terça-feira, 26 de novembro de 2024

Xadrez da conspiração golpista militar e o destino dos Kids Pretos, por Luís Nassif

 

Kids Pretos se tornaram uma organização dentro do Exército, com atuação sem controle, sendo o principal foco do desgaste das Forças Armadas.


Artigo de Luis Nassif - Jornal GGN:

Peça 1 – o golpe militar

O primeiro ponto de análise é enquadrar a tentativa de golpe no seu arcabouço correto: desde o início, foi uma operação militar.

Foram os militares que permitiram e deram apoio logístico às manifestações em torno dos quartéis, articularam os motoristas de caminhão. A invasão da Esplanada dos Ministérios foi organizada pelos Kids Pretos. Na semana seguinte ao 8 de janeiro, houve quatro tentativas de derrubar torres de alta tensão no país. As investigações da Polícia Federal colocam os militares no centro das articulações, liderados pelo general Walter Braga Neto.

Por outro lado, em pelo menos dois momentos cruciais, o legalismo do Alto Comando prevaleceu.

Em 29 de março de 2021, o general Fernando Azevedo e Silva saiu do Ministério da Defesa, alegando ter trabalhado para “preservar as Forças Armadas como instituições de Estado”. Foi substituído por Braga Netto, que já ocupava outras cargos no governo.

No mesmo período foi demitido o General Edson Pujol, Comandante do Exército, substituído pelo general Paulo Sérgio Nogueira de Oliveira; o Almirante Ilques Barbosa Júnior, Comandante da Marinha substituído pelo almirante Almir Garnier Santos; e o Tenente-Brigadeiro do Ar Antônio Carlos Moretti Bermudez, Comandante da Aeronáutica, substituído pelo tenente-brigadeiro do ar Carlos de Almeida Baptista Júnior – indiciado pela PF como um dos conspiradores.

No dia 7 de setembro de 2021, em comício na Avenida Paulista, Bolsonaro deu início formal ao golpe.

E repetiu em Brasília.

Há inúmeros motivos para explicar porque o golpe falhou. O principal deles foi o fato do comandante do Exército, General Marco Antonio Freire Gomes, ter assumido uma postura legalista e ameaçado prender Bolsonaro, se insistisse no golpe.

O que se depreende dessa história. Há oficiais legalistas nas FFAAs, que acordaram nos momentos decisivos. Mas a organização maior é dos conspiradores. Tanto que a conspiração evoluiu até o momento da decisão final. Só não consumou a travessia do Rubicão devido a cinco generais legalistas do Alto Comando.

Não se imagine que o fator militar será resolvido meramente com o julgamento e a punição dos conspiradores. Daqui para diante, as armas de mobilização dos golpistas são as seguintes:

  1. Explorar ressentimentos com as críticas contundentes dirigidas às FFAAs.
  2. Os milhares de empregos abertos aos militares da reserva e com os negócios abertos aos empresários militares, especialmente na área de construção civil.
  3. A manutenção das redes em aplicativos de mensagens.

É conhecido que o radicalismo está presente fundamentalmente no coronelato – ou seja, nos futuros generais. Por isso mesmo, o desmonte dos ímpetos conspiracionistas passa pelas seguintes etapas:

  1. Punição exemplar dos conspiradores, mas evitando a generalização e os ataques às FFAAs.
  2. Processo competente de definição

Peça 2 – A revanche militar

A operação, na verdade, livrou as Forças Armadas de um grande fardo: carregar o peso da herança de Bolsonaro e dos golpistas de Braga Neto. Assim como na política, em que morre Bolsonaro, mas não o bolsonarismo, morre o golpismo de Braga Neto, mas não do militarismo. Pelo contrário, abre espaço para o mais legítimo representante do bolsonarismo-militar: Tarcisio de Freitas.

No DNIT e no Ministério dos Transportes, abriu espaço para grande negócios de empresas controladas por ex-militares. Em São Paulo, politizou a Polícia Militar, entregando o comando a um coronel sanguinário, muito mais suscetível de colocar a força a serviço de golpes do que o profissionalismo do alto comando.

Conseguiu o apoio da mídia e do mercado ao montar a mais suspeita operação de privatização da história recente, a venda da Sabesp. E surfa nas ondas do eleitorado de direita, amplamente majoritário nas últimas eleições municipais.

Peça 3 – os Kids Pretos

No momento, o Estado Maior do Exército enfrenta o problema mais agudo desde a redemocratização: o que fazer com os Kids Pretos. Eles se tornaram uma organização dentro do Exército, com atuação sem controle, e sendo o principal foco do desgaste das Forças Armadas junto à opinião pública.

Algo terá que ser feito – este é o problema que aflige o Alto Comando. Não há pressão nem do governo, nem do Congresso, mas um enorme desgaste junto à opinião pública.

O ato mais radical seria a extinção dos Kids Pretos. É considerado complicado, mas não está totalmente fora de cogitação. Há outras alternativas em estudo, formas de cortar pela raiz a autonomia e a militância política dos Kids Pretos.

O que se tem claro é que haverá punição para os cabeças da conspiração e definição de formas de enquadrar os Kids Pretos – sabendo-se, de antemão, se constituir de um grupo com propensões terroristas.

Leia também:


The Intercept: Forças armadas viraram fábrica de terroristas – e é preciso aniquilar o golpismo

 

Provas robustas do envolvimento de dezenas de militares, muitos de alta patente, em plano golpista e homicida obriga limpeza radical nas forças armadas.

Braga Neto, Bolsonaro e Paulo Sérgio Nogueira, todos indiciados por crime de tentativa de abolição do estado de direito, vulgo ‘golpismo’. Fonte:Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

TIO FRANÇA NÃO FOI o único a querer matar Alexandre de Moraes. Bolsonaro e o seu núcleo de militares golpistas também quiseram. Além do ministro, o presidente eleito e seu vice também estavam na mira da gangue golpista.

As provas colhidas pela Polícia Federal são fartas, robustas e não deixam pedra sobre pedra. A tentativa de golpe não só aconteceu como pretendia-se um banho de sangue.

Além do ex-presidente, outras 36 pessoas foram indiciadas pela Polícia Federal por tentativa de golpe de Estado, abolição do estado democrático de direito e organização criminosa.

Os investigadores não têm dúvida de que, sob o aval do então presidente, os militares planejaram os assassinatos de autoridades e mobilizaram agentes públicos das Forças Armadas para cometer os crimes.

O plano, batizado de Punhal Verde e Amarelo, foi discutido com pelo menos 35 militares, muitos deles de alta patente. Tudo foi planejado em reunião na casa do general Braga Neto, ex-ministro da Defesa e candidato a vice de Bolsonaro, e o documento com os detalhes foi impresso por uma impressora do Palácio do Planalto.

Bolsonaro avisou aos comparsas que o plano tinha uma data limite para ser executado:  31 de dezembro de 2022. Bolsonaro sabia de tudo. Nenhum desses fatos está no terreno da suposição. Tudo está calçado por áudios, fotos, mensagens de texto, dados de geolocalização, documentos e imagens de câmeras de segurança levantados pela investigação.  

Já faz um tempo que o bolsonarismo se vê encurralado pela realidade dos fatos levantada pela investigação, mas nesta semana a coisa evoluiu para um xeque-mate.

Se a delação de Mauro Cid já era o batom na cueca de Bolsonaro e cia, agora tem-se em mãos um filme pornô hardcore com participação ativa de boa parte da cúpula militar. O castelo golpista dentro das Forças Armadas desmoronou.

Quatro militares de elite já foram presos. Dos 37 indiciados pela PF, 25 são militares, entre eles oficiais de alta patente que foram ministros do governo Bolsonaro, como os generais Braga Netto, Augusto Heleno e Paulo Sérgio Nogueira de Oliveira.

Os milicos que foram presos faziam parte dos Kids Pretos, um grupo especial das Forças Armadas treinado para ações de sabotagem e insurgência popular. O lema do grupo é: “qualquer missão, em qualquer lugar, a qualquer hora e de qualquer maneira”.

Em uma das mensagens trocadas entre os Kids Pretos cinco dias após a eleição de Lula, um deles escreveu: “Democrata é o cacete. Não tem que ser democrata mais agora”. É irônico e satisfatório imaginar que dois anos depois o autor dessa frase seria preso pela democracia. Como diria o golpista-mor — e colunista convidado da Folha — Jair Bolsonaro, “aceitem a democracia.”

As forças armadas foram corroídas pelo golpismo e atuaram de forma permanente para incitar a desordem. A prisão de todos os militares envolvidos na tentativa de golpe é urgente. Além disso, é preciso que o governo federal faça tudo o que estiver ao seu alcance para extirpar o golpismo das Forças Armadas. Isso está longe de ser feito.

O ministro da Defesa, José Múcio, minimizou o papel das Forças Armadas na tentativa de golpe e disse que os crimes foram cometidos por “um grupo isolado”. Mesmo após 2 anos no cargo, o ministro segue fazendo vista grossa para o golpismo institucionalizado entre os militares. Quem está desbaratinando a quadrilha golpista da instituição é a Polícia Federal e o STF, enquanto Múcio prefere evitar a fadiga. 

Não é minimamente razoável, por exemplo, que dois dos milicos presos por participar do plano de assassinato de Lula, estarem atuando na missão de segurança da cúpula do G20. Não se trata de tarefa fácil e é até compreensível a cautela de Múcio para mexer nesse vespeiro. Mas essa é uma briga inadiável.

As forças armadas tornaram-se uma fábrica de militares fanatizados por uma ideologia reacionária e golpista. É uma incubadora de Tios Franças. Trata-se de uma instituição caríssima para os cofres do estado, mas que oferece pouco ou quase nada de volta à sociedade além de tentativas de golpe. Ou faz-se uma limpeza radical na instituição e uma reformulação total dos seus métodos ou outros governos serão assombrados pelo golpismo militar no futuro.

É necessário também falar sobre o papel do PL na trama. Valdemar da Costa Neto, presidente do partido e integrante do braço político do plano golpista, também foi indiciado.

