O capitalismo fez do Natal o que faz com tudo o mais: mata o espírito, a alegria do encontro e da gratuidade, a mensagem de Jesus, e transforma tudo isso em acessórios secundários ante um consumismo neurotizado...
Carlos Antonio Fragoso Guimarães
"Desde seus primeiros dias, a revolução cubana tem sido uma fonte de inspiração para todas as pessoas amantes da liberdade. Também homenageamos o grande Che Guevara, cujas façanhas revolucionárias, inclusive em nosso próprio continente, foram poderosas o suficiente para que qualquer censura na prisão pudesse esconder de nós"
"Saul havia criado um novo mistério, uma nova forma do drama da ressurreição, que iria sobreviver a todas as demais versões. Ele mesclou a ética utilitária dos judeus com a metafísica dos gregos e transformou o Jesus dos evangelhos no Cristo Invicto da teologia. Para Saul, Cristo morreu na cruz para a redenção do mundo, pois, com sua morte, ele retirou o pecado original do orbe e oferecia, com sua paixão na cruz, a salvação.
"Saul continuaria, entretanto, obscuro e esquecido até que a reforma protestante de Lutero levantou-o das cinzas do passado, e Calvino também encontrasse nele os textos na crença da predestinação. Os dois não entenderam que Saul havia preconizado que o homem justo será salvo pela fé, e não que todos seriam salvos pela fé (...). Com o desvirtuamente das palavras de Saul, qualquer um que aceitasse Jesus estaria imediatamente salvo.
"O protestantismo foi o triunfo de Saul sobre Pedro, e o fundamentalismo foi o involutário triunfo de Saul sobre Cristo e ambos só atestaram que a doutrina de Jesus foi parcialmente esquecida. Jesus, que queria que a maior prova do homem fosse a virtude, acabou sendo substituído pela [mais cômoda] fé preconizada por Saul. Para Jesus, o reino de Deus era uma nova atitude íntima perante a vida, que desembocaria numa sociedade mais justa e fraterna, e para os que usaram Saul de forma indevida, era apenas adesão" (Dahoui, 1999, volume VI, pp. 306-307).
"O cristianismo não iria destruir o paganismo. Pelo contrário, o novo cristianismo [Romano, mais tarde cindido entre as duas Igrejas Católicas, a do Império Romano do Ocidente e do Império Romano do Oriente, conhecido como Igreja Católica Ortodoxa], que nada tinha a ver com Yeshua de Nazareth, iria adotar os ritos e idéias dos pagãos, assim como de outras religiões existentes na época. Substituiria a profusão de deuses subordinados a um distante Deus criador, por uma multidão de santos subalternos a Jesus Cristo. O espírito grego ressurgiu na teologia e na liturgia da igreja. A língua clássica grega foi usada durante séculos na liturgia, para depois ser substituída pelo latim, mas, mesmo assim, tornou-se o veículo da literatura e ritual cristãos".
No que se refere à dominação com o significado de assujeitar/controlar sem sofrer o retorno do subjugado, no decorrer dos desenvolvimentos tecno-econômicos dos tempos modernos, esta dominação pôde ser feita, nos últimos quatro séculos, avançando no universo físico e às máquinas simples sem retroação, depois estendeu-se ao conjunto dos seres vivos, vegetal e animal. O homem substituiu as regras ecológico-organizadoras pelas novas regras da exploração da natureza. Nas últimas décadas, contudo, a natureza, ou seja, a biosfera, retroagiu a essa dominação. A dominação dominou os dominadores, cada vez mais alienados entre si e entre a vida, tornando-nos dependentes de todas as degradações a que submetemos a biosfera. Precisamos compreender, enfim, que o homem faz parte da biosfera e depende dela mais do que ela depende dele, uma vez que a vida continuará a existir mesmo depois da extinção da humanidade...