domingo, 18 de abril de 2021

Papa Francisco quer que dioceses trabalhem com movimentos populares por justiça social e oportunidades para todos

 

'Se a Igreja renegar os pobres, deixa de ser de Jesus; torna-se mera elite moral ou intelectual', diz Francisco


Do site Dom Total:

O Papa Francisco pede uma política que abra 'novos caminhos para que as pessoas se organizem e se expressem'

O Papa Francisco pede uma política que abra 'novos caminhos para que as pessoas se organizem e se expressem' (Frame do vídeo/Vatican Media)

O papa Francisco fez esta quinta-feira (15) uma viva denúncia das políticas populistas, considerando que não passam de uma forma de "paternalismo político", que bem poderia ser traduzido no slogan "tudo para o povo, nada com o povo". Contrapôs-lhes "uma política de fraternidade, enraizada na vida das pessoas" e pediu que as dioceses do mundo inteiro trabalhem com os movimentos populares.

Numa mensagem por teleconferência a partir de Roma, o papa interveio numa conferência promovida pelo Centro para a Teologia e a Comunidade, em Londres e organizada por um conjunto de organizações católicas de base, de diferentes continentes, interessadas em refletir sobre o recente livro do papa, intitulado Sonhemos Juntos.

A política apontada pelo papa "abre novos caminhos para que as pessoas se organizem e se expressem" e visa "encontrar os meios de garantir a todas as pessoas uma vida digna de ser chamada humana, uma vida capaz de cultivar a virtude e forjar novos laços".

"É uma política não apenas para as pessoas, mas com as pessoas, enraizadas nas suas comunidades e nos seus valores". Isto porque "quando as pessoas são postas de lado, não lhes é negado apenas o bem-estar material, mas também a dignidade de agir, de serem protagonistas do próprio destino e da própria história, de expressarem-se com os seus valores e cultura, a sua criatividade e fecundidade".

Do ponto de vista da Igreja, não se pode separar a promoção da justiça social deste "reconhecimento da cultura e dos valores das pessoas", onde se incluem "os valores espirituais que são a fonte do seu sentido e dignidade". Esta dimensão pode ser partilhada por todas as pessoas e suas organizações. Porém, sublinhou Francisco, "nas comunidades cristãs, esses valores nascem do encontro com Jesus Cristo, que busca incansavelmente os que se sentem perdidos e desanimados, aqueles que lutam para chegar ao dia seguinte, para lhes levar o rosto e a presença de Deus, para ser "Deus connosco".

A mensagem papal, ainda que curta, confere uma atenção especial à responsabilidade pastoral da Igreja e começa por reforçar um desejo que vem já expresso no livro Sonhemos Juntos: que todas as dioceses do mundo tenham uma colaboração permanente com os movimentos populares.

Nessa proximidade com as pessoas e com os movimentos populares, diz a mensagem, o papel das instituições religiosas, "não é impor o que quer que seja, mas caminhar com o povo, lembrando-lhe o rosto de Deus que caminha sempre à nossa frente".

E recordando uma imagem que já utilizou noutras circunstâncias o papa é ainda mais claro:

"O verdadeiro pastor de um povo, o pastor religioso, é aquele que procura caminhar à frente, no meio e atrás do povo: à frente, para indicar-lhe algo do caminho a seguir; no meio dele, para sentir com o povo e não errar; e atrás, para auxiliar os que se atrasam, permitindo que o povo, com faro próprio para essas coisas, encontre também para si os caminhos certos".

E nesta convivência que se pode encontrar o "Cristo ressuscitado, ferido, nas nossas comunidades mais pobres", pois "foi aqui que nasceu a Igreja, nas margens da Cruz. Se a Igreja renegar os pobres, deixa de ser a Igreja de Jesus; ela recai na velha tentação de se tornar uma elite moral ou intelectual – uma nova forma de pelagianismo, ou um tipo de vida essênia".

Tal como com a Igreja, "uma política que vira as costas aos pobres nunca poderá promover o bem comum. Uma política que dá as costas às periferias nunca poderá compreender o centro e confundirá o futuro com uma autoprojeção, como se estivesse a ver-se num espelho", nota ainda a mensagem do papa (que pode ser lida em espanhol na íntegraou escutada no vídeo a seguir).


Sete Margens

sexta-feira, 16 de abril de 2021

STF anula condenações de Lula na torpe Lava Jato de Moro e Dallagnol

 


Por 8 votos a 3, Supremo retirou da Vara Federal de Curitiba todos os processos relacionados à Lula e, assim, eles devem voltar à estaca zero

Reprodução

Jornal GGN – O Supremo Tribunal Federal (STF) confirmou, por 8 votos a 3, a anulação das condenações do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A Corte retirou da Vara Federal de Curitiba todos os processos relacionados à Lula e, assim, eles devem voltar à estaca zero na Justiça Federal. Ainda não foi definida qual assumirá os casos: a de São Paulo ou do Distrito Federal.

Trata-se de uma vitória para o ex-presidente, uma vez que a Segunda Turma do Supremo já havia determinado a suspeição e confirmado as irregularidades cometidas pelo ex-juiz Sérgio Moro na condução dos processos. No Distrito Federal ou em São Paulo, caso as Justiças locais decidam abrir apurações contra Lula, deverão cumprir com as garantias legais.

Os ministros consideraram que as ações penais não tinham nenhuma relação com o caso Petrobras, da Operação Lava Jato, aberto em Curitiba. Votaram assim os ministros Alexandre de Moraes, Rosa Weber, Dias Toffoli, Gilmar Mendes, Ricardo Lewandowski, Cármen Lúcia e Luís Roberto Barroso. Os ministros Nunes Marques, Marco Aurélio Mello e Luiz Fux se posicionaram contrários.

Apesar de votar pela distribuição do caso à outra região, o ministro Edson Fachin usou parte da leitura de seu voto para indicar que acredita nos indícios das acusações da Lava Jato de Curitiba, apesar de não serem de sua competência as investigações. A medida antecipa que o ministro deverá se esforçar para que a Justiça que receba os processos reabra os casos.

“Atribuindo ao paciente (Lula) o papel de figura central do grupo criminoso organizado, com ampla atuação nos diversos órgãos pelos quais se espalharam a prática de ilicitudes, sendo a Petrobras apenas um deles”, disse, em um dos trechos.

Na prática, Lula está definitivamente elegível para disputar a Presidência em 2022.

quinta-feira, 15 de abril de 2021

Bob Fernandes: STF confirma Lula livre. Especial: “A Grande Fome” ameaça mais da metade do Brasil de Bolsonaro e seus apoiadores e cúmplices

 

Do Canal do analista político Bob Fernandes:




CRÉDITOS do Vìdeo:
Direção Geral: Bob Fernandes Direção Executiva: Antonio Prada Produção: Daniel Yazbek Edição: Yuri Rosat Narração: Miguel Breyton Imagens: Bob Fernandes, Bruno Xavier Martins, Francisco Bahia (@francisco__bahia), Miguel Breyton e Victor Angelo Caldini Arte e Vinhetas: Lorota Música de abertura e encerramento: Gabriel Edé Agradecimentos: Prof. José Raimundo Souza Ribeiro Junior e Prof. Ricardo Frugoli Agradecimento especial: Padre Julio Lancellotti Este vídeo é uma produção do canal de Bob Fernandes. Vídeos novos todas terças e quintas, sempre, e demais postagens a qualquer momento necessário.




Bob Fernandes: “CPI dos Mortos”... Acusado de genocídio, desesperado, Bolsonaro tenta melar atacando STF e Senado

 Do Canal do analista político Bob Fernandes:


CRÉDITOS Direção Geral: Bob Fernandes Direção Executiva: Antonio Prada Produção: Daniel Yazbek Edição: Yuri Rosat Arte e Vinhetas: Lorota Música de abertura e encerramento: Gabriel Edé Este vídeo é do canal de Bob Fernandes. Vídeos novos todas terças e quintas, sempre, e demais postagens a qualquer momento necessário.

segunda-feira, 12 de abril de 2021

Portal do José: Bolsonaro: o terrível fim! É o único inimigo do Brasil? CPI trará provas! Bolsonaristas são o quê?

 Do Canal Portal do José:

Faltam 544 dias para o Brasil se livrar do Capitão genocída. Mas se a CPI fizer um trabalho eficiente e ocorrer um impeachment, nosso sofrimento poderá ser abreviado. Levando-se em consideração que Bolsonaro é apenas um fantoche das forças econômicas que comandam as estruturas da nação, talvez ocorra uma sobrevida.

O Brasil precisa ter a noção de que Bolsonaro é apenas parte do problema. Após sua saída com a eventual ida para a penitenciária mais próxima, o país permanecerá com gigantescos problemas. Os bolsonaristas que infestam a sanidade de nosso cotidiano não irão desaparecer.

Compete a todos nós a tarefa de provocar os debates sobre a nação que queremos.



Morra quem morrer… o deus dinheiro não se importa

 

Desde que tomou posse, Bolsonaro escolheu um curso de ação capaz de causar o maior trauma à maior quantidade de pessoas. Ele se diz cristão, mas é devoto de um deus tribal extremamente rancoroso, belicoso e incapaz de demonstrar empatia por qualquer um que não pertença ao grupo dos seus escolhidos. Não, esse deus não é o deus dos judeus (cuja adoração exige a renúncia à adoração do bezerro de ouro).



Morra quem morrer… o deus dinheiro não se importa

por Fábio de Oliveira Ribeiro

Em geral, costuma-se dizer que o judaísmo e o cristianismo se distinguiam das religiões antigas em virtude do monoteísmo. Há, porém, uma diferença entre a religião como destino tribal imposta pelo nascimento da qual o indivíduo não deve se libertar (judaísmo) e a crença à qual qualquer um pode aderir independentemente do grupo em que nasceu (cristianismo). 

A noção de pecado que existe no judaísmo e no cristianismo é aparentemente semelhante. Mas a perfectibilidade do indivíduo com seu  deus tribal (que pode levá-lo a cometer violências inenarráveis para preservar essa identidade) é obviamente diferente do aperfeiçoamento do indivíduo consigo mesmo à luz do criador (que pode provocar a renúncia total à violência).

Nas religiões antigas também existiam interdições, mas a transgressão não era vista como um problema. Afinal, os deuses também transgrediram a moralidade vulgar (Zeus era infiel, Hera era vingativa, etc…). E existia até mesmo um deus cuja principal atributo era justamente essa transgressão (Baco). Para o homem comum, a principal virtude era não se exceder. Apenas os deuses podiam cometer excessos sem sofrer as consequências negativas de suas escolhas.

As tragédias – e essa continua sendo a principal a lição catártica do teatro grego – começam por causa de um comportamento excessivo. Creonte proibe o enterro (um direito costumeiro cuja origem ancestral é antiquíssima) e isso se volta contra ele. Laio fica apavorado por causa de uma profecia e abandona o filho colocando em marcha a fatalidade que pretendia evitar. 

Todo excesso produz um final trágico. Não por acaso, a filosofia aristotélica se caracteriza pela valorização do meio termo entre dois extremos. Ponderação, tolerância e autocontrole não significam submissão total ao deus tribal (judaísmo), nem a renúncia a ação violenta (cristianismo) e sim a adoção de um curso de ação capaz de produzir o menor trauma à maior quantidade de pessoas. 

Desde que tomou posse, Bolsonaro escolheu um curso de ação capaz de causar o maior trauma à maior quantidade de pessoas. Ele se diz cristão, mas é devoto de um deus tribal extremamente rancoroso, belicoso e incapaz de demonstrar empatia por qualquer um que não pertença ao grupo dos seus escolhidos. Não, esse deus não é o deus dos judeus (cuja adoração exige a renúncia à adoração do bezerro de ouro). 

O deus de Bolsonaro é o deus dos endinheirados. Ele é o deus dinheiro. Morra quem morrer… o deus dinheiro só se preocupa com o lucro que pode ser entesourado com o extermínio dos índios, com a superexploração dos trabalhadores, com o desprezo por aqueles que ficaram desempregados e sentem fome, com o ódio pelos desafortunados que caem nas garras da justiça porque se recusaram a cair nas garras da morte.

Morra quem morrer… O culto do deus dinheiro não pode parar. A bíblia dele é a contabilidade financeira. Seus principais dogmas são a cobrança de juros, a arrecadação do dízimo e a extração de privilégios orçamentários mediante a supressão dos programas sociais que atendem o conjunto da população. Oculto no tabernáculo do deus dinheiro está a morte, seja ela causada por uma pandemia, pela explosão de violência provocada pelo aumento do comércio de armas, pela letalidade policial, pela fome, pelo desespero suicida. 

Na porta do Inferno dantesco o aviso “Deixai toda esperança, ó vós que entrais”. Nas portas dos templos do deus dinheiro a advertência “Conservai toda esperança vã, ó vós que entrais”. Precipitação, intolerância e sujeição inconsequente. Essas são as principais características da liturgia do deus dinheiro e, sem dúvida alguma, da filosofia bolsonarista.

Abri a internet e confirmei minhas suspeitas https://revistaforum.com.br/coronavirus/pms-bolsonaristas-de-sao-paulo-se-mobilizam-contra-vacina-da-covid-19/. Policiais bolsonaristas se recusam a tomar vacina e fazem campanha para que seus colegas façam o mesmo. O comando da tropa prefere aceitar o risco de perder policiais ou possibilitar que eles se transformem em vetores de uma doença letal do que contrariar a esperança vã de uma salvação que não seja aquela preconizada pela ciência. 

Tomar vacinas é pecado. Morrer e causar a morte transmitindo uma pandemia letal não. O deus dinheiro contabiliza os lucros. Mas os juros serão depositados apenas nas contas dos endinheirados e dos pastores safados.  


Inconstitucionalidade da compra de vacinas contra a Covid por empresas que querem lucrar em cima do desespero, por Jorge Folena

 A proposta legislativa, incentivadas pelos presidentes da Câmara dos Deputados, do Senado Federal e pelo governo de Jair Bolsonaro, para que empresas privadas possam comprar vacinas para imunização dos seus empregados contra a COVID-19, é mais um atentado (da direita) à Constituição brasileira.



Inconstitucionalidade da compra de vacinas por empresas

por Jorge Folena

A proposta legislativa, incentivadas pelos presidentes da Câmara dos Deputados, do Senado Federal e pelo governo de Jair Bolsonaro, para que empresas privadas possam comprar vacinas para imunização dos seus empregados contra a COVID-19, é mais um atentado à Constituição brasileira.

Na verdade, muitos dos empresários que se dizem preocupados com o gravíssimo estado de calamidade sanitária em que está mergulhado o país, apoiam o ocupante da Presidência da República e estão entre os que defenderam, desde março de 2020, que nenhuma medida de isolamento social fosse adotada de forma séria, porque entendiam que as atividades econômicas deveriam prosseguir, sem nenhuma preocupação com os trabalhadores, que precisam se deslocar em meios de transportes coletivos lotados e sem condições sanitárias adequadas e que tiveram seus vencimentos reduzidos para não serem despedidos.

Muitos destes empresários, que querem garantir a vacina para eles e seus familiares, exigiram as drásticas reformas trabalhistas, promovidas por Michel Temer, e a previdenciária, imposta pelo governo Bolsonaro, que inclusive deseja declaradamente extinguir com o serviço público, por meio de uma duríssima reforma administrativa contra os servidores.

Na verdade, estes empresários (que contam com um forte lobby no parlamento para aprovar suas iniciativas) não estão preocupados com os seus empregados nem com o conjunto de trabalhadores e trabalhadoras, e muito menos com os pobres e desvalidos do país. Eles estão pensando somente em si, no seu interesse e instinto de sobrevivência, diante de uma pandemia que mata aos milhares no Brasil, tendo inclusive ceifado a vida de alguns ricos.

É certo que os empresários sequer vão pagar pelas vacinas que venham a comprar, pois a grande maioria irá deduzir como despesas operacionais, no Imposto de Renda das suas empresas, as compras por elas realizadas, que poderão ser consideradas “necessárias à atividade da empresa”, pois supostamente serão aplicadas nos empregados para garantir o funcionamento do empreendimento.

 Assim, mesmo que a Câmara dos Deputados tenha retirado do texto a isenção tributária que constava no PL 948 (de autoria do deputado Hildo Rocha, do MDB/MA), quem irá pagar, na verdade, pelo privilégio de uns poucos, serão os trabalhadores e a população pobre, uma vez que o valor desembolsado poderá ser deduzido da arrecadação tributária, que deveria ingressar no Erário Público. Não há empresário bonzinho nesta estória!

Mais do que nunca, o momento dramático que vive o país exige responsabilidade, igualdade, justiça e solidariedade de todos os brasileiros, sem distinção e privilégios de classe social ou econômica, como preconiza a Constituição, cujos objetivos visam assegurar a todos os brasileiros o direito fundamental à dignidade da pessoa humana (princípio fundamental da República Federativa do Brasil).

Nesse passo, no grave estado de crise sanitária em que estamos mergulhados (em grande parte por incompetência exclusiva do governo federal), não há base constitucional para justificar que uns tenham acesso à vacina antes de todos, nas mesmas condições de faixa etária e estado de saúde. Menos ainda se pode aceitar que o Estado brasileiro permita que isto ocorra, como se fosse mera atividade comercial, na qual o Estado não tenha a obrigação de intervir.

A Constituição estabelece que “a saúde é direito de todos e dever do Estado, garantido mediante políticas sociais e econômicas que visem à redução do risco de doença e de outros agravos e ao acesso universal e igualitário às ações e serviços para a sua promoção, proteção e recuperação.”

 Como se pode inferir pela letra da nossa Carta Política, o direito fundamental e humano à saúde é dever do Estado e a Constituição garante o “acesso universal e igualitário para as ações e serviços para a sua (…) proteção”.

Ademais, a quantidade de vacinas disponíveis em relação ao número de pessoas ainda está muito abaixo das necessidades de toda a coletividade. Desta forma, não é razoável nem proporcional que o Estado permita que empresas adquiram vacinas para uso privado dos seus donos, familiares e empregados, sem respeitar a universalidade e a igualdade, para que possam se prevenir em relação aos demais brasileiros, muitos dos quais necessitam de atendimento prioritário em razão de serem portadores de doenças crônicas e com idade avançada; trata-se de medida inaceitável, ainda mais, frise-se, durante o estado de calamidade sanitária em que nos encontramos.

Infelizmente, o projeto aprovado na Câmara do Deputados e encaminhado ao Senado Federal incentiva e fomenta o egoísmo, que não encontra respaldo na Constituição brasileira, que entre os seus objetivos fundamentais veda toda e qualquer forma de “marginalização”.

Sendo assim, a compra de vacinas por empresas privadas, para uso exclusivo dos seus sócios e empregados, é a imposição de discriminação e marginalização dos demais brasileiros, que não poderão ter acesso à imunização, de acordo com os critérios de universalização e igualdade de condições, estabelecidos para a proteção do direito humano à saúde, que é de todos!

Por tais razões, entendo que é inconstitucional o malfadado projeto de lei, que somente semeará mais desigualdade na sociedade brasileira, no momento em que deveríamos contar com a união e solidariedade de todos e para todos, como determina a Constituição.


Jorge Folena – Advogado; diretor do Instituto dos Advogados Brasileiros; integra a coordenação do Movimento SOS Brasil Soberano/Senge-RJ.

Do francês Le Monde e do Jornal do Brasil e ConJur: Como os EUA usaram a Lava Jato de Curitiba para destruir a economia do país e afastar os líderes que fizeram o país crescer

 

Do Jornal do Brasil:


'Le Monde' mostra como os EUA usaram a lava jato para seus próprios fins

'Consultor Jurídico' revela dados impressionantes

Divulgação
Credit...Divulgação

O que começou como a "maior operação contra a corrupção do mundo" e degenerou no "maior escândalo judicial do planeta" na verdade não passou de uma estratégia bem-sucedida dos Estados Unidos para minar a autonomia geopolítica brasileira e acabar com a ameaça representada pelo crescimento de empresas que colocariam em risco seus próprios interesses.

A história foi resgatada em uma reportagem do jornal francês "Le Monde Diplomatique" deste sábado (11), assinada por Nicolas Bourcier e Gaspard Estrada, diretor-executivo do Observatório Político da América Latina e do Caribe (Opalc) da universidade Sciences Po de Paris.

Tudo começou em 2007, durante o governo de George W. Bush. As autoridades norte-americanas estavam incomodadas pela falta de cooperação dos diplomatas brasileiros com seu programa de combate ao terrorismo. O Itamaraty, na época, não estava disposto a embarcar na histeria dos EUA com o assunto.

Para contornar o desinteresse oficial, a embaixada dos EUA no Brasil passou a investir na tentativa de criar um grupo de experts locais, simpáticos aos seus interesses e dispostos a aprender seus métodos, "sem parecer peões" num jogo, segundo constava em um telegrama do embaixador Clifford Sobel a que o Le Monde teve acesso.

Assim, naquele ano, Sergio Moro foi convidado a participar de um encontro, financiado pelo departamento de estado dos EUA, seu órgão de relações exteriores. O convite foi aceito. Na ocasião, fez contato com diversos representantes do FBI, do Departament of Justice (DOJ) e do próprio Departamento de Estado dos EUA (equivalente ao Itamaraty).

Para aproveitar a dianteira obtida, os EUA foram além e criaram um posto de "conselheiro jurídico" na embaixada brasileira, que ficou a cargo de Karine Moreno-Taxman, especialista em combate à lavagem de dinheiro e ao terrorismo.

Por meio do "projeto Pontes", os EUA garantiram a disseminação de seus métodos, que consistem na criação de grupos de trabalho anticorrupção, aplicação de sua doutrina jurídica (principalmente o sistema de recompensa para as delações), e o compartilhamento "informal" de informações sobre os processos, ou seja, fora dos canais oficiais. Qualquer semelhança com a "lava jato" não é mera coincidência.

Em 2009, dois anos depois, Moreno-Taxman foi convidada a falar na conferência anual dos agentes da Polícia Federal brasileira, em Fortaleza. Diante de mais de 500 profissionais, a norte-americana ensinou os brasileiros a fazer o que os EUA queriam: "Em casos de corrupção, é preciso ir atrás do 'rei' de maneira sistemática e constante, para derrubá-lo."

"Para que o Judiciário possa condenar alguém por corrupção, é preciso que o povo odeie essa pessoa", afirmou depois, sendo mais explícita. "A sociedade deve sentir que ele realmente abusou de seu cargo e exigir sua condenação", completou, para não deixar dúvidas.

O nome do então presidente Lula não foi citado nenhuma vez, mas, segundo os autores da reportagem, estava na cabeça de todos os presentes: na época, o escândalo do "Mensalão" ocupava os noticiários do país.

Semente plantada
O PT não viu o monstro que estava sendo criado, prosseguem os autores. As autoridades estrangeiras, com destaque para um grupo anticorrupção da OCDE, amplamente influenciado pelos EUA, começaram a pressionar o país por leis mais duras de combate à corrupção.

Nesse contexto, Moro foi nomeado, em 2012, para integrar o gabinete de Rosa Weber, recém indicada para o Supremo Tribunal Federal. Oriunda da Justiça do Trabalho, a ministra precisava de auxiliares com expertise criminal para auxiliá-la no julgamento. Moro, então, foi um dos responsáveis pelo polêmico voto defendendo "flexibilizar" a necessidade de provas em casos de corrupção.

"Nos delitos de poder, quanto maior o poder ostentado pelo criminoso, maior a facilidade de esconder o ilícito. Esquemas velados, distribuição de documentos, aliciamento de testemunhas. Disso decorre a maior elasticidade na admissão da prova de acusação", afirmou a ministra em seu voto.

O precedente foi levado ao pé da letra pelo juiz e pelos procuradores da "lava jato" anos depois, para acusar e condenar o ex-presidente Lula no caso do tríplex.

Em 2013, a pressão internacional fez efeito, e o Congresso brasileiro começou a votar a lei anticorrupção. Para não fazer feio diante da comunidade internacional, os parlamentares acabaram incorporando mecanismos previstos no Foreign Corrupt Practices Act (FCPA), uma lei que permite que os EUA investiguem e punam fatos ocorridos em outros países. Para especialistas, ela é instrumento de exercício de poder econômico e político dos norte-americanos no mundo.

Em novembro daquele mesmo ano, o procurador geral adjunto do DOJ norte-americano, James Cole, anunciou que o chefe da unidade do FCPA viria imediatamente para o Brasil, com o intuito de "instruir procuradores brasileiros" sobre as aplicações do FCPA.

A nova norma preocupou juristas já na época. O Le Monde cita uma nota de Jones Day prevendo que a lei anticorrupção traria efeitos deletérios para a Justiça brasileira. Ele destacou o caráter "imprevisível e contraditório" da lei e a ausência de procedimentos de controle. Segundo o documento, "qualquer membro do Ministério Público pode abrir uma investigação em função de suas próprias convicções, com reduzidas possibilidades de ser impedido por uma autoridade superior".

Dilma Rousseff, já presidente à época, preferiu não dar razões para mais críticas ao seu governo, que só aumentavam, e sancionou a lei, apesar dos alertas.

Em 29 de janeiro de 2014, a lei entrou em vigor. Em 17 de março, o procurador-geral da República da época, Rodrigo Janot, chancelou a criação da "força-tarefa" da "lava jato". Desde seu surgimento, o grupo atraiu a atenção da imprensa, narra o jornal. "A orquestração das prisões e o ritmo da atuação do Ministério Público e de Moro transformaram a operação em uma verdadeira novela político-judicial sem precedentes", afirmam Bourcier e Estrada.

Lição aprendida
No mesmo momento, a administração de Barack Obama nos EUA dava mostras de seu trabalho para ampliar a aplicação do FCPA e aumentar a jurisdição dos EUA no mundo. Leslie Caldwell, procuradora-adjunta do DOJ, afirmou em uma palestra em novembro de 2014: "A luta contra a corrupção estrangeira não é um serviço que nós prestamos à comunidade internacional, mas sim uma medida de fiscalização necessária para proteger nossos próprios interesses em questões de segurança nacional e o das nossas empresas, para que sejam competitivas globalmente."

O que mais preocupava os EUA era a autonomia da política externa brasileira e a ascensão do país como uma potência econômica e geopolítica regional na América do Sul e na África, para onde as empreiteiras brasileiras Odebrecht, Camargo Corrêa e OAS começavam a expandir seus negócios (impulsionadas pelo plano de criação dos "campeões nacionais" patrocinado pelo BNDES, banco estatal de fomento empresarial).

"Se acrescentarmos a isso as relações entre Obama e Lula, que se deterioravam, e um aparelho do PT que desconfiava do vizinho norte-americano, podemos dizer que tivemos muito trabalho para endireitar os rumos", afirmou ao Le Monde um ex-membro do DOJ encarregado da relação com os latino-americanos.

A tarefa ficou ainda mais difícil depois que Edward Snowden mostrou que a NSA (agência de segurança dos EUA) espionava a presidente Dilma Rousseff e a Petrobras, o que esfriou ainda mais a relação entre Brasília e Washington.

Vários dispositivos de influência foram então ativados. Em 2015, os procuradores brasileiros, para dar mostras de boa vontade para com os norte-americanos, organizaram uma reunião secreta para colocá-los a par das investigações da "lava jato" no país.

Eles entregaram tudo o que os americanos precisavam para detonar os planos de autonomia geopolítica brasileiros, cobrando um preço vergonhoso: que parte do dinheiro recuperado pela aplicação do FCPA voltasse para o Brasil, especificamente para um fundo gerido pela própria "lava jato". Os americanos, obviamente, aceitaram a proposta.

A crise perfeita
Vendo seu apoio parlamentar derreter, em 2015 Dilma decidiu chamar Lula para compor seu governo, uma manobra derradeira para tentar salvar sua coalizão de governo, conforme classificou o jornal. Foi quando o escândalo explodiu: Moro autorizou a divulgação ilegal da interceptação ilegal de um telefonema entre Lula e Dilma, informando a Globo, no que veio a cimentar o clima político para a posterior deposição da presidente em um processo de impeachment. Moro, depois, pediu escusas pela série de ilegalidades, e o caso ficou por isso mesmo.

Os EUA estavam de olho nas turbulências. Leslie Backshies, chefe da unidade internacional do FBI e encarregada, a partir de 2014, de ajudar a "lava jato" no país, afirmou que "os agentes devem estar cientes de todas as ramificações políticas potenciais desses casos, de como casos de corrupção internacional podem ter efeitos importantes e influenciar as eleições e cenário econômico". "Além de conversas regulares de negócios, os supervisores do FBI se reúnem trimestralmente com os advogados do DoJ para revisar possíveis processos judiciais e
as possíveis consequências."

Assim, foi com conhecimento de causa que as autoridades norte-americanas celebraram acordo de "colaboração" com a Odebrecht, em 2016. O documento previa o reconhecimento de atos de corrupção não apenas no Brasil, mas em outros países nos quais a empresa tivesse negócios. Caso recusasse, a Odebrecht teria suas contas sequestradas, situação que excluiria o conglomerado do sistema financeiro internacional e poderia levar à falência. A Odebrecht aceitou a "colaboração".

A "lava jato" estava confiante de sua vantagem, apesar de ter ascendido sem a menor consideração pelas normas do Direito. "Quando Lula foi condenado por 'corrupção passiva e lavagem de dinheiro', em 12 de julho de 2017, poucos relatos jornalísticos explicaram que a condeação teve base em 'fatos indeterminados'", destacou o jornal.

Depois de condenar Lula e tirá-lo de jogo nas eleições de 2018, Sergio Moro colheu os louros de seu trabalho ao aceitar ser ministro da Justiça do novo presidente Jair Bolsonaro. Enquanto isso, os norte-americanos puderam se gabar de pôr fim aos esquemas de corrupção da Petrobras e da Odebrecht, junto com a capacidade de influência e projeção político-econômica brasileiras na América Latina e na África. Os procuradores da "lava jato" ficaram com o prêmio de administrar parte da multa imposta pelos EUA à Petrobras e à Odebrecht, na forma de fundações de Direito privado dirigida por eles próprios em parceria com a Transparência Internacional.

Conversão lucrativa
A recompensa que Sergio Moro escolheu para si também foi o início do fim de seu processo de canonização. Depois da eleição de Bolsonaro, veio à tona o escândalo da criação do fundo da Petrobras. O ministro Alexandre de Moraes frustrou os planos dos procuradores ao determinar a dissolução do fundo e direcionar o dinheiro para outras finalidades.

Em maio de 2019, o The Intercept Brasil começou a divulgar conversas de Telegram entre procuradores e Moro, hackeadas por Walter Delgatti e apreendidas pela Polícia Federal sob o comando do próprio Moro, enquanto ministro da Justiça. Elas mostram, entre outros escândalos, como Moro orientou os procuradores, e como estes últimos informaram os EUA e a Suíça sobre as investigações e combinaram a divisão do dinheiro.

Depois de pedir demissão do Ministério, Moro seguiu o mesmo caminho lucrativo de outros ex-agentes do DOJ e passou a trabalhar para o setor privado, valendo-se de seu conhecimento privilegiado sobre o sistema judiciário brasileiro em casos célebres para emitir consultorias, um posto normalmente bastante lucrativo. A Alvarez e Marsal, que o contratou, é administradora da recuperação judicial da Odebrecht.