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sexta-feira, 10 de agosto de 2018

2016 até hoje, com Supremo, com tudo: um Golpe Estamental ligado aos interesses da Elite do Atraso.... Leia as reflexões de Jorge Alexandre Neves



"Portanto, no Brasil, esse estamento excepcionalmente poderoso se configura em uma elite que em certos momentos colabora e em certos momentos se contrapõe à plutocracia do mercado (classe economicamente dominante) ou a frações dela. Esse elemento estamental também nos ajuda a entender porque aqui nunca houve uma “classe média” que se mobilizasse na busca de direitos universais, como o saudoso Milton Santos tão bem denunciou em uma palestra disponível na internet, ao ressaltar que, no nosso país, a “classe média” sempre quis privilégios e não direitos universais."

Do Jornal GGN:



Um Golpe Estamental, por Jorge Alexandre Neves
Nas décadas de 1960 e 1970, houve no meio acadêmico um rico debate sobre o estado capitalista ou o estado nas sociedades capitalistas. Vários pensadores das diferentes disciplinas das ciências sociais e das humanidades participaram desse debate. Entre eles, destacaria três nomes: Nicos Poulantzas (grego radicado na França), Ralph Miliband (belga naturalizado inglês) e o americano Erik Wright. Esses pensadores terminaram desenvolvendo o que ficou conhecido como uma abordagem neomarxista do estado capitalista. De forma muito sintética, sua principal contribuição teórica foi a de perceber o estado capitalista como uma estrutura de relações sociais, como arena privilegiada do conflito de classes.
Esse debate teórico é muito útil para entendermos a dinâmica política brasileira. Todavia, ao buscar relacionar o estado à estrutura de estratificação das sociedades, esses pensadores não deram conta da complexidade desse conjunto de relações sociais. No mundo moderno, as estruturas de estratificação social são mais complexas do que qualquer grande abordagem teórica conseguiu vislumbrar. Talvez o sociólogo alemão Max Weber tenha sido aquele que, ao propor uma abordagem multidimensional da estratificação social, tenha conseguido uma melhor compreensão dessa realidade complexa. Da mesma forma, conseguiu identificar alguns importantes efeitos das relações entre os estratos sociais e o estado. Parte dessa contribuição de Weber foi incorporada pelos autores do debate citado, acima. Em particular, Erik Wright.
Em qualquer sociedade moderna convivem relações de dominação e de exploração que configuram estruturas de estratificação social não apenas de classe, mas também estamental. Importantes pesquisadores contemporâneos, como Yossi Shavit, têm encontrado evidências empíricas, em nível internacional, que demonstram que a desigualdade estamental é hoje tão ou mais importante do que a desigualdade de classes. Se observarmos a literatura internacional, vemos que o mundo vive numa dinâmica bimodal de desigualdade social. Para os percentis superiores da renda, o que interessa é, de fato, a riqueza e é ela que é transmitida intergeracionalmente para garantir a reprodução social da classe economicamente dominante. Para os demais, o principal ativo é a educação formal e o que o sociólogo francês Pierre Bourdieu chamou de “capital cultural”. Para a grande maioria das famílias, em qualquer sociedade moderna, o fator fundamental da reprodução intergeracional da desigualdade é a educação formal e o capital cultural.
Se os elementos estamentais dos sistemas de estratificação social são um fenômeno universal, eles são ainda mais centrais no Brasil, por razões históricas, que, inclusive, nos diferenciam dos demais países latino-americanos. O livro “A Construção da Ordem”, de José Murilo de Carvalho, traz os fundamentos historiográficos para entendermos a especificidade do caso brasileiro.
No seu livro, José Murilo de Carvalho mostra que, em Portugal, o estado absolutista se desenvolveu de forma precoce, já a partir do final do século XIV. Esse processo levou a um fortalecimento da coroa em detrimento da aristocracia, o que teria levado a um relativo empobrecimento desta última. Haveria, então, sobrado para a aristocracia lusitana o emprego público como uma importante fonte de renda e de prestígio. Teria sido formado, em Portugal, um estamento burocrático e profissional de origem aristocrática e que se encrustou na estrutura formal do estado. Uma evidência do peso dessa herança histórica em Portugal, ainda hoje, é o fato de que lá se encontra, de longe, a maior desigualdade educacional entre os países europeus. Gabriele Ballarino e Elena Meschi mostram que os Coeficientes de Gini dos anos de escolaridade de Portugal é de 0,332, enquanto que o segundo maior, o espanhol, é de 0,281, o italiano é 0,240 e o grego é 0,229. A reprodução estamental depende fortemente da capacidade de controle das oportunidades educacionais.
