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sexta-feira, 28 de agosto de 2026

Lula ante a velha tendenciosa e historicamente golpista Rede Globo...

 

Do Brasil de Fato, reproduzido também no ICL Notícias:

Lula diz que ‘se sentiu no MP’ em sabatina e cobra desculpas da imprensa pela Lava Jato

Questionado sobre apurações sobre filho e ex-chefe de gabinete, petista defende investigações e presunção de inocência



Por Brasil de Fato

Em sabatina realizada pela TV Globo nesta quinta-feira (27), o presidente da República e candidato à reeleição, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), chegou a brincar que estava se sentindo “no Ministério Público”, pelas perguntas focadas exclusivamente em investigações da Polícia Federal e sem questionamento sobre propostas para um próximo governo.

A entrevista foi conduzida pelos jornalistas César Tralli e Renata Vasconcellos, que focaram praticamente metade da conversa em questões sobre as investigações contra o filho do presidente, Fábio Luís Lula da Silva, além do escândalo do INSS e apurações sobre o ex-chefe de gabinete de Lula, Marco Aurélio Ribeiro, suspeito de envolvimento com uma lobista.

Lula foi direto em lembrar que foi vítima de um dos maiores casos de perseguição jurídica, na Operação Lava Jato, na qual teve o processo e a condenação anulados. “Eu conheço isso muito bem porque eu já vivi. Eu fui vítima da Lava Jato, a maior mentira que contaram nesse país para me afastar da eleição. Eu fiquei 580 dias preso para provar que o [ex-juiz Sérgio] Moro estava mentindo”, destacou Lula.

“Eu coloquei minha cara. Eu poderia ter saído do Brasil. Queria provar que o Moro é mentiroso, Dallagnol é mentiroso. E a imprensa comprou essa mentira. A imprensa nunca me pediu desculpa por ter criado um monstro chamado Moro”, afirmou Lula, cobrando responsabilidade da própria TV Globo no caso, destacando a divulgação do PowerPoint que o acusava de ser o líder de uma organização criminosa. Diante do questionamento, os jornalistas fizeram um tímido “mea culpa”, com Tralli dizendo que a emissora “se retratou”.

Questionado sobre as apurações contra Fábio Luís, investigado em três inquéritos abertos pela Polícia Federal (PF) neste ano, que apuram um suposto tráfico de influência em favor de empresas interessadas em obter contratos com o governo federal, Lula reforçou que seu filho deve provar que é inocente, mas que é preciso garantir o andamento da investigação e a presunção de inocência.

Lula, durante sabatina na Globo

Lula também reforçou que jamais usará o cargo para beneficiar o filho, “como outros fizeram”, em referência à fala do ex-presidente Jair Bolsonaro, em 2020, que disse que trocaria agentes de segurança para proteger sua família.

“Não tem nenhuma acusação, tem ilações tiradas de telefonemas. Eu conheço isso muito bem porque já vivi. Eu não sou do Ministério Público, não sou da polícia, eu sou presidente. Eu não vou afastar delegado como outros fizeram. Ele [Fábio] sabe o que eu passei, o que a Marisa [Letícia] passou com a Lava Jato. Ele tem obrigação de não ter feito nada errado; ele tem que provar a inocência dele. Não vou fazer um milímetro de movimento para proteger meu filho. Esse é o comportamento do presidente da República”, afirmou Lula.

“O fato de ter pego conversas no telefone não justifica absolutamente nada. Não existe nenhum centavo desviado. Não existe nenhuma prova de conversa com ministro”, completou Lula, reforçando que todas as acusações divulgadas sobre o filho são oriundas de vazamentos das investigações.

Lula também admitiu que as investigações contra o ex-chefe de gabinete levantam suspeitas, mas que não há nenhuma comprovação de que a lobista conseguiu qualquer coisa que queria. “Não é adequado, é totalmente errado. E o Marcola sabe que isso não é papel de chefe de gabinete. Qual é o papel de um chefe de gabinete? Se uma pessoa pede audiência, o papel dele é encaminhar para o ministério. A questão é: ela conseguiu o que ela queria? Ele conseguiu algum dinheiro público? Porque aí é que existe o crime”, afirmou.

