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domingo, 18 de outubro de 2015

Considerações sobre a Ideia da Reencarnação Ontem e Hoje



Considerações sobre a Ideia da Reencarnação Ontem e Hoje: Uma Abordagem Científica, Histórica e Psicológica.


Carlos Antonio Fragoso Guimarães


Mente e Cérebro


Memória Extra-Cerebral.... É este o termo usado por cientistas e parapsicólogos para as lembranças espontâneas de certas crianças que, geralmente a partir do começo da fala - ao redor dos dois anos -, parecem demonstrar recordações referentes a pessoas e fatos existentes e/ou ocorridas antes de seu nascimento (STEVENSON, 1995; ANDRADE, 1993; SHRONDER, 2001). As crianças que as narram não dizem lembrar-se que vêem tais pessoas ou fatos, como se falassem de alguém na terceira pessoa, mas afirmam elas que são estas pessoas e que vivenciaram pessoalmente esses fatos narrados.

  A memória extra-cerebral traz em si, diante da visão de mundo dominante, um incômodo paradoxo: a de que as lembranças narradas (e, em vários casos, posteriormente confirmadas através de documentos, etc., como nos clássicos estudos do Dr. Ian Stevenson) não foram registradas na mente através da aparelhagem neuropsicológica do sujeito que as detêm, mas, a principio, pelo “cérebro” e demais órgãos sensoriais de uma outra pessoa, impreterivelmente morta à época em que a criança espontaneamente narra suas lembranças muitas vezes com referências saudosas a outras famílias e a outros locais que em vários casos não estão em relação com a família da criança hoje (STEVENSON, 1995; ANDRADE, 1993; SHRODER, 2001). Este fenômeno faz questionar se o modelo mecanicista da mente dominante na ciência não será limitado demais, acanhado demais... Pois o fenômeno parece ter um substrato psíquico não necessariamente associado ao sistema nervoso atual da criança que recorda.

Hoje, a pesquisa da Memória Extra-Cerebral adentra os corredores das universidades. Entre estas, temos de destacar as pesquisas iniciadas pelo Dr. Ian Stevenson na Universidade de Virgínia, Estados Unidos, onde foi professor de Psiquiatria e Psicologia e, mas recentemente, chefe da Divisão de Estudos da Personalidade. A Psychical Research Foundation, da mesma universidade, possui uma revista própria, científica, dedicados a todos os aspectos metodológicos da pesquisa que sugiram a sobrevivência após a morte do corpo físico, incluindo todos os fenômenos parapsicológicos espontâneos, como aparições, poltergeists, etc., além dos estudos de casos de Memória Extra-Cerebral. A revista chama-se THETA, não sem razão o nome dado, nos estudos Psi, aos prováveis agentes não-físicos causadores de vários dos fenômenos paranormais ligados à teoria da sobrevivência - a letra grega Teta é a primeira da palavra tânatos, ou morte, em grego. As pesquisas neste sentido realizadas por pesquisadores da Universidade de Virgínia ganharam o nome de “Projeto THETA”.

  Diversos fatores diferenciais são utilizados como métodos e técnicas de indícios de Reencarnação. Citemos:

1)                            Experiências de Regressão de Memória Artificialmente Provocadas quer seja através de hipnose ou de relaxamento profundo. Tem o inconveniente de que a sugestão da regressão possa provocar lembranças fictícias para atender a expectativa do hipnólogo, mas, ao mesmo tempo, pode atingir realmente instâncias profundas do inconsciente e auxiliar muito na solução de problemas emocionais nos quais as terapias convencionais falharam em resolver (PINCHERLE, 1990);

2)                            Regressão de Memória Espontânea. Caso raro, em que certas pessoas entram em transe espontâneo e recordam de eventos prováveis de vidas passadas;

3)                            Memórias Espontâneas. Geralmente ocorrem em crianças e adolescentes que, em dado momento, começam a recordar nitidamente reminiscências ligadas a uma personalidade que elas dizem ser, só que em outro tempo e lugar. Em algumas destas lembranças existem marcas de nascença que, de alguma forma, estão ligados a traumas físicos que as crianças dizem ter causado a morte na sua vida anterior.


