sábado, 10 de maio de 2014

Quantos se manifestarão contra a pizza do mensalão tucano e outras tantas do partido de Aércio?






Leonardo Boff e a perenidade teimosa da Utopia e do sonho, apesar da "racionalização", do mecanicismo, do economicismo e do reducionismo simplista




O tempo das utopias mínimas viáveis


Leonardo Boff



Não é verdade que vivemos tempos pós-utópicos. Aceitar esta afirmação é mostrar uma representação reducionista do ser humano. Ele não é apenas um dado que está ai fechado, vivo e consciente, ao lado de outros seres. Ele é também um ser virtual. Esconde dentro de si virtualidades ilimitadas que podem irromper e concretizar-se. Ele é um ser de desejo, portador do princípio esperança (Bloch), permanentemente insatisfeito e sempre buscando novas coisas. No fundo, ele é um projeto infinito, à procura de um obscuro objeto que lhe seja adequado.
É desse transfundo virtual que nascem os sonhos, os pequenos e grandes projetos e as utopias mínimas e máximas. Sem elas o ser humano não veria sentido em sua vida e tudo seria cinzento. Uma sociedade sem uma utopia deixaria de ser sociedade, lhe faltaria um fator de coesão interna, um rumo definido pois afundaria no pântano dos interesses individuais ou corporativos. O que entrou em crise não são as utopias, mas certo tipo de utopia, as utopias maximalistas vindas do passado.
Os últimos séculos foram dominados por utopias maximalistas. A utopia iluminista que universalizaria o império da razão contra todos os tradicionalismos e autoritarismos. A utopia industrialista de transformar as sociedades com produtos tirados da natureza e da invenções técnicas. A utopia capitalista de levar progresso e riqueza para todo mundo. A utopia socialista de gerar sociedades igualitárias e sem classes. As utopias nacionalistas sob a forma do nazifascismo que, a partir de uma nação poderosa, de “raça pura”, redesenharia a humanidade, impondo-se a todo mundo. Atualmente a utopia da saúde total, gestando as condições higiênicas e medicinais que visam a imortalidade biológica ou o prolongamento da vida até a idade das céculas (cerca de 130 anos). A utopia de um único mundo globalizado sob a égide da economia de mercado e da democracia liberal. A utopia de ambientalistas radicais que sonham com uma Terra virgem e o ser humano totalmente integrado nela.
Essas são as utopias máximalistas. Propunham o máximo. Muitas deles foram impostas com violência ou geraram violência contra seus opositores. Temos hoje distância temporal suficiente para nos confirmar que estas utopias maximalistas frustraram o ser humano. Entraram em crise e perderam seu fascínio. Dai falarmos de tempos pós-utópicos. Mas o pós se refere a este tipo de utopia maximalista. Elas deixaram um rastro de decepção e de depressão, especialmente, a utopia da revolução absoluta dos anos 60-70 do século passado como a cultura hippy e seus derivados.
Mas a utopia permanece porque pertence ao ânimo humano. Hoje a busca se orienta pelas utopias minimalistas, aquelas que, no dizer de Paulo Freire, realizam o “possível viável” e fazem a sociedade “menos malvada e tornam menos difícil o amor”. Nota-se por todas as partes a urgência latente de utopias do simples melhoramento do mundo. Tudo o que nos entra pela muitas janelas de informação nos levam a sentir: assim como o mundo está não pode continuar. Mudar e se não der, ao menos melhorar.
Não pode continuar a absurda acumulação de riqueza como jamais houve na história (85 mais ricos possuem rendas correspondentes a 3,57 bilhões de pessoas, como denunciava a ONG Oxfam intermón em janeiro deste ano em Davos). Para esses, o sistema econômico-financeiro não está em crise; ao contrário, oferece chances de acumulação como nunca antes na história devastadora do capitalismo. Há que se pôr um freio à verocidade produtivista que assalta os bens e serviços da natureza em vista da acumulação, produz gases de efeito estufa que alimenta o aquecimento global. Se não for detido, poderá produzir um armagedon ecológico.
As utopias minimalistas, a bem da verdade, são aquelas que vêm sendo implementadas pelo governo atual do PT e seus aliados com base popular: garantir que o povo coma duas ou três vezes ao dia, pois o primeiro dever de um Estado é garantir a vida dos cidadãos; isso não é assistencialismo mas humanitarismo em grau zero. São os projeto “minha casa-minha vida”, “luz para todos”, o aumento significativo do salário mínimo, o “Prouni” que permite o acesso aos estudos superiores a estudantes socialmente menos favorecidos, os “pontos de cultura” e outros projetos populares que não cabe aqui elencar.
Na perspectiva das  grandes maiorias, são verdadeiras utopias mínimas viáveis: receber um salário que atenda as necessidades da família, ter acesso à saúde, mandar os filhos à escola, conseguir um transporte coletivo que não lhe tire tanto tempo de vida, contar com serviços sanitários básicos, dispor de lugares de lazer e de cultura e com uma aposentadoria digna para enfrentar os achaques da velhice.
A consecução destas utopias mínimas  cria a base para utopias mais altas: que tenhamos uma verdadeira democracia participativa de base popular, aspirar que os povos se abracem na fraternidade, que não se guerreiem, se unam todos para preservar este pequeno e belo planeta Terra, sem o qual nenhuma utopia máxima ou mínima pode ser projetada. O primeiro ofício do ser humano é viver livre de necessidades e gozar um pouco do reino da liberdade. E por fim poder dizer: “valeu a pena”.
Leonardo Boff escreveu: Virtudes para um outro mundo possivel, 3 vol. Vozes 2005.