Lula também foi questionado sobre a apuração do escândalo dos descontos irregulares nas aposentadorias e pensões do Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS) e ressaltou que seu governo desbaratou um esquema iniciado em 2019, no governo de Jair Bolsonaro, e que os órgãos públicos tiveram total liberdade para investigar.

“Já devolvemos R$ 3 bilhões aos aposentados que foram roubados. E isso vai ser ressarcido pelos bens que tiramos da quadrilha, que foi criada em 2019. O dado concreto é que a quadrilha foi montada em 2019, nós investigamos e desbaratamos a quadrilha. Polícia Federal, CGU e AGU tiveram total liberdade para investigar”, afirmou.

Educação em São Paulo e no Ceará

Ao falar de educação, Lula exaltou a ampliação das universidades, e aproveitou para cutucar o governador Tarcísio de Freitas com o Ceará, governado por Elmano de Freitas, do PT.

“Em um estado como o Ceará, a molecada é mais evoluída que em São Paulo. A educação básica é administrada pelo [governo] do estado. O governo tem o Fundeb, que ajuda os estados, mas cada estado age de um jeito. O Ceará e o Piauí são dois estados pobres que têm o melhor nível de educação de todos. Você sabia que 40% dos alunos que passam no vestibular do ITA, em São José dos Campos (SP), são cearenses? Por isso eu levei o ITA para Fortaleza.”

Ao ser perguntado sobre a fila de 1,3 milhão de pessoas à espera de benefícios do INSS, Lula disse que vai anunciar o fim da fila do INSS na semana que vem em evento no Palácio do Planalto. “Eu, na semana que vem, vou anunciar que a fila zerou. A espera de 45 dias vai estar apenas em 200 mil pessoas, que é o normal”, disse, aproveitando para acusar o governo Bolsonaro pela lentidão no atendimento.

“Eles desmontaram, desmontaram o Brasil, desmontaram a Presidência. Nós chegamos a 3 milhões de pessoas na fila. E. nós vamos entregar agora a fila, terminada na Previdência Social”.

Sobre a dívida pública, que chega a R$ 10 trilhões. A jornalista Renata Vasconcelos enfatizou o aumento de 10 pontos percentuais no atual governo, atingindo 82% do Produto Interno Bruto (PIB). “Nunca tive problema fiscal nesse país. Você acha que o Brasil está com problema de dívida pública? Porque nós chegamos a 80%. Sabe por quê? Porque nós temos há mais de dez anos sem crescer. Você sabe quando o PIB voltou a crescer acima de 2%, Renata? Quando eu voltei à Presidência da República”, disse Lula, lembrando que a dívida pública dos Estados Unidos é de 120% do PIB, perfazendo US$ 40 trilhões.

Ainda em relação à economia, Lula foi categórico ao negar a privatização dos Correios: “Não considero vender os Correios. Considerar recuperar”.

“Desde 1985, os Correios vivem em crise e aparece alguém que quer privatizar. O Correio é uma empresa muito importante para o Brasil, porque ela está em todos os municípios brasileiros”, disse o candidato, afirmando que colocou uma nova administração para resolver o déficit e modernizar a estatal.

“A gente está com uma nova administração no Correio, que está com a responsabilidade de fazer o enxugamento que for necessário nas contas do Correio. Se for necessário fazer associação com empresa, nós faremos com empresa bandeira ou com empresa estrangeira, porque a gente quer um correio prestando serviços junto com qualquer outra empresa.”

Em determinado momento, Lula aproveitou para defender uma regulação dos minerais críticos e terras raras. “Nós, depois da China, possivelmente, sejamos o país que tenha mais minerais críticos e terras raras, e você percebe que está sendo vendido enquanto a gente não faz a regulação.”

Na última pergunta, Lula falou sobre segurança pública, lembrando que ele está discutindo no Congresso Nacional, e destacou a reunião que teve com os presidentes do Senado, Davi Alcolumbre, e da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, para votar a Proposta de Emenda Constitucional da PEC da segurança pública.

