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quinta-feira, 3 de setembro de 2026

Mensagens revelam reunião SECRETA entre André Mendonça e Daniel Vorcaro. Reportagem de Ana Gabriela Sales, no Jornal GGN

 

Diálogos mostram que empresário Daniel Vorcaro e ministro do STF se encontraram em endereço privado de SP após intermediação de aliados

Do Jornal GGN:


Mensagens revelam reunião secreta entre Mendonça e Vorcaro


    André Mendonça em foto de Nelson Jr. - STF



Mensagens e áudios extraídos do celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, revelam que o empresário manteve ao menos um encontro reservado com o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF). O compromisso ocorreu em 14 de março de 2025, em São Paulo, teve duração aproximada de duas horas e foi sediado no endereço do Instituto ITER, entidade de ensino fundada pelo próprio magistrado. As informações são da newsletter Noites Húngaras, do jornalista Paulo Motoryn, no Substack.

A aproximação foi articulada ao longo de semanas pelo advogado baiano Ciro Rocha Soares e pelo deputado federal Cezinha de Madureira (PL-SP), liderança da Assembleia de Deus do Ministério de Madureira com relação próxima de André Mendonça. O material revela a atuação de intermediários próximos ao magistrado e o conhecimento prévio do ministro sobre temas do interesse do banqueiro.

Nesta terça-feira (1º), a relação entre o STF e a instituição financeira ganhou novos contornos institucionais quando Mendonça retirou o sigilo de um inquérito que envolve supostas mensagens trocadas entre Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes. A decisão gerou reações no meio jurídico: em análise sobre o movimento, o jornalista Luís Nassif, do Jornal GGN, apontou como a derrubada do segredo de justiça desrespeitou o devido processo legal e criou riscos substanciais de anulação de provas da Operação contra Master.

Articulação e bastidores

As tratativas começaram em fevereiro de 2025. Em áudios enviados a Vorcaro, Ciro Rocha Soares registrou encontros com Mendonça em Brasília e em uma alfaiataria paulistana, afirmando que estava “trabalhando” pelo banqueiro. O advogado declarou ainda ter deixado o ministro “balançado” ao relatar os problemas enfrentados pelo Banco Master junto ao Banco Central, assunto que, segundo Ciro, também já havia sido apresentado pelo deputado Cezinha de Madureira.

As mensagens mostram forte relação de intimidade entre Ciro e Vorcaro. Em meio às negociações de agenda, o advogado referiu-se ao empresário como “irmão caçula“, enquanto Vorcaro definiu o interlocutor como seu “anjo da guarda“.

Em meados de fevereiro, Ciro tentou organizar um primeiro encontro com a presença de Bruno Bianco Leal, ex-ministro da Advocacia-Geral da União (AGU) no governo Jair Bolsonaro e advogado do Banco Master. Os registros confirmam o agendamento, mas não há dados de geolocalização que comprovem a realização dessa primeira audiência.

O encontro na Alameda Santos

A reunião presencial confirmada ocorreu no mês seguinte. Em 13 de março, Cezinha de Madureira avisou Vorcaro sobre o compromisso agendado para o dia seguinte, às 17h, no 16º andar do edifício localizado na Alameda Santos, 647, sede do Instituto ITER.

Registros de mensagens entre o banqueiro e seu motorista confirmam o deslocamento até o local e a permanência na edificação entre 16h43 e 18h40 do dia 14 de março. “Ministro já está te esperando“, escreveu Cezinha ao empresário momentos antes da sua chegada.

Outro lado

Em nota oficial, o gabinete do ministro André Mendonça confirmou ter recebido Daniel Vorcaro uma única vez, em março de 2025, a pedido do próprio empresário. O texto informa que o ministro se limitou a ouvir o banqueiro sobre a Suspensão de Tutela Provisória (STP) 976, ação do STF que discutia créditos de precatórios do interesse da instituição financeira.

O gabinete ressaltou que a atuação jurisdicional de Mendonça no caso foi contrária aos interesses do empresário e que o ministro não comenta diálogos de terceiros. O advogado Ciro Rocha Soares e Cezinha de Madureira não se manifestaram.

Atualização às 13h59: A reportagem esclarece que Valéria Linhares não possui ou possuiu vínculo matrimonial com o deputado Cezinha de Madureira.

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sábado, 20 de junho de 2026

O 2º tempo da Lava Jato 2: a orientação do mercado, grande mídia e André Mendonça no caso Jaques Wagner em artigo de Luís Nassif

 

Entre a cautela jornalística e o método Lava Jato, a diferença está no respeito ao julgamento dos fatos.

Do Jornal GGN:

O 2º tempo da Lava Jato 2: o caso Jaques Wagner, por Luís Nassif


    Jaques Wagner em foto de Edilson Rodrigues - Agência Senado




É alto o preço da ingenuidade política das chamadas forças progressistas ou democráticas. Até hoje não entenderam que a escandalização é uma arma usada historicamente pela direita e pelo Departamento de Estado norte-americano.

Os mais velhos hão de lembrar da Cruzada contra a Corrupção de um tal padre Peyton, que percorria o Brasil financiado pela Grace — empresa de dois irmãos irlandeses, católicos, radicados nos Estados Unidos e representantes da Caterpillar no país. Ou, mais recentemente, da Lava Jato.

Independentemente do que é fato, do que é narrativa, não se pode perder de vista o objetivo político final das campanhas moralistas. Sem identificar esses interesses, seremos apenas patos na Lagoa, à mercê dos tiros e vazamentos.

Peça 1 — o primeiro tempo da Lava Jato 2

Quando o caso Master explodiu, a relatoria no Supremo Tribunal Federal coube a Dias Toffoli. De imediato, ele foi bombardeado por vazamentos que apontavam ligações de fundos do Master com um empreendimento do qual participava.

Caiu todo mundo de pau sobre ele — inclusive veículos da imprensa alternativa. Afinal, não se pode compactuar com a corrupção, não é mesmo?

O detalhe que se omitia: na relatoria, Toffoli atuava corretamente. Percebeu o vazamento de informações na perícia dos celulares e tentou trazer a perícia para o STF, indicando peritos da própria PF — tecnicamente respeitados e sem vínculo com a Lava Jato. Foi esmagado pela campanha anticorrupção.

Diariamente, O Globo atacava Toffoli e insinuava interferências dele nas investigações, em matérias de uma falta de objetividade ímpar. Se demorava a agir, “a PF está incomodada com a demora”. Se acionava o inquérito em regime de urgência, “a PF está incomodada com a pressa”.

Era nítido que as denúncias funcionavam como mero instrumento para retirar a relatoria de Toffoli, enfraquecer o STF e entregar as rédeas da operação ao grupo lava-Batista da PF. Jogo pesado, cuja arma principal foi o contrato da esposa de Alexandre de Moraes com o Master. O contrato existe, de fato — mas sua origem foi falsificada: atribuiu-se o documento à perícia nos celulares de Daniel Vorcaro e, depois, jamais se confirmou essa perícia específica. Ou seja, o contrato chegou por outras fontes, e a jornalista mentiu ao atribuí-lo à perícia.

Bastou Toffoli renunciar à relatoria, e o caso caiu para o ministro André Mendonça, que incontinente ordenou a quebra do sigilo bancário de Fábio Luís Lula da Silva e proibiu o acesso do delegado-geral da PF à operação. Seguiu-se a mais explícita manipulação: a banda lava-Batista da PF divulgou a movimentação da conta ao longo de quatro anos. Era óbvio o objetivo — produzir um número altissonante para alimentar as manchetes.

Nada de ilegal se comprovou nas movimentações. Não estivesse o STF na defensiva, certamente Mendonça responderia por abuso de autoridade. O caso morreu, mas continuou vivo no imaginário popular.

Esses fatos — a insistência em repetir as denúncias diariamente, enquanto os principais envolvidos com o Master eram poupados — explicitaram o viés político da operação e obrigaram a um recuo.

Peça 2 — o intervalo para reorganizar a estratégia

Preparou-se, então, o segundo tempo: avançar sobre personagens centrais do caso Master que não pertencessem à frente bolsonarista.

Foi aí que surgiu o senador Ciro Nogueira, político que se blinda de denúncias oferecendo furos e futricas a jornalistas da cobertura política. Esqueceram Fábio Luís, passaram a citar Toffoli e Mendonça apenas de passagem e seguiram poupando Ibaneis Rocha. Nenhuma figura central do bolsonarismo apareceu — até explodir o áudio da conversa de Flávio Bolsonaro com Daniel Vorcaro.

Pessoal, um mínimo de raciocínio político! Onde o áudio foi encontrado? Obviamente, no celular de Daniel Vorcaro. Quem controlava os celulares? A perícia da PF. E por que o vazamento se deu por um veículo da imprensa alternativa, o The Intercept, e não por O Globo e demais parceiros de sempre?

O episódio dispersou energias e obrigou a concentrar fogo no filme de Bolsonaro enquanto se preparava o segundo tempo.

Peça 3 — o segundo tempo da Lava Jato 2

Jaques Wagner estava no foco da operação desde o primeiro momento, já que o Credcesta — empresa que o Master usou para explodir seu crédito consignado — resultou de uma privatização do governo baiano.

Mas, depois de deixar os rastros da politização na investida sobre Fábio Luís, os vazamentos estavam desmoralizados. A operação concentrou-se, então,  nos personagens do Centrão e esperou esvaziar a repercussão do caso Flávio Bolsonaro. O caso Wagner ficou na prateleira, à espera do segundo tempo.

A essa altura, a Operação Master já era um chuveiro de vazamentos — a ponto de procuradores ligados à Procuradoria-Geral da República alertarem para a imprudência de Mendonça ao autorizar a divulgação de investigações em andamento, com risco de prejudicar a própria apuração.

Com a legitimidade supostamente restaurada pelas incursões contra o Centrão — embora sem nenhum movimento em relação a Eduardo e Flávio Bolsonaro ou outras figuras centrais do bolsonarismo —, a Lava Jato 2 inaugura o segundo tempo tirando a prateleira  as denúncias contra Jaques Wagner, personagem relevante no universo petista e no governo Lula.

Peça 4 — as denúncias contra Jaques Wagner

Não cometerei a leviandade de afirmar que Wagner é culpado ou inocente. Jornalismo sério publicaria os vazamentos com todas as ressalvas necessárias, daria a palavra ao acusado e aguardaria o julgamento antes de formular juízo de valor. O padrão Lava Jato, ao contrário, consiste em inundar o noticiário com denúncias, insinuações e suposições, até consolidar a convicção.

Vale, então, separar o que é fato do que é tese.

O que há de objetivo (fato processual, apreensão ou prova material)

O que está materialmente estabelecido é, em boa parte, processual e probatório — não conclusivo quanto ao crime:

  • A 9ª fase foi deflagrada em 18 de junho, com 18 mandados de busca e apreensão na Bahia, em São Paulo e no Distrito Federal, autorizados pelo STF.
  • Houve apreensão física: US$ 49 mil e 13 relógios em endereços ligados a Wagner.
  • Existe uma mensagem interceptada no aparelho de Augusto Ferreira Lima em que o parlamentar envia o contato do gerente da construtora e informa a unidade e o preço do imóvel: “a unidade é a 1702 e o preço é 2,45 mi”.
  • A base probatória citada por Mendonça é objetivamente listada: mensagens eletrônicas, áudios, registros de chamadas, documentos contratuais, comprovantes de transferência, registros societários e planilhas de pagamentos obtidos em aparelhos apreendidos nas fases anteriores.

A versão de Wagner

Como manda o ofício, a palavra ao acusado: Wagner sustenta que a intervenção de Augusto Lima serviu apenas para reservar o apartamento à sua filha, enquanto ele providenciava a venda de um imóvel para assumir o contrato. É a sua explicação — não prova material, mas tampouco pode ser suprimida do noticiário.

O que é suposição, imputação “em tese” ou inferência

Aqui está o grosso da narrativa acusatória — ainda não comprovada:

  • A qualificação central é explicitamente hipotética: Wagner é “apontado pela Polícia Federal como suposto beneficiário central das vantagens econômicas investigadas”. “Suposto beneficiário” é tese, não fato provado.
  • O valor de R$ 8,35 milhões em suposto recebimento é estimativa da PF, não montante comprovadamente recebido por ele.
  • O nexo de contrapartida — a ideia de que a atuação parlamentar (consignado/Lei 14.431, PEC 65 sobre o FGC, operação Master/BRB) foi troca por vantagem — permanece hipótese: os investigadores “tentam esclarecer” se o senador atuou em favor das pautas de interesse do Master. O próprio verbo denuncia que o vínculo causal não está fechado.
  • A tipificação penal é condicional: apura-se, “em tese”, corrupção passiva, corrupção ativa e lavagem de dinheiro.
  • A “relação antiga e de confiança” é inferência interpretativa: Mendonça diz que os autos apontam relação próxima e de elevado grau de confiança, “circunstância que poderia ter facilitado tratativas”. “Poderia ter facilitado” é construção probabilística.

