domingo, 4 de abril de 2010

Plotino e o Neoplatonismo




Carlos Antonio Fragoso Guimarães


"A aspiração do homem não deveria limitar-se a não não ser culpado, mas a ser Deus."
Plotino


Durante o período helenístico pós-Alexandre e, posteriormente, no período Imperial Romano, desenvolveram-se várias escolas de filosofia. Entre elas se destacam a dos cínicos, a dos estóicos e a dos epicuristas. Embora sejam escolas com características bem próprias, todas elas tinham por ponto de partida os ensinamentos de Sócrates e/ou dos pré-socráticos Demócrito e Heráclito. Mas, sem dúvida alguma, a mais importante, bela e orignal das escolas do final da Antiguidade foi inspirada pelo gênio de Platão. Por isso ela é chamada de neoplatonismo, se bem que ela seja, de fato, um aperfeiçoamento extraordinário do pensamento filosófico grego, com matizes bem mais originais e estruturadas do que tinha o pensamento platônico. De fato, a escola neoplatônica nos parece extremamente atual, hoje em dia, devido às grandes similiridade entre a visão e concepção de mundo que emergem de seus pressupostos filosóficos básicos e a atual visão de mundo que surge da Física moderna, da Teoria Geral dos Sistemas e da Psicologia Transpessoal. A figura mais importante do movimento neoplatônico foi Plotino.

Plotino nasceu em 205 da era cristã, em Licópolis, permanecendo quase toda a juventude em Alexandria até 243 d.C., quando deixou a cidade para seguir o imperador Jordano em sua expedição oriental. Morto Jordano no meio de sua expedição, Plotino deicide ir à Roma, onde chegou em 244 d.C., fundando uma escola, espelhando-se no exemplo de seu mestre e real modelador do movimento neoplatônico: Amônio Sacas.

Pelos escritos de um discípulo famoso de Plotino, Porfírio, sabemos que Amônio foi um jovem brilhante, educado no seio de uma família cristã. Mas depois que passou a se dedicar à filosofia, Amônio, por inclinação e vontade próprias, se voltou novamente ao paganismo (talvez por achar mais liberdade por buscar um caminho próprio de entendimento). Segundo Porfírio, ele tinha um alto conhecimento da filosofia de sua época, e, tal como mais tarde faria Plotino, aprofundou-se de tal modo na vivência da filosofia ao ponto de "ter uma experiência direta seja da filosofia praticada pelos persas, seja daquela preponderante entre os hindus" (Porfírio, Vida de Plotino). Outras referências a Amônio são encontradas em obras de Teodoreto, que era um bispo cristão, Hiérocles de Alexandria e em Nemésio, bispo de Emesa.

Amônio preferiu não se dar a público, rejeitando pertencer ao círculo de celebridades consagradas de seu tempo, talvez por sentir uma certa instabilidade emocional no ar entre as escolas cristãs e pagãs, e, por isso viveu de forma modesta e esquiva, afastando-se do burburinho do mundo e cultivando a filosofia não apenas como um exercício de inteligência, mas também de vida e de aperfeiçoamento espiritual, buscando uma percepção direta, de cunho místico (no sentido transpessoal do termo), da realidade, ou da essência, da existência, juntamente com alguns discípulos mais indentificados com a sua mensagem.
Tal como Sócrates e Jesus, Amônio nada deixou escrito, mas sua doutrina foi levada adiante e aperfeiçoada pelo gênio de Plotino, tal como, antes, a mensagem de Sócrates foi perpetuada pelo testemunhos de Platão e Xenofonte. Amônio é apresentado como um filósofo que, elevando-se acima das disputas e das plêmicas das outras escolas filosóficas, soube conciliar Platão e Aristóteles e a transmitir a seus discípulos, sobretudo a Plotino, uma filosofia livre do espírituo de polêmica, muitas vezes resultante da mera vaidade pela disputa intelectual. Conta-se que Plotino, chegando a Alexandria, teria ouvido a todas as celebridadas da época, cristãs e pagãs, mas continuava insatisfeito. Levado por um amigo a Amônio, depois de te-lo ouvido falar apenas uma vez, teria dito: "Este é o homem que eu buscava!", e tornou-se seu discípulo por onze anos. Não é à-toa que nos vêm à mente que a relação entre Amônio e Plotino tenha alguma semelhança com a que existiu entre a de Sócrates e Platão. Outros discípulos famosos de Amônio foram Orígenes, o Pagão, Longino, Erênio e Orígines, o Cristão.

Após fundar sua escola, em Roma, Plotino passou de 244 d. C. a 253 d. C. apenas ministrando lições, sem nada escrever, por respeito a um pacto que fizera com Erênio e Orígines, o Pagão, no sentido de não divulgar a doutrina de Amônio. Mas logo seus colegas romperam o trato, permitindo a Plotino escrever tratados, nos quais fixava suas lições. Todos os seus escritos foram ordenados mais tarde por seu discípulo Porfírio, que os dividiu em seis grupos de nove tratados, de onde veio o título Enéadas (leia a tradução inglesa na internet: The Six Enneads by Plotinus - infelizmente, estes textos magníficos não foram traduzidos ainda para o português), pois, em grego, nove se escreve ennea. Estes escritos chegaram integralmente até nós, por sorte, e eles são, juntamente com os diálogos platônicos e os escritos esotéricos de Aristóteles, uma das mais elevadas e sublimes mensagens filosóficas da Antiguidade. Através deles, podemos perceber o grau de profundida espiritual do pensamento de Plotino, intensamente carregado de imagens poéticas, onde vemos lindamente explicadas fenômenos tais como a saída da alma do corpo (projeção), a análise do Uno (holos), como e porque existem um mundo físico e um outro espiritual, etc.

Plotino possuia um carisma especial, e gozou de enorme prestígio em sua época. E seu fascínio era tal que chegou a exercer uma profunda influência sobre a própria teologia cristã, como sabemos pelos testemunhos de Eusébio, do bispo Teodoreto, etc. Suas lições eram assistidas até mesmo pelo imperador Galiano e sua esposa Solonina, e foi tal o impacto que Plotino exerceu sobre eles que o imperador chegou a examinar um projeto de fundar uma cidade de filósofos que deveria se chamar Platonópolis. O projeto não foi adiante devido às tramas dos cortesãos.

Plotino morreu aos sessenta e cinco anos, em 270 d. C. Suas últimas palavras ao médico Eustóquio foram: "Procurai sempre conjugar o divino que há em vós com o divino que há no universo".

Segundo Reale & Antiseri, a escola de Plotino não se assemelhava a nenhuma das escolas filosóficas anteriores: Platão havia fundado a Academia para a formação de homens que pudessem renovar o Estado; Aristóteles havia fundado o Liceu para organizar e sistematizar a busca do saber; Epicuro havia fundado seu movimento visando dar aos homens a paz e a tranquilidade da alma. Já a escola de Plotino visava ensinar aos homens um modo de entrarem em contato direto com uma realidade mais abrangente, e reunir-se com o divino, de uma forma que hoje chamaríamos de uma experiência direta de cunho transpessoal. Ele dizia que o mero conhecimento intelectual pouco será diante da certeza, da experiência direta das realidades supra-sensíveis. Estas possuiam uma riqueza e uma força transformadora da percepção humana que dificilmente poderiam ser posta em palavras. Aliás, isto é também o que dizem todos os grandes e verdadeiros místicos, santos e pensadores da humanidade, como Mestre Eckhart, São Juan de La Cruz, etc. O fato é que, tal como ocorre em algumas formas de psicoterapia, notadamente a psicologia junguiana e as abordagens existenciais, há fatores significativos em nosso desenvolvimento psíquico que se colocam como indefiníveis, mas altamente significativas a nível intuitivo, já que termos abstratos não são suficentes para descreve-los. Enquanto para a mioria das pessoas, em nossos dias, a única abordagem compreensível da realidade baseia-se na definição de tudo através de conceituações literais, lineares, racionais e impessoais, algumas outras redescobrem que o universo intuitivo pode ser tão ou mais abrangente quanto este causal universo racional. Entre estas pessoas podemos citar Albert Einstein e Carl Gustav Jung. Aliás, Jung julgava ser a intuição e o sentimento faculdades indispensáveis para uma vivência adequada da psique, pois é apenas através de todos os seus elementos (pensamento, sentimento, sensação e intuição) que podemos tentar entendê-la. As dificuldades que a pessoa moderna encontra ao tentar compreender a verdadeira abordagem "mística" (não o fácil e simplório misticismo que vemos sendo vendido a torto e a direito em cada esquina e nas bancas de revistas, mas o real misticismo que vem de dentro da alma) baseia-se no fato de que, como reação à tendência altamente introvertida, supersticiosa e ao obscurantismo da Igreja medieval, o desenvolvimento científico ocidental recente enfatizou excessivamente o pensamento objetivo abstrato, linear e racional. Este desenvolvimento preocupou-se exclusivamente com a utilização prática de objetos externos e necessidades externas e, em nossos dias, culminou no extremo racionalismo lógico e impessoal de nossa sociedade. Assim, a capacidade de sentir e a de intuir não recebem valor ou não são levadas em consideração; os sentimentos são até mesmo considerados como algo dispensável, e as intuições são vistas com desconfiança. Esta é uma abordagem que já vem demonstrando ser falha há muito tempo, já que não é capaz, entre outras coisas, de compreender a motivação básica do comportamento moral do ser humano, por exemplo, que se baseia em alicerces emocionais. Estas áreas até podem ser racionlaizadas, mas a razão em si dificilemente as atinge, pois se assim fosse os cientistas já teriam solucionados problemas como a violência, o suicídio, a apatia, a depressão (que hoje já virou epidemia) e outros males da alma. Os apelos racionais são pouco eficientes quando comparados aos emocionais. Nossa cultura é voltada para a lógica, mas, ao lidar com problemas mais profundos, esta mesma lógica é incapaz de nos oferecer respostas adequadas à compreensão da vida e de seus mistérios. Por que, então, negarmos como fantasias ou irrealidades os fenômenos místicos? Talvez o estado de vigília - considerado o estado pradão normal - seja apenas um de vários níveis de consciência possível ao psiquismo humano. Para maiores detalhes, veja a Psicologia Transpessoal.


A Mensagem de Plotino


Plotino, segundo Jostein Gaarder, via o mundo fenomênico e humano como algo que está entre dois polos: Numa extremidade está o divino, de onde tudo vem e para onde tudo vai, ao qual ele chamava de Uno. Plotino abraçava uma concepção holística do universo (é pena que a palvra holismo esteja, hoje em dia, misturada com uma falácia de lixo pseudo-místico, que lhe tiram o signficado real). Às vezes Plotino chamava o Uno de Deus. Na outra extremidade estaria aquilo que Plotino chamava de reino das sombras, onde apenas uma fração ínfima da luz divina chegava. Mas Plotino usava estas metáforas apenas como uma figuração didática. Ele dizia, por exemplo, que estas trevas não tinham uma existência concreta. Elas eram apenas a ausência momentânea da Luz Divina, como mais tarde Mestre Eckhart diria que a matéria era a condensação de algo espiritual. Assim, sendo este extremo apenas ausência de luz, as trevas não são. Elas apenas estão na escuridão. A única existência real é a existência da odem implícita que causa o mundo fenomênico mutável. Assim, só Deus é o real. Mas, assim como uma fonte de luz pouco a pouco se perde na escuridão, também podemos imaginar um lugar onde os raios divinos chegam muito fracos, o que Plotino identificava com a matéria. Mas até mesmo a matéria possui um pouco da luz divina. Sabemos hoje em dia, pela Física, que a matéria nada mais é que uma condensação de algo mais sutil: a nergia.