domingo, 4 de maio de 2014

Luis Nassif: "Papa Francisco, o Estadista Contemporâneo"



Texto de Luis Nassif

O fracasso do neoliberalismo trouxe de volta um fenômeno paradoxal no Brasil, mas especialmente na Europa. Morreu o velho antes do novo ter nascido.
Discussões sobre ser de esquerda ou direita - que se julgavam mortas desde a queda do muro de Berlim -, voltaram a se tornar recorrentes.
Historicamente, dizia-se que políticas sociais inclusivas pertenciam ao terreno das esquerdas; a busca da eficiência do capital seriam atributos da direita; a defesa dos direitos civis, da esquerda; dos direitos individuais, da direita.
Um século de conflitos, de embates, de experiências trágicas algumas, relativamente bem sucedidas outras, embaralharam o meio de campo.
O que é ser de direita ou esquerda?
No início de toda religião, de ideologias, de estratégias de poder, de construção de partidos políticos, há a busca de princípios legitimadores.
Poderão ser valores humanistas (como os dos fundadores da Revolução Francesa, norte-americana e das grandes religiões), poderá ser um nacionalismo exacerbado da Europa dos anos 30.
A partir dos princípios desenham-se os objetivos. E os objetivos exigem organizações e fórmulas para serem atingidos. Nas democracias, o instrumento de transformação são os partidos políticos.
Um princípio básico das democracias é o da melhoria da vida da população (especialmente dos eleitores).
O populista propõe políticas que tragam benefícios diretos à população. O neoliberal promete uma suposta busca da eficiência do capital que, por tabela, trará o bem estar social.
É quando os princípios tornam-se ideologias, que são apropriadas por organizações religiosas, políticas, por meios de comunicação de massa ou organizações sociais.
Com o tempo, mesmo imbuídas dos melhores princípios, as organizações ganham vida própria, montam suas burocracias, alianças e desenvolvem interesses próprios que vão gradativamente se sobrepondo aos princípios fundadores.
Na origem da humanidade, as religiões significaram um salto civilizatório, trazendo os princípios do respeito à vida, à coexistência pacífica, aos valores espirituais. Com o tempo criaram burocracias responsáveis por alguns dos maiores crimes da humanidade.
Como elas, partidos envelhecem e voltam-se para dentro de seus próprios interesses, diluindo os princípios fundadores.
É por isso que a democracia tornou-se o regime mais representativo do século, por permitir a alternância do poder.
Globalmente, no entanto, há uma crise de representatividade dos partidos políticos, dos sistemas de governo, das ideologias. Nem situação nem oposição conseguem representar o novo.
Daí a importância das figuras referenciais, aquelas que se movem por princípios.
Lamenta-se a falta de estadistas referenciais no mundo.
De minha parte, tenho meu candidato a estadista do momento: é o Papa Francisco.
Ao recuperar princípios esquecidos não apenas pela Igreja como pelos grandes governantes mundiais, o Papa poderá ter um papel transformador tão relevante quanto o de João 23.
Ontem, quando a Comissão de Justiça e Paz da Arquidiocese de São Paulo emitiu uma nota de apoio à Parada Gay – superando o obscurantismo de dom Odilo Scherer – deu para acreditar que princípios são forças capazes de mover montanhas e arejar o mofo de organizações seculares.
Fonte: http://jornalggn.com.br/luisnassif

Liberdade de Imprensa ou Monopólio de Famílias Comprometidas com seus próprios Interesses Político-Elitistas?



Segue texto de Hugo Lapa sobre as seis grandes famílias que moldam as notícias na grande mídia de acordo com seus interesses:

  No Brasil não há liberdade de imprensa, o que há é um monopólio de grandes corporações midiáticas que visam o lucro irrestrito.

