Mostrando postagens com marcador Carl Gustav Jung. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Carl Gustav Jung. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 9 de junho de 2025

Dietrich Bonhoeffer, Carl Gustav Jung, Stanley Milgram, Salomon Asch, Friedrich Nietszche e outros ajudando a entender a idiocracia do fascismo e do bolsonarismo

 

 

Vìdeo importantíssimo do canal Menteabissal:



Toda civilização avançada — de Roma aos Maias, da Dinastia Ming à Era de Ouro Islâmica — seguiu o mesmo padrão assustador: a morte do pensamento crítico, a ascensão do narcisismo de curto prazo e a rejeição da expertise. Isso não é só história. ⚠️ Está acontecendo agora. Neste vídeo, exploramos por que grandes sociedades não colapsam por guerra ou falência econômica — mas sim pela celebração da ignorância. Com ideias de Nietzsche, Carl Sagan, Alexis de Tocqueville e da psicologia moderna, revelamos como as civilizações caem na idiocracia... passo a passo. 📉 🔍 Você vai entender: • Como impérios perdem a capacidade de pensar no longo prazo 📆 • Por que as pessoas rejeitam especialistas e fatos 🔬 • Os gatilhos mentais que destroem nações 🧠💣 • O que os Maias, Roma e os Estados Unidos de hoje têm em comum 🏛 • E, principalmente… como você pode quebrar esse ciclo 🔓 Se você se importa com o futuro da nossa civilização — e com o seu papel nisso — esse é o vídeo que você não pode ignorar. ⚡ 👉 Inscreva-se para mais conteúdos profundos sobre história, filosofia, psicologia e poder. 💬 Participe da conversa nos comentários: Estamos caminhando para mais um colapso… ou ainda dá tempo de acordar? 🕰️🌍


sexta-feira, 13 de outubro de 2023

A Psicologia de Carl Jung: Reflexões para Tornar-se o Seu Verdadeiro Eu.

 

Do Canal Reflexões Quote:

Conheça um pouco da psicologia de Carl Jung. Neste vídeo, mergulhe na mente do renomado psicólogo suíço e descubra como suas teorias sobre o inconsciente, os arquétipos e a individuação podem transformar sua compreensão do eu e do mundo.



terça-feira, 30 de maio de 2023

Nise da Silveira - um anjo no coração da loucura. Por Ediel Ribeiro

 

Seu trabalho e seus princípios inspiraram a criação de museus, centros culturais e instituições psiquiátricas no Brasil e no exterior

Nise da Silveira

Nise da Silveira
"Não se curem além da conta. Gente curada demais é gente chata. Todo mundo tem um pouco de loucura. Vou lhes fazer um pedido: Vivam a imaginação, pois ela é a nossa realidade mais profunda. Felizmente, eu nunca convivi com pessoas ajuizadas.” (Nise da Silveira)

Rio - Dia desses, assisti, com imperdoável atraso, “Nise - O Coração da Loucura”, um longa metragem brasileiro, de 2016, dirigido por Roberto Berliner. O filme é a cinebiografia da psiquiatra brasileira Nise da Silveira, interpretada por Glória Pires.  

Uma história comovente. Um filme maravilhoso.

Nise Magalhães da Silveira foi uma psiquiatra brasileira reconhecida por transformar o tratamento de saúde mental no Brasil em meados do século XX.

Filha do jornalista e diretor do "Jornal de Alagoas", Faustino Magalhães da Silveira e da pianista Maria Lídia da Silveira, Nise realizou sua formação básica em um colégio de freiras - na época exclusivo para meninas - o Colégio Santíssimo Sacramento.  

Nascida em Maceió, Alagoas, em 15 de fevereiro de 1905; de 1921 a 1926 cursou a Faculdade de Medicina da Bahia, onde se formou como a única mulher entre os 157 homens daquela turma. 

Foi nessa época que conheceu e casou-se com o sanitarista Mário Magalhães da Silveira, seu colega de turma na faculdade, com quem viveu até seu falecimento em 1986. O casal não teve filhos.

Em 1927, já casada e formada, mudou-se com o marido para o Rio de Janeiro onde teriam mais oportunidades de trabalho. Na então capital do Brasil, Nise tornou-se psiquiatra. Atuando em hospitais do Rio, a médica se voltou contra os métodos agressivos normalmente usados em pacientes, como eletrochoques e a lobotomia. Em substituição aos métodos violentos, desenvolveu e aplicou tratamentos humanos como a arteterapia e a interação com animais.

Ela amava os loucos e os gatos: “Os gatos são excelentes companheiros de estudos, amam o silêncio e cultivam a concentração. Admiro a independência dos felinos, sempre ronronando ao seu redor. Cultivo muito a independência. Por isso gosto do gato. Muita gente não gosta da liberdade que ele precisa para viver. No circo você vê tigre e urso, mas não vê um gato. O gato é altivo, e o ser humano não gosta de quem é altivo.” - dizia. 

Nise desenvolveu um importante trabalho no Centro Psiquiátrico Nacional Pedro II, no Engenho de Dentro, no Rio de Janeiro. Ingressou na instituição em 1944 e travou uma verdadeira luta contra os métodos violentos de tratamento que eram comuns na época.

Por isso, foi redirecionada à área da terapia ocupacional, que era menosprezada no local. Lá, ela teve como enfermeira assistente, Ivone, uma jovem negra que mais tarde viria se tornar a grande dama do samba, Dona Ivone Lara.

Foi assim que conseguiu aplicar em seus pacientes - chamados pela médica de “clientes” - uma nova forma de cuidado mental.

Aluna do psiquiatra suíço Carl G. Jung, Nise valorizava o tratamento humanizado e inseriu a pintura e modelagem em argila como técnicas de atendimento. Isso possibilitou que as pessoas se expressassem através da arte, transmitindo em cores, formas e símbolos suas angústias mais profundas, no que mais tarde foi chamado de arteterapia.

Além disso, Nise era contra o confinamento e isolamento dos internos. Foi inserida a convivência com animais - que a médica chamava de co-terapeutas - o que contribui muito para baixar os níveis de estresse e ansiedade, diminuindo crises dos pacientes.

Em 1936, durante a Intentona Comunista, denunciada por uma enfermeira pela posse de livros marxistas, foi afastada do serviço público durante a ditadura Vargas (1936-1944) e presa como comunista no presídio Frei Caneca, por 18 meses. 

Durante a prisão, conheceu e tornou-se amiga do escritor Graciliano Ramos, de quem tornou-se uma das personagens de seu livro ‘Memórias do Cárcere”.

Ainda nos anos 30, militou no Partido Comunista Brasileiro e foi uma das poucas mulheres a assinar o "Manifesto dos trabalhadores intelectuais ao povo brasileiro". No entanto, acabou por ser expulsa de sua célula, sob a acusação de trotskismo.

De 1936 a 1944 permaneceu na semi-clandestinidade. Durante esse período fez uma profunda leitura reflexiva das obras de Spinoza, material publicado em seu livro Cartas a Spinoza, de 1995.

Com a anistia, fundou, em 1946, a Seção de Terapêutica Ocupacional no Centro Psiquiátrico Pedro II. 

