com a intentona; as FFAA estão na defensiva, mas, armando uma narrativa na qual são os heróis, e o Congresso meio que barata voa.
Este é o timing para a prisão cautelar do genocida golpista.
Apesar de serem bons atores, o script da delação do Cid tem vício de origem, tem algumas desconfianças, até pela razão de não terem vindo a público na íntegra.
E a que e a quem está servindo apenas pedaços da delação?
Parece ter gato na tumba.
Sem a cumplicidade ideológica e orgânica das Forças, Bolsonaro não teria existido como político, teria ido para o esgoto, logo após a sua expulsão pelo seu comando no Exército, e numa barganha no STM foi para a reserva remunerada como capitão.
Os militares devem cuidar de suas corporações, das fronteiras do país, e deixar a política para os políticos. É a história que os aconselha, pois fracassaram como gestores em todas as quadras que administraram o país. E é a Constituição que os obriga.
Militares são servidores de Estado e ainda por cima detentores da força das armas, ao participarem de governos perdem essa condição de servirem ao Estado para servirem a um governo.
Não cabe, por todo o exposto, militares na estrutura de governo. Porque, objetivamente, mesmo não sendo filiados, partidarizam-se ao programa do governo a que servem.
A democracia é conquista nossa, apesar e contra os militares.
A justiça de transição é condição sine qua non, é imperativo para a superação e pacificação dessas feridas e contradições históricas.
Esconder a memória, falsificar a verdade, mitigar a reparação e perpetuar a impunidade dos autores dos imprescritíveis crimes de lesa-humanidade e lesa-pátria, é manter a fratura exposta da história política do Brasil.
Golpes e ditaduras nunca mais – se a sociedade ficar de olho vivo nos militares, o Judiciário for servo da Constituição e o povo bem organizado, para prevenirem antes de termos que remediar mais uma vez.
Não há que separar o joio do trigo, porque essa colheita foi irrigada com o sangue e mortes dos nossos compatriotas, companheiros de ideais democráticos, heroicos camaradas de uma luta desigual.
Francisco Celso Calmon, analista de TI, administrador, advogado, autor dos livros Sequestro Moral – E o PT com isso?, Combates Pela Democracia; coautor em Resistência ao Golpe de 2016 e em Uma Sentença Anunciada – o Processo Lula. Coordenador do canal Pororoca e um dos organizadores da RBMVJ.
Investigação da PF começa com assassinato de presidente do Haiti e revela ligações de militares brasileiros com a ultradireita e mercenários


GGN. - Os indícios que levaram operação da Polícia Federal a apurar suposta fraude no uso da verba de R$ 1,2 bilhão destinada à intervenção federal na segurança do Rio de Janeiro, tendo como principal investigado o general Walter Souza Braga Netto, interventor designado, suscitaram reportagens do jornal GGN entre julho e agosto de 2021.
Enquanto as investigações puxam o fio que chega até a Missão de Paz no Haiti, vemos se desfazer o tecido que liga esquemas da ultradireita armada com pastores neopentecostais, interferência política violenta, ligações com Israel, empresas com fachadas de normalidade, mas articulas por ações criminosas e a montagem de ONGs para exercitar o marketing da benemerência.
Conforme informações apuradas pelo jornalista Luís Nassif à época, se sabia que o general Braga Netto tentou adquirir coletes de segurança da CTU Security LLC de Miami, sem licitação, antes mesmo das primeiras denúncias vindas dos Estados Unidos, naquilo que antecipou as intenções e o perfil do grupo militar que se apossou do poder através de Jair Bolsonaro.
Braga Netto fechou ao menos R$ 140 milhões em contratos sem licitação. Inquieto nos gastos, tentou comprar os coletes de uma empresa presidida por um mercenário venezuelano (leia mais abaixo) e adquiriu 14 mil pistolas Glock para a Polícia Militar do Rio de Janeiro, empresa de armas que tinha como um dos principais garotos propaganda Eduardo Bolsonaro (PL/RJ).
