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terça-feira, 6 de agosto de 2013

Protesto de diferentes categorias da saúde defende os vetos de Dilma à trechos do Ato Médico



Mais uma ação necessária contra o corporativismo elitista da máfia de branco:



Enquanto médicos se manifestam contra os vetos da presidente à lei que regulamenta a atividade no País, outros profissionais da saúde, como enfermeiros e fisioterapeutas, defendem o contrário em Brasília; um veto polêmico para o corporativismo médico foi ao trecho que torna exclusividade dos médicos a formulação do diagnóstico de doenças; análise será do Congresso.

Fonte: http://www.brasil247.com/pt/247/brasilia247/110816/


Jorge Wamburg, da Agência Brasil – Profissionais de diversas áreas da saúde realizam nesta terça-feira (6) na Esplanada dos Ministérios, em Brasília, uma manifestação em defesa dos vetos da presidenta Dilma Roussef à Lei nº 12.842, que regulamenta a atividade médica no país e ficou conhecida como Lei do Ato Médico. Os vetos serão apreciados pelo Congresso Nacional e preservam o atendimento multidisciplinar nos serviços públicos e privados de saúde, como defendem os manifestantes.
Entre os artigos vetados, está a exclusividade dos médicos na formulação do diagnóstico de doenças (diagnóstico nosológico), uma das principais bandeiras do movimento Não ao Ato Médico, que congrega 14 profissões da área de saúde que se sentem prejudicadas com a restrição às suas atividades.
Atualmente, por exemplo, profissionais de enfermagem podem diagnosticar e iniciar o tratamento de doenças como malária, tuberculose e dengue para posterior tratamento pelos médicos, o que seria inviável se o veto não for mantido, além de afetar dois milhões de postos de trabalho em serviços públicos e privados que atendem pelo Sistema Único de Saúde.
A manifestação de hoje reúne profissionais de diversos estados, como João Paulo Fernandes Filho, membro do Conselho Regional de Fisioterapia e Terapia Ocupacional de São Paulo. Para ele, a questão envolve não apenas o trabalho de diversas categorias que defendem o veto como uma questão financeira: "a exclusividade do diagnóstico e prescrição, prevista no projeto, vai aumentar muito a procura pelas consultas com os médicos, que atualmente são feitas com outros profissionais, e assim beneficiar financeiramente uma categoria em detrimento de outras 14 que participam das atividades de saúde".
Segundo João Paulo, a presidenta Dilma Roussef entendeu a necessidade de vetar esse e outros dispositivos do projeto, "que mudam as regras do jogo" e agora o "Congresso deve manter os vetos para manter a eficiência e a eficácia das atividades dos profissionais de saúde".
O projeto tramitou por quase 11 anos no Congresso Nacional e o texto, sancionado com vetos parciais pela presidenta no último dia 11 de julho, assegura as atribuições específicas dos médicos, entre elas: indicação de internação e alta médica nos serviços de saúde; indicação e execução da intervenção cirúrgica; emissão de laudo dos exames endoscópicos e de imagens; perícia médica; atestação médica de condições de saúde; perícia e auditoria médicas; ensino de disciplinas especificamente médicas e coordenação dos cursos de graduação em Medicina, dos programas de residência médica e dos cursos de pós-graduação específicos para médicos.
Foram vetados os dispositivos que impedem a atuação de outros profissionais na indicação de órteses e próteses, inclusive oftalmológicas, como nos casos de calçados ortopédicos, cadeiras de rodas, andadores e próteses auditivas.
Houve veto ainda no trecho que indicava a invasão da pele atingindo o tecido subcutâneo para injeção, sucção, punção, insuflação, drenagem, instilação e enxertia. Isso porque, caso a redação fosse mantida, a utilização da acupuntura seria privativa de médicos, restringindo a atenção à saúde e o funcionamento do SUS. Foi vetada também a direção e a chefia de serviços médicos exclusivamente por este profissional.
Membro do Conselho Federal de Psicologia, Cynthia Ciarallo, explicou que os vetos envolvem duas questões fundamentais para os profissionais e os pacientes: acessibilidade e integralidade. A primeira, diz respeito ao acesso dos pacientes ao sistema de saúde e a segunda envolve a atuação integrada das equipes, pois "a saúde é muito complexa e não pode ficar nas mãos de uma só categoria de profissionais. Uma profissão não pode ter hegemonia sobre as outras".
Edição: Denise Griesinger

quarta-feira, 26 de junho de 2013

Pelo Veto ao corporativo e mafioso Ato Médico



Na semana que passou, milhares de cidadãos estavam nas ruas para denunciar sua indignação frente à conduta dos governos, em todas as suas instâncias, por estarem distanciados dos anseios populares – governando de modo auto-referente e pautado apenas pela negociata, visando o poder como o próprio fim. Enquanto isso, os Senadores decidiram aproveitar-se do momento turbulento para aprovar uma medida impopular que estava barrada no Senado desde 2002.  Eles demonstraram, em ato, seu total desinteresse pela vontade popular, não ouvindo o clamor das ruas e, tal como Maria Antonieta, recomendando que os revoltados comessem brioches, decidiram aproveitar o ruído do momento para fazer passar o “Ato Médico”, medida descabida e francamente mercadológica.  Essa atitude pode por si justificar toda a balbúrdia nas ruas, pois comprova que há muito se legisla no Brasil visando interesses específicos, utilizando-se de brechas para fazer passar na calada da noite medidas impopulares, numa prática de politicagem das mais miúdas.
O “Ato Médico” é o Projeto de Lei 025/2002, de autoria do ex-senador Geraldo Althoff (PFL/SC), com substitutivo apresentado pelo senador Tião Viana (PT-AC), que condiciona o acesso aos serviços de saúde à autorização do médico e estabelece uma hierarquia entre a medicina e as demais profissões da área de saúde. 
O ato médico é um projeto de reserva de mercado. Quem imagina que esta proposta vem para qualificar os serviços e processos de saúde, se engana. Fato que vivemos em um sistema democrático regido pelos princípios do capitalismo, dentro de uma economia neoliberal. O ato médico caminha junto a esta ideologia.
Em outras palavras, diversos campos autônomos da área da saúde, regulamentado por seus Conselhos e com formação especifica, passam a ser considerados áreas subordinas ao campo médico. O médico passa a ser o responsável pelo encaminhamento do paciente aos demais serviços, decidindo, desde fora desses serviços, qual deles ele julga conveniente para o cidadão. Isso impede que outros saberes contribuam na elaboração do diagnóstico, com seu olhar específico para o caso, impossível de ser alcançado pelo médico.
Esse PL também restringe aos médicos o direito de ocupar cargos de chefia, mesmo em serviços não exclusivamente médicos como CAPS (Centros de Atenção Psicossocial), NASF (Núcleo de Apoio à Saúde da Família) e PSF (Programa da Saúde da Família).
O Ato Médico é uma medida classista, que atende à um lobby poderoso e que desvirtua o SUS. O SUS é uma conquista política e social e não pode sofrer este golpe que visa seu aniquilamento. Não é possível que se permita este retrocesso.
Para o leigo, por desconhecer a perpetuação da hegemonia colocada, pode parecer interessante que os usuários passem primeiro pelo médico, para depois se encaminharem para as “especialidades”.  O que não se considera, no entanto, é que as diferentes áreas do campo da Saúde não são especificidades do campo médico, e sim saberes autônomos.  O modo de um Psicólogo compreender um estado de tristeza, uma obesidade ou a drogadicção, por exemplo, nada tem a ver com a leitura médica, que pouco conhece acerca dos processos psíquicos.  Cabe lembrar que os Psicólogos tem uma formação específica com a duração de cinco anos e aperfeiçoamento permanente, e obviamente tem uma compreensão do sofrimento psíquico mais aprofundada, crítica e abrangente do que um médico pode ter, nas poucas dezenas de aulas acerca deste tema.  Diante de um paciente com algum desses sintomas citados acima um médico não tem como avaliar sua gravidade ou contexto para decidir qual a melhor estratégia para atender o sujeito.  Mas, com a aprovação dessa PL, caberá a ele “decidir” sobre o destino desse caso, como se fosse portador de uma espécie de saber universal sobre o sujeito psíquico, somático e social.
Sabe-se que o SUS é uma conquista social e popular e que é regido por alguns princípios básicos, a saber: universalidade, equidade e integralidade. Estes princípios o norteiam como um projeto político de acesso ao direito à saúde. Além destes, existem outros princípios estratégicos como referenciais para sua concretização: descentralização, regionalização, hierarquização e participação social.
O projeto SUS caminha no sentido da implementação de uma política de direitos, que se choca com a política neoliberal. Ele é um projeto político de interesse social abrigado em um Estado que é constituído por ambivalências. Por um lado vem o SUS com a garantia de uma política alicerçada em uma clínica, que parte de todos os princípios que o regem. Uma de suas estratégias fundamentais, a clínica ampliada, considera a problemática do sujeito adoecido a partir de uma visão interdisciplinar. Por outro lado vem o ato médico, que assegura o conhecimento da medicina como único, hegemônico, totalitário sobre o sofrimento e o adoecimento do sujeito. Aí, não mais um sujeito, mas um corpo esvaziado.
Esta medida é, portanto, uma afronta à Multidisciplinariedade e a Transdisciplinariedade, marcas das diretrizes do SUS.  De acordo com estas diretrizes, o diagnóstico e o tratamento devem ser realizados por equipes multidisciplinares, pois apenas essas podem levar em consideração a condição do sujeito como um todo, avaliando junto ao médico se uma doença resulta de mal-estar psíquico ou de condições sociais de risco, e como estes fatores interagem.
O ato médico é o representante da parcela neoliberal do Estado. Ele propõe que a demanda da saúde seja capitalizada por um determinado saber-poder. O ato médico desqualifica a singularidade do corpo, a singularidade do sofrimento, para fazer do corpo uma mercadoria controlada. Todos os saberes filosóficos, históricos, sociológicos, psicológicos e outros passam a ter menos valia diante do saber-poder do discurso médico sobre o corpo, seu sofrimento e sua subjetividade. O corpo passa a ter o status de um corpo biológico, esvaziado de sua condição vibrante na produção de vida. Ele passa a ser compreendido soberanamente pelo aspecto biológico e fisiológico. Ou seja, lhe é subtraída a condição de heterogeneidade. E lhe é permitido que se expresse somente pelo discurso médico,  no campo da saúde. Assim, o sofrimento do sujeito passa a ser reconhecido e legitimado pelos referencias do discurso médico. Dissociando-o de sua condição política, vibrante, subjetiva na vida, o corpo-sujeito fica esfacelado, recortado e controlado.
Nota-se que o projeto em clínica ampliada dentro do SUS reconhece o sofrimento do sujeito como campo político e clínico. Isto porque se entende como campo de saúde o campo de vida e não o corpo biológico. Assim, é uma incoerência sustentar uma proposta como o ato médico. Evidente que o corpo é o lugar privilegiado de incidência no que tange as práticas/poderes/políticas/saberes. Quando o ato médico, além de cooptar o sofrimento humano como campo da prática e do discurso médico (desautorizando outros saberes na participação da construção de conhecimento), assegura também que o controle dos equipamentos de saúde seja regido pelos balizadores do discurso médico, fica ainda mais claro o interesse da reserva de mercado.
A atenção integral prevista no SUS é uma conquista que deve ser defendida.  É claro que o serviço oferecido ainda é criticável em diversas áreas, mas devemos exigir que se cumpra seu espírito multidisciplinar, pois apenas este pode ser capaz de intervir efetivamente nas condições de vida da população.  As doenças orgânicas devem ser tratadas pelos médicos, mas elas nunca estão isoladas das condições ambientais, e apenas a confluência das diversas áreas no campo da saúde podem efetivamente compreender o contexto da doença para agir preventivamente ou impedir resistência ao tratamento.  A multidisciplinariedade é, neste sentido, a mais eficaz e a mais interessante em termos econômicos, pois uma compreensão limitada do quadro ao diagnóstico médico poderá não resultar em melhora do quadro, podendo, ao invés, agravá-lo e levar a intervenções cada vez mais complexas, e até com abuso de medicalização (como vem acontecendo cada vez mais).  Além disso, a doença que se apresenta é uma resultante de diversos fatores, e apenas a abordagem multidisciplinar pode agir em termos de prevenção.
É fundamental que os diversos profissionais do campo da saúde trabalhem de modo articulado, em parceria, realizando diagnósticos que considerem as diversas abordagens à saúde da população.  Imaginar que o saber médico abrange e se sobrepõe a todo o campo da saúde é um enorme equívoco.  Precisamos defender a autonomia dos diversos campos e fomentar o diálogo e a abordagem multidisciplinar, único modo de verdadeiramente atendermos à população com qualidade e respeito.
É preciso vetar essa medida nefasta, mas também repudiar os Senadores que se aproveitaram das manifestações populares para aprovar uma medida impopular e infrutífera que estava barrada desde 2002 por seu caráter polêmico, mantendo sua surdez à população, desonrando, mais uma vez, o cargo que ocupam. 
Em nome de todas as pesquisas científicas do campo da saúde coletiva – que vem dia após dia problematizando a importância das equipes de saúde trabalharem fundamentadas numa lógica não hierarquizada – e junto a outros movimentos, tais como o MPASP, rogamos que a Presidenta Dilma vete o ato médico.

sexta-feira, 20 de abril de 2012

Não ao Ato Médico e à arrogância corporativista dos "doutores"


Médicos mecanicistas, infelizmente uma grande parte da classe, são também corporativistas e como tais, querem mais e mais poder, mais e mais meios de se auto-promover...  Se julgam os reais capacitados para afirmar e desafirmar, autorizar e desautoriza enquanto, para eles, nada resta ao demais senão baixar a cabeça e obedecer.... Afinal, os demais são "leigos" e nada sabem... são "pacientes" e eles os "agentes"... Se acham eles "os" cientistas e detentores do saber.... o único válido, mas para quê, se a tecnologia de que tanto se orgulham, seus imensos aparelhos de diagnósticos são acessíveis apenas a uma minoria? A acupuntura que até anos recentes eles viam com desconfiança querem agora que seja de prática privada deles. Os custos da assistência médica apenas sobem na proporção de quanto mais se fazem associados à técnica quando muitas das principais doenças poderiam ser apenas prevenidas pela educação? E a associação entre médicos e a indústria farmacêutica? Isso lhes dá o direito de serem os expertos para diagnosticas problemas psicológicos, psicossociais, de postura e outros problemas próprios do tratamento fiosioterpêutico e outros profissionais devem ser sempre sublaternos, em seus estudos e competência, à máfia de branco? Pensem nisso.... Assistam os filmes "Óleo de Lorenzo" e "O Jardineiro Fiel"... Busquem a verdade política nesta categoria...  NÃO AO ATO MÉDICO!