“Porque, na hora que for aprovar PEC da Segurança Pública, eu crio o Ministério da Segurança Pública, porque primeiro eu quero estabelecer qual é a participação de cada ente federado da segurança pública. Qual vai ser o papel da união. Qual vai ser o papel do estado. Qual vai ser o papel do município”, disse o candidato, aproveitando para criticar o seu adversário, o ex-governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD), e o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, por se recusarem a fazer um acordo.

Nos minutos finais, Lula aproveitou para voltar a falar de educação, lembrando que, quando cheguou à presidência, o país tinha cinco milhões de trabalhadores com diploma universitário e hoje são 25 milhões. “E eu quero chegar a 50 milhões, porque eu quero que o Brasil seja exportador de inteligência e de conhecimento. Eu não quero que o Brasil continue exportando minerais e minério de ferro, soja e milho”.

quinta-feira, 27 de agosto de 2026

Mais uma vez demonstrando a quem obedece por financiá-la (as elites, os bancos, especuladores estrangeiros e os da Faria Lima paulista), a dita "grande mídia", ou imprensa hereditária brasileira dos Marinhos, Frias, etc., quer eleger Flávio Bolsonaro, como mostra Luis Nassif em seu artigo

 

Do Jornal GGN:


A imprensa quer eleger Flávio Bolsonaro, por Luís Nassif

O país ainda paga preço da eleição de Jair Bolsonaro. O mercado financeiro foi tomado pelo crime organizado, lavagem de dinheiro e sonegação.


    Cemitério de Tarumã - Manaus - Durante a pandemia - Reprodução Youtube

Vamos ser claros.

Há dois projetos de país em curso: um democrático e outro capaz de destruir qualquer veleidade de construção de uma Nação minimamente civilizada.

Uma eventual eleição de Flávio Bolsonaro criaria o seguinte cenário:

  • Subordinação total aos Estados Unidos, na condição de colônia.

Significaria abrir mão de qualquer propósito de industrialização, de avanço tecnológico e de políticas de inclusão. A lógica colonial é a extração de riquezas e de matérias-primas (terras raras, alimentos sem processamento, minérios) para processamento nos Estados Unidos.

Significa fechar definitivamente o mercado de trabalho para os filhos da classe média, com a extinção de postos na engenharia, na indústria e no comércio e destruir as políticas de inclusão dos filhos das classes pobres. Diplomas e cursos universitários não garantirão mais empregos de qualidade.

  • Campo aberto para o crime organizado.

O país paga até hoje o preço da eleição de Jair Bolsonaro. O mercado financeiro foi tomado pelo crime organizado, pela lavagem de dinheiro e pela sonegação. Não se trata de previsão, mas de fatos concretos. Organizações barra-pesadas assumiram o controle do Congresso. E a falta de limites chegou até o Ministro indicado por Bolsonaro para a Suprema Corte.

A família Bolsonaro está intimamente ligada ao crime organizado, seja à milícia do Rio das Pedras, seja às organizações criminosas que ganharam musculatura nos últimos anos. O caso Cláudio Castro é explícito.

O papel da mídia

O segundo ponto a se analisar é o papel da mídia. Nenhum jornalista, repórter, editor, diretor ou dono de grupo de comunicação tem a menor dúvida de que a equiparação do caso Fábio Luís ao de Flávio Bolsonaro é um embuste ciclópico. Pior: se ajudar na eleição de Flávio, se perpetuará através dos tempos, não poupando diretores de redação, colunistas e editores que se lambuzaram com essa tese.

A hecatombe, de ume eventual eleição de Flávio, será atribuída não apenas aos que sujarem as canetas e teclados com essa manobra, mas àqueles que, antes disso, ajudaram a alimentar o ovo da serpente, da Operação Lava Jato.

Pessoal, não é pouca coisa. Se vocês forem bem-sucedidos nessa manobra de colocar uma organização criminosa no comando do país, responderão não apenas perante a opinião pública, mas perante seus filhos e familiares, que pagarão a conta.

Alguns se safarão indo estudar ou buscar empregos melhor qualificados no exterior. Mas a grande maioria pagará a conta dessa enorme irresponsabilidade de burlar a opinião pública em favor de um miliciano.