Em 1908, essa mesma estrutura terminou de ser transposta para o Brasil. Nas palavras de José Murilo de Carvalho: “Essa transposição de um grupo dirigente teria talvez maior importância que a transposição da própria Corte portuguesa e foi fenômeno único na América.”
Esse estamento burocrático e profissional, no Brasil, continuou sempre encrustado no estado ou gravitando em torno dele. Como demonstra Edmundo Campos Coelho, em seu livro “As Profissões Imperiais”, os profissionais ditos “liberais” – profissionais estes que, segundo João Cabral de Melo Neto, em seu poema “Morte e Vida Severina”, “não se libertaram jamais” – buscaram a proteção do estado desde o início da formação de suas corporações. Nas palavras do próprio Edmundo Campos Coelho, esses profissionais terminaram, assim, se caracterizando como “elites saturadas de valores excludentes, antidemocráticos, antipovo.”
Uma nova literatura internacional sobre neopatrimonialismo (entre outros, vale ressaltar os trabalhos do sociólogo e historiador Ivan Ermakoff) tem mostrado que este é um fenômeno internacional. Assim, embora eu discorde de Jessé Souza sobre a utilidade do conceito de neopatrimonialismo, concordo com ele que o conceito não serve para identificar uma especificidade do Brasil ou da América Latina. Como bem demonstra Ivan Ermakoff, relações sociais patrimonialistas podem se incorporar a qualquer organização burocrática, pública ou privada. Todavia, a existência, no caso brasileiro, de um estamento burocrático e profissional de tal forma encrustado no estado serve de catalizador para práticas patrimonialistas que envolvem não apenas o referido estamento, como também indivíduos oriundos de quaisquer estratos sociais, em particular da plutocracia empresarial. No Brasil, as práticas neopatrimonialistas e o estamento burocrático e profissional se alimentam mutuamente.
Portanto, no Brasil, esse estamento excepcionalmente poderoso se configura em uma elite que em certos momentos colabora e em certos momentos se contrapõe à plutocracia do mercado (classe economicamente dominante) ou a frações dela. Esse elemento estamental também nos ajuda a entender porque aqui nunca houve uma “classe média” que se mobilizasse na busca de direitos universais, como o saudoso Milton Santos tão bem denunciou em uma palestra disponível na internet, ao ressaltar que, no nosso país, a “classe média” sempre quis privilégios e não direitos universais.
A essa altura acredito que já deixei bastante claro que a reprodução intergeracional de um estamento burocrático e profissional depende, fundamentalmente, do monopólio das melhores oportunidades educacionais. Foi nesse ponto que os governos petistas começaram a incomodar profundamente o estamento burocrático e profissional. Entre todas as dimensões da desigualdade que foram, de alguma forma, reduzidas durante a era petista, a educação foi a mais fortemente atingida. Como também ocorreu nas socialdemocracias europeias, os governos petistas conseguiram atingir a desigualdade educacional de forma muito mais efetiva do que a desigualdade de riqueza ou de renda (como os estudos feitos a partir da metodologia de Thomas Piketty têm mostrado). Está aí a principal energia de ativação do golpe de 2016! Um típico caso de “conflito de status”, como definido por Randall Collins.
O golpe de 2016 foi iniciado pelo estrato social que se sentia mais incomodado com a nova realidade que se passava a construir no Brasil. A plutocracia empresarial e rentista veio a reboque. Assim como os próprios políticos. O marco fundamental do golpe foi o dia 16 de março de 2016, quando o “herói” estamental, Sérgio Moro, gravou ilegalmente conversas do Ex-Presidente Lula com a então Presidenta Dilma e liberou a gravação para a mídia. Não por acaso, um ato perpetrado por um ilustre representante do estamento.
Antes de concluir, vale lembrar que o PT, por muito tempo, investiu em uma relação política privilegiada com o estamento. O fato mais simbólico disso foi a introdução da lamentável prática de nomear o candidato mais votado para PGR. Espero que se tenha aprendido a lição!

sábado, 2 de dezembro de 2017

Ion de Andrade analisa, em artigo para o GGN, o corporativismo ao redor da Lava Jato, o silêncio retumbante e esclarecedor da "grande mídia" sobre o depoimento de Tacla Duran e de como os poderosos das petroleiras riem do Brasil



 "Apesar das evidências trazidas por Tacla Durán de ilícitos que talvez tornem a Lava Jato maior crime de lesa pátria de toda a história do Brasil, o complexo jurídico-midiático que a sustenta resolveu fazer ouvidos moucos, o que significa que a sua solidariedade para com a operação independe de qualquer variável. O silêncio sobre o seu depoimento na grande mídia foi completo. Ora, considerando a força real de que dispõe a mídia e o Poder Judiciário, isso significa que, apesar de parecer agonizar em praça pública, a Lava Jato continua de pé, operante e vai seguir adiante rumo ao seu objetivo estratégico maior que é o de ferir de morte a candidatura Lula. Por outro lado, a ilegitimidade da operação é hoje total, fato que tornará para a maior parte da sociedade brasileira a cassação da candidatura do ex-presidente num desfecho totalmente inaceitável." - Ion de Andrade

Irreversibilidade da pena abrandada para os que, como Tacla Durán, queiram depor sobre a delação premiada
Apesar das evidências trazidas por Tacla Durán de ilícitos que talvez tornem a Lava Jato maior crime de lesa pátria de toda a história do Brasil, o complexo jurídico-midiático que a sustenta resolveu fazer ouvidos moucos, o que significa que a sua solidariedade para com a operação independe de qualquer variável. O silêncio sobre o seu depoimento na grande mídia foi completo.
Ora, considerando a força real de que dispõe a mídia e o Poder Judiciário, isso significa que, apesar de parecer agonizar em praça pública, a Lava Jato continua de pé, operante e vai seguir adiante rumo ao seu objetivo estratégico maior que é o de ferir de morte a candidatura Lula.
Por outro lado, a ilegitimidade da operação é hoje total, fato que tornará para a maior parte da sociedade brasileira a cassação da candidatura do ex-presidente num desfecho totalmente inaceitável.
Por outro lado, a CPMI em curso começou a sentir gosto de sangue e dificilmente vai retroceder nas investigações, o que significa que, em sendo verdade o que disse Tacla Durán tudo será comprovado. Mesmo se isso ocorrer, o processo de Lula continuará tramitando rumo à condenação a priori a que está destinado.
O que fazer? Num cenário de cinismo institucional generalizado não parece haver tempo hábil para que o descrédito geral da operação venha a anular o processo de cassação anunciada de Lula, razão maior pela qual foi urdida.
Com tratamento oposto, o julgamento do impeachment de Dilma se arrasta no STF. Já ilegítimo, agora sabemos que há contas de João Santana que não foram registradas pela operação. Teriam elas através das suas movimentações a prova de que João Santana comprou a sua redução de pena?
O STF sobre quem repousa a responsabilidade do ordenamento institucional do judiciário está há muito tempo inerte e dificilmente se posicionará.
Institucionalmente, portanto, tudo continua como dantes, e o depoimento de Tacla Durán poderá não ter tido força gravitacional suficiente para uma reversão de rumos. Na verdade o cenário de caos institucional pode ser o melhor cenário para as petroleiras que já começaram a nos pilhar e conseguiram ter maioria no congresso para ter aprovada uma renúncia fiscal de um trilhão de reais.
Como reverter isso? De que forma o depoimento de Tacla Durán poderá converter-se num fator de mudança de equilíbrios?
Será necessário comprovar o que ele diz, com a identificação dos desvios provavelmente a partir das contas misteriosamente não registradas pela Lava Jato. Sim porque se contas não registradas há é que têm papel na trama, se Tacla Durán estiver falando a verdade como tudo leva a crer que está.
A análise dos extratos bancários das contas de João Santana preservadas da Lava Jato poderia apontar para os ilícitos evitados por Tacla Durán quando se refugiou na Espanha. Fosse brasileiro e vivendo no Brasil Tacla Durán, se estiver falando a verdade, teria preferido pagar e estaria calado.
Ora, qual a maneira de converter personagens como João Santana e dezenas de outros em testemunhas contra a Lava Jato?
Dando-lhes garantias de que a sua denúncia não terá o condão de reverter as penas abrandadas a que foram condenados. Garantias de que poderão continuar a viver em suas mansões, devidamente encoleirados em suas tornozeleiras. Quem pode assegurar essa imunidade? O STF a pedido da CPMI em virtude de que tais depoentes para serem dignos de fé precisam estar imunes dos efeitos de reversão de suas penas por parte das autoridades que as terão abrandado. Só assim podem depor. Além disso, em tendo os seus casos reabertos, garantida como pena máxima a situação atual, poderão tentar reaver o seu patrimônio extorquido. Essa será uma condição inegavelmente necessária para um depoimento digno de fé.
Cabe aos parlamentares estudarem qual o instrumento jurídico mais adequado ao propósito.
Se Tacla Durán estiver falando a verdade talvez haja uma centena de brasileiros como ele, extorquidos, humilhados, mas calados... até que possam dizer a verdade.