Eis um belo resumo das analogias poéticas da obra de Plotino (e, por ligação, de Amônio Sacas) dada por Jostein Gaarder:
"Imagine uma enorme fogueira creptando no meio da noite. Do meio do fogo saltam centelhas em todas as direções. Numa amplo círculo ao redor do fogo a noite é iluminada, e a alguns quilômetros de distância ainda é possível ver o leve brilho desta fogueira. À medida que nos afastamos, a fogueira vai se transformando num minúsculo ponto de luz, como uma lanterna fraca na noite. E se nos afastarmos mais ainda, chegaremos a um ponto em que a luz do fogo não mais consegue nos alcançar. Em algum lugar os raios lumiosos se perdem na noite e se estiver muito escuro não vamos enxergar nada. Nesse momento, contornos e sombras deixam de existir".
"Agora imagine a realidade como sendo esta enorme fogueira. O que arde é Deus - e as trevas que estão lá fora são a matéria fria, onde a luz está fraca, da qual são feitos homens e animais. Junto a Deus estão as idéias eternas, as causas de todas as criaturas. Sobretudo, a alma humana é uma 'centelha do fogo'. Mas por toda a parte na natureza aparece uma pouco desta luz divina. Podemos vê-la em todos os seres vivos; sim até mesmo uma rosa ou uma campânula possuem um brilho divino. No ponto mais distante do Deus vivo está a matéria inanimada".

"Digo que tudo o que vemos tem um pouco do mistério divino. Podemos ver o brilho desta alguma coisa num girassol ou numa papoula. Percebemos um pouco mais deste insondável mistério numa borboleta que pousou num galho, ou num peixinho dourado que nada no aquário. Mas o ponto mais próximo em que nos encontramos de Deus é dentro de nossa própria alma. Só lá é que podemos nos re-unir com o grande mistério da vida. De fato, em alguns raros momentos" - como falam Jung e Maslow - "podemos sentir que somos, nós mesmos, este mistério divino". O psicólogo americano Abraham Maslow fez exaustivos estudos provando a existência destas experiências culminantes, frequentemente impossíveis de serem expressas em palavras sem que se percam grande parte de sua força extraordinariamente bela e luminosa, e o onde a sensação de íntimo encontro com algo transcendete é o leitmotiv dominante.

As imagens que Plotino usa, e que Jostein Gaarder acabou de resumir, nos remetem ao mito da caverna de Platão. Mas enquanto Platão é dualista, distinguido de forma estanque a oposição entre o espírito e a matéria, Plotino nos aponta para a realidade de que o isto está também ligado ao aquilo (como também falava Buda), que o universo é uma imensa rede de relações onde tudo tem sua razão de ser no conjunto, no holos. Tudo está ligado a tudo, e tudo é Um, pois tudo concorre para o andamento da obra de Deus. Até mesmo as sombras têm uma tênue parte desta "Unidade" ((holismo)).

Em alguns momentos de sua vida, Plotino experimentou a vívida sensação de unir, fundir sua alma com Deus. Em nosso século, Abraham Maslow fez uma enorme pesquisa para provar que as pessoas mais saudáveis e carismáticas experimentaram, pelo menos uma vez na vida, uma espécie de experiência de pico (as Peak Experiences de Maslow) onde parece que as divisões convencionais do intelecto humano parecem perder todo o sentido, e a pessoa sente-se plena de uma paz e de um contato mais íntimo com algo transcendetal. Chamamos a este tipo de experiência de experiência mística. Plotino, porém, como sabemos, não foi único a viver essa experiência. Como nos fala Jostein Gaarder, pessoas de todas as culturas, em todos os tempos, têm relatado experiências semelhantes. Hoje o estudo dessas experiências é feito pela Psicologia Transpessoal. E um ponto básico destes relatos é o de que, embora ocorram variantes na descrição desses fenômenos - devido ao pano de fundo cultural e às crenças do sujeito -, esses relatos têm muitos e supreendentes pontos em comum.



Misticismo


Em praticamente todos os relatos sobre os chamados êxtases místicos, desde Plotino (e mesmo antes dele) até os dias de hoje com os pacientes/clientes da psicoterapia transpessoal, o que vemos é uma espécie de união íntima com algo que transcende nossos conceitos de realidade, que é difícil de por em palavras. Na nossa cultura cristã - embora o próprio Cristo tenha relatado muitas vezes que ele se sentia um com o Pai, de dizer que "vós sois deuses" e de que "O Reino está em vós" - o padres, pastores e teólogos vários nos inculcam que Deus fez o mundo sem que se envolvesse com o mundo, ou seja, que há um abismo entre Deus e sua criação. Deus teria feito as coisas e estaria apenas observando o andamento do drama universal, às vezes interferindo momentâneamente em algo, nos chamados milagres. Mas no oriente, especialmente no budismo e no taoísmo, e no ocidente, nas religiões originais dos celtas e gauleses (druidas), bem como em alguns de nossos índios da América do Norte e do Sul, em em todos os místicos de qualquer religião, o que se vivencia é uma sensação de união, onde este abismo é desconhecido (veja-se os relatos de Teresa D'Ávila e Juan de la Cruz). O que ele - ou ela - conhece é uma elevação a Deuss (Gaarder, 1995; Grof, 1988; LeShan, 1994).

Carl Gustav Jung e Joseph Campbell, bem como Plotino, nos dizem que aquilo que chamamos comumente de "eu" não é nosso eu verdadeiro, é apenas uma máscara, o ego. Em momentos de profundo amor e/ou emoção ou paz podemos sentir rapidamente uma espécie de contato com um eu mais profundo, que Jung chamava de self, e que alguns místicos chamam de Cristo interior. Alguns vão ainda mais além, e se sentem unidos ao próprio Deus, ou a uma "consciência cósmica" - termo muito utilizado na Psicologia Transpessoal. O místico cristão Angelus Silesius (1624-1677) assim se expressou sobre esta experiência: "A pequena gota (o indivíduo) se transforma em mar quando chega até ele; e assim a alma se transforma em Deus quando é nele acolhida" (Gaarder, 1995, p. 154).
Ora, o ego pode se revoltar contra a possibilidade de perder o controle e a pessoa se "perder a si mesma" nesta fusão íntima com a consciência cósmica, mas, como muito bem disse Jostein Gaarder, esta pseudo-perda (na verdade o ego não é eliminado, continua a existir) é algo muito insignificante diante daquilo que se ganha (veja-se a parábola de Jesus sobre o semeador que encontra uma pérola no campo, e vende tudo o que tem para comprar aquele campo). O místico perebe que seu ego é apenas uma parte ínfima de si mesmo. Compreende que o "eu" real é algo infinitamente maior. Compreende que faz parte do universo inteiro, que é Deus. É por isso que os hindus dizem que o Eu é o maior amigo do ego, mas o ego é o pior inimigo do Eu. Ora, como nos diz Jostein Gaarder, se tememos nos perder enquanto indivíduos num mundo que para nós é a realidade (o mundo comum), talvez sirva de consolo e estímulo saber que um dia de qualquer forma termos de perder este "eu cotidiano" de uma forma ou de outra. Por que não tentar experimentar o verdadeiro Eu conseguindo-se se libertar do jugo de um eu egóico? "Aquele que quiser conservar sua vida, perde-la-á, e aquele que quiser perder sua vida, por amor à verdade, a ganhará", já dizia o Cristo.

Jostein Gaarder aponta com muita propriedade que encontramos vertentes místicas em todas as grandes religiões do mundo. "E tudo o que os místicos escrevem sobre suas experiências apresenta visíveis semelhanças, a despeito de todas as diferenças culturais. Somente quando o místico tenta uma interpretação religiosa ou filosófica para a sua experiência é que se evidencia o pano de fundo cultural". (Jostein Gaarder, O Mundo de Sofia, 1995, p. 155).

Pelos trabalhos em Psicologia, especialmente na Psicologia Junguiana, na Gestalt Terapia e nas terapias humanistas, e principalmente nas Psicoterapias de orientação Transpessoal, sabemos que pessoas que não pertencem a nenhuma religião têm passado e relatados experiências místicas. Elas experiementam espontâneamente algo que chamam, entre outras coisas, de "consciência cósmica" ou, como Freud chamava, de "experiências oceânicas": neste momento, tempo e espaço e outras limitações físicas não passam de figurações fantasiosas da percepção humana. A única coisa que existe é a sensação de completude e consciência de se estar imerso e lúcido de uma realidade maior e mais bela.


Bibliografia Sugerida


Campbell, Joseph, O Poder do Mito, Palas Athenas São Paulo, 1990
Porfírio. Vida de Plotino/Eneadas I-II, Editora Gredos, Madrid, 1996.
Grof, Stanislav. Além do Cérebro - Nascimento, Morte e Transcendência em Psicoterapia, McGraw-Hill, São Paulo, 1988
Reale, Giovanni & Antiseri, Dario. História da Filosofia Vol. I, Ed. Paulus, São Paulo, 1990
Gaarder, Jostein. O Mundo de Sofia, Companhia das Letras, São Paulo, 1995

LeSham, Lawrence. O Médium, o místico e o físico, Summus Editorial, São Paulo, 1993

Para ler outros textos semelhantes sobre grandes filósofos e pensadores, clique aqui

sábado, 27 de março de 2010



Filme “Nosso Lar”, baseado na obra homônima de Chico Xavier, ganhará as telas em setembro de 2010

Carlos Antonio Fragoso Guimarães


Em 1943 era publicado, no Brasil, o primeiro livro de uma série que se propunha a narrar, do ponto de vista de um ex-médico que havia morrido anos antes, o que seria a realidade dos primeiros estágios do mundo espiritual, em uma espécie de colônia destinada a receber almas de pessoas recentemente falecidas, com o propósito de prepará-las para a sua nova condição existencial de espíritos. O livro em questão, intitulado "Nosso Lar", se tornaria um best-seller nacional com o passar dos anos, transformando-se em uma das obras mais prontamente associadas ao trabalho do médium mineiro Francisco Cândido Xavier (1910-2002).

Já traduzido para vários idiomas, incluindo o inglês, o romance narrativo “Nosso Lar” vai ganhar as telas em 2010 (ano do centenário de Chico Xavier) em uma das produções mais caprichadas e caras já feitas no Brasil. O filme, também chamado “Nosso Lar”, é uma co-produção Brasil - Estados Unidos, unindo a Cinética Filmes e a Twenty Century Fox, ou FOX, para os íntimos, com apoio da Ancine e Banco do Rio de Janeiro. A co-produtora FOX, que trouxe o diretor de fotografia e os especialistas de efeitos-especiais dos Estados Unidos e do Canadá, fará também a distribuição do filme no exterior. No final deste artigo existe um vídeo com o trailler oficial da obra, que pode ser visto diretamente neste blog.

A direção do filme é de Wagner de Assis e, com exceção de alguns dos principais atores e da equipe de apoio e logística, grande parte do pessoal técnico é de nacionalidade norte-americana. Os impressionantes efeitos especiais e a direção de fotografia do filme, por exemplo, ficaram a cargo dos conhecidos Ueli Steiger (diretor de fotografia de "10.000 a.C", e de "O dia depois de amanhã") e do supervisor de efeitos especiais Lev Kolobov, da empresa canadense Intelligent Creatures (responsável pelos efeitos especias de filmes como "Babel" e "Watchmen"). A música do filme ficará a cargo do conhecido compositor minimalista erudito norte-americano Philip Glass.

O elenco de “Nosso Lar” é constituído pelos atores Renato Prieto (que faz o espírito André Luiz), Othon Bastos, Ana Rosa, Werner Schunemann, Lu Grimaldi, Lisa Fávero, Nicola Siri, Chica Xavier e Paulo Goulart – este último também participante do longa metragem de Daniel Filho sobre a vida de Chico Xavier a ser lançado dia 02 de abril do corrente, data do aniversário de Chico.

Ainda para este ano é prometido uma outra adaptação de um texto de Chico Xavier, também ditado pelo espírito André Luiz, intitulado “E a Vida Continua”, que faz parte da série “Nosso Lar”. O filme, em fase de produção, tem a direção do ator Paulo Figueiredo.


Na pequena tv logo abaixo, você poderá ver o trailler de "Nosso Lar"




Veja também Filme sobre Chico Xavier

sexta-feira, 26 de março de 2010

Padre Quevedo e Luiz Roberto Turatti - Pretensos Sábios, Ridículos Polemistas.





- Escrito por Carlos Antonio Fragoso Guimarães em maio de 2004, como resposta aos ataques dos citados nomes à pesquisadores internacionalmente reconhecidos da Parapsicologia. -

Novos exemplos práticos da velha máxima “Os Cães Ladram... mas a Caravana Passa”

Para iniciar, alguns comentários de estudiosos da área Psi, à guisa de epígrafe:


"A obra de Quevedo não é fácil de ser julgada. Por um lado, seus conhecimentos sobre a história da Parapsicologia parecem ser vastos e impressionantes. No entanto, há razões mais que suficientes para concluir que Quevedo utiliza tal conhecimento para justificar seus fortes preconceitos ideológicos e teóricos, os quais evidentemente guardam certo compromisso com determinadas doutrinas da Igreja Católica. Portanto há, justificativa suficiente para rotular o Pe.Quevedo não como parapsicólogo, mas sim como um autor proselitista que deseja impulsionar de maneira desmedida sua ideologia católica."


Dr. Alfono Martinez-Taboas, membro da Parapsychological Association, em seu artigo "Uma Revisão Crítica dos livros do Pe. Quevedo".


"Turatti usa de recursos argumentativos já fora de moda desde a Idade Média e que são absolutamente execrados no meio acadêmico e científico. É costumeiro que ele apresente Quevedo como formado nisso, naquilo, como doutor (inclusive em maiúsculas), como se esses títulos fossem garantia de que Quevedo tivesse razão no que afirma! O argumento de autoridade é uma bobagem e algo absolutamente desnecessário, a não ser para aqueles que não podem apresentar argumentos. Doutor por doutor, eu também sou! E daí? Não concordo com Quevedo! Respeito o ser humano, mas não concordo com muitas de suas idéias! Os mais de "50 anos" de estudo não garantem que Quevedo saiba mais do que qualquer pessoa. Se assim fosse, como ficaria Quevedo frente a um espírita que estudou por mais de "60 anos"? Ora, são argumentos desprezíveis e infundados. Mas, para quem não tem argumentos... é uma saída, apesar de pouco honrosa..."

Dr. Wellington Zangari, coorndenador do núcleo InterPsi, da PUC de São Paulo.


A edição de julho de 2003 da Revista Planeta trouxe uma reportagem especial sobre o trabalho do Psicobiofísico, Cientistas e Engenheiro Hernani Guimarães Andrade, falecido em abril do mesmo ano, com o título: O Gênio a Ser Compreendido.

Um dos grandes estudiosos da parapsicologia no Brasil, reconhecido internacionalmente por seus trabalhos por nomes como Stanley Krippner, Elizabeth Kübler-Ross, Rupert Sheldrake, Guy Playfair, Alejandro Parra e outros, membros da Society for Psychical Research britânica ou da americana Parapsychological Associationl, foi considerado com justiça pela citada revista como “o maior nome da pesquisa parapsicológica no Brasil”. Claro, o controvertido Padre Quevedo (veja o site A Igreja, a Mídia e a Parapsicologia, para se ter uma idéia dos problemas de suas afirmações que dão base a críticas sobre sua obra, mais dogmaticamente proselitista e reacionária que propriamente científica) e seus seguidores e filhotes diretos e diletos, como o conhecido caluniador (como veremos adiante em vários documentos) Sr. Luiz Roberto Turatti, não concordam com isso.

Passemos aos exemplos de como agem os seguidores de Quevedo. Da maneira histriônica típica de suas intervenções em sites pelo Brasil afora (como veremos mais adiante), sem argumentações que dêem base às suas colocações e com visíveis mostras de despeito, Turatti escreve uma carta tola, com clara falta de lastro cultural e científico, contra a reportagem da Revista Planeta (http://istoe.terra.com.br/planetadinamica/site/cartas.asp). Vejamos a inócua e tola carta de Turatti e a resposta do editor e autor da reportagem, Sr. Eduardo Araia:

Hernani Guimarães Andrade

É muita pretensão de PLANETA (edição 370/julho 2003) querer conceder, por conta própria, a um simples engenheiro – Hernani Guimarães Andrade – o título de “maior nome da pesquisa parapsicológica no Brasil”. Onde estão as provas das pesquisas e dos estudos desse tal engenheiro, reconhecidos por cientistas especializados e, principalmente, imparciais, que dão crédito, no Brasil e nos quatro cantos do mundo, à fantasiosa TCI (Transcomunicação Instrumental), por exemplo, que ele tanto defendia diante da desconhecida (no meio científico) ANT – Associação Nacional de Transcomunicadores? E da reencarnação?

Assim como um simples engenheiro se meteu a falar, a vida toda, do que não entendia, outros não menos quixotescos citados na reportagem, apoiadores dessa imérita causa, são, portanto, coincidentemente ou não, adeptos do irrisório espiritismo, cuja superstição infinitamente já demonstrada procura vincular, ingênua ou equivocadamente, os fenômenos naturais que ocorrem a acontecimentos sobrenaturais, a acontecimentos inexplicáveis, sem nenhum nexo, sem absolutamente nenhuma fundamentação lógica e científica de fato. Isso tudo para bom entendedor, para sério pesquisador. Vamos pesquisar e estudar, sério?

Luiz Roberto Turatti, Araras, SP.


Eduardo Araia responde equilibradamente:

Se o leitor rejeita de antemão a parapsicologia e o espiritismo e entende como ciência apenas sua parcela mais ortodoxa, nada a comentar – trata-se de seu sistema particular de crença, e como tal deve ser respeitado. Se, porém, decidir transcender esses limites, consideramos que a análise isenta da obra de Hernani Guimarães Andrade é a melhor maneira de avaliar a sua importância para a parapsicologia brasileira.


Minhas próprias opiniões sobre Quevedo e seguidores, já as deixei enfaticamente expressas em minha Home Page intitulada A Igreja, a Mídia e a Parapsicologia e em meus livros. Proponho aqui citar outros pesquisadores, preferecialmente os pouco simpáticos às idéias espiritualistas, preferencialmente quem tenha estudado e mesmo colaborado com Quevedo e depois tenha se afastado à medida que ia conhecendo o dogmatismo e manipulação das informações do citado padre, tão bem demonstrada pelo Parapsicólogo e membro da Parapsychological Association, Dr. Alfonso Martinez-Taboas, em seu artigo, disponível na o site da PUC-SP, intitulado Uma Revisão Crítica dos Livros do Padre Quevedo e pelo conhecido pesquisador da consciência, Dr. Charles Tart em carta também disponível no site da PUC (clique para ler o texto Dr. Charles Tart desmente Pe. Quevedo).

Nosso presente artigo, lembremos, foi feito, em respostas às invencionices e acusações dos parapsicólogos de batina e seguidores, do qual Quevedo é o padroeiro protetor. Para que não pensem que minha posição é única, proselitista ou sem base citaremos pesquisadores reconhecidos internacionalmente que o desmentem, com as fontes e os links para que o leitor pesquise e tire suas próprias conclusões. É também uma resposta aos seguidores mais ardorosos de Quevedo, dos quais, na internet, o mais conhecido é o tal do Sr. Luiz Roberto Turatti - também conhecido igualmente por fugir de discussões após vomitar suas difamações, como veremos mais adiante.

Vejamos, ainda agora para melhor conhecer o estilo do detrator quevediano, outra carta infantil e tola do mesmo Sr. Turatti, extraída de um site (ele adora expor calúnias em sites, criar polêmicas e depois sumir)

http://www.forumnow.com.br/vip/mensagens.asp?forum=15836&grupo=17762&topico=2481678&nrpag=1

onde o impagável seguidor de Quevedo - e que, tal como este - “inventa” posicionamentos de outros pesquisadores que não correspondem à realidade. Nesta "carta" ele começa por citar dois pesquisadores críticos do Padre Quevedo como sendo aliados deste, e colegas do próprio Turatti (afirmação desmentida logo após pela própria pessoa citada que também lança ao rosto do missivista algumas alegações infundadas de Quevedo):


Mensagem original postada por Luiz Roberto Turatti


Sr. Maurício CP,

Wellington Zangari e Fátima Regina Machado “são pesquisadores sérios do assunto”, o que só vem a somar, enriquecer a Parapsicologia, logo, eles, inteligentemente, não acreditam no falacioso espiritismo, apesar de não atacá-lo diretamente.

O senhor já sabe também que tudo que falo falo com conhecimento de causa, sendo assim, informo-lhe que Wellington e Fátima são meus contemporâneos no CLAP e juntos fomos alunos do MESTRE e SÁBIO padre Oscar Quevedo.




Seguem abaixo alguns desmentidos do Parapsicólogo Dr. Wellington Zangari, ligado à PUC de São Paulo, em relação a algumas teses do Pe. Quevedo e as alegações do Sr. Turatti de que o citado respondente é aliado enfático de Quevedo.



De: "Wellington Zangari" Ver detalhes do contato
Para: "Maurício CP"
Assunto: Re: Luiz Roberto Turatti
Data: Tue, 3 Aug 2004 00:38:00 -0300


Olá, Maurício!



Vejo que você está tendo dificuldades com o tal de Turatti. É uma pena que eu não tenha a oportunidade de trocar mensagens com ele. Não que eu não tenha tentado, ao contrário. Já enviei a ele várias mensagens, sem que ele tenha se dignado a me responder. Nem mesmo escreveu afirmando que não queria papo comigo. Pelo que li dele por aí, ele é um mero repetidor de idéias que não são dele, mas de Quevedo. Idéias, aliás, pouco dignas de crédito em vários tópicos ligados à Parapsicologia. A questão dos "50 metros" é apenas um deles. Mas Quevedo e seus seguidores deveriam mostrar evidências também do alegado "prazo existencial", uma verdadeira excrecência científica, bem como os furos no estudo dos milagres. Por exemplo, o fato de recentemente ter sido descoberta uma imagem abaixo da imagem da Virgem de Guadalupe, e evidências da possível assinatura de um conhecido pintor da época que a teria produzido (http://listas.pucsp.br/pipermail/pesquisapsi/2003-May/006746.html)!

Mas, vamos à resposta à sua solicitação: sim, fiz cursos com Quevedo. Fátima nunca fez cursos com Quevedo! Mas, também participaram de cursos de Quevedo pessoas que jamais foram adeptas de muitas de suas idéias. E não apenas de fora do clero! Como todos devem saber, Quevedo não agrada a muitos do clero também. Lembro-em que quando eu participava de um dos cursos de 110 horas, estava lá um bispo do Rio de Janeiro, Dom Estevão Bittencourt, um ferrenho opositor de muitas das idéias quevedistas. Fiquei impressionado com a agressividade mútua. Mas, devo confessar que naquela época eu simpatizava com as idéias de Quevedo. Turatti está certo, mas a informação está incompleta: fiz cursos do CLAP; fui aluno de Quevedo; organizei cursos de Quevedo fora de São Paulo; fui coordenador do primeiro grupo de estudos do CLAP, que deu origem ao curso de pós-graduação (que não é reconhecido como lato sensu até onde eu sei). Mas, a grande questão não é saber se fui ou não aluno de Quevedo. Mesmo porque, fui tão aluno de Quevedo quanto do Hernani Guimarães Andrade, do Frei Albino Aresi, no Brasil. Fora do Brasil, fui aluno, dentre outros, de John Palmer, de Ramakrishna Rao, de Richard Broughton, de Daryl J. Bem, de Kathy Dalton, de Etzel Cardeña, de Nancy Zingrone, de Carlos Alvarado, de Stanley Krippner, de Hoyt Edge, de James Carpenter... A grande questão é saber porque, depois de ser autante colaborador do CLAP afastei-me de Quevedo. A resposta mais simples que tenho para oferecer é a seguinde: estudei mais, aprendi mais e verifiquei que a maioria das idéias de Quevedo não têm qualquer fundamento científico! As idéias de Quevedo em nada representam ou se identificam com a comunidade parapsicológica internacional, da qual não participa e à qual é um eminente desconhecido! Lembro-me que, em duas oportunidades em que Fátima e eu falamos para a comunidade parapsicológica internacional a respeito da Parapsicologia no Brasil (a primeira na Convenção Anual da Parapsychological Association de 1995, em Durham, e a segunda em uma espécie de discurso por termos ganhado o "Gertrude Schmeidler Student Award 1998" [http://www.parapsych.org/PA_awards.html], em Nova Iorque, em 2001 [http://www.parapsychology.org/dynamic/020504.html]), tivemos que dizer que existe um jesuíta brasileiro que fala de Parapsicologia no Brasil já que quase ninguém o conhece!