Em 20 de maio de 1952, criou o Museu de Imagens do Inconsciente, um centro de estudo e pesquisa. Vinculado aos ateliês de pintura e modelagem, o Museu não cessou de crescer, seu acervo possui atualmente cerca de 350 mil documentos entre telas, desenhos, pinturas e modelagens. 

Em 1956, criou também a ‘Casa das Palmeiras’, primeira clínica brasileira destinada ao tratamento psiquiátrico em regime de externato. 

Introduziu a Psicologia Junguiana no Brasil. Escreveu vários livros dentre os quais destacam-se ‘Imagens do Inconsciente’ (1982) e ‘O Mundo das Imagens’ (1992). 

Como reconhecimento de sua obra recebeu condecorações, títulos e prêmios em diferentes áreas do conhecimento. Seu trabalho e seus princípios inspiraram a criação de museus, centros culturais e instituições psiquiátricas no Brasil e no exterior.

A médica faleceu aos 94 anos, em 1999, no Rio de Janeiro, de insuficiência respiratória.

segunda-feira, 6 de junho de 2022

Leitura de Flávio Ricardo Vassoler: Memórias, sonhos e reflexões, de Carl Gustav Jung

 

Do Canal de Flávio Ricardo Vassoler:


Leitura de fragmentos da autobiografia "Memórias, sonhos, reflexões" (1961), do psicanalista, psiquiatra e espiritualista suíço Carl Gustav Jung (1875-1961). Link para o livro "Memórias, sonhos, reflexões", de Jung, a partir do site da Amazon: https://amzn.to/3pqceCZ



segunda-feira, 23 de novembro de 2020

Entrevista de Carl Gustav Jung para a BBC, gravada em 1959, para o programa "Face to Face", legendada em português

 

Em 1959 o entrevistador John Freeman entrevistou o teórico, terapeuta, escritor e psiquiatria suíço Carl Gustav Jung para o programa "Face to Face" da BBC de Londres, pouco mais de ano e meio antes da morte de Jung, em 1961. Segue, abaixo, o vídeo com legendas em português, extraído do canal Jung na Prática:






terça-feira, 23 de junho de 2020

Buda, Carl Gustav Jung, Rumi, espiritualidade e a oração secreta a Deus de Leonardo Cohen em sensível vídeo do canal Meteoro Brasil




Leonard Cohen sempre teve a espiritualidade como um dos seus temas mais frequentes. Quem ouvir com atenção a faixa "Lover, Lover, Lover", do álbum New Skin for the Old Ceremony e reconhecer as referências usadas na letra, vai perceber que Cohen emplacou até mesmo orações nas paradas de sucesso.


sexta-feira, 28 de fevereiro de 2020

Lançamento do livro de Carlos Antonio Fragoso Guimarães: Carl Gustav Jung e os Fenômenos Psíquicos





Sinopse: Carl Gustav Jung tem um lugar proeminente, figurando ao lado de Freud, nas origens da psicoterapia psicanalítica. O que a maioria ignora são suas relações profundas e diversificadas com o mundo dos fenômenos psíquicos, ditos paranormais, que compareceram em profusão ao longo de toda sua vida, com raízes em sua família, e perpassam suas vivências, pesquisas e reflexões.

Esta obra, de feição biográfica, é um detalhado registro de todas as ligações de Jung, ao longo da vida, com o universo dos fenômenos psi – cuja existência sempre o atraiu e foi um dos dois motivos capitais de sua divergência e afinal distanciamento de Freud, que se negava a admitir sequer a pesquisa deles.

Entre os temas abordados, as ocorrências de fenômenos psíquicos na família Jung, suas experiências com os fenômenos paranormais, sozinho ou com outros psiquiatras, suas relações com os pesquisadores da parapsicologia, como o dr. Joseph B. Rhine, da Universidade de Duke, o dr. Willian James, considerado o pai da psicologia moderna, e os diversificados fenômenos que pontuaram a trajetória de Jung, merecendo-lhe profundas reflexões, orientando a direção de suas pesquisas e comparecendo de variadas formas em sua obra e na construção de suas teorias sobre o mundo da psique humana.

Nenhuma análise da obra e postulados de Jung será completa sem esta visão do universo dos fenômenos psi, que figuram nas raízes de sua visão de mundo, da qual a presente obra faz uma abordagem ampla, detalhada e fascinante, lastreada em sólida documentação.´

Site para compra on-line pela editora:


 https://edconhecimento.lojavirtualfc.com.br/prod,idloja,959,idproduto,6685847,origem=emailmkt



quarta-feira, 17 de maio de 2017

Há provas científicas da existência dos Espíritos? Partes I e II, por Marcos Villas-Bôas