Ocorre que não se trata de uma típica tentativa de corrupção encerrada na regularidade com que ocorre no Poder Público. A isso se referia as reportagens publicadas pelo jornal GGN: os militares operam desde a missão de paz das Nações Unidas no Haiti, passando pela intervenção no Rio de Janeiro, a articulação de uma nova direita, extremada e ultra.
Um modus operandi vem sendo desvelado. Em fevereiro de 2022, o governo dos Estados Unidos avisou às autoridades brasileiras do desvio envolvendo a compra de coletes ao investigar o atentado ao presidente do Haiti, Jovenel Moïse, em julho de 2021 e se deparar com a CTU Security LLC.
Em seu site oficial, a CTU Security LLC apontava como presidente, no ano de 2021, o empresário e ex-militar venezuelano Antonio Emmanuel Intriago Valera, conhecido como Tony Intriago.
Este nome aparecerá de forma recorrente agarrado ao calcanhar de Braga Netto e da ultradireita na América do Norte, América Central, América Latina e Caribe. Além disso, o modelo de negócio no qual Intriago empreendia é semelhante ao modelo adotado pela empresa relacionada ao escândalo das vacinas (que você lê mais abaixo), durante a pandemia, envolvendo militares brasileiros.
Segundo a Newsweek, a CTU era uma empresa de segurança em dificuldades, “que supostamente tinha um histórico de evitar dívidas e declarar falência”. Ou seja, o padrão Precisa (a empresa que intermediava vacinas durante a pandemia alvo de denúncias de corrupção) já estava presente nas compras de Braga Netto.
Intriago, por sua vez, levou a sua empresa ao radar do FBI e hoje é investigado na Flórida por participação no assassinato do presidente do Haiti, Jovenel Moïse, dentro do palácio do governo, em 7 de julho 2021. Intriago, conforme se revela no próprio currículo, acumula ações criminosas do tipo. Na Bolívia, segundo forças de segurança do país, Tony Intriago foi procurado para organizar o assassinato do presidente Luís Arce.
A empresa de Intriago não era fabricante de coletes, mas intermediadora, mantendo fachada de empreendimento de segurança, mas que até no nome mostrava seus reais propósitos políticos: a sigla CTU Security LLC significa Academia Federal da Unidade de Combate ao Terrorismo, em outras palavras: organizar, municiar e garantir a logística de grupos mercenários a serviço da ultradireita.
Conforme apuração da Agência Pública, a CTU é especializada em contratar mercenários, exatamente o tipo de grupo que entrou no Haiti, ao que tudo indica o próprio FBI com o suporte e participação direta de Intriago, e assassinou o presidente, o que poderia ter feito na Bolívia, ou contra qualquer outra liderança indesejada na América Latina ou Caribe.
A imprensa americana menciona que Intriago esteve envolvido com a tentativa de invasão da Venezuela em 2020. Não se trata de coincidência Intriago ter se relacionado com militares brasileiros levando-os à ultradireita mundial, ligada por negócios variados e articulados, desde serviços de salvação da alma, a jogos, armamentos e prestação de serviços de mercenários.
Os generais que comandaram as tropas do Brasil, no Haiti, na operação de manutenção da paz da ONU na missão conhecida como MINUSTAH, tiveram destaque no governo Jair Bolsonaro. O principal deles foi o general Augusto Heleno, além de outros quatro. Mais de 30 mil soldados estiveram presentes durante a missão entre 2004-2017.
Tony Intriago, durante a Missão de Paz, já circulava pelo Haiti e prospectava serviços nos países de toda a região, entendendo como poderia ser útil – e faturar milhões.
A empresa de Intriago, mostrou a Agência Pública, foi citada nas revelações do WikiLeaks em 2015 sobre a Hacking Team, uma empresa italiana conhecida por desenvolver ferramentas de vigilância e espionagem cujos programas foram acusados de roubar senhas de jornalistas e espionar ativistas de direitos humanos em países como os Emirados Árabes Unidos e Marrocos.
