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quinta-feira, 28 de julho de 2016

Mauro Santayana escreve sobre o fascismo e sua imbecilidade ilógica, midiota


http://www.maurosantayana.com/2016/07/o-fascismo-e-sua-imbecilidade-ilogica_27.html


Célebre por seus estudos sobre a França de Vichy, Robert Paxton dizia que o fascismo se caracteriza por uma sucessão de cinco momentos históricos: a criação de seus movimentos; o aparelhamento do setor público; a conquista do poder legal; a conquista do Estado; e, finalmente, a radicalização dos fins e dos meios — incluída a violência política — por intermédio da guerra.

O fascismo de hoje se disfarça de “liberalismo” no plano político e de neoliberalismo no plano econômico.

Seu discurso e suas “guerras” podem ser dirigidos contra inimigos externos ou internos.

E sua verdadeira natureza não pode ser escondida por muito tempo quando multidões uniformizadas, quase sempre com cores e bandeiras nacionais, descobrem "líderes" dispostos a defender o racismo, a ditadura, o genocídio e a tortura.

Que, quase sempre, são falsa e artificialmente elevados à condição de deuses vingadores.

E passam a ter seus rostos exibidos em camisetas, faixas, cartazes, por uma turba tão cheirosa quanto ignara, irrascível e intolerante, que os exalta com os mesmos slogans, em todos os lugares.

Repetindo sempre os mesmos mantras anticomunistas toscos, "reformistas" e "moralistas", contra a política e seus representantes — o “perigo vermelho”, a “corrupção” e os “maus costumes”.

Uma diatribe que lembra as mesmas velhas promessas e “doutrina” de apoio a outros "salvadores da pátria” do passado — que curiosamente costumam aparecer em momentos de "crise" aumentados intencionalmente pela mídia, ou até mesmo, a priori, fabricados — como Hitler, Mussolini, Salazar e Pinochet, entre muitos outros.

Não importa que as “bandeiras”, como a do combate à corrupção — curiosamente sempre presente no discurso de todos eles — sejam artificialmente exageradas. 


Não importa que, hipocritamente, em outras nações, o que em alguns países se condena, seja institucionalizado, como nos EUA, por meio da regulamentação do lobby e do financiamento indireto, e bilionário, de políticos e partidos por grandes empresas.

Nem importa, afinal, que a Democracia, contraditoriamente, embora imperfeita, aparentemente — por espelhar os defeitos próprios a cada sociedade — ainda seja, para os liberais clássicos, o melhor regime para conduzir o destino das nações e o da Humanidade.

Como ensina Paxton, na maioria das vezes os grupos fascistas iniciais sobrevivem para uma segunda fase, quando, como movimentos ou ainda como mera tendência, discurso ou doutrina — muitas vezes ainda não oficialmente elaborada — passam a se infiltrar e impregnar setores do Estado.

Esse é o caso, por exemplo, de “nichos” nas forças de segurança, no Judiciário e no Ministério Público, que passam então, também, a prestar dedicada "colaboração" ao mesmo objetivo de "limpeza" e "purificação" da Pátria.

Com o decisivo apoio de uma imprensa — normalmente dominada por três ou quatro famílias conservadoras, milionárias, retrógradas, entreguistas — que atua como instrumento de "costura" e "unificação" do "todo", por meio da pregação constante dos objetivos a serem alcançados e da permanente glorificação, direta ou indireta, do "líder" maior do processo.

Não por acaso, Mussolini e Hitler foram capa da Revista Time, o primeiro em 1923, o segundo em 1938, e de muitas outras publicações, em seus respectivos países, quando ainda estavam em ascensão. Não por acaso, nas capas de jornais e revistas, principalmente as locais, eles foram precedidos por manchetes sensacionalistas e apocalípticos alertas sobre o caos, a destruição moral e o fracasso econômico.