Não gosto de saber que esse tal de Turatti fala o que quer que seja a meu respeito. Se ele se dignasse a responder meus e.mails, eu o respeitaria e não me importaria. No entanto, ele usa meu nome como que para procurar dar algum respaldo às infundadas crenças que equivocadamente chama de parapsicológicas. Não sou espírita (nem afiliado a qualquer outra religião) e tenho profundas divergências com o pensamento espírita. Mas a comunidade espírita me merece muito mais respeito do que gente como esse Turatti, que se refugia em seu ignorante silêncio vazio. Na lista de discussão que mantenho na PUC-SP, muitos diálogos proveitosos têm sido travados entre mim e espíritas. Por que o tal de Turatti se recusa a dialogar comigo? Eu já afirmei, em mensagens que enviei, que não gosto de ser citado por ele. Não parece que ele tenha compreendido.


Mais: o Turatti usa de recursos argumentativos já fora de moda desde a Idade Média e que são absolutamente execrados no meio acadêmico e científico. É costumeiro que ele apresente Quevedo como formado nisso, naquilo, como doutor (inclusive em maiúsculas), como se esses títulos fossem garantia de que Quevedo tivesse razão no que afirma! O argumento de autoridade é uma bobagem e algo absolutamente desnecessário, a não ser para aqueles que não podem apresentar argumentos. Doutor por doutor, eu também sou! E daí? Não concordo com Quevedo! Respeito o ser humano, mas não concordo com muitas de suas idéias! Os mais de "50 anos" de estudo não garantem que Quevedo saiba mais do que qualquer pessoa. Se assim fosse, como ficaria Quevedo frente a um espírita que estudou por mais de "60 anos"? Ora, são argumentos desprezíveis e infundados. Mas, para quem não tem argumentos... é uma saída, que apesar de pouco honrosa, tapa um buraco! Quer ver como não há argumento: basta perguntar ao Turatti, por exemplo, o que ele tem a dizer sobre o fato de o eminente pesquisador Charles Tart dizer que jamais afirmou que estudos experimentais de psi provocam danos ao cérebro, como afirmou Quevedo que Tart teria dito (http://www.pucsp.br/pos/cos/cepe/intercon/revista/polemica/tart.htm)!!!



Pergunte ao Turatti o que ele teria a dizer a respeito da falsa afirmação do CLAP de que os livros de Quevedo teriam sido considerados "os melhores livros de Parapsicologia do mundo..."


(http://www.pucsp.br/pos/cos/cepe/intercon/revista/polemica/pfequevedo.htm). Turatti teria argumentos para apresentar?



Muito bem, fico por aqui, mas sempre às ordens, autorizando que até mesmo íntegra dessa mensagem seja publicada no referido fórum do qual participa o tal Turatti. Quem sabe depois dessa ele resolva oferecer argumentos!



Um fraternal abraço,
Wellington Zangari, Ph.D.
________________________
Inter Psi/PUC-SP,
Coordenador

Pesquisador em nível de pós-doutoramento (Bolsista Fapesp)
Laboratório de Estudos em Psicologia Social da Religião
Departamento de Psicologia Social
Instituto de Psicologia
Av. Prof. Mello Moraes, 1721
Cidade Universitária - Sao Paulo
05508-900, SP - Brasil

Currículo Lattes:
http://genos.cnpq.br:12010/dwlattes/owa/prc_imp_cv_int?f_cod=K4708493P2
E.mail: w.z@terra.com.br



Abraços,
Maurício C.P.
http://apologetico.cjb.net/


Vejamos agora uma outra carta do Dr. Zangari ao sr. Turatti:
Senhor Turatti,

Já que o senhor não se dignou a responder NENHUMA de minhas mensagens (e não foram poucas), nem em PVT, nem neste fórum, nem em qualquer outro fórum onde tais mensagens lhe foram enviadas, resolvi tentar uma vez mais, agora, em público.

Será que agora terei a honra de que respondas de maneira objetiva e sem rodeios a alguma questão que lhe farei?

Vamos começar tudo de novo. Começo por apenas duas perguntinhas (das várias que já lhe dirigi), tão simples que não terás a menor dificuldade em responder. Afinal, é o senhor mesmo que tem apresentado tais informações pela internet e nada mais correto que fazer a apresentação da respectiva documentação soliticada. Não é o senhor que afirma ser a Parapsicologia uma ciência? Então, vamos agir como cientistas? Eu solicito as informações e o senhor responde! Da mesma forma, basta perguntar e eu lhe responderei o que quiser. Só não omita respostas, única atitude indigna de alguém que pretende dialogar e ser representante de alguém que se afirma um cientista. Vamos lá!

1: Demonstre que os livros do Pe. Quevedo foram considerados os melhores livros de Parapsicologia do mundo pela SPR e pela PF. Apresente as referências, por gentileza. Pode pedir auxílio ao CLAP, solicitando à Sra. Márcia Regina Cobero (gerente-geral) tais informações. Pode solicitar ao Sr. Coelho (uma espécie de secretário-geral). Peça também ao próprio Pe. Quevedo. Quem sabe você terá melhor sorte que eu, que jamais consegui tais informações deles!

2: O que o senhor tem a dizer das recentes pesquisas que apontam a imagem da Virgem de Guadalupe como tendo sido produzidas provavelmente por um conhecido pintor? Quais são seus argumentos científicos para contrapor as recentes evidências de que o tecido que serviu para a "impressão" não seja o ayate, como Quevedo afirma, mas cânhamo, material muito mais resistente que o primeiro, explicando que nada haveria de milagroso no tempo de duração do mesmo? Quais as pesquisas que o senhor apresenta para mostrar que a evidência da presença de conhecidos pigmentos (nada sobrenaturais) que teriam servido para a pintura da imagem? Apresente, por gentileza, a referência da publicação de estudo pretensamente realizado pela NASA demontrando que a imagem não teria sido realizada por meios convencionais, ou que no olho da virgem haveria a imagem de outras pessoas.

Acho que basta para começarmos um interessante debate, não é mesmo, senhor Turatti? Não crê o senhor que é um dever seu a apresentação da documentação solicitada, que demonstraria de maneira clara e objetiva que sua "causa" tem uma base em evidências? Não crê o senhor que seria importante para a própria "causa" que o senhor demonstre aquilo que retoricamente vive a apresentar? Eu mesmo estou disposto a mudar de opinião a respeito de seu trabalho e do trabalho do Pe. Quevedo se o senhor apresentar a documentação solicitada. Mais do que isso: farei publicar em meu site as respectivas informações elas me cheguem conforme solicitado.

Um fraternal abraço,
Wellington Zangari


Como o prestimoso Turatti se fez de cego ao desafio, vejamos a respostas do Dr. Zangari ao mesmo silencioso polemista:
Prezados Colegas da lista,

Não, não estou de modo algum espantado com a atitude do tal Turatti. Apenas confirmou-se a supeita de muitos, inclusive a minha. Turatti é, inegavelmente, uma pessoa sem qualquer respeito às regras básicas do diálogo. Pergunto-me: o que está fazendo ele em fórum de discussão pela internet? Ora, uma lista de discussão tem como objetivo óbvio que interessados em um tema comum possam dialogar a respeito dele de maneira minimamente cordial, ainda que defendam pontos de vistas antagônicos. Turatti mais parece um out-door das idéias mal-acabadas de Quevedo do que uma pessoa de carne e osso! Turatti não parece medir as conseqüências de sua postura acrítica apologético-quevedianista! Se sua insistência na defesa do ideário quevediano fosse acomapanhada de argumentos devidamente documentados, todos teríamos por ele e por Quevedo admiração! No entanto, o que assistimos, neste e em outras listas das quais Turatti - este, apesar de viver em Araras, São Paulo, se apresenta como "papagaio de Quevedo" -, é a mera repetição de frases feitas e idéias completamente desacompanhadas de argumentos.

Quando convidamos Turatti para um diálogo, houve recusa. Turatti simplesmente ignora o que não pode argumentar, fingindo desconhecer que Quevedo e sua trupe simplesmente não têm como garantir qualquer das suas idéias baseando-se em dados empíricos. Como resultado, cria aversão da comunidade científica (e obviamente da religiosa) em relação a uma temática que embora mereça consideração, já tem sobre si o peso do preconceito e do desconhecimento público. O estudo científico de alegações paranormais fica assim identificado com a falta de argumentação científica, com afirmações mais religiosas que científicas e com o desrespeito ao diálogo profícuo que o tema mereceria.

Minhas conclusões:

1. Turatti, com sua atitude deselegante e pseudo-científica faz mais mal à área que pretensamente apoia do que bem. Mesmo que algo de correção houvesse dentre as idéias apresentadas, o que vemos é quase que exclusivamente a apresentação de uma postura arrogante e pouco ética.

2. Sugiro a todos os colegas da lista que simplesmente ignorem o tal Turatti, deixando-o "falar sozinho", já que ele não se presta a dialogar de maneira adulta com ninguém.

3. Pergunto-me porque manter alguém em listas como esta alguém que já demonstrou tão claramente que não tem interesse de diálogo! Se não há mecanismos para fazê-lo participar com a mínima ética exigida em diálogos que se lhe propôem, então que o ignoremos por completo.

4. O tal Turatti fez, ao longo de sua "carreira de papagaio de Quevedo", várias críticas diretas e indiretas dirigidas a mim, mas quando acuado por mim a rever sua posição, simplesmente foge, deixando de apresentar os dados que solicito. Assim, concluo que estamos lidando com alguém em que "coragem" não parece ser um dos traços marcantes: Turatti é covarde.

5. A próxima vez que esse tal de Turatti mencionar em meu nome de maneira direta ou indireta para fazer críticas, terá que se explicar judicialmente.

No mais, a partir de agora, em outras mensagens, procurarei responder a algumas solicitações de colegas listeiros, procurando reverter, ao menos em parte, o dano causado por pessoas inescupulosas como Quevedo e Turatti que simplesmente denigrem o campo a que, de fato, eles não pertencem, apesar de dele se apropriarem para finalidades francamente religiosas, distanciando daquelas científicas que caracterizam o campo (que desconhecem quase por completo).

Um fraternal abraço,
Wellington Zangari


Para ver o desafio que o Dr. Wellington Zangari fez a Turatti e ao Padre Quevedo (e ainda não respondido), clique aqui em http://www.forumnow.com.br/vip/mensagens.asp?forum=15836&topico=2491903

quarta-feira, 24 de março de 2010

Vitória de Obama sobre décadas de mercantilização da saúde tem profundo significado...




Carlos Antonio Fragoso Guimarães

A vitória de Barack Obama sobre o cartel famigerado dos planos de saúde, nos EUA, que transformam o atendimento à saúde em privilégio de uma minoria, marca mais um sinal do fim da era do distanciamento do governo ao bem-estar dos cidadãos, iniciado com Reagan, o fantoche financiado e manipulado por Wall Street e que, junto com Margaret Teatcher - a antiga Dama de Ferro hoje quase esquecida e esclerosada -, deu início à era do Neoliberalismo cujos sinais cancerígenos levaram a economia para a UTI em 2008.

Contudo, a resistência anti-progresso para a maiora tem mexido com os dogmas preconceituosos da Direita americana, bem definida no partido Republicado de Nixon, Reagan e dos dois Bushs, sempre enxarcados de membros de Wall Street que desenharam e implementram não só a destruição do Estado de Bem-Estar Social pondo em seu lugar o terrível Neoliberalismo de Mercado (que no Brasil foi amplamente implementado pelo retrocesso dos 80 anos em 8 de FHC), que tem por ideal o "individualismo" e os "lucros", e já agora 13 estados governados por títeres republicanos se movimentam para turvar a vitória de Obama. Em ano de eleições para o Senado americano, a Direita sórdida está apavorada. E se a moda do Bem-Estar Social volta a pegar? Como ficam as grandes clínicas, os lucrativos Planos de Saúde e, com eles, o financimento dos Republicanos? Não são eles que chamam Obama de "Comunista", tentando a todo custo implantar um clima de terror ao estilo Regina Duarte e falsa defesa dos "interesses" do "povo", quando na verdade querem é cuidado do sistema lucrativo de direita das grandes empresas?

