segunda-feira, 28 de março de 2011

Viver bem não significa viver longamente




Ninguém se preocupa em ter uma vida virtuosa, mas apenas com quanto tempo poderá viver. Enquanto todos podem viver bem, ninguém tem o poder de viver muito tanto quanto gostaria.

Lucius Annaeus Sêneca

segunda-feira, 21 de março de 2011

O mal da fragmentação dos saberes




Edgar Morin

Devemos pensar o problema do ensino considerando, por um lado, os efeitos cada vez mais graves da compartimentalização dos saberes e da incapacidade de articulá-los, uns nos outros; por outro lado, considerando que a aptidão para contextualizar e integrar é uma qualidade fundamental da mente humana, precisa ser desenvolvida, e não atrofiada.

O crescimento ininterrupto dos conhecimentos constrói uma gigantesca torre de Babel, que murmura linguagens discordantes. A torre nos domina porque não podemos dominar nossos conhecimentos. T. S. Elit dizia: "onde esta o conhecimento que perdemos na informação?" O Conhecimento só é conhecimento enquanto organização com sentido, relacionado com as informações e inserido no contexto destas. As informações constituem parcelas dispersas de saber. Em toda parte, nas ciências como nas mídias, estamos afogados em informações. O especialista da disciplina mais restrita de uma matéria não chega sequer a tomar conhecimento das informações concernentes à sua área. Cada vez mais, a gigantesca proliferação de conhecimentos escapa aos controle humano.

domingo, 20 de março de 2011

Um pouco de boa música


Para variar um pouco o clima racional, uma bela canção do grupo britânico Muse... Segue adiante a letra e o video. Espero que gostem...

A melodia, simples, é lírica...

E é bom sentir outras funções psíquicas além do intelecto redutor... a música toca em níveis mais profundos da alma...

Carlos

Unintended

You could be my unintended choice
To live my life extended
You could be the one i'll always love

You could be the one who listens to my deepest inquisitions
You could be the one i'll always love

I'll be there as soon as i can
But i'm busy
Mending broken
Pieces of the life i had before

First there was the one who challenged
All my dreams and all my balance
She could never be as good as you

You could be my unintended choice
To live my life extended
You should be the one i'll always love

I'll be there as soon as i can
But i'm busy mending broken
Pieces of the life i had before

(repeat)

Before you

video

sexta-feira, 18 de março de 2011

Tribunal Regional Federal mantém decisão sobre o funcionamento do Aeroclube da Paraíba



Foto: pista de pouso e decolagem destruída pela arbitrariedade do "prefeito" Luciano Agra

Carlos Antonio Fragoso Guimarães

Justiça se faz contra a arbitrariedade da Prefeitura de João Pessoa, sob o comando do Prefeito não eleito Luciano Agra, que agiu com má-fé e truculência ao destruir a pista do aeródromo da cidade de João Pessoa, ocorrido no última dia 22 de fevereiro.

Após a liminar provisória dada por um juíz estadual duas horas e meia depois dos tratores da destruição já estarem estacionados ao lado do Aeroclube ter sido cassada, na mesma noite do violento desmantelamento da pista, pelo Presidente do Tribunal de Justiça do Estado, houve também a confirmação da anulação da desapropriação pela Prefeitura decretada pela Juiza Federal Cristina Garcez. Isso transferia a posse das instalações novamente aos diretores do Aeroclube, legais donos do terreno, mesmo após a quebradeira truculenta efetuada por órdens do prefeito contra a pista de pouso e decolagem, predendo em terra cerca de 40 aeronaves, entre as quais uma da UTI no ar, uma de transportes de medicamentos para cidades do interior e algumas vinculadas ao governo Federal.

Agora, mais uma derrota à arrogância de Agra foi obitda, pois o recurso da Prefeitura junto ao Tribunal Federal tentando anular a decisão da Juíza Cristina foi indiferido. A decisão do relator do processo, o desembargador federal Vladimir Souza Carvalho, garante que os motivos alegados pela Prefeitura sob as órdens de Luciano Agra, para desapropriar a área do Aeroclube, são insuficientes, já que as atividades desenvolvidas na área não acarretam “perigo de dano irreparável e de difícil reparação” às áreas ao redor. Vejamos a informação, tal como publicada no site Pbagora, em texto escrito por Lana Caprina:

A prefeitura de João Pessoa sofreu mais uma derrota na briga com o Aeroclube da Paraíba. O Tribunal Regional Federal, da 5ª Região, manteve a decisão da juíza federal Cristina Garcez que suspendeu o decreto de desapropriação da área.

Ao analisar um recurso da prefeitura, o desembargador Federal Vladimir Souza Carvalho, entendeu que a decisão que suspendeu temporariamente a execução do decreto de desapropriação do aeroclube, não é susceptível de causar lesão grave ao município de João Pessoa, podendo a matéria ser examinada no julgamento do mérito.

Ele destacou ainda que “o iminente risco de acidentes aéreos nas proximidades do Aeroclube não é, por si só, suficiente para constituir perigo de dano irreparável e de difícil reparação, a ponto de justificar a interposição do agravo de instrumento, porque, senão, esse fato, seria, também, fundamento jurídico para o embargo de funcionamento da maioria dos aeroportos nacionais”.

O desembargador Vladimir Souza também deixou para analisar em outra fase a discussão relativa a competência da Justiça Federal, questionada pela prefeitura de João Pessoa. “A questão relativa à competência da Justiça Federal, tão propagada nestes autos, bem como o próprio mérito recursal, terá sua apreciação postergada para outro estágio processual”.