domingo, 10 de setembro de 2017

“Jotabeesses” presos; procurador solto. ‘Taí’ o que Janot queria, por Fernando Brito

TRIOJBS
A decisão do Ministro Luiz Edson Fachin de mandar prender Joesley Batista e Ricardo Saud e deixar de fora o ex-procurador Marcelo Miller não poderia ser mais conveniente para Rodrigo Janot.
Joesley e Saud, desmoralizados mais do que já estavam antes da gravação do “papo de bebum” podem dizer que a terra é redonda, que água molha e que fogo queima que ninguém lhes dará muito crédito.
Mas Miller, pressionado pela prisão, era o risco de dizer o agora fatal “ele sabia de tudo” – como se sabe, a maior prova de culpa, hoje, na Justiça brasileira – sobre o conhecimento, a orientação e a participação de Janot na negociação do acordo com a JBS.
O procurador não poderia ter deixado de pedir a prisão de seu ex-braço direito: eram o necessário “doa em quem doer”, o “cortar na própria carne”, o “fui traído e não traí jamais”.
Verdade é nada, imagem é tudo e a dele anda tão tisnada que faz todo o sentido imaginar que tenham sido assim as coisas.
Fernando Brito, no site Tijolaço.

domingo, 9 de fevereiro de 2014

A Máfia de Branco brasileira, elitista, conservadora e exclusivista, reage contra o Programa Mais Médicos, com a ajuda de Ramona e o Caiado por fora








Extraído do Brasil 247:

Entidades declaram guerra ao programa Mais Médicos

 

 

    O Conselho Federal de Medicina, a Federação Nacional dos Médicos e a Associação Médica Brasileira divulgaram, neste domingo, uma carta de repúdio às condições de trabalho dos profissionais que atuam no âmbito do programa Mais Médicos; pretexto foi o caso da cubana Ramona Rodríguez, que desertou e disse ter trabalhado como "escrava"; nesta segunda, o Ministério Público do Trabalho toma o depoimento da médica, que foi contratada por uma dessas entidades.

   9 de Fevereiro de 2014 às 19:41

   Aline Valcarenghi - Repórter da Agência Brasil 

   Entidades médicas divulgaram hoje (9) carta de repúdio às condições de trabalho dos profissionais, cubanos ou não, que atuam no Programa Mais Médicos. O Conselho Federal de Medicina, a Federação Nacional dos Médicos e a Associação Médica Brasileira alegam que o contrato fere direitos individuais e trabalhistas.
   As entidades querem que todas as denúncias e os "indícios de irregularidades" no processo de contratação de intercambistas e de médicos brasileiros sejam apurados pelo Ministério Público Federal, pelo Ministério Público do Trabalho (MPT) e pelo Supremo Tribunal Federal.

  (10), o MPT ouvirá o depoimento da médica cubana Ramona Rodriguez, que abandonou o programa na semana passada, alegando que recebia menos de 10% do valor pago aos médicos inscritos individualmente.
Amanhã 

  Desde o lançamento do programa, em julho do ano passado, as entidades médicas defendem que a solução para a falta de profissionais em regiões carentes é a criação de uma carreira federal, semelhante à dos magistrados, para médicos do Sistema Único de Saúde, além da estruturação dos locais de atendimento.

   Os profissionais inscritos individualmente no programa recebem bolsa formação no valor de R$ 10 mil para trabalhar na atenção básica de regiões carentes que não conseguem atrair médicos. Eles não têm vínculo empregatício com o Ministério da Saúde, pois, segundo a pasta, participam de uma especialização na atenção básica, nos moldes de uma residência médica.

   Já os cubanos, que são 5.378 dos 6.600 profissionais do programa, chegam ao Brasil por meio de um acordo entre os governos dos dois países, intermediado pela Organização Pan-Americana da Saúde (Opas). O governo brasileiro faz o pagamento à Opas e a organização repassa para Cuba, que fica com parte da verba.