A PF reuniu indícios de que a estrutura do partido foi usada “para financiar a estrutura de apoio às narrativas que alegavam supostas fraudes às urnas eletrônicas, de modo a legitimar as manifestações que ocorriam em frentes as instalações militares”.

Foi o PL que alugou a casa que abrigou o comitê de campanha de Bolsonaro e que, após o segundo turno, foi usada como um QG da trama golpista. No inquérito, Mauro Cid aparece pedindo R$100 mil para o general Braga Netto, que é filiado ao PL, para financiar o plano de assassinato de autoridades dos Kids Pretos.

Braga Netto respondeu dizendo que era para pegar com o PL. Tudo indica que o partido de Valdemar teve papel fundamental para a organização criminosa, o que pode culminar com a cassação do seu registro.

Ainda temos um longo caminho pela frente. A investigação agora segue para o STF e posteriormente será encaminhada à PGR, que analisará as provas levantadas pela PF e decidirá se denuncia ou não os envolvidos. Todos os caminhos percorridos até aqui levam Bolsonaro e os golpistas para a cadeia. 

A democracia não tem opção: ou extirpa essa gente nefasta de uma vez ou será assombrada mais uma vez em um futuro próximo. A História nos deu a lição: a anistia aos golpistas de 64 gerou os golpistas de 22.

Esse ciclo precisa ser quebrado. O golpismo deve ser aniquilado de forma definitiva pelas forças da democracia. Tio França e os Kids Pretos são a prova de que o espírito golpista continua vivíssimo.

VOCÊ SABIA QUE...

O Intercept é quase inteiramente movido por seus leitores?

E quase todo esse financiamento vem de doadores mensais?

Isso nos torna completamente diferentes de todas as outras redações que você conhece. O apoio de pessoas como você nos dá a independência de que precisamos para investigar qualquer pessoa, em qualquer lugar, sem medo e sem rabo preso.

E o resultado? Centenas de investigações importantes que mudam a sociedade e as leis e impedem que abusadores poderosos continuem impunes. Impacto que chama!

Um passado criminoso de militares sobre o Brasil discutido em artigo do ex-primeiro ministro português José Sócrates

 Estado brasileiro não tem alternativa, a não ser responsabilizar autores do plano de golpe

Do iclnotícias:

 Um passado que parece não querer passar

    Foto de um golpista

Segue o artigo de José Sócrates

Primeiro-ministro de Portugal, de 2005 até 2011


Mal tomou posse, em 2009, Barack Obama proibiu o uso de tortura em prisoneiros de guerra, anulou todas as normas e opiniões legais relativas ao interrogatório de prisioneiros e divulgou os chamados “memorandos de tortura”. Foi assim que ficamos a saber que a tortura não era o último recurso e que o detido só tinha uma oportunidade de colaborar antes de começar o tormento. Foi assim que soubemos que um detido foi mantido acordado por sete dias e sete noites. Foi assim que soubemos que Khalid Sheikh Mohammed foi vítima de simulação de afogamento ( waterboarding) por 183 vezes em apenas um mês. Esta foi a parte boa. Dez dias depois, Obama diria que “devemos olhar para a frente e não para trás”. O encobrimento tinha começado.

Para sermos justos com Obama devemos reconhecer que a situação era politicamente delicada – a conspiração para torturar ia até ao cimo do governo e a tortura tinha o apoio da maioria do povo americano. Ainda assim, o resultado desta política foi a desresponsabilização geral. Os tribunais, vergonhosamente, aceitaram o argumento de que as queixas das vítimas não poderiam prosseguir porque exigiam a apresentação de “informações sensíveis” que punham em causa a “segurança nacional”. Ainda hoje o Estado norte-americano paga um preço moral na sua reputação internacional em consequência desta política de desresponsabilização.

Logo no início da nova administração, o procurador-geral Eric Holder disse ao presidente: “se não libertar os memorandos, você torna-se o dono da política”. Talvez seja um pouco exagerado, mas é isto exatamente que penso quando reflito na monstruosidade do alegado plano de golpe de Estado que agora foi revelado no Brasil – se o Estado brasileiro não responsabilizar os seus autores não apenas se torna cúmplice, mas dono da política que contemporiza com golpes de força contra a ordem democrática. Bem vistas as coisas, este é o dilema político com que as instituições brasileiras estão confrontadas – se ignoram o que foi agora revelado pela Polícia Federal, se não levam até ao fim as investigações e os procedimentos criminais contra os alegados autores do plano, tornam-se elas próprias responsáveis pela política anterior que planeou o golpe contra os vencedores das eleições (carecendo, claro está, de prova a ser produzida em tribunal).

Na verdade, já vimos isto acontecer. Já vimos o resultado da anistia dos crimes da ditadura militar. Já vimos o desfecho desta política de “olhar para a frente e não para trás”. Já vimos as consequências. Para mim, que sempre fui a favor de formas políticas de apaziguamento e de reconciliação em momentos de fratura social grave, a monstruosidade do que agora foi revelado não pode deixar de ser condenado pelo poder político nem ignorado pelo poder judicial. A inação do governo, do Parlamento e dos tribunais significaria aquiescência, senão mesmo aprovação do golpe para derrubar a democracia. O Estado brasileiro não tem agora alternativa. Não vejo uma terceira via. Gostava que existisse, mas não existe. De forma breve, é assim que vejo as coisas: desresponsabilizar os autores torna todo o Estado brasileiro (quem estava antes no poder e quem está agora) em autor moral do golpe planeado. Esta é a dura realidade.

