Continuação
A questão do uso do conceito do inconsciente, próprio da Psicanálise a partir de Freud, por Quevedo tem sido tema de discussões nas salas e corredores das faculdades de Psicologia, já que este parece ser tudo, menos o inconsciente psicanalítico de Freud ou Jung. Na verdade, como bem falam os psicanalistas, o uso do termo inconsciente por algumas pessoas lembram mais o uso de um conceito vago para explicar coisas de que não se sabe nada. Ademais, é problemático se substantivar o "inconsciente", bem como o "consciente". Não existe um objeto espacial, físico, chamado "inconsciente", nem um que seja "consciente". Sabemos que áreas no cérebro que são ligadas à funções fisiológicas precisas, mas uma área específica da memória e do pensamento parece ser difícil de ser encontrada. O que existem são processos de memória, processos de pensamentos, processos conscientes e processos inconscientes, assim como uma música é um processo que está acima das notas musicais tomadas por si.
Mas "o" inconsciente tem sido algo estranho na teorias de alguns "experts". E prova de que isto pode se aplicar ao "parapsicólogo" jesuíta vem destas palavras que ele costumava usar na abertura de suas palestras: - Eu chamo de inconsciente a tudo aquilo que a psicologia, a psiquiatria e a psicanálise chamam de inconsciente inconsciente, o que é o mesmo de dizer, como alguma ornamentação retórica, que existe um preto escuro ou que o branco é claro. E aos que têm algum conhecimento da área, fica a impressão de que o padre não tenha de fato falado nada (pois que se o inconsciente é justamente inconsciente por não termos consciência dele, como é que pode ser ainda mais inconsciente do que já é?) E apesar do silêncio que geralmente reina após estas primeiras palavras, percebemos que realmente ninguém entendeu nada, ou, então, aparenta-se ter entendido o nada que foi expresso. Restaria aos psicólogos, psiquiátras ou estudantes de psicologia, então, se manifestarem e perguntar a qual escola de psicologia, de psiquiatria ou de psicanálise o conferencista está se referindo, mas quase sempre ninguém pergunta (e nas poucas vezes em que isso ocorre geralmente o expositor se sente muito incomodado e ofendido, como nos fala o médico Guaracy Lourenço da Costa em seu artigo sobre um curso ministrado pelo Pe. Quevedo), todos se conformam, aguardando pelo resto da exposição "científica". Aliás, convém lembrar que Freud era crítico severo da Igreja. Esta, aliás, foi extremamente rude com as teorias de Freud, como podemos ver por esta passagem de Allers, citada pelo psiquiatra Dr. Alberto Lyra em seu excelente e não-Quevediano livro "Parapsicologia, Psiquiatria e Religião":
"Não pode aceitar o freudismo nem como psicologia, tão impregnado está de filosofia materialista e hedonista, sendo portanto muito perigoso para o cristão qualquer contato teórico ou prático com ele" (LYRA, 1990, p. 183).
Alguns sacerdotes mais lúcidos, porém, começaram a ver que a importância da Psicanálise não poderia ser avaliada por preconceitos religiosos. No mesmo livro o Dr. Lyra cita Joseph Nuttin:
"O fato de se terem realizado progressos nesta ciência (a Psicologia) sem nós e muitas vezes contra nós, foi culpa nossa (dos sacerdotes), isto é, 'por nossa falta de interesse' (pois reconhecemos demasiado tarde a sua importância) e 'por nossa atitude passiva' (pretendendo simplesmente tirar proveito do que fizessemos a outros), pelo que iríamos pagar bem caro, inclusive porque não nos basta no momento fazer aplicação da Psicologia aos nossos problemas (...) e até que se possa reformular a nossa Filosofia à luz das conquistas psicológicas" (LYRA, 1990, p. 182). Imagine se Freud estivesse vivo para ver o que estão os ditos "parapsicólogos" fazendo de seu conceito de inconsciente...
Mas vejamos uma outra pérola descritiva sobre as capacidades "divinas" do "inconsciente" quevediano, talo como o autor descreve (mas não apresenta as pesquisas feitas ou as provas/evidências/indícios de onde, ao menos, tirou isso):
"Extra-sensorialmente, o inconsciente sabe tudo o que acontece no passado, presente e futuro, dentro do nosso globo, numa margem de dois séculos" (QUEVEDO, 1976, livro "CURANDEIRISMO: UM MAL OU UM BEM?", Ed. Loyola, São Paulo, p. 156). Bom, isso parece meio que uma usurpação da onisciência divina, não? As única limitações triviais são que a onisciência incosnciente parece ser restringida espacialmente apenas "dentro do nosso globo", e temporalmente a um intervalo de duzentos anos, para o futuro ou para o passado. Pois bem, em que pesquisas se baseia o ilustre autor para chegar a afirmar isso? Qual psicanalista de renome concordaria com isso? O que a Metapsíquica e, posteriormente, a Parapsicologia demonstraram - o que é algo bem diferente - é que é possível à capacidade psíquica profunda, que é inconsciente, captar informações por outros meios que não os sensoriais convencionais, o que só em casos muito especiais se manifesta, e mesmo assim, quase sempre de modo simbólico, e em laboratório tais eventos se dão em proporções esttisticamente bem discretas, o que não liquida a possibilidade -até bem lógica - de que a informação, em certas condições bem específicas, possa ser transmitada por qualquer outro ente em uma outra dimensão da realidade.
Convém aqui lembrar as palavras do grande Psicanalista Carl Gustav Jung sobre o abuso que se vem fazendo com o conceito de inconsciente:
Quando dizemos "inconsciente" o que queremos sugerir é uma idéia a respeito de alguma coisa, mas o que conseguimos é apenas exprimir nossa ignorância a respeito de sua natureza.
O que o Padre "Parapsicólogo" usa constantemente como fundamento de sua teoria do "onipotente" inconsciente paranormal é o conjunto das sugestões postulados por vários metapsiquistas que se sentiam muito mal com a noção de "espírito" e buscavam, então, uma alternativa a este conceito por demais encharcado de conotações religiosas. Tal foi o caminho aberto, em princípio, por Jean-Martin Charcot e por Pierre Janet, posteriormente seguido por René Sudre e, em parte, por Charles Richet, na área conhecida como Metapsíquica, que foi a disciplina anterior à moderna Parapsicologia. A resultante disso foi a postulação, nos anos 50 do século XX, por Thouless e Wiesner de chamar de "função psi" a faculdade de provocar objetivamente os fenômenos paranormais. Esta se originaria de uma entidade psíquica humana primitiva e inconsciente que operaria não só nos fenômenos paranormais, mas em todos os demais fenômenos psíquicos que são objeto de estudo da Psicologia. Os mesmos autores chamariam a esta intância profunda, ou "entidade" psíquica, de "shin", embora este termo seja muito pouco utilizado. Mas o que é isso a não ser uma forma rebuscada de apenas trocar a palavra espírito por outras, consideradas mais técnicas? De qualquer forma, foi um alívio para os materialistas que a "função psi" pudesse ser - ainda que mal - acomodada com certo esforço ao conceito psicanalítico de inconsciente, já que este conceito de Freud atrelava-se à sua postura positivista, pois ele sempre se dizia atrelado ao mecanicismo clássico da ciência do século XIX.
Para os crentes do onipotente inconsciente, em especial os filhotes do CLAP, este explica tudo o que não for obra de fraude. Na verdade, até mesmo quando explica um fenômeno legítimo pelo inconsciente, o ilustre "parapsicólogo" jesuíta algumas vezes apenas diz que a fraude de um tipo - consciente e de má fé - é meramente subsituída por um outro tipo de fraude, inconsciente, pois o próprio diz que "Não há dúvida de que o inconsciente é capaz de FRAUDES superiores, muito superiores, às fraudes realizadas pelo consciente" (QUEVEDO, livro "AS FORÇAS FÍSICAS DA MENTE", tomo I, p. 142). Neste caso, os fenômenos mediúnicos são todos fenômenos de fraude, mesmo com fatos paranormais autênticos que se explicariam pelo tão poderoso inconsciente. Mas vejamos que no mesmo livro As Forças Físicas da Mente, página 75, o ilustre "parapsicólogo" fala textualmente:
"Notemos que Home" (Daniel Dunglas Home, o mais famoso médium do século XIX) "nunca foi pego em fraude, e que as condições de controle, nas sessões que realizava, foram frequentemente satisfatórias, como veremos".... E ai? Então, pelo que o "sábio" jesuíta escreveu está afirmado que existem fenômenos mediúnicos legítimos...
Mas será mesmo que é sempre o inconsciente (mera palavra que nada explica em termos paranormais, pois não se sabe o que é este inconsciente quase divino do Sr. "Caçador de Enigmas". Poderia bem ser "guaraná", "transubstancianção" ou qualquer uma outra) do paranormal que é responsável pelos efeitos conseguidos? Isso é uma hipótese? Uma teoria científica? Mas como, se não pode ser testada, e ainda sese diga que é única, fora a fraude? Falando assim, ou melhor, gritando assim, a turma do Sr. Quevedo nada explicando propõe uma "explicação" irrefutável, exatamente por não poder ser testada e, ainda mais, por ser indemonstrável. Todos os resultados de laboratório com respeito a telecinesia foram extremamente modestos, e o agente QUERIA obter determinado resultado, e fora, sem que se queira, nos fenômenos mais assombrosos, o inconsciente ganha força? Isso não parece ser uma explicação reducionista e um tanto forçada para eliminar o incômodo da hipótese espiritualista? Parece a velha tática dos ospositores fanáticos de se valrem por teorias indemostrávei... Que o digam Galileu, Espinoza e Leonardo Boff diante das "certezas" dos Dogmas católicos....
Ao lado da hipótese do inconsciente, e complementar a esta, não existiram outras hipóteses tão ou mais prováveis? Ora, geralmente médiuns e paranormais provocam fenômenos ou dão informações que estão bem além dos conhecimentos deles e da assistência. Sem problema, os adeptos reducionistas apontam para a criptestesia (conhecimento adquirido pela percepção extra-sensorial) onde o inconsciente do informante capta a informação existente em algum outro lugar. Bem, quando o fotógrafo Gordon Carrol procurava fotografar detalhes da Igreja de Santa Maria, em Woodford, Inglaterra, seu interesse "consciente" era apenas o de registrar a plástica arquitetônica do lugar, não havendo mais ninguém com ele. Após ter revelado os filmes de seu trabalho, ele tomou um susto a ver uma figura toda de branco ajoelhada diante do altar. Para os adeptos do inconsciente "paranormal", Carrol teria "inconscientemente" provocado o fenômeno. O mesmo teria se dado com o vigário K. F. Lord da Igreja de Newby, perto de Yorkshire, que em 1963 apenas querendo registrar a foto do altar da Igreja, acabou depois por ver na chapa revelada um fantasmagórico, realmente assustador, espectro, em uma foto hoje famosa (foto acima), no qual aparece uma figura semelhante a um monge, em processo de semi-materialização. Mas ai fica a pergunta: como ter certeza de que o inconsciente do fotógrafo estava realmente preocupado, planejando e materializando a foto do fantasma, e por quê? Como se mede o "pensamento" intencional do inconsciente? Como ele atua? Sai da "cabeça" da pessoa (ou alguma outra parte) para dar às caras às câmeras? Como podem eles ter a certeza de que, neste e em outros casos, isso foi fruto da ação do "inconsciente"? Por que ambos os fotógrafos não mais conseguiram repetir fotos semelhantes tendo um inconsciente tão talentoso?
Uma outro foto célebre de um "fantasma" foi a obtida em 1936: A chamada "Dama Marrom de Rayham Hall", Inglaterra, que foi vista pela primeira vez em 1835. A foto foi tirada pelo Capitão Provand e por Indre Shire, quando faziam uma matéria para a revista Country Life. Shire viu um vulto se acercando do topo da escada e avisou ao Capitão Provand, que, nada vendo na hora, assim mesmo bateu uma fotografia da escada e conseguiu captar o vulto descendo. Neste caso, pode se aplicar, como hipótese, a teoria da ideoplastia ou escotografia inconsciente, pois os fotógrafos tinham a expectativa de fotografar o fenômeno. Porém, esta é meramente uma das hipóteses, a outra seria a de que um "espírito" de uma pessoa (que ninguém sabe quem seria) foi de fato fotografado, confirmando os relatos das pessoas que o viram desde 1835. Não há como provar uma ou outra destas duas hipóteses. O mesmo fenômeno serve de evidência a ambos os modelos teóricos. Ambas as explicações, portanto, são válidas, ainda que os fotógrafos tenham tido a certeza de que, de fato, fotografaram um fantasma objetivo.
