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quinta-feira, 10 de outubro de 2019

No filme Coringa, de Todd Phillips, com Joaquin Phoenix e Robert De Niro, um reflexo do Brasil atual, em texto da jornalista Denise Assis, dos Jornalistas pela Democracia



Estão lá os afeitos ao bullying, os que levam a pessoa à loucura e quando ela está contra a parede, apontam o dedo. A maluca é a pessoa, que não resistiu à pressão e revidou. “Malvada”!.  


(Foto: Divulgação)



O Brasil atual está na tela de Coringa


Por Denise Assis, para o Jornalistas pela Democracia
O Coringa é o filme do momento. E o momento é o Coringa do filme. Além de ser uma interpretação acachapante, a do ator Joaquin Phoenix, (prontinho para o Oscar) o filme é tão soco no estômago, que é impossível ficar imune à realidade esfregada na cara da plateia.  
Estão lá os garotos perversos que esculacham o trabalhador do piso do último andar da cadeia produtiva. Os “rebeldes” que botam fogo nos mendigos na madrugada fria.  
Coringa é o filhote do “empreendedor”, que já é um pária. Estão lá na tela os riquinhos, que depois do chopinho de sexta se esbarram com o homossexual e resolvem surrá-lo, quebrando suas costelas, largando-o vomitando sangue na calçada.  
Está lá o político cínico, hipócrita, rico, asséptico, distante e demagogo. Estão lá as mulheres desesperadas, marginalizadas, que arcaram sozinhas com a criação dos filhos e de tão subjugadas pela responsabilidade, abrem mão da vaidade em nome da sobrevivência.  

Está lá o caso do filho bastardo que cresce longe do pai, milionário. Aquele mesmo homem que faz chantagem com a mãe para que ela jamais “abra o bico”, ainda que para isto tenha que forjar um laudo de laboratório, atestando que o filho não é dele. E quem não conhece história semelhante? 
Não falta o apresentador de TV bem penteado, que entra saltitante no palco, para se colocar acima do seu público.
Estão lá os afeitos ao bullying, os que levam a pessoa à loucura e quando ela está contra a parede, apontam o dedo. A maluca é a pessoa, que não resistiu à pressão e revidou. “Malvada”!
Está lá a falência do sistema, os cortes sociais, o desemprego, a violência crescente dos premidos pela necessidade de se agarrar às franjas da sociedade. Mais um pouquinho de degredo e o cara cai da borda do “Estado”. Sobra, como é o sonho dos liberais. O mundo é para os fortes, limpinhos e resilientes.
Está lá a revolta surda, prestes a explodir em barbárie. Até que explode.  Tudo isto conduzido por um ator que se vira do avesso, se transforma em garça, em águia, em urso, em clown. O clown que somos diariamente, a esperar por dias melhores. Coringa é imperdível!

sexta-feira, 6 de janeiro de 2017

Resenha do filme-documentário de Michael Moore "Onde Vamos Invadir Agora?", ou "O Invasor Americano", uma verdadeira lição também aos reacionários do Brasil





Texto de Carlos Antonio Fragoso Guimarães


 Sim, 2016 foi um ano horrível. Mas isto não quer dizer que foi um ano em que a imbecilidade venceu todas. No cinema - apesar de todo o boicote de uma mídia golpista e golpeadora - vimos filmes excelentes, como SNOWDEN, de Oliver Stone, e o nosso AQUÁRIOS, de Kléber Mendonça FIlho com o brilhantismo de Sônia Braga em uma história de resistência contra a opressão do poder econômico (por sinal, os dois filmes foram boicotados pelos envolvidos no Golpe de 2016 no Brasil, especialmente a cínica "grande mídia")... E que chamou parte da atenção do mundo sobre o Golpe Midiático-Parlamentar-Jurídico de 2016...

 Mas não apenas estes chegaram a nossas vistas - ou, ao menos, aos interessados pelo cinema de conteúdo e de crítica social. Depois de seis anos desde seu último trabalho, Capitalismo, uma história de amor, o cineasta Michael Moore, de Tiros em Columbine, Farenheit 11 de setembro, Roger e Eu e SIKO - $O$ Saúde (todos excelentes e indispensáveis a quem quer se inteirar dos motivos pelos quais o mundo hoje está como está), mais uma vez apresentou um trabalho radiográfico sobre os desmandos do Grande Irmão do Norte, ou melhor, de seu governo, controlado pelos interesses do deus-Mercado.

  Em "Where to Invade Next"  (literalmente "Onde Vamos Invadir Agora"),  de 2015 - que por aqui também apareceu com o titulo "O Invasor Americano" (e com este título pode ser assistido no Netflix)- Moore é o "invasor" americano que vai visitando diversos países para ver como estes tratam de questões como educação, saúde, universidades gratuitas, etc - países como Itália, França, Finlândia, Eslovênia, Alemanha, Portugal, etc.,  em que se valoriza o trabalho, se tem 13 terceiro salário, 35 dias de férias remuneradas, de uma a duas horas para o almoço, boa assistência à saúde, licença maternidade, aposentadoria garantida e todos defendem estas coisas, inclusive os empresários (o que estamos fazendo no Brasil dos golpistas e coxinhas?). Moore constata tudo isso e compara-os com o sistema americano e sua mentalidade mecanicista-taylorista-fordista "time is money" onde a preocupação com o humano é entendida pelos donos do poder como prejuízo, o que faz o sistema neoliberal rejeitar e atacar o modo como os outros tratam destes temas de bem-estar social e valorização das pessoas, sem querer ver que estes países não deixaram de crescer e de lucrar com isto. Fica patente que a principal vítima do sistema "empresarial" imposto pelo neoliberalismo no governo americano é a sua própria população, e Moore sabe como deixar isso bem patente, de forma humorada e, ao mesmo tempo, séria... E é este modelo americano, onde uma nova forma de escravidão se impõe, que os golpistas querem para o Brasil.
 
   Moore também não deixa de alfinetar o imperialismo e a indústria da Guerra capitaneada pelo lucrativo mercado da violência e das invasões a pretexto de... manter a Democracia! Infelizmente, este trabalho não será apreciado por todos, em especial pelos que se deixam simplesmente moldar pelo que fala ou manda a chamada "grande mídia" empresarial... O midiota aceita tudo o que vem da mídia empresarial e não se dá ao trabalho de questionar ou aprender com outras culturas e com a História.

  Deixo ao leitor, agora, o link para o documentário esperando que tire suas próprias conclusões sobre a obra...