De que perigosos golpes nos mantemos. Artigo de Lindener Pareto

 Bolsonaro tem três nomes: golpe, tortura e morte!


Do iclnotícias:

O indiciamento do ex-presidente Jair Messias Bolsonaro por tentativa de golpe de Estado (e otras cositas más) é – além de fato inédito na história brasileira – uma oportunidade única para revisitarmos nosso passado autoritário. O Brasil – como já dissemos nesta coluna algumas vezes ao longo do último ano – é o país do golpe. Lembremos de alguns episódios marcantes.

Logo após a Independência (1822), Dom Pedro I convocou a “Assembleia Constituinte” de 1823. Uma vez reunida, a Assembleia elaborou a nossa primeira Carta Magna. No entanto, no dia 12 de novembro, num rompante autoritário, na chamada Noite da Agonia, as forças policiais de Pedro I dissolveram a Assembleia, prenderam opositores e deportaram dezenas de deputados constituintes, incluindo os famosos irmãos Andrada (José Bonifácio, Martim Francisco e Antônio Carlos), que haviam sido fundamentais ao processo de Independência. Pedro dava seus passos autoritários para outorgar a Constituição de 1824, que conferia a ele um poder a mais, o Poder Moderador.

Em 1840, quando “Liberais” e “Conservadores” (todos eles apoiadores da escravidão) disputavam a hegemonia política e o jovem Brasil vivia uma série de revoltas populares e separatistas, os Liberais, na ânsia de suplantar os “regressistas”, articulam um golpe de Estado “convidando” o menino Pedro II (com 14 anos) para assumir o trono antes da maioridade. Configurava-se então o chamado “Golpe da Maioridade”, em 23 de julho de 1840. O “Ministério da Maioridade” se instalou, ironicamente contanto com a presença dos “antigos” Irmãos Andrada. Contudo, uma vez no poder, Pedro II dissolveu o Ministério e convocou um novo controlado por Conservadores, começava a longa hegemonia conservadora (e profundamente escravocrata) no Brasil Imperial.

Em 1889, diante de uma Monarquia Imperial em crise, um grupo de jovens oficiais com ideias republicanas e positivistas articula um golpe de Estado e, sob a liderança de um oficial veterano da Guerra do Paraguai – Marechal Deodoro da Fonseca – derrubam a monarquia brasileira, convidando Princesa Isabel (a regente do trono) e seu pai Pedro II a se retirarem do país. Era a “Proclamação da República”, no dia 15 de novembro, até hoje comemorada como feriado nacional. Os militares foram apoiados por uma nova hegemonia econômica, os fazendeiros que dominavam as plantações de café do Oeste Paulista. Depois de dois governos militares (Deodoro e Floriano) e muitas revoltas sufocadas, a oligarquia do café liderada por São Paulo passou a ter a hegemonia sobre a política nacional, mandando e desmandando no país até 1930. Contudo, o importante aqui é lembrar que o golpe militar que levou à República foi praticamente um golpe preventivo para que a elite política brasileira não fizesse a reforma agrária e não incluísse a massa de ex-escravizados (1888) que viviam no campo e nas cidades. Estávamos, portanto, diante da  “República Liberal Excludente”.

Em 1930, diante das disputas entre as oligarquias dos vários Estados brasileiros, os paulistas foram derrubados por uma “Aliança Liberal” liderada por políticos do Rio Grande do Sul, Minas Gerais, Paraíba e muitos militares, sobretudo tenentes, que clamavam pelo fim da “corrupção” da elite política paulista no poder. Dava-se então a chamada “Revolução de 1930.” Movimento armado liderado por Getúlio Vargas, a “Revolução” (chamada pelos paulistas de golpe) venceu em outubro de 1930, tendo Vargas assumido o poder  como chefe do governo provisório em 3 de novembro. Começava então a chamada “Era Vargas”. A despeito de uma série de medidas próprias do Estado Democrático de Direito, como a Constituição de 1934, em 1937 – alegando, entre outras coisas, o perigo do comunismo – Vargas manda fechar o Congresso Nacional no Rio de Janeiro, implantando então a Ditadura do “Estado Novo”, que durou até 1945. Prisões, exílios, tortura, censura, assassinatos marcaram profundamente a ordem política e social do Brasil nestes longos anos, nos quais Vargas se constituiu – com uma legislação de proteção social – como o “pai dos pobres” e a “mãe dos ricos”, na medida em que “equilibrava” os poderes da indústria em expansão, a elite agrária tradicional e os direitos trabalhistas para uma população que no mais das vezes só conhecia miséria, analfabetismo e escravidão.

Em 1954, agora com um Getúlio eleito democraticamente (1950), uma nova tentativa de golpe foi empreendida por setores militares e civis. Entre outros, Carlos Lacerda, da UDN (União Democrática Nacional, partido conservador e opositor de Vargas), empreendeu uma campanha feroz contra o agora Getúlio democrata e defensor das políticas nacionalistas e distributivas. Pressionado pelos militares e por boa parte da imprensa golpista, Vargas se suicida com um tiro no peito no Palácio Presidencial do Catete, “saindo da vida para entrar na História.” De muitas maneiras, o suicídio de Vargas permiriu à instável democracia brasileira mais alguns anos de respiro.

Porém, não foi o que aconteceu com o afilhado político de Vargas dez anos depois, em 1964. Diante do anúncio das “Reformas de Base” e de um governo marcado por forte pressão dos movimentos sociais e populares, João Goulart (o Jango) passou a ser visto como inimigo das elites políticas civis e militares do Brasil. Numa conjuntura marcada por forte pressão dos interesses políticos dos EUA no auge da “Guerra Fria” contra a URSS, Jango foi visto como uma “ameaça comunista” e o próprio embaixador americano Lincoln Gordon se envolveu diretamente num complô que contou com apoio da imprensa, dos empresários e de muitos militares conservadores e católicos, como foi o caso do Marechal Humberto de Alencar Castelo Branco. Na madrugada do dia 1 de abril de 1964, as forças militares golpistas e seus tanques nas ruas derrubaram João Goulart, que partiu para o exílio sem oferecer resistência. Começavam os 21 anos de Ditadura Militar (1964-1985), período marcado por atrocidades inimagináveis, como a tortura em pau de arara, estupro sistemático, censura, exílio e desaparecimento dos corpos dos opositores assassinados pelos agentes da Ditadura.

Foi exatamente nesse período que se formou como militar o Capitão Jair Bolsonaro, um fervoroso defensor da caserna, da violência da tortura e de um ódio e ressentimentos profundos contra o Estado Democrático de Direito (e contra os genericamente chamados “comunistas” de toda sorte). Nesse sentido, quando a Ditadura acabou em 1985, ou melhor, quando os militares permitiram a transição de poder aos civis sem com isso perder seus variados privilégios, Bolsonaro nunca se conformou. Ele e boa parte da ala conservadora das Forças Armadas fizeram de tudo para tumultuar o processo em variadas instâncias, sonhando um dia recuperar o prestígio e o poder “perdidos” em 1985. Um oficial de baixa patente e muitas vezes persona non grata pelo alto escalão militar, Bolsonaro enveredou pelos caminhos da política, tendo ficado praticamente trinta anos (1991-2019)  – quase o mesmo período de toda a redemocratização – no Congresso Nacional esperando uma única oportunidade para ressuscitar a “Ditadura Adormecida”.

E foi exatamente o que ocorreu a partir de 2014. Quando os anos de expansão dos direitos sociais e da distribuição de renda fizeram do Partido dos Trabalhadores (PT) vencedor constante das eleições presidenciais, parte da elite empresarial, da elite midiática, jurídica e setores militares (quase sempre golpistas) articulam um golpe jurídico, parlamentar e midiático que levou à lona não apenas o Governo de Dilma Rousseff, mas praticamente todas as lideranças políticas progressistas da redemocratização. Michel Temer, o vice-presidente de Dilma e articulador do golpe de 2016, abre caminho para a extrema-direita brasileira, que não hesitou  – depois de muitas artimanhas – em colocar no poder um defensor da Ditadura, o Capitão Bolsonaro.

O restante da história todo mundo lembra. Um governo marcado por milhares de militares em cargos civis, por uma gestão criminosa e genocida da pandemia de COVID 19 e uma corrupção absolutamente escancarada, digna de um governo verdadeiramente ditatorial. Mas não nos iludamos, o Capitão Golpista é golpista desde sempre. Por isso não é surpresa alguma pensar que o mesmo, não se conformando com a derrota de 2022, tenha articulado sim uma trama golpista e assassina que quase conseguiu, mais uma vez, implantar uma ditadura no Brasil.

Ora, de muitas maneiras, Bolsonaro representa a história inteira do Brasil. Um grande “capitão do mato”, pau mandado das elites civis e militares, um autoritário arruaceiro, alucinado e violento que nunca escondeu isso de ninguém. Bolsonaro é o porão da tortura de uma Ditadura cheia de estruturas que permaneceram ao longo da redemocratização. Bolsonaro é a bomba do Riocentro; Bolsonaro é o golpe midiático do Collor; Bolsonaro é o neoliberalismo de FHC; Bolsonaro é a chacina da Candelária e de Vigário Geral; Bolsonaro é a milícia e a “familícia” que aterrorizam o Brasil; Bolsonaro é a farsa de Sérgio Moro e sua justiça parcial; Bolsonaro é a “Faria Lima” e seu rentismo golpista; Bolsonaro é o agro pop que massacra o povo e o meio ambiente; Bolsonaro é o ressentido que não passa a faixa presidencial e foge para os EUA, articulando desde lá os atos golpistas de 8 de janeiro de 2023. E articulando desde antes, com Mauro Cid, Braga Netto, Augusto Heleno e cia, a trama assassina e golpista que sintetiza a história da violência e do autoritarismo no Brasil.

Bolsonaro tem três nomes: golpe, tortura e morte! E ele não está e nem nunca esteve sozinho. Resta a grande questão: quem vai parar a máquina de produzir golpes que ronda a nossa vida, nosso país e nossa História?

O então presidente Jair Bolsonaro, em 2020, na surreal cena na qual mostra uma caixa de cloroquina para uma ema, do lado de fora do Palácio da Alvorada. Fonte: REUTERS/Adriano Machado.

 



Reinaldo Azevedo: Diálogos da cafajestagem golpista têm nos levar a indagar: que tipo de militares formamos?

 

Da Rádio BandNews FM:




domingo, 24 de novembro de 2024

Portal do José: DOMINGÃO DO ABANDONO! BOLSONARO VÊ BRIGA EM IGREJAS AMPLIAREM SEUS PROBLEMAS! PASTOR: "ESCAPAMOS"!

 

Do Portal do José:

24/11/24 - MAIS DORES DE CABEÇA PARA OS CRIMINOSOS QUE QUASE NOS ATIRARAM NO ABISMO. VEM CADEIA PRA TODO LADO. IGREJAS COMEÇAM A PASSAR POR DEPURAÇÕES E BRIGAS. SIGAMOS.



General Kid Preto e golpista preso preparou roteiro para deputados bolsonaristas para a CPI do 8 de janeiro

 

Documento seria usado durante CPMI do 08 de janeiro; objetivo era culpar Lula pelas manifestações em Brasília

Do Jornal GGN:

   Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil


O general Mário Fernandes, um dos presos por envolvimento em trama que planejava assassinar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o vice-presidente Geraldo Alckmin e o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, elaborou uma espécie de roteiro para os deputados bolsonaristas usarem na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do 8 de Janeiro.

O documento divulgado pelo jornalista Tacio Lorran, do site Metropoles, orientava a oposição em como atacar a Polícia Federal, o ministro Alexandre de Moraes e o STF, com foco na libertação dos “patriotas”, desgaste de imagem do STF e do governo, e um futuro impeachment do presidente da República.

Entre outros pontos, um dos objetivos era mostrar que o governo Lula era “responsável” pelos atos uma vez que “tinha conhecimento do que poderia acontecer e não atuou para evitar a depredação do patrimônio público”.

Sobre a Polícia Federal, os opositores deveriam apontar “abusos” da corporação por atender “ordens ilegais” e que a prisão de “1,5 mil patriotas” não seguiu “o devido processo legal”.

O relatório em questão também sugeria questionamentos e listava as autoridades a serem convocadas, como o então ministro da Justiça Flávio Dino e o ex-ministro do GSI general Gonçalves Dias.

Leia Também

Portal do José: ALERTA! BOLSONARO: SÓ RESTA A FUGA! MILITARES EM APUROS SOB FOGO DUPLO! TÁTICA DE MALAFAIA FALHA!

 

Do Portal do José:

24/11/24 - A CHAPA VAI ESQUENTAR BASTANTE PARA ALGUNS DOS GOLPISTAS. AS FILAS PROMETEM.



Jandira Feghali fala sobre militares e Bolsonaro indiciados no relatório do golpe no Canal da Fórum

 Sobre crimes e histórico fascista golpista dos militares e de Bolsonaro

Do Canal da Revista Fórum:




Mauro Lopes: “Extrema direita cristã deve realizar novos atentados contra a democracia no Brasil”

 

Da TV Fórum:




sexta-feira, 22 de novembro de 2024

Juliana Dal Piva e Igor Mello: Bolsonaro é o primeiro ex-presidente brasileiro indiciado por tentativa de golpe de Estado

 

Junto com ele, 36 personagens entre ex-ministros, militares e alguns de seus principais auxiliares estão na lista



Juliana Dal Piva e Igor Mello - Icl notícias

O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) foi indiciado pela PF (Polícia Federal) por integrar uma organização criminosa que liderou uma tentativa de Golpe de Estado no Brasil após a sua derrota nas eleições de 2022. Com isso, Bolsonaro se torna o primeiro presidente da História do Brasil a ser alvo de um processo para ser responsabilizado por tentativa de golpe contra a democracia brasileira.

Após o relatório final da PF com os indiciamentos, a Procuradoria-Geral da República irá formular denúncia ao STF (Supremo Tribunal Federal) que deve abrir um processo criminal contra os acusados.

Além de Bolsonaro, 36 personagens entre ex-ministros, militares e alguns de seus principais auxiliares estão na lista dos indiciados. Só entre militares há mais de uma dezena. Como a coluna adiantou, além de Bolsonaro, o general Walter Braga Netto também foi indiciado. Junto a ele o general Augusto Heleno, ex-ministro do GSI (Gabinete de Segurança Institucional), o ex-ministro da Defesa, general Paulo Sérgio Nogueira, e o ex-comandante da Marinha, Almir Garnier. A coluna também apurou que o nome do ex-ministro Anderson Torres está na lista de indiciados.