Aqui, como lá, os poderosos apelam para a estratégia do Medo se alguém ousa governar para o povo e não para eles mesmos. Como bem escreve o professor Joaqui Falcão, da FGV, no Blog do Noblat:

A oposição pretende deslegitimar o governo. De várias maneiras. Acusações sistemáticas de que Obama é socialista. Obama é antiamericano. Esta a nova forma de racismo político. Acusações que caem no terreno fértil do medo congênito do americano médio. O medo como deslegitimação.

Não é por menos que Obama acabou seu discurso de ontem de madrugada ao povo americano dizendo: “NÓS NÃO TEMEMOS O NOSSO FUTURO, NÓS O CONSTRUÍMOS”. O medo é o tema.

Um instrumento desta estratégia é a aliança entre o partido republicano que vota monoliticamente contra programas de governo e a importante rede de televisão de Rupert Murdoch, a FOX NEWS, que como diz o próprio Obama, não é mais um órgão de imprensa. Mas um ativo partido político em si.

Para ser um órgão de imprensa Fox News teria de ter um mínimo de pluralismo político. Não tem. Não informa, pois o eleitor. Converteu-se num pregador. Pesquisas mostram que quanto mais o telespectador assiste FOX News mais se restringe a assistir somente Fox News. Fica impermeável a outros pontos de vista.

Comporta-se como membro de uma seita cada dia com mais fé e menos diálogo. Quase um processo de crescente fundamentalismo televisivo.


Acaso isso lembra algo parecido no Brasil? Acho que não, afinal, aqui a mídia é humilde e equilibrada, sem setores dominantes e com pleno interesse pela educação e bem-estar das pessoas, especialmente os telespectadores...

Mas, voltando a falar sério, no Brasil, a classe média recorre aos planos de saúde muitas para o desespero de atendimentos adiados e inúmeras queixas de exploração. Alguns médicos (muitos formados em Universidades Públicas) adoram fazer comércio de seus serviços, formando clpinicas elitistas e carteis de planos de saúde, como a Unimed.

Empresas gigantescas são formadas para ajudar, por meio de lobbies junto ao Congresso, a sucatear ainda mais a saúde pública, levando as pessoas a aderirem a planos economicamente vampirescos, chamando a isso de "progresso".

Até arautos do neoliberalismo, como Miam Leitão, da Globo, percebem que o sistema, do jeito que está, é complicado e potencialmente destrutivo. Ela mesma afirma que "hoje, existem no país 54 milhões de segurados, mas destes só 20% são de pessoas físicas. O resto está nos planos das grandes empresas. Destes, alguns como Bradesco e SulAmérica simplesmente abandonaram o segmento pessoa física, expulsando segurados que estavam anos pagando o plano". Esta a é herança dos governos militares e do desgoverno neoliberal de FHC... Tudo para a "livre-iniciativa" e o povo que se exploda!

Mesmo a ultra-direitista Editora Abril, da sujíssima Revista Veja (royalties ao grande jornalista Héliio Fernandes!), teve de encarar os fatos para ter o mínimo de credibilidade, e escreveu:

A lei, depois de sancionada (por Obama), ampliará o número de americanos cobertos por um sistema de saúde, contribuirá para o barateamento da assistência médica e ajudará a impor regras mais rígidas às seguradoras.

Reforma - O presidente Barack Obama defendeu a reforma do sistema de saúde por causa de um dado que não condiz com a posição econômica do país: os Estados Unidos são a única nação desenvolvida que não oferece uma cobertura médica ampla à população. Atualmente, cerca de 50 milhões de americanos não possuem qualquer plano de assistência médica.

Embora o projeto de lei não ofereça cobertura total, a reforma beneficia 95% dos americanos que não têm plano de saúde.

terça-feira, 23 de março de 2010

Valores na economia pós-crise neoliberal




Escrito por Frei Betto

02-Mar-2010


A crise financeira desencadeada a partir de setembro de 2008 exige, de todos, profunda reflexão e mudança de atitudes. Ela encerra uma crise mais profunda: a do modelo civilizatório. O que se quer: um mundo de consumistas ou um mundo de cidadãos?

 Frente às oscilações do mercado agiram os governos. A mão invisível foi amputada pelos fatos. A destrambelhada desregulamentação da economia requereu a ação regulamentadora dos governos. O mercado, entregue a si mesmo, entrou em parafuso e perdeu de vista os valores éticos para se fixar apenas nos valores monetários. Foi vítima de sua própria ambição desmedida.

 A crise nos impõe, hoje, mudanças de paradigmas. O que significa a robustez dos bancos diante da figura esquálida de 1 bilhão de famintos crônicos? Por que, nos primeiros meses, os governos do G8 destinaram cerca de US$ 1,5 trilhão (até hoje, já são US$ 18 trilhões) para evitar o colapso do sistema financeiro capitalista e apenas (prometeram em L’Aquila, ainda não cumpriram) US$ 20 bilhões para amenizar a fome no mundo?

 O que se quer salvar: o sistema financeiro ou a humanidade?

 Uma economia centrada em valores éticos tem por objetivo, em primeiro lugar, a redução das desigualdades sociais e o bem-estar de todas as pessoas. Sabemos que, hoje, mais de 3 bilhões – quase metade da humanidade – vivem abaixo da linha da pobreza. E 1,3 bilhão abaixo da linha da miséria. A falta de alimentação suficiente ceifa, por dia, a vida de 23 mil pessoas. E 80% da riqueza mundial encontram-se concentradas em mãos de apenas 20% da população do planeta.

Sem alterar esse panorama a humanidade caminhará para a barbárie. Os governos deveriam estar mais preocupados com o crescimento do IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) do que com o aumento do PIB (Produto Interno Bruto). O que importa, hoje, é a FIB (Felicidade Interna Bruta). As pessoas, em sua maioria, não querem ser ricas, querem ser felizes.

A crise nos faz perguntar: que projeto de sociedade legaremos às futuras gerações? Para que servem tantos avanços científicos e tecnológicos se a população não conta com serviços de saúde acessíveis e eficazes; educação gratuita e de qualidade; transporte público ágil; saneamento básico; moradia decente; direito ao lazer?

Não é ético e, portanto, humano, um sistema que privilegia o lucro privado acima dos direitos comunitários; a especulação à frente da produção; o acesso ao crédito sem o respaldo da poupança. Não é ético um sistema que cria ilhas de opulência cercadas de miséria por todos os lados.

Uma ética para o mundo pós-crise tem como fundamento o bem comum acima das ambições individuais; o direito de o Estado regular a economia e assegurar a toda a população os serviços básicos; o cultivo dos bens infinitos, espirituais, mais importante que o consumo de bens finitos, materiais.

A ética de um novo projeto civilizatório incorpora a preservação ambiental ao conceito de desenvolvimento sustentável; valoriza as redes de economia solidária e de comércio justo; fortalece a sociedade civil organizada como normatizadora da ação do poder público.

O velho Aristóteles já ensinava que o bem maior que todos buscamos – até ao praticar o mal – não se encontra à venda no mercado: a própria felicidade. Ora, o mercado, não tendo como transformar este bem num produto comercializável, procura nos incutir a convicção de que a felicidade resulta da soma dos prazeres. Ilusão que provoca frustração e dilata o contingente de fracassados espirituais reféns de medicamentos antidepressivos e drogas oferecidas pelo narcotráfico.

O pior de uma crise é nada aprender com ela. E, no esforço de amenizar seus efeitos, não se preocupar em suprimir suas causas. Talvez as religiões não tenham respostas que nos ajudem a encontrar novos valores para o mundo pós-crise. Mas com certeza a tradição espiritual da humanidade tem muito a dizer, pois é na espiritualidade que a pessoa se enxerga e se mede. Ou, na falta dela, se cega e se atola. O ser humano tem sede de Absoluto.

Costumo advertir os balconistas que me cercam à porta das lojas: "Faço apenas um passeio socrático." Diante de olhares espantados, explico: "Sócrates, filósofo grego, também gostava de descansar a cabeça percorrendo o centro comercial de Atenas. Quando vendedores como vocês o assediavam, ele respondia: "Apenas observo quanta coisa existe que não preciso para ser feliz".

PS: texto escrito a pedido do Fórum Econômico Mundial, 2010, de Davos.

Frei Betto é escritor, autor de "A arte de semear estrelas" (Rocco), entre outros livros.

domingo, 21 de março de 2010

Novo documentário de Michael Moore: "Capitalismo uma história de amor"...




Carlos Antonio Fragoso Guimarães
Em 1989 Michael Moore chamava a atenção em seu primeiro documentário (gênero em que se tornou mestre), intitulado Roger & Eu. Neste, ele abordava de maneira dramática e com fina ironia, por vezes hilária, como uma cidade antes próspera - por sinal, cidade natal de Moore e também da própria GM - chamada Flint, no estado de Michigan, foi reduzida à miséria pela decisão da General Motors de fechar sua seminal fábrica da região, aparentemente por simples redução de custos, sem levar em conta o impacto da decisão na vida de milhares de famílias e na renda de demais setores da cidade, demonstrando que a ficção jurídica de uma empresa ser considerada "uma pessoa" traz consigo forte potencial de destruição social, transformando-se em um Leviatã plutocrático que se alimenta do sangue de operários e funcionários, ambos descartáveis.

Anos depois, seu premiado "Tiros em Columbine", que recebeu o Oscar em 2002, desmascara a hipocrisia de uma sociedade de fachada, onde valores da competitividade e do acúmulo de bens se expressam no hábito do culto às armas e à violência, substituindo o cultivo de valores humanos, sociais, cooperativos. 



Pouco tempo depois, Moore mostra o Rei Bush nu, junto com seus asseclas neo-conversadores e messiânicos no super-conhecido"Farenheit 11 de setembro". Nunca o Império americano foi tão explicitamente desmascarado de forma tão direta e irônica em um documentário de linguagem tão acessível.

Em 2007, Moore desmascara o comércio lucrativo que é o sistema de saúde norte-americano (que serve de modelo ao nosso), em "Sicko - S.O.S Saúde", documentário em que as relações espúrias da indústria médica (incluindo-se a farmacêutica) com a população, entendida como gado a ser explorado pelo sistema mais caro e elitista do mundo, é finamente exposta. Sensacional os momentos finais do filme, onde heróicos voluntários que participaram do resgate das vítimas do 11 de setembro, e que adoeceram por aspirarem a poeira dos ecombros, após serem desprezados pelos sitema americano, são levados à Cuba onde recebem todo o tratamento adequado e ainda são homenageados pelo governo comunista de Fidel Castro pelo heroísmo demonstrado após o choque dos aviões ao World Trade Center.

Agora, Moore volta à tona com um novo e sensacional documentário: "Capitalismo, uma história de amor (2009)". Neste, Moore começa apresentando como o sistema destroça famílias, despejando-as de suas casas após enganá-las com promessas de prosperidade, demintindo-as sem dó nem piedade. Retorna também aos inícios de sua história enquanto ser humano e quanto cineasta, na cidade de Flint, para construir um documentário bem fundamentado e bastante objetivo sobre as origens do capitalismo e a maneira desastrosa como os E.U.A. são dominados pelo corporativismo sem regulamentações do estado neoliberal, especialmente na área bancária e financeira.



Moore faz uma crítica objetiva à lógica do neoliberalismo devastador que, após Reagan e Thatcher, se impôs ao mundo desde 1989, para eles o ano do "fim da história" já que o antigo conflito entre ideologias teria acabado e o capitalismo teria vencido de vez, evento simbolizado pela queda do Muro de Berlim, passando a creditar-se imbatível e pleno de liberdade inclusive para começar a tratar explicitamente mal aposentados, empregados, povos, países em busca de aumento de lucro a partir do corte de "despesas" com o bem-estar social e ambiental. 


 Moore leva-nos numa viagem pelo país, e mostra-nos os epicentros mais importantes das corporações e do mercado financeiro-especulativo não-produtivo e os seus ‘podres’, que se repercutem não só a uma escala nacional, mas consequentemente a uma escala global, dando seguimento e indo mais além do documentário "A Corporação", de Jennifer Abott e Marck Achbar, 2003, onde o próprio Moore participa como entrevistado.

