Do canal MR ED:
Do Canal da Associação Brasileira de Pedagogia Espírita:
Dora Incontri e Sergio Mauricio entrevistam Alessandro César Bigheto e Marcio Salles Saraiva - ambos coautores do livro Espiritismo, Sociedade e Política - Projetos de Transformação. No livro, estão representados diversos matizes de pensamento espírita à esquerda, todos buscando inspiração em Kardec e em diálogo com correntes socialistas e anarquistas.
Conheçam o site Espíritas à Esquerda - http://espiritasaesquerda.com.br/ O link para a pré-venda do livro - https://editoracomenius.com.br/produc... Siga a ABPE no instagram: https://www.instagram.com/pedagogia_e...
Unindo os diálogos, deixo pimentas espalhados pelos séculos de história para cozinhar o caldo dos leitores: É possível traçar uma linha condutora entre a Cruz e os eventos contemporâneos, dos quais destaco, a concentração da riqueza, o narcisismo individualista, a revolução tecnológica e, especialmente, a união entre fé e razão?

Nos últimos dias, tive a oportunidade de conversar com dois seres absolutamente marcantes na minha trajetória. O primeiro, Reinaldo Paublo, o pai que ganhei da vida, assim como, sua esposa Andréia e meus irmãos, Gabriel e Anderson, este último que nos presenteou com Lorena e meu sobrinho Rafael. O segundo, foram as conversas prodigiosas com Luiz Gonzaga Belluzzo a respeito de Hegel, Marx e o novo livro de Jürgen Habermas, o qual escolhemos não nos arriscar na leitura da edição alemã e esperamos a tradução para o inglês.
Reinaldo faz do tipo “paizão”, habita nele um coração que mal cabe em seu peito, embora sua experiência seja denunciada pelos cabelos brancos, misturados aos loiros que ainda lhe restam. Comungamos da mesma fé e sempre que nos encontramos, o papo vai e vem e acaba na mais deliciosa das discussões: o estudo e compartilhamento do espírito cristão. Sempre me despeço renovado, pois embora não tenha completado o seminário de teologia, o famoso “Juca”, amealhou tamanha reflexão sobre as escrituras que receber dele tal conhecimento é um deleite para os ouvidos e uma benção para o coração.
Discordando ao concordar, fomos do livro de Genesis ao Apocalipse, passando pelo Velho Testamento, perambulando pela história de Israel e dos povos gentis, e terminando na Cruz de Cristo. A pergunta que rodeou nossa conversa é a mais fundamental, e curiosamente a mais esquecida de todas dentre os círculos daqueles que hoje se denominam “cristãos”: “qual o sentido da morte e ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo?”
Séculos de filosofia escolástica, rodearam estas questões, até que Nietzche, Freud e Darwin embalados pela revolução cientifica iniciada por René Descartes, entraram na conversa para cravar a aposta de Pascal como meio termo entre fé e razão. Nem tanto para lá, ou para cá, a questão está resolvida, justamente por ser ela indissolúvel em termos da filosofia metafisica, e mesmo da filosofia da história, que dirá da roleta russa lançada pela teologia moderna.
Belluzzo, por outro lado, me lançou uma indagação daquelas de arregalar mais que os olhos, perturbando os neurônios até que as palavras se reúnam num discurso minimamente coerente: como analisar a história das religiões, tal como empreendeu Weber, sem lançar mão da dialética histórica. Cheguei à conclusão que o método Weberiano, embora assertivo em seus termos finais, sofre de um problema gravíssimo: fechar a “gaiola da modernidade” na qual a liberdade e o sentido da vida mutilam-se mutuamente através do mero estreitamento gradual entre as dimensões materiais e culturais/religiosas da vida moderna. Ao falarmos sobre Habermas, auxiliados pelo artigo de Seyla Benhabib “Habermas’s new Phenomenology of Spirit: Two centuries after Hegel”, verificamos na intenção do último dos moicanos da Teoria Crítica, uma janela teórica fundamental: a abertura da gaiola Weberiana a partir da incorporação do Espírito da História hegeliano que oferece como fio condutor da modernidade rumo às ruínas, um sútil vórtice, percebido e avançado por Marx: são as categorias universais que em movimento de transformação conduzem e remodelam as categorias particulares. Logo, são as conquistas modernas de liberdade, igualdade, identidade e razão que se transformam em atores da contenda entre a manutenção da tradição e o atropelo do secularismo.
Unindo os diálogos, deixo pimentas espalhados pelos séculos de história para cozinhar o caldo dos leitores: É possível traçar uma linha condutora entre a Cruz e os eventos contemporâneos, dos quais destaco, a concentração da riqueza, o narcisismo individualista, a revolução tecnológica e, especialmente, a união entre fé e razão?
O relato da estruturação entre o espiritual e o social, oferece uma ligação fundamental com o ato da ressureição. O Sumo Sacerdote deveria entrar uma vez ao ano nas tendas em que estavam separados, homens, mulheres e crianças para então entregar a mensagem divina. As tendas separadas pelo véu, só poderiam ser rompidas pelo Sumo Sacerdote, amarrado por uma corda na cintura. Caso estivesse em pecado, ao entrar na tenda, o pecado recebia seu salário, abocanhando o Sacerdote para a morte. Caso contrário, o véu era rompido e a presença do Espírito Santo se manifestava enquanto a mensagem divina era repassada para o povo. A separação entre o espiritual e o social, tinha uma clara demarcação: o véu que cobria as tendas, não apenas representava a intermediação entre Deus e os Seres Humanos através do Sumo Sacerdote, mas profetizavam o fino corte realizado na Cruz.
Ao ser pregado na Cruz, Jesus, Deus-Filho, Deus-Homem, encarnou o perdão da humanidade, redimindo pelo sangue derramado todos os pecados do fruto do Éden até os mais imperceptíveis e inescapáveis desvios do caminho da salvação, somente redimidos pela graça de Deus, diria o Apostolo aos Romanos. Descendo ao Inferno, Jesus rasga o véu que separa o Homem de Deus, abrindo as portas para a descida do Espírito Santo no dia de Pentecoste. Ao rasgar o Véu, Cristo oferece a humanidade, as duas grandes marcas do mundo posterior a sua ressurreição: a liberdade, conferida pelo amor ao próximo e a Deus sobre todas as coisas; e a igualdade, pois todos somos redimidos por Cristo na Cruz, sob a graça do amor á Deus, condição única e irrestrita para a salvação.
Não por menos, quando a Ordem Revelada é absorvida pela Instituição da Igreja e o espalhamento e comunhão das religiões, a razão cede lugar à prisão da tradição político-religiosa. Precisamente, na modernidade, inaugurada com o rolamento da cabeça dos Reis, a liberdade e a igualdade retornam como promessas à humanidade, sob nova feição: como autoproclamação individual, desconectada de sua raiz espiritual e vendida como símbolo da conquista material. Aqui encontramos o ponto de contato. Da Cruz à Hegel, deste à Weber, de Weber à Habermas: a profecia de João no Livro de Apocalipse, hoje se encontra tão viva quanto os passeios do espírito da história. A adoração do próprio homem pelo próprio homem marcado pelo cifrão monetário conduz da Cruz ao estalido da trombeta pelo Arcanjo, a liberdade e a igualdade oferecida por Cristo, modificada pelo Narcisismo dos homens, entregam um destino múltiplo e desconhecido, embora com data marcada nos mil anos, transcorridos em um dia para Deus. A Gaiola Weberiana não se encontra, portanto, estreitada até esmagar os ossos da razão e da liberdade, mas se expande até não encontrar horizonte visível, pois, disse o profeta entregando a mensagem de Deus aos homens: Eis que estou à porta e bato. Se alguém ouvir a minha voz e abrir a porta, entrarei e cearei com ele, e ele comigo (Apocalipse, 3:20).
Adianto que esse texto é uma especulação nascida do ato da dúvida. Longe de mim, empurrar crenças aos corações dos leitores. Mas, neste novo ano, deixo como mensagem o que de Cristo recebi: o amor.
Este país que nos consome ainda vivos, levando pouco a pouco a beleza que antes encontrávamos nas praças está desafiando a forças das nossas almas, e por isso hoje eu admito precisar de uma dose maior de espiritualidade em meus toques, ser por essa luz também tocada.
Texto da educadora e cientista social Ana Cláudia Laurindo, publicado no Repórter Nordeste
O país que me adoece e todos os dias me mata também obriga a construir saídas. Serão túneis cavados com as mãos na subjetividade exposta, para repouso e refazimento na fase aguda de desidratação das esperanças.
Em algum lugar eu vi anotei uma frase que se dizia pertencer à tradição Fula, e mesmo sem conferir se era verdade encontrei riqueza nela e aqui partilho por esperar acreditar mais fortemente que assim seja: “Maayde timminta wonki juutal balde hortinta hakkillê”, ou seja, “A morte não esgota a alma, a duração do tempo não retrai o espírito”.
A beleza da voz espiritualista movimenta ritmos em um coração ferido que se debate para vencer o medo, esta sabotagem interna da criação.
Desejo diário de abrir as janelas e sentir o vento entrar, renovando os recantos tingidos pela tristeza, essa indutora de mofo na criatividade que cancela a escrita!
Um dia já pensei que entre as boas coisas que a vida nos possibilita realizar a percepção da nossa integralidade funciona como o peso de um tesouro que a experiência aumenta, mas esta mesma vivência aguça dores esticadas, como verdades pontiagudas que nos ferem, não importando o ângulo de visão.
Eis a batalha íntima com este senso de finitude que engole conquistas sobre as quais debruçamos sono e lágrimas.
Este país que nos consome ainda vivos, levando pouco a pouco a beleza que antes encontrávamos nas praças está desafiando a forças das nossas almas, e por isso hoje eu admito precisar de uma dose maior de espiritualidade em meus toques, ser por essa luz também tocada.
Se enquanto seres humanos jamais retraímos a essência espiritual que nos acende, e esta característica pode nos fazer distinguir as diferentes potências energéticas que aguardam impulso e podem movimentar transformações, junto minhas emoções em preces nesta romaria de degredo político, econômico, cultural, hominal.
Hoje faço parte das massas que se amontoam em busca de um porvir como átomos de uma estrutura social feita de crenças e objetivações, mas preciso acreditar que isso ainda não é tudo.
Porque a morte está levando nossos sorrisos e o medo de perder já invadiu nossas moradas.
Se não for capaz de ouvir minha própria voz falando de vida, estarei imersa na mais bruta hemorragia de mim mesma, esvaindo os patrimônios discursivos em acelerados silêncios improdutivos.
Minha consciência enquanto espírito, onde andará? Ainda arde em mim aquela chama?
Em tombos encontro a questão 88 do Livro dos Espíritos, que pergunta e responde sobre algo que importa saber.
“Os Espíritos têm forma determinada, limitada e constante?”
“Para vós, não, para nós, sim. O Espírito é, se quiserdes, uma chama, um clarão, ou uma centelha etérea”.
Freio o ritmo. Respiro um ar quente e me sinto parte da luz que se traduz em vida.
Enquanto existo em um país que me mata, posso outra vez ouvir a voz assertiva de uma sociologia espírita a dizer que “as posições fortuitas, circunstanciais e passageiras, nem sempre necessárias ou justas, não devem cegar-nos nem criar-nos impedimentos, porque a justiça não se cumpre em um instante de nossa evolução, mas no progresso eterno de nosso espírito”.1
Outra vez percebo a força libertadora que a luz transporta. Não preciso abrir mão da poesia. Pois “mesmo a morte é palingenesia renovadora: só nos parece quietude e estabilidade porque suspende funções que em uma parte mínima do real chamamos “vida”.” 2
Embora não coadune com nenhum tipo de justificativa para a ocorrência do genocídio brasileiro, busco resistir em força íntima na compreensão de que há sempre vida e por essa razão a luta contra a injustiça e o fomento à justiça social devem seguir em pauta.
E não haverá morte dentro de nós, mas um imenso arroubo de luz impulsionando a luta contra os mitos e as sombras.
"Eu sei, mas não devia". Texto de Marina Colasanti recitado por Antônio Abujamra no programa Provocações da TV Cultura: Eu sei que a gente se acostuma. Mas não devia. A gente se acostuma a morar em apartamentos de fundos e a não ter outra vista que não as janelas ao redor. E, porque não tem vista, logo se acostuma a não olhar para fora. E, porque não olha para fora, logo se acostuma a não abrir de todo as cortinas. E, porque não abre as cortinas, logo se acostuma a acender mais cedo a luz. E, à medida que se acostuma, esquece o sol, esquece o ar, esquece a amplidão. A gente se acostuma a acordar de manhã sobressaltado porque está na hora. A tomar o café correndo porque está atrasado. A ler o jornal no ônibus porque não pode perder o tempo da viagem. A comer sanduíche porque não dá para almoçar. A sair do trabalho porque já é noite. A cochilar no ônibus porque está cansado. A deitar cedo e dormir pesado sem ter vivido o dia. A gente se acostuma a esperar o dia inteiro e ouvir no telefone: hoje não posso ir. A sorrir para as pessoas sem receber um sorriso de volta. A ser ignorado quando precisava tanto ser visto. A gente se acostuma a pagar por tudo o que deseja e o de que necessita. E a lutar para ganhar o dinheiro com que pagar. E a pagar mais do que as coisas valem. E a saber que cada vez pagará mais. E a procurar mais trabalho, para ganhar mais dinheiro, para ter com que pagar nas filas em que se cobra. A gente se acostuma a andar na rua e ver cartazes. A abrir as revistas e ver anúncios. A ligar a televisão e assistir a comerciais. A ir ao cinema e engolir publicidade. A ser instigado, conduzido, desnorteado, lançado na infindável catarata dos produtos. A gente se acostuma à poluição. Às salas fechadas de ar condicionado e cheiro de cigarro. À luz artificial de ligeiro tremor. Ao choque que os olhos levam na luz natural. Às bactérias da água potável. A gente se acostuma a coisas demais, para não sofrer. Em doses pequenas, tentando não perceber, vai afastando uma dor aqui, um ressentimento ali, uma revolta acolá. Se a praia está contaminada, a gente molha só os pés e sua no resto do corpo. Se o cinema está cheio, a gente senta na primeira fila e torce um pouco o pescoço. Se o trabalho está duro, a gente se consola pensando no fim de semana. E se no fim de semana não há muito o que fazer a gente vai dormir cedo e ainda fica satisfeito porque tem sempre sono atrasado. A gente se acostuma para não se ralar na aspereza, para preservar a pele. Se acostuma para evitar feridas, sangramentos, para poupar o peito. A gente se acostuma para poupar a vida. Que aos poucos se gasta, e que, gasta de tanto acostumar, se perde de si mesma.
Com Mafalda, Quino ganhou mundo e o mundo ganhou ideias progressistas. Ela e seus amigos tornaram-se um símbolo dos anos 60 não só na Argentina, mas geral.
Jornal GGN – Joaquin Salvador Lavado, artista gráfico conhecimento mundialmente como Quino, morreu hoje aos 88, na Argentina. Seus traços ganharam o mundo com sua personagem mais conhecida, Mafalda.
Quino nasceu em Mendoza, em 17 de julho e muito cedo iniciou sua caminhada como cartunista e humorista. Em 1954 publicou sua primeira tira no semanário “This is”.
Mundo Quino, seu primeiro livro de humor, foi lançado em 1963 e, em 1964, surge Mafalda, na revista Primera Plana. Com Mafalda, Quino ganhou mundo e o mundo ganhou ideias progressistas. Ela e seus amigos tornaram-se um símbolo dos anos 60 não só na Argentina, mas geral.
Vai-se Quino. Fica conosco sua obra e sua Mafalda.
"Enquanto Mourão perde tempo difamando o INPE e descredibilizando os dados científicos, o Brasil segue queimando. O governo precisa apresentar uma resposta concreta e na escala das queimadas que enfrentamos!" - Ivan Valente
EU SOU DA ESTAÇÃO PRIMEIRA DE NAZARÉ / ROSTO NEGRO, SANGUE ÍNDIO, CORPO DE MULHER / MOLEQUE PELINTRA NO BURACO QUENTE / MEU NOME É JESUS DA GENTE
NASCI DE PEITO ABERTO, DE PUNHO CERRADO
MEU PAI CARPINTEIRO DESEMPREGADOMINHA MÃE É MARIA DAS DORES BRASILENXUGO O SUOR DE QUEM DESCE E SOBE LADEIRAME ENCONTRO NO AMOR QUE NÃO ENCONTRA FRONTEIRA
PROCURA POR MIM NAS FILEIRAS CONTRA A OPRESSÃO
Comunidade da Mangueira busca seu 21º título do carnaval carioca (Foto: Pedro Stropasolas/Brasil de Fato)EU TÔ QUE TÔ DEPENDURADO
EM CORDÉIS E CORCOVADOSMAS SERÁ QUE TODO POVO ENTENDEU O MEU RECADO?PORQUE DE NOVO CRAVEJARAM O MEU CORPOOS PROFETAS DA INTOLERÂNCIASEM SABER QUE A ESPERANÇA
BRILHA MAIS NA ESCURIDÃO
Ensaio de rua da Estação Primeira de Mangueira (Foto: Pedro Stropasolas/Brasil de Fato)MANGUEIRA
SAMBA, TEU SAMBA É UMA REZAPELA FORÇA QUE ELE TEMMANGUEIRAVÃO TE INVENTAR MIL PECADOSMAS EU ESTOU DO SEU LADO
E DO LADO DO SAMBA TAMBÉM
Ficha Técnica
|
Título: O Fantasma da Sicília
|
Diretor: Fabio Grassadonia e Antonio Piazza
|
Roteiro: Fabio Grassadonia e Antonio Piazza
|
Elenco: Julia Jedlikowska, Gaetano Fernandez, Corinne Mussilari, Andrea Falzoni, Lorenzo Curcio
|
Produção: Cristaldi Pictures, Indigo Film
|
Distribuição: Pandora Filmes
|
Ano: 2017
|
País: Itália, França
|
Postagens Relacionadas |
|
|