  Entre os primeiros investigadores europeus a realizar estudos sobre memórias espontâneas ligadas a marcas de nascença, esta o Dr. Resart Bayer, psiquiatra e presidente da Sociedade Turca de Parapsicologia. Fala o Dr. Bayer que “Certos sinais ou marcas congênitas, muito evidentes, como cicatrizes, etc., que não têm explicações dentro das leis biológicas mas que obrigatoriamente têm de ter uma causa” geralmente associadas às lembranças espontâneas, e obrigam a ciência a ocupar-se com seriedade destes fenômenos.


    Apesar de todo o desenvolvimento técnico e científico no estudo do sistema nervoso e do cérebro, em especial, com a compreensão sempre crescente dos papeis bioquímicos de enzimas ao nível do substrato orgânico neural - como hormônios e outras substâncias possuindo extraordinária importância nas sinápses (ligação e comunicação) entre os neurônios, base do funcionamento do sistema nervoso, cuja deficiência pode, sem dúvida, causar vários sintomas patológicos graves -, ainda não se pode afirmar ou  provar que a mente e o cérebro sejam a mesma coisa ou que a primeira seja o produto da segunda, assim como se um programa de tv fosse o produto do funcionamento de um aparelho de televisão, ou que os defeitos na  imagem  de um  programa  são  epifenômenos  do aparelho  de  televisão defeituoso.   Além  do  mais,  é tremendamente difícil definir o que é causa e o que é efeito dentro da relação mente e cérebro, principalmente no que diz respeito ao comportamento humano e padrão bioquímico.


    A questão fica ainda mais melindrosa, em termos psicológicos, quando nos damos conta de que existem inúmeras teorias da personalidade e do comportamento humano, cada uma baseada em certas premissas básicas mais caras a cada teórico, com as psicoterapias conseqüentes. De um modo muito preciso, a velha fábula do elefante e dos três cegos parece se adequar maravilhosamente bem a esta situação. Ken Wilber deu um trato mais promissor a este fato ao propor que cada escola ou teoria psicológica seria mais adequada à explicação de uma série de comportamentos específicos dentro de um "espectro" de comportamentos possíveis  ao  desenvolvimento  humano.   Assim, teríamos desde um quadro mais mecanicista, dado, por exemplo, pelo behaviorismo radical, até os mais avançados, como o da Psicologia Transpessoal. Cada escola estando, dentro dos seu enquadramento teórico, relativamente certa, nestas condições.


     Em termos populares, a consciência normal, o sentido de EU, é dado pela consciência comum do estado de vigília,  que nos permite usar do raciocínio e da inteligência para lidarmos com as situações da vida diária. Ela é auxiliada em sua sensação de identidade por um "banco de dados"  acessível que constitui a nossa memória.   Um outro  "banco de dados" possui  um imenso arquivo sobre nossas experiências vivenciais, mas é mais difícil de ser acesssado, mesmo que estes dados possam ser recuperados após  algum tempo. Este estaria no limiar entre o consciente e o inconsciente...   

  Alguns autores preferem chamar este limiar de subconsciente, mas não creio que este jogo de rótulos tenha muito a  acrescentar  enquanto compreensão  do fenômeno. Já um outro conjunto de dados ainda mais rico e profundo, talvez  o  mais rico de todos,  está totalmente imerso no inconsciente, sendo extremamente difícil de recuperar seus "arquivos" por via da "vontade" consciente do sujeito. Este último contém dados da vida da pessoa, da nossa vida presente, desde a infância (Sigmund Freud) e até mesmo da vida intra-uterina e de ao redor do nascimento (Otto Rank). Mas as atuais experiências e psicoterapias de regressão  nos mostra, ou pelo menos nos permite inferir, que este "banco de dados" possui informações referentes à pessoa que vão bem além deste período (Weil, 1979; Pincherle e al, 1985, 1991; Fadiman & Frager, 1986; Grof, 1988;), ou seja, anteriormente à concepção do indíviduo na presente vida.

    A chamada Terapia de Vida Passada, ou TVP, tal como vem se apresentando hoje em dia - e explorada de modo um tanto sensacionalista e superficial pela televisão - baseia-se em observações e pesquisas que vêm sendo realizadas já há mais de três décadas. O fenômeno em si não parece ser novidade. Desde  o século XIX, quando a hipinose foi resgatada, ou melhor, passou a ser respeitada (em parte) pela ciência, a partir dos trabalhos de Jean Charcot e da primeira fase de estudos de Sigmund Freud, e mesmo antes, que se conhecia o fato de pessoas relatarem vivências e lembranças do que se pensava (elas mesmas o diziam) serem fatos de uma vida diferente da atual (vide autores que citam tais lembranças em diferentes sujeitos, como Delanne,  de Rochas e outros). 

  Em nosso século, pesquisas como as realizadas por Ian Stevenson (Stevenson, 1966), David-Neel e por outros pesquisadores reconhecidos na comunidade científica, incluindo o professor Hernani Guimarães Andrade (Andrade, 1987, 1990), demonstram que histórias envolvendo a hipótese da reencarnação, principalmente envolvendo crianças, são consistentes e foram verificadas com exatidão em inúmeros casos, em diversas culturas (Fadiman & Frager, 1986). Além do mais, em psicoterapia - qualquer que seja a escola -, algumas lembranças vívidas tendem a surgir em determinadas pessoas quando estas se acercam da problemática capital que as afligem, durante o processo da psicoterapia, problema este constelado e imerso no inconsciente, e que dificilmente pode se enquadrar na história biográfica conhecida do cliente/paciente (Pincherle, 1991; Grof, 1988). 


    Morris Netherton, ao formular, junto com outros psicoterapêutas, as bases da Past Life Therapy, tomou por base a pesquisa da consciência mais recente, bem como dos estudos em neurofisiologia mais atual, como, por exemplo, a da teoria holográfica da mente de Karl Pribam, e mesmo do universo holonômico do físico David Bohm. Também se espelham nos trabalhos fantásticos de teóricos e terapêutas não plenamente cartesianos, como Jung e Assagioli, e de autores como Maslow e Rogers (este, principalmente em sua última fase). Assim, a Terapia de Vida Passada, ou TVP , deve ser considerada uma forma psicoterapêutica enquadrada no universo da Psicologia Transpessoal, sendo tecnicamente orientada para problemas psicológicos específicos do trabalho com o inconsciente profundo. 

 A técnica básica da TVP já é bem conhecida: utiliza-se técnicas de relaxamento profundo - o que pode incluir ou não a hipnose -, possibilitando ao cliente/paciente uma sensação de tranquilidade e confiança necessários ao afrouxamento das defesas psíquicas, o que permite o fluir das correntes de pensamento e das imagens mnemônicas mais profundas, advindas do inconsciente, que estejam ligadas ao problema - ordinariamente um trauma psicológico. Este estado permite ao terapêuta levar o cliente/paciente a níveis de regressão sem limite de tempo, pois, como já o havia dito Freud, tempo e espaço são conceitos que não fazem sentido para o inconsciente.


  Estas regressões podem atingir traumas que foram gerados em algum momento da hitória biográfica atual do indivíduo, ou em experiências do trauma do nascimento (experiências perinatais, muito bem estudadas por Stanislav Grof), ou podem ir mais além, naquilo que o paciente/cliente vividamente sente como sendo uma outra vida anterior à atual. Em casos extremos, esta mesma técnica pode levar à percepções extraordinaras de consciência, próprias do campo de estudo da Psicologia Transpessoal. Estas traumas geralmente envolvem outras pessoas da conviência do cliente/paciente, quer do meio familiar ou não. O fato mais importante é que geralmente as relações interpessoais do sujeito com estas pessoas, numa primeira etapa, podem ser problemáticas, devido ao trauma que é revivido e trabalhado nas sessões de regressão. Normalmente, a solução do conflito interno ao sujeito leva igualmente à melhoria das suas relações interpessoais com estas pessoas no agora. As objeções de que estas memórias são provindas do nível atávico-genético não se sustentam perante o fato de que alguns relatos envolvem outras culturas em épocas mais ou menos recentes (por exemplo, uma criança nascida no Brasil, de família descendente de portugueses há muito  migrados para o país, pode relatar a vivência de uma outra vida passada na Itália, durante a Segunda Guerra. Ver Andrade, 1990).


    Mesmo as mais recentes e profundas pesquisas em Psiquiatria apontam timidamente para o fenômeno de regressão espontânea da memória vinculado coma experiência de vidas passadas. O psiquiatra e teórico Stanislav Grof nos descreve isto, em seus estudos com drogas psicodélicas e seus efeitos, nas seguinte palavras:


    "Outra observação interessante desse tipo [ emergência de conteúdos do inconsciente ] foir feita em conexão com experiências de encarnação anterior, em sessões psicodélicas. Alguns sujeitos do [ experimento clínico com ] LSD experimentaram, de vez em quando, seqüências vívidas e complexas de outras culturas e períodos históricos que têm todas as qualidades de memórias e são, de modo geral, interpretadas pelos próprios indivíduos como um reviver de epsódios de vidas prévias. À medida que essas experiências se desenrolam, os sujeitos do LSD geralmente identificam certas pessoas de sua vida presente como protagonistas importantes dessas situações cármicas. Neste caso, tensões interpessoais e problemas e conflitos com essas pessoas são frequentemente reconhecidos ou interpretados como derivados diretos de modelos cármicos destrutivos. O reviver e a solução dessas memórias cármicas são associados, de modo típico, com profundo alívio, libertação dos opressivos "vínculos cármicos", sentimentos de êxtase irresistível e realização por parte do sujeito (...). A sensibilidade, o comportamento, as atitudes de indivíduos indentificados pelo sujeito do LSD como protagonistas na seqüência da encarnação anterior tendem a mudar, numa direção específica, em coerência básica com os eventos da sessão psicodélica (...) (Grof, 1988, p. 32).

Sendo assim:

    "Se o conhecimento de mecanismos {materiais} íntimos do funcionamento cerebral nos deu os primeiros remédios realmente eficazes para [o controle de] certas patologias psíquicas, a abertura maior das psicoterapias para [o contínuum] eternidade do espírito e a [consciência holográfica] cósmica [ou transpessoal] permite uma visão, pelo menos teórica, de uma enorme fenomenologia geralmente desprezada pela ciência 'oficial' "(Pincherle, 1991, p. 18, com adaptações). 

  Tudo isso é necessário expor para apontar, como já o fizera Thomas Kuhn, Fritjof Capra, e outros, de que muitos dos cientistas modernos de renome se limitam em seus estudos pelas janelas de seus referenciais teóricos, concepções de mundo, paradigmas e visões de mundo, e negligenciam fenômenos que a medicina e a psicologia acadêmicas pouco levam em consideração, quando não chegam a usar plenamente o mecanismo de defesa da negação ao se depararem com tudo aquilo que não lhes é compreensível dentro do contexto newtoniano-cartesiano, mas que vêm recebendo especial atenção de vários pesquisadores de vanguarda da física quântica, como David Bohm, Niels Bohr, Fritjof Capra, Erwin Schrödinger, e muitos outros.    


A Idéia da Reencarnação Através dos Tempos


    É plenamente conhecido que a idéia de reencarnção faz parte da cultura dos povos orientais, particularmente aos que adotam religiões e filosofias profundas como o Budismo e a Hinduismo, geralmente vistas como 'exóticas'. Menos reconhecido, porém é o fato de que esta idéia também está presente na herança intelectual do ocidente. 


  Os gregos, por exemplo, a reconheciam como uma hipótese válida, e os órficos (ver a Home Page Orfeu e o Orfismo), que representavam a casta do sistema religioso mais avançado dos gregos (Reale & Antiseri, volume 1, 1993; Reale, volume I, 1994), expunham  sua concepção paligenésica (da reencarnação) numa roupagem filosoficamente avançada, que influenciou sobremaneira Sócrates e Platão , dentre outros. Platão, especialmente, nos legou fortemente sua crença na reencarnação, como podemos ver, entre outros diálogos escritos por ele, no Fédon. Antes dele, Pitágoras também a adotou como condição sine qua non para a evolução plena da alma. Posteriormente, Plotino e Orígenes, o Cristão, também a divulgariam. São Clemente de Alexandria (posteriormente cassado pela Igreja Católica) também a considerava uma doutrina de profundo sentido. 


  Na Europa gaulesa e britânica, os druidas acreditavam na reencarnação em termos semelhantes aos gregos e budistas, e os hebreus, na fase helênica, não a desconheciam, sobretudo pelo intercâmbio com o mundo greco-romano, donde a idéia de ressureição ter algo consfuso da idéia da reencarnação (por isso as passagens em que se diz que Jesus ou João  Batista seriam a ressureição de algum profeta antigo, como se pode ver em algumas passagens dos evangelhos, como em Mateus, 17, 11-13; Marcos, 9, 11-13; João, 3, 3-7 e Lucas 1, 17). Enfim, enquanto culturalmente em outras partes do mundo a idéia na reencarnação era discutida e endossada, pelo menos como uma proposta filosófica coerente, ela teve lugar no pensamento ocidental e como parte da doutrina cristã até o Consilho de Constantinopla de 533 DC, quando, por motivos políticos, foi formalmente repudiada pelo clero (Fadiman & Frager, 1986, p. 176).

   Mesmo assim, esta idéia persistiou entre as pessoas que tinham acesso aos filósofos clássicos e ao contato com as crenças antigas. Os Cátaros, no século XII, especialmente, tinham uma visão cristã original, onde a idéia da reencarnação era vista como verdade inquestionável. E foi este, entre outras coisas (ameaçando o poder ideológico e econômico da igreja de Roma, principalmente, devido à crescente popularidade que possuia, contestando a hegemonia imperialista típica da Igreja Romana) que levou à única cruzada em solo europeu da história,  objetivando a elimiação do pensamento cátaro com uma truculência assassina que parecia prever os posteriores misteres macabros da Inquisição, por parte das forças católicas, num requinte de perversidade aterrador. O movimento cátarista foi um dos muitos precursores da inevitável reforma protestante de Lutero e outros. Posteriormente aos cátaros, outros movimentos sentiram a mão de ferro da inquisição, que teve um de seus mais famosos  lumiares em Giordano Bruno, queimado em 1600, e que defendia idéias bastante fortes contra o sistema de crenças dogmáticas da Igreja de Roma, o que incluia a reencarnação.
   
  No século XIX, o contato com as doutrinas orientais, particularmente a Budista, trouxe à tona novamente o estudo da paligênese, e com desenvolvimento do Espiritismo e de outras correntes de pensamento, estimulou-se um ressurgir do interesse sobre a reencarnação. As smiliaridades entre o que diz o espiritismo moderno e a concepção budista da reencarnação, que também é evolucionista, não podem ser negligenciadas, ainda que alguns pseudo-intelectuais queiram passar a idéia de que expressem coisas opostas. 

    Hoje em dia, como vimos, a tese da reencarnação passou da esfera religiosa e filosófica para a área da pesquisa científica. Devemos ficar, pois, atentos ao progresso desta pesquisa, com as conseqüências sem dúvida de grande gravidade que elas poderão trazer à nossa visão de mundo e, conseqëntemente, à forma de como nos comportamos em relação a nós mesmo e a nossos semelhantes. E, como nos falam os Doutores James Fadiman e Robert Frager, "se há a possibilidade de aceitar o fenômeno, então a possível origem da personalidade e das características físicas pode incluir eventos ou experiências de encarnações anteriores. Tudo o que se pode afirmativamente dizer é que existe uma evidência fatual que não pode ser facilmente descartada" (Fadiman & Frager, 1986, p. 176).


 João Pessoa, Paraíba, 05 de maio de 2003.

  Bibliografia  
  • Andrade, Hernani Guimarães,- Morte, Renascimento, Evolução, Ed. Pensamento, São Paulo, 1987.
  • Andrade, Hernani Guimarães. - Reencarnação no Brasil, Editora O Clarim, Matão, 1990.
  • Fadiman & Frager,- Teorias da Personalidade, Editora Harbra, São Paulo, 1986.
  • Grof, Stanislav, Além do Cérebro, MGraw-Hill; São Paulo, 1986.
  • Tendam, Hans, Panorama Sobre a Reencarnação, volumes I e II, Summus Editorial, São Paulo, 1994.
  • Pincherle e colaboradores, Terapia de Vida Passada, Summus Editorial, São Paulo, 1991.
  • Reale, G. & Antiseri, D.,   História da Filosofia, vol. I e II. Editora Paulus, São Paulo, 1993.
  • Reale, Giovani. História da Filosofia Antiga, Volumes I e IV. Editora Loyola, São Paulo, 1994.

  • Shroder, Tom. Almas Antigas – A busca de evidências científicas da reencarnação. Rio de Janeiro, Sextante, 2001.

  • Stevenson, Ian, Twenty Cases Suggestive of Reincarnation. Proceedings of the American Society for Psychical Reseach, vol. 26. New York.
  • Stevenson, Ian, Reincarnation and Biology,, vol. 1: Birthmarks; Vol. 2: Birth Defects and Other Anomalies. Esport, Connecticut. Prager, 1997
  • Weil, Pierre,- Fronteiras da Evolução e da Morte. Ed. Vozes, Petrópolis, 1979.
  • Weil, Pierre.- A Morte da Morte, Ed. Gente, 1995.









segunda-feira, 28 de setembro de 2015

Estudo busca decodificar palavras finais dos moribundos

  Projeto delineado por uma poetisa gera um estudo da Universidade Bryn Athyn, do Condado de Montgomery, EUA, que irá gravar as palavras de pessoas que morrem em casa, sob os cuidados médicos. O objetivo é analisar as mudanças das comunicações dos moribundos, nas últimas seis semanas de vida, a fim de tornar o processo menos misterioso - e assustador - para os familiares e prestadores de serviços médicos.



No início do evento "The Unintelligible Afterlife: What Deathbed Conversations Tell Us About a World Beyond" - "A ininteligvel pós-vida: O que Conversas leito de morte diz-nos sobre o Mundo do Além", (da esquerda) o moderador Curtis Childs com Raymond Moody Jr., Lisa Smartt, Erica Goldblatt Hyatt, Dan Synnestvedt, e o Rev. Jonathan Rose. 

Segue artigo de Stacey Burling, membro da equipe de redação do jornal Inquirer, publicado em 28 de setembro de 2015

Tradução: Carlos Antonio Fragoso Guimarães


 Lisa Smartt, uma poetisa e linguista, ficou fascinada pelas belas, estranhas e enigmáticas palavras dos moribundos a partir do que vivenciou durante os últimos dias de seu pai, em 2012.

  "Eu não posso chegar, Jack", disse ele. "Minha parte está quebrada." E também "Há tanta coisa triste." E, o que mais a surpreendeu, porque ele não era um homem religioso: "Lisa, você estava certa sobre os anjos!"

 Ela começou o Projeto Palavras Finais para recolher outros pensamentos dos que partem e que eram enviados por várias pessoas a ela. Não era, então, uma pesquisa científica. Eram apenas palavras que os parentes haviam tido tempo de gravar e que tinham considerado significativas.

 Seu projeto, porém, gerou um estudo do Bryn Athyn College, Faculdade do Condado de Montgomery, que irá gravar as palavras - todas elas - de pessoas que morrem em casa, sob cuidados médicos. O objetivo é analisar como se dão as mudanças das comunicações, nas últimas seis semanas de vida, a fim de tornar o processo menos misterioso - e assustador - para os familiares e prestadores de serviços médicos.

  O estudo pioneiro será dirigido por um trio incomum: a própria Smartt, Erica Goldblatt Hyatt,  professora de psicologia na faculdade, e Raymond Moody Jr., que é famoso pelos estudos das experiências de quase-morte - EQM - (termo que ele cunhou em 1975) e que, mais recentemente, vem focando-se em categorizar o discurso aparentemente sem sentido dos moribundos. Seus 70 tipos irão fornecer um modelo para analisar algumas das expressões  estranhas comumente ouvidas.

  Os três falaram no último fim-de-semana para mais de 400 pessoas no Bryn Athyn College's Mitchell Performing Arts Center. O evento, intitulado "A Ininteligível Pós-Vida: O que Conversas no Leito de morte conta-nos sobre o Mundo do Além", arrecadou dinheiro para a pesquisa. Goldblatt Hyatt disse a concessão para um financiamento foi negada porque o projeto não se enquadra nas categorias habituais (Nota do Tradutor: isso ocorre sempre: qualquer pesquisa que não se enquadre no paradigma mecanicista padrão e/ou não ofereçam um retorno lucrativo imediato são frequentemente descartadas pelo establishment ordinário. Por isso, por exemplo, a escassez de recursos para estudos voltados para a Ecologia ou as áreas de humanidades). Ela espera envolver de cinco a 20 pessoas neste estudo, este ano.

 Apesar do título provocativo, Goldblatt Hyatt disse que, para ela, o estudo não é destinado primariamente a encontrar evidências de que as pessoas que estão morrendo estão fazendo a transição para um mundo espiritual.

"Eu sou muito cética em relação a linguagem de uma vida após a morte", disse ela. "Nós não estamos pesquisando para provar que a consciência existe após a morte."

  O trabalho de Moody, narrando luzes brilhantes testemunhadas próximos ao leito de morte, experiências de saída do corpo (out-of-body experiences) e encontros com falecidos por pessoas à beira da morte ou das  que as assistem é vista por muitos como evidência de vida após a morte. Mas ele também advertiu sobre a leitura determinista que fazem dos fenômenos que estuda.

 "Se os nossos espíritos vivem é uma importante questão filosófica que a ciência ainda não é capaz de investigar", disse Moody. Um filósofo de formação antes de se tornar médico, Moody, 71 anos, é um curioso enérgico e contagiante.

  Ele questiona a ideia de que as visões são o resultado do morrer dos cérebros, dizendo essas coisas também têm sido experienciadas por pessoas que passaram por algum trauma, tipo acidentes, mas que eram saudáveis.

 Dos três, Smartt é a que mas expressamente vê as palavras dos moribundos como uma janela potencial para alguma outra coisa. Como ela escreve em seu site: "É possível que a linguagem do fim da vida seja uma linguagem de 'transição', que emerge como parte da transição da vida aqui na terra para outra vida, ou outra dimensão."

 Outra possibilidade, disse ela durante seu discurso de sábado, é que a forma como as pessoas falam no final pode revelar mudança de habilidades. "Será que estamos ligados para alguma experiência transcendental no final da vida?" perguntou.

 Ela disse que metáforas sobre viagens e grandes eventos figuram com destaque em muitas das últimas palavras enviadas a ela.  Também falam os moribundos de estarem a ver outras pessoas em salas que aparecem vazias para seus familiares.

  Moody disse ser um absurdo afirmar que as declarações não fazem sentido por estarem aparentemente erradas ou por parecerem inventadas ou não combinarem.  

 No final da vida, disse ele, as pessoas frequentemente dizem coisas que não fazem sentido. Contudo, também é bem comum, afirmou, os parentes, ou outros, dizerem : "Eu sabia que era algo sem sentido, mas, no fundo da minha mente, eu senti que eu sabia, que eu entendia"

  Ele então perguntou quantos na platéia tiveram uma experiência semelhante. Muitas mãos elevaram-se.

  As pessoas estão mais propensos a lembrar as últimas palavras que fazem sentido, disse ele. Ele está animado que o novo estudo irá gravar toda uma linguagem, dando uma melhor visão sobre como a mente está mudando.

  Goldblatt Hyatt disse que ela estava "intrigada com a ideia de que as palavras dos moribundos pode significar mais do que a vida pode apreciar." Ela quer desembaraçar padrões lingüísticos e analisar temas psicológicos. Ela está interessada em saber se a personalidade permanece estável durante o processo de morrer e se as visões descrevem algo ou as metáforas que eles usam refletem as crenças que tiveram ao longo de suas vidas.

  O trabalho, segundo ela, pode tornar mais fácil para as famílias "entrar na realidade" de que seus entes queridos morrem, ao invés de negá-la.

 Matthew Mendlik, um neurologista e um médico de cuidados paliativos na Universidade da Pensilvânia, disse que as pessoas que têm experiências de quase-morte são diferentes das que estão efetivamente morrendo de uma maneira que pode ser cientificamente significativa: Eles sobreviveram. Ele acrescentou que grande parte da forma como o cérebro funciona, tanto quando é saudável quanto quando ele está morrendo, permanece um mistério.

 Não é surpreendente, disse ele, que possa haver experiências comuns quando o corpo declina. "Eles chamam a morte de a grande equalizadora por uma boa razão."

  Ele disse que o delírio, que faz com que haja visões, é comum no final da vida. No entanto, ele disse, não sabemos por que visões particulares acontecem  (Nota do Tradutor: este e a afirmação padrão dos médicos que estão atrelados ao apradigma mecanicista convencional. Contudo, pesquisas em EQM, como as levadas recentemente pela Universidade de Southampton, Reino Unido, questionam esta forma reducionista de explicar os fatos. Por vezes, o "fantasma!"  visto pelo moribundo pode ser visto também por outras pessoas, sejam parentes ou pessoal de saúde. Clique aqui para saber mais).

  Ele concordou que é comum para os moribundos começar a ver ou falar com as pessoas que estão mortas há muito tempo. Isso, segundo ele, "é um dos marcadores para nós que as coisas estão se direcionando para o fim."

  Não são as palavras finais a dizer ao parente que está a morrer o que as famílias lhe perguntam mais freqüentemente ao médico. Eles são muito mais propensas a querer saber o que fazer quando seus entes queridos param de falar. Elas perguntam se eles ainda podem ouvir e entender.

Sempre assumi que eles podem, diz ele.

sburling@phillynews.com

215-854-4944