Neste vazamento do WikiLeaks, se revela que a CTU buscou a Hacking Team para tentar vender projetos conjuntos de vigilância para o governo do México, revelando interesse, inclusive, na implantação remota de softwares espiões em computadores.
Tanto nos contratos da intervenção do Rio de Janeiro quanto nos do Ministério da Saúde, durante a pandemia, tentou-se fugir das licitações alegando emergência. Os militares estiveram presentes em ambas as situações com o mesmo modus operandi.
Nos dois casos, Braga Netto foi personagem central, como comandante da intervenção militar no Rio, e como Ministro-Chefe da Casa Civil e coordenador do grupo de combate ao coronavírus. Os órgãos de controle, ainda não desmontados por Bolsonaro, nos dois casos, impediram a consumação das compras.
Não só isso: os personagens envolvidos guardam preocupante semelhança com aqueles envolvidos na tentativa de venda das vacinas Covaxin.
No caso da Covaxin, um dos personagens principais é Carlos Alberto Tabanez, proprietário de um clube de tiro e de uma empresa de terceirização, a G.S.I., que nos últimos anos conquistou R$ 20 milhões em contratos com o setor público, especialmente com o Hospital das Forças Armadas.
A CTU Security LLC, segundo o Miami Herald, além de vender equipamentos, é uma academia de tiro – e uma agenciadora de mercenários para ações políticas, conforme mencionamos e exemplificamos acima.
Desde 2019 o jornal GGN aponta que os Clubes de Tiro são o principal braço armado do bolsonarismo, a partir das ligações de Eduardo Bolsonaro com o clube de tiro de Florianópolis. Eles são peças centrais da ideologia das armas.
E agora chega o principal: o fator Haiti, comprovando que o núcleo original é o da força de paz do Haiti. Em Brasília, Tabanez deu aulas de explosivos à tropa, quando se preparavam para ir ao Haiti. Já Tony Intriago tem relação umbilical com Haiti, a ponto de participar do assassinato do presidente.
No caso da Covaxin, um dos principais personagens é o reverendo Amilton Gomes, atuando através de uma falsa ONG, uma empresa de nome Secretaria Nacional de Assuntos Humanitários (Senah), que faz marketing da benemerência, mas está aberta para negócios.
Chamado de Covaxingate, o caso se trata de uma compra bilionária da vacina Covaxin pelo Ministério da Saúde, com vários indícios fortes de corrupção e participação direta do presidente da República. Militares transformaram, em plena pandemia, a compra das vacinas em negociatas realizadas em uma praça de alimentação de um shopping de Brasília.
Conforme revelou Luís Nassif, a Senah é apresentada como ligada a uma tal Embaixada Mundial Humanitária pela Paz, além de se dizer parceira da ONU nas metas do milênio. Também se apresenta como especialista terapêutico, em psicologia e psicanálise.
No site da Senah, menciona-se que a tal Secretaria Nacional de Assuntos Humanitários integra uma rede mundial que atua em 18 países.
Em 2021, o jornal GGN já dizia: “as ligações de Braga Netto com empresas especializadas em atentados políticos, o eixo Haiti, a enorme quantidade de militares envolvidos em irregularidades, os abusos de contratos sem licitação beneficiando os neo-empresários, militares da reserva que estão conseguindo contratos polpudos com o setor público, tudo isso leva a crer que o Twitter do general Villas Boas não foi o início da tentativa militar de empalmar o poder, mas o tiro de largada”.
O tuíte se refere ao postado pelo general mandando um recado direto aos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), que em menos de 24 horas votariam o pedido de um habeas corpus do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que poderia evitar a sua detenção pela condenação em segunda instância referente ao triplex do Guarujá. Lula acabou preso e fora das eleições de 2018.
O presidente Michel Temer decretou a intervenção federal na segurança pública no Rio de Janeiro em 16 de fevereiro de 2018. A ação, que seguiu até 31 de dezembro daquele ano, envolveu um amplo conjunto de ações onde atuaram as forças de segurança do estado e, junto a estas, as forças militares, através das operações de “garantia da lei e da ordem” (GLO).