O eixo decisivo, portanto, não é a existência dos repasses — que aparecem documentados —, mas o nexo de imputação a Wagner pessoalmente e a causalidade entre dinheiro e atuação parlamentar. E é exatamente nesses dois pontos que o material divulgado segue operando no campo do “em tese”.

É desmoralizador para toda a corporação da PF, que se utilizem vazamentos e se façam imputações baseadas em teses, suposições.

Mas a ofensiva do PADPF (Partido da Associação dos Delegados da Polícia Federal) foi eficiente no trabalho de enfraquecer o Supremo. Com as facilidades, aliás, proporcionadas pela atuação de Dias Toffoli e Alexandre Moraes.

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terça-feira, 10 de março de 2026

TV GGN EXCLUSIVO: Como o terrivelmente evangélico e terrivelmente bolsonarista André Mendonça e o delegado do Master (igualmente bolsonarista) espionaram funcionários públicos e intelectuais; confira na TV GGN

 Parceria neo-lavajatista entre André Mendonça e o delegado Thiago Marcantonio Ferreira no caso Banco Master e contra Fábio Luís Lula da Silva aparece em novas revelações

Do Canal TV GGN:


EXCLUSIVO: Como Mendonça e delegado do Master espionaram funcionários públicos e intelectuais; confira na TV GGN



Nesta segunda-feira (9), no programa TVGGN 20 Horas [confira o link abaixo], o jornalista Luis Nassif revela, com exclusividade, indícios de que o ministro do Supremo Tribunal Federal André Mendonça e o delegado da Polícia Federal Thiago Marcantonio Ferreira — que atuam juntos nos desdobramentos do caso do Banco Master e no pedido de prisão de Fábio Luís Lula da Silva — teriam participado da elaboração de um levantamento sobre servidores públicos identificados como antifascistas.

Segundo as informações apresentadas por Nassif, Mendonça e Marcantonio teriam coordenado um relatório que reuniu dados de 579 servidores públicos, entre professores e policiais, sob a justificativa de segurança nacional. O episódio remete a uma controvérsia que ganhou grande repercussão em 2020, durante a passagem de Mendonça pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública, no governo do ex-presidente Jair Bolsonaro.

À época, reportagens revelaram que a pasta havia produzido um documento com informações sobre servidores ligados a movimentos antifascistas. O material incluía nomes e, em alguns casos, fotografias e perfis em redes sociais dos monitorados, e teria sido compartilhado com diversos órgãos públicos, como a Polícia Federal, a Agência Brasileira de Inteligência e setores de inteligência militar.

Reportagem do portal jurídico Consultor Jurídico (ConJur), publicada em agosto de 2020, relatou que Mendonça admitiu a existência do relatório em reunião reservada com parlamentares da Comissão Mista de Controle das Atividades de Inteligência do Congresso. Na ocasião, o então ministro reconheceu o documento, mas rejeitou a classificação de “dossiê”, afirmando que se tratava de atividade regular de inteligência registrada nos sistemas do ministério.

Apesar das explicações, parlamentares da oposição consideraram que houve monitoramento político indevido. O então líder da oposição no Senado, Randolfe Rodrigues, declarou após a reunião que as respostas não foram satisfatórias e afirmou estar convencido de que o governo havia atuado de forma irregular ao monitorar opositores.

Agora, com as novas informações apresentadas por Nassif, o caso volta ao centro do debate público ao apontar a possível participação direta do ministro do STF André Mendonça e do delegado da Polícia Federal Thiago Marcantonio Ferreira, que também atuam juntos nos desdobramentos do caso do Banco Master e no pedido de prisão de Fábio Luís Lula da Silva, na coordenação de um levantamento sobre servidores classificados como antifascistas, prática que críticos apontam como possível espionagem política dentro da estrutura do Estado.

Nesta edição (09/03), Luis Nassif recebe o advogado criminal Alexandre Wunderlich para comentar o tema e os riscos de o país enfrentar uma nova Operação Lava Jato. No mesmo programa, o cientista político Pedro Costa Junior analisa ainda a possibilidade de o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho entrarem na mira dos Estados Unidos como organizações terroristas.

Confira pelo link abaixo: