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sábado, 27 de outubro de 2018

Sigo a Cristo e acredito que o amor vence o ódio, por Karina Fernandes



Sigo a Cristo e acredito que o amor vence o ódio – Frase contida nos adesivos distribuídos no ato organizado pelo “Coletivo Cristão: O Amor vence o Ódio”, em 18/10, no Rio, reflete a postura de seguidores de cristo frente ao apoio de candidatos fascistas nas igrejas


Sigo a Cristo e acredito que o amor vence o ódio

Sigo a Cristo e acredito que o amor vence o ódio


Foto: Gabriel Mothé.
Por Karine Fernandes, no Justificando
Na noite da última quinta-feira (18), estive no evento “O Amor vence o Ódio – Caminhada e Vigília”, no Centro do Rio de Janeiro, e pude, pela primeira vez em meus 26 anos de vida, acompanhar um ato ecumênico – apesar de ter sido organizado por cristãos -, que reunia objetivos para além dos religiosos: uma manifestação política que posiciona o amor, ensinado nas mais diversas crenças, como o instrumento principal para vencer a crescente de ódio que culminou nas eleições deste ano.
Nascida em lar cristão protestante e criada em igreja batista tradicional, eu já havia vivenciado, por exemplo, alguns movimentos cristãos integrarem (e serem execrados pela maioria dos crentes) protestos pela liberdade religiosa, porém, experienciar cristãos precisando ratificar a palavra de amor do evangelho de Jesus Cristo (mais uma vez, sendo minoria marginalizada dentro dos movimentos cristãos) e combater o fascismo, apesar de óbvio, é novidade para mim.
Foto: Mayara Donaria.
Como mulher, negra, oriunda de periferia, já havia esbarrado em algumas situações perversas, com a chancela tanto dos representantes da igreja quanto dos poderosos governantes, pautadas numa total deturpação do cristianismo e na má utilização da política para garantir benefícios próprios e conservação do status quo, todavia, de maneira menos escancarada.
Até alguns anos atrás – mais precisamente até as eleições de 2014 –, notava a instituição sempre se colocando em um lugar de neutralidade (que hoje enxergo como uma coadunação disfarçada de isenção), entretanto, de lá pra cá, e principalmente neste ano, percebo o aumento da participação das igrejas na política – geralmente estando em concordância com barbáries –, não só por inúmeros líderes estarem hoje ocupando cadeiras no congresso e assembleias legislativas, o que já acontece há anos, mas, também, pelo fato de púlpitos e membros serem usados para a manutenção de poder de candidatos ditos “cristãos”.
Candidatos que se autodeclaram cristãos e que, com o apoio de líderes famosos e midiáticos (principalmente do segmento evangélico), são antidemocráticos, preconceituosos, pregam a tortura, a violência contra minorias, o fim dos direitos humanos, e tudo isso, em nome de Jesus. Usam a bíblia como escudo para estarem de acordo com atrocidades, desprezando a história de Cristo na Terra que tanto se assemelha aos mais oprimidos do mundo de hoje: um jovem negro, pobre, periférico, que contrariava toda a tradição, que estava junto daqueles que a sociedade abominava, que defendia quem a sociedade não queria enxergar, que foi condenado por líderes e torturado com a permissão do povo que o considerava um subversivo.
Foto: Matheus Rodrigues.
Contudo, em meio a essa multidão, também existia aquele pequeno grupo que havia entendido a verdadeira mensagem de amor, graça e misericórdia do evangelho. Existiam mulheres e homens que eram contra as maldades praticadas às custas de uma religiosidade que via Deus como um ser que praticava a justiça com ira. Neste outro lado, analogicamente, eu enxerguei os irmãos e irmãs que andaram da Igreja da Candelária até o Largo da Carioca e se ajoelharam, juntos, intercedendo pelo país e por forças para continuar a ser contracultura dentro do cristianismo.
Vi cristãs e cristãos que, alcançados pelo centro da mensagem do evangelho, o amor, entenderam que a sua missão é anunciar as boas novas do reino já aqui nesta vida. É semear o amor, a paz, a bondade, a esperança, a tolerância. É ansiar o fim das desigualdades; é promover justiça social; é lutar por direitos humanos. É estar em favor da vida, da liberdade, da solidariedade, da democracia e da dignidade humana.
Foto: Aline Brant.
Fui capaz de ver, dentro da diversidade daquele grupo, a unidade não somente pela roupa branca e velas acesas que levavam nas mãos, mas de um só coração e propósito: pessoas comprometidas com Jesus Cristo e, por causa de seus valores, compromissadas com a defesa do Estado democrático de direito no Brasil. Consegui perceber gente que, decepcionada com suas lideranças religiosas, encontrou alento ao se deparar com um movimento no qual identifica a palavra de Jesus. Pessoas que, aparentemente abatidas, recuperaram o ânimo que havia perdido nos últimos meses ao receber um sorriso, um abraço ou aperto de mão, ouvir uma palavra encorajadora dos muitos líderes que estiveram no ato, cantar, orar e chorar junto.
Muito mais do que um posicionamento cristão em defesa da democracia e contra princípios anticristãos, o ato teve caráter de hospitalidade, tanto para aqueles que não professam a mesma fé e poderiam ver uma outra face dos cristãos – os quais não podem ser generalizados pela hegemonia –, quanto para aqueles que, pela árdua caminhada na vida cristã, necessitavam renovar seu ânimo e resistir em tempos de aflição. Assim como nos é recomendado em 3 João 1:8, que diz “Portanto, devemos acolher esses irmãos, para nos tornarmos cooperadores da verdade”, os participantes do evento permearam a Avenida Rio Branco com o “Vinde a mim todos os que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei” (Mateus 11:28).
Karine Fernandes é formada em Comunicação Social, com habilitações em Jornalismo e Relações Públicas (FACHA) e pós-graduanda em Comunicação Organizacional Integrada (ESPM-Rio).
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quarta-feira, 24 de outubro de 2018

Fala de Leonardo Boff no Comício pela Democracia e contra o fascismo realizado na Cinelândia - Lapa, Rio de Janeiro, em 23 de outubro de 2018





Minhas palavras serão breves. Cito duas frases, uma de Gandhi que é o Betinho da Índia e outra do Betinho que é o Gandhi do Brasil.
Diz Gandhi, o Betinho da Índia: “a política é um gesto amoroso para com o povo; é o cuidado do bem de todos”.
“Entrei na política POR AMOR à vida dos fracos; morei com os pobres, recebi párias como hóspedes, lutei para que tivessem direitos políticos iguais aos nossos, DESAFIEI reis, esqueci-me das vezes que estive preso”.
Diz Betinho, o Gandhi do Brasil:
De sua boca ouvimos e de seu exemplo aprendemos “que a crise central não está na economia política da exclusão, nem na corrupção da política, nem na derrocada moral da humanidade e do Brasil”.
“A CRISE FUNDAMENTAL RESIDE NA FALTA DE SENSIBILIDADE DOS HUMANOS PARA COM OUTROS SERES HUMANOS”.
Boa parte da oligarquia dos  endinheirados e de outros tantos compatriotas perderam qualquer sensibilidade face aos milhões de sofredores de nosso pais. Tiveram uma espécie de lobotomia que impede sentir o outro como outro, inclui-lo e respeitá-lo, lobotomia que incapacita nosso coração de sentir o pulsar de outro coração e nos faz cruéis e sem piedade diante do padecimento humano e ainda perderam sensibilidade pelas veias abertas da Mãe Terra, devastada e crucificada.
Uma grande parte da classe dos endinheirados, descendentes da Casa Grande e que hoje vivem de rentismo e da sonegação são os grandes corruptos. Só no último ano, segundo os Procuradores da Fazenda Nacional, foram sonegados diretamente ou pelo benefício da insenção fiscal, cerca de 450 bilhões de reais. Ninguém fala nem condena essa maxi-corrupção.
Se esses bilhões fossem cobrados não se precisaria fazer a Reforma da Previdência.    
Agora falo como teólogo: dizem as Escrituras Sagradas, a Bíblia que foi roubada de Fernando Haddad: “Se alguém disser: amo a Deus e odeia seu irmão é um mentiroso”. E mais ainda:“quem odeia seu irmão e sua irmã, é um assassino”(1Jo 4,20 e 1Jo 3,15).
Sabemos hoje quem mais odeia os que têm uma condição sexual própria, os LGBT, as minorias indígenas e quilombolas, seus opositores que deverão ir para a cadeia ou para o exílio. Que exalta a violência, tem como ídolo um grande torturador, o coronel Ustra e afirma que a polícia tem que matar e que o erro dos militares de 64 foi torturar pois deveriam fuzilar a começar pelo ex-presidente FHC. Esse não se mostra como aquele do qual as Escrituras afirmam?
O Deus desse senhor, não tem nada a ver com o Deus de Jesus Cristo que dizia “bem-aventurados os pobres e ai de vós ricos”, que pregava o amor incondicional, anunciava o Deus do amor aos pobres e da ternura aos humildes.
Repito a advertência que grandes intelectuais alemães nos enviaram, eles que conheceram o terror do nazifascismo:

“UMA POLÍTICA DE EXALTAÇÃO DA VIOLÊNCIA PODE CAUSAR UMA CATÁSTROfE DE DIMENSÕES INCALCULÁVEIS”

E eu acrescento: não podemos engrossar o cortejo daqueles que nos querem levar para o abismo.