Toda a segurança do estado ficou nas mãos dos militares organizados pelo Gabinete de Intervenção Federal (GIF). São exatamente os militares do GIF alvos da operação com 16 mandados de busca e apreensão da PF, nesta terça-feira (12). Agentes saíram para cumprir os mandados no Rio de Janeiro, em Minas Gerais, em São Paulo e no Distrito Federal.
A PF investiga crimes de contratação indevida, dispensa ilegal de licitação, corrupção e organização criminosa na contratação da empresa americana CTU Security LLC para aquisição de 9.360 coletes balísticos com sobrepreço de R$ 4,6 milhões. O acordo acabou cancelado, e o valor, estornado.
Ação da PF que chegou a ex-ministro começou com investigação nos EUA sobre a morte do presidente do Haiti e o elo com indústria de segurança, ligada a Bolsonaro

Artigo de Joaquim de Carvalho
A Polícia Federal realiza na manhã desta terça-feira (12/09) operação sobre fraudes na execução orçamentária do Gabinete de Intervenção Federal na Secretaria de Segurança Pública do Rio de Janeiro, em 2018. Um dos investigados é o general da reserva Walter Braga Netto, ex-ministro da Defesa e que foi candidato a vice-presidente na chapa de Jair Bolsonaro em 2022.
O caso que motivou a operação é o contrato para compra superfaturada de coletes à prova de bala de uma empresa de segurança dos EUA, a CTU Security LLC, envolvida na conspiração que levou ao assassinato do presidente do Haiti Jovenel Moïse, em julho de 2021.
A Agência de Investigações de Segurança Interna dos Estados Unidos (Homeland Security Investigations, ou HSI) descobriu que a CTU Security LLC ficou responsável pelo fornecimento de logística militar para executar Jovenel Moïse e substituí-lo na Presidência do Haiti por Christian Sanon, um cidadão americano-haitiano.
Nessa investigação, a HSI descobriu indícios de fraude no contrato com o Gabinete de Intervenção Federal no Rio de Janeiro e informou o governo brasileiro. A Polícia Federal foi acionada e Braga Netto passou a ser investigado. Assim como outros generais, teve o sigilo telefônico quebrado, mas Braga Netto não foi alvo da operação na manhã desta terça-feira.
Não é a primeira vez que o ex-ministro da Defesa está no centro de um caso nebuloso envolvendo contratos que assinou ou autorizou no tempo em que era interventor da Segurança Pública no Rio de Janeiro. Em março do ano passado, publiquei nesta coluna reportagem sobre a compra suspeita de armas de uma empresa ligada a Eduardo Bolsonaro que forneceu ao governo brasileiro endereço falso.
O contrato foi assinado nos últimos dias de Braga Netto na função de interventor, no valor de R$ 46 milhões. A empresa que vendeu pistolas semiautomáticas para o Gabinete de Intervenção Federal se chama Glock America, representada no Brasil por Franco Giafonne, amigo de Eduardo Bolsonaro, e Fernanda Pereira Leite, irmã de Joaquim Álvaro Pereira Leite, que seria ministro do Meio Ambiente de Bolsonaro, após Ricardo Salles.
A Glock America não fabrica armas. Ela é intermediária da austríaca Glock e informou ter escritório em Montevidéu, no Uruguai.
A fábrica de armas alemã Sig Sauer, que disputava o contrato com a Glock America em 2018, esteve no endereço fornecido pela concorrente e constatou que era falso.
Em ofício dirigido ao general de divisão Laélio Soares de Andrade, secretário de administração do Gabinete de Intervenção Federal e braço direito de Braga Netto, a Sig Sauer apresentou o resultado da diligência que fez, por meio do serviço notarial do Uruguai. O documento, de 12 de novembro de 2018, é assinado por Marcelo Silveira da Costa, procurador da Sig Sauer:
A licitante Glock apresentou neste edital documentos em que declara que sua sede social localiza-se em Plaza Independência, 831, of. 802, Montevidéu, Uruguai.