  Poucas famílias dominam 80% das comunicações no Brasil, os Marinho (Globo), os Civita (Editora Abril e Revista Veja), os Saad (Band), os Frias (Folha de SP), dentre outros poucos. Esses magnatas da mídia há muito controlam o Brasil, pautam as discussões, formam opiniões, influenciam em eleições e decisões políticas, tiram ministros e já depuseram até um presidente.

   No entanto, eles têm seus interesses e preferências políticas. Ninguém é tão ingênuo a ponto de crer que eles sejam imparciais e respeitem a liberdade do povo brasileiro de exercer sua cidadania de forma livre e democrática. Eles têm seus partidos e candidatos prediletos e procuram de todas as formas transmitir informações, exaltando seus candidatos e políticos quando necessário e os protegendo de informações nocivas a imagem destes políticos aliados omitindo informações negativas sobre eles. Fazem uma cobertura intensa criticando seus desafetos e abafam as críticas e os erros de seus políticos preferidos. Os magnatas da mídia divulgam aquilo que querem e omitem aquilo que não querem que ninguém saiba. Caso um jornalista escreva algo em seu veículo de mídia que os desagrade, esse jornalista é demitido e outro (mais afeito aos ideais dos donos do veículo) entra em sua vaga.

  Como boa parte da população só consegue informações sobre a política nacional lendo seus veículos (jornais impressos e eletrônicos; canais de TV e rádio), eles tem poder de induzir as pessoas e acreditarem nas ideias deles mesmos (dos donos da mídia).

  Grandes veículos recebem verdadeiras fortunas de mega corporações brasileiras e estrangeiras, e por esse motivo, fazem de tudo para não sujar a imagem dessas empresas na mídia. Além disso, a grande imprensa tem a missão de proteger os interesses dessas mesmas empresas, que visam tão somente o lucro e o poder. 
  
  
  Grandes corporações tem muito mais voz na mídia e na imprensa do que o povo em geral, os movimentos sociais, as ONGs, os sindicatos, as associações populares, as lideranças de base, ou qualquer movimento que represente a população. A diversidade das forças sociais, em suas diferentes camadas, não está representada nos grandes veículos. Boa parte da população não encontra nessas mídias nenhum tipo de participação. Apenas os interesses patronais dessas megacorporações milionárias tem voz na grande imprensa.

  Então, por que eles defendem tanto a liberdade de imprensa? Eles desejam assegurar seu monopólio, seu poder de influenciar a população. Mas todos precisam saber que liberdade de imprensa é apenas a liberdade do dono da imprensa. O proprietário do meio de comunicação tem toda a liberdade de expor as suas ideias nas matérias jornalísticas. Mas e aqueles que não são donos de nenhum veículo, que liberdade eles têm? Será que sua voz e suas ideias estão ali expressas nos grandes veículos? Não estão.

  O que chamam de liberdade de imprensa é tão somente a liberdade de poucos em detrimento da liberdade de muitos. O todo poderoso é o dono da mídia, o ricaço que está no topo e que define toda a linha editorial a ser seguida por toda a empresa de comunicação. Se algum jornalista escreve algo que se desvia dessa linha editorial, ele pode ser advertido ou demitido. Um jornalista que trabalha, por exemplo, na Rede Globo, sabe que não pode propagar ideias em sua coluna que estejam em desacordo com a linha editorial previamente determinada pelo dono da Globo, no caso a família Marinho.

  A Rede Globo é o maior exemplo disso: já participou de fraude em eleições, já produziu edições jornalísticas tendenciosas que mudaram os rumos de candidaturas presidenciais, já conseguiram colocar e retirar presidentes eleitos e ministros de Estado mobilizando a opinião pública contra eles.

  É isso que desejamos para o Brasil, um monopólio de apenas algumas famílias que mandam e desmandam em nosso país? O povo brasileiro pode mudar esse estado de coisas, mas para isso precisa se mobilizar contra o poder e o monopólio dessas famílias, e lutar pela democratização da mídia e contra esses monopólios, que já dominam o Brasil há décadas.

Observação: 
A Sugestão Subliminar da Rede Globo: Veja-se que o Brasil ai abaixo está escrito de forma que o cérebro pode interpretar o "S" como um "5", logo o "4" no lugar do "a" forma o 45.... E todos sabem qual é o partido da Rede Globo...


Segue, agora um video onde o Professor e jornalista Igor Fuser discute o papel de uma imprensa que se transforma em veículo de manipulação mercantil e político:


sábado, 3 de maio de 2014

Os coxinhas, a mídia golpista e o déficit de civilização no Brasil educado pela Globo




 Atualmente o coxinha representa uma parcela da população que se veste igual, pensa igual, compra as mesmas coisas e emite o mesmo tipo de opinião, estabelecendo parâmetros de riqueza e status sobre coisas chamadas “chics”. Na falta crônica de personalidade (ou no excesso dela), o coxinha busca em marcas, celebridades e ideologias a sua forma de expressão mais segura. O problema do coxinha crônico é que tudo o que não faz parte do seu mundinho de margarina é nocivo e reprovável. Devidamente rotulado, encaixado dentro de um nicho social confortável, o resto do mundo não serve pra ele.