Há provas científicas da existência dos Espíritos? Parte I
por Marcos Villas-Bôas
Publicado no Jornal GGN em 16 de maio de 2017
Os últimos textos, como primeiros do blog, tinham o objetivo de despertar a curiosidade sobre o estudo científico dos Espíritos e tratar de alguns pontos básicos. Muitos têm cobrado agora a apresentação de provas científicas da existência de Espíritos. Alguns elementos já foram apresentados em texto anterior, mas iremos, de agora em diante, descer em mais detalhes sobre sólidos estudos realizados por célebres cientistas ao longo da história. 
Primeiramente, é preciso tecer algumas palavras sobre a prova e sobre a prova científica. Uma prova é um relato sobre um fato, é algo que atesta a ocorrência do evento ou a procedência de uma teoria e lhe faz, assim, fato, consumado, aceito. A prova, portanto, é, como tudo na vida social, comunicacional e retórica.
Quer-se dizer com isso que não existe a “prova em si”, mas apenas a “prova aceita”. Há prova quando há concordância sobre algo estar provado.
A prova científica se forma, então, quando há concordância de estudiosos acerca de um relato ou de uma teoria sobre algo, e essa “certeza” depois termina “escoando” para a sociedade. É, portanto, um conceito fluido, na medida em que não há uma definição de quantas pessoas seriam necessárias para se falar em “prova científica”. É preciso unanimidade? Seria maioria? Se sim, simples ou absoluta?
Pretende-se demonstrar com isso que há um claro e considerável grau de subjetividade em relação ao que está provado cientificamente e ao que não está. A imensa maioria das pessoas não faz experimentos científicos, nem viu com os próprios olhos as provas de 99,99% deles. Elas simplesmente acreditam, pois veem especialistas falando sobre aquilo, beneficiam-se de tecnologias resultantes das descobertas e sua racionalidade aceita a hipótese.
Quantos já fizeram experiências científicas com a energia elétrica? A partir de qual momento foi possível afirmar que havia prova da sua existência? Apesar de Tales de Mileto tê-la descoberto na Grécia Antiga, se alguém afirmasse isso no século XIII, seria queimado na fogueira como demoníaco. Se falasse no início do século XVII, seria tido por louco.
Foi apenas em meados do século XVII, 23 séculos depois de Tales de Mileto, que se iniciaram estudos sistematizados da energia elétrica com Otto von Guericke. No século XVIII vieram Ewald Georg von Kleist, Petrus van Musschenbroek, Benjamin Franklin, Luigi Aloisio Galvani e outros. No século XIX, vieram James Clark Maxwell, Heinrich Hertz, Thomas Alva Edson e outros. Em 1876, próximo do final do século XIX, ainda não se sabia transmitir a energia elétrica gerada.
Qual a importância disso para o estudo dos Espíritos? Ninguém vê propriamente a energia elétrica, mas apenas os efeitos que provoca, sendo possível senti-la. Até o início do século XVIII, mesmo apesar dos estudos de alguns dos cientistas geniais aqui citados, a grande maioria das pessoas negava existir a energia elétrica. Algo similar acontece com os Espíritos, que, em regra, não se mostram aos olhos da maioria dos humanos. Segundo Kardec, no item 105 do Livro dos Médiuns:
“Por sua natureza e em seu estado normal, o perispírito é invisível e tem isto de comum com uma imensidade de fluidos que sabemos existir, sem que, entretanto, jamais os tenhamos visto. Mas, também, do mesmo modo que alguns desses fluidos, pode ele sofrer modificações que o tornem perceptível à vista, quer por meio de uma espécie de condensação, quer por meio de uma mudança na disposição de suas moléculas. Aparece-nos então sob uma forma vaporosa”.
O estudo do Espírito enquanto objeto científico começou apenas em meados do século XIX, com Allan Kardec. Quem lê suas obras nota a sua rara racionalidade e capacidade científica, mas é preciso, como sempre, desenvolver e difundir a ciência que ele sistematizou.
A sociedade em geral apenas aceitará a existência dos Espíritos na medida em que possa ter mais elementos concretos, o que é complicado, pois eles são seres inteligentes em corpos semimateriais, de modo que, primeiramente, o estudo dessa ciência depende de uma aquiescência dos próprios Espíritos, que são gente como a gente, em participar das experiências.
Os experimentos Scole dão provas robustas da existência de Espíritos, pois registraram em áudio, fotos e vídeo a desmaterialização e rematerialização de objetos, comunicações espirituais, toques deles nos pesquisadores por meio de uma mão visível e palpável etc.
Como de costume, alega-se que pode haver embuste nesses experimentos. Há pessoas que poderiam se deparar com o Espírito de um ente querido, se comunicar claramente com ele e, mesmo assim, não acreditariam que aquilo tivesse realmente ocorrido. Não adianta querer fazer enxergar aquele que não quer ver. Recorre-se com frequência à justificativa do sonho e das alucinações para afastar qualquer possibilidade espiritual.
No caso dos que estão abertos a entender os Espíritos, eles são inteligências fora do corpo físico, ou seja, são nós mesmos, humanos, desencarnados, não havendo o que temer, mas apenas respeitar e compreender. É preciso, no entanto, um forte senso crítico para que a aceitação da existência dos Espíritos, ou para que a afinidade com a Ciência Espírita, não leve a conclusões precipitadas.
Carl Gustav Jung, o pai da Psicologia Analítica, passou toda sua vida lidando com experiências mediúnicas de sua mãe e dele próprio, porém nunca afirmou existir prova científica da existência dos Espíritos.
Com receio de ser execrado do meio científico, uma vez que já tinha sofrido retaliações de Freud e outros por se interessar pelo Ocultismo, ele era muito cauteloso e não afirmou abertamente que tinha contatos com o mundo espiritual até a sua última brilhante obra, escrita quando já tinha mais de 80 anos de idade. Nela, ele afirma:
“Não foram somente os meus sonhos mas, ocasionalmente, os de outras pessoas que, revisando ou confirmando os meus, deram forma às minhas concepções a respeito de uma sobrevida” (Memórias, Sonhos e Segredos, p. 40).
Jung cita ao longo desse livro inúmeros casos de premonições dele e de outras pessoas, encontros com Espíritos durante o desprendimento da alma ao longo do sono, com coincidências incríveis e que, de tão incríveis, o levaram a concluir que aquilo não era simplesmente ação da sua imaginação.
Como todo bom cientista, Jung procurava se questionar bastante sobre todos os sonhos e visões que tinha. O mesmo acontecia com Camille Flammarion. Em texto anterior publicado aqui no blog, um leitor deixou comentário sobre o fato de o próprio astrônomo ter afirmado que as cartas escritas por ele e assinadas como “Galileu” não foram eventos mediúnicos em comunicação com Galileu Galilei, mas apenas sonhos, elementos da sua imaginação:
“Naquelas reuniões na Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas, escrevi, por meu lado, páginas sobre astronomia assinadas por ‘Galileu’. Essas comunicações ficavam no escritório da sociedade, e Allan Kardec publicou-as em 1867, sob o título Uranographie générale (Uranograjia Geral), em seu livro intitulado Genese (Gênese) (do qual conservei um dos primeiros exemplares, com a dedicatória do autor). Essas páginas sobre astronomia nada me ensinaram. Não tardei em concluir que elas eram apenas o eco daquilo que eu sabia e que Galileu nada tinha a ver com aquilo. Era como uma espécie de sonho acordado. Além disso minha mão parava quando eu pensava em outros assuntos” (As forças naturais desconhecidas, p. 44).
Cabe aqui uma importantíssima observação destinada a todos, mas especialmente aos que já são espíritas fervorosos. Assim como acontece no debate político, tendemos a aceitar aquilo que nos agrada e a refutar aquilo que nos desagrada. Se queremos realmente aprender mais e nos aprofundar em algum tema, é preciso questionar cada fato, cada premissa e cada conclusão. Do contrário, o risco de erros é enorme e, no caso da Ciência Espírita, o risco de misticismo também.
Quanto à afirmação acima de Flammarion, contudo, pode ser que ele mesmo tenha ficado confuso e chegado a uma conclusão errada. De qualquer forma, mesmo que ele houvesse sonhado e não tivesse psicografado Galileu, ou mesmo que ele não fosse, como alguns propõem a reencarnação de Galileu, que buscava o conhecimento no seu inconsciente, isso em nada ruminaria a existência de Espíritos e da psicografia, como o mesmo Flammarion afirma tantas vezes no próprio livro:
“Mas, nada é mais raro, no nosso planeta, que a independência e a liberdade absoluta da mente; nada é mais raro, também, que a verdadeira curiosidade científica, desprovida de qualquer interesse pessoal. Os leitores, em geral, dirão: ‘O que há nisso de tão importante? Mesas que se elevam, móveis que se mexem, poltronas que se deslocam, pianos que saltam, cortinas que se agitam, pancadas dadas sem causa conhecida, respostas a questões mentais, frases ditadas ao contrário, aparições de mãos, de cabeças ou de fantasmas, tudo isso não passa de banalidades ou de bobagens indignas de ocupar a atenção de um cientista. E o que isso provaria, se fosse verdade? Isso não nos interessa’. Há pessoas incapazes de se abalarem, mesmo que o céu lhes caia sobre a cabeça. Eu responderei: Mas como? Nada significa saber, constatar, reconhecer, que existem forças desconhecidas ao nosso redor?” (As forças naturais desconhecidas, p. 9-10).
Flammarion demonstra, a todo o tempo, nesse livro o cientista brilhante e curioso que era, sempre aberto a descobertas, a infirmar suas próprias “verdades”, mas também questionador, desconfiado. Essa deve ser a postura de um estudioso, de alguém ávido por aprender mais e mais. À frente, ele diz o seguinte:
 “De um lado, os céticos não abrem mão de suas objeções, convencidos de que eles conhecem todas as forças da natureza, que todos os médiuns são farsantes e que os experimentadores não sabem observar. Por outro lado, os espíritas crédulos que imaginam haver constantemente espíritos à sua disposição em uma mesinha redonda e evocam, sem pestanejar, Platão, Zoroastro, Jesus Cristo, Santo Agostinho, Carlos Magno, Shakespeare, Newton ou Napoleão, eles irão me lapidar pela décima vez, declarando que me vendi ao Instituto por uma ambição inveterada, e que não ouso concluir em favor da identidade dos espíritos, para não contrariar os amigos ilustres” (As forças naturais desconhecidas, p. 10-11).
Essa obra de Flammarion aqui citada é de 1906, mas foi uma revisão de texto publicado no ano de 1865, o que é muito interessante, pois, quarenta anos após o jovem cientista escrever sobre o assunto, ele volta a analisar aqueles fenômenos espirituais muito mais maduro e após adquirir bem mais conhecimento. A sua importância histórica também é evidente. Um trecho transcrito da primeira obra diz o seguinte:
“É preciso ser bem audacioso para insistir, em nome da própria ciência positiva, em afirmar a possibilidade dos fatos chamados (erroneamente) de sobrenaturais, e de se fazer o campeão de uma causa aparentemente absurda, ridícula e perigosa, sabendo-se que os partidários confessos dessa causa têm pouca autoridade na ciência, e que seus partidários ilustres não ousam declarar que o são tão abertamente. Todavia, já que essa causa acaba de ser tratada momentaneamente por uma infinidade de jornalistas, cujas preocupações habituais são bem diferentes dos estudos das forças da natureza; como, de toda essa massa de escritores, a maior parte só fez acumular erros sobre erros, puerilidades sobre extravagâncias, e como fica evidente em cada uma de suas páginas (que eles me perdoem essa confissão!) que não somente eles não conhecem os rudimentos do assunto que pensaram poder tratar de acordo com sua fantasia, mas que também seu julgamento sobre essa ordem de fatos não repousa em nenhuma base, eu penso que seria útil deixar desta longa discussão um documento mais fundamentado, e enfrento voluntariamente mil críticas, por amor à verdade” (As forças naturais desconhecidas, p. 13).
Como se nota, muito pouco mudou. O tema dos Espíritos era tratado do final do século XIX para o início do século XX pela maioria como fantástico e de forma fantasiosa. Uns queriam negar a todo custo e outros queriam acreditar a todo custo. Os famosos que acreditavam buscavam, muitas vezes, não aparecer, com receio dos preconceitos de pessoas que os criticavam duramente sem nada saber das manifestações.
Como Flammarion as vinha pesquisando havia alguns anos, rebatia-os com certa indignação:
“É bom que se saiba que não considero meu julgamento superior ao dos meus colegas, dos quais alguns têm, em outros assuntos, um alto valor. É simplesmente porque, não estando familiarizados com o assunto, eles se perdem a torto e a direito, errando em uma região desconhecida, confundindo até os próprios termos e considerando como impossíveis fatos constatados há muito tempo, ao passo que este que escreve estas páginas vem fazendo experiências e discutindo o assunto já há muitos anos” (As forças naturais desconhecidas, p. 13-14).
Não é nenhuma novidade a desconfiança humana em relação ao que é novo, sobretudo ao que desmente suas crenças, mais especialmente ainda se disser respeito a suas crenças mais íntimas sobre quem ele é e sobre como o mundo a sua volta funciona. Flammarion nos remete, então, de volta à descoberta da eletricidade:
“Em 1791, um italiano, em Bolonha, tendo pendurado na balaustrada de sua janela rãs esfoladas, com as quais havia preparado um caldo para sua jovem esposa doente, viu-as se mexerem automaticamente, embora elas tivessem sido mortas na véspera. O fato era inacreditável e, por isso, Galvani encontrava uma oposição unânime por parte daqueles a quem contava o fato. Os homens sensatos pensavam que se rebaixariam caso se dessem ao trabalho de verificá-lo, tanto que estavam certos de sua impossibilidade. Todavia, Galvani chegara a notar que o efeito máximo se produzia quando se colocava um arco metálico de estanho e cobre em comunicação com os nervos lombares e a extremidade das patas da rã. Então, ela entrava em convulsões violentas. Ele pensou tratar-se do fluido nervoso e perdeu o fruto de suas descobertas. Ele estava reservado a Volta, ao descobrir a eletricidade” (As forças naturais desconhecidas, p. 17).
Os Espíritos fazem analogias frequentes entre a eletricidade, o magnetismo e fenômenos espirituais. Trata-se, em todos os casos, de fluidos ainda pouco conhecidos pelo homem, sobretudo na última situação. Assim como levou muitas décadas para a eletricidade ser aceita como descoberta científica e é difícil dizer em qual momento exato se teria uma prova científica dela, o estudo dos Espíritos está em processo de maturação, carecendo de curiosidade e cautela de todos que lidem com ele.
Os excelentes livros de Jung e Flammarion citados aqui buscam entender cientificamente as manifestações espirituais e merecem, com certeza, ser lidos por todos. Em textos seguintes, continuaremos a analisá-los, juntamente com obras de outros estudiosos tão ou mais célebres do que eles, procurando uma resposta para a pergunta: há prova científica da existência dos Espíritos?

 Há provas científicas da existência dos Espíritos? Parte II
por Marcos Villas-Bôas

Publicado no Jornal GGN em 17 de maio de 2017
No texto passado, iniciamos uma busca por provas científicas da existência dos Espíritos e começamos utilizando uma obra de Carl Gustav Jung, um dos principais estudiosos da Psicologia em toda a história humana, e outra de Camille Flammarion, um dos principais estudiosos da Astronomia em toda a história humana. Em comum, suas obras tinham o estudo científico dos Espíritos e a conclusão de que eles existem.
A seriedade com que esses dois e outros estudiosos empreenderam seus estudos afasta a acusação de que a Ciência Espírita seria misticismo, uso de pseudociência para justificar uma religião. Jung e Flammarion se questionaram, ao longo de toda a vida, sobre a realidade dos fenômenos que enfrentavam e observavam.
Flammarion, por exemplo, criticava aberta e diretamente parte dos espíritas por sua falta de método científico e muitos médiuns que eram embusteiros:
“A respeito desses fenômenos, tem-se falado muito em espiritismo. Alguns dos seus defensores acreditam tê-lo consolidado, apoiando-o em uma base também frágil. Os opositores acreditam tê-lo excluído definitivamente e o enterrado sob o desmoronamento de um armário. Ora, os primeiros mais o comprometeram do que o serviram; os segundos, não conseguiram derrubá-lo, apesar de tudo. Mesmo que seja demonstrado que no espiritismo não exista senão truques de prestidigitação, a crença na existência de almas separadas do corpo não será absolutamente atingida. Além disso, as trapaças dos médiuns não provam que eles trapaceiam sempre. Elas apenas nos põem de sobreaviso e nos convidam a ser muito severos em nossas observações. Quanto à questão psicológica da alma e à análise das forças espirituais, estamos ainda hoje no ponto em que a química encontrava-se no tempo de Alberto, o Grande, ignoramos! Portanto, não podemos ficar num justo meio-termo, entre a negação que recusa tudo e a credulidade que aceita tudo? É razoável negarmos tudo o que não compreendemos, ou acreditarmos em todas as loucuras que imaginações doentias dão à luz umas após as outras? Não podemos possuir ao mesmo tempo a humildade que convém aos fracos e a dignidade que convém aos fortes?” (As forças naturais desconhecidas, p. 20).
Nas páginas seguintes do seu livro, Flammarion conta sobre experimentos que realizou com a médium Eusapia Palladino, de Nápoles, que foi a Paris a convite do Instituto Geral de Psicologia (IGP). Entre os diversos cientistas que a estudaram, ele destaca Pierre Curie, vencedor do Prêmio Nobel juntamente com sua esposa Marie Curie, que foi a primeira mulher a ganhar tal prêmio duas vezes e também adepta da teoria da existência dos Espíritos:
“Entre esses cientistas, citarei Pierre Curie, eminente químico, com o qual conversei alguns dias antes de sua morte tão infeliz e tão horrível. Essas experiências eram para ele um novo capítulo do grande livro da natureza, e também ele estava convencido que existem nelas forças ocultas, a cuja investigação não é anticientífico se consagrar” (As forças naturais desconhecidas, p. 22).
Outro que estudou a mesma médium citada, além de muitos outros paranormais, foi Charles Richet, também vencedor do Prêmio Nobel, comprovando-se que houve repetidos experimentos científicos, realizados pela mentes mais brilhantes do mundo, que chegaram a conclusões semelhantes. Isso não faria prova científica? Então, o que faria? Fotografias? Os incrédulos dirão que foram alteradas ou que não mostram exatamente aquilo que está lá registrado.
Flammarion e o IGP tiravam fotografias de alguns de seus experimentos, como, por exemplo, o realizado com a médium Eusapia Palladino de levantamento de uma mesa por ter as mãos espalmadas nela e até mesmo sem sequer tocá-la:
“Eis o caso de uma mesinha redonda. Eu vi, muitas vezes, uma mesa bastante pesada elevar-se a quatro, vinte, trinta e quarenta centímetros de altura, e dela tirei fotografias bem incontestáveis. Constatei, por tantas vezes, que a suspensão desse móvel com as mãos de quatro ou cinco pessoas colocadas sobre dele, produzia o efeito de flutuação de uma tina cheia de água ou de um fluido de plástico, que, para mim, a levitação dos objetos não é mais duvidosa do que a de um par de tesouras levantado com a ajuda de um imã. Mas, desejo de examinar sem pressa como a coisa se operava, uma tarde em que me encontrava quase sozinho com Eusápia (29 de março de 1906, nós éramos, nos total, quatro), pedi que ela pusesse, juntamente comigo, as mãos sobre a mesinha redonda, sendo que as duas outras pessoas mantiveram-se à distância. O móvel foi, bem-depressa, suspenso a trinta ou quarenta metros do assoalho, enquanto nós dois estávamos de pé. No momento da produção do fenômeno, a médium, colocando uma de suas mãos sobre uma das minhas, apertou-a energicamente, e a outra mão de cada um de nós ficou próxima uma da outra. Houve, aliás, tanto de sua parte, como da minha, um ato de vontade expresso por palavras, por comandos ao ‘espírito’: Vamos! Levante a mesa! Ânimo! Vejamos! Faça um esforço! etc. Constatamos imediatamente que havia dois elementos presentes. De um lado, os experimentadores dirigindo-se a uma entidade invisível. De outro, a médium sofre uma fadiga nervosa e muscular, e seu peso aumenta em proporção ao do objeto levantado (mas não em proporção exata). Devemos agir como se lá houvesse, realmente, um ser que estivesse ouvindo. [...] Não seria possível que ao nos esforçarmos, originássemos uma liberação de forças que agiriam exteriormente aos nossos corpos? Mas não há, nestas primeiras páginas, lugar para começarmos a imaginar hipóteses. Naquele dia, a experiência que acabo de citar foi repetida três vezes consecutivas, em plena luz de um lustre a gás, e nas mesmas condições de evidência absoluta. Uma mesinha redonda, pesando cerca de seis quilos, foi suspensa por essa força desconhecida. [...] Devo acrescentar que, muito amiúde, a levitação do móvel prossegue, mesmo que os experimentadores param de tocar a mesa. Há aí um movimento sem contato”.   
Vide foto de experimentos realizados em 6 de julho de 1905, dos quais participaram Camile Flammarion, Pierre Curie, Eusapia Palladino e outros. Há outras fotos na Internet que retratam experimentos de levitação de mesas com ajuda espiritual, fenômeno amplamente conhecido do final do século XIX para o início do século XX, documentado de diferentes formas, inclusive em inúmeros jornais, e abertamente discutido pelas pessoas.
Para constituir prova científica robusta, precisaríamos de outros estudiosos, como Jung, Flammarion e o casal Curie, com vasto conhecimento, enorme inteligência e respeitabilidade bem acima da média, que comprovassem experimentos de cunho espiritual e fossem capazes de explicá-los. Também seria prudente considerar o “uso” de outros médiuns, partindo do pressuposto, pouquíssimo crível por conta das características descritas, de que qualquer um poderia ter fraudado os experimentos.
Voltemos, então, ao vencedor do Nobel de Medicina Charles Richet, que também realizou experimentos com Eusapia Palladino e outros diferentes médiuns, sofrendo diversas críticas dos incrédulos, o que lhe levou a afirmar o seguinte:
“Pois quê! Tudo o que até aqui temos visto não passa de fraude! Essa fraude começou com as meninas Fox, que extravagantemente imaginaram ser divertido produzirem pancadas. Daí pra cá milhares de indivíduos, muito crédulos, não há que ver, porém a maioria imbuída de fé sincera, obtém, nas suas sessões particulares, tão só para se acomodarem aos caprichos das meninas Fox, fenômenos de pancadas. Um dia Home teve o desplante de produzir uma mão fantasmática. Por causa disso, Slade, Stainton Moses, produziram também mãos fantasmáticas. Um dia Eva teve vontade de velhaquear e fez cair ectoplasmas de sua boca. Por causa disso, Stanislawa, Willy, a Srta. Goligher, resolveram também velhaquear como Eva. Esse amontoado de embustes, tendo desafiado todos os controles, é de uma inverossimilhança igual pelo menos àquela da ectoplasmia. O futuro – um futuro mesmo muito próximo – julgará o litígio”.
Para negar a existência de prova científica após tantos experimentos documentados, seria necessário que outros muitíssimos experimentos fossem realizados hoje com médiuns e que se encontrasse outras razões, que não as espirituais, para as dezenas de tipos de diferentes fenômenos gerados por eles com ajuda de inteligências espirituais. Ficar apenas acusando todos de embusteiros ou de delirantes revela baixeza.
Conforme afirma também Richet:
“Não posso, num prefácio, entrar numa discussão que mais para adiante será exposta com brevidade. Contentar-me-ei em dizer que as experiências negativas, a não ser que o sejam em número enorme – e ainda bem! – nada provam contra uma experiência positiva.
Uma única experiência positiva – com a condição, claro está, de ser feita corretamente – tudo leva de vencida. Por exemplo, tenho entre as minhas mãos as de Eusápia, levanto-as para cima, separando-as, e nesse meio tempo outra mão me acaricia. Eis aí uma experiência positiva: não sei como podem infirmá-la, alegando: ‘Cem vezes separei as mãos de Eusápia e jamais percebi uma terceira mão’. Esta negação nada prova e fica um terceiro obrigado a demonstrar como pude, assim como Fred. Myers e Olivier Lodge, ser enganado desta maneira.
Na verdade, novas experiências com pessoas assim tão caprichosas, tão desconfiadas, serão sempre necessárias, porque indiscutivelmente a metapsíquica objetiva não está ainda construída em bases fortes como metapsíquica subjetiva, o que se deve à extrema raridade de médiuns de efeitos físicos e à facilidade (relativa) de fraude”.
Tenha-se em mente que o IGP realizou dezenas de pesquisas com diferentes médiuns, não apenas com Eusapia Palladino. O foco de vários cientistas sobre ela, por longo período, se devia ao fato de que conseguia produzir de modo claro as bem menos comuns manifestações físicas.
Em carta datada de 17 de setembro de 1984, Pierre Curie diz o seguinte a sua esposa Marie:
“Devo confessar que esses fenômenos me intrigam muito. Acredito que haja temas intimamente relacionados com a física. [...] Há algum agente desconhecido responsável por estes fenômenos? Seria apenas puro magnetismo?”.
O IGP havia criado uma sala no número 14 da Rua Condé, em Paris, com o aparato tecnológico mais avançado da época para registrar em fotos os experimentos e controlar os efeitos provocados e sentidos por Eusapia durante eles. Segundo Pierre Curie, os controles eram “de excelente qualidade durante toda a sessão”.
Havia uma vela para clarear Eusapia e não permitir que realizasse qualquer ação mecânica sobre a mesa. Pierre chegou a controlar seus joelhos e diferentes controles eram exercidos ao longo dos experimentos. Na sessão seguinte, ele levou sua esposa Marie para que pudesse tornar as experimentações ainda menos dependentes da subjetividade dele. Seguiam-se controles, como amarrar a médium, segurar membros do seu corpo, fazer com suas mãos ou uma delas não tocasse a mesa etc.
Todos esses experimentos estão fartamente documentados, como no relatório de Jules Courtier intitulado “Rapport sur les seances d’Eusapia Palladino” (Relatório sobre as reuniões de Eusapia Palladino).
Parece que há sobras de provas científicas acerca da existência de “forças naturais desconhecidas”. Se unirmos as pesquisas de Allan Kardec, às de Camile Flammarion, Pierre Curie, Marie Curie, Charles Richet, Carl Jung e muitos outros, não ficam dúvidas para um sujeito racional e aberto ao novo acerca da existência de Espíritos, médiuns e suas manifestações, todas muito bem explicadas – apesar de ser possível desenvolvê-las, aprofundá-las – por Allan Kardec no Livro dos Médiuns.
Apesar disso, a pouca divulgação que se deu a esses estudos e a sua pouca repetição nas últimas décadas culminou numa baixa disseminação da fundamental e, no nosso modo de ver, comprovada hipótese da natureza de que Espíritos existem e se comunicam com os humanos encarnados a todo momento, informações suficientes para dar uma completa guinada em nossas vidas.
Aos que aceitam essas provas científicas, cabe, dentro de suas possibilidades, continuar os estudos, as experimentações daqueles grandes cientistas e difundir ao máximo esse conhecimento, para que, aceitando a existência dos Espíritos, os humanos possam estudar seus ensinamentos morais, sobretudo, e intelectuais, de modo a construir uma nova humanidade no Planeta Terra.
No texto seguinte, veremos mais detalhes sobre os experimentos aqui comentados a partir das obras dos estudiosos referidos e de outros, colaborando para que cada um possa tirar suas próprias conclusões acerca da existência ou não de Espíritos, mas de modo bem fundamentado, olhando para diversos experimentos, teorias e acontecimentos singulares que ajudam na racionalização do problema. 

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

Carl Jung sobre a unicidade eu-tu, eu-outro




"Do mesmo modo que aquele que fere ao outro a si próprio fere, aquele que cura o outro a si mesmo cura". - Carl Gustav Jung, psiquiatra e psicólogo suíço (1875-1961)

domingo, 17 de janeiro de 2016

A atualidade psicológica da linguagem arquetípica mítica: Como tratas a Héstia, representação do teu coração, do teu lar e da Terra como Casa comum? - por Leonardo Boff




Como tratas a Héstia: o teu coração, o teu lar e a Terra como Casa comum?


Texto de Leonardo Boff


  Atualmente há toda uma nova forma de interpretar os velhos mitos gregos e de outros povos. Ao invés de considerar os deuses e deusas como entidades subsistentes, agora cresce a hermenêutica, especialmente, após os estudos do psicanalista C.G. Jung e seus discípulos J. Hillman, E. Neumann, G. Paris e outros, de que se trata de arquétipos, vale dizer, de ancestrais forças psíquicas que nos habitam e movem nossas vidas. Elas irrompem de forma tão vigorosa que os conceitos abstratos não conseguem expressá-las mas que o são mediante relatos mitológicos. Neste sentido o politeísmo não significa a pluralidade de divindades, mas de energias que vibram na nossa psique.
  Um desses mitos que contem um significado profundo e atual é aquele da deusa Héstia. Segundo o mito, ela é filha de Cronos (o deus do tempo e da idade de ouro) e de Reia, a grande mãe, geradora de todos os seres. Héstia representa nosso centro pessoal, o centro do lar e o centro da Terra, nossa Casa comum. É virgem, não por desprezar a companhia do homem, mas para poder, com mais liberdade, cuidar de todos os que se encontram no lar. Mesmo assim ela sempre vem acompanhada por Hermes, o deus da comunicação (donde vem hermenêutica) e das viagens. Não são marido e mulher. São autônomos mas sempre reciprocamente vinculados.
  Eles representam duas facetas de cada pessoa humana que é portadora simultaneamente do animus (princípio masculino, Hermes) e da anima (princípio feminino, Héstia).
  Héstia significa em grego a lareira com fogo aceso: isso era entendido existencialmente como a harmonia e o ânimo do coração. Tarefa diuturna e sempre continuada é manter sob controle dos demônios interiores e dar o mais possível espaço aos anjos bons.
 Héstia era também  o lar com o fogo aceso como aquele lugar ao redor do qual todos se agrupam para se aquecerem e conviverem. Portanto, é o coração da casa, o lugar da intimidade familiar, longe do tumulto da rua. Héstia protege, dá segurança e aconchego. Além disso, a ela cabe a ordem da casa e detém a chave da despensa para que sempre esteja bem fornida para familiares e hóspedes.
 Nas cidades gregas e romanas mantinha-se sempre um fogo acesso, para expressar a presença protetora de Héstia (a Vesta dos romanos). Se o fogo se apagasse, era presságio de alguma desgraça. Também não se começava a refeição sem fazer um brinde à Héstia: “para Héstia” ou “para Vesta”.
  Héstia, concretamente, significava também aquele canto para onde alguém se recolhe para estar só, ler seu jornal ou um livro e fazer a sua meditação. Cada um tem o seu “lugarzinho” ou sua cadeira preferida. Para saber onde se encontra a nossa Héstia devemos nos perguntar quando estamos fora de casa: ”qual é a imagem que melhor lembra o nosso canto, onde Héstia se oculta? Aí está o centro existencial da casa. Sem a Héstia a casa se transforma num dormitório ou numa espécie de pensão gratuita, sem vida. Com Hestia há afeição, bem-estar e o sentimento de estar “finalmente em casa”. Ela era tida como uma a aranha, por tecer teias que unem a todos  e o centro que recolhe e elabora todas   as informações.
  Héstia era por todos venerada e no Olimpo a primeira a ser reverenciada. Júpitér sempre defendeu sua virgindade contra o assédio sexual de alguns deuses mais assanhados.
A nossa cultura patriarcal e a masculinização das relações sociais tornaram Héstia grandemente enfraquecida. As mulheres fizeram bem em sair de casa, desenvolver sua dimensão de animus (capacidade de organizar e dirigir). Mas tiveram que sacrificar, em parte, a sua dimensão de Héstia. Nelas se mostrou a dimensão de Hermes que se comunica e se articula. Levaram para o mundo do trabalho as virtudes principais do feminino: o espírito de cooperação e o cuidado que tornaram as relações menos rígidas. Mas chega o momento de voltar para casa e de resgatar a Héstia. 
 Ai da casa desleixada e desordenada! Aí emerge a vontade de que Héstia se faça presente para garantir a atmosfera boa, íntima e familiar. Esta não é apenas tarefa da mulher mas também do homem. Por isso em todo homem e em toda a mulher deve se equilibrar o momento de Hermes, estar fora de casa para trabalhar com o momento de Héstia, de voltar ao centro e ter o seu refúgio e aconchego.
 Hoje, por mais feministas que sejam as mulheres, elas estão resgatando mais e mais esta fina dosagem vital.
 Héstia não significava somente a lareira acesa do lar ou da cidade. Também designava o centro da Terra onde está o fogo primordial. Hoje isso não é mais crença, mas dado científico. No centro há ferro incandescente. Logicamente, quando se estabeleceu o heliocentrismo e se invalidou o geocentrismo, houve uma abalo emocional para o pensamento de Héstia, a Casa Comum. Mas lentamente ele foi reconquistado. Se a Terra não é mais o centro físico do universo, ela continua sendo o centro psicológico e emocional. Aqui vivemos, nos alegramos, sofremos e morremos. Mesmo indo aos espaços exteriores, os astronautas sempre revelavam saudades da Mãe Terra, onde tudo o que é significativo e sagrado está lá.
 Hoje temos que resgatar a Héstia, dar centralidade à razão cordial, torná-la a protetora da Casa Comume  manter seu fogo vivo e conferir-lhe sustentabilidade. Não estamos rendendo-lhe as honras que merece, por isso ela nos envia seus lamentos com o aquecimento global e as calamidades naturais. Não devemos rebaixar Héstia como mero repositório de recursos mas como a Casa Comum que deve ser bem cuidada para que continue a ser nosso Lar aconchegante e benfazejo.
 Leonardo Boff é articulista do JB on line e escritor e escreveu o livro Ecologoa, Ciência e Espiritualidade,Mar de Ideias, Rio 2015.

terça-feira, 5 de janeiro de 2016

Carl Gustav Jung sobre o "Diabo" em nós mesmos... e nos outros...





“Devido ao seu parentesco com as coisas físicas, os arquétipos (as pré-disposições psíquicas) quase sempre se apresentam em forma de projeções (mecanismo psíquico de ver "fora" o que está dentro, mas inconsciente, em nós mesmos), e quando estas são inconscientes, manifestam-se nas pessoas com quem se convive, subestimando ou sobre estimando-as, provocando desentendimentos, discórdias, fanatismo e loucuras de todo tipo.

"Não devem ser simplesmente reprimidos, mas, devido ao perigo de contaminação psíquica, convém levá-los muito a sério. Como quase sempre se apresentam sob a forma de projeções, e estas só são possíveis quando alguém as recebe, avaliar e julgá-las é extremamente difícil. Pois bem, se alguém projeta o diabo no outro, é porque essa pessoa tem algo em si que possibilita a fixação da imagem. Mas nem por isso tem que ser um diabo. Muito pelo contrário. Pode até ser uma pessoa boníssima, mas é incompatível com a pessoa que projeta, o que tem sobre elas um efeito ‘diabólico’; pode ser uma pessoa tão correta quanto a outra. Surgindo o diabo, isso significa que essas duas pessoas são incompatíveis (pelo menos agora e num futuro próximo), razão pela qual o inconsciente provoca uma ruptura, afastando-as uma da outra. O diabo é uma variante do arquétipo da Sombra, isto é, do aspecto perigoso da metade obscura, não reconhecida da pessoa.” 

C. G. Jung (187501961) in Psicologia do Inconsciente, Volume VII/1das Obras Completas, páginas.86 - 87.

quarta-feira, 2 de setembro de 2015

Biologia, Psicologia e Espiritualidade em discussão sobre a Sincronicidade


   "O Biólogo britânico Dr. Rupert Sheldrake e o famoso psiquiatra suíço Dr. Carl Jung adotaram diferentes, mas complementares, abordagens para a sincronicidade. Sincronicidade refere-se a coincidências que aparecem entre o estado mental de alguém e os eventos que ocorrem no mundo externo em que se encontra esta pessoa."

Segue texto, traduzido, extraído do site Epoch Times:

Biologia, Psicologia e Misticismo Unidos na Discussão da Sincronicidade


Texto de  Tara McIsaac, Epoc Times, 1º de setembro de 2015

Tradução e notas de Carlos Antonio Fragoso Guimarães



À esquerda, Dr. Rupert Sheldrake, biólogo e bioquímico, que escreveu amplamente sobre a "mente extendida". À direita, o psiquiatra Carl Gustav Jung, que cunhou o termo "sincronicidade".


  O universo é cheio de mistérios que desafiam nosso conhecimento atual. Em "Beyond Science" Epoch Times recolhe histórias sobre esses fenômenos estranhos para estimular a imaginação e abrir inimagináveis ​​possibilidades. Elas são verdadeiras? Você decide.

  O Biólogo britânico Dr. Rupert Sheldrake e o famoso psiquiatra suíço Dr. Carl Jung adotaram diferentes - mas complementares - abordagens para a sincronicidade. Sincronicidade refere-se a coincidências que aparecem entre o estado mental de alguém e os eventos que ocorrem no mundo externo em que se encontra esta pessoa.

  Um exemplo simples, bem comum, é aquele que ocorre quando você pensa em alguém e seu telefone toca instantaneamente e é essa pessoa na linha. Mas muitas sincronicidades são mais bizarras e complexas.