Há fortíssimos indícios de que a informação é falsa.
Alertados pelo próprio website da licitante, que destaca que a representação da Glock na América Latina localiza-se no Panamá, e também por notícias da imprensa uruguaia dando publicidade ao fato de que a representação da Glock deixou o Uruguai (acessível em https://www.uypress.net/Politica/La-representacion-de-las-armas-Glock-se-fue-de-Uruguay-uc86057), nós solicitamos a um notário público do Uruguai que fizesse uma visita ao endereço declarado pela licitante.
O notário público uruguaio lavrou uma ata notarial em que descreve claramente que, segundo informações colhidas junto ao administrador do edifício:
I - A representação da Glock funcionou no local, mas já não funciona lá há cerca de um ano e meio;
II - O mobiliário da empresa foi retirado em fevereiro deste ano.
Existem, portanto, indícios muito convincentes no sentido de que a conduta da referida licitante pode ser enquadrada no crime de falsidade ideológica (artigo 299 do Código Penal) e fraude à licitação (artigo 93 da lei 8.666).
A Sig Sauer, que tinha interesse de vencer a licitação, sugere ao Gabinete de Intervenção Federal que envie o adido militar no Uruguai para conferir os fatos relatados.
Ao mesmo tempo, o representante da empresa alemã junta ao ofício a ata notarial com uma tradução juramentada (abaixo).
Em vez de verificar a denúncia, o Gabinete chefiado por Braga Netto avança no processo de compra e, nos últimos dias de seu funcionamento, o próprio interventor assina o contrato, com “dispensa de licitação”.
O Gabinete de Intervenção Federal gastou o equivalente hoje a R$ 1 bilhão, em compras de equipamentos que, na esmagadora maioria dos casos, não passaram por licitação. Foi assim também no contrato com a CTU Security LLC.
Entrei em contato com o representante da Sig Sauer no Brasil quando ele participava de uma feira em Las Vegas, no final de 2021.
Expus o caso e pedi uma entrevista.
“Bom dia”, respondeu ele. “Vi seu e-mail. Posso lhe ajudar muito mais do que imagina, mas estou em Las Vegas em uma feira de negócios e tratar isso por telefone vai ser complicado”, acrescentou.
Sugeri videochamadas, e ele comentou:
“Vou ver com a segurança e te falo, espero que você tenha peito para ir até o fim”.
Como ele não entrou mais em contato, mandei nova mensagem quando os repórteres Igor Mello e Eduardo Militão publicaram, em 31 de janeiro de 2022, reportagem no UOL sobre suposto favorecimento à própria Sig Sauer na compra de fuzis para a Polícia Civil do Rio de Janeiro, com verba de R$ 3 milhões do Ministério da Justiça.
O dinheiro foi liberado após gestão do senador Flávio Bolsonaro, conforme ele mesmo havia contado em sua rede social. O processo, segundo a reportagem, foi marcado “por uma série de indícios de direcionamento e conflito de interesses”.
Na época, ao ser procurado, Flávio comentou que não tinha atuado em defesa da Sig Sauer, mas esse negócio é coerente com a versão da fonte que me passou os documentos sobre a venda de armas à Glock America pelo Gabinete de Intervenção Federal no Rio de Janeiro.
“A Sig Sauer denunciou a maracutaia, mas depois recuou, quando os militares lhe ofereceram compensação, em contratos futuros”, afirmou. Um dos contratos teria sido destinado ao fornecimento de armas para o Estado do Ceará. O outro pode ser este viabilizado com verba liberada por Flávio.
O caso reforça a suspeita de que Bolsonaro, desde sua campanha a presidente em 2018, é financiado pela indústria de armas, que tem seu núcleo de poder instalado nos Estados Unidos.
A propósito, o site “Seeing Red”, de Nebraska, Estados Unidos, publicou em março de 2022 reportagem com o título “Royce Gracie, o homem que apresentou os Bolsonaros para a NRA e Donald Trump Jr.”.