Familia de Caiado mantém trabalho escravo em suas fazendas :

http://reporterbrasil.org.br/2010/08/fazenda-de-primo-de-ruralista-mantinha-trabalho-escravo/ Fazenda de família de Ronaldo Caiado mantém trabalhadores escravizados.

http://altamiroborges.blogspot.com.br/2013/09/os-escravos-do-ruralista-caiado.htmlOs escravos
de Ronaldo Caiado.

http://www.brasildefato.com.br/node/1482 Familia Caiado e seus escravos nas Fazendas.

http://mateusbrandodesouza.blogspot.com.br/2013/09/ronaldo-caiado-e-contra-o-trabalho.html Ronaldo Caiado votou contra a PEC do Trabalho Escravo.


Texto de Fernando Britto, do Tijolaço:

CFM quer que cubanos “escravos” deixem de atender doentes e sirvam cafezinho para “médicos livres”


Chega a ser nojenta a notícia de que o Conselho Federal de Medicina fará uma campanha entre os médicos brasileiros para que ofereçam “empregos administrativos” em seus consultórios e hospitais para os médicos cubanos que “desertem” e abandonem seus postos de atendimento na periferia e no interior do Brasil.
— Vamos dar apoio aos cubanos, mas eles não poderão trabalhar como médicos. Primeiro, eles terão de buscar refúgio e asilo em embaixadas não alinhadas ideologicamente com Cuba. Enquanto isso, com a rede de 400 mil médicos brasileiros, vamos conseguir contratos de trabalho administrativo, para que eles então tentem o Revalida — afirmou neste domingo o presidente do CFM.
O que estes “doutores” querem? Não se contentam em ser desprezados pelo povo brasileiro, querem levar as pessoas pobres que viram um médico pela primeira vez na vida, de volta ao abandono total?
Afinal, quem quer reduzir quem à condição de escravos, de seres inferiores e incapazes senão de servir aos senhores?
Vão lhe servir cafezinho e vocês tolerarão, por isso, que usem a roupa branca?
Vão ser os seus “negrinhos”? Como aquela imbecil que disse que as médicas cubanas tinham cara de “empregada doméstica”.
E que beleza, não é, nem direitos trabalhistas terão, porque não têm visto de trabalho no Brasil para nada senão o que são: médicos de família, doutores em medicina social.
Ou será que os estão provocando até que um deles, em nome de sua dignidade, lhes esbofeteie?
E aqueles brasileiros que estão lá, onde vocês não querem ir, nem ganhando quatro vezes mais do que os cubanos?
É gente simples, que não tem ninguém que olhe por ela, que suplica, implora , se ajoelha, até, para que se cuide de um filho doente.
Os dirigentes destas instituições não fizeram o Juramento de Hipócrates?
Não é possível que tenham prometido nunca  ”causar dano ou mal a alguém.”
A mesquinhez e a crueldade de parte da elite brasileira chegou ao extremo.
Já não lhes basta viver na abundância: é preciso que os pobres morram na doença e no abandono.

domingo, 1 de setembro de 2013

A farsa arrogante de parte dos médicos brasileiros em atos visíveis




Carlos Antonio Fragoso Guimarães


Seria engraçado se não fosse especialmente trágico.... No Brasil, a maioria dos estudantes de Medicina são da classe média alta e muitos filhos de médicos... Fazem da profissão uma espécie linhagem de certos privilegiados e do conhecimento médico, uma forma de divisão de classes. Muitas vezes expressam de diferentes formas o velho estilo "carteirada", agora no sentido "você, como leigo, não tem condições de entender".

Afora isso, uma parcela considerável, formada em universidades públicas, não possuem espírito de solidariedade a não ser com os que podem pagar. E nisso recebem um grande incentivo da poderosíssima indústria farmacêutica e de tecnologia médica - tecnologia esta muitas vezes secundária, mas plena de fetiches simbólicos, sem falar na atitude e pensamento mecanicista de uma parte considerável dos clínicos (clique aqui para ver o médico, Dr. Igor Tavares Chaves, discorrer lucidamente sobre o grande poder da poderosa indústria farmacêutica no condicionamento dos médicos e do público para o consumo nocivo, por vezes  sem necessidade e ainda de produtos menos efetivos, de medicamentos, numa ótica unicamente mercantil e mecanicista).

Agora, esta categoria elitista se sente profundamente ameaçada por médicos estrangeiros, em geral, e pelos cubanos, em particular.