A PF arrecadou ao longo de quase dois anos de investigações milhares de dados obtidos em celulares e computadores e diversos depoimentos mostrando como foi forjado um plano para impedir que o presidente Lula tomasse posse em janeiro de 2023.

Histórico

O historiador e  professor Carlos Fico, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, observa o momento inédito de todo esse processo. A produção de um inquérito desse tipo e a acusação criminal feita pela PF tanto do ex-presidente como dos generais nunca ocorreu em processos golpistas anteriores a partir do momento em que o país criou instituições para assegurar a construção de um estado democrático.

“De todas as tentativas de golpe, sempre houve anistia para os golpistas. Militares golpistas sempre foram anistiados. Pode até ter iniciado um processo de punição, mas sempre teve anistia. Bolsonaro indiciado e, se depois for condenado, vai ser o primeiro presidente da República”, aponta Fico.

“Desde a Proclamação da República, em 1889, e até 1930, não dá para falar em democracia no Brasil. Aí vem a Revolução de 1930 e um governo provisório, um processo irregular até à Constituição de 1934 que estabelecia eleições para 1938. Mas Getúlio dá um golpe em 1937 e inaugura a ditadura do Estado Novo. Só dá para a gente fazer comparação em termos de institucionalidade depois de 1945. Só a partir disso temos alguns períodos democráticos”, explica Fico.

Quatro ex-ministros indiciados

Na relação dos indiciados há quatro ex-ministros do governo Bolsonaro. A lista é encabeçada pelo general Walter Braga Netto, que foi ministro da Defesa e da Casa Civil. Também foi arrolado o general Augusto Heleno, que comandou o Gabinete de Segurança Institucional da Presidência durante toda a gestão de Jair Bolsonaro.

Outro general com papel central no governo passado que consta na relação é Paulo Sergio Nogueira. Além de ter sido ministro da Defesa, ele foi comandante do Exército. Completa a relação de ministros o delegado Anderson Torres, que comandou a pasta da Justiça e Segurança Pública.

Além dos ministros, também foi indiciado o ex-comandante da Marinha, almirante Almir Garnier. Segundo as investigações, ele foi o único dos chefes militares a concordar com o golpe proposto por Bolsonaro.

Os crimes

Bolsonaro e seus principais auxiliares vão responder pelos seguintes crimes:

  • Golpe de Estado, com penas de 4 a 12 anos de prisão.
  • Abolição violenta do Estado Democrático de Direito, com penas de 4 a 8 anos.
  • Organização criminosa, com penas de 3 a 8 anos.

Depoimentos de comandantes militares

Desde janeiro do ano passado, os investigadores encontraram pelo menos dois documentos que configuram minutas com uma série de medidas contra o Poder Judiciário, incluindo a prisão de ministros do STF (Supremo Tribunal Federal). Um deles na casa do ex-ministro da Justiça, Anderson Torres, e um outro documento semelhante nos arquivos de Mauro Cid.

Além disso, como se viu nesta semana na Operação Contragolpe, os investigadores encontraram documentos mostrando que um grupo de militares conhecido como “Kids Pretos” chegou a planejar na casa do general Walter Braga Netto, um plano para matar o presidente Lula, o vice-presidente Geraldo Alckmin, e ainda o ministro Alexandre de Moraes.

A PF ainda coletou depoimentos dos comandantes militares durante o governo de Bolsonaro e tanto o general Gomes Freire como o brigadeiro Carlos Baptista Júnior confessaram que foram abordados por Bolsonaro com planos golpistas.

“Em uma das reuniões dos comandantes das Forças com o então presidente após o segundo turno das eleições, depois de o presidente da República, Jair Bolsonaro, aventar a hipótese de atentar contra o regime democrático, por meio de institutos previstos na Constituição (GLO [Garantia da Lei e da Ordem], ou estado de defesa, ou estado de sítio), o então comandante do Exército, general Freire Gomes, afirmou que caso tentasse tal ato teria que prender o presidente da República”, disse Baptista Júnior para a PF.

Os núcleos do golpe

De acordo com o relatório final da PF, os 37 indiciados se dividiram em seis núcleos diferentes para atacar a credibilidade do sistema eleitoral, conduzir ações clandestinas de inteligência (a chamada Abin Paralela) e articular o golpe de Estado para manter Bolsonaro no poder.

Os núcleos listados pelos investigadores são os seguintes:

  • Núcleo de Desinformação e Ataques ao Sistema Eleitoral.
  • Núcleo Responsável por Incitar Militares à Aderirem ao Golpe de Estado.
  • Núcleo Jurídico.
  • Núcleo Operacional de Apoio às Ações Golpistas.
  • Núcleo de Inteligência Paralela.
  • Núcleo Operacional para Cumprimento de Medidas Coercitivas.

Operação Contragolpe

A conclusão do inquérito do golpe ocorre dois dias depois da PF deflagrar a Operação Contragolpe, que revelou um plano de assassinato elaborado por militares para matar o presidente Lula, o vice-presidente Geraldo Alckmin e o ministro Alexandre de Moraes, do STF. Todo o planejamento foi feito por militares com formação em operações especiais, conhecidos como Kids Pretos.

Como o ICL Notícias mostrou ontem (20), o planejamento para as execuções durou ao menos 36 dias. Em 15 de dezembro, um grupo de ao menos seis militares foi a diferentes pontos de Brasília para interceptar o ministro Alexandre de Moraes. O plano golpista só foi abortado por volta das 21h.

Com a derrota para Lula no segundo turno de 2022, o núcleo duro de Bolsonaro passou a discutir formas de dar um golpe de Estado para mantê-lo no poder.

36 dias de planejamento para o golpe

Dados do inquérito da Polícia Federal analisados pela coluna mostram que os preparativos para o plano de execução do presidente Lula, do vice-presidente Geraldo Alckmin duraram ao menos 36 dias.

As informações indicam que o ex-presidente Jair Bolsonaro participou das articulações, tentando obter o apoio dos chefes militares. Os preparativos do plano “Punhal Verde e Amarelo” tiveram a participação direta do general Walter Braga Netto, ex-ministro da Defesa e vice na chapa derrotada de Jair Bolsonaro em 2022.

Veja abaixo a cronologia do plano de golpe:

9/11: o general Mario Fernandes cria documento com o detalhamento das ações golpistas, envolvendo o monitoramento e a execução de Alexandre de Moraes.
12/11: Braga Netto abriga em sua casa reunião com os Kids pretos envolvidos na trama de assassinato de Lula, Alckmin e Alexandre de Moraes
14/11: Mauro Cid oferece R$ 100 mil para bancar gastos dos Kids Pretos com plano.
18/11: Braga Netto fala com manifestantes golpistas e pede paciência: “Tem que aguardar alguns dias”.
6/12: Bolsonaro, Cid e um dos Kids Pretos estiveram no Palácio do Planalto ao mesmo tempo, durante meia hora. A PF obteve essa informação ao cruzar dados das torres de telefonia com informações da agenda do então presidente. O general Mário Fernandes imprimiu o plano “Punhal Verde e Amarelo” no mesmo dia no Palácio do Planalto.
7/12: Bolsonaro se reúne com chefes do Exército, Marinha e Aeronáutica para apresentar a minuta do golpe.
9/12: Bolsonaro se reúne com o general Estevam Theofilo, comandante do Coter (Comando de Operações Terrestres), que concorda em dar sequência ao golpe caso Bolsonaro assinasse a minuta que era discutida no Planalto.
10/12: o coronel Marcelo Câmara, assessor pessoal de Jair Bolsonaro, passa a Mauro Cid informações detalhadas sobre o acesso de Moraes, Lula e Alckmin ao TSE, no dia da diplomação.
15/12: Kids Pretos botam em ação plano para matar Alexandre de Moraes. Ao menos seis pessoas são distribuídas em diferentes locais de Brasília para interceptar Moraes. Plano só é abortado ao fim da noite.

Os indiciados

  • Jair Bolsonaro, ex-presidente
  • Walter Braga Netto, ex-ministro da Defesa e da Casa Civil
  • Augusto Heleno, ex-ministro do GSI
  • Anderson Torres, ex-ministro da Justiça
  • Paulo Sérgio Nogueira, ex-ministro da Defesa
  • Almir Garnier, ex-comandante da Marinha
  • Alexandre Ramagem, deputado federal e ex-diretor da Abin
  • Valdemar Costa Neto, presidente do PL
  • Estevam Cals Theophilo Gaspar de Oliveira, general
  • Laercio Virgilio, general
  • Mario Fernandes, general
  • Mauro Cid, tenente-coronel e ex-ajudante de ordens da Presidência
  • Filipe Martins, ex-assessor da Presidência da República
  • Ailton Barros, ex-major do Exército
  • Alexandre Castilho Bitencourt da Silva, coronel do Exército
  • Amauri Feres Saad, advogado
  • Anderson Lima de Moura, coronel do Exército
  • Angelo Martins Denicoli, major da reserva do Exército
  • Bernardo Romão Correa Neto, coronel do Exército
  • Carlos Cesar Moretzsohn Rocha, dono do Instituto Voto Legal
  • Carlos Giovani Delevati Pasini, militar da reserva
  • Cleverson Ney Magalhães, coronel do Exército
  • Fabrício Moreira de Bastos, militar do Exército
  • Fernando Cerimedo, consultor político
  • Giancarlo Gomes Rodrigues, subtenente do Exército
  • Guilherme Marques de Almeida, tenente-coronel do Exército
  • Hélio Ferreira Lima, tenente-coronel do Exército
  • José Eduardo de Oliveira e Silva, padre
  • Marcelo Bormevet, policial federal
  • Marcelo Costa Câmara, coronel do Exército e ex-assessor da Presidência
  • Nilton Diniz Rodrigues, general do Exército
  • Paulo Figueiredo, influenciador bolsonarista
  • Rafael Martins de Oliveira, tenente-coronel do Exército
  • Ronald Ferreira de Araújo Junior, tenente-coronel do Exército
  • Sergio Ricardo Cavaliere de Medeiros, tenente-coronel do Exército
  • Tércio Arnaud Tomaz, assessor da Presidência da República
  • Wladimir Matos Soares, policial federal