Há muitos defeitos a se apontar em Lula, embora grande parte de sua inação se deva à falta de condições políticas, num modelo destroçado pela Lava Jato e pelas redes sociais. Mas ele representa o campo democrático — assim como Fernando Henrique representava, bem como Mário Covas, Franco Montoro, Ulysses Guimarães e Tancredo Neves.

Apoiando Flávio Bolsonaro com essa manobra, vocês estarão jogando no lixo quarenta e cinco anos de luta democrática e de tentativa hercúlea de erguer um país dos escombros de uma sociedade civil destroçada pela ditadura e por séculos de uma República mal formada.

Estamos prestes a ingressar na mais decisiva luta política da história, aquela que marcará o destino do país, como nação autônoma ou como uma possessão dos Estados Unidos, um Porto Rico com mais riquezas minerais.

O mundo atravessa uma mudança estrutural e colocou o Brasil em uma encruzilhada definitiva: a democracia ou a barbárie.

Às vezes minhas filhas indagam quando pretendo parar. Dá um cansaço, um desânimo. Mundo e Brasil enfrentam um momento de ruptura. As novas tecnologias, a desconstrução das sociedades por uma financeirização feroz e, agora, pela extração de riqueza pelas plataformas, trazem uma enorme incógnita pela frente.

Algumas vezes penso que é hora de parar, de largar a luta, preparar o livro de memórias, aproveitar os anos que me restam. 

Aí, me lembro da música de Celso Viáfora, e, a exemplo de Charles Laughton em “Testemunha de acusação”, ligo o computador e volto à luta. 


Pois quando tava me arrumando
Pra ir
Bati com os olhos no luar
E a lua foi bater no mar
E eu fui que fui ficando…:”

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quinta-feira, 12 de março de 2026

Dono do Master, Daniel Vorcaro patrocinou evento da Globo em Nova York. Artigo de Rodrigo Vianna

 

Em vídeo, executivo da Globo chama de “amigo” o banqueiro, que também ajudou a bancar camarote global no Carnaval do Rio



Por Rodrigo Vianna, no ICL

As Organizações Globo – que nas últimas semanas se transformaram, mais uma vez, numa espécie de tribunal da inquisição midiática, decidindo quem merece ou não arder na fogueira por manter proximidade com o banqueiro Daniel Vorcaro – foram beneficiadas de forma generosa pelo dinheiro do fundador do Banco Master. Em maio de 2024, Vorcaro foi o principal patrocinador de um evento organizado em Nova York pelo jornal Valor Econômico, do Grupo Globo, ao qual compareceram empresários, governadores e lideranças políticas variadas – entre eles, Cláudio Castro (PL-RJ) e Ronaldo Caiado (PSD-GO).

O logotipo do Master aparecia em destaque no banner, ao fundo do palco onde os debates ocorriam, no luxuoso Hotel Plaza de Nova York, no momento em que o diretor da Editora Globo, Frederic Kachar, tomou a palavra para abrir o evento. Kachar deixou claro que entre Globo e Vorcaro havia algo mais do que dinheiro e patrocínio. Preste atenção nas palavras usadas pelo diretor de um dos braços das Organizações Globo:

“A gente tem alegria de ter patrocinadores de empresas que a gente admira e que eu tenho privilégio de ser amigo. Muito obrigado ao Banco Master [sorri e aponta para a plateia, onde estava o então banqueiro] na figura de seu presidente Daniel Vorcaro, que apresenta o seminário de hoje”.

 

Em seguida, o preposto da família Marinho agradece também a Ricardo Magro, da Gulf Combustíveis, outra patrocinadora do evento novaiorquino. Magro é considerado o maior sonegador de impostos do Brasil, e vive hoje escondido nos Estados Unidos. No começo de 2026, o presidente Lula chegou a sugerir ao governo Trump a extradição do empresário, que é dono do Grupo Refit e foi alvo da Operação Carbono Oculto, que investiga as relações do crime organizado com o setor de combustíveis.

O evento da Globo, portanto, tinha como patrocinadores um suspeito de integrar a maior rede de sonegação e lavagem de dinheiro do país e um banqueiro que está preso por, entre outras coisas, manter uma rede de mafiosos para intimidar os que ousavam desafiá-lo.

A Globo não integrava o grupo de zap batizado por Vorcaro de “A Turma”. Mas o evento de 2024 mostra que Vorcaro, naquela época, era da turma da Globo. Tudo isso foi revelado pelo site Correio da Manhã,  que expôs a íntegra do vídeo do evento transmitido pelo jornal Valor. O Correio da Manhã calcula que o patrocínio do banqueiro presidiário a um evento como esse das Organizações Globo “não sairia por menos de R$ 10 milhões”, ou seja, três meses do contrato do escritório de Viviane Barci, mulher do ministro Alexandre de Moraes, com o Master.

O referido contrato seria indício de uma suposta “compra de acesso” do Master junto ao ministro do STF. É o que dizem ou insinuam colunistas e comentaristas da Globo, sendo que um deles (Fernando Gabeira) chegou a sugerir o fechamento do Supremo Tribunal Federal, que deveria arder na fogueira da inquisição global.

Mas será que a Globo – ao esconder as relações pecuniárias do grupo midiático com Vorcaro e as relações orgânicas da família Marinho com aqueles que protegeram o Master no Banco Central (veja mais abaixo como Roberto Campos Neto virou executivo de uma empresa da família Marinho) – tem independência para atuar como inquisidora nesse caso? Por que a Globo mira todos seus canhões contra o STF e poupa Campos Neto – que hoje é funcionário da família Marinho no Nubank?

Federic Kachar

Vorcaro, o pensador, amigo de “Fred” Kachar da Globo

Ao pagar o patrocínio no evento da Globo, Vorcaro comprou acesso à elite endinheirada. Tudo sob as bênçãos da família Marinho.

O mais saboroso – e assustador – é observar como Vorcaro se dirige à nata do capital brasileiro no evento em Nova York. Ao subir ao púlpito, ele é ouvido como se fosse um sábio, um empresário vencedor, autorizado a pontificar sobre a democracia e as instituições brasileiras, chegando a comentar os efeitos da Lava Jato no país. Mal sabia que estava falando de corda em casa de enforcado: a Globo ainda não se desgarrou do lavajatismo do qual foi sócia majoritária, ajudando a incensar Sergio Moro e outros malandros de Curitiba (a família Marinho, lembremos, chegou a entregar o prêmio “Juiz que faz a diferença” ao magistrado suspeito das araucárias).

Em Nova York, era Vorcaro quem ganhava o selo de aprovação da família Marinho: um banqueiro que faz a diferença. Amigo do poderoso Kachar, executivo da Globo famoso por participar de celebrações cafonas em que assumia o papel de DJ (jornalistas que frequentaram as tais festinhas dizem que a performance de Kachar era sofrível), Vorcaro pisou firme no palco e disse frases como as que transcrevo abaixo:

“Fiquei muito honrado com o convite do ‘Fred´. O [jornal] Valor tem sido um baluarte para nossa nação, ‘Fred’. O Valor tem sido uma referência e um norte para nós brasileiros, com informação sempre precisa e isenta. Cumprimento ao ‘Fred´ e toda a equipe que eu admiro bastante – Lauro, Maria Fernanda, Álvaro, Malu e todos demais pelos quais tenho uma admiração enorme”.

Daniel Vorcaro

Na sequência, elogia a democracia brasileira e louva a “segurança jurídica” proporcionada pelo desenho institucional brasileiro, advindo da Constituição de 1988:

“Tivemos crises institucionais, passamos por uma Lava Jato, mas saímos disso tudo mais fortes. Se tem uma democracia que foi forjada a ferro e fogo, é a democracia brasileira. Acredito que a gente tem Três poderes que são fortes, se complementam, se auditam, e é algo que a gente tem que bater no peito e se orgulhar. Nós temos sim segurança jurídica, todo esse passado recente mostra o quão forte é nossa democracia e o quanto a gente tem de segurança jurídica em nosso país”.

Vorcaro achava que a “segurança jurídica”, no caso do Master, seria construída garantindo acesso ao poderes da República e, claro, soltando um dinheirinho para o Grupo Globo, porque ninguém é de ferro.