Termino com as palavras de São Francisco em sua Oração pela Paz:”onde há discórdia que eu leve a união, onde há ódio que eu leve o amor”.
Viva a Democracia a ser preservada contra qualquer intento de arbítrio. Viva o Brasil coeso, justo, fraterno e democrático.
Leonardo Boff, filósofo, teólogo, ecologista e escritor

domingo, 14 de outubro de 2018

Em Berlim, 240 mil protestam contra o fascismo e o racismo, denunciando até mesmo Bolsonaro

media

Manifestação contra o racismo e o fascismo reúne 240 mil pessoas em Berlim, Alamenha, em 13 de outubro de 2018.Cristiane Ramalho/ RFI
Centenas de milhares de manifestantes saíram às ruas da capital alemã neste sábado, 13, para protestar contra o racismo e pedir uma sociedade mais solidária, tolerante e multicultural. O Mestre Moa do Katendê, assassinado na última segunda-feira em Salvador, foi homenageado.
Por Cristiane Ramalho, correspondente da RFI em Berlim
A marcha foi convocada por diversos setores da sociedade, e reuniu mais de 240 mil pessoas – seis vezes acima do esperado – segundo os organizadores.
Com cartazes coloridos, os manifestantes – entre eles, muitas crianças – fizeram uma longa marcha com palavras de ordem e protestos contra o racismo, a extrema-direita, a homofobia e a islamofobia. O presidente americano Donald Trump também foi alvo de críticas.
Na Alemanha, a preocupação com a extrema-direita - que chegou ao Parlamento pela primeira vez no ano passado, com o partido AfD -, vem crescendo. O temor ganhou mais fôlego depois dos recentes ataques xenófobos, em Chemnitz, na Saxônia, no leste do país.
A marcha foi convocada por uma aliança batizada de "Unteilbar" ('Inseparável'), que reúne ONGs de direitos humanos e ambientais, sindicatos, escolas e associações religiosas e antifascistas, além de partidos políticos. Na convocação, os organizadores pediam que a sociedade alemã lute contra a discriminação, a pobreza, o racismo, o sexismo e o nacionalismo.
Mestre de capoeira homenageado
O mestre de capoeira Romualdo Rosário da Costa, o Moa do Katendê, morto na última segunda-feira, 8, em Salvador (BA), foi homenageado por grupos de capoeiristas que reúnem brasileiros e alemães em Berlim.
Eles fizeram uma roda de capoeira em memória de Moa, assassinado durante uma discussão sobre política por um homem que defendia o apoio ao candidato do PSL à presidência, Jair Bolsonaro.
“O candidato é homofóbico, racista, sexista, e a favor da tortura e da pena de morte. Queremos mandar um sinal a favor da Democracia”, diziam os organizadores na convocação, feita pelo Facebook.
Tamera Vinhas, uma vendedora carioca que participou da homenagem, disse à RfI: “O mínimo que a gente pode fazer é gritar aqui em Berlim, porque essa notícia deixou todo mundo abalado. A gente segue resistindo, porque a capoeira é isso também. É resistência”. Para a carioca, a Democracia brasileira “corre risco” caso o candidato seja eleito. “Ele apóia todos os preconceitos que a gente tenta combater no Brasil”.
Ao longo da marcha, houve protestos isolados contra o candidato, com grupos de manifestantes gritando “Ele Não” – slogan do movimento das mulheres contra Jair Bolsonaro.
A professora alemã Astrid Ballandat, que carregava um cartaz com os dizeres “Frauen gegen Bolsonaro und anderen Faschisten” (Mulheres contra Bolsonaro e outros fascistas), disse à RFI que o que ela leu sobre o candidato é pior do que tudo o que já ouviu “nos últimos 50 anos” em termos de radicalismo de extrema-direita. “É pior do que Donald Trump. Por isso estamos aqui, pela diversidade e pela Democracia”.
Os organizadores da manifestação – que se beneficiou de um raro dia de outono de sol, e calor em torno dos 23 graus – querem mandar um sinal claro de resistência contra “uma mudança política dramática que está em curso, aonde racismo e discriminação estão se tornando socialmente aceitáveis”.
Eles pedem ainda que o direito de asilo dos refugiados seja respeitado na Europa – “hoje dominada por uma atmosfera de antagonismo nacionalista e exclusão”.
O ministro do Exterior alemão, Heiko Mass, elogiou o protesto. "Não nos deixaremos dividir, muito menos pelos populistas de direita", disse. A manifestação começou ao meio-dia, no Alexanderplatz, no centro de Berlim, e só terminou no início da noite, na Coluna da Vitória, nas proximidades do Portão de Brandemburgo