Sobre o potencial polêmico do filme, que geralmente é usado para encobrir sua mensagem, o cineasta é enfático e direto em sua ironia:


"Escutem, deixe eu ser direto: eu sou apaixonado por esse filme. Ele não é apenas o mais pessoal de todos os filmes que eu já fiz, mas é o mais vital e necessário filme que já fiz em 20 anos de carreira como cineasta. Eu falei para a minha equipe no começo das filmagens, "Vamos fazer um filme tão honestamente brutal que NINGUÉM com qualquer dinheiro nunca mais irá escrever um cheque para fazermos um novo filme!". Então nós fizemos o documentário mais perigoso que poderíamos ter feito", desabafou Michael Moore em uma entrevista coletiva a 9 de Março de 2010.

Com seu habitual humor e sagacidade, o filme explora o preço que a população dos EUA pagam por seu tradicional amor dogmático ao capitalismo, especialmente, nos últimos 35 anos, do capitalismo de cassino financeiro, de rendimentos sobre juros bancários e não em investimento produtivo, movido, para delícia dos grande executivos de Wall Street. Se após a II Guerra, esse amor parecia inocente, baseada na produção de bens, já que as fábricas na Europa ainda estavam se refazendo da Guerra, embalado a Rock 'n Roll e carrões consumidores de litros de combustível, hoje o sonho americano parece mais um pesadelo quando famílias pagam o preço da jogatina dos bancos com seus empregos, casas e economias, ou mesmo dando a vida em guerras insanas por ganância econômica.

Moore nos leva aos lares de pessoas comuns cujas vidas viraram de cabeça para baixo a partir das promessas de Alan Greenspan, dos dramas calculados de Bush e de outros (a comerçar pro Ronald Regan, primeiro presidente títere de Wall Street) de que eles poderiam ter dinheiro fácil e seguro fazendo empréstimos sobre empréstimos e hipotecando suas casas a taxas de juros exorbitantes pela máfia dos bancos. Moore também sai em busca de explicações em Washington e em toda parte, do porque da crise de 2009, sendo evitado de ser recebido pelos grandes de Wall Street e dos grandes Bancos (Citibak, Bank of America, a seguradora AIG). Com toda a razão se pergunta onde foram parar os 700 bilhões de dólares doados pelo governo Bush a estes setores... Mostra como o congresso (especialmente na época de Bush) se tornou um braço de Wall Street. Ele, então, descobre os sintomas tão conhecidos do fim de um antigo caso caso amor: simulações, frieza, abuso, traição...e alguns milhares de empregos sendo fechados por dia.





Livro "Evidências da Sobrevivência"



Autor: Carlos Antonio Fragoso Guimarães

Editora: Madras, São Paulo

Descrição (conforme a editora):

Nesta obra, somos apresentados às pesquisas e descobertas de espíritas, físicos, psicanalistas, professores, metapsiquistas e filósofos que há séculos trabalham para desvendar os segredos da mente humana e os fenômenos paranormais que ela é capaz de produzir, tais como: telepatia, clarividência, sonhos premonitórios, aparição de mortos, materializações, dentre outros.

Todo o livro é repleto de fotos e ilustrações que comprovam o trabalho desses grandes pesquisadores e facilitam o entendimento do leitor, e ainda conta com análises sensíveis e bastante pertinentes do autor, tornando a leitura muito mais interessante e prazerosa.

Assim, Evidências da Sobrevivência é um livro indispensável para os que se interessam pelos segredos da mente e querem conhecer além dos boatos que giram em torno do assunto. Uma obra referendada por um júri rigoroso de especialistas, sendo a premiada em meio a 60 obras afinadíssimas.

Release:

Obra vencedora do Concurso Literário José Herculano Pires, na categoria História do Espiritismo, realizado pela Madras Espírita e pela União das Sociedades Espíritas do Estado de São Paulo (USE), Evidências da Sobrevivência visa a mostrar ao leitor um panorama histórico geral da evolução das pesquisas psíquicas a partir da segunda metade do século XIX até os dias atuais.
Nesta obra, somos apresentados às pesquisas e descobertas de espíritas, físicos, psicanalistas, professores, metapsiquistas e filósofos que há séculos trabalham para desvendar os segredos da mente humana e os fenômenos paranormais que ela é capaz de produzir, tais como: telepatia, clarividência, sonhos premonitórios, aparição de mortos, materializações, curas miraculosas, dentre outros.

Todo o livro é repleto de fotos e ilustrações que comprovam o trabalho desses grandes pesquisadores e facilitam o entendimento do leitor, e ainda conta com análises sensíveis e bastante pertinentes do autor, tornando a leitura muito mais interessante e prazerosa.

Assim, Evidências da Sobrevivência é um livro indispensável para os que se interessam pelos segredos da mente e querem conhecer além dos boatos que giram em torno do assunto. Uma obra referendada por um júri rigoroso de especialistas, sendo a premiada em meio a 60 obras afinadíssimas.

Livro "Carl Gustav Jung e os Fenômenos Psíquicos"




Autor: Carlos Antonio Fragoso Guimarães
Categoria: Biografia | Psicologia
Editora: Madas, São Paulo, 2004

Descrição (conforme editora):

Carl Gustav Jung e os Fenômenos Psíquicos é um livro que apresenta um relato biográfico da vida do grande psiquiatra e psicanalista suíço, Carl Gustav Jung, destacando os fatos que remetem aos seus interesses e pensamentos acerca dos chamados fenômenos psi, ou, eventos paranormais, bastante presentes em sua vida. Neste livro, você vai encontrar as idéias e os desenvolvimentos de Jung a respeito de fenômenos espíritas, metapsíquicos e paranormais; conhecerá as diversas experiências feitas por ele ou em parceria com o psiquiatra alemão Albert von Schrenk-Notzing; e, ainda, vai entender a relação entre ele e pesquisadores de parapsicologia como o Dr. Joseph Rhine, da Universidade de Duke, Carolina do Norte, o Dr. Willian James, considerado o pai da Psicologia Moderna, e, evidentemente, Sigmund Freud.

Release:

Carl Gustav Jung e os Fenômenos Psíquicos é um livro que apresenta um relato biográfico da vida do grande psiquiatra e psicanalista suíço, Carl Gustav Jung, destacando os fatos que remetem aos seus interesses e pensamentos acerca dos chamados fenômenos psi, ou, eventos paranormais, bastante presentes em sua vida. Neste livro, você vai encontrar as idéias e os desenvolvimentos de Jung a respeito de fenômenos espíritas, metapsíquicos e paranormais; conhecerá as diversas experiências feitas por ele ou em parceria com o psiquiatra alemão Albert von Schrenk-Notzing; e, ainda, vai entender a relação entre ele e pesquisadores de parapsicologia como o Dr. Joseph Rhine, da Universidade de Duke, Carolina do Norte, o Dr. Willian James, considerado o pai da Psicologia Moderna, e, evidentemente, Sigmund Freud. Dentre os temas, podem ser destacados:

· Os fenômenos psíquicos e suas ocorrências na família Jung;
· O mergulho no inconsciente: História de uma morte e renascimento;
· Inconsciente, Fantasmas, Materializações e Aparições;
· Parapsicologia, Sincronicidade, Individuação e Experiências próximas da morte;
· Jung e o Espiritismo;
· Além da Psiquiatria;
· Freud e a Parapsicologia;
· As Garras do Nazismo; entre outros.

Carl Gustav Jung e os Fenômenos Psíquicos é o livro ideal para quem deseja conhecer mais a fundo a vida e as idéias desse homem, dono de um intelecto sem igual e uma criatividade genial.

Livro "Estados Diferenciados de Consciência e Mediunidade"


Características do Livro

Título: Estados Diferenciados de Consciência e Mediunidade
Autor: Carlos Antonio Fragoso Guimarães
Coautor: Carlos Alberto Tinoco
Lançamento: Março de 2010
Editora do Conhecimento, Limeira, São Paulo

Sinopse: A mediunidade ainda é encarada por muitos como uma fantasia, algo que não se encaixa na visão de mundo real, tal como o fato de que possamos ouvir pessoas do outro lado do mundo, por meio de um celular, era uma louca impossibilidade para o cientista do século dezoito. Mas, e quando o impossível acontece? E quando certas pessoas revelam um conhecimento muito além daquilo que poderiam saber? Que significado isto encerra para os homens?

A questão da mediunidade, suas características e formas de manifestação, vistas sob o ponto de vista da pesquisa científica, são pontos da abordagem principal desta obra que, enfocando a capacidade de expressão artística surgida subitamente em estados de transe, discute amplamente as teorias psicológicas, psiquiátricas e espiritualistas sobre as possíveis causas, implicações e alcances do comportamento mediúnico. Segundo o parapsicólogo norte-americano Scott Rogo, “são raros os casos de pessoas que adquirem repentinamente habilidades pouco comuns, depois de terem entrado em contato com os mortos. Poucos casos semelhantes aparecem na literatura sobre o assunto, mas alguns deles são extremamente impressionantes. Ocorre que os pesquisadores de hoje em dia raramente têm disposição para examinar cuidadosamente tais ocorrências”.

Contudo, essa disposição não faltou aos pesquisadores Carlos Alberto Tinoco e Carlos Antonio Fragoso Guimarães, autores desta obra, os quais, ao lado da descrição de fenômenos estudados por eles, não se furtaram ao debate sobre o tema com segmentos e pesquisadores de posicionamentos contrários, tanto a favor como contra a realidade dos fenômenos mediúnicos.
Estados Diferenciados de Consciência e Mediunidade é livro que traz à luz do saber instigantes informações téoricas e práticas a respeito dos ditos “fatos que não se encaixam e não se explicam”, e que devem estar ao alcance de todos a fim de que se possa enriquecer a prática mediúnica e esclarecer principalmente a estrutura intelectual dominante, a que mais rejeita esses eventos.

Formato: 14 x 21 cm
Páginas: 344 páginas
ISBN: 978-85-7618-198-9
Edição: 1ª edição
Preço na editora: R$ 35,00

sábado, 20 de março de 2010

Os interesses contra o plano de Direitos Humanos





Carlos Antonio Fragoso Guimarães






É quase sempre assim... Enquanto se governa, se desgoverna, se retira Leis que fortalecem os fracos ou se promovem as que conservam os interesses de uma minoria, aplausos e elogios da mídia comercial e de setores poderosos, religiosos ou militares. Caso contrário, anátema sob o pretexto de retrocesso, de perigo à democracia - e esta, claro, sendo legítima se há liberdade de impor padrões de consumos, de proteger a propaganda e a manipulação de comportamenos pró-compras, pró-conformismo...

Ai de quem ousar falar da pressão de um país injusto, onde médicos em grande parte são formados em universidades públicas para depois gozarem de cobrar os olhos da cara da população, formando convênios em planos de saúdes igualmente caros, e lutando, junto e financiado com a indústria farmacêutica, para oficializar o corporativismo da categoria na famigerada proposta de lei do Ato Médico. Contra isto pseudo-intelectuais tendenciosos como Arnaldo Jabor não fazem seus comentários sarcásticos no Jornal da Globo...

Quando finalmente se paga ao FMI, se constroi algumas estradas de ferro depois de oito anos do governo neoliberal do "sociólogo" aposentado aos trinta e tantos anos e que depois chamou os aposentados que trabalharam uma vida inteira de "vagabundos" não ter feito nada, de o salário mínimo ter saltado de 78 dólares para mais ou menos 200, de ter reconstruido a industria naval, de se ter criado 10 novas universidades públicas enquanto antes se dava preferência em desarticula-las, etc., a imprensa se cala. Agora, para saudar odiosas subtrações nacionais em doações chamadas de privatizações, a mídia mercantil continua a comemorar...

Falar sobre qualquer progresso de um governos imperfeito, cheia de falhas (mas não mais que os anteriores), é proibido, porque, bem ou mal, ainda que ele tenha sido benéfico para banqueiros e industriais, é comandado por um ex-operário e um ex-esquerdista que pode, a qualquer momento, voltar a pensar em governar de fato, para a população... Senão ele, um sucessor (ou sucessora) por ele feito... Um perigo... Direitos Humanos então, se for para mudar a estrutura neoliberal e deixar o poder da Igreja e as sujeiras do período da Ditadura à mostra, nem pensar!

Engraçado como contra este plano (que por hora é apenas um plano para ser discutidos) causou a ira de tanta gente que mama as benesses das riquezas desde a Didatura. Ives Gandra da Silva Martins, famoso jurista que se faz de campeão da ética e irmão o pianista favorito e cúmplice de Maluf por anos - e que portanto tempo tocaram sonegatas a quatro mãos (clique aqui para ter um exemplo disto, extraído do site Brasil notícias da própria Globo pró-neoliberalismo)-, tomou o megafone e gritou aos quatro ventos que o plano - que teve assessoria de especialista do Brasil e da Europa - é uma ameaça a democracia, e logo esteva na Band do preconceituoso Boris Casoy, baluarte do PSDB e dos interesses da elite - lembram-se da gafe do ano novo, quando ele demonstrou seu preconceito burguês ao dizer, num vazamento de áudio, que era uma "m..." dois garis, o mais "baixo da escala do trabalho" segundo ele, desejarem ano novo no Jornal da Band em 31 de dezembro de 2009? Se não lembram, vejam o video no youtube sobre isso em http://www.youtube.com/watch?v=0H9znNpeFao - e no Programa do Jô, o brilhante apresentador que se pudesse estaria no lugar de David Letterman nos EUA fazendo o que este faz lá, mas que aquele copia aqui...

Engraçado Gandra expressar suas convicções conservadoras ao afirmar que o neoliberalismo foi um bem ao Brasil e ao mundo... Depois da destruição de pequenas empresas, pequenos negócios, do sucateamento dos empregos e das universidades públicas, das privatizações, da compra corrupta da reeleição e da crise monstro de 2008 (tudo isso magnificamente exposto no documentário de Michael Moore "Capitalismo - uma história de amor", de 2009), a quem Gandra Martins de Jô Soares querem enganar? Só se for quem faz da Globo e da Veja seus professores e acredita que Casoy é um jornalista ético e imparcial....

“O perigo do passado era que os homens se tornassem escravos. O perigo do futuro é que os homens se tornem autômatos”. (Erich Fromm)

O secretário-geral do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Marcus Vinícius Furtado Coelho, entre outros especialistas, também cobrou a implementação do plano, especialmente o trecho que trata do atendimento às vítimas de violência no Brasil. Segundo ele, em debate junto a membros da câmara dos deputados, este é o principal ponto a ser garantido nesta última versão do documento, pois já havia sido incluído nos dois programas anteriores e nunca foi implementado.

“O Estado brasileiro deve cuidar da assistência material e psicológica às vítimas da violência. Não podemos ter o discurso dos direitos humanos apenas para quem pratica o crime, que obviamente deve ter seus direitos respeitados, mas estamos relegando a segundo plano o atendimento das vítimas. O eixo orientador 4 do programa, ­ que trata dos direitos humanos das vítimas ­ é pauta fundamental para o momento do País”, afirma Furtado Coelho.

Ele também defendeu o fortalecimento do pacto federativo como um item da pauta dos direitos humanos, incluindo a discussão sobre a distribuição dos recursos arrecadados pela exploração do petróleo da camada do pré-sal. “Discutir o pré-sal tem a ver com os direitos humanos, porque concentrar seus ganhos em três estados é afrontar os direitos humanos, pois não se pode falar de direitos humanos em um País com tantas desigualdades sociais e regionais”, disse o jurista.

Extraio, para terminar, parte do artigo do jornalista Carlos Chagas, jornal Tribuna da Imprensa, Rio de Janeiro, 12/02/2010

A oposição parece haver perdido a lógica, nessas preliminares do processo sucessório. Não bastassem as baixarias lideradas por Fernando Henrique Cardoso, Tasso Jereissati, Sérgio Guerra e outros, aproveitou-se a bancada de senadores do PSDB e do DEM de um cochilo dos governistas e a candidata Dilma Rousseff viu-se convocada a comparecer ao Senado, no prazo de um mês, para dar explicações sobre o III Plano Nacional de Desenvolvimento. ÉR claro que os senadores alinhados ao palácio do Planalto providenciaram a desconvocação, mas, mesmo se não conseguissem, qual o resultado final?


Dona Dilma, que de boba não tem nada, compareceria e sairia vitoriosa de qualquer debate a respeito do polêmico texto que o presidente Lula assinou sem ler. Primeiro porque aspectos sensíveis do Plano já foram retificados pelo próprio chefe, como o da revisão da Lei de Anistia. Depois, porque em termos de opinião pública, o governo deita e rola quando os temas em discussão limitam-se ao controle de qualidade da programação de televisão ou, mesmo, da necessidade de um diálogo entre os sem-terra e os ruralistas, sempre que há conflito.


Não há quem possa concordar com a baixaria exposta com freqüência pelas telinhas. Só os barões das empresas e seus respectivos departamentos de publicidade, interessados apenas em faturar. Censura, nunca mais, mas mecanismos capazes de proteger o cidadão e a família dos excessos da programação televisiva, nem haverá que duvidar. O engodo do principal instituto de pesquisa é óbvio, quando se trata de concluir que a maior audiência vai para aberrações variadas. Desde bacanais encenados em casas adredemente preparadas até pornografia explícita, novelas que não traduzem a vida diária, noticiários apenas mergulhados em tonéis de sangue e até flagrantes de homossexualismo exposto. Bastaria fazer um plebiscito honesto em todo o país para saber que a população, se assiste, é por falta de opções. De propósito, confundem o direito que a sociedade tem de defender-se desses abusos com hipotéticos cerceamentos do noticiário comum.


Da mesma forma, quem pode ser contra o diálogo, exceção dos latifundiários que ainda hoje utilizam a Justiça como arma em favor de seus interesses? Mal não faz que as partes em litígio atuem para evitar a truculência de certas sentenças e a agressão da maioria das polícias militares. Um péssimo acordo vale mais do que a melhor demanda – aprende-se nos primeiros meses das faculdades de Direito.


Dar a Dilma Rousseff um palanque privilegiado como é o Senado, para debater essas questões, seria carrear para ela mais alguns milhares de votos indecisos. Por obra de quem? Da oposição.

terça-feira, 16 de março de 2010

Só um pouco de história política...

Um pouco de informação histórica para arejar a mente de inversões midiáticas. Cito um trecho de excelente artigo do jornalista Hélio Fernandes, Jornal Tribuna da Imprensa, Rio de Janeiro, 16/03/2010:

Na primeira eleição direta depois da ditadura de 64, em 1989, houve a inversão. Como Collor era de um estado pequeno, teve de colocar um vice de São Paulo ou Minas Gerais, optou por Minas e Itamar Franco. Houve o impeachment, o primeiro da história, Itamar assumiu, patrocinou a catástrofe FHC, da qual se arrepende até hoje.

FHC, o homem do retrocesso de “80 anos em 8”, além da incompetência congênita e adquirida, liquidou (pagando à vista em dinheiro) uma das cláusulas pétreas da Constituição, se REEELEGEU. E estabeleceu uma nova realidade da qual ninguém quer se “livrar”. A lógica, vá lá, depois da “violação FHC”, é a tentativa do terceiro mandato. (Que ele mesmo tentou, não conseguiu).

Como agora, em caso de impedimento, renúncia ou incapacidade médica, o vice assume e cumpre o resto do mandato, existem mais candidatos a vice do que propriamente a presidente. Serra, (a sua pergunta é sobre ele) pode voltar à rotina ou sistemática que vigorou até 1930. Um paulista ou mineiro, com um nordestino na vice.

O próprio Serra, em 2002, tentou ressuscitar a fórmula, convidando Jarbas Vasconcellos para seu vice. Governador de Pernambuco, Jarbas aceitou, dependendo do seu vice, “Mendoncinha”, (que apresentou a emenda de reeeleição de FHC), renunciar. Jarbas não tinha confiança nele, o vice acreditava que o governador aceitaria ser vice de Serra favorito. Errou, Jarbas ficou, agora é senador até 2014.

Serra, se não puder compor a “chapa pura”, Há!Ha!Ha!, pode convidar o ex-governador de Pernambuco, que aceitará na hora

E se o governador de São Paulo confirmar a candidatura e Aécio também confirmar que não aceita, quem ficará na vez? A chapa quase formada (com o DEM) era Serra-Arruda. Mas Serra é tão sortista, que já conversava com ele, (e a liderança do DEM) quando Arruda foi preso. Serra se desligou a passou a dizer: “Arruda, nem sei quem é”.

Os candidatos são muitos, a vice é muito cobiçada, desejada e esperada. Como na História do Brasil, a partir do golpe militar de 15 de novembro de 1889, existe quase sempre o mesmo número de presidentes que terminaram o mandato e de vices que assumiram, a esperança é compreensível.

Lula Está terminando o segundo mandato, nos dois, sem o PMDB na vice. Em 2002 e 2006, o PMDB já era o maior partido do Brasil e não fez exigência da nomenclatura, que palavra, não se importava de indicar o vice, como não indicou mesmo.

domingo, 14 de março de 2010

Filme sobre Chico Xavier



Carlos Antonio Fragoso Guimarães

O filme de Daniel Filho, Chico Xavier, baseado nas pesquisas do jornalista Marcel Souto Maior - autor dos livros "As Vidas de Chico Xavier" e "Por Trás do Véu de Ísis" - e em entrevistas dadas pelo médium no decorrer de décadas antes de sua morte em 2002, especialmente no programa "Pinga Fogo" da extinta Rede Tupi, no início dos anos 70 do século passado, ainda nem entrou em cartaz (previsto para a primeira semana de abril de 2010) e já despertou reações apaixonadas.

Desde ataques histéricos de evangélicos fundamentalistas que, à exemplo dos adventistas (os defensores da "verdade", igual àquela muito certa que tinham de que o mundo se acabaria em 1843 e em que nada aconteceu), desde 2009 se mobilizam para fazer uma cruzada contra o filme, passando pelos ceticismo de materialistas convictos, pela admiração de milhões espíritas ou não, pela simpatia de muitos outros pela figura humana de Chico e pela defesa enfática de suas obras literáritas pelos espíritas, o filme na verdade tenta retratar a vida de uma das mais intrigantes figuras da história nacional recente. Mesmo mantendo-se uma certa indiferença ante aos aspectos ditos transcendentais que envolvem sua vida - polêmicas sempre estiveram atrelados à Francisco Cândido Xavier (1910-2002) e ainda permanecerão por décadas -, é fora de dúvida que seu modo de ser e seu trabalho exerceram profunda influência em milhões de famílias pelo Brasil à fora. Muitas casas de caridade e diversos estudos sobre mediunidade foram iniciadas tendo o médium mineiro como inspiração.

No filme, temos uma panorâmica sobre a vida sofrida de Chico desde à infância até seus últimos anos. Matheus Costa faz o papel do Chico menino, Ângelo Antônio o chico jovem adulto e Nelson Xavier o Chico da maturidade. Cada uma destas fases é iniciada a partir de relatos de Chico no programa "Pinga Fogo" da Tupi (disponível em uma série de DVDs pela Versátil Video).

O foco do filme está na conduta humana de Chico calcada, bem ou mal, no que ele acreditava e vivenciava. Vida simples, sofrida, humilde e bastante bisbilhotada pelo público, tanto por admiradores quanto por inimigos gratuitos. Pode-se, com toda a liberdade, não se levar em conta ou consideração a questão da mediunidade, mas, pelo que se sabe, não se pode duvidar da coerência e da conduta moral do homem retratado no filme. Do órfão forçado a servir de criado pela madrasta aos ataques de religiosos fundamentalistas que o viam como uma ameaça ao poder das Igrejas, o homem Chico Xavier jamais se furtou a uma palavra amiga mesmo aos que os caluniavam (e continuam a fazê-lo ainda hoje, no retorno das trevas fundamentalistas).

A ser lançado no ano de seu centenário de nascimento o filme Chico Xavier - que tem a participação da hollywoodiana produtora Sony - promete, ao menos, ser um sucesso de bilheteria. Em setembro um outro filme ligado a Chico, baseado no seu livro "Nosso Lar", também será lançado, desta vez com a participação da Fox Filmes (clique aqui para se ter um gostinho dos efeitos especiais deste filme). Este último será a adaptação do livro que conta os primeiros contatos de um médico ao adentrar no mundo espiritual.

Esperemos que estes filmes permitam uma pausa para a reflexão num mundo que parece não querer pensar. Que, de algum modo, parte do povo possa sair da modorra em que se encontra, alienado do pensar por uma política econômica corrupta de um sistema que lucra quanto mais hedonista, materialista e vulgar se tornam as atitudes e modismos, na ilusão de que o acumular bens é sinônimo de felicidade, e possa-se perceber que se pode ter uma vida digna sem se atrelar a tantas coisas e preocupações pueris.

Em uma era em que promessas não cumpridas de um progresso material libertador possibilitou o avanço de fundamentalismos religiosos imbecilizantes e de um esquecimento dos avanços arejadores do Concílio Vaticano II e da Teologia da Libertação, da leitura instrutiva de autores realmente importantes, como Leonardo Boff e Frei Betto, por um retorno do conservadorismo adesista mais estéril ao estilo dos carismáticos e de midiáticos pastores e padres cantores sem-voz e de sucesso e aparência fabricadas, quem sabe o exemplo de quem foi coerente sem buscar o estrelado e nunca afirmar ter a verdade nem querer se impor a ninguém possa fazer que ver que diferentes pontos de vista, como o espírita, refletindo filosofias e ensinos milenares, dos antigos gregos à filosofia oriental, passando pelo misticismo hebráico, mas atualizado pelas reflexões de Allan Kardec, são tão ou mais válidos que de recentes seitas pentencostais midiáticas que se arvoram em detentoras de verdades bem estreitas e infantilmente maniqueístas, a serem sustentadas por mensalidades e dízimos que constituem, certamente, um grande negócio...

Veja um documentário da Globo News sobre Chico Xavier, clicando aqui.

Ou clique nestes links:

"O Médium Chico Xavier", 1º Parte.

"O Médium Chico Xavier", 2º Parte

"O Médium Chico Xavier", 3º Parte

Visite também o site oficias dos filmes aqui citados, clicando em Chico Xavier, em Making of Chico Xavier e Nosso Lar

João Pessoa, 14/03/2010

Platão




Platão e a descoberta da Metafísica


Platão, cujo verdadeiro nome era Aristócles, nasceu em Atenas, em 428/427 a.C., e lá morreu em 347 a.C. Platão é um nome que, segundo alguns, derivou de seu vigor físico e da largueza de seus ombros (platos, em grego, significa largueza). Ele era filho de uma abastada família, aparentada com famosos políticos importantes, por isso não espanta que a primeira paixão de Platão tenha sido a política.
Inicialmente, Platão parece ter sido discípulo de Crátilo, seguidor de Heráclito, um dos grandes filósofos pré-Socráticos. Posteriormente, Platão entra em contato com Sócrates, tornando-se seu discípulo, com aproximadamente vinte anos de idade e com o objetivo de se preparar melhor para a vida política. Mas os acontecimentos acabariam por orientar sua vida para a filosofia como a finalidade de sua vida.

Platão tinha cerca de vinte e nove anos quando Sócrates foi condenado à beber o cálice de cicuta (veneno fortíssimo). Ele havia acompanhado de perto o processo de seu mestre, e o relata na Apologia de Sócrates. O fato de Atenas, a mais iluminada das cidades-estados gregas, ter condenado à morte "o mais sábio e o mais justo dos homens" - como falara mediunicamente o oráculo de Apolo, em Delfos - lhe deixou marcas profundas que determinariam as linhas mestras de toda a sua atividade de filósofo.

Acredia-se que todas, ou uma boa parte da obra de Platão nos chegou inteira. Além de cartas e da Apologia de Sócrates, Platão escreveu cerca de trinta Diálogos que têm sempre invariavelmente Sócrates como protagonista. Nestas obras excepcionais, Platão tenta reproduzir a magia do diálogo socrático, imitando o jogo de perguntas e respostas, com todos os meandros da dúvida, com as fugazes e imprevistas revelações que impulsionam para a verdade, sem, contudo, revela-la de modo direto. O motivo pelo qual sua obra nos chegou praticamente intácta reside no fato de Platão ter fundado uma escola que se tornou famosa, e que era dedicada ao herói Academos. Daí o nome Academia.

Platão foi o responsável pela formulação de uma nova ciência, ou, para ser mais exato, de uma nova maneira de pensar e perceber o mundo. Este ponto fundamental consiste na descoberta de uma realidade causal supra-sensível, não material, antes apenas esboçada e não muito bem delineada por aluguns filósofos, embora tenha sido um pouco mais burilada por Sócrates. Antes de Sócrates, era comum tentar-se explicar os fenômenos naturais a partir de causas físicas e mecânicas. Platão observa que Anaxágoras, um dos pré-socráticos, tinha atinado para a necessidade de introduzir uma Inteligência universal para conseguir explicar o porquê das coisas, mas não soube levar muito adiante esta sua intuição, continuando a atribuir peso preponderante às causas físicas. Entretanto, se perguntava Platão, será que as causas de caráter físico e mecânico representam as "verdadeiras causas" ou, ao contrário, representam simples "concausas", ou seja, causas a serviço de causas mais elevadas? Não seria o visível fruto de algo mais sutil?

Para encontrar a resposta às suas dúvidas, Platão empreendeu aquilo que chamou simbolicamente de "a segunda navegação". A primeira navegação seria o percurso da filosofia naturalista. A segunda navegação seria a orientação metafísica de uma filosofia espiritualista, do inteligível. O sentido do que seja essa segunda navegação fica claro nos exemplos dados pelo próprio Platão.
Se se deseja explicar por que uma coisa é bela, um materialista diria que os elementos físicos como o volume, a cor e o recorte são bem proporcionais e causam sensções prazerosas e agradáveis aos sentidos. Já Platão diria que tudo isso seria apenas qualidades que evocariam uma lembrança de algo ainda mais belo, vista pela alma no plano espirtiual, mas que não está acessível ao plano físico. O objeto seria apenas uma cópia imperfeita, por ser material, de uma "Idéia" ou forma pura do belo em si.

Vejamos um outro exemplo:
Sócrates está preso, aguardando a sua condenação. Por que está preso? A explicação mecanicista diria que é porque Sócrates possui um corpo corpulento, composto de ossos e nervos, etc, que lhes possibilitam e lhe permitiram locomover-se e se deslocar por toda a vida, até que, por ter cometido algum erro, tenha-se dirigido à prisão, onde lhe sejam postas as amarras. Ora, qualuer pessoa sabe a simplificação desse tipo de argumento, mas é justamente assim que falam o materialistas-mecanicistas até os dias de hoje. Mas este tipo de explicação não oferece o verdadeiro "porquê", a razão pela qual Sócrates está preso, explicando apenas o meio pelo qual pode uma pessoa ser posta num cárcere devido ao seu corpo. Explica o ato, descrevendo-o, e não suas causas. A verdadeira causa pela qual Sócrates foi preso não é de ordem mecânica e material, mas de ordem superior, da mesma forma que um computador não executa um complexo cálculo matemático pela ação de seus componentes em si, mas devido a algo de ordem superior e mais abstrato: o seu programa, o software. Sócrates foi condenado devido a um julgamento de valor moral usado a pretexto de justiça para encobrir ressentimentos e manobras políticas das pessoas que o odiavam. Ele, Sócrates, decidiu acatar o veredicto dos juízes e submerter-se à lei de Atenas, por acreditar que isso era o correto e o conveniente, pois ele era cidadão de Atenas, mesmo ciente da injustiça de sua condenação. E, em conseqüência disto, dessa escolha de ordem moral e espritual, ele, em seguida, moveu os músculos e as pernas e se dirigiu ao cárcere, onde se deixou ficar prisioneiro.

A segunda navegação, portanto, leva ao conhecimento de dois níveis ou planos do ser: um, fenomênico e visível (a nível do hardware, como diríamos em linguagem de computação); outro, invisível e metafenomênico, (a nível do software), inteligível e compreensível pela razão e pela intuição.

Podemos afirmar, como falam Reale & Antiseri, que a segunda navegação platônica constitui uma conquista e assinala, ao mesmo tempo, a fundação e a etapa mais importante da história da metafísica. Todo o pensamento ocidental seria condicionado defintiviamente por essa "distinção" entre o físico (o hardware) e o causal (o software, a ordem implicada que causa a ordem explicada), tanto na medida da sua aceitação quanto de sua não aceitação através da história. Se ela não é aceita, a pessoa que não a aceita terá de justificar a sua não aceitação, gerando uma polêmica que continuará dialeticamente a ser condicionada ao fato de que existe - ao menos filosoficamente - algo que se chama metafísica.

Só após a "segunda navegação" platônica é que se pode falar de material e espiritual. E é à luz dessas categorias que os físicos anteriores a Sócrates, e muitos físicos modernos, podem ser tachados e materialistas, mas agora a natureza não pode mais ser vista como a totalidade das coisas que existem, mas como a totalidade das coisas que aparecem. Como diria o Físico David Bohm, a ordem explícita é apenas conseqüência de uma ordem implícita, superior e invisível. O "verdadeiro" ser é constituído pela "realidade inteligente" e "inteligível" que lhe é transcendente.


O Mito da Caverna


É o próprio Platão quem nos dá uma idéia magnifica sobre a questão da ordem implícita e explícita no seu célebre "Mito da Caverna" que se encontra no centro do Diálogo A República. Vejamos o que nos diz Platão, através da boca de Sócrates:
Imaginemos homens que vivam numa caverna cuja entrada se abre para a luz em toda a sua largura, com um amplo saguão de acesso. Imaginemos que esta caverna seja habitada, e seus habitantes tenham as pernas e o pescoço amarrados de tal modo que não possam mudar de posição e tenham de olhar apenas para o fundo da caverna, onde há uma parede. Imaginemos ainda que, bem em frente da entrada da caverna, exista um pequeno muro da altura de um homem e que, por trás desse muro, se movam homens carregando sobre os ombros estátuas trabalhadas em pedra e madeira, representando os mais diversos tipos de coisas. Imaginemos também que, por lá, no alto, brilhe o sol. Finalmente, imaginemos que a caverna produza ecos e que os homens que passam por trás do muro estejam falando de modo que suas vozes ecoem no fundo da caverna.

Se fosse assim, certamente os habitantes da caverna nada poderiam ver além das sombras das pequenas estátuas projetadas no fundo da caverna e ouviriam apenas o eco das vozes. Entretanto, por nunca terem visto outra coisa, eles acreditariam que aquelas sombras, que eram cópias imperfeitas de objetos reais, eram a única e verdadeira realidade e que o eco das vozes seriam o som real das vozes emitidas pelas sombras. Suponhamos, agora, que um daqueles habitantes consiga se soltar das correntes que o prendem. Com muita dificuldade e sentindo-se frequentemente tonto, ele se voltaria para a luz e começaria a subir até a entrada da caverna. Com muita dificuldade e sentindo-se perdido, ele começaria a se habituar à nova visão com a qual se deparava. Habituando os olhos e os ouvidos, ele veria as estatuetas moverem-se por sobre o muro e, após formular inúmera hipóteses, por fim compreenderia que elas possuem mais detalhes e são muito mais belas que as sombras que antes via na caverna, e que agora lhes parece algo irreal ou limitado. Suponhamos que alguém o traga para o outro lado do muro. Primeiramente ele ficaria ofuscado e amedrontado pelo excesso de luz; depois, habituando-se, veria as várias coisas em si mesmas; e, por último, veria a própria luz do sol refletida em todas as coisas. Compreenderia, então, que estas e somente estas coisas seriam a realidade e que o sol seria a causa de todas as outras coisas. Mas ele se entristeceria se seus companheiros da caverna ficassem ainda em sua obscura ignorância acerca das causas últimas das coisas. Assim, ele, por amor, voltaria à caverna a fim de libertar seus irmãos do julgo da ignorância e dos grilhões que os prendiam. Mas, quando volta, ele é recebido como um louco que não reconhece ou não mais se adpata à realidade que eles pensam ser a verdadeira: a realidade das sombras. E, então, eles o desprezariam....
Qualquer semelhança com a vida dos grandes gênios e reformadores de todas as áreas da humanidade não é mera coincidência.

Para ler mais textos de filosofia de nossa autoria, clique aqui.

Bibliografia Sugerida
Reale, Giovanni & Antiseri, Dario. - "História da Filosofia", vol. I, Ed. Paulus, São Paulo, 1990
Platão, Coleção Os Pensadores, Nova Cultural, 1988.