Atriz Nívea Maria no camarote da Globo patrocinado pelo Banco Master

Vorcaro, rei do camarote no Rio

Menos de dois anos se passaram, entre ele ser tratado como sábio e amigo em Nova York… e depois ser escorraçado como banqueiro que corrompe as instituições, ajudando no roteiro usado sob encomenda para derrubar Xandão e soltar Bolsonaro.

Frederic Kacher, ou “Fred” para os íntimos, tinha relações tão próximas com Vorcaro que editora Globo e Master acertaram uma parceria no camarote do Carnaval carioca, pelo menos entre 2022 e 2024. por ali circulavam artistas e influenciadores. Muitos vestiam camiseta carnavalesca que estampava logomarcas da revista Quem (editora Globo) e de O Globo, lado a lado com a do banco Master.

Matéria publicada no jornal carioca, em fevereiro de 2023, avisava que o Camarote Quem/O Globo tinha “ganho decoração em homenagem aos cartões postais do Rio”, e anunciava boca livre nos comes e bebes: “a ideia é que a galera coma mesmo, sem perrengue e sem filas”. Durante a festa, dizia o festivo jornal, “as marcas parceiras prepararam mimos para fazer o folião convidado ainda mais feliz”. E por fim contava que tudo era pago com “patrocínio máster de Fit Combustíveis, Cedae, Banco Master”, entre outros.

Quem paga os mimos tem preferência, claro! Pessoas que circularam pelo camarote naqueles anos contam que Vorcaro agia como anfitrião, como o verdadeiro dono da casa no camarote da Globo.

De novo, cabe a pergunta: ministro do STF tomar whisky, sob patrocínio de Vorcaro em Londres, é suspeito e questionável? Sim. Mas o que dizer de um grupo de mídia que ajudou a construir a figura de Vorcaro como alguém respeitável, abrindo as portas para que transitasse junto à elite brasileira – aceitando que ele patrocinasse eventos no Carnaval carioca e nos hotéis de luxo em Nova York?

O banqueiro presidiário e o tal “Fred” da editora Globo aparentemente mantiveram até relacionamento amoroso com a mesma atriz: namoraram Monique Afradique. No caso de “Fred”, foi um namoro público, que circulou com ela por salões endinheirados Brasil afora. Já Vorcaro teria usado o codinome “Allan do TI” para esconder Monique em sua agenda de contatos, a que a PF teve acesso.

Tudo isso seria de natureza absolutamente íntima, não fosse um indício a mais de que Vorcaro, o banqueiro bandido, e “Fred”, o chefão na Globo, frequentavam os mesmos ambientes e se relacionavam com as mesmas pessoas.

Foi Frederic Kachar, aliás, quem transformou o polêmico e açodado Diego Escosteguy em diretor da revista Época, entre 2015 e 2018. Conhecido por ter sido um dos mais duros lavajatistas na época gloriosa de Moro, e por pressionar colegas jornalistas ao exigir que seguissem a mesma linha de jornalismo engajado com a direita, Escosteguy é acusado agora de algo mais grave: ter recebido R$ 2 milhões de reais, para publicar matérias favoráveis a Vorcaro no site O Bastidor, que ele criou depois de sair das Organizações Globo.

Escosteguy nega que seja um jornalista corrupto. E diz que recebeu os recursos de Vorcaro como pagamento por publicidade –  isso tudo num site que parece ser um fracasso de público mas um sucesso master no departamento comercial.

Roberto Campos Neto

Campos Neto e a família Marinho

A parceria entre a família Marinho e o banqueiro Roberto Campos Neto não é apenas ideológica. Isso talvez explique por que o ex-presidente do BC tem sido poupado no noticiário da Globo sobre o caso Master.

A família Marinho, cujos negócios midiáticos cresceram exponencialmente sob patrocínio da ditadura militar à qual serviu o avô de Campos Neto, é defensora radical de privatizações, de feroz ajuste fiscal, de nova “reforma previdenciária” que puna os trabalhadores ainda mais e de “autonomia” total para o Banco Central. Nisso tudo, Globo e Campos Neto são parceiros.

Há, no entanto, uma relação orgânica, pouco exposta ao grande público. Depois de sair do Banco Central, como herói da Faria Lima, e de usar a camisa amarela ao votar para mostrar que é um quadro do bolsonarismo, Campos Neto foi contratado como principal executivo do Nubank – instituição da nova geração financeira, que cresce sem parar.

Acontece que a família Marinho é sócia declarada do Nubank. Em julho de 2024, de forma discreta, o mercado foi informado em matérias da imprensa especializada que a Globo Ventures adquirira participação no Nubank: não comprou ações nem fez aporte de capital, mas foi construindo a sociedade na base da permuta. Ou seja: a Globo ofereceu espaço publicitário na TV, em troca de uma parcela crescente de ações do banco digital. O Nubank, por exemplo, surgiu com destaque em dezenas de comerciais no horário mais caro da publicidade global: o intervalo do Jornal Nacional (JN).

Roberto Marinho Neto, CEO da Globo Ventures, defendeu a estratégia comercial da família, numa entrevista em que afirmou, em julho de 2025: “o futuro será das marcas capazes de renovar estratégias, testar hipóteses e investir em parcerias inovadoras”. Entre as parcerias, Marinho Neto (conhecido por ser um empolgado torcedor do Flamengo, a ponto de fretar aviões com amigos para ver jogos do time no exterior) citou os casos do Nubank e do Quinto Andar como “duas marcas disruptivas, inovadoras e admiráveis”.

Não há como confirmar se uma das estratégias disruptivas de Marinho Neto foi sugerir o nome de Campos Neto para dirigir o Nubank, em julho de 2025. O ex-presidente do Banco Central é hoje o principal executivo do banco digital, que contratou também outro nome egresso do BC: Otávio Damaso foi diretor de Normas e Regulação do BC e, após cumprir a quarentena obrigatória, entrou pela porta giratória do Nubank, para cuidar exatamente da mesma área de regulação.

Ora, Otávio Damaso coordenou a fiscalização no BC justamente no período em que a autoridade monetária não parece ter visto nada de anormal nas ações de Vorcaro, permitindo a ele obter o registro oficial para operar o Master – isso depois de o banqueiro visitar a sede do BC por 24 vezes, na gestão Campos Neto – como mostrou reportagem exclusiva do ICL Noticias. Em relação a Damaso, diga-se, não há indícios de mal feitos. Mas o que fica é a impressão de uma regulação leniente, para dizer o mínimo.

O que temos aqui, em resumo?

1 – Campos Neto e seus diretores no BC jamais incomodaram Vorcaro, permitindo que ele cometesse barbaridades operacionais que levaram à liquidação do Master (e a liquidação só ocorreu pós Gabriel Galípolo assumir o BC), deixando um rastro de destruição em fundos de previdência pública e prejuízos para milhares de investidores.

2 – Campos Neto e um de seus diretores (justamente o Diretor de Normas e Regulação), ao sair do BC, refugiaram-se sob o guarda-chuva do Nubank – que foi um dos bancos a vender papéis do Master (CDBs com taxas fora do padrão).

3 – A Globo, sócia do Nubank, tenta transformar o escândalo do Master (que cresceu sob a batuta de Campos Neto no BC, e chegou a patrocinar ações da própria Globo), num “escândalo do STF”. A estratégia cai como uma luva para os bolsonaristas e seus aliados na Faria Lima.

4-  Ao agir assim, na prática, a Globo ajuda a blindar um executivo que trabalha em empresa da família Marinho: o bolsonarista Campos Neto.

As Organizações Globo parecem tão preocupadas em esconder essa teia de relações que nesta quarta-feira (11) publicaram uma “vacina” em forma de “apuração”, no blog de uma jornalista da casa. A notícia é que o Planalto estaria tentando “concentrar o foco da crise na atuação do Banco Central durante a gestão de Campos Neto”.

Ora, não é o Planalto que pode levar o caso para o colo de Campos Neto, mas a realidade. O Banco Master e sua quebra só existiram porque um quadro do bolsonarismo, que hoje é funcionário da família Marinho como executivo do Nubank, permitiu que isso ocorresse.

Mais que isso: Vorcaro só ganhou notoriedade e espaço junto à elite brasileira porque teve a chancela da família Marinho, ao patrocinar/apresentar evento em Nova York e ao bancar parte do camarote da Globo na Sapucaí.

Se faltava desenhar, aí está o quadro completo.