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domingo, 31 de maio de 2020

O brasil enfrentará o efeito Coringa, por Luis Nassif



Cada dia a mais de Bolsonaro  significará maior acúmulo de frustrações, maior agravamento das duas crises, a de saúde e a econômica, e maior dificuldades em vencê-las.
Jornal GGN:
O filme “Coringa” foi premonitório. Relata uma situação de extrema tensão que explode com um episódio específico, um grupo de yuppies de mercado que, em um vagão de metrô, humilha uma pessoa fantasiada de palhaço. Há uma reação, e a vítima mata os agressores. A partir daí, há uma pandemia de violência explodindo por toda a cidade e a vestimenta de palhaço torna-se o símbolo da reação.
O que ocorre hoje, nos Estados Unidos, é semelhante, uma reação espontânea provocada pela morte de George Floyd, cidadão negro detido pela polícia e morto, depois de 9 minutos de asfixia a que foi submetido por um policial.
O episódio deflagrou um festival de protestos por várias cidades, com a explosão da panela de pressão acumulada pelo racismo arraigado da sociedade americana, acentuado pela ascensão do supremacismo branco representado por Donald Trump. Em cima disso, a revolta contra o fracasso da luta contra o Covid-19, a explosão do desemprego, a incidência da doença, manifestando-se mais acentuadamente nas regiões pobres e junto às populações negras. E, no comando do país, uma luta intestina entre partidos políticos.
No Brasil, as mortes de negros por policiais tornaram-se banalizadas pela repetição. Mas a tensão social está cada vez maior, uma panela de pressão de alto teor. Não haverá como não emular a violência difusa americana.
Há a explosão do desemprego, o desmonte das redes de sociais, a quebra de pequenas e microempresas, a doença grassando nas periferias das grandes cidades. E, na Presidência, um desatinado provocando em doses iguais revolta e adesão de seguidores fanatizados.
Nos próximos meses, haverá agravamento de todos esses problemas, o de saúde, o econômico, o aumento do desalento.
A expectativa de fim da pandemia evaporou-se. A pressão sobre governadores e presidentes está provocando uma flexibilização imprudente do isolamento, que agravará o problema no momento seguinte. Daqui a pouco tempo haverá um recuo, acentuando mais frustração popular.
O governo acabou, falhou em todas as frentes, na econômica, na política, na social. Há um grupo político envolvido em crimes explícitos, de alimentação da violência virtual à suspeita de crimes de morte.
A cassação de Bolsonaro ocorrerá mais cedo ou mais tarde, tal a disfuncionalidade do governo e o acúmulo de indícios de práticas criminosas. Cada dia a mais de Bolsonaro  significará maior acúmulo de frustrações, maior agravamento das duas crises, a de saúde e a econômica, e maior dificuldades em vencê-las.
É um caldo de violência que abre inúmeras possibilidades. Um governo que rompa com o dogmatismo de Paulo Guedes, com um plano bem articulado de emissão de moeda e gastos públicos, conseguirá resultados rápidos na economia. E, com isso, ganhará um trunfo político inigualável. Há um cadinho de cultura para a exploração da violência.
Nos anos 30 houve duas maneiras de enfrentamento da crise: Roosevelt com o New Deal, Hitler com o plano econômico articulado por seu Ministro da Economia. Na base, cidadãos desesperados, prontos a aderir ao primeiro salvador e a enfrentar qualquer fantasma, com as armas que lhes sejam indicadas, ou a solidariedade ou a violência mais selvagem.
Haverá uma reação à queda inevitável de Bolsonaro. Hoje em dia, Bolsonaro é a referência maior das guerras virtuais, entre os contra e os a favor.
Expelido do poder, haverá dois movimentos inevitáveis. O primeiro, dos fanáticos, não se afastando a possibilidade de atos violentos, praticados por milicianos e associações de tiros. O segundo a violência difusa, à medida em que os Bolsonaro saiam do centro das atenções.
Há uma saída amadurecendo para a crise atual: a cassação rápida da chapa de Bolsonaro-Mourão pelo Tribunal Superior Eleitoral. Nesse caso, o governo será assumido pelo presidente da Câmara, Rodrigo Maia, em um mandato tampão. Em todo esse prendo, Maia ganhou uma dimensão política insuspeita, ornando-se o centro de gravidade dos acordos políticos e da racionalidade.
Sendo mandato tampão, terá toda a boa vontade dos diversos setores políticos, como teve Itamar Fraco, depois do terremoto do impeachment de Collor. Hoje em dia, há um Coringa no meio do caminho. E o país confrontado com seu maior desafio.

terça-feira, 13 de setembro de 2016

O cachorro morto e os cães vivos: motivos para não se festejar a esperada queda de Eduardo Cunha, por Fernando Brito

placar

Ao contrário de muitos, este blog não festeja a execução pública de Eduardo Cunha como um episódio edificante à democracia e à ética na política.
Óbvio que é o papel de qualquer parlamentar decente votar pela exclusão de um tipo abjeto destes do parlamento.
A questão não são os decentes, são os indecentes.
Afinal, há décadas todos sabem que Cunha é um mafioso e isso não o impediu de ter maioria absoluta entre os deputados – os mesmos que hoje cortaram-lhe a cabeça – para eleger-se presidente da Câmara.
O que se revela é que, no parlamento brasileiro, nem mesmo prevalece a velha história da “honra entre ladrões”. Os ladrões estão lá, mas nem nisso há honra.
Os solitários 10 votos mostram que o agora esquálido e cambeta Cunha foi lançado ao rio como “boi de piranha”, para que as forças que um dia o tiveram como “boi sinuelo” – aquele que guia o rebanho – pudessem atravessar a água rasa da moralidade.
Ainda é cedo para saber se vai ser devorado sem tugir ou mugir – os comentaristas da Globonews  comemoravam na base do “agora ele vai para as mãos de Moro – no estranho senso de justiça que anda por aqui. Uma anomalia onde um juiz de província faz o Supremo parecer um bando de lenientes e cúmplices da corrupção, de tanto que se comemora tirar de lá um réu e jogá-lo ao “ferrabrás”.
Não é previsível o que fará, se não houver um acordo para livrá-lo – à ele e à mulher – do Torquemada curitibano. Num dos “melhores” momentos da noite, a deputada Clarissa Garotinho disse – e Rodrigo Maia mandou retirar dos anais (perdoem-me os que perceberem duplo sentido na palavra)  da Câmara – que um dos papéis do decaído deputado era o de “psicopata”.
Ele não percebeu que, desde o dia em que comandou a implementação do processo de impeachment – do qual exigiu da tribuna a paternidade – tornou-se um cachorro morto para uma matilha de cães muito vivos.
Vivos e vorazes.
Texto de Fernando Brito, do Tijolaço.

quinta-feira, 10 de dezembro de 2015

Saiu no El País: Cunha manobra descaradamente em proveito próprio, fazendo o processo contra ele na Comissão de Ética voltar à estaca zero

EL PAÍS

Manobra leva processo de Cunha à origem e deputados querem afastá-lo

Partidos recorrem ao STF para garantir andamento do processo adiado por quinta vez




Aliados do presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha(PMDB-RJ), conseguiram destituir o relator do processo contra ele no Conselho de Ética, o deputado Fausto Pinato (PRB-SP), e protelaram pela quinta vez uma decisão sobre a abertura de investigação contra o peemedebista por quebra de decoro parlamentar ao mentir na CPI da Petrobras. A decisão que afastou Pinato do cargo, assinada pelo primeiro-vice-presidente da Câmara e defensor de Cunha, Waldir Maranhão (PP-MA), gerou uma série de reclamações e bate-boca entre os membros da comissão. Resultado disso, o Supremo Tribunal Federal deve receber ao menos duas ações pedindo mudanças nas decisões da Mesa Diretora com relação ao Conselho de Ética.
Antes da sessão que acabou com a destituição do relator, os partidos que representaram contra Cunha, PSOL e Rede, se reuniram com membros do Ministério Público Federal e pediram que o órgão entre com uma ação no STF requisitando o afastamento de Cunha da presidência da Casa. O presidente do Conselho de Ética, José Carlos Araújo (PSD-BA), também pretende pedir o afastamento de Cunha. “Percebemos que enquanto o Cunha estiver no comando da Câmara, nenhuma investigação aqui será feita. Depois que o relator foi ameaçado e não cedeu à ameaça, ele é trocado. Como algo vai funcionar assim? ”, afirmou o líder da Rede, Alessandro Molon (RJ).
A decisão de Maranhão se baseou em um pedido feito por um dos cães de guarda de Cunha no Conselho, Manoel Júnior (PMDB-PB). No documento, denominado questão de ordem, Júnior afirmava que Pinato não poderia ser relator do caso porque no início do ano o seu partido, o PRB, compunha o mesmo bloco do partido do presidente da Casa, o PMDB. Sem consultar os demais membros da Mesa Diretora, Maranhão assinou a destituição do relator.
A decisão causou indignação de boa parte dos deputados e de espectadores da sessão e até dos outros membros da Mesa. “O Conselho de Ética deveria ser fechado. Isso aqui virou o conselho do pântano. Nada funciona”, reclamou o líder do PSOL, Chico Alencar (RJ). “Isso aqui é um circo. Estão fazendo chicana. É tudo o que o presidente tem feito”, reclamou o representante do PSB no Conselho, Julio Delgado (MG). “Não fomos consultados. Essa foi uma decisão monocrática”, ressaltou o primeiro-secretário da Câmara, Beto Mansur (PRB-SP).
Além do processo do PSOL e Rede, o PRB também deverá ingressar com uma ação no STF e com uma reclamação formal na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara. A ideia é devolver a relatoria do caso para Pinato. “Quando perceberam que sua atuação iria incomodar, decidiram o destituir do cargo”, reclamou o líder do PRB na Câmara, Celso Russomano (SP).
A tentativa de troca do relator já ocorria desde o início desta semana, quando o advogado de Cunha havia recorrido ao STF. O ministro Luís Roberto Barroso decidiu que o Judiciário não poderia interferir na questão por entender que ela se tratava de algo interno da Câmara.
Agora, com a destituição do relator, o processo praticamente volta à estaca zero. O presidente do colegiado, José Carlos Araújo, prometeu anunciar o nome do novo relator na manhã da quinta-feira, mas se antecipou e divulgou o nome no início da noite de quarta. Marcos Rogério (PDT-RO) foi o escolhido após o sorteio de uma lista tríplice. Após a definição, que ainda pode ser questionada juridicamente, o novo responsável pelo caso terá até dez dias para apresentar seu relatório preliminar em que defenderá a admissibilidade da investigação ou o arquivamento dela. Na sequência, os deputados votam o relatório, não sem antes travarem longos debates. A expectativa é que o caso só seja encerrado depois de fevereiro, se o recesso parlamentar for de fato suspenso, como tem se debatido no Congresso.
Já afastado da função que lhe deu uma inesperada visibilidade, Pinato disse que só vê uma forma do Conselho de Ética prosseguir os seus trabalhos sem a interferência de Cunha: “O próximo relator só vai sobreviver se ele pedir o arquivamento do processo”.

sexta-feira, 13 de julho de 2012

Guilhotina no Senado Federal, o caso Demóstenes

O ex-"defensor" da ética se mostrou o pior hipócrita e foi retirado do Senado para voltar a ser PROCURADOR Do Ministério Público! (Eitcha que na área de Direito tem muita gente Torta). Que esse expurgo continue no senado...