Veja-se o texto da decisão do TRF, 5º Região (extraído do Portal Paraíba 1):

Despacho do Desembargador(a) Federal Relator(a)

[Guia: 2011.000319] (M872) (Decisão)

Agravo de instrumento, com pedido de efeito suspensivo ativo, interposto contra decisão do douto juízo da 3ª Vara da Seção Judiciária da Paraíba, que, em ação ordinária, deferiu em parte o pedido postulado, para impedir ou sobrestar qualquer ato administrativo e/ou judicial que desse concretude e sequência ao Decreto Municipal Expropriatório, qarantido à agravada, o regular funcionamento de suas atividades autorizadas pela ANAC, até o julgamento final da demanda, f. 256-261. O conceito de ato judicial, susceptível de causar ao agravante lesão grave e de difícil reparação, está revestido de forte carga subjetiva, a depender do ângulo em que se observe cada situação concreta. A decisão que suspendeu temporariamente a execução do Decreto Municipal Expropriatório da área onde funciona o Aeroclube da Paraíba, ora agravado, não é susceptível de causar à parte agravante, no caso o Município da Paraíba, lesão grave a justificar a interposição do agravo de instrumento, podendo a matéria ser examinada no julgamento da apelação. O iminente risco de acidentes aéreos nas proximidades do Aeroclube não é, por si só, suficiente para constituir perigo de dano irreparável e de difícil reparação, a ponto de justificar a interposição do agravo de instrumento, porque, senão, esse fato, seria, também, fundamento jurídico para o embargo de funcionamento da maioria dos aeroportos nacionais. Dessa forma, converto o presente agravo de instrumento em retido, nos termos do artigo 527, inciso II, do Código de Processo Civil. Diante deste exame preliminar de inadmissibilidade do agravo na forma de instrumento, por ausência de pressuposto essencial, a questão relativa à competência da Justiça Federal, tão propagada nestes autos, bem como o próprio mérito recursal, terá sua apreciação postergada para outro estágio processual.Remetam-se os autos ao Juízo da causa.

Recife (PE), 15 de março de 2011.

Desembargador Federal Vladimir Souza Carvalho (Relator)


Manifesto de paraquedistas


Nesta sexta-feira (18), O Aeroclube sediará uma assembleia da Confederação Brasileira de Paraquedistas, com a participação de representantes de 15 estados. Segundo Rômulo Carvalho, a assembleia acontece de dois em dois anos e esta já estava agendada para acontecer em João Pessoa. “O presidente da Confederação já está na Capital. Esta assembleia é feita para a eleição do novo presidente”, disse Rômulo.

O presidente do Aeroclube ainda afirmou que a ideia era que os paraquedistas realizassem saltos na pista, caso o local não estivesse em obras. “Como não poderemos realizar os saltos, os presidentes das 15 federações farão um protesto, abrindo os paraquedas na pista, mesmo em construção”, revelou.

quarta-feira, 16 de março de 2011

O roubo do Nióbio do Brasil




A QUESTÃO DO NIÓBIO

|Adriano Benayon

Fonte: Tribuna da Imprensa, Rio de Janeiro

Está em nosso País a quase totalidade das jazidas de nióbio conhecidas, minério essencial para as indústrias aeronáutica e aeroespacial, para a indústria nuclear, inclusive armas e seus mísseis. A atual tecnologia faz o nióbio, graças à sua superioridade, substituir metais como molibdênio, vanádio, níquel, cromo, cobre e titânio, em diversos outros setores industriais.

Embora a maioria das pessoas nem saiba o que é nióbio ou para que serve, esse mineral mostra emblematicamente, como o País, extremamente rico em recursos naturais, permanece pobre, além de perder, sem volta, esses recursos, e de estar se desindustrializando, sobretudo nos setores de maior conteúdo tecnológico.

A primarização da economia brasileira é fato confirmado até nas estatísticas oficiais. O Brasil está cada vez mais importando produtos de elevado valor agregado e exportando, com pouco ou nenhum valor agregado, seus valiosos recursos naturais.

Isso acarreta baixos níveis salariais no País e também a gestação de crises nas contas externas, cujo equilíbrio sempre dependeu de grandes saldos (que agora estão definhando) no balanço das mercadorias, para compensar o déficit crônico nas contas de “serviços” e de “rendas” do Balanço de Pagamento.

O que está por acontecer de novo já ocorreu antes, quando a oligarquia financeira mundial atirou o Brasil na crise da dívida externa de 1982/1987. Os prejuízos decorrentes dessa crise foram grandemente acrescidos com o privilegiamento do “serviço da dívida” no Orçamento Federal, instituído por meio de fraude, no texto da Constituição de 1988. Esse “serviço” já acarretou despesa, desde então, de 6 trilhões (sim, trilhões) de reais, com a dívida pública externa e interna, esta derivada daquela.

Tudo isso concorreu para agravamento da situação gerada pelo defeito original do modelo: ter, desde 1954, favorecido os investimentos diretos estrangeiros com subsídios e vantagens maiores que os utilizáveis por empresas de capital nacional. Estas foram sendo eliminadas em função da política econômica governamental. As empresas nacionais que restaram tornaram-se caudatárias das transnacionais e de interesses situados no exterior. Vê-se, pois, a conexão entre os grandes vetores de empobrecimento e de primarização da economia nacional.

O nióbio é tão indispensável quanto o petróleo para as economias avançadas e provavelmente ainda mais do que ele. Além disso, do lado da oferta, é como se o Brasil pesasse mais do que todos os países da OPEP juntos, pois alguns importantes produtores não fazem parte dela.

Cerca de 98% das reservas da Terra estão no Brasil. Delas, pois, depende o consumo mundial do nióbio. A produção cresceu de 25,8 mil tons. em 1997 para 44,5 mil tons., em 2006. Chegou a quase 82 mil tons. em 2007, caindo para 60,7 mil tons., em 2008, com a depressão econômica (dados do Departamento Nacional de Produção Mineral). Estima-se atualmente 70 mil toneladas/ano. Mas a estatística oficial das exportações brasileiras aponta apenas 515 toneladas do minério bruto, incluindo “nióbio, tântalo ou vanádio e seus concentrados”!

Fontes dignas de atenção indicam que o minério de nióbio bruto era comprado no garimpo a 400 reais/quilo, cerca de U$ 255,00/quilo (à taxa de câmbio atual e atualizada a inflação do dólar).

Ora, se o Brasil exportasse o minério de nióbio a esse preço, o valor anual seria US$ 15,3 bilhões. Se confrontarmos essa cifra com a estatística oficial, ficaremos abismados ao ver que nela consta o total de US$ 16,3 milhões (0,1% daquele valor), e o peso de 515 toneladas (menos de 1% do consumo mundial). Observadores respeitáveis consideram que o prejuízo pode chegar a US$ 100 bilhões anuais.

Mesmo que o nióbio puro seja cotado a somente US$ 180 por quilo, como indica o site chemicool.com, ainda assim, o valor nas exportações brasileiras do minério bruto correspondia a apenas 1/10 disso. O nióbio não é comercializado nem cotado através das bolsas de mercadorias, como a London Metal Exchange, mas, sim, por transações intra-companhias.

Há, ademais, um item, ligas de ferro-nióbio, em que o total oficial das exportações alcança US$ 1,6 bilhão, valor mais de 100 vezes superior à da exportação do nióbio e de minérios a ele associados, em bruto. O mais notável é que o nióbio entra com somente 0,1% na composição das ligas de ferro-nióbio. Vê-se, assim, o enorme valor que o nióbio agrega num mero insumo industrial, de valor ínfimo em relação aos produtos finais das indústrias altamente tecnológicas que o usam como matéria-prima.

Note-se também que a quantidade oficialmente exportada do ferro-nióbio em 2010 foi 66.947 toneladas. O nióbio entrando com 0,1% implicaria terem saído apenas 67 toneladas de nióbio, fração ínfima da produção mundial quase toda no Brasil e do consumo mundial realizado nas principais potências industriais e militares.

As discrepâncias e absurdos são enormes e têm de ser elucidados e corrigidos. Para isso, há que expô-los em grande campanha nacional, que leve a acabar não só com o saque do nióbio, mas também com a extração descontrolada de metais estratégicos e preciosos, sem qualquer proveito para o País, o qual, ainda por cima, fica com as dívidas aumentadas.

O desenvolvimento dessa campanha deverá também fazer o povo entender que a roubalheira dos recursos minerais só poderá cessar se forem substituídas as atuais estruturas de poder.

Dr. Adriano Benayon é economista

A realidade de uma nova América Latina no controvertido documentário "Ao Sul da Fronteira", de Oliver Stone




Carlos Antonio Fragoso Guimarães

Polêmico, perturbador, brilhante, excêntrico, louco... Estes são ordinariamente os predicados que os críticos lançam sobre o trabalho do diretor norte-americano Oliver Stone, desde seu primeiro sucesso, Platoon, de 1986, que versava sobre o absurdo da Guerra do Vietinã (e que, em parte, é auto-biográfico, já que Stone foi realmente soldado naquela Guerra). Platoon ganhou o Oscar de melhor filme e a crítica de Stone sobre as guerras imperialistas continuou em obras como Nascido em 4 de Julho e em Entre o Céu e a Terra, de 1993.

Mas a crítica histórica de Stone não se ateve apenas à temática do Vietnã. Seu olhar inquisidor sobre o calculismo do capitalismo o fez faz dar vida ao aplaudido Wall Street, de 1987 e, depois, no polêmico JFK - A Pergunta que Não quer Calar, de 1991, seguido de Nixon, de 1995.

Mas o aprofundamento do olhar crítico de Stone sobre o império Americano começou a alcançar o período mais polêmico a partir de 2003, quando foi a Cuba para uma série de entrevistas com Fidel Castro. O documentário foi barrado nos Estados Unidos de Bush e dos neoconservadores fundamentalistas do partido republicano, mas fez sucesso na Europa, especialmente na Inglaterra e França. Stone voltaria à Cuba em 2004 onde iria filmar Looking for Fidel que, apesar dos protestos dos alienados, foi ao ar na HBO no mesmo ano.

Os contatos com Fidel e com os pensadores de esquerda o fizeram aprofundar as táticas de manipulação do governos dos EUA em benefício dos interesses de uma minoria, normalmente ligada a Wall Street. Seguindo uma linha semelhangte a de Michael Moore, Stone passou a procurar líderes e pensadores da América Latina passando a construir filmes que mostrassem o ponto de vista dos excluídos e dos dominados. Tal trabalho iria se concretizar no recente e mais polêmico trabalho de Oliver Stone: "Ao Sul da Fronteira" (South of the Border), de 2009 (veja o vídeo completo mais abaixo ou clicando aqui).

"Ao Sul da Fronteira" começa com uma crítica ao tratamento que a mídia norte-americana dá aos latino-americanos, e muito em especial aos presidentes de esquerda, dividindo-os em “bons” e “maus”, seguindo o maniqueísmo superficial e capenga de Bush e seus companheiros neoconservadores. Assim, na divisão de Bush, Lula estaria entre os “bons”, enquanto Chávez mais Evo Morales, da Bolívia, estariam entre os “maus”, ao lado de Fidel. Segundo o próprio Stone, a mídia dos EUA não saberia classificar os Kirchner, da Argentina. Stone não nega sua simpatia a estes líderes que vê como enfrentadores do imperialismo norte-americano. O resultado é que este documentário agradou latinos e europeus, mas causou uma chuva de críticas ácidas nos Estados Unidos e, aqui no Brasil, a mídia atrelada ao neoliberalismo e seus representantes não ficou atrás. Por exemplo, Arnaldo Jabor, o intelectual frustrado, afirmou que Stone é um "grosso" e "medíocre" ( o autor de filmes como Platoon e Wall Street é medíocre?). De qualquer modo, a maior parte dos intelectuais independentes aplaudiram o documentário, que fez verdadeiro furor no festival de Veneza de 2010.

Logo depois, no documentário, Stone faz um crítica avassaladora ao FMI como instrumento de dominação imperialista nos países da América Latina, empobrecendo-os e levando o povo a escolher líderes de esquerda como forma de protesto a este estado de coisas. Stone fala claramente que tal atitude é benéfica e um elemento relativizador da visão de mundo aritificialista dos Estados Unidos, o que seria de interesse de todos os demais países após a crise de 2008 (ainda que existam oportunistas e falsos socialistas no continente, como no caso do prefeito “vândalo” da cidade de João Pessoa, Paraíba, destruidor de Aeroclubes).

"Ao Sul da Fronteira" é filme indispensável para se entender a reação da América Latina à ideologia neoliberal exploradora de Washingnton, em um contraponto necessário à massificação de consciências da mídia comercial atrelada ao neoliberalismo.



Elenco

Hugo Chávez ... O Próprio
Lula ... O Próprio
Tariq Ali ... O Próprio
Raúl Castro ... O Próprio
Rafael Correa ... O Próprio
Cristina Kirchner ... A Própria
Néstor Kirchner ... O Próprio
Fernando Lugo ... O Próprio
Evo Morales ... O Próprio

Ficha Técnica

Título Original: South of the Border
País de Origem: EUA
Gênero: Documentário
Tempo de Duração: 102 minutos
Ano de Lançamento: 2009
Direção: Oliver Stone
Distribuição: Europa Filmes

domingo, 13 de março de 2011

Os bastidores sujos do Governo Bush no excelente filme Jogo de Poder, de Doug Liman




Carlos Antonio Fragoso Guimarães


O filme Fair Game (por aqui, Jogo de Poder), 2010, é baseado na história real de de Valerie Plame Wilson (interpretada no filme pela ótima Naomi Watts) e de seu marido, Joseph Wilson (interpretado pelo excelente e politicamente consciente Sean Penn).

Valerie era de fato agente secreta da poderosa CIA entre 1985 a 2003. Era responsável, nos últimos anos de sua carreira como espiã, em percorrer o Oriente Médio em busca de indícios de que países “interpretados” como pertecentes ao “Eixo do Mal” - uma das mentirosas táticas de amendrontamento de Bush para provocar a guerra em interesse das pretolíferas, construturas e fábicas bélicas - estariam investindo na produção de armas de destruição de massa, especialmente o Iraque e o miserável Afeganistão.


Seu marido, que tinha experiência e contatos, como diplomata, com funcionários do governo de países da África foi enviado para sondar indícios de compra de urânio por Saddam Hussein, nada encontrando. Após ver que Bush e asseclas (Dick Shaney e demais neoconservadores evangélicos fundamentalistas) insistiam na mentira de que Hussein estava comprando aço e urânio para a fabricação de armas de destruição, Wilson resolve escrever ao The New York Times no início de 2003 contando sua pesquisa e as mentiras de Bush. Como resultado, a Casa Branca tenta se vingar de Wilson revelando as funções de sua esposa, Valerie, o que parece destruir a vida do casal e parte do trabalho de Valerie, que inclusive tinha conseguido informações com a família de cientistas e físicos do Iraque que demonstravam a não existência de projetos de armas desde a Guerra do Golfo de 1991.

O filme, que foi indicado à Palma de Ouro do Festival de Cannes em 2010, revela toda a podridão do governo sórdido e conservador de Bush e dos republicanos e sua tática manipulação de informações. É baseado nos livros The Politics of Truth, de Joseph Wilson, e em Fair Game: My Life as a Spy Betrayal bye the White House, de Valerie Plame Wilson.

Este filme, ao lado dos documentários de Michael Moore Farenheit 11/9 e Capitalismo, Uma História de Amor, ajudam a entender toda a podridão do governo republicano, ala e braço direito de Wall Street, e suas intenções imperialistas e belicosas de domínio por todo o mundo.


FICHA TÉCNICA

Diretor: Doug Liman
Elenco: Naomi Watts, Sean Penn, Ty Burrell, Bruce McGill, Brooke Smith, Michael Kelly, David Denman, Noah Emmerich
Produção: Bill Pohlad, Janet Zucker, Jerry Zucker, Akiva Goldsman, Doug Liman, Jez Butterworth
Roteiro: Jez Butterworth, John-Henry Butterworth
Fotografia: Doug Liman
Trilha Sonora: John Powell
Duração: 106 min.
Ano: 2010
País: EUA
Gênero: Suspense
Cor: Colorido
Distribuidora: Paris Filmes
Estúdio: Zucker/Netter Productions / Participant Media / Hypnotic / Weed Road Pictures / River Road Entertainment

quinta-feira, 10 de março de 2011

A "Salvação" como mercadoria


Texto de Alexandre Gomes

Fonte: http://resenhas.sites.uol.com.br/gen0047.htm


Marx falou, em sua obra, da fetichismo da mercadoria, processo pelo qual o valor de uso de um determinado produto era suplantado pelo seu valor de troca, com a consequente percepção do mesmo apenas como uma "mercadoria", como coisa que vale pelo que pode ser trocado por outra coisa, na qual era impossível que o homem reconhecesse o seu trabalho (aplicado na produção). A despeito de inúmeros pecados do qual o marxismo - e não Marx - são culpados nas ciências humanas, este conceito da fetichização é certamente um dos mais úteis para se compreender a realidade do mundo pós-moderno, apropriadamente chamado de sociedade de consumo.

Este conceito de transformação em mercadoria "fetichizada" operou resultados fantásticos quando manuseado pelas mãos cuidadosas dos estudiosos da Escola de Frankfurt - em especial Adorno, mas também Benjamim e Horkheimer - gerando outro conceito muito utilizado - mas pouco compreendido - o de "indústria cultural".

Não é raro se ver o conceito aplicado até mesmo de forma positiva, demonstrando o desconhecimento de seu verdadeiro sentido. Em essência e muito a grosso modo, "Indústria Cultural" significa a transformação de bens culturais em meras mercadorias. Neste processo elas deixam de ser obras de arte destinadas à apreciação do público para se transformarem em produtos de consumo.

Adorno é especialmente radical e pessimista quanto a este processo que na visão dele destrói o valor cultural dos produtos e aliena o homem do prazer da arte. Para ele este processo de mercantilização dos bens culturais é um esforço do sistema para se apropriar inclusive do tempo de lazer e ócio do trabalhador, alienando-o de si mesmo e da humanidade não só durante o tempo de trabalho.

Ao mesmo tempo a Indústria Cultural esforça-se para transformar toda a obra cultural em algo o mais palatável possível e com isto nivela por baixo toda a produção cultural, como ele defende por exemplo, no ensaio "O fetichismo na música e a regressão da audição".

O conceito de fetichização dos bens culturais, tal como é desenvolvido em Adorno, talvez forneça uma pista importante para se compreender também outros aspectos da sociedade pós-moderna: Até que ponto não é possível falar, por exemplo, de uma fetichização da fé, transformando a salvação em mera mercadoria e a apreciação das palavras reveladas como um setor específico da indústria de espetáculos?

Consumiria-se pregações assim como se consome a música da moda na FM, não pelo valor intríseco da mensagem, pelo prazer e reflexão que ela proporcionaria, mas da mesma forma como se consome um iogurte ou se veste uma roupa de grife.

O espaço mal delimitado entre o sagrado e o profano - distinção essencial e comum a todas as religiões - deixa de ter qualquer sentido prático nesta "Indústria Hierática" e passa até a ser visto de forma simpática a adoção de práticas antes consideradas profanas - como a adoção de estratégias de marketing - em substituição às práticas rituais tradicionais.

Nesta religião mercantil o conteúdo da mensagem em si deixa de ser importante, transformando-se em ponto secundário como determinante da fé. Em seu lugar passa a ocupar o centro de todo o processo apenas o aspecto da eficiência dos meios para se comunicar com os fiéis - medido não mais em termos de adequação ao seu conteúdo religioso, mas sim na quantidade de fiéis que é capaz de atingir.

Evidente que este não é um processo pacífico. Ele provoca reações mesmo quando o fenômeno desta mercantilização não é percebido em sua concretude e totalidade pelas lideranças religiosas. De um lado ele provoca a onda de fundamentalismos que invade as mais diversas fés, que para se opor à dissolução de conteúdo das fés mercantilizadas aferram-se à letra da Revelação.

Curiosamente este tipo de reação acaba também por ser mercantilizado e não é estranho que os tele-evangelistas americanos - pioneiros deste processo de mercantilização - sejam em geral fundamentalistas. Contudo é preciso ver que a mercantilização aqui se refere mais à adoção de uma visão competitiva e destituida de conteúdo do que ao simples uso da religião como uma fonte de renda de proporções industriais.

Esta última é apenas um momento extremo, talvez uma consequência, de um outro processo muito mais sutil que aos poucos anula as diferenças entre uma religião e um ramo específico da indústria de entretenimento. O resultado do processo, que é o que interessa aqui, é a perda de sentido religioso de se frequentar algum culto.

Os chamados "fundamentalismos" centram grande parte do furor de seu coro ao imperialismo e à globalização demonstrando que mesmo sem ter este conhecimento completo do fenômeno da mercantilização, são capazes de identificar em algum grau a correlação entre a interpenetração cultural que a globalização traz de contrabando e esta dissolução dos valores religiosos.

Outros meios de resistência a este processo, como o desenvolvimento de uma crença religiosa que enfatiza mais a prática cotidiana das mensagens religiosas, encontram-se em uma situação inusitada de não atenderem às necessidades religiosas das suas comunidades. E mesmo este fato acaba por ser utilizado como argumento em prol da religião mercantilizada.

Cria-se então um sistema de valores tipicamente capitalista no qual a verdade religiosa passa a ser medida em função do número de fiéis que ela é capaz de mobilizar e não por seu conteúdo intríseco. A oposição recente entre o padre pop-star superficial reunindo multidões enquanto as igrejas de tipo tradicional ou com sacerdotes cultos e socialmente interessados, ligados à Teologia da Libertação, estão vazias é bastante elucidativa a este respeito. Mas este fenômeno não é de forma alguma exclusivamente católico, ou mesmo cristão.

Denominações protestantes mais tradicionais são dadas como "ultrapassadas" por nem de perto chegarem aos inflados números obtidos pelas novas seitas que utilizam em larga escala de recursos modernos de propaganda e marketing para vender o seu peixe. Nem mesmo o ascético budismo escapa deste processo, como fica claro ao se ver o Dalai-lama posando de garoto propaganda de idéias um tanto quanto alheias ao budismo e se tornando de líder religioso em mais um ícone da sociedade de consumo.

Esta salvação-mercadoria é preocupante não só porque esvazia de conteúdo mensagens religiosas que atendem a uma necessidade social, mas também, e sobretudo, porque leva no extremo às diversas fés a uma postura de enfrentamento e colisão, a um comportamnto similar ao da concorrência acirrada de companhias que lutam sem limites para obter mais consumidores. Esta noção acaba por tornar impossível qualquer perspectiva de entendimento futuro.

quinta-feira, 3 de março de 2011

Ganância de poderosos: setores da construção civil por trás da violência da Prefeitura de João Pessoa contra o Aeroclube da Paraíba




sábado, 26 de fevereiro de 2011

Fonte:Portal Jampa News

Com a entrevista concedida ontem pela diretoria do Aeroclube, através do advogado Roosevelt Vita, a sociedade ficou sabendo o tamanho da violência cometida pelo prefeito Luciano Agra e até que ponto certos administradores são capazes de chegar para atender interesses subalternos e acapacidade que têm de arregimentar e envolver setores da sociedade em planos mirabolantes e milionários.

Toda história da desapropriação do Aeroclube tem uma única motivação: a ganância desenfreada de empresários do setor imobiliário e da construção civil que querem a todo custo alterar o gabarito que determina a altura dos prédios na área e que, com a presença do Aeroclube se faz impossível.

A guerra travada pelo prefeito Luciano Agra é fruto de um sonho acalentado pelo arquiteto, urbanista e professor que há muito cobiça o lucro fabuloso que pode render a construção de arranha-céus suntuosos no entorno do Aeroclube cujo projeto já estaria pronto e acabado. O apoio do mega-empresário Roberto Santiago, do Manaíra Shopping, reforçou a motivação para a truculência praticada.

Faltando apenas remover o empecilho que representa o campo de pouso, estabelecido ali desde adécada de 60, quando João Pessoa se resumia a uma acanhada capital que ainda não revelava disposição para se estender à praia e usufruir da orla privilegiada que possui e que hoje setransformou na área mais nobre da velha Filipéia de Nossa Senhora das Neves.

Essa fortuna especulativa, que alcança cifras astronômicas, seria o combustível que fez decolar o projeto de desapropriação e levou o prefeito a empreender e a cooptar forças para consumar o seu sonho de homem ligado a esses setores da construção e da especulação imobiliária composta de um exército de 12 imobiliárias e outro tanto de construtoras já em campo para amaciar as vozes que selevantaram em defesa da entidade civil.

Pelo que se apreendeu da entrevista concedida pelo advogado Roosevelt Vita o projeto faraônico do prefeito e de seus simpatizantes ainda estaria longe de ser consumado em razão dos impedimentos legais e em consequência do método violento que foi adotado pela PMJP, na visão do advogado uma demonstração da capacidade de se violar o estado de Direito, inclusive com a participação demembros do judiciário como no caso do Juiz que pode vir a ser interpelado em razão da suspeitíssima liminar concedida e que provocou danos ao patrimônio do clube e teve repercussão nacional.

Luciano Agra chegou ao poder num golpe de sorte e em razão da mobilização desses setores que hoje se aventuram com ele na jornada de remover o Aeroclube de sua localização.


Dormiu secretário e acordou prefeito levado nos braços de representantes desse poderoso lobby de empresários do ramo imobiliário e da construção civil que já demonstrou não recuar diante de nada, muito menos da ilegalidade para consumar seus intentos.

Os casos da Fazenda Cuiá, Aeroclube são demonstrações cabais de que Agra não quer desperdiçar tempo e que é o homem certo na Prefeitura da capital pelo menos para atender a ganância desses empresários historicamente vinculados ao poder sempre na expectativa de se beneficiar de empreendimentoscuja consumação pode arrebentar os bolsos e os caixas de campanha.

http://spottersbjp.blogspot.com/2011/02/ganancia-setores-da-construcao-civil-e.html

quarta-feira, 2 de março de 2011

As duras e necessárias verdades do documentário "Inside Job - Trabalho Interno: a Verdade da Crise", de Charles Ferguson




Carlos Antonio Fragoso Guimarães

Se você se interessa em saber muito mais do que é dito pela imprensa comercial (comprometida com o sistema econômico-financeiro) sobre as causas e efeitos da crise financeira mundial de 2008, você deve assistir ao documentário “Inside Job”, que no Brasil teve a tradução de “Trabalho Interno, a Verdade da Crise”, e que ganhou o Oscar (mais que merecido) de melhor documentário em 2011.

Este documentário, junto com o de Michael Moore, “Capitalismo, uma história de Amor”, nos apresenta uma excelente perspectiva dos crimes financeiros elaborados e executados por uma minoria no interior de Wall Street com a conivência de políticos e incentivos dos grandes bancos e em detrimento das pessoas que acreditavam no mercado e que, por isso, perdem seus empregos, economias, casas, carros, poupança e que, não tendo a quem recorrer, precisam baixar à cabeça diante do capitalista “deus” mercado em sua ânsia de destruição do ecossistema e da dignidade humana.

Baseado em entrevistas com pessoas de dentro de Wall Street, com pesquisadores, com autoridades, com políticos e trabalhadores, todo o documentário mostra os tentáculos do mercado financeiro pelo mundo e sua doutrina neoliberal, ideologia que racionaliza e encobre a exploração da humanidade e da natureza para a alegria e prosperidade de uma sempre menor minoria.

A pergunta do filme é: como é que se causa uma crise de âmbito mundial, com conseqüências sociais graves e uma quebradeira de meros 20 trilhões de dólares? A resposta é: por meio de uma farra de negócios especulativos e manipulação de informações.

E enquanto as benesses da farra são capitalisticamente abocanhadas por uma minoria, já o prejuízo é socializado para todos: a conta das falcatruas do capitalismo é cobrado de milhões de simples pessoas que não participaram da festa, mas que são pressionadas a pagar pela decisão de alguns através de impostos e medidas econômicas de arrocho (lembram-se da Grécia, da Irlanda, de Portugal? Ou daqui mesmo do Brasil, com a alta dos juros e o do tal "Superávit Primário" - que só existe aqui - para pagar os juros da dívida interna aos famintos bancos? Ou a caça aos direitos trabalhistas?). Em vários países (inclusive no Brasil), as crianças inocentes já nascem devendo, e elas pagam com fome e miséria a bonança dos banqueiros...

O objetivo do documentário Inside Job é o de apresentar todo o comportamento criminoso, ganancioso e calculista de agentes políticos e econômicos que conduziu à crise econômica mundial de 2008.

O exemplo dos banqueiros, tal como mostrado no filme, causa espanto e revolta, especialmente por serem eles os arautos da desregulamentação desenfreada da doutrina neoliberal que os deixou fazer o que bem quisessem com a economia mundial, destroçando as políticas e leis locais de países diferentes, sempre buscando a desregulamentação do setor financeiro para benefício de uma elite de especuladores.O exemplo dos lucros astronômicos de bancos como Itaú e Bradesco (na casa de dezenas de bilhões de reais ao ano) deixa claro que este enriquecimento advém do comprometimento do dinheiro que deveria servir á sociedade, que vai para o bolso de banqueiros devidos às taxas surreais de juros nacionais.

Dirigido por Charles Ferguson (mesmo diretor de No End in Sight, documentário que desnuda o governo de mentiras de George W. Bush) e narrado por Matt Damon, Inside Job, Trabalho Interno, apresenta ao espectador a história do racionalismo mecanicista em busca gananciosa de lucro que é produto de Wall Street e seus agentes pelo mundo, e que tanto faz para que a imprensa (quarto poder financiado) tente minimizar, até mesmo para que 2008 seja esquecido, possivelmente para que o enredo do vampirismo se repita.

Em No End in Sight, o documentário anterior, Charles Ferguson faz uma análise fria sobre o governo de George W. Bush e sua conduta megalomaníaca em relação à Guerra do Iraque e a ocupação do país, questionando as mentiras utilizadas pelas autoridades norte-americanas para sustentar a ocupação. Agora, em Inside Job, mais uma vez o diretor expõe uma teia de mentiras e condutas criminosas que prejudicaram seriamente a vida de milhões de pessoas – dores, miséria, violência e prejuízos que continuam a atingir inocentes mundo à fora.

Uma das chamadas do documentário diz: “Se você não ficar revoltado ao final do filme, você não estava prestando atenção”, e, de fato, é difícil evitar de, ao assistir o filme, sair com um gosto amargo de revolta diante da realidade de sermos todos (ou quase todos, visto que uma ínfima parte está muito bem) vítimas da especulação traiçoeira e alienadora de uma minoria. Revolta que se torna ainda maior ao saber que, ainda gora, muitos dos causadores da crise, dos empresários à banqueiros, ao invés de estarem presos, voltaram a dar “conselhos técnicos” c na mesma Bíblia neoliberal para governos e sociedades. Algumas das mais novas vítimas são os gregos, irlandeses, espanhóis, portugueses e outros povos europeus que estão sendo “convidados” a “aceitar a ajuda do FMI”.

De fato, mesmo depois da Crise de 2008, todas as iniciativas e pretensas “reformas” do sistema dos bancos foram feitas com o único objetivo de enriquecer ainda mais os já ricos às custas da pauperização das demais camadas da sociedade, o que vem aumentando visivelmente nos últimos anos... Mas não era, depois da queda do Muro de Berlim, o “Fim da História”, nas palavras do estúpido Francis Fukuyama, com o vencimento do Capitalismo cujas “leis” de mercado trariam desenvolvimento e felicidade a todos? O neoliberalismo e a globalização tem, isso sim, é comprometido cada vez mais a qualidade de vida de bilhões de seres humanos e não humanos ao redor do mundo e transformado a política em um jogo de sepulcros caiados para impressionar por fora, guardando todo o tipo de podridão e interesses escusos, por dentro.

Os arautos do Neoliberalismo e das privatizações, da racionalização que destrói famílias e sonhos e da desregulamentação das leis de controle financeiro para a defesa do cidadão-contribuinte-eleitor (royalties ao grande Hélio Fernandes) são também os arautos da destruição das leis em favor do bem-estar social e da proteção ao meio-ambiente e seguem soltos com seus carrões e mansões e condomínios fechados, investindo na especulação imobilária, comprando prefeitos e mandando até mesmo destruir pistas de pousos em Aeroclubes aqui no Brasil (caso recente do Aeroclube da Paraíba), como se nada tivesse ocorrido.

Inside Job mostra as entranhas fétidas deste mundo de cobiça, cinismo e mentira que é o capitalismo especulativo das Bolsas de Valores e dos Bancos. São estes criminosos de colarinho branco que seguem mandando, desmandando e dando as cartas do jogo de exploração em todo o nosso planeta.

terça-feira, 1 de março de 2011

Nota de Esclarecimento do Aeroclube da Paraíba à População de João Pessoa




25/02/2011 | NOTA DE ESCLARECIMENTO


O AEROCLUBE DA PARAÍBA, associação civil de utilidade pública federal, reconhecida pelo Decreto Lei 205/67 e pelo Código Brasileiro de Aeronáutica, com funcionamento autorizado pela União e fiscalização permanente da Agência Nacional de Aviação Civil - ANAC, em respeito à população paraibana:

1. Agradece as inúmeras demonstrações de solidariedade prestadas pela população de João Pessoa e da Paraíba, em repúdio ao ato de vandalismo praticado pela Prefeitura Municipal contra um patrimônio publico federal que há anos presta relevantes serviços ao nosso estado e ao nosso país.

2. A destruição da nossa pista de pouso, na escuridão da noite, foi um ato desrespeito que não atingiu apenas a parte física do aeródromo, mas também a alma da sociedade paraibana, provocando a exposição negativa, em âmbito nacional, de um ato de terrorismo cometido por quem deveria cuidar da Cidade e das pessoas, maculando a imagem do nosso município e do nosso Estado.

3. O patrimônio físico não é do Aeroclube da Paraíba, é de toda a sociedade, pois a titularidade de "utilidade pública federal" lhe foi concedido desde sua autorização de funcionamento a mais de 70 anos.

4. Destruir um patrimônio público, sob a tutela de uma provisoríssima liminar de primeira instância, que sequer autorizava cometer qualquer ato lesivo ao patrimônio público, não poderia modificar o estado da lide, caracterizando-se assim o cometimento da figura de ATENTADO, demonstrando claramente que o único interesse era tentar paralisar, em definitivo, as nossas atividades aéreas, em uma maliciosa tentativa de se criar um fato consumado.

5. Aliás, é o mesmo modus operandi, cometido pela Prefeitura. Ontem os bombados massacravam os ambulantes, depois as motosserras implacáveis, também na calada da noite, destruíram placas informativas do governo do Estado, máquinas ameaçadoras amanheciam destruindo restaurante a beira mar sem decisão autorizativa com trânsito em julgado. Agora foi o Aeroclube. Amanha será a demolição de prédios de associações comunitárias, já anunciadas. Quem sabe o que virá depois de amanhã nessa escalada de violência do poder público contra o indefeso cidadão e ao arrepio do devido processo legal. Será a sua casa? A escola de seu filho? Ou o seu estabelecimento comercial? Ainda bem que existem juízes probos e diligentes, tanto no Tribunal de Justiça da Paraíba, quanto da Justiça Federal, que já deram um basta nessa ameaçadora prática perpetrada pelos ora ocupantes do pode público municipal.

6. O esbulho se deu com a violenta forma de imissão de posse sem intimação do Aeroclube, pseudo lastreada em depósito compensatório por preço vil e irreal, configurando-se assim um ato totalmente ilegal, no início da noite e já com as máquinas da prefeitura estacionadas na lateral do imóvel, tudo previamente preparado e acertado. As máquinas começaram a devorar a pista de pouso e decolagem em plena noite, como se estivéssemos em um regime de guerra ou de exceção, relembrando o período nefasto do nazi-facismo, quando a noite era usada para esconder os abusos, a truculência e arbitrariedades institucionais.

7. O desejo de repressão pelo fato do AEROCLUBE ter se socorrido pelo Judiciário foi tão grande que sequer foram permitidas às decolagens dos aviões para o aeroporto ou para outros destinos, deixando-as sitiadas, ferindo o direito constitucional da propriedade de terceiros e do direito de ir e vir do cidadão.

8. Não estamos em tempo de guerra, de revolução e nem em qualquer tipo de ditadura para que uma operação desta magnitude fosse tomada, não precisava tanta truculência. Os tempos são outros, o país e a Paraíba não aceitam práticas arbitrárias e insanas. Os ditadores estão sendo expulsos ao redor do mundo pelo poder do povo e ninguém é mais legítimo do que o povo para isso.



9. Esclarecemos que mais da metade o projeto do suposto Parque Parahyba será ao largo dos canais do Bessa, em área pública livre, onde a Prefeitura não terá que pagar nada. Assim, se já existe disponibilidade orçamentária, porque ainda não iniciaram as obras nessas áreas? Alegar que a destruição da pista foi para dar início à construção do parque é querer brincar com capacidade intelectual de todos.

10. O Aeroclube já tomou as medidas administrativas junto aos órgãos reguladores e de controle de tráfego aéreo, para normalizar os pousos das aeronaves de asa fixas, visto que os helicópteros continuam a operar normalmente, bem como as aulas teóricas de pilotagem, simulador de voo e paraquedismo. O departamento de aeromodelismo funciona em sua totalidade.

11. Dentre algumas medidas, fomos recebidos ontem 24/02, pelo Ministro da Defesa Nelson Jobim, comandante das forças armadas, onde entregamos relatório detalhado dos acontecimentos, como vasto material fotográfico. Diante disso, o Ministro da Defesa determinou ao Comando da Aeronáutica, através do II COMAR com sede em Recife-PE e ao Comando do Exército brasileiro, através do 1º Grupamento de Engenharia e Construção, com sede em João Pessoa, a realização de vistoria dos danos causados, para posterior responsabilização e ressarcimento de danos.

12. Pretendemos reabrir no menor espaço de tempo nossa pista de pouso, quiçá com pavimentação em terraplanagem para que a escola de aviação volte a funcionar em sua totalidade e para que os proprietários das aeronaves possam pousar e decolar com segurança.

13. Tomaremos as medidas judiciais cabíveis, para reparação do dano causado ao patrimônio público com a responsabilização civil, criminal e administrativa daqueles que comandaram a destruição da pista de pouso.

14. As máquinas destruíram parte de um patrimônio físico que em breve será recuperado, mas a destruição do patrimônio moral, da legalidade, do bom senso e do respeito ao bem público esse ninguém é capaz de recuperar. Falaciosos quem tentam transformar este infeliz episódio numa briga de classes, porquanto quem usa do abuso do direito e da força bruta não tem nenhuma razão, seja contra quem for.

15. Esperamos que, por fim, os agentes públicos municipais compreendam que a defesa de nossos direitos no Judