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quinta-feira, 27 de março de 2025

O julgamento do STF, suas consequencias e o “jeitinho” do andar de cima, por Luís Nassif

 

 A fala da Ministra Carmen Lúcia foi exemplar… para descrever o comportamento do STF na década de 2010. Ela citou a historiadora mineira Heloísa Starling, que lançou um livro sobre o golpe militar de 1964. Nele, Heloisa mostra que os golpes não são eventos da noite para o dia. São preparados longamente, e, para seu desenvolvimento, contam com a complacência de todos os poderes. É por isso que Rui Barbosa dizia que a democracia é “uma plantinha tenra que precisa ser cuidada todos os dias para que possa crescer forte e saudável.”


Do Jornal GGN:

O julgamento do STF e o “jeitinho” do andar de cima, por Luís Nassif

É preciso analisar o caráter do brasileiro que habita o Olimpo dos formadores de opinião - incluídos, aí, Ministros do Supremo e jornalistas.


Há duas consequências relevantes do julgamento da tentativa de golpe de 8 de janeiro.

A primeira – salientada em artigo de Chico Teixeira – é o divórcio definitivo do casamento militar com Jair Bolsonaro. Este jogou ao mar todos os seus seguidores e aliados. E a defesa de todos os militares envolvidos reconhece a gravidade dos eventos, admite a conspiração, mas… porém… todavia… seus clientes não entraram no golpe. Ou seja, também jogaram Bolsonaro ao mar.

A segunda consequência – mais relevante – é o fato de, pela primeira vez na história, haver o julgamento de militares envolvidos em conspiração. Rompeu-se o corporativismo militar e passou-se a individualizar atuações conspiratórias. Ou seja, conspirar no Brasil passou a ser atividade arriscada. E quando se individualizam as penas, vê-se o que aconteceu no julgamento: todos os advogados dos militares envolvidos reconhecendo a gravidade dos atos de 8 de janeiro, mas todos tirando o corpo de seus clientes do jogo. Entre salvar a pele ou se sacrificar pela causa, optaram pelos interesses pessoais.

Mas a maior consequência é o processo de aprendizado do Supremo Tribunal.

A fala da Ministra Carmen Lúcia foi exemplar… para descrever o comportamento do STF na década de 2010. Ela citou a historiadora mineira Heloísa Starling, que lançou um livro sobre o golpe militar de 1964. Nele, Heloisa mostra que os golpes não são eventos da noite para o dia. São preparados longamente, e, para seu desenvolvimento, contam com a complacência de todos os poderes. É por isso que Rui Barbosa dizia que a democracia é “uma plantinha tenra que precisa ser cuidada todos os dias para que possa crescer forte e saudável.” 

Na verdade, naquela loucura que tomou conta do Supremo, dos presidenciáveis Serra e Aécio, a única voz de bom senso perdeu-se no alarido da multidão: o ex-presidente e sociólogo Fernando Henrique Cardoso alertando que, nesses processos de golpe, sabe-se como começa, mas não como termina.

Na década de 2010, o Supremo deixou os cuidados de lado e a plantinha feneceu. No livro “A Conspiração Lava Jato” há um capítulo especial dedicado ao Supremo, e um subcapítulo a Carmen Lúcia. Conspiraram a mancheia, ajudaram na derrubada do governo, lançaram as sementes da desinstitucionalização brasileira, julgando que no final do túnel haveria um candidato de centro, no máximo de centro-direita. Só quando pariram o bebê de Rosemary de Bolsonaro que a ficha caiu.

No período Temer-Bolsonaro, trataram de quebrar a espinha das centrais sindicais, do PT, e permitiram a quebra das empreiteiras, o avanço da Lava Jato, em uma ignorância ampla sobre a estrutura da democracia. Seus alicerces repousam no Judiciário, no Legislativo, no Executivo, e também nas centrais empresariais e sindicais, todos são aliados da democracia, porque só prosperam no ambiente democrático. Ao acelerar a destruição de direitos fundamentais, o Supremo ajudou a erodir a democracia. Tanto o comportamento do STF quanto da mídia, na década de 2010, deveria estimular cientistas sociais e antropólogos a analisar o caráter do brasileiro que habita o Olimpo dos formadores de opinião – incluídos, aí, Ministros do Supremo e jornalistas. A facilidade com que mudam de lado, com que se adaptam aos ventos da opinião pública, não os torna bússolas, capazes de moderar exageros em uma direção ou outra. São alimentadores do “overshooting”, do movimento de radicalização dos movimentos à direita. Como tem que se adaptar às linhas políticas da casa, no máximo o contraponto são os movimentos em direção ao centro.

Crítico do “jeitinho brasileiro” nas classes populares, o Ministro Luís Roberto Barroso, na próxima sessão da Semana Brasileira de Harvard, poderia preparar uma tese sobre o “jeitinho” no andar de cima.

Conseguirá exemplos a granel, de grandes radicais de direita, cultivadores do jornalismo de ódio ou do direito penal do inimigo, no período Mensalão, que se deslumbraram com a Lava Jato, e, depois, se transformaram em defensores intransigentes da democracia no período pós-Bolsonaro. E tendo a arte de se manifestar da forma mais radical e sincera possível nas duas circunstâncias.

Justiça de transição? Que bobagem! Agora eles estão do nosso lado e não não há espaço para autocrítica, nem lhes é solicitada. Esse pragmatismo, essa facilidade em se adaptar aos ventos do momento, é uma marca indelével do caráter brasileiro. Não há justiça de transição para eles. Ninguém quer cumprir o papel de bússola, mas de biruta de aeroporto. Toda manhã se levantam, umedecem o dedo e esticam para o céu, para captar os movimentos dos ventos da opinião pública.

O grande Rui Barbosa, pai da República, como advogado não se envergonhava de virar de lado, como ocorreu no caso da Sinhá Junqueira. Dos Ministros que enviaram Olga Benário para morrer na Alemanha, pouco se sabe. Assim como pouco se fala dos juristas que escreveram o Ato Institucional número 5.


Portal do José: FICOU SÉRIO! BOLSONARO ESMIGALHADO NA TV! TROMPETE APONTA O FIM! SANFONEIRO MACABRO DE BOLSONARO SE “ENTREGA”: IMPOTENTE!

 

Do Portal do José:

27/03/25 - O mundo bolsonarista está derretendo! Não está sendo possível esconder os fatos! O negacionismo sobre os crimes e consequências não ajudará a orcrim de Bolsonaro escapada cadeia! Sigamos.



A História exige a condenação dos golpistas, por Dora Incontri

 A República nasceu com um golpe de Estado, promovido por militares. E a nossa fraca democracia está sempre sob a pretensa tutela dos fardados autoritários

    Foto: comunicação do STF


A História exige a condenação dos golpistas

por Dora Incontri

Hoje, vejo-me na necessidade histórica de louvar dois conceitos em que não acredito, como anarquista: a democracia (essa que temos, liberal, representativa) e a justiça (essa que temos, punitivista, que encarcera, que arranca a dignidade dos que lhe caem nas garras).

Não acredito na democracia – esta nossa – porque ela é comandada pelo capital e, portanto, está submetida aos seus interesses. Porque ela vez por outra elege um Hitler, um Trump, um Bolsonaro e não porque essa é a vontade do povo. O povo, essa entidade quase mítica, uma categoria problemática, é manipulado, manobrado. Isto já mostrava um dos gênios do cinema, o ítalo-americano Frank Capra, em seu filme de 1941 Meet John Doe (traduzido em português por Adorável Vagabundo). No enredo, aparece um poderoso dono de jornal manobrando a massa e arrastando multidões, para fins políticos.

Já fazia críticas à democracia, lá onde ela nasceu, o grande Platão, que teve seu mestre Sócrates condenado à morte pela democracia de Atenas.  Talvez influenciado pela morte de seu mestre, ele considerava que os piores chegam ao poder neste sistema. Segundo a sua concepção, os filósofos deveriam governar – justamente aqueles que não querem governar e não têm sede pelo poder é que deveriam liderar a cidade.

Marxistas e anarquistas são concordes em criticar a democracia liberal porque ela se assenta num Estado fundado para defender a propriedade privada, para manter a divisão de classes e tem seus instrumentos de controle popular – a polícia e o exército – além dos aparelhos ideológicos para formatação das mentes submissas, como a escola, a igreja, a mídia.

As instituições de justiça das democracias liberais também fazem parte do sistema de contenção das classes sociais mais desfavorecidas, para a sua submissão. O encarceramento em massa do povo negro e periférico no Brasil e nos Estados Unidos comprova essa análise.

Mas… enquanto estamos nessa democracia frágil, instável, porque não tem raízes reais no povo e na justiça de fato, ainda assim, ela é melhor do que os momentos em que se transforma em ditadura nazifascista, exatamente o que está agora ocorrendo nos EUA.

No Brasil, em particular, a República nasceu com um golpe de Estado, promovido pelos militares. E desde então, a nossa fraca democracia está sempre sob a pretensa tutela dos fardados, que se julgam os tutores do povo brasileiro. Estão sempre conspirando para arrancar o pouco de liberdade e justiça que alcançamos por meio de muitas lutas.

Por isso mesmo, o dia de hoje é necessário, é histórico e todos podemos e devemos nos colocar na pauta do “sem anistia”, porque finalmente, temos de mostrar a nós mesmos, brasileiros, e ao mundo, que não queremos a tutela dos militares, que não queremos retrocessos fascistas, que não queremos outras ditaduras. Bolsonaro e os generais que planejaram junto com ele a tomada violenta do poder, contrariando a decisão popular, devem ser exemplarmente condenados.

E isso deve ser feito ainda mais nesta circunstância histórica em que o Império do norte, esse que sempre se meteu em nossa política, está em sua fase mais ditatorial de todos os tempos, e que fará o possível para apoiar novos governos de extrema direita entre nós.

Essas são as contradições a que somos levados na arte da participação política: durante décadas, eu não votava porque não queria ser conivente com um sistema em que não acredito. Mas passei a votar desde que apareceram os primeiros sinais de ascensão da extrema direita. Não comemoro e nem me engajo pela prisão de ninguém. Não penso que o encarceramento resolva nossos problemas sociais, políticos e humanos. Prefiro falar em justiça restaurativa e projetos de educação. Mas sou obviamente obrigada a desejar a prisão de Bolsonaro e de seus generais.

Esperemos que hoje seja este dia necessário em nossa história. Aqueles que foram torturados e morreram nos porões da ditadura de 1964 possam descansar em paz, com a prisão de alguém que louva Ustra e queria impor ao Brasil novo pesadelo autoritário e sem lei.

E esperemos e conscientizemos as pessoas que um sujeito que governa São Paulo, e vem de um contexto de milícias do Rio, como veio Bolsonaro, e que demonstrou pleno apoio ao ex-presidente em sua fracassada manifestação em Copacabana, esse sujeito também é um perigo e não deveria ser alçado pela imprensa corporativa, que é sempre rendida à extrema direita. Corremos o risco de tê-lo como presidente. Mas este é um tema para outro artigo.

Dora Incontri – Graduada em Jornalismo pela Faculdade de Comunicação Social Cásper Líbero. Mestre e doutora em História e Filosofia da Educação pela USP (Universidade de São Paulo). Pós-doutora em Filosofia da Educação pela USP. Coordenadora geral da Associação Brasileira de Pedagogia Espírita e do Pampédia Educação. Diretora da Editora Comenius. Coordena a Universidade Livre Pamédia. Mais de trinta livros publicados com o tema de educação, espiritualidade, filosofia e espiritismo, pela Editora Comenius, Ática, Scipione, entre outros.

Jamil Chade, no UOL: Julgamento de Bolsonaro no STF põe democracia brasileira sob os holofotes do mundo

 

Do UOL:

O colunista do UOL Jamil Chade fala sobre a repercussão mundial do julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro no STF por tentativa de golpe.



quarta-feira, 26 de março de 2025

Portal do José: 5X0! MARGINAL CHORA: DESESPERO SE ESPALHA NA DIREITA! POPULAR CALA BOLSONARO! TRUMP DÁ FACADA GRÁTIS

 

Do Portal do José:

26/03/25 - APÓS A ACACHAPANTE DECISÃO DO STF , BOLSONARO TENTA AGORA ESTRATÉGIAS NO PLANO EXTRATERRENO. POPULAR PASSA PERTURBA O VELÓRIO BOLSONARISTA. E TRUMP DÁ UMA FACADA EXTRA! MALA DESESPERA. SIGAMOS