Quevedo usa e abusa do fato de que um americano médio, chamado Ted Serios, demonstrou suas faculdades de escotografia em vários experimentos. Mas o que Quevedo não diz é que para conseguir as Escotografias (e muita gente acha que nem sempre todas as fotos estáticas ou em via de formação para uma figura estática eram autênticas, embora um bom conjunto delas dificilmente sejam explicadas por fraude) por Serios este se punha em um estado de grande tensão consciente para obter as fotos e, conforme GARCIA FONT, "com as veias prestes a rebentar, a suar e a beber whisky" (ENCICLOPEDIA de CIÊNCIAS OCULTAS E PARAPSICOLOGIA, vol. 1, p. 264), e freqüentemente punha uma ou as duas mãos em contato com a objetiva da câmera. Ao lado, foto de Ted Serios em ação e, abaixo, uma de suas escotografias.
O que fica deixando essa teoria um tanto mole é que na maior parte das fotos de fantasmas acidentais, as pessoas não pensavam e nem queriam tirar foto de fantasmas, muito menos entravam em um nervoso estado de tensão conscientemente provocado. Aliás, existem fotos obtidas por circuitos internos sem que pessoa alguma estivesse presente, o que já deixa a teoria quevediana igualmente em cheque, pois ele diz que sem um sensitivo, paranormal ou qualquer que seja o nome que cada "tribo" queira dar, não existem fotos paranormais sem que a pessoa causante esteja presente até pouco mais de 50 metros de distância. Que dizer então da seguinte foto (trecho de um vídeo), em um estacionamento vazio pelo circuito interno eletrônico de tv nos Estados Unidos?
Para não dizer que estes "fantasmas" são apenas acidentalmente captados por fotos e vistados por pouquíssimas pessoas "ao vivo", devemos lembrar que em 1968, enquanto o Ocidente vivia sua fase de febre contestatória na Europa (Maio de 68, em Paris; Primavera de Praga, na Tchecoslováquia), nos EUA (contra a sórdida Guerra do Vietnã e a luta pelos Direitos Civis), e no Brasil, os estudantes iam às ruas contra a Ditadura Militar, a televisão do Egito mostrava um estranho fenômeno presenciado por milhares de pessoas, na maioria mulçumanos, inclusive pelo Presidente Nasser, por sobre as torres de uma Igreja Ortodoxa Copta (portanto, não Católica-Romana) em Zeitun, Egito, segundo os jornais da região e outros do exterior. A figura, ou melhor, sua silueta, lembrava as representações clássicas ocidentais da Virgem Maria e foi como uma "aparição" de Maria que foi interpretada (correta ou incorretamente) pela maioria dos que viram o fenômeno(lembremos que Maria, junto com Jesus, são duas figuras respeitadas pelos mulçumanos e são citadas no Corão e, portanto, são parte da herança religiosa do Oriente Médio islâmico. A pergunta é: sendo uma "ideoplasmia", por que não foi vista em uma Mesquita? Quem garante que foi a figura histórica de Maria?). O fenômeno, segundo as fontes, repetiu-se por várias vezes seguidas, e foi bem fotografado. Veja como a figura tem certa semelhança com a da foto da "Dama Marron" acima citada. Um vídeo-documentário sobre o fenômeno pode ser visto na internet, em http://www.zeitun-eg.org/zeitun_en.rm. Aqui, mais uma vez se pode usar com lógica a hipótese da "ideoplastia" ou "teleplastia", neste caso, tendo vários epicêntros, ou seja, tendo por causação várias pessoas, e não uma ou algumas poucas. O único porém é que este é, talvez, o único caso registrado de ilusão ou "ideoplastia" coletiva registrado em fotografia! Ademais, a energia necessária para plasmar uma figura luminosa como a que aparecem nas fotos da época levaria à exaustão os epicêntros "inconscientes" responsáveis pelo fenômeno. Não foram achadas qualquer prova consistente ou convicente de fraude. Neste caso, essa teria sido uma espécie de hiper-ilusão inconsciente coletiva, talvez percebida por "contágio" psíquico, potencialmente materializada ao ponto de ser registrada em fotos? Mas este tipo de explicação, embora com sua lógica e aparência de verossimelhança, soa um tanto quanto forçada para se adequar ao modelo positivista (?) mecanicista ainda dominante. Não é convincente, em especial para quem presenciou os fenômenos (no vídeo indicado existe vários depoimentos de testemunhas oculares). O que se tem certeza é de que "algo" ocorreu nas torres da Igreja Copta de Zeitun entre 1968 e 1970, e que foi percebida por uma imensa multidão de pessoas. A questão "causal" sobre este fenômeno, portanto, permanece em aberto e, de fato, foi tão desconcertante que ainda hoje ele intimida e confunde pesquisadores no mundo inteiro. Como não mais se repetiu em lugar algum, a maioria prefere descartá-lo como alucinação e fraude. Convém, só para notificar, que ao lado da silueta humana principal vista, também foram percebidas figuras de aves, aparentemente pombas luminosas e outras figuras pouco claras ao redor da "aparição". Mas esta é uma "aberração" estatísica... Não se vê freqüentemente algo assim pelas ruas do mundo.
Para ver fotos de espíritos tiradas por cientistas célebres em um rígido controle experimental, e ler excelentes artigos sobre a questão da sobrevivência, aconselho o leitor a visitar o site da "The International Survivalist Society".
Como fala o professor Henrique Rodrigues, o inconsciente, para o "Caçador de Enigmas", é uma espécie de conta bancária que tem a facilidade de pagar prontamente qualquer cheque, além de ter características tão assombrosas, bem além do que postulava Freud e Jung, que não pode ser entendido como o inconsciente da psicanálise tal como conhecido e estudado nas faculdades de Psicologia e Medicina, mas sim um inconsciente "sui generis", "paranormal" (mas sejamos justos: o bom padre não foi o primeiro a postular tal inconsciente "paranormal" semi-divino, e nem é o único a adotar ardorosamente tal modelo), e a tal ponto poderoso, que é capaz conseguir gravar imagens e sons em fitas magnéticas em laboratórios eletrônicos da mais alta tecnologia, estando os equipamentos isolados em salas hermeticamente fechadas, ou que tem a capacidade de manter diálogos com as pessoas quer por meios eletrônicos, quer por intermédio de médiuns, e que costuma mudar a caligrafia do médium no caso da psicografia e dar informações que eram desconhecidas de todos os presentes... Enfim, um "inconsciente" que é quase uma entidade espiritual... Aliás, se o inconsciente é uma instância psíquica, pertence portanto à alma humana. Ora, sendo assim, esta ainda a deve deter após a morte (o padre ora diz que temos um espírito, ou diz que espíritos não existem... Mas é dogma da igreja de que as almas continuam a existir em algum lugar, quer seja o céu, o inferno ou o purgatório... Ora, será que o inconsciente, nos moldes quevedianos, deixaria de ser menos poderoso do outro lado? Neste caso, seria mais um problema a se expor ao ilustre parapsicólogo), e o que impediria, então, de que esta instância continuasse a funcionar tão maravilhosamente quanto em vida? No fim das contas, esta teoria não parece realmente ser mais que o mais recente reduto dos reducionistas com fobia do espiritismo. De qualquer modo, parece que o mister do caro padre em distorcer fatos já de longa data foi percebibo por alguns estudiosos, como o professor Afonso Martinez Taboas, em sua Revisão Crítica dos Livros do Padre Quevedo
Cabe aqui, penso eu, a citação de um trecho do excelente artigo de Carlos S. Alvarado, publicado pela Revista Argentina de Psicologia Paranormal, e intitulado Aspectos Ideológicos de La Parapsicologia:
"Otros ejemplos existen en donde la parapsicología ha sido utilizada para defender un sistema de creencias religiosas específicas. Este es el caso del Jesuíta Oscar González Quevedo (1969/1971). Una revisión de la obra de este escritor muestra claramente que su ideología religiosa moldea las teorías y los fenómenos considerados válidos en el campo 4. González Quevedo pretende utilizar argumentos científicos para establecer que la comunicación entre las vivos y los muertos no es posible. Pero su prejuicio religioso se revela cuando afirma que: "Solo Dios puede conseguir esta comunicación. La comunicación perceptible sería milagro" (p. 113). De forma similar, este autor nos presenta aparentes análisis racionales de "milagros" y de la diferencia entre lo milagroso y el fenómeno humano. Pero en toda ocasión es claro que su intención non es válida- su sistema religioso, aceptando por fé los dogmas de su religión y defendiendo un sistema de parapsicología diseñado para combatir el espiritismo y otras interpretaciones de los fenómenos psíquicos."
De qualquer forma, é bom sabermos que muitos outros pesquisadores estão abertos aos fenômenos da psicografia e da transcomunicação, sem impor a estes preconceitos de antemão construídos para os desacreditar. Neste sentido é reconfortante saber que o fenômeno da Transcomunicação, ou, como também é conhecido, da Psicotrônica, tenha atingido tal importância nos meios científicos ao ponto de ser aprovado todo um programa de estudos para este campo, encabeçada pelo Institute of Noetic Sciences, da California, Estados Unidos, organização fundada pelo astronauta Ed Mitchell e que conta com inúmeros cientistas e pesquisadores ligados às mais importantes Universidades Norte-Americanas (clique aqui para obter mais detalhes sobre este programa).
O novo mágico, ou melhor, a nova estrela (à época) das noites de doming, irá bem usar de seu espaço nobre na mídia e mais uma vez nos contará, como o fazia seu antecessor, como são os segredos e truques - porque esta é uma área onde eles se apresentam mais claramente , o que não implica dizer que só existam truques ou pessoas de má fé - de parte do que se apresenta, aparentemente, como "fenômenos paranormais" - sim, porque ele mesmo reconhece que existem realmente fenômenos legítimos, mas apresentá-los e demonstrá-los não é, obviamente, seu principal trabalho na TV, muito menos o de respeitar ou apresentar os trabalhos e pesquisas de outros, a menos que compartilham de seu mesmo ponto de vista que, claro, julga ser o único correto. É mais fácil apresentar alguns truques de circo e generalizar a apresentação para explicar todo o universo dos fenômenos geralmente ligados a vertentes religiosas que ele não aceita e quer que não sejam levados em conta por ninguém.
Oh, este ai sabe!, exclama o grande público, na sua ingenuidade e fé no no dito que diz a TV, em especial, em associação com o respeito que a aura de um Sacerdote Católico, e ainda mais estrangeiro e parapsicólogo, inspira, permanecendo, porém, as pessoas distantes da literatura especializada no assunto. A imagem, para muitos, diz tudo. Mais adiante, porém, iremos nos aprofundar no que é realmente a Parapsicologia que, atualmente, foi aprofundada na Psicobiofísica.
O ilustre auto intitulado "parapsicólogo" teórico a que nos referimos nasceu na Espanha. Em sua infância teve parentes espíritas (ao menos é isso o que ele diz), mas sua vocação para o sacerdócio católico o fez entrar em choque com as idéias dos que simpatizam com o espiritismo. Por esta época, já se tornornava para ele intolerável que os espíritas - ou quem quer que fosse - pudessem por em cheque os ensinamentos e dogmas da Igreja, ainda que tivesse um secreto interesse por temas como materializações, aparições, etc., em especial as ocorridas dentro da Igreja Católica.
Os fenômenos ditos "paranormais" (que não necessariamente são sinônimos de anormais ou sobrenaturais, hoje em dia sendo paulatinamente chamados de fenômenos psi e que só são ainda paranormais por escaparem ao escopo de nosso paradigma científico dominante. Se um cavalheiro de 1801 visse, pelas ruas de Paris, um automóvel andando sem que se visse cavalos puxando-o, certamente teria tomado a "visão" como sendo sobrenatural), porém, não pertecem, não são e nunca serão exclusividade do movimento espírita, do mesmo modo que as fraudes e trapaças, que, se existem, também não deixaram e não deixam de ocorrer igualmente até mesmo em ciências muito bem assentadas, mas que nem por isso chegaram a desmontar a Medicina ou a própria Igreja - e não foram poucos os falsos milagres e o comércio da fé ocorridos nas paredes dos templos católicos. E nem mesmo os luminares do intelecto e da pesquisa mais moderna escapam de montarem sistemas ou idéias de um precoceito flagrante. Tome-se o caso, por exemplo, da volta implícita do racismo na moderna teoria da Sociobiologia que, em linhas gerais, estabelece uma etnia (claro, a do homem branco) como superior às demais.
Os fenômenos paranormais já existiam antes do espíritismo (doutrina formulada na Europa no século XIX), são relatados em todas as culturas, continuam a ocorrer, e seus registros fazem parte de praticamente todas as partes do mundo onde se conhece a escrita ou outra forma de expressão plástica (C.f. Mircea Eliade, em seu livro "O Xamanismo e as Técnicas Arcaicas do Êxtase" e Ernesto Bozzano em "Povos Primitivos e Manifestações Supranormais") e mais adiante veremos que estão muito bem registrados na própria Bíblia.
Financiado pela Igreja, o "Padre que não tem medo de assombração" muda-se para o Brasil onde, no Rio Grande do Sul, termina seus estudos de Teologia e, diante da imensa popularidade das idéias espíritas e espiritualistas no país, passa a se dedicar com maior ênfase ao estudo da Parapsicologia, por ser este, segundo ele, o único instrumento válido para combater principalmente os - também segundo ele - erros do espiritismo. Na verdade, se fosse esta a sua real intenção, seu trabalho seria louvável e de grande utilidade, desmascarando os reais embusteiros e charlatães que existem a torto e a direito por todos os lugares. Neste ponto, deveria, usando do fundamento da imparcialidade, igualmente, conhecer e respeitar os trabalhos de outros parapsicólogos sérios - que citaremos mais adiante e cujos trabalhos são mencionados na bibliografia ao final desta página - que constatam a existência de outras tantas pessoas "especiais", chamadas de parnormais e os fenômenos a elas correlatos dentro mesmo de quadros teóricos a que não se acha obrigado a concordar.
Porém, patentemente não era esta sua inteção, ou apenas esta intenção, mas sim a de usar de um novo campo de pesquisas, a Parapsicologia, para se revestir de certa autoridade e dar um halo de cientificidade à muito de sua guerra pessoal contra os espíritas, passando por cima das novas áreas de estudo em ciência, como as descobertas da Física Moderna, a Psicologia Transpessoal, os estudos sobre mente e consciência levados à cabo por Karl Pribam, os trabalhos de David Bohm e outros. Ele simplesmente despreza as consequências destas pesquisas que superam o modelo mecanicista que já vem sendo superado pela ciência, em especial a Física e Biologia (C.f. a Home Page O Novo Paradigma Holístico), que relativiza a visão de mundo ocidental que o "Caçador de Enigmas", apesar de pertencer, bem ou mal, a uma instituição que se diz espiritualista (será?) e em seus livros demonstrar, intelectualmente falando, é claro, conhecimento dos avanços epistemológicos nas ciências físicas e cognitivas, inclusive adotando uma postura mais coerente com estes avanços no tocante à validade da Percepção Extra-Sensorial (PES), ainda adota ardorosamente os velhos modelos mecanicistas quando se trata de combater as idéias e teorias outras que levam em consideração a interrelação e comunicação entre planos de existências diferentes, como o espiritual e o físico, e assim sendo, ele age mais como um dos últimos positivistas que como um cientista de vanguarda. Pelo menos é bastante newtoniana a sua acertiva de que os efeitos físicos paranormais, em especial os causados em aparelhos eletrônicos, são inversamente proporcionais à distância que deles se acham os paranormais... Bem, levando-se em conta as descoberta da física quântica, em especial a do experimento de Einstein-Rosen-Podolsky, esta assertiva, se tomada como lei, é ao menos questionável. Quevedo insiste que gravações paranormais só podem ser feitas se um agente (pessoa) está por perto, até cerca de 50 metros, para que o inconsciente (de que forma? como?) possa produzir imanges registradas em vídeo. Bem, então como se explica uma imagem "fantasma" feita pelo sistema de segurança de um estacionamneto, onde se vêem carros dispostos em mais de 150 metros, sem que nenhuma pessoa esteja presente? Este vídeo foi apresentado pela News Channel 4, da cidade de Oklahoma, Estados Unidos, e pode ser visto aqui.
Como muito bem nos fala Lawrence LeShan em seu esplêndido livro "De Newton à Percepção Estra-Sensorial, A Parapsicologia e o Desafio da Ciência Moderna", fazendo eco às pesquisas em Filosofia da Ciência de Thomas Kuhn, Edgar Morin e Fritjof Capra, a partir da Revolução Científica do século XVI, a visão do homem sobre a natureza modificou-se consideravelmente.
"A nova visão era a de que tudo no mundo funcionava [basicamente] da mesma maneira, do mesmo como como as máquinas funcionavam. As coisas só se afetavam mutuamente através de um contato direto, da mesma forma que uma biela faz uma roda girar. (...) Uma vez que Newton demonstrou que esse modelo mecânico podia ser aplicado ao movimento dos planetas, este, cada vez mais, tornou-se a única espécie aceitável de explicação até que, no final do século XIX, foi aplicada a virtualmente tudo, inclusive a evolução das espécies, às realizações da sociedade e à própria consciência" (LeShan, Op. Cit, p. 21).
Só que, a partir da nova Revolução Científica iniciada em fins do século passado, na Física (C.f. meu texto A Física Moderna, Uma Nova Visão de Mundo), em especial com os trabalhos de Faraday, Maxwell e Planck, atingindo seu ponto mais dramático com Einstein e os teóricos da Física Quântica (Bohr, Schrödinger, Heisenberg e outros), ficou amplamente demonstrado que a visão de mundo mecanicista da física clássica de Newton, que serviu de modelo às demais ciências, não só não dá conta de toda a realidade física como, inclusive, é vista como sendo uma criação humana, útil, porém limitada, feita pelo homem para dar sentido aos fenômenos naturais que o cercam, e mesmo assim, só ao nível das chamadas dimensões médias, ou seja, dos objetos compostos (portanto, formado de um conglomerado de átomos) que nos cercam e com quem interagimos a velocidades muito baixas. Se saímos desta faixa de dimensões médias, indo para o nível atômico, ou para os grandes conlgomerados de galáxias, ou temos de lidar com grandes velocidades, a mecânica de Newton simplesmente deixa de funcionar à contento.
As mudanças conceituais na Física Moderna, porém, correram silenciosas e à parte dos estudos nas ciências humanas, em particular na Psicologia e, com ela, na Parapsicologia. De fato, na Física ocorria um movimento que
"se afastava da idéia de que apenas um modelo do universo era necessário para explicar toda a realidade, indo em direção ao conceito de que diferentes modelos eram necessários para lidar com diferentes aspectos (domínios) da experiência. Tudo começou com Max Planck, em 1900, segundo a qual o sistema teórico necessário para explicar o microcosmo (aquele mundo de coisas por demais pequeno para ser observado pelos sentidos, ainda que teoricamente) era diferente do sistema necessário e válido para o domínio das coisas cotidianas, acessíveis aos sentidos. De acordo com as palavras de Planck, vivemos em um 'universo de duas pistas'. Eis o que revelou o físico Erwin Schrödinger:
À medida que os olhos de nossa mente penetram em distâncias cada vez menores e em tempos cada vez mais curtos, percebemos a natureza comportando-se de maneira tão inteiramente diversa daquilo que observamos em corpos visíveis e palpáveis, em torno de nós, que nenhum modelo criado a partir de nossas experiências jamais poderá ser inteiramente 'verdadeiro'.
"Decorridos alguns anos, Einstein demonstrou que um terceiro sistema, um terceiro modelo, era necessário para o domínio da experiência que incluia coisas grandes demais ou que caminhavam rápido demais para serem acessíveis aos sentidos.
"Nenhum desses sistemas explanatórios se contradiz mutamente. Eles são compatíveis e nehum é mais válido do que os outros. São simplesmente acessíveis a um domínio específico da experiência (...).
"Aos poucos ficou evidente (...) que um comportamento significativo, não pode ser explicado simplesmente de acordo com os mesmos princípios a que precisamos recorrer para lidarmos com os domínios de experiências que interessam a um físico [coisa já demonstrada pelo filósofo existencialista Sören Kierkegaard no século XIX] (..)(LeShan, Op. Cit. pp.16-17).
A pesquisa Parapsicológica propriamente dita - como veremos mais adiante - começou por uma tentativa de avaliação científica dos fenômenos espíritas.
"A pesquisa sobre a mediunidade desenvolveu-se no final do século XIX em um momento de crescente materialismo. Diante de uma crença cada vez maior, segundo a qual apenas aquilo que se podia ver e tocar era real, que afirmava todas as coisas, vivas e não vivas, funcionavam de acordo com um princípio mecânico, que proclamava que a morte significaca o aniquilamento, iniciou-se uma pesquisa para obter provas de que existia algo mais do que aquilo que era visível, que para o homem havia alguma coisa além do corpo, algo que sobrevivia à morte.
"De acordo com o conceito de um dos seus fundadores, Frederic Myers, tratava-se de 'uma questão que se situa no ponto de encontro da religião, da filosofia e da ciência, cujo propósito é aprender tudo aquilo que pode ser apreendido sobre a natureza da realidade humana'. Era a busca da prova de que o homem era mais que uma máquina, mais do que aquilo de que uma filosofia materialista poderia dar conta.
"Finalmente, na década de 30, tornou-se claro que havia dois tipos de atividade paranormal. O primeiro deles eram os acontecimentos que, originalmente, excitaram nosso interesse pelo campo - as aparições no leito de morte, os casos de mediunidade, as trocas telepáticas que modificam nossas vidas. Tais tipos de eventos, [por serem os mais expressivos existencialmente], não eram facilmente quantificáceis e rapidamente tornou-se claro que jamais o poderiam ser, pois eram significativos e nos afetavam (como poderia ser possível medirmos em unidades os acontecimentos importantes de nossa vida - nosso primeiro amor, a morte de um dos pais, o nascimento do primeiro filho?). O segundo tipo eram aqueles que podiam ser quantificados: quantas cartas se pode adivinhar corretamente em um baralho escondido, independentemente do acaso? Quantas vezes, deixando de lado o acaso, pode-se fazer com que o lado de um dado que marca cinco caia para cima, unicamente mediante a força de vontade? Eram acontecimentos mínimos, essencialmente desprovidos de significado. Não exerciam o menor efeito sobre a nossa existência e raramente sabíamos quando eles haviam ocorrido. (...)
"Elas eram, porém, quantificáveis. A ciência e o pensamento de boa parte de nosso século nos diziam que, se quiséssemos ser 'científicos', se quiséssemos estudar coisas 'reais', teríamos de estudar coisas quantificáveis (...)" (LeShan, Op. Cit. pp. 33-34).
Para o mundo sensorial, o mundo que nos cerca, um entendimento geométrico e matemático funciona. Pois bem, coisas quantificáveis podem ser estudadas estatisticamente. O envólucro matemático parece dar à maioria dos cientistas da área de humanas o conforte de poderem ser reconhecidos como cientistas, de acordo com o paradigma mecanicista da ciência newtoniana do século XIX. Devido ao grande sucesso prático deste paradigma, expresso sobretudo no desenvolvimento tecnológico e na aceitação social deste modelo clássico, eles, em sua maioria, ainda desconhecem os avanços epistemológicos que adiviram das ciências físicas e da Psicologia profunda, a começar por Carl Gustav Jung. Mas os os números dizem muito pouco sobre as relações de acontecimentos, a não ser sua periodicidade. A explicação destas, porém, ficava ao critéro de cada pesquisador, já que não há uma teoria parapsicológica geral e aceita por todos os parapsicólgos. É aqui que o Padre "Caçador de Enigmas" faz a sua festa, pois ele interpreta fatos espíritas de acordo com uma concepção mecanicista de parapsicologia, ainda que em seus livros pareça ter uma postura mais contemporânea menos mecanicista para outros fenômenos clássicos, como telepatia e precognição, inclusive alencando os limites do mecanicismo, e faz deste conhecimento uma arma conceitual - ou melhor, plena de preconceitos - para descreditar em especial o espiritismo, doutrina que ele já teve mais de uma ocasião de dizer que odéia.
Só que as coisas que estão ligadas à consciência do homem - e que, realmente, são as mais profundamente significativas - são tudo, menos quantificáveis e muito menos facilmente "replicáveis" em laboratório. Até mesmo o sucesso de Rhine quanto à questão da comprovação da psicocinesia foi estremamente modesto. Ninguém, por não poder fazer um estudo experimental com variáveis explicitamente controlada, vai dizer que o fenômeno "apaixonar-se" não existe porque no laboratório um cientista não conseguiu que homens e mulheres desenvolve-se este sentimento de modo estatisticamente significativo em um dia. Nem tampouco podemos dizer que o pensamento é uma abstração porque não o conseguimos pesar numa balança e muito menos localizá-lo com certeza numa certa região do cérebro - o mesmo dizendo para a memória, como nos mostra os excelentes estudos de Karl Pribram. O "Caçador de Enígmas" tem o mérito de saber disto e discorrer sobre tal em suas obras, mas toma posição bem tradicional quando a questão se refere à comunicação mediúnica ou aspectos relacionados à possível interação vivos e mortos. Ora, como ninguém pode se apaixonar na hora que quiser, ou deixar de sonhar a partir da noite de hoje, dizer que certos fenômenos psíquicos são ficções ou embustes apenas porque não são replicáveis em laboratório mostra muito bem o quanto o ilustre padre tem uma mentalidade teórica muito concordante com a ciência do século XIX, mas não do século XX. É mais fácil ocorrer telepatia entre uma mãe e um filho (grau altamente significativo em termos psicológicos), que entre um suposto "telepata" e um estranho, que tenha à frente uma carta de baralho, e ao qual um pesquisador fique cronometrando o tempos e as respostas, para ver, estatisticamente, a relevância dos acertos ou erros (grau altamente concorde com a visão científica do século XIX, e altamente não significativo em termos psicológicos, ao sujeito que participa da experiência). Da mesma forma ocorre com os chamados fenômenos mediúnicos, e não é por serem estes replicados em condições controladas e como se espera que ocorram que se pode afirmar que não existam, tal como o diz o "caçador de enígmas". Mas o real interesse é mais o de atacar determinados pontos de vista do que se dar ao luxo de pesquisar ou deixar que outros, que pesquisam, tenham a chance de expor ou dispor de espaço na mídia sensacionalista para apresentar uma outra visão mais "avançada" dos fenômenos psíquicos, o que contradiz o proselitismo do super-star da pseudo-parapsicologia televisiva.
Basta ver o modo como o "parapsicólogo" jesuíta dirige seu discurso "parapsicológico" para bem ver a sua Parcialidade. Vejamos alguns exemplos, citado pelo parapsicólogo Alfonso Martinez-Taboa em seu artigo Uma Revisão Crítica dos livros do Pe. Quevedo:
O dogmatismo marcado do sacerdote Padre Quevedo se reflete em todas as suas obras. Aquele com quem não combina é titulado, com frequência, de "um enganado", "espiríta" e "anti-científico". Muitas de suas conjecturas perdem essa qualidade ao virar-se umas páginas mais adiante em fatos estabelecidos.
Prova disso não é difícil de se oferecer. Por exemplo, no tomo I de "As Forças Física da Mente", página 287, se diz: "os fenômenos parapsicológicos não são nem podem ser do "além" (a não ser raramente, por força divina apenas)."
Em seu livro " O que é Parapsicologia", página 113, diz que "outra das principais conclusões da Parapsicologia teórica é a confirmação de que não há comunicação natural entre os vivos e os mortos".
Nesse mesmo livro(p.116), diz que o "Milagre de Fátima" foi uma alucinação divina. "É o selo divino para confirmar que as alucinações eram verdadeiras, de origem sobrenatural."
E na página 109 diz que as profecias da Bíblia têm sido "cientificamente" provadas. Diz este: "Trata-se de Deus, é fenômeno sobre-humano."
Que tem a dizer sobre tudo isso um parapsicólogo que estime de alguma forma a ciência? Primeiro que tem que esclarecer que o Padre Quevedo ao dizer que "a Parapsicologia teórica" tem rechaçado o Espiritismo, só está expressando sua opinião particular. Como bem assinala Rogo:"Atualmente não há opiniões reconhecidas em geral na Parapsicologia sobre a sobrevivência após a morte."
Segundo, sua insistência de que "Deus", "a Virgem" e a "Ordem Sobrenatural", têm se manifestado abertamente, e que isto está "cientificamente" demonstrado, é mais uma asserção teológica e apressada, que científica. Em nenhum de seus livros encontramos nem sequer as razões mínimas para conter ditas informações tão categóricas. No entanto, disse-nos que estão "provadas", e nada menos que pela ciência!
Da mesma forma, outras muitas conjecturas, as quais costumam passar como "princípios" e "leis" sobre como deve atuar o ectoplasma, os limites da percepção extra-sensorial, etc., não nos parecem estar fundadas na razão e em firme documentação.
Este problema aponta para a presunção do "Caçador de Enigmas" de se considerar o único estudioso da parapsicologia. Mas já na época em que ele chegou ao Brasil, existiam estudiosos profundos sobre Parapsicologia, caso do Professor Hernani Guimarães Andrade, engenheiro e escritor, pesquisador incansável que, inclusive - e sendo citado por inúmeros artigos, além dos próprios, em revistas especializadas do exterior - ampliou o campo de análise dos estudos Parapsicológicos ao formular a disciplina de Psicobiofísica (atualmente aceita por centros de excelência e pesquisa, como a tradicional USP, por exemplo). Dentre vários prêmios de reconhecimento por seu trabalho (discreto, sem apelação, como cabe a todos os pesquisadores sérios), recebeu o “Diplôme de MEDAILLE D’OR”, concedido pelo Conselho Superior da “ORDRE DE L’ÉTOILE CIVIQUE” “Union des Elites Françaises”, fundada em 1929 e consagrada pela Academia Francesa, em reconhecimento pelos trabalhos científicos no campo da Parapsicologia
Ainda hoje atuante, em seus 87 anos de idade, o Professor Hernani Guimarães Andrade mantêm rico intercâmbio com os maiores centros de pesquisa das Universidades da Europa e da América, recebendo publicações e artigos sobre os quais freqüentemente é solitado a opinar. É amigo pessoal do Dr. Ian Stenvenson e de pesquisadores como Karlis Osis. Mateve contato com o criador da Parapsicologia, Joseph Banks Rhine, da Universidade de Duke, e foi um dos mais atuantes divulgadores do seu trabalho no Brasil. O Instituto Brasileiro de Pesquisas Psicobiofísicas por ele fundado em 1963 foi tão bem aceito pela comunidade psi internacional que o famoso pesquisador e membro da "Society for Psychical Research" de Londres, Mister Guy Lyon Playfair entagiou durante três anos junto ao IBPP.
O Sr. Hernani é o autor da teoria do Modelo Organizador Biológico - MOB, que ele apresentou mais de vinte anos antes de que o biólogo britânico Rupert Sheldrake fizesse o mesmo com a sua teoria dos Campos Morfogenéticos, que guarda grande similaridade com a teoria do pesquisador brasileiro.
Convicto da realidade da continuidade da vida após a morte, ou seja, da existência do espírito - o que nosso querido padre nega - e da possibilidade de comunicação dos chamados mortos com os vivos, Guimarães Andrade foi o primeiro a fazer pesquisas sistemáticas, dentro dos mais rigorosos critérios metodológicos, de fenômenos paranormais pelo Brasil. Seu três livros, "Morte, Renascimento, Evolução"; "Espírito, Perispírito e Alma" e "Psi Quântico", juntamente com o valioso "Parapsicologia Experimental", publicado pela primeira vez em 1967, e o bem documentado livro "Poltergeist, Algumas de suas ocorrências no Brasil", de 1989, constituem marcos do pensamento e pesquisa Parapsicológica no Brasil.
Podemos citar, igualmente, a atuação do Professor Henrique Rodrigues, engenheiro eletrônico e Parapsicólogo. Conferencista internacional, membro ativo de diversas universidades e instituições que se atêm ao estudo da Parapsicologia, como a Universidade Kennedy, de Buenos Aires, a Sociedade Espanhola de Parapsicologia e a Sociedade Italiana de Metapsíquica, só para citar algumas delas. Foi ele - e não o nosso orgulhoso protagonista das noites de domingo, - o único parapsicólogo estrangeiro convidado oficialmente para apresentar suas teses e inventos na ex-União Soviética, no Museu Arqueológico de Moscou e no Auditório Hermilton de Leningrado. Foi laureado em 1975 no Congresso Internacional de Parapsicologia, em Gênova, Itália, com o "PRÊMIO ERNESTO BOZZANO". É autor do livro "A Ciência do Espírito" e de inúmeros artigos.
O professor Henrique comunga das mesmas opiniões que seu colega Hernani Guimarães Andrade, como também o fazem o Dr. Alberto Lyra e o engenheiro Clóvis Nunes e os Psicólogo Pierre Weil, isso para citar apenas os estudiosos da Parapsicologia no Brasil, deixando de fora os nomes dos pesquisadores internacionais como Stanislav Grof, Elizabeth Kubler-Ross, Raymond Moody, Abraham Maslow, James Fadiman, Stanley Krippner, Kalis Osis, Charles Tart, etc., isso sem contar os nomes de pesquisadores conhecidos do início do século, como William James, Charles Richet, Ernesto Bozzano ( um dos maiores e mais extraordinários pesquisadores de fenômenos Psi do século XX, professor da universidade de Turim e autor de livros extraordináriois, como Metapsíquica Humana e A Crise da Morte entre muitos outros ) e o discreto apoio de Carl Gustav Jung.
Atualmente, no exterior, os estudos de Experiências Próximas da Morte (Near Death Experiences) - que, aliás, a própria Rede Globo, no mesmo programa dominical, frequentemente apresentava em matérias especiais - (* *Atenção: : no dia 23 de dezembro de 2001, o programa Fantástico apresentou uma reportagem de uma série de pesquisas feitas por médicos e cientistas na Holanda sobre as experiências próximas da morte. Para ver a reportagem de capa "A Linha da Vida" clique aqui. É necessário o programa Real Player para vê-lo, e que pode ser adquirido gratuitamente, em sua versão básica, aqui), com nomes como Raymond Moody Jr e Karlis Osis (1919-1997) de estados alterados de consciência (Alterated States), com Stanislav Grof e Charles Tart e, no Brasil, com Pierre Weil, e os estudos de regressão de memória de Morris Netherton traziam novo reforço ao posicionamento dos Parapsicólogos mais espiritualistas e aos espíritas.
O fato é que as tentativas de nosso superstar - e reconhecemos sua inteligência brilhante, muito acima da média, perspicácia e notável saber - esbarrou diante de estrelas de grandeza ainda maior que a sua, e, para seu desgosto, de espíritas bastantes competentes nas áreas da Medicina, Psiquiatria e Psicologia.
Não foram poucas as discurssões entre o "caçador de enígmas" e outros parapsicólogos (sintomaticamente não reconhecidos como tais pelo citado parapsicólogo jesuíta) e com psicólgos, muitos dos quais espíritas, em que ele se saiu muito mal, frequentemente partindo de uma atitude de deboche para a franca agressivida, mas isto, é claro, não é divulgado pela mídia comercial, especialmente agora que a mais poderosa delas o tem como contratado, e muito menos é de interesse da ala mais conservadora da Igreja, que, aliás, voltou a estar atuante nos últimos anos, gozando do "revival" da popularidade - antes ameaçada pelo avanço dos evangélicos - pelos movimentos da Renovação Carismática, Encontro de Casais e de Jovens e outros, ao par do declínio de popularidade da Igreja Progressista (mais intelectualmente madura e aberta à troca civilizada de idéias, mas que exigia uma consciência da responsabilidade pessoal que a ala atual atenuou) com nomes veneráveis como Leonardo Boff (este já desligado da Igreja em virtude das sanções impostas por ela às suas idéias, em especial à Teologia da Libertação) e Frei Betto, pessoas que não têm o costume de menosprezar o trabalho alheio e que pregam o entendimento fraterno entre os homens. Hoje, porém, se pode mostrar um sapo com a boca costurada na televisão, desde que se possa causar o efeito desejado na população, como o fez nosso "Parapsicólogo" em seu primeiro programa, misturando uma inócua superstição popular com parapsicologia... Enfim, algo que acabou sendo uma piada feita para impressionar, mas de gosto questionável.
De fato, a presença de Quevedo na mídia, sob as bênçãos de parte da Igreja, é apenas um ponto da volta da intolerância religiosa que sempre vem à tona em épocas de crise político/econômica, onde as instituições religiosas, cada uma se dizendo a dona da verdade, na sua margem mais fundamentalistas, se propõem a solucionar parte do problema por se julgarem as intermediárias entre os homens sofredores e os céus. Pesquisas recentes, como a levada em João Pessoa, pelo Programa de Iniciação Científica do CNPq/UFPB, demonstram que os católicos participantes de certos movimentos recentes da Igreja, como o da Renovação Carismática, tendem a ser mais conservadores, resistentes à outros credos e serem mais exclusivistas que os católicos não-carismáticos (c.f. PEREIRA DO NASCIMENTO & GUERRA SOBRINHO in "Resumos do III ENCONTRO DE INICIAÇÃO CIENTÍFICA DA UFPB", Editora Universitária, João Pessoa, 1995, p. 75), o que justifica o retorno de movimentos ultraconservadores e radicais católicos, como a reacinária TFP (Tradição, Família e Propriedade) e, lógico, a freqüente presença de pessoas como Pe. Quevedo, ácidos combatentes do espiritismo, em especial na mídia, onde se sentem muito bem, por sinal, enquanto personalidades como Guimarães Andrade e Henrique Rodrigues (e muitos outros mais que não são citados aqui, não por não serem reconhecidos, mas pelos limtes que este artigo impõe) preferem se dedicar às pesquisas e à sobriedade, reconhecidas nos centros universitários, mas que não são muito simpáticas à mídia comercial convencional.
sábado, 25 de julho de 2009
A Igreja, A Mídia e a Parapsicologia
Parte 3
Conclusão
Para se ter uma idéia mais clara do reacionarismo dentro da Igreja Católica (que, graças a Deus, ainda tem corajosos baluartes mais ligados ao espírito cristão que à própria instituição), nada melhor que passar a palavra a um dos maiores teólogos do mundo, ex-frei e um dos pais da excelente Teologia da Libertação, tão duramente massacrada pela Igreja depois da ascenção de João Paulo II ao trono do Vaticano.
Diz Leonardo Boff em seu livro "Fundamentalismo, A Globalização e o Futuro da Humanidade" à partir da página 17:
"O catolicismo possui também seu tipo de fundamentalismo. (...) O inimigo a combater é a Modernidade, com suas liberdade e seu processo de secularização.
"Há duas vertentes do fundamentalismo católico: o doutrinário e o ético-moral.
"O fundamentalismo doutrinário é bem representado no documento Dominus Jesus, do ano 2000, assinado pelo Cardeal Joseph Ratzinger, prefeito da antiga Inquisição, que aborda a relação (por ele entendida) de Cristo e da Igreja Católica com as demais religiões. Aí se sustenta que a Igreja Católica é a única Igreja de Cristo. As demais denominações cristãs não igrejas, são usurpação do título. Possuem apenas elementos eclesiais. O catolicismo comparece também como a única religião verdadeira, e os que não se converterem à Igreja Católica Romana correm risco de perdição eterna. Cinqüenta anos de trabalho ecumênico, de diálogo inter-religioso, aparentemente se esvaíram, porque as velhas teses medievais da Igreja como única portadora dos desígnos de Deus, e fora do qual não há salvação, foram ressuscitados. Isso provocou um escândalo em toda a Igreja, escândalo que não foi ainda digerido nem por nós católicos, muito menos pelos protestantes, que estavam se acercando muito próximos da Igreja Católica".
Depois disso, no site do Sr. Pe. "Parapsicólogo", http://www.clap.org.br/, há um link para vídeos, com títulos como "Só o catoliscismo é a Doutrina revelada por Deus", ou seja, o judaísmo de Moisés - no qual Cristo foi educado e em meio do qual agiu -, a Igreja Católica Ortodoxa Russa e Grega, as Igrejas Protestantes e todas as demais religiões não passam de engodos... E ainda, para enfatizar o lado "científico", portanto impessoal e neutro, um outro chamado " "Acordo entre CLAP e CatolicaNet para promoção da fé racional". Bem "científicos", "neutros" e "imparciais", estes vídeos em nada deixam peceber qualquer sinal de proselitismo.
Talvez seja também conveniente transcrever o que já foi escrito sobre o método político-ideológico que a Igreja vem usando de longa data, nas palavras do filósofo italiano Antonio Gramsci:
"A relação entre filosofia 'superior' e senso comum é assegurada pela 'política', bem como é assegurada pela política a relação entre o catolicismo dos intelectuais e a dos considerados 'simplórios'. As diferenças entre os dois casos são, todavia, fundamentais. O fato de que a Igreja deve enfrentar o problema dos 'simplórios' significa, justamente, que existiu uma ruptura na comunidade dos 'fieis', ruptura que não pode ser eliminada pela elevação dos 'simplórios' ao nível dos intelectuais (...). No passado, essas 'rupturas' na comunidade do fiéis eram remediadas por fortes e criativos movimentos de massa, que determinavam, ou desembocavam, na formação de novas ordens religiosas em torno de fortes personalidades (Domingos, Francisco).
"Os movimentos heréticos da Idade Média - que surgiram como reação simultânea à politicagem da Igreja e à filosofia escolástica que foi a sua expressão, e que se baseavam em conflitos sociais determinados pelo nascimento das comunas - foram uma ruptura entre massa e intelectuais no interior da Igreja, ruptura 'corrigida' pelo nascimento de movimentos populares religiosos reabsorvidos pela Igreja, através de formas de ordens mendicantes e de uma nova unidade religiosa.
"Mas o movimento católico da Contra-Reforma esterilizou este pulular de forças populares: a Companhia de Jesus (ou jesuítas) é a última grande ordem religiosa, de orígem REACIONÁRIA e AUTORITÁRIA, com caráter REPRESSIVO e 'diplomático', que assinalou, com o seu nascimento, o endurecimento do organismo católico. As novas ordens surgidas posteriormente, têm um pequeníssimo significado 'religioso' e um grande significado 'disciplinar' sobre a massa dos fiéis: são ramificações e tentáculos da Companhia de Jesus, instrumentos de 'resistência' para conservar as posições políticas adquiridas, e de modo nenhum forças renovadoras de desenvolvimento. O catolicismo se transformou em 'jesuitismo'(...)" (GRAMSCI, "Concepção Dialética da História", Ed. Civilização Brasileira, pp. 19-20, destaques meus).
Convêm igualmente lembrar o recente comunicado da CNBB em reconhecimento público dos erros da Igreja durante a colonização do Brasil, em especial no trato com os índios e negros, como bem lembrou Dom Marcelo Carvalheira em recente comunicado citado na Folha de São Paulo, e ondem os jesuítas desempenharam importante papel nas injustiças cometidas, em especial na aculturação forçada e no tratamento desumano dado a estas duas etnias, em conivência com os interesses dos poderosos da época. Esse reconhecimento, ainda que tardio, levará a Igreja ao nobre gesto de pedir perdão publicamente pelos erros cometidos durante as festividades dos 500 Anos do Brasil. Mas parece que a tradição de arrogância e presunção permanece, não obstante, claramente nas mentes e atitudes de alguns "soldados" da Companhia de Jesus... E já não há mais um Marquês de Pombal que lhes faça frente. Aliás, é bem conhecida o atrito entre João Paulo II, no início do seu pontificado, com a liderança jesuíta de Pedro Arrupe, já falecido, o que demonstra que a instituição não é assim tão coesa e nem todas as alas da Igreja morrem de amores pela "Companhia de Jesus", de Inácio de Loyola.
Há tempos, um dos principais argumentos da Igreja Católica tradicional, e que nosso "parapsicólogo" teórico tanto grita aos quatro ventos, é que tudo o que se diz serem fenômenos espíritas são fraudes. Porém, mesmo que hajam grande número de fraudes - o que nem é de se espantar, devido aos aspectos não ordinários de muitos dos fenômenos -, existe igualmente enormo número de pesquisas que apontam para a realidade objetiva de fenômenos paranormais legítimos, e a Igreja diante dos progresos em Parapsicologia fora do Brasil, e das pesquisas em Psicologia Transpessoal (já adiantadas pelo gênio do Psicanalista suíço Carl Gustav Jung) e dos primeiros passos em Transcomunicação Instrumental, ou seja, o registro eletrônico de comunicações de orígem paranormal (sendo o grande pioneiro na área, Friedrich Jürgerson, inclusive agraciado - como mostra a foto ao lado - com a Comenda da Ordem de São Gregório, em 1969 pelo Papa Paulo VI por estas pesquisas!) diante das quais não se podia contrapor, a Igreja - e seus baluartes mais belicosos - passou a dizer que os fenômenos existiam sim, mas que tinham causas lógicas, explicadas pela Psicologia.
Mas os espíritas nunca disseram que as causas dos fenômenos espíritas fossem sobrenaturais. Um fenômeno pode ser raro, mas nem por isso deixa de ser natural. Não vemos estrelas explodindo e se transformando em super-novas com facilidade, a maioria da humanidade nunca sequer imagina o que seja uma "aurora boreal" e gerações passam sem que tenham observado o cometa de Harley. Qualquer espírita sério o bastate para ter lido e estudado os livros dos pesquisadores clássicos de fins do século XIX e início do século XX, como o astrônomo francês Cammile Flammarion (O Desconhecido e os Problemas Psíquicos, vols. I e II), o médico russo Alexander Aksakof (Animismo e Espiritismo, vols. I e II), o grande pesquisador italiano Ernesto Bozzano (Metapsíquica Humana; Animismo ou Espiritismo?; Pensamento e Vontade), sabe muito bem que as faculdades de telepatia, clarividência e outros tipos de PES (Percepção Extra-Sensorial) e certos casos de Poltergeist se devem às capacidades apenas agora entrevistas do psiquismo humano. É tolice, portanto, por a culpa ou causa de todos os fenômenos paranormais aos "espíritos" (que nada mais seriam, porém, que homens e mulheres sem o corpo físico, portanto ainda possuidores de faculdades psi). Porém, maior tolice seria reduzir todos os tipos de fenômenos a um único fator psi, qual seja os atributos paranormais do inconsciente. Mas isso não quer dizer que vários outros fenômenos não ocorram com o provável concurso de "espíritos", e nem que a ainda pouco conhecida capacidade psíquica impeça a existência e comunicação destes. Os excelentes livros de do professor italiano Ernesto Bozzano deixam pouca dúvida quanto a isso. Aliás, seu Metapsíquica Humana, que foi escrito como refutação embasada em fatos a um livro de René Sudre, bem parece que também foi endereçado, 75 anos antes, a Quevedo, pois ele demonstra quão limitada em alcance é a teoria do "inconsciente" para explicação de vários fatos de comunicação mediúnica registrados, sob controle rígido, como autênticos. Muito pelo contrário, superando as limitações do modelo cartesiano-newtoniano, a descoberta do potencial psi demonstra a existência - como ocorreu na física com a descoberta dos campos eletromagnéticos - de uma realidade que escapa aos parâmetros convencionais da ciência clássica. O que bem pode implicar a existência de dimensões sutis onde a própria psique pode ter existência própria independente da matéria (Bozzano, 1926; Grof, 1988; Andrade, 1989), portanto, dentro do universo natural do qual estamos ainda bastante longe de dizer que conhecemos.
Além do mais, fica difícil chamar de ingorantes os kardecistas, sabendo que cerca de 70% dos espíritas possuem curso superior e muitos são professores universitários e artistas de renome. Fica difícil chamar Monteiro Lobato ou Augusto César Vanucci de ignorantes. Além do mais, os programas sociais levados a cabo pelos "iludidos"espíritas (e olhe que o ilustre "Caçador de Enígmas" costuma designar os espíritas por outros termos menos diplomáticos, como sabe quem já ouviu qualquer de suas palestras. Para se ter um exemplo da forma "equilibrada" como Quevedo se refere aos espíritas, clique aqui), mesmo que sejam frutos de pessoas com "crenças equivocadas", são amplos e muito reconhecidos, não se exgindo cobrança pecuniárias, dízimos, mercantilização de artigos religiosos e/ou muletas psicológicas ou contribuições quaisquer além do auferido pela venda de livros e doações espontâneas da comunidade, em grande parte formada por católicos simpatizantes, o que ensejou o reconhecimento até mesmo de organismo internacionais, como, por exemplo, os trabalhos assistenciais levadas a cabo pela Casa do Caminho, em Salvador, cujo dirigente, Divaldo Pereita Franco, é detentor de títulos de Doutor Honoris Causa por universidades internacionais, de cidadão emérito em várias cidades no Brasil e muitos outros títulos de reconhecimento. Já Chico Xavier, se tem seu trabalho mediúnico, tem ainda mais um trabalho filantrópico reconhecido internacionalmente cujos frutos lhe renderam até mesmo a indicação de seu nome ao Prêmio Nobel da Paz. E se é pelos frutos que se reconhece a qualidade de uma árvore, que se tire neste ponto conclusões mais equilibradas, pois não sabemos a que trabalho de ação social ou de filantropia a que os senhores sacerdotes "parapsicólogos" se dedicam.
Claro que não dando margem aos outros estudiosos, o senhor "Caçador de Enígmas" logo enquadra os resultados e pesquisas em Transcomunicação Intrumental como outro grande engodo, ainda que os pesquisadores desta área tenham pouco ou nenhum interesse em terem seus nomes associados ao espiritismo, por exemplo. Entre estes estudiosos estão engenheiros eletrônicos e cientistas de grandes laboratórios de eletrêonica, nos Estados Unidos e na Europa. E, entre os interessdos, pasmem, estão alguns sacerdotes católicos, sendo um dos mais conhecidos no Brasil o Padre François Charles Antoine Brune, grande estudioso da tradição cristã do Oriente e professor de várias faculdades na França (foto ao lado). É autor dos livros Os Mortos nos Falam e Linha Direta para o Além (veja aqui o depoimento do Padre Brune sobre suas pesquisas e conclusões em Transcomunicação Intrumental).
A suposição de que o inconsciente humano, tal como o "caçador de enígmas" tanto divulga, é tão poderoso ao ponto de explicar satisfatoriamente TODOS os mais intrigantes fenômenos da transcomunicação é, como qualquer psicólogo sério sabe, no mínimo tão absurdo quanto dizer que todas as doenças do corpo são igualmente causadas pelo mesmo inconsciente, ou que a ele caiba a explicação perfeita de tudo o que diz respeito aos fenômenos sutis ainda em estudo, como, por exemplo, a transcomunicação (c.f. os excelentes livros de Hernani Guimarães Andrade, Sonia Rinaldi e Clóvis Nunes indicados abaixo). O inconsciente existe, sim; tem capacidades pouco conhecidas ainda, sim. A Medicina Psicossomática comprova a influência do psíquico sobre a saúde do organismo. Que mal conseguimos adentrar no oceano do psiquismo não resta a menor dúvida. A provável existência de um Inconsciente Coletivo, ou Transpessoal, como postulado por Jung, explicaria a intuição e a telepatia, até mesmo (em parte) a capacidade de se obter informações que de outro modo seriam impossíveis, mas seria infatilidade esticar os limites do que se sabe até agora para acondicionar TUDO o que ainda escapa ao nosso entendimento com a cômoda explicação que tudo advém do inconsciente. Carl Jung chegou, em uma fase, a pensar assim, mas (em especial pelas experiências pessoais que vivenciou), foi suficientemente humilde para reconhecer que os conceitos - inclusive o de inconsciente - adotados para explicar fenômenos não-causais são limitados, aproximativos e imperfeitos, o que abre a necessidade de teorias complementares ou mesmo paradoxias para se ter uma idéia aproximada da compreensão dos fenômenos. Livros célebre de Psicologia da Personalidade, como o de Fadiman e Frager (FADIMAN & FRAGER, 1986, Ed. Harbra. pp. 166-176; 272; 281-285), contudo, aceitam a realidade transpessoal e a existência de fatores outros para explicar fenômenos paranormais que vão além do conceito de inconsciente. A Psicologia Transpessoal estabelece que a percepção de vigília ordinária é apenas uma dentre várias outras possíve, não sendo nem a mais aperfeiçoada e muito menos a melhor. Conceitos de "consciente" e "inconsciente" podem ser transcendidos extraordinariamente em estados alterados de consciência, dentre os quais se situa o transe mediúnico e outros (LeShan, 1994; Grof, 1988; Fadiman & Frager, 1986; Walsh & Vaughan, 1991)
Nos fala o Prof. Hernani Guimarães Andrade que atribuir tão prontamente tal poder psicocinético e psicomagnético ao inconsciente (quevediano) parece ser não só algo questionável como cientificamente bem pouco coerente. Este poder só se exerce ao nível dos chamados fenômenos espíritas? Se a resposta for não, então, será que os resultados revolucionários e paradoxais das experimentações em Física subatômica, a Microbiologia e outras discipinas de ponta terão de ser engavetadas por seus resultados paradoxais e para além do paradigma newtoniano ainda dominante, devido à possibilidade de haverem sido falseados pelas diabruras do inconsciente? E mais, porque então é tão difíci de se obter efeitos psicocinéticos em laboratórios de Parapsicologia quando o intenso desejo e motivação deveriam contribuir grandemente para sua maior manifestação? (C.f. ANDRADE, 1987, pp. 104 e seguintes).
Sem querer negar a importância e existência do inconsciente (afinal, como psicólogo, melhor que ninguém sei de sua existência) que demonstra sua presença em características emocionais e comportamentais, e até mesmo um certo grau de importância na causa e manifestação de alguns fenômenos paranormais , em especial a telepatia (o que era, num rasgo de genialidade, reconhecido pelo próprio sistematizador e codificador da Doutrina Espírita, Allan Kardec, cerca de quarenta anos antes dos estudos de Freud e Breuer), não nos parece científico por, a priori, a explicação cômoda e abrangente de tudo o que escapa ao alcance do usual ao nível do inconsciente humano. Dúvido que Freud aceitasse tal uso (e abuso) de sua descoberta (o incosnciente). De fato, o inconsciente acabou virando uma "terra mágica" onde tudo parece ser, de uma forma ou outra, enquadrado, especialmente para uma pessoa como o Pe. Quevedo que, não podendo negar o fenômeno, ao menos pode por as causas destes num arcabouço explicativa que lhe seja mais conveniente, do mesmo modo como os "demônios" explicavam os mesmos fatos antigamente, motivo suficiente para mandar muita gente inocente para a fogueira.
O senhor sacerdote "parapsicólogo", então, diante da fraqueza de seus argumentos, ataca do lado teológico-religioso, dizendo que não se pode ter comunicação alguma entre vivos e mortos, porque esta foi explicitamente proibida no Antigo Testamento, mais especificamente Deuteronômio 18. Só que assim falando, Quevedo acaba por indiretamente se contradizer, pois se houve proibição, é porque ao menos havia a crença de que tais comunicações eram possíveis. Devemos lembrar de inúmeras outras proibições estabelecidas por Moisés a fim de disciplinar o povo hebreu, entre elas a de se guardar rigidamente o dia de sábado, pelo qula qualquer tipo de trabalho era pecado, mas que teve sua aplicação exagerada questionada e rompida pelo próprio Jesus, como bem o sabemos. Ora, em I Samuel, 28 encontramos esta "transgressão" à proibição do Deuteronômio 18, com conseqüências notáveis (a transcrição é integral e literal da passagem citada, retirada da Bíblia Sagrada, da Edição Missionária, traduzida por João Ferreira de Almeida, Sociedade Bíblica do Brasil, 2º Edição, São Paulo, 1997, pp. 280 -281, mas julgamos que o termo médium empregado na tradução é, historicamente, incorreto devido ao fato de que este termo foi cunhado, junto com o espiritismo, somente século passado. Os termos mais apropriados à terminologia da época seriam Pitonisa ou Vidente).
Saul consulta a médium de En-Dor (I Samuel 28, 3-25)
28 3 Já Samuel era morto, e todo o Israel o tinha chorado e o tinha sepultado em Ramá, que era a sua cidade; Saul havia desterrado os médiuns e os adivinhos.
4 Ajuntaram-se os filisteus e vieram acampar-se em Suném; ajuntou Saul a todo o Israel, e se acamparam em Gilboa.
5 Vendo Saul o acampamento dos filisteus, foi tomado de medo, e muito se estremeceu o seu coração.
6 Consultou Saul o SENHOR, porém o SENHOR não lhe respondeu, nem por sonhos, nem por Urim, nem por profetas.
7 Então, disse Saul a seus servos: Apontai-me uma mulher que seja médium, para que me encontre com ela e a consulte. Dsseram-lhe os seus servos: Há uma mulher em En-Dor que é médium (obs.: é esta mesma a palavra usada nesta versão da Bíblia: médium!)
8 Saul disfarçou-se, vestiu outras roupas e se foi, e com ele, dois homens, e, de noite chegaram à mulher; e lhe disse: Peço-te que me adivinhes pela necromancia e me faças subir até aquele que eu te disser.
9 Respondeu-lhe a mulher: Bem sabes o que fez Saul, como eliminou da Terra os médiuns e adivinhos; por que, pois, me armas ciladas à minha vida, para me matares?
10 Então, Saul lhe jurou pelo SENHOR, dizendo: Tão certo como vive o SENHOR, nenhum castigo te sobriverá por isso.
11 Então, lhe disse a mulher: Quem te farei subir? Respondeu ele: Faze-me subir Saumuel.
12 Vendo a mulher a Samuel, gritou em alta voz; e a mulher disse a Saul: Por que me enganaste? Pois tu mesmo és Saul.
13 Respondeu-lhe o rei: Não temas; que vês? Então, a mulher respondeu a Saul: Vejo um deus que sobe da terra.
14 Perguntou ele: Como é a sua figura? Respondeu ela: Vem subindo um ancião e está envolvido numa capa. Entendendo Saul que era Samuel, inclinou-se com o rosto em terra e se prostou.
15 Samuel disse a Saul: Por que me inquietaste, fazendo-me subir? Então, disse Saul: Mui angustiado estou, porque os filisteus guerreiam contra mim, e Deus se desviou de mim e já não me responde, nem pelo ministério dos profetas, nem por sonhos; por isso, te chamei para que me reveles o que devo fazer.
16 Então disse Samuel: Por que, pois, a mim me perguntas, visto que o SENHOR te desamparou e te fez teu inimigo?
17 Porque o SENHOR fez para contigo como, por meu intermédio, Ele te dissera; tirou o reino da tua mão e o deu ao teu companheiro Davi.
18 Como tu não deste ouvidos à voz do SENHOR e não executastes o que ele, no furor da sua ira, ordenou contra Amaleque, por isso, o SENHOR te fez, hoje, isso.
19 O SENHOR entregará também Israel contigo nas mãos dos filisteus, e, amanhã, tu e teus filhos estareis comigo; e o acampamento de Israel o SENHOR entregará nas mãos dos filisteus.
20 De súbito, caiu Saul estendido por terra e foi tomado de grande medo por causa das palavras de Samuel; e faltavam-lhe as forças, porque não comera pão todo aquele dia e toda aquela noite.
21 Aproximou-se de Saul a mulher e, vendo-o assaz perturbado, disse-lhe: Eis que a tua serva deu ouvidos à tua voz, e, arriscando a minha vida, atendi às palavras que me falaste.
22 Agora, pois, ouve também tu as palavras da tua serva e permite que eu ponha um bocado de pão diante de ti; come, para que tenhas forças e te ponhas a caminho.
23 Porém ele recusou e disse: Não comerei. Mas osseus servos e a mulher o constrangeram; e atendeu. Levantou-se do chão e se assentou no leito.
24 Tinha a mulher em casa um bezerro cevado; apressou-se e matou-o, e, tomando farinha, a amassou, e a cozeu em bolos asmos.
25 E os trouxe diante de Saul e de seus servos, e comeram. Depois, se levantaram e se foram naquela mesma noite.
Como vemos, o próprio Velho Testamento atesta dá testemunho da comunicabalidade entre os espíritos e o homem encarnado. Alguns evangélicos se sentem perdidos diante deste texto bíblio e dizem que, na verdade, foi um demônio e não Samuel quem se manifestou pela médium de En-Dor. Só que é a própria Bíblia quem diz que foi, de fato, Samuel quem se comunicou pela médium, não o diabo, nem "exus, orixás, fadas, ondinas, salamandras, larvas astrais, gênios, mahatmas; interpretações delirantes que levam à dupla personalidade " e outros delírios citados freqüêntemente pelo sacerdote "parapsicólogo" quando mistura as coisas e tenta ironizar com "os crentes". O que o Sr. Pe. jesuíta utilizada como argumento se volta contra ele, pois nele está o fato simples de que a proibição de Moisés em se invocar os mortos foi imposta exatamento porque o povo rude e indisciplinado que ele libertou de Egito abusaria desta capacidade e/ou das fraudes!
Mas, passemos por outros exemplos no Antigo Testamento e entremos no Novo Testamento, onde pululam exemplos vários:
Passando pelas visões de Maria e José dos Anjos, vejamos outros exemplos mais claros:
Em Mateus 17, 1-8; em Marcos, 9, 2-8 e em Lucas, 9, 28-32 temos o relato da Transfiguração de Jesus e seu encontro com dois "fantasmas": Moisés e Elias.
(Mt, 17, 1 e 3; e a passagem quase idêntica em Mc 9, 2 e 4) Seis dias depois, Jesus tomou consigo a Pedro e aos irmãos Tiago e João e os levou, em particular, a um alto monte.
E foi transfigurado diante deles (...). E eis que lhes aparecem Moisés e Elias, falando com ele.
Se o "parapsicólogo" jesuíta nega a existência de Espíritos e/ou sua possibilidade de contato com os "vivos", então ele só pode aceitar estas passagens como simbólicas. Quem garante, porém, que não ocorreram?
Logo após este fenômeno, outra bomba é revelada por Jesus:
10 Mas os discípulos o interrogaram: Por que dizem, pois, os escribas ser necessário que Elias venha primeiro (que o Messias)?
11 Então, Jesus respondeu: De fato, Elias virá e restaurará todas as coisas.
12 Eu, porém, vos declaro que Elias já veio, e não o reconheceram; antes, fizeram com ele tudo o quanto quiseram. Assim também o Filhos do Homem há de padecer nas mãos deles.
13 Então, os discípulos entenderam que era de João Batista que ele lhes falara. (Mateus, 17, 10-13)
Esta passagem se encontra também em Marcos, 9, 10-13:
10 Eles guardaram a remcomendação, perguntando uns aos outros o que seria realmente o ressuscitar dentre os mortos.
11 E interrogaram-no, dizendo: Por que dizem os escribas ser necessário que Elias venha primeiro?
12 Então, ele lhes respondeu, dizendo: Elias, vindo primeiro, restaurará as coisas; como, pois, está escrito sobre o Filho do Homem que sofrerá muito e será aviltado?
13 Eu, porém, vos digo que Elias já veio, e fizeram com ele tudo o que quiseram, como a seu respeito está escrito.
Como há séculos o ocidente aceita que Jesus era um enviando de Deus (dirá a igreja a partir do século IV que é "o próprio Deus"), e se era o Messias (mas não o Messias belicoso, político e militar que os judeus esperavam, é claro), e ele diz que Elias já tinha vindo antes dele, compreendendo os discípulos que Elias era João Batista (Mateus, 17, 13), e como vemos o mesmo em Marcos, 9, 13, a lógica clássica aristotélica tem de concluir que como A não pode ser não-a, Elias e João Batista têm de ser a mesma pessoa. Ora, todos conheciam a história de João, sabiam que ele tinha nascido e de quem era filho, e o tinham visto crescer. Então, como é que isso se explica senão através de algo parecido com a idéia da reencarnação. Vejamos o que nos diz Lucas, 1,17, sobre o anúncio do nascimento de João a seu pai, Zacarias, através da aparição de um "anjo"( ou ainda, uma "aparição", diga-se de passagem), parece confirmar que ele, João, seria realmente Elias:
17 E ele [João] irá diante do Senhor no espírito e poder de Elias, para converter os corações dos pais aos filhos, converter os desobedientes à prudência dos justos e habilitar para o Senhor um povo preparado.
E para quem acha que isto não está claro ou convincente, vejamos o que nos fala João sobre a fala de Jesus a Nicodemos, no capítulo 3, 3 a10 de seu Evangelho:
3 Respondeu Jesus: Em verdade, em verdade te digo que, se alguém não nascer de novo, não pode ver o Reino de Deus.
4 Perguntou-lhe Nicodemos: Como pode um homem nascer de novo sendo velho? Pode, porventura, voltar ao ventre da sua mãe e nascer uma segunda vez?
5 Respondeu Jesus: Em verdade, em verdade te digo: Quem não nascer da água [matéria] e do Espírito não pode entrar no reino de Deus.
6 O que é nascido da carne é carne; e o que é nascido em espírito é espírito.
7 Não te admires de te dizer: importa-vos que nasças de novo.
8 O vento (pneuma, espírito) sopra onde quer, ouves a sua voz, mas não sabes de onde ele vem, nem para onde ele vai; é assim que é todo [aquele que é] do espírito.
9 Então, lhe perguntou Nicodemos: Como pode ser assim? Respondeu-lhe Jesus:
10 Tu és mestre em Israel e não compreendes estas coisas?
Ora, sabemos hoje que a idéia da reencarnação não era estranha aos judeus da época, embora não como o nome reencarnação, mas por paligênese, metempsicose ou transmigração de almas devido ao contato com os gregos, que, em sua filosofia, a adotavam, ou ao menos assim o fizeram Pitágoras, Sócrates e Platão. No livro de Jo. capítulo 8, versículo 9, encontramos a reflexão sobre a reencarnação na máxima "Porque somos de ontem, e nada sabemos". Também encontramos em Sabedoria 8:19 - 20 raciocínio análogo, com relação à Lei de Causa e Efeito: "Eu era um bom rapaz, por isso cai num corpo perfeito". Ainda hoje, vários judeus, inclusive em sua literatura mística chamada Cabala, admitem a reencarnação. Mas esta idéia, no tempo de Jesus, não tinha para o vulgo a mesma acepção que tem hoje para o homem moderno, ou ao menos, para o grande povo, a reencarnação tinha algo a ver com um ressurgir de um morto ao mundo físico, portanto, estava muito misturada à idéia de ressurreição, como podemos ver nesta passagem de Mateus, 16, 13-14:
13 Indo Jesus para as bandas de Cesaréia de Felipe, perguntou a seus discípulos: Quem diz o povo ser o Filho do Homem?
14 E eles responderam: Uns dizem João Batista; outros Elias, e outros, Jeremias ou algum dos profetas.
Note-se que Jesus não parece ter se escandalizado com tal hipótese "ridícula", pois não falou contra esta.
A idéia fica ainda mais clara em Lucas, 9, 18-19:
18 Estando ele orando à parte, achavam-se presentes os discípulos, a quem perguntou: Quem dizem as multidões que eu sou?
19 Responderam eles: João Batista, porém outros dizem Elias; e ainda outros dizem que és um dos profetas que ressuscitou.
Poderíamos ainda falar de tantos outros relatos espíritas dentro do Novo Testamento, como as aparições póstumas de Jesus aos discípulos, em que ele aparecia e desaparecia de repente (o corpo só poderia ter sido dissolvido, liberando certo grau de energia, como o dizem alguns estudiosos do Sudário de Turim, tendo seus elementos químicos sido dispersados no ambiente, pois só assim se explica as marcas do corpo de Cristo no pano, que só poderia ter sido feitas por algum um processo de radiação. A Igreja, sabendo disso, ficou numa situação difícil, por isso aceitou o resultado do teste de Carbono 14 que dizia que o pano teria sido feito na Europa da Idade Média - Deus sabe como, sem a tecnologia. Porém, estudos mais recentes dizem que o resultado deste teste não é conclusivo, em especial devido às propriedade bioquímicas do tecido, que poderiam ser alteradas por fungos acumulados por séculos sem falar de que as mesmas propriedades poderiam ter sido afetadas pelo Incêndio por que passou o Sudário em 1532, sem falar no banho de azeite fervente por que o mesmo tecido passou, para que se provasse, à época, que era autêntico. Além do mais, pesquisas encontraram no tecido pólem de vegetais só encontrados na região da Palestina, sangue humano e areia, na região dos pés da figura, com fungos da região. Paradoxalmente, hoje a Igreja volta a quase aceitar como autêntico o Sudário).
João 20, 19: Ao cair da tarde daquele dia, o primeiro da semana, trancadas as portas da casa onde estavam os discípulos com medo dos judeus, veio Jesus, pô-se no meio deles e disse-lhes: Paz seja convosco!
João, 20, 26: Passado oito dias, estavam outra vez ali reunidos os seus discípulos, e Tomé, com eles. Estando as portas trancadas, veio Jesus, pô-se no meio deles e disse-lhes: Paz seja convosco!
Marcos, 16, 14: Finalmente, Jesus apareceu aos onze, quando estes estavam à mesa, e censurou-lhes a incredulidade e dureza de coração. porque não deram créditos aos que o viram já ressurgido.
Lucas 24, 30 a 31: E aconteceu que, estando à mesa [Jesus e os dois dicípulos de Emaús], tomando ele o pão, abençoou-o e, partindo, lhes deu; então, se lhes abriram os olhos, e o reconheceram; mas ele desapareceu da presença deles.
Cabe, pois, saber se o "Caçador de Enigmas" aceita tais coisas... Mas já sabemos que não, pois um de seus discípulos, o igualmente simpático Pe. Juarez Farias logo sai desta sinuca dizendo que estas passagens evangélias são simbólicas... Bem, cada um diz o que quer e lhe é mais conveniente, porém é digno de nota o que nos fala um dos estudiosos dos documentos bíblicos, Geddes MacGregor:
Toda a literatura do NovoTestamento, para não dizer a vasta literatura não canônica do cristianismo primitivo, foi escrita por e para pessoas que haviam desenvolvido considerável sensibilidade aos fenômenos anímicos (Citado em MIRANDA, 1992, p. 29).
Poderíamos citar ainda os fenômenos de aparições de Maria (ou a ela atribuídas) ao longo dos séculos, as visões de Joana D'Arc, as aparições de Tereza D'Ávila e outros, mas seria por demais enfadonho falar do óbvio.
Aos caros leitores que por ventura se achem chocados ou a pensar que isso é algum delírio e não tem nenhum respaldo em pesquisas modernas, acho bom transrecer um trecho de outr trabalho meu:
A chamada Terapia de Vida Passada, ou TVP, tal como vem se apresentando hoje em dia - e explorada de modo um tanto sensacionalista e superficial pela televisão - baseia-se em observações e pesquisas que vêm sendo realizadas já há mais de três décadas. O fenômeno em si não parece ser novidade. Desde o século passado, quando a hipnose foi resgatada, ou melhor, passou a ser respeitada (em parte) pela ciência, a partir dos trabalhos de Jean Charcot e da primeira fase de estudos de Sigmund Freud, e mesmo antes, que se conhecia o fato de pessoas relatarem vivências e lembranças do que se pensava (elas mesmas o diziam) serem fatos de uma vida diferente da atual (Gabriel Delane, Ernesto Bozzano,William James e outros). Em nosso século, pesquisas como as realizadas por Ian Stevenson, com dois livros clássicos: "Twenty Cases Suggestive of Reincarnation. Proceedings of the American Society for Psychical Reseach, vol. 26. New York. (Stevenson, 1966), e Where Reincarnation ando Biology Intersect (Stevenson, 1997), David-Neel e por outros pesquisadores reconhecidos na comunidade científica, incluindo o professor Hernani Guimarães Andrade (Andrade, 1987, 1990) e o ex-professor da USP, Lívio Túlio Pincherle (Pincherle et al. 1991), demonstram que histórias envolvendo a hipótese da reencarnação, principalmente envolvendo crianças, são consistentes e foram verificadas com exatidão em inúmeros casos, em diversas culturas (Fadiman & Frager, 1986). Além do mais, em psicoterapia - qualquer que seja a escola -, algumas lembranças vívidas tendem a surgir em determinadas pessoas quando estas se acercam da problemática capital que as afligem, durante o processo da psicoterapia, problema este constelado e imerso no inconsciente, e que dificilmente pode se enquadrar na história biográfica conhecida do cliente/paciente (Pincherle, 1991; Grof, 1988).
Morris Netherton, ao formular, junto com outros psicoterapêutas, as bases da Past Life Therapy, tomou por base a pesquisa da consciência mais recente, bem como dos estudos em neurofisiologia mais atual, como, por exemplo, a da teoria holográfica da mente de Karl Pribam, e mesmo do universo holonômico do físico David Bohm. Também se espelham nos trabalhos fantásticos de teóricos e terapêutas não plenamente cartesianos, como Jung e Assagioli, e de autores como Maslow e Rogers (este, principalmente em sua última fase). Assim, a Terapia de Vida Passada, ou TVP , deve ser considerada uma forma psicoterapêutica enquadrada no universo da Psicologia Transpessoal, sendo tecnicamente orientada para problemas psicológicos específicos do trabalho com o inconsciente profundo, arquivo da memória. No Brasil, as pesquisas em Terapia de Vida Passada é efetuada, em associação com centros de pesquisas internacionais, entre outros, pela Sociedade Brasileira de Terapia de Vida Passada
Portanto, hoje em dia, como vimos, a tese da reencarnação passou da esfera religiosa e filosófica para a área da pesquisa científica. Devemos ficar, pois, atentos ao progresso desta pesquisa, com as conseqüências sem dúvida de grande gravidade que elas poderão trazer à nossa visão de mundo e, conseqëntemente, à forma de como nos comportamos em relação a nós mesmo e a nossos semelhantes. E, como nos falam os Doutores James Fadiman, da Universidade de Stanford, e Robert Frager, do Instituo de Psicologia Transpessoal da Califórnia:
"(...) se há a possibilidade de aceitar o fenômeno, então a possível origem da personalidade e das características físicas pode incluir eventos ou experiências de encarnações anteriores. Tudo o que se pode afirmativamente dizer é que existe uma evidência fatual que não pode ser facilmente descartada" (Fadiman & Frager, 1986, p. 176).
A técnica básica da TVP já é bem conhecida: utiliza-se técnicas de relaxamento profundo - o que pode incluir ou não a hipnose -, possibilitando ao cliente/paciente uma sensação de tranquilidade e confiança necessários ao afrouxamento das defesas psíquicas, o que permite o fluir das correntes de pensamento e das imagens mnemônicas mais profundas, advindas do inconsciente, que estejam ligadas ao problema - ordinariamente um trauma psicológico. Este estado permite ao terapêuta levar o cliente/paciente a níveis de regressão sem limite de tempo, pois, como já o havia dito Freud, tempo e espaço são conceitos que não fazem sentido para o inconsciente, que, na psicanálise ortodoxa, se assemelha a um grande porão onde são lançados idéias, imagens e emoções esquecidas e/ou reprimidas.
Agora, passemos propriamente à questão da Parapsicologia propriamente dita.
A partir da Metapsíquica elaborada pelo fisiologista Charles Richet para estudar os fenômenos espíritas (que, aliás, Richet, mesmo tendendo a uma explicação fisio-fisicista, reconhecia as contribuições dos teóricos espíritas, como o do astrônomo Camille Flammarion e o do filósofo Gabriel Delanne, tendo, diante da perfeita dialética do discurso de Ernesto Bozzano, finalmente aceito a validade das teses espiritualistas), que estes fenômenos foram estudados com regular rigor e método, em especial, pelos físicos William Crooks, Oliver Lodge, por William Henry Myers, fundador da British Society for Psychical Research, e por tantos outros.
A metapisíquica, porém, não tinha uma sistematização rígida ao ponto de ser reconhecida como passível de ser enquadrada dentro dos critérios da metodologia científica convencional, em especial pelos norte-americanos. Ela só atingiu este patamaar quando foi retomada por J. B. Rhine, em sua firme convicção de que a ciência não deve ter limites, aliada ao seu interesse por alguns fenômenos inexplicáveis, fundou o primeiro laboratório univiversitário na Duke University, em 1927, e criou o Instituto de Parapsicologia, estabelecendo linhas de pesquisas rígidas, científicas, com controles rigorosos na investigação de áreas como clarividência, premonição e telepatia (ver, de Hernani Guimarães Andrade, o livro Parapsicologia Experimental, 1977, Editora Boa Nova). Rhine demonstrou a ocorrência estatisticamente significativas destas ocorrências "paranormais", estabelecendo de forma concreta uma junção entre fenômenos simples paranormais e a matemática, e deu início ao reconhecimento da Parapsicologia, que tem, no Brasil, os nomes ilustres já referidos, e que Quevedo e discípulos querem monopolizar e controlar para interesses políticos e religiosos/ideológicos. Embora não se declaresse um espiritualista na acepção tradicional do termo, Rhine assumia que o fator Psi tinha aspectos bastante próximos daquilo que se chama Espírito. Várias são as pesquisas internacionais que demonstram a validade dos fenômenos, e até mesmo Quevedo admite a existências destes, desde que descartadas a intervenção de espíritos.
Bem, mas o "parapsicólogo" jesuíta, parece-nos, não contava com o desenvolvimento de um nova área na Psicologia, chamada de Psicologia Transpessoal, que aprofunda, a nível da Psicologia e Psiquiatria, a possibilidade da exitência dos espíritos (ver os livros de Stanislav Grof, famosíssimo psicoterapeuta e teórico; as pesquisas de Elizabeth Kübler-Roos, Karlis Osis e de Raymond Moody, e outros), e muito menos que gente da própria Igreja se dedique a confirmá-los através do estudo em transcomunicação, como o faz o Padre francês Fraçois Brune.
Digno de nota, ademais, são os comentários de estudiosos do Psi não espíritas, mas que, não obstante, reconhecem que foi devido ao espiritismo do século XIX que se deu os primeiros passos na pesquisa séria que daria, no final, nascimento à própria disciplina da Parapsicologia. Vejamos o que nos diz, a este respeito, o professor Nelson Valente, um declarado não-espírita e em cujo livro - do qual extráio o seguinte comentário - é visível o esforço de postular unicamente a ação do inconsciente para abstrair a do espírito nos fenômenos ditos paranormais:
"Graças ao Espiritismo tivemos no passado uma Metapsíquica e temos atualmente uma Parapsicologia cheia de dinamismo que, junto com a Psicanálise, deram a possibilidade de melhor conhecermos a personalidade humana; graças ao Espiritismo, à Metapsíquica e à Parapsicologia, pode ser descoberto p mundo novo da Persepção Extra-Sensorial (...) cujo fator extrafísico e imaterial está levando novamente a Psicologia (ex. Psicologia Transpessoal, Psicossíntese, TVP) aos velhos rumos do mais respeitável espiritualismo; graças ao espiritismo, grandes massas de indivíduos que não toleram o pragmatismo dogmático e a estrutura fossilizante das Igrejas Católicas e Protestantes, conservam, ainda hoje, suas crenças espiritualistas; e graças ao Espiritismo excelentes inteligências do nosso mundo contemporâneo se empolga e se intensificam as pesquisas científicas das teses do espiritualismo, nos meios culturais de alto nível, sendo bem notória, por outro lado, a completa abstenção do Catolicismo e do Protestantismo oficiais nestes setores.
"Seja lícito, portanto, afirmar que se alguma coisa conhecemos hoje, certa ou errada, o devemos exclusivamente ao Espiritismo (...); pois as únicas pesquisas e estudos que se têm feito a esse respeito, iniciaram e muitos casos continuam sendo feitas por elementos espíritas e com material espírita." (VALENTE, 1997, pp. 240-241).
Portanto (oh paradoxo!), se o Sr. Pe. "Caçador de Enigmas" enche a boca para se auto-intitular um dos maiores pesquisadores de Psi do mundo, que reconheça que as raízes de seu trabalho se devem às pesquisas iniciais de Kardec, Flammarion, Richet, Bozzano e outros que se debruçaram sobre o que acontecia com os chamados médiuns em sessões espíritas, o que também despertou o interesse por esta área em cépticos como Jean-Martin Charcot e Pierre Janet. E ainda hoje, é ao estudo dos médiuns que boa parte da pesquisa psi não-espírita e ao mesmo tempo não-católica se dedica. Ver, neste caso, o artigo de Wellington Zangari, da PUC e um não espírita, intitulado "Estudos psicológicos da Mediunidade: uma breve revisão". Mas claro, tal reconhecimento seria demais para uma pessoa que se utiliza claramente da Parapsicologia para um proselitismo extremado.
Além do mais, o Padre "Parapsicólogo" e seus discípulos adotam uma outra postura, para dizer o mínimo, bem pouco científica, pois eles já se adiatam ante os problemas parapsicológicos com a certeza de que não existem as tais entidades chamadas espíritos (na concepção tradicional do termo, ao menos). E o que dá esta certeza a eles? Apenas a crença e a conveniência de que não seja assim, pois nada demonstra a não existência destes. Usam, além disso, de todo um discurso cientificista, calcado na psicopatologia para chamar os médiuns de lunáticos ou esquizofrêncos, caindo no mesmo erro já apontado esplendidamente por Carl Jung, Stanislav Grof, R.D. Laing, Pierre Weil e vários outros psicoterapeutas mais competentes, ou seja, o de se usar de um saber para rotular - e com isso, estigmatizar e marginalizar - certas pessoas, o que desmascara este tipo de discurso como preconceituoso, quando não visivelmente tendencioso, o que já era apontado por William James ainda no século passado e que Michel Foucault tão bem expôs como tática de domínio e manipulação social em seu livro História da Loucura. Vejamos o que a este respeito nos diz um dos maiores pscólogos teóricos vivos da autalidade, Stanislav Grof, que foi chefe de Pesquisa Psiquiátrica no Maryland Psychiatric Research Center e professor de Psiquiatria no John Hopkins University School of Medicine, em seu livro "Além do Cérebro: Nacimento, Morte e Transcendência em Psicoterapia", editora McGraw-Hill, São Paulo, 1988:
"Na psiquiatria tradicional, as inclinações e interesses espirituais têm conotação claramente patológica. Ainda que não seja declarada abertamente, está implícita de algum modo no atual sistema psiquiátrico de pensamento a hipótese de que a saúde mental associa-se ao ateísmo, materialismo e visão do mundo da ciência mecanicista. Assim, as experiências espirituais, as convicções religiosas e o envolvimento em práticas espirituais sustentariam gealmente uma diagnose psicopatológica.
"A situação da psiquiatria ocidental no que diz respeito à saúde e doença mental, diagnose clínica, estratégia geral de tratamento e avaliação dos resultados terapêuticos é um tanto confusa e deixa muito a desejar. Razão e funcionamento mental saudáveis são definidos pela ausência do que é considerado psicopatologia e não há uma descrição positiva de um ser humano normal. Raramente entram nas considerações psiquiátricas fatores qualitativos e conceitos como ativa alegria de viver, capacidade de amar, altruísmo, reverência à vida, criatividade e auto-atualização, que foram objetos de interesse da psicologia humanista. As técnicas psiquiátricas atualmente disponíveis dificilmente chegam à meta terapêutica definida por Freud: 'Trocar o sofrimento excessivo do neurótico pela miséria normal da vida diária adaptada à civilização'. Resultados mais ambiciosos são inconcebíveis sem que se introduam a espiritualidade e a perspectica transpessoal na prática da psicologia e da psicoterapia.
"A atitude da psiquiatria e da psicologia tradicionais, cartesianas, sobre a religião e fenômenos espirituais é determinada pela orientação mecanicista e materialista ainda dominante na ciência ocidental (...) Consequentemente, a psiquiatria recorre à psicanálise, sugerindo que (...) algumas experiências espirituais diretas são grosseiras distorções psicóticas da realidade e indicativas de sério processo patológico ou doença mental. Estre elas encontram-se (...) memórias de encarnações passadas ou encontros com personagens arquetípicos. Até a publicação da pesquisa de Abraham Maslow sobre a tendência auto-atualizante, a psicologia tradicional acadêmica não reconhecia nenhuma outra maneira de interpretar tais fenômenos. As teorias avançadas de Jung e Assagioli, apontando na mesma direção, distanciavam-se muito da corrente principal da psicologia acadêmica para que pudessem, à época, causar um impacto sério.
Em princípio, a ciência mecanicista ocidental tende a ver as experiências espirituais de quaisquer tipos como fenômenos patológicos. A principal corrente ortodoxa da psicanálise, seguindo o exemplo de Freud, interpreta os estados alterados de consciência dos místicos e espiritualistas como regressão a um narcisismo primário e a desamparo infantil (Freud, O Mal-Estar na Civilização) e encara a religião como uma neurose obsessivo-compulsiva (Freud, Obsessive Acts and Religious Practices)(...) Os grandes xamãs das tradições aborígenes foram descritos como esquizofrênicos ou epilépticos e alguns dos mais importantes santos, profetas e mestres religiosos receberam diversos rótulos psiquiátricos (...) Esses critérios psiquiátricos são aplicados sem distinção, rotineiramente, mesmo a grandes mestres das religiões, como Buda, Jseus, Maomé, Sri Ramana Maharish ou Ramakrishna.
"Tudo isso resulta em uma peculiar situação em nossa cultura. Em muitas comunidades existe uma considerável pressão psicológica, social e mesmo política forçando as pessoas a frequentarem igrejas. A Bíblia pode ser encontrada nas gavetas de muitos políticos proeminentes e de outras figuras públicas. Mesmo assim, se um membro de uma congregação típica tiver uma experiência religiosa profunda, seu ministro ou sacerdote possivelmente o encaminhará para tratamento médico com um psiquiatra" (GROF, 1988, pp. 241-243, com adaptações)
Estas palavras de Grof poderiam ser dirigidas já sabemos a quem. Mas, mesmo em meio a algumas das tantas contradições, a equipe do jesuíta espanhol (como espanhóis jesuítas eram os mais agressivos inquisidores da Igreja Católica Romana) se sente particularmente feliz diante das câmeras de televisão, em programas sensacionalistas e nas páginas impressas das revistas populares para passar sua mensagem agressiva e proselitista sem que este outro lado, mais profundo, venha à baila do grande público e lhes arrisquem a fraca posição em que se arvoram.
E para encerrar, uma comparação entre a forma de comunicação do Sr.Pe. "Parapsicólogo" e discípulos com o do Sr. Hernani Guimarães Andrade, diretor do Instituto Brasileiro de Psicobiofísica, em um comparativo em termos de equilíbrio e postura crítica, em entrevista recolhida do site "Consciência Espírita":
"O Reverendo Pe. Oscar Gonzales Quevedo, SJ merece todo o nosso respeito, porquanto ele tem se mostrado de suma fidelidade e obediência aos preceitos da respeitável ordem dos jesuítas a que ele pertence: A Companhia de Jesus. Naturalmente o Espiritismo é visto por ele sob o prisma do jesuitismo: uma heresia. Cabe, portanto, a ele o combate a tal heresia. Não critico as idéias do Reverendo Pe. Oscar G. Quevedo pois ele assumiu essa tarefa por força dos regulamentos da sua ordem. Se ele está certo ou errado a responsabilidade será inteiramente dele e dos que o dirigem.
Quanto ao fato de a TV-Globo apresentar no programa Fantástico o Reverendo Pe. Quevedo, é também uma questão de responsabilidade daquela emissora. Nós os espíritas temos liberdade de aceitar ou não as idéias veiculadas naquele programa, tanto quanto os demais telespectadores. No Brasil há liberdade de crença e opinião, não temos o direito de impingir esta ou aquela crença em quem quer que seja. Isto é objeto do foro íntimo de cada um e o espiritismo não sofrerá nada por isso, pois como já o dissemos, apesar de toda a opinião do mundo oficial daquela época, as idéias de Galileu Galilei continuaram vigentes até hoje e a Terra não parou de girar em torno do sol".
João Pessoa, Paraíba, 19 de janeiro de 2000
Revisto em 19 de dezembro de 2002
Obs.: As fotos contidas nesta Home Page foram retiradas dos livros "Photographs of the Unknowon", de Robert Rickard e Richard Kelly; "Transcomunicação", de Clóvis Nunes e "Os Espíritos Comunicam-se por Gravadores", de Peter Bander
Bibliografia
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