Valter Nascimento in  "O Apocalipse Coxinha"

Segue adiante importante texto de Luiz Gonzaga Belluzo



Da Carta Capital

Quando as opiniões são bloqueadas pela intimidação, o debate escapa às normas da razão e pode ser manipulado

por Luiz Gonzaga Belluzzo


 Em sua coluna na Folha de S.Paulo, o jornalista Clóvis Rossi acusou a emergência de um perigoso déficit de civilização na vida brasileira. Enquanto se discute o tamanho do superávit primário, os ganhos seculares do doloroso e secular processo civilizador se transformam em pesados prejuízos na Terra de Santa Cruz. Não há sucesso econômico que possa contrabalançar os déficits de civilidade.

 Há que ressalvar os resistentes nas barricadas do projeto humano nascido na idade do Esclarecimento. São brasileiros que ainda apresentam sintomas da sobrevivência em seus espíritos do DNA do processo civilizador e dos valores que a sociedade moderna pretexta ostentar. Muitos arriscam a pele e ousam escrever para as seções de Cartas ao Leitor ou cometem a imprudência de comentar nos blogs os comentários dos fanáticos. Quase sempre, os ululantes retrucaram com as armas do preconceito, da intolerância e da apologia da violência, seja ela física, seja ela moral.  Entre as vítimas, sucumbe a última flor do Lácio, inculta e bela.
Alguém já dizia que há método na loucura, mas, no Brasil do Terceiro Milênio, a democratização da grosseria empenha-se em aperfeiçoar a metodologia da brutalidade. Expressões como “idiotas politicamente corretos”, “elite vagabunda” poucas vezes foram utilizadas com tanta liberalidade. A generosa distribuição de adjetivos não raro é acompanhada de exaltadas conclamações para o retorno dos militares ou sugestões para que os calabouços voltem a abrigar os adversários. 

 Peço licença aos leitores para repetir o que já escrevi nesta coluna: os estudiosos do totalitarismo sabem que a “autovitimização” da “boa sociedade” e a inculpação do “outro” foram métodos eficientes para a conquista do poder absoluto. Vejo nos blogs: os mais furiosos se apresentam como paladinos dos “humanos direitos”, em contraposição aos defensores dos “direitos humanos”. Fico a imaginar como seria a vida dos humanos direitos na moderna sociedade capitalista de massas, crivada de conflitos e contradições, sem as instituições que garantam os direitos civis, sociais e econômicos conquistados a duras penas. A possibilidade da realização desse pesadelo, um tropismo da anarquia de massas, tornaria o Gulag e o Holocausto um ensaio de amadores.

 Hannah Arendt em As Origens do Totalitarismo abordou as transformações sociais e políticas na era do capitalismo tardio e da sociedade de massas. A economia dos monopólios promoveu a substituição da empresa individual pela coletivização da propriedade privada e, ao mesmo tempo, a “individualização do trabalho”, engendrada pelas novas modalidades tecnológicas e organizacionais da grande empresa. A isso juntou-se a conversão ao regime salarial das profissões outrora conhecidas como liberais. A operação impessoal das forças econômicas produziu, em simultâneo, o declínio do homem público e a ascensão do “homem massa, cuja principal característica não é a brutalidade ou a rudeza, mas o seu isolamento e a sua falta de relações sociais normais”.
Trata-se da abolição do sentimento de pertinência, sem a supressão das relações de dominação.  “As massas surgiram dos fragmentos da sociedade atomizada, cujas estrutura competitiva e concomitante solidão do indivíduo eram controladas quando se pertencia a uma classe. O fato de que o ‘pecado original’ da acumulação primitiva de capital tenha requerido novos pecados para manter o sistema em funcionamento foi eficaz para persuadir a burguesia alemã a abandonar as coibições da tradição ocidental... Foi esse fato que a levou a tirar a máscara da hipocrisia e a confessar abertamente seu parentesco com a escória.” A escória, na visão de Arendt, não tem a ver com a situação econômica e educacional dos indivíduos, “pois até os indivíduos altamente cultos se sentiam particularmente atraídos pelos movimentos da ralé”.
 
Hannah Arendt escreveu sobre o totalitarismo no século XX e ressaltou a importância da esfera pública onde se formam os consensos pelo livre debate de ideias. O único remédio contra o mau uso do poder público pelos indivíduos privados está na constituição de um espaço público capaz de avaliar os procedimentos de cada cidadão, submetendo todos os indivíduos à visibilidade. Quando as opiniões são bloqueadas pela intimidação e desqualificação sistemáticas, a meritocracia das ideias sofre um grave dano e o debate democrático escapa às normas da razão e pode ser manipulado.

quinta-feira, 1 de maio de 2014

Luciano Huck, o coxinha oportunista e a pretensa crítica ao racismo

Para os coxinhas, o que vale é o lucro consumista e as aparências, nada mais... Quantos destes coxinhas realmente respeitam negros? Quantos não rejeitam programas sociais?







quarta-feira, 30 de abril de 2014

O "incriticável" imperador Joaquim Barbosa e o Reino perfeito do STF




Segue texto extremamente lúcido de Fernando Brito e, após, um pequeno vídeo de Paulo Henrique Amorim:


O doutor Joaquim Barbosa divulgou nota ontem para dizer que a “ desqualificação do Supremo Tribunal Federal, pilar essencial da democracia brasileira, é um fato grave que merece o mais veemente repúdio”.
Por que, Dr. Joaquim?
Lula não é um chefe de Poder e , quando era, jamais desqualificou qualquer decisão judicial, o que, sim, seria digno de reação do Judiciário.
Não fez como o senhor (e com alguma razão, reconheço) que na presidência de um poder da República, desqualificou os outros dois poderes, ao dizer que “o problema crucial brasileiro, a debilidade mais grave do Congresso brasileiro é que ele é inteiramente dominado pelo Poder Executivo” e que o Legislativo não representava o povo.
Lula é um cidadão comum e  um cidadão comum  pode criticar duramente e até desqualificar um Supremo Tribunal Federal em que o presidente admite publicamente ter quantificado uma pena só para que o condenado não tivesse acesso ao regime semi-aberto, ou que diz que um de seus pares tem “capangas” e não dá sequencia a esta acusação.
Ou que desmembra um processo, para que determinados fatos não entrem num julgamento, ou que lança suspeitas sobre os que lhe divergem, como foi feito com os ministros Ricardo Lewandowski e Luís Alberto Barroso.
É curioso que o senhor diga que Lula tem “dificuldade em compreender o extraordinário papel reservado a um Judiciário independente em uma democracia verdadeiramente digna desse nome”.
Talvez seja o senhor quem tenha dificuldade em compreender que, numa democracia digna deste nome, poder ou mandatário algum seja incriticável.
Obediência à decisão judicial não obriga a concordar com ela ou elogiar, simples assim.
As cortes supremas, Excelência, são cortes políticas, sem que isso as desobrigue de serem técnicas.
É assim em todo o mundo, uma vez que elas são, inclusive, compostas por indicações políticas dos demais poderes.
Nos próprios EUA os governos assumem claramente que fazem estas indicações para tornar a Suprema Corte politicamente mais liberal ou conservadora.
Aliás, a sua própria indicação para Ministro do Supremo foi política: aquele cidadão que tem “dificuldades em compreender” compreendeu a importância de termos um negro na instância mais alta do Judiciário.
E que evidencia a independência com que tratou este poder no fato de que vários de seus indicados -entre eles o senhor – nunca se sentiram obrigados a julgar por “herança” desta indicação.
Aliás, se desejar, Lula pode usar o senhor como prova de como reconheceu a independência do Judiciário.
Ele poderia perfeitamente dizer, sem faltar em um pingo à verdade:
- Veja só o caso deste Joaquim Barbosa. Não era um jurista conhecido nacionalmente, nem eu tinha relações pessoais com ele, mas achei importante a simbologia de termos um Ministro negro. Uma parcela importante dos brasileiros é negra e achei que seria um avanço que tivéssemos um brasileiro negro no Supremo. 
Isto não é político, Dr. Joaquim, no melhor sentido que se possa dar à palavra?
Mas o senhor não se vexa em atacar a inteligência de Lula, falando de sua “dificuldade em compreender”.
Talvez, quem sabe, baseado no fato de ele o ter indicado para o STF.
Pode ser, afinal, que o senhor, Dr. joaquim, tenha razão.



segunda-feira, 28 de abril de 2014

O pensamento fascista e golpista da direita elitista coxinha na ironia de Marcelo Adnet



Apesar da ironia realista, infelizmente o video, feito há quase quatro anos, é atual e se mostrou profético.... Marcelo Adnet soube expressar a mentalidade golpista e alienadora da direita brasileira:



domingo, 27 de abril de 2014

O suspeito assassinato do torturador militar da ditadura, Coronel Paulo Malhães





Segue texto de Fernando Brito:


O assassinato de Malhães e o “nunca mais”. Nunca mais, mesmo?


O assassinato do coronel Paulo Malhães, que há um mês confessou uma série da assassinatos cometidos por ele e por outros durante a ditadura, embora possa ter sido simples coincidência, não parece ser apenas uma terrível casualidade.

Há vários elementos que permitem pensar nesta linha, mas este não é um blog policial, para entrar nesse debate, mesmo que a permanência de assaltantes numa simples casa de sítio por longas nove horas tenha o significado óbvio de que estavam procurando algo que ia além de jóias, dinheiro, armas ou eletrodomésticos.

Mais importante é uma reflexão sobre o lado político tenebroso que esta possibilidade abre.
Não é algo que se possa deixar, exclusivamente, nas mãos de um delegado de polícia. Não se pode correr o risco de uma insuficiência, ou de cumplicidades ou mesmo de incompreensão da gravidade do que isso pode, no limite, representar.

Que as associações criminosas formadas no mundo da repressão política ainda sobrevivam, com conexões que lhes permitam “agir” quando se vêem ameaçadas de serem reveladas.
http://ativismo.anistia.org.br/50dias/?source=banner_home
Lembremo-nos que se trata de pessoas que, mais de uma vez, não hesitaram em matar e ainda forjar cenas e situações que encobrissem as responsabilidades pelos assassinatos.

A recusa do Supremo Tribunal Federal em permitir a abertura das investigações sobre os crimes da ditadura estendeu um manto de impunidade sobre os que a praticaram.

É inacreditável que a mais alta Corte deste país, indiretamente, possa ser cúmplice deste tipo de “eliminação” da memória nacional.

O desejo de que nunca mais vivamos assassinatos políticos passa, necessariamente, pelo fato de que assassinatos políticos – que dizem respeito a toda a sociedade – jamais possam ficar ocultos, como têm permitido as decisões do Supremo.

Porque é nas sombras que este tipo de fantasma sobrevive.

Fonte: Tijolaço.com

segunda-feira, 21 de abril de 2014

Caio Fábio fala sobre o Papa Francisco e sua qualidade humana e espiritual



O senhor Caio Fábio de Araújo Filho é um dos poquíssimos líderes evangélicos (e hoje ele  diz que deixou de ser evangélico, diante de tantos falsos-pastores fundamentalistas, para pregar o Evangelho) que eu respeito... Sugiro que vejam este vídeo onde ele fala muito bem sobre o Papa Francisco:




domingo, 20 de abril de 2014

A Contraofensiva orquestrada da direita na América Latina, segundo o escritor Nils Castro



Extraído do Opera Mundi


  Um dos grandes estudiosos dos movimentos sociais na América Latina, o escritor panamenho Nils Castro, afirmou que se preocupa com aquilo que classifica como "contraofensiva" de grupos conservadores aos dirigentes de esquerda latino-americanos. Processo que, segundo o intelectual, pode prejudicar os avanços sociais conquistados nos últimos anos. Em entrevista a Opera Mundi, o autor de As esquerdas latino-americanas em tempos de criar fala em "manobras de desestabilização da direita" no processo.


   “Nem a direita nem o imperialismo vão ficar quietos frente ao progresso social e à ascensão social das pessoas. Não podemos esquecer que eles ainda são fortes. Tem a mídia, os meios, o dinheiro. Mas, como eles são minoria, eles precisam desestabilizar primeiro para fracionar o movimento popular que conquistou históricas reformas sociais na América Latina", argumentou.

    Quando Castro fala em desestabilização, ele se refere à criação e promoção de crises que "criam um clima de insatisfação social que coloca a população contra os dirigentes progressistas". No entanto, perguntado se o Panamá funciona hoje como uma nova matriz de desestabilização da integração latino-americana, Castro descarta que o país possa influenciar ou agir com tal magnitude. Ele acredita, porém, que a esquerda no geral deve ficar atenta a um processo histórico que se "inicia com a desestabilização e culmina com deposições e golpes".

   "Antes de invasão norte-americana ao Panáma que destruiu nosso processo de liberação nacional, nós sofremos com muita desestabilização financiada pela direita. Foi uma forma de ir quebrando as pernas do processo democrático nacional antes de dar o golpe final. Quando 20 mil soldados da melhor infantaria norte-americana desembarcaram em nosso país, a nossa luta já estava enfraquecida com desestabilizaão social e econômica. Esses movimentos foram só um prefácio de algo pior que vem depois, que é um golpe. Por isso é preciso ficar atento", argumenta sobre as ações conservadores na América Latina.

   Durante participação no Foro de São Paulo, Nils Castro também defendeu que a "América Latina tem uma rica diversidade de processos nacionais e socioculturais que é preciso compreender e somá-los sem restringir as forças da pluralidade de seus integrantes", disse em referência a toda a variedade de povo e culturas constantemente oprimidos no continente.

   O escritor também falou da importância da juventude para a renovação da esquerda. "Escrevi meu livro para os jovens. Eles precisam conhecer o motivo da nossa luta, mas de uma forma que eles possam entender. Hoje escrevo como se quisesse que meus netos pudessem ler", disse.

http://operamundi.uol.com.br/conteudo/noticias/30389/direita+precisa+desestabilizar+a+america+latina+pois+eles+sao+minoria+diz+nils+castro+.shtm

O helicóptero que veio do pó e que, blindado pela mídia e setores conservadores, discretamente ao pó voltará



Segue texto de Miguel do Rosário, extraído do blog Tijolaço


Essa vai para o mais longo seriado político da vida brasileira: “Os intocáveis”. 
Aliás, espero que um dia, quando tivermos mais canais de tv nacionais com autonomia para produzir ficção de verdade, não comprometida com os clichês de sempre, alguém possa contar a história de um partido cujos membros e aliados podiam fazer tudo; nunca são pegos. Procuradores guardariam processos em “gaveta errada”, sem que ninguém na imprensa fizesse uma campanha contra esse tipo de desculpa esfarrapada. Procuradores tentariam livrar a cara de quem foi pego transportando meia tonelada de cocaína num helicóptero. Para cada escândalo petista que ocupa 10 minutos no Jornal Nacional, 20 páginas na revista Época, edição especial do Fantástico, há uns 30 escândalos tucanos abafados pelos mesmos meios de comunicação.
Aqui é assim. André Vargas faz uma viagem no jatinho do doleiro e vira manchete por semanas a fio nos grandes jornais e na TV. A polícia flagra um helicóptero, pertencente a um senador da república que é um dos maiores aliados de Aécio Neves, com meia tonelada de pó, e jornalões fazem de tudo para acobertar o caso. Dão matérias discretas no miolo, apenas para constar, e jogam rapidamente a história para debaixo do tapete. Não há nenhuma pressão sobre o Judiciário para julgar o caso com dureza, nem para que a investigação se aprofunde.
O caso sequer é explorado pelos humoristas da grande mídia. Imagine se o helicóptero pertencesse a um senador da base aliado cheio de fotos íntimas com Lula ou Dilma?
Vale fazer uma paródia com aquela citação bíblica: o helicóptero veio do pó, e ao pó voltará.
*
joaquim
O amigo leitor ficou intrigado com a rapidez com que o senador Zezé Perrela e a seu filho deputado Gustavo – donos do helicóptero apreendido com quase meia tonelada de cocaína – foram descartados da investigação?
A distinta leitora ficou perplexa com a rapidez com que soltaram os homens presos em flagrante num esquema de tráfico internacional e nesta escala?
Pois você vão ficar muito mais impressionados com a notícia de que até o processo criminal sobre o caso corre o risco de ser anulado.
A história escabrosa foi publicada não por um grande jornal, ou por uma revista semanal destas que são capazes de descrever o que não viram e reproduzir o que não ouviram.

Quem narra, e com farta documentação, é o repórter Joaquim de Carvalho, do Diário do Centro do Mundo,  que revela que um conflito no MP faz surgir a suspeita de que a ação policial possa ter sido feita a partir de escutas ilegais, sem que se saiba a razão que levou a Polícia Federal a se mobilizar numa operação assim.
Ou, por outro lado, pode ser esta uma falsa versão, levantada por um promotor interessado em “melar” a operação e a fazer com que os envolvidos saiam livres de tudo.
Como a imprensa brasileira, neste caso e em qualquer outro que mexa com interesses dos seus prediletos, não apura, não deixe de ler a reportagem de Joaquim de Carvalho, um ótimo trabalho do DCM, financiado pelos seus leitores.

Procurador da República vê indícios de farsa
na investigação do helicóptero dos Perrellas



 O processo que os servidores da Justiça Federal do Espírito Santo apelidaram de “Helicoca” nasceu do inquérito policial número 666/2013, aberto no dia 25 de novembro de 2013 e encerrado em 17 de janeiro de 2014. Em 53 dias, os policiais interrogaram 17 pessoas, entre eles os quatro presos em flagrante, e juntaram 44 documentos.
Mas aquela que é até agora a prova mais interessante do crime não é encontrada no inquérito, mas no YouTube. Trata-se de um vídeo de quase 13 minutos, em que um agente da Polícia Federal registra toda a ação.
O DCM teve acesso ao processo sigiloso em que o Ministério Público Federal diz que a investigação da “Helicoca” começou com uma farsa.
O vídeo da apreensão tem início quando desponta no céu da zona rural de Afonso Cláudio, no interior do Espírito Santo, o helicóptero cor de berinjela com faixa dourada e o prefixo GZP – G de Gustavo, Z de Zezé e P de Perrella, as iniciais de seus proprietários, o deputado estadual Gustavo Perrella, do Solidariedade, e o senador Zezé Perrella, do PDT, pai e filho.
É fim da tarde de domingo, 24 de novembro. A câmera é operada por um homem escondido atrás de um pé de café. O ronco do motor e o barulho da hélice não encobrem a fala do policial, que tem forte sotaque carioca e se comunica por rádio com equipes a postos para o flagrante.
As imagens, feitas de longe, são tremidas, o que mostra a falta de um apoio, um tripé. Aparece um carro branco, com porta-malas aberto, e mais duas pessoas, um de camisa rosa, que mais tarde seria identificado como o empresário Robson Ferreira Dias, do Rio de Janeiro, e outro de camisa verde clara, mais tarde identificado como Everaldo Lopes Souza, um sujeito simples, que se diz jardineiro, ligado a um empresário de Vitória, Élio Rodrigues, dono da propriedade onde a aeronave deveria ter pousado. Na última hora, o helicóptero acabou descendo na propriedade vizinha, que não é cercada.
A três minutos e quarenta segundos, o policial narra:
– Estão tirando a droga. O piloto correu para pegar o combustível e eles estão colocando a droga dentro do carro. O motor não foi cortado, o motor da aeronave não foi cortado. Estão carregando a droga na mala do carro, o motor não foi cortado, o copiloto foi buscar os galões. Cadê o helicóptero da PM?
A câmera volta para o plano aberto e fecha de novo na cena, muito tremida.
– São vários sacos pretos. Tem muita coisa, galera, muita coisa… vários sacos pretos. Eu acho que o piloto cortou… cortou o motor! Um segundo…Negativo, o piloto não cortou o motor… está descarregando a droga, e está começando a abastecer o primeiro galão.
Alguns segundos depois, avisa, triunfante:
– Positivo! Positivo! Cortou o motor, o helicóptero cortou o motor! Vamos lá, galera, pode ir. Quem conseguir pode ir. Vamos lá, tenente! Pode ir, Serra (com a pronúncia fechada, Sêrra). Eles estão abastecendo. Tem que ser rápido, tem que ir rápido!
Já são 7 minutos de gravação, a hélice para. Mais tarde, as imagens mostram três homens carregando a droga para o porta-malas do carro. Um deles está de camisa branca, que não aparece nas imagens anteriores. É Rogério Almeida Antunes, o piloto do senador Zezé Perrella e do deputado Gustavo Perrella. O outro piloto, Alexandre José de Oliveira Júnior, de camisa preta, não aparece nesta imagem. Ele se afastou para pegar mais combustível.
Imagens tremidas mostram a mata. Ouve-se chiado no rádio. Quando a câmera volta para a cena principal, mostra os acusados de tráfico com as mãos na cabeça, se abaixando. Tudo muito tranquilo.
– Positivo, positivo! Estão todos eles dominados. Vamos embora, tenente. Adianta o pessoal para dar apoio lá. Dominados lá os vagabundos. Parabéns, equipe, parabéns. Iurruuuuú. O show tá doido, maluco! DRE te pega, parceiro!
DRE é a sigla de Delegacia de Repressão a Entorpecentes, órgão da Polícia Federal. A câmera é desligada e volta com a imagem da droga no porta-malas e no banco traseiro do carro.
O vídeo foi apresentado à Justiça pelo procurador da República Fernando Amorim Lavieri como indício de crime. Não o de tráfico, demonstrado no inquérito, mas de fraude processual e falso testemunho. Nesse caso, os criminosos seriam os policiais que fizeram a prisão.
Na denúncia que transforma os policiais de caçadores em caça, o procurador Lavieri diz que desde o início desconfiou da versão da polícia para o flagrante. E procurou o responsável pelo inquérito, delegado Leonardo Damasceno, em busca de esclarecimento, quando teria ouvido a versão de que o flagrante era, na verdade, resultante de uma interceptação telefônica realizada em São Paulo.
O procurador também conversou com um agente da PF, Rafael Pacheco, que teria confirmado a versão do delegado Damasceno e acrescentado que, em São Paulo, a Justiça e o Ministério Público, “sensíveis ao flagelo do tráfico”, teriam autorizado interceptações telefônicas abrangentes, criando uma verdadeira “grampolândia”, daí resultando na apreensão da droga no helicóptero de Perrella.
Como os dois negaram na Justiça a versão de Lavieri, o procurador pediu afastamento do caso e se colocou na condição de testemunha do processo. Um testemunho que só serve como argumento para a defesa pedir a anulação do processo, como de fato já pediu.
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