Mesmo que em alguns países, por exemplo, a dívida pública (líquida e bruta) tenham diminuído desde 2002; a economia tenha avançado da décima-quarta para a oitava posição do mundo; a safra agrícola tenha duplicado; o PIB tenha saído de 504 bilhões para mais de 2 trilhões de dólares; e, apesar disso, tenha sido reunida, entre dinheiro pago em dívidas e aplicações em títulos externos, a quantia de 414 bilhões de dólares em reservas internacionais em pouco mais de 12 anos.

Da fabricação do consentimento que leva ao fascismo, e às terríveis consequências de sua imbecilidade ilógica e destrutiva, não faz parte apenas a exageração da perspectiva de crise.

É preciso atacar e sabotar grandes obras e meios de produção, aumentando o desemprego e a quebra de grandes e pequenas empresas, para criar, por meio do assassinato das expectativas, um clima de terror econômico que permita tatuar a marca da incompetência na testa daqueles que se quer derrubar e substituir no poder, no futuro.

Criando, no mesmo processo, “novas” e “inéditas” lideranças, mesmo que, do ponto de vista ideológico, o seu odor lembre o de carniça e o de naftalina.

Como se elas estivessem surgindo espontaneamente, do “coração do povo”, ou dos “homens de bem”, para livrar a nação da “crise” — muitas vezes por eles mesmos fabricada e “vitaminada” — e salvar o país.

Afinal, é sempre com a velha conversa de que irá “consertar” tudo, corrigindo a desagregação dos costumes e os erros da democracia, que sempre apresenta como irremediavelmente, amplamente, podre e corrompida até a raíz — como Hitler fez com a República de Weimar — que o fascismo justifica e executa seu projeto de conquista e de chegada ao poder.

É com a desculpa de purificar a pátria que o fascismo promulga e muda leis — muitas vezes ainda antes de se instalar plenamente no topo — distorcendo a legislação, deslocando o poder político do parlamento para outros setores do Estado e para “lideres” a princípio sem voto.

É por meio de iniciativas aparentemente “populares”, que ele desafia a Constituição e aumenta o poder jurídico-policial do Estado no sentido de eliminar, impedir, sufocar, o surgimento de qualquer tipo de oposição à sua vontade.

Para manter-se depois, de forma cada vez mais absoluta, no controle, por meio de amplo e implacável aparato repressivo dirigido contra qualquer um que a ele venha a oferecer resistência.

Aprimorando um discurso hipócrita e mentiroso que irá justificar a construção, durante alguns anos, de um nefasto castelo de cartas, do qual, no final do processo, sobrarão quase sempre apenas miséria, desgraça, destruição e morte.

É aí que está a imbecilidade ilógica do fascismo.

Tudo que eventualmente constrói, ele mesmo destrói.

Não houve sociedade fascista que tenha sobrevivido à manipulação, ao ódio e ao fanatismo de seus povos, ou ao ego, ambição, cegueira, loucura e profunda vaidade e distorção da realidade de “líderes” cujos sonhos de poder costumam transformar-se — infelizmente, depois de muito sangue derramado — no pó tóxico e envenenado que sobra das bombas, das granadas e das balas.

Fonte: Contexto Livre

quarta-feira, 18 de março de 2015

O que é que dá poder à grande mídia? A audiência sustenta a mídia que controla a audiência



  Extraordinário resumo do processo do círculo vicioso da grande mídia, feito pelo jornalista T.T. Catalão:

"A audiência-corrente transferiu a decisão de existir por si mesmo. Ela só existe por tabela, uma vida de segunda mão. Ela só “vive” se “acontece” na cadeia dramatizada por algo fora de si. O rebanho dócil não é físsil, é fóssil!
“A gente precisa voltar a ser a gente”, escutei de um caboclo de lança do maracatu de Chã de Camará – Aliança (PE). Ele estava entusiasmado com o seu Ponto de Cultura e a chance de recuperar a sua vida. Queria mostrar a sua cara do jeito que ele canta, dança, festeja, come, veste, fala, reza, ama, trabalha e até se revolta...
"Quebrar esse desejo de “voltar ser a gente, mesmo” é a tática que lubrifica a corrente para que o giro não se interrompa. Uma vez desperto a submissão morre e o encanto da sedução dominadora para...
"E se a audiência quebra, o tal público-alvo deixou de estar na mira e a sociedade não é mais um mero “segmento de mercado”... Quebrou-se o encanto imobilizador, rompeu-se a grade da programação... e aí sai da frente (ou de cima) porque quando a base se mexe o salão se move."
 Veja o texto completo clicando aqui.

domingo, 9 de fevereiro de 2014

A Máfia de Branco brasileira, elitista, conservadora e exclusivista, reage contra o Programa Mais Médicos, com a ajuda de Ramona e o Caiado por fora








Extraído do Brasil 247:

Entidades declaram guerra ao programa Mais Médicos

 

 

    O Conselho Federal de Medicina, a Federação Nacional dos Médicos e a Associação Médica Brasileira divulgaram, neste domingo, uma carta de repúdio às condições de trabalho dos profissionais que atuam no âmbito do programa Mais Médicos; pretexto foi o caso da cubana Ramona Rodríguez, que desertou e disse ter trabalhado como "escrava"; nesta segunda, o Ministério Público do Trabalho toma o depoimento da médica, que foi contratada por uma dessas entidades.

   9 de Fevereiro de 2014 às 19:41

   Aline Valcarenghi - Repórter da Agência Brasil 

   Entidades médicas divulgaram hoje (9) carta de repúdio às condições de trabalho dos profissionais, cubanos ou não, que atuam no Programa Mais Médicos. O Conselho Federal de Medicina, a Federação Nacional dos Médicos e a Associação Médica Brasileira alegam que o contrato fere direitos individuais e trabalhistas.
   As entidades querem que todas as denúncias e os "indícios de irregularidades" no processo de contratação de intercambistas e de médicos brasileiros sejam apurados pelo Ministério Público Federal, pelo Ministério Público do Trabalho (MPT) e pelo Supremo Tribunal Federal.

  (10), o MPT ouvirá o depoimento da médica cubana Ramona Rodriguez, que abandonou o programa na semana passada, alegando que recebia menos de 10% do valor pago aos médicos inscritos individualmente.
Amanhã 

  Desde o lançamento do programa, em julho do ano passado, as entidades médicas defendem que a solução para a falta de profissionais em regiões carentes é a criação de uma carreira federal, semelhante à dos magistrados, para médicos do Sistema Único de Saúde, além da estruturação dos locais de atendimento.

   Os profissionais inscritos individualmente no programa recebem bolsa formação no valor de R$ 10 mil para trabalhar na atenção básica de regiões carentes que não conseguem atrair médicos. Eles não têm vínculo empregatício com o Ministério da Saúde, pois, segundo a pasta, participam de uma especialização na atenção básica, nos moldes de uma residência médica.

   Já os cubanos, que são 5.378 dos 6.600 profissionais do programa, chegam ao Brasil por meio de um acordo entre os governos dos dois países, intermediado pela Organização Pan-Americana da Saúde (Opas). O governo brasileiro faz o pagamento à Opas e a organização repassa para Cuba, que fica com parte da verba.

Familia de Caiado mantém trabalho escravo em suas fazendas :

http://reporterbrasil.org.br/2010/08/fazenda-de-primo-de-ruralista-mantinha-trabalho-escravo/ Fazenda de família de Ronaldo Caiado mantém trabalhadores escravizados.

http://altamiroborges.blogspot.com.br/2013/09/os-escravos-do-ruralista-caiado.htmlOs escravos
de Ronaldo Caiado.

http://www.brasildefato.com.br/node/1482 Familia Caiado e seus escravos nas Fazendas.

http://mateusbrandodesouza.blogspot.com.br/2013/09/ronaldo-caiado-e-contra-o-trabalho.html Ronaldo Caiado votou contra a PEC do Trabalho Escravo.


Texto de Fernando Britto, do Tijolaço:

CFM quer que cubanos “escravos” deixem de atender doentes e sirvam cafezinho para “médicos livres”


Chega a ser nojenta a notícia de que o Conselho Federal de Medicina fará uma campanha entre os médicos brasileiros para que ofereçam “empregos administrativos” em seus consultórios e hospitais para os médicos cubanos que “desertem” e abandonem seus postos de atendimento na periferia e no interior do Brasil.
— Vamos dar apoio aos cubanos, mas eles não poderão trabalhar como médicos. Primeiro, eles terão de buscar refúgio e asilo em embaixadas não alinhadas ideologicamente com Cuba. Enquanto isso, com a rede de 400 mil médicos brasileiros, vamos conseguir contratos de trabalho administrativo, para que eles então tentem o Revalida — afirmou neste domingo o presidente do CFM.
O que estes “doutores” querem? Não se contentam em ser desprezados pelo povo brasileiro, querem levar as pessoas pobres que viram um médico pela primeira vez na vida, de volta ao abandono total?
Afinal, quem quer reduzir quem à condição de escravos, de seres inferiores e incapazes senão de servir aos senhores?
Vão lhe servir cafezinho e vocês tolerarão, por isso, que usem a roupa branca?
Vão ser os seus “negrinhos”? Como aquela imbecil que disse que as médicas cubanas tinham cara de “empregada doméstica”.
E que beleza, não é, nem direitos trabalhistas terão, porque não têm visto de trabalho no Brasil para nada senão o que são: médicos de família, doutores em medicina social.
Ou será que os estão provocando até que um deles, em nome de sua dignidade, lhes esbofeteie?
E aqueles brasileiros que estão lá, onde vocês não querem ir, nem ganhando quatro vezes mais do que os cubanos?
É gente simples, que não tem ninguém que olhe por ela, que suplica, implora , se ajoelha, até, para que se cuide de um filho doente.
Os dirigentes destas instituições não fizeram o Juramento de Hipócrates?
Não é possível que tenham prometido nunca  ”causar dano ou mal a alguém.”
A mesquinhez e a crueldade de parte da elite brasileira chegou ao extremo.
Já não lhes basta viver na abundância: é preciso que os pobres morram na doença e no abandono.

sábado, 28 de janeiro de 2012

A Indústria farmacêutica, a perigosa propaganda de medicamenos e a mídia comercial no Brasil



Carlos Antonio Fragoso Guimarães

  Todos, ou ao menos quase todos, sabem das relações entre indústria, que visa ao lucro na produção e comercialização de produtos, e mídia, que visa ao lucro pela divulgação de publicidade voltada para a influenciação do comportamento que vise à compra dos produtos da indústria, o que lhe garante mais lucro, igualmente. Ambas, indústria e mídia, são irmãs siamesas, ligadas pela  poderosa publicidade, não importando muito o impacto desta ligação comercial para as pessoas ou para o meio ambiente.

  Pois bem, como a poderosíssima Indústria Farmacêutica é um dos filões mais rentáveis da mídia (especialmente da televisão) esta última fará de tudo para apoiar aquela, passando por cima das consequencias nocivas da automedicação e da venda de produtos farmacêuticos com pouco ou nenhum controle ao público (aliás, quanto menos controle mais publicidade e, consequentemente, mais vendas e lucros tanto para a indústria farmacêutica quanto para a mídia). Não chega, pois, a espantar (embora chegue a revoltar) a tendenciosidade da Rede Globo no Jornal Nacional do último dia 27 de janeiro em apoiar o processo contra as tentativas da ANVISA de regulamentar a propaganda de medicamentos, com vistas ao bem-estar e à saúde pública diante do incentivo da auto-medicação que é feita pela publicidade televisiva de medicamentos. A Globo visa tão somente ao lucro e o filão da propaganda de remédios é um dos mais lucrativos! Muitas vezes a mensagem das propagandas envolvem elementos outros (como força, capacidade intelectual, etc.) que não estão vinculados primariamente aos efeitos dos medicamentos publicizados e muitas informações importantes, como efeitos colaterais nocivos e princípios ativos e modo de uso, são simplesmente negligenciados.

   Disso se deduz que o paradigma tanto da indústria, quanto da publicidade e da mídia, é de que o povo é simplesmente uma massa passiva de manobra a ser explorado amplamante, pouco se importando com as consequências (que podem ser graves ou mesmo fatais) de seus objetivos...