Além do mais, a derrota do exclusivismo da prescrição de diagnósticos e, com isto, de reserva de mercado e proeminência apenas aos profissionais de medicina, que eles tanto queriam através do sórdido Ato Médico (felizmente, nestes pontos delicados, vetados pela presidente Dilma), fizeram eclodir o lado direitista dos conselhos regionais e federais da categoria Além dos ranços ideológicos, eles temem que o paradigma humanista e solidário dos que vêm de fora acabe por mostrar à população as falhas e as atitudes exclusivistas deles próprios... Lembram-se do caso dos médicos que faziam dedos de silicone para burlar o ponto eletrônico, registrando a entrada e a saída mas sem trabalhar ou estarem lá?

Para termos uma ideia melhor do pensamento arrogante de boa parte da classe médica, vejamos os videos abaixo:













terça-feira, 6 de agosto de 2013

Protesto de diferentes categorias da saúde defende os vetos de Dilma à trechos do Ato Médico



Mais uma ação necessária contra o corporativismo elitista da máfia de branco:



Enquanto médicos se manifestam contra os vetos da presidente à lei que regulamenta a atividade no País, outros profissionais da saúde, como enfermeiros e fisioterapeutas, defendem o contrário em Brasília; um veto polêmico para o corporativismo médico foi ao trecho que torna exclusividade dos médicos a formulação do diagnóstico de doenças; análise será do Congresso.

Fonte: http://www.brasil247.com/pt/247/brasilia247/110816/


Jorge Wamburg, da Agência Brasil – Profissionais de diversas áreas da saúde realizam nesta terça-feira (6) na Esplanada dos Ministérios, em Brasília, uma manifestação em defesa dos vetos da presidenta Dilma Roussef à Lei nº 12.842, que regulamenta a atividade médica no país e ficou conhecida como Lei do Ato Médico. Os vetos serão apreciados pelo Congresso Nacional e preservam o atendimento multidisciplinar nos serviços públicos e privados de saúde, como defendem os manifestantes.
Entre os artigos vetados, está a exclusividade dos médicos na formulação do diagnóstico de doenças (diagnóstico nosológico), uma das principais bandeiras do movimento Não ao Ato Médico, que congrega 14 profissões da área de saúde que se sentem prejudicadas com a restrição às suas atividades.
Atualmente, por exemplo, profissionais de enfermagem podem diagnosticar e iniciar o tratamento de doenças como malária, tuberculose e dengue para posterior tratamento pelos médicos, o que seria inviável se o veto não for mantido, além de afetar dois milhões de postos de trabalho em serviços públicos e privados que atendem pelo Sistema Único de Saúde.
A manifestação de hoje reúne profissionais de diversos estados, como João Paulo Fernandes Filho, membro do Conselho Regional de Fisioterapia e Terapia Ocupacional de São Paulo. Para ele, a questão envolve não apenas o trabalho de diversas categorias que defendem o veto como uma questão financeira: "a exclusividade do diagnóstico e prescrição, prevista no projeto, vai aumentar muito a procura pelas consultas com os médicos, que atualmente são feitas com outros profissionais, e assim beneficiar financeiramente uma categoria em detrimento de outras 14 que participam das atividades de saúde".
Segundo João Paulo, a presidenta Dilma Roussef entendeu a necessidade de vetar esse e outros dispositivos do projeto, "que mudam as regras do jogo" e agora o "Congresso deve manter os vetos para manter a eficiência e a eficácia das atividades dos profissionais de saúde".
O projeto tramitou por quase 11 anos no Congresso Nacional e o texto, sancionado com vetos parciais pela presidenta no último dia 11 de julho, assegura as atribuições específicas dos médicos, entre elas: indicação de internação e alta médica nos serviços de saúde; indicação e execução da intervenção cirúrgica; emissão de laudo dos exames endoscópicos e de imagens; perícia médica; atestação médica de condições de saúde; perícia e auditoria médicas; ensino de disciplinas especificamente médicas e coordenação dos cursos de graduação em Medicina, dos programas de residência médica e dos cursos de pós-graduação específicos para médicos.
Foram vetados os dispositivos que impedem a atuação de outros profissionais na indicação de órteses e próteses, inclusive oftalmológicas, como nos casos de calçados ortopédicos, cadeiras de rodas, andadores e próteses auditivas.
Houve veto ainda no trecho que indicava a invasão da pele atingindo o tecido subcutâneo para injeção, sucção, punção, insuflação, drenagem, instilação e enxertia. Isso porque, caso a redação fosse mantida, a utilização da acupuntura seria privativa de médicos, restringindo a atenção à saúde e o funcionamento do SUS. Foi vetada também a direção e a chefia de serviços médicos exclusivamente por este profissional.
Membro do Conselho Federal de Psicologia, Cynthia Ciarallo, explicou que os vetos envolvem duas questões fundamentais para os profissionais e os pacientes: acessibilidade e integralidade. A primeira, diz respeito ao acesso dos pacientes ao sistema de saúde e a segunda envolve a atuação integrada das equipes, pois "a saúde é muito complexa e não pode ficar nas mãos de uma só categoria de profissionais. Uma profissão não pode ter hegemonia sobre as outras".
Edição: Denise Griesinger

quarta-feira, 24 de julho de 2013

A elitista Máfia de Branco e o seu juramento dos hipócritas


Antes de ler o texto abaixo, veja este vídeo e as charges críticas posteriores:

vídeo de médico que vê paciente morrendo e não levanta da cadeira








A medicina vem se tornando mais e mais um clube exclusivista e fechado de parte da classe média... É mais um espaço de status e poder que profissão de gente dedicada ao humanismo, à cumprir o juramento de Hipócrates... Isto fica explicitamente claro no corporativismo da elite de branco e na mentalidade exclusivista, economicista e mecanicista de seus representantes... 

Carlos Antonio Fragoso Guimarães






A Folha de São Paulo e o médico que teria "desistido" do Mais Médicos

Fonte: http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/a-folha-e-o-medico-que-teria-desistido-do-mais-medicos

No Facebook do Página Dois
A incrível história do médico do Sírio Libanês que ~teria~ se inscrito no programa “Mais Médicos” fica melhor a cada lance.
Como definiu Paulo Nogueira no Diário do Centro do Mundo, “Cesar Camara cobra 450 reais por consulta, é assistente de um dos urologistas mais caros do Brasil e apareceu na Folha como um candidato desencantado de um programa cujo alvo são médicos no início da carreira”.
Camara foi retratado numa matéria da repórter Claudia Colucci como um dos médicos que teriam desistido de entrar no programa “Mais Médicos” por não concordar com os termos do contrato. "Não há direito algum. Fica complicado aceitar um trabalho nessas condições".
É o personagem perfeito. O sonho de um repórter. O cara que, além de confirmar a pauta ainda dá uma aspa que não precisa de edição.
O problema é que tudo não passou de uma alegoria inventada por Colucci.
Trabalhei com Colucci na Folha. Ela é uma das mais experientes repórteres de Saúde do país. Realmente entende do assunto, tem ótimas fontes médicas e trânsito em hospitais como Einstein e Sírio Libanês.
Afinal, como perguntou Paulo Nogueira, qual o motivo de um médico que ganha 450 paus por consulta iria se internar no Brasil profundo, largar tudo, para trabalhar no SUS?
Paulo explica: “Diante do flagrante de mau jornalismo, eis a resposta da jornalista responsável pela reportagem: “Em nenhum momento da entrevista, Cesar Camara se identificou como assistente do urologista Miguel Srougi no HC ou no Sírio-Libanês. Disse, sim, que era médico de uma clínica particular em Heliópolis.”
Camara não disse nada sobre ser do HC-USP e do Sírio porque Colucci sabia. Camara atende pacientes de Heliópolis usando um jaleco do Sírio. Além disso seu perfil no LinkedIn dá a capivara completa do médico urologista. Estranhamente o perfil no LinkedIn foi apagado recentemente, mas o Google mantém uma cópia (http://webcache.googleusercontent.com/search?q=cache%3AlAqdA_IyT0AJ%3Abr.linkedin.com%2Fin%2Fcesarcamara+&cd=1&hl=pt-BR&ct=clnk&gl=br)
Além disso, Camara é doutor pela USP, um título público que pode ser conferido na Plataforma Lattes.
É preciso entender como se dá a dinâmica de um jornal para entender como Colucci chegou a Camara.
No dia 16, o chefe de Camara, Miguel Srougi escreveu um artigo para Folha em que ataca o programa “Mais Médico”. “Esse estágio coercitivo é compatível com a prerrogativa de liberdade, direito inegociável da existência humana?”, pergunta o urologista. “Instrutores e professores qualificados aceitarão migrar com suas famílias para os grotões remotos do país, amparando os estagiários?”, continuou no artigo. (http://www1.folha.uol.com.br/opiniao/2013/07/1311622-miguel-srougi-mais-medicos-ou-menos-indecencias.shtml)
Para a suíte da cobertura sobre o “Mais Médico”, Colucci setorista de Saúde da Folha, foi acionada. Era preciso correr atrás de médicos que teriam recusado o “Mais Médico”, confirmando os argumentos de Srougi.
(No jornalismo corporativo, não existe a possibilidade de derrubar a pauta. Um médico é o suficiente para justificar uma matéria contra o programa, mesmo que o universo de inscritos beire os 12 mil médicos)
Mas onde achar um médico disposto a defender os argumentos de Srougi? Talvez ele próprio tenha alguém para indicar. No mesmo dia da publicação do artigo, o assistente de Srougi publicou um chamado em seu Facebook. Procurava alguém que teria desistido do programa “Mais Médicos”. “Alguém desistiu de se increver ou não cogitou se inscrever (sic) por causa da falta de direitos trabalhistas”, perguntou Camara.
(https://pbs.twimg.com/media/BPi1CEGCcAAi3y1.jpg)
A pauta de um jornal diário está sempre atrasada um dia. Como dia 16 a noite o jornal do dia 17 já estava na gráfica, a matéria de Colucci saiu no dia 18.
Nela, Colucci afirma que Camara “fez a inscrição e desistiu de efetiva-la”.
Mais tarde, Camara disse a própria Folha que agiu de boa-fé para tentar atuar como médico tutor no programa Mais Médicos. “Meu recuo (não confirmei a inscrição no programa) baseou-se apenas na falta de explicações sobre um programa de tutores e na questão da falta de garantias de estabilidade do programa.”
Ok. Se é o que ele diz a gente acredite. Ao menos que ele mude de idéia.
Para justificar “boa-fé”, Camara se apegou numa questão mal resolvida no “Mais Médico”: como ficará a situação dos professores. Ou “tutores” como ele chama que vai supervisionar os residentes.
Não há novidade, no entanto. Srougi, no artigo do dia 16, cantou a bola.
Mesmo assim, Camara confirma que se inscreveu mas não “confirmou” a inscrição. Ou como Colucci definiu “desistiu de efetivá-la”
Em uma terceira versão, publicada no Facebook, Camara diz que “não aderiu ao programa (não se inscrevendo) (http://twitter.yfrog.com/obz4cxoj)
Pode parecer preciosismo, mas há uma diferença entre se inscrever e não confirma e não se increver.
Diante de três versões, é importante perguntar: a) o médico Cesar Camara mentiu ao dizer que tinha se inscrito? b) A repórter sabia da mentira? c) Foi a repórter da Folha que contatou Camara ou ele pediu ajuda no Facebook a pedido do chefe? d) A matéria de Colucci falou com dois médico: Camara e um psiquiatra que atende na Prefeitura de Barretos. Ninguém estranhou a estranha relação de 2/12000? E, por fim, e) uma repórter experiente não lembrou que Camara ficou conhecido o ano passado após uma matéria do Estadão mostrar a iniciativa de abrir uma clínica particular na favela de Heliópolis?

sábado, 4 de fevereiro de 2012

A coragem de Eliana Calmon vence o corporativismo dos juízes



Quinta-feira, dia 02 de fevereiro de 2012, um dia para adentrar a história do Brasil como o dia da consolidação da democracia e da cristalização do princípio de que todos são iguais perante a Lei. Sim, porque antes, alguns se julgavam mais iguais do que outros e bem acima de todos. Dentre estes, alguns juízes e desembargadores (e alguns membros do Ministério Público de certos estados, que possuem tendência autoritária e corporativista, senão mafiosa para usufruto de besses entre os pares, quando estão no poder), que se achavam intocáveis e com o direito de bem dispor de bens e dinheiro público, esquecendo-se que são funcionários do povo e não o inverso.

Parabéns a Eliane Calmon que soube ser forte frente às pressões da AMB e outros órgãos pró-juízes, parabéns à coragem da OAB e, finalmente, parabéns aos corajosos ministros do STF que enfrentaram o conservadorismo e o elitismo de certos poderosos de toga que agora podem ser investigados legalmente pelo CNJ, especialmente os ladõres da escola do Lalau e os insanos do TJ de São Paulo que, agredindo pessoas e mesmo a Justiça Federal, promovem um tragédias como a de Pinheirinho...