Sob a causa da liberação de armas, a NRA defende os interesses dessa indústria, que, como se vê no caso do Rio de Janeiro, faz um jogo pesado.
O que uniu Bolsonaro e Braga Netto na campanha de 2022 não é a defesa do golpe de 1964, nem o papel das Forças Armadas na República. Mas algo bem mais concreto: o dinheiro da indústria de armas.
O caso da CTU Security LLC, envolvida na execução de um chefe de Estado, pode ser apenas a ponta do iceberg, o elo de uma rede internacional poderosa.
Nunca é demais lembrar que, na época da Intervenção Federal no Rio de Janeiro, também aconteceu um crime político grave, até hoje não esclarecido, o da vereadora Marielle Franco. Em 2018, farda foi invocada pelo governo de Michel Temer como manto da eficiência.
Hoje se sabe que ela pode ter sido qualquer coisa, menos símbolo de eficiência, talvez tenha sido usada para encobrir corrupção. Só uma investigação séria revelará a verdadeira natureza do batalhão (seria exagero dizer quadrilha?) que comandou o Brasil, escalando postos de poder, entre os quais a Segurança Pública do Rio de Janeiro.
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Na época em que publiquei a reportagem sobre o escândalo da Glock America, procurei a assessoria de comunicação do Ministério da Defesa, e pedi posição de Braga Netto. A assessoria do Ministério me orientou a procurar a Casa Civil, responsável pelos pagamentos à Glock America, e o general não quis se manifestar.
Seguem documentos citados na reportagem:
Do Portal do José:
10/09/23 - DOMINGO. VOCÊ CERTAMENTE ACORDOU BEM. O BRASILEIRO COMUM HOJE ESTÁ ORGANIZANDO PASSEIOS, VISITAS, O ALMOÇO, ARRUMANDO A CASA OU RESOLVENDO ALGUMAS PENDÊNCIAS. Mas isso não vale para todos. quem comete crimes sempre acorda preocupado com o menor barulho ou toque na campainha. A delação do Coronel Mauro Cid provocará algumas surpresas indesejáveis. Comentaremos. Sigamos.
O apagamento/deturpação/revisionismo da memória e da verdade histórica é uma técnica de dominação da classe dominante

Segue o artigo de Jeferson Miola:
Avante brasileiros de pé / Unidos pela liberdade
Marchemos todos juntos com a bandeira / Que prega a lealdade
Protesta contra o tirano / Recusa a traição
Que um povo só é bem grande / Se for livre sua Nação”
Hino da Legalidade, letra de Lara de Lemos e Demósthenes Gonzalez e música de Paulo César Pereio [áudio aqui e letra completa ao final do texto].
O apagamento da memória e da verdade histórica é uma técnica de dominação da classe dominante.
Não se trata de esquecimento involuntário ou perda de memória, mas de uma escolha deliberada das oligarquias hegemônicas e sua mídia para impor uma versão farsesca e alienada da história.
Com o apagamento histórico, a elite invisibiliza as grandes lutas democráticas, as revoltas e resistências populares e a mística da luta por democracia, justiça e igualdade.
A história falsificada também permite à elite esconder o papel nefasto desempenhado pelos setores dominantes e suas Forças Armadas nas grandes tragédias de golpes e rupturas institucionais.
Assim como a impunidade concedida a perpetradores de crimes contra o Estado de Direito e a democracia, o apagamento da história encoraja setores golpistas e conspiradores a repetirem, a cada conjuntura propícia, seus intentos fascistas e antidemocráticos.
Não é por acaso, portanto, que neste 25 de agosto que lembra os 62 anos da Campanha da Legalidade [1961] não tenha sido publicada nenhuma nota em nenhum veículo de comunicação do país a respeito daquele acontecimento épico.
A partir do Palácio Piratini, sede do governo do Rio Grande do Sul, Brizola liderou a resistência civil e armada contra a tentativa dos militares de impedir a posse constitucional do vice-presidente Jango na Presidência da República depois da renúncia de Jânio Quadros.
Com a reação popular, os militares recuaram e condicionaram a posse de Jango à adoção do Parlamentarismo, o que foi aceito e extinto por plebiscito popular dois anos depois.
O mesmo apagamento histórico da Campanha da Legalidade também aconteceu na véspera, 24 de agosto, que marcou os 69 anos de suicídio de Getúlio Vargas, em cuja Carta Testamento ele denunciou que os poderosos, por meio das Forças Armadas, “Não querem que o povo seja independente”.
Os 69 anos daquela efeméride trágica também não tiveram direito a um único registro sequer em toda mídia.
Os dois acontecimentos históricos, apesar de suas características e cronologias específicas, tiveram em comum o protagonismo das cúpulas fardadas nas tentativas de golpe contra a soberania popular.
Tanto o suicídio de Getúlio como a Campanha da Legalidade foram respostas à conspiração militar que teve como desfecho exitoso o golpe militar de 31 de março de 1964.
O fim da ditadura em 1985 não representou o fim do protagonismo indevido das Forças Armadas na política nacional. Os militares continuam, ainda hoje, no centro dos ataques e ameaças à democracia; são um fator permanente de instabilidade e tensão.
A partir da segunda década deste século, os militares retomaram abertamente o ativismo político. A “presença oculta” deles já vinha desde os movimentos de desestabilização de 2013, quando presumivelmente integrantes da família militar portavam cartazes pedindo “intervenção militar”.
Em 29 de novembro de 2014 lançaram na AMAN [Academia Militar das Agulhas Negras] a candidatura de Bolsonaro, que viria a encabeçar a chapa militar para a eleição de 2018.
À continuação, os generais conspiradores Sérgio Etchegoyen e Eduardo Villas Bôas agiram como Pinochet fez com Allende, traíram a presidente Dilma, que os nomeara para o comando do Exército, e participaram da trama golpista com o usurpador Temer para derrubá-la.
Em 2018 o Alto Comando do Exército obrigou o STF a manter a prisão ilegal do presidente Lula para retirá-lo da eleição e abrir caminho para a vitória da chapa militar no contexto de uma eleição fraudada com a eliminação do principal competidor e virtual vencedor.
Depois da derrota da chapa militar Bolsonaro/Braga Netto na eleição de 2022, as cúpulas fardadas prepararam o golpe e organizaram contingentes de extremistas e terroristas para atentarem contra a democracia, os poderes de Estado e as instituições da República.
Com destemor e a entrega da própria vida, Getúlio Vargas e Leonel Brizola lutaram sem tréguas para salvar a democracia ameaçada pelos intentos golpistas dos militares.
Em respeito à memória do gesto dramático de Getúlio e da célebre Campanha da Legalidade do Brizola, a sociedade brasileira precisa se insurgir ao acordão em andamento para livrar a responsabilidade de altos oficiais e das cúpulas partidarizadas das Forças Armadas.
Anistia outra vez não! Será um erro gravíssimo. A impunidade dos fardados é uma porta aberta para a repetição de novos ataques para a destruição da democracia.
Esta é a mais favorável conjuntura para o Congresso, governo Lula, instituições e sociedade civil enfrentarem a questão militar de modo eficaz e corajoso. Desperdiçar esta oportunidade histórica significa assumir um risco que poderá ser fatal à democracia.
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Hino da Legalidade
Letra: Lara de Lemos e Demósthenes Gonzalez
Música: Paulo César Pereio
Avante brasileiros de pé
Unidos pela liberdade
Marchemos todos juntos com a bandeira
Que prega a lealdade
Avante brasileiros de pé
Unidos pela liberdade
Marchemos todos juntos com a bandeira
Que prega a lealdade
Protesta contra o tirano
Recusa a traição
Que um povo só é bem grande
Se for livre sua Nação
Avante brasileiros de pé
Unidos pela liberdade
Marchemos todos juntos com a bandeira
Que prega a lealdade