 Jung cunhou o termo "sincronicidade" e abordou este fenômeno misterioso de uma perspectiva psicológica, formando uma base teórica para entendê-lo. Sheldrake - que conta entre as suas credenciais o fato de trabalhar em biologia do desenvolvimento na Universida de Cambridge - tem gasto décadas na coleta de evidências para sustentar a existência física de um campo psíquico que se estende além do corpo. Sua especialidade é a "mente estendida".

 Uma recém-gravada entrevista exclusiva com Sheldrake será incluída em um webinar (discussão via internet) a começar no dia 27 de setembro, intitulado "Jung e Sheldrake: Sincronicidade & Mente Estendida" O webinar vai abrir uma discussão sobre sincronicidade ante uma variedade de diferentes perspectivas. O anfitrião da discussão, Gary Bobroff, é um autor, palestrante e líder da oficina com um mestrado em psicologia; sua co-anfitriã, Cynthia Cavalli, tem um Ph.D. em Sistemas Humanos, uma MBA e uma especialização em Física.

   A Perspectiva do biólogo

  Começando com a pesquisa "mente estendida" de Sheldrake, Bobroff disse à Epoch Times sentir que pode fundamentar a discussão da sincronicidade na ciência física.

 Um exemplo da pesquisa de Sheldrake ao longo desta linha são seus estudos sobre a sensação de estar sendo observado. É do conhecimento comum entre investigadores, inspetores de drogas de aeroporto, detetives privados, atletas de artes marciais, entre outros, que as pessoas podem sentir quando outros estão olhando para elas, Sheldrake, disse em um vídeo gravado em 2014  intitulado Synchronicity: Simpósio Matéria & Psique.

  Os estagiários e treinandos para os serviços britânicos, disse ele, são orientados para não olhar as costas das pessoas quando as seguirem porque elas são susceptíveis de virarem-se.

  Bobroff disse que seu primo, um reservista das Forças Armadas do Canadá, também foi treinado recentemente para não olhar diretamente para alguém que ele esteja tentando investigar. Os desportistas marciais, por outro lado, treinam para aumentar a sua sensibilidade ao olhar dos outros para, assim, estarem mais propensos a sentir a aproximação de um adversário.

  Sheldrake citou um estudo no Museu da Ciência Amsterdam com dezenas de milhares de pessoas para ver se eles poderiam corretamente adivinhar se alguém estava olhando para eles.

  No estudo, a uma pessoa seria dito aleatoriamente para olhar para um sujeito ou desviar o olhar e pensar em outra coisa. O suejti-alvo teria de decidir dentro de 10 segundos se ele ou ela estava sendo olhado. As taxas de sucesso foram significativamente acima do acaso esperado. Crianças com menos de 9 anos de idade foram especialmente sensíveis.

  "Os professores usam o poder do olhar o tempo todo", disse Sheldrake.

  Ele também citou um estudo pelo Dra. Marilyn Schlitz, com sujeitos em que se registou uma resposta galvânica da pele quando eles estavam sendo observados através de um circuito fechado de TV.

  Nestes e em outros estudos que Sheldrake tem revisto ou conduzidos sugerem, diz ele, que a mente pode ter algum impacto físico além para do corpo. Em sincronia, tudo indica que a mente de uma pessoa e o mundo à sua volta parecem estar conectadas de uma maneira misteriosa.

 Como a Emoção está envolvida

  Bobroff observou que o trabalho de Sheldrake também destaca o papel da emoção na criação ou ecolosão da sincronicidade.

  Olhando para os estudos acadêmicos sobre Psi (fenômenos psíquicos, incluindo clarividência, precognição, telepatia, etc.) ao longo do século passado, Sheldrake destaca que as maiores taxas de sucesso destes eventos ocorrem entre os membros da família - e especialmente entre gêmeos. As piores taxas de sucesso foram encontrados entre aqueles que não acreditavam em psi. Essas pessoas ficaram abaixo da média. Eles mostraram um resultado estatisticamente significativo por estarem abaixo do acaso, sugerindo que descrença pode impactar negativamente psi - ironicamente, um evento que, por desviar-se da média de acertos esperada pelo acaso, acaba por apoiar a hipótese de que psi existe .

(Nota do Tradutor. - O Termo PSI é utilizado, atualmente, para denominar as capacidades metapsíquicas ou parapsicológicas, como, por exemplo, a precognição ou a telepatia).

 Estados e atitudes emocionais parecem afetar ( fortalecendo ou enfraquecendo ) a parte da "mente" que se estende para além do corpo.

 "Não há tal coisa como uma sincronicidade, sem que haja sentimento", disse Bobroff. "Existe uma maneira de um pai pode saber se um filho ou filha do outro lado do mundo está em perigo. Há uma indicação de que esses campos prolongados de consciência não são simplesmente apenas campos mentais, eles também são campos emocionais. " 

(Nota do Tradutor: O pesquisador francês Charles Richet (1850-1935), Prêmio Nobel de Medicina em 1913, cunhou o termo Criptestesia, ou seja, conhecimento oculto, para a capacidade - quase sempre espontânea e inesperada - de se obuter um conhecimento inabitual, fora do alcance dos sentidos. A Sincronicidade, por sua vez, parece envolver uma espécie de ressonância entre um estado mental-emocional e o meio físico ao redor. De fato, algum evento externo parece "estar ligado" a um momento psicológico especial do sujeito a quem ocorrem o fenômeno. Isso implica que um aspeco de nosso psiquismo se expressa para além do corpo, para além do cérebro, ainda que de modo inconsciente).

  A Perspectiva do Psicólogo

 Jung advertiu contra uma analise das sincronicidades de uma forma apenas baseada na razão ou expectativas do ego, ou, seja, da parte consciente da mente, explicou Bobroff. Por exemplo, uma coincidência relacionada com um relacionamento romântico pode não significar necessariamente que a relação está "destinada a existir." Não devemos expor sincronicidades para dizer o que queremos ou gostaríamos que elas signifiquem.

 Bobroff estava dirigindo em sua província natal de Saskatchewan, no Canadá, em direção ao oeste de Calgary, na província de Alberta. Ele parou para abastecer e ali encontrou-se com a sua namorada do colegial. Ela também estava indo para Calgary, Alberta. Perceberam, então, que fazia naquele dia exatamente há dez anos que eles tinham viajado juntos para Calgary, como namorados.

"Eu não acho que seja necessariamente a resposta do ego para "Devemos voltar a ficar juntos? '", Disse. Em vez disso, há simplesmente "algo em nosso mundo que honra conexões do coração."

  Ele também reflete sobre os antigos modos de pensamento chineses para entender a sincronicidade. "Eu sou sincero em minha ligação com o universo?", pergunta a si mesmo. Ele reflete que tipos de mudanças está sendo chamado a fazer pelo evento, daqui para frente. Jung também teve sincronicidades como sinais para olhar para dentro e refletir.

  Para Bobroff, sincronicidade reúne o espírito e a matéria. Ele traz mistério, magia, um espírito de volta em um momento em que "estamos tão alto em nós mesmos que até pensamos que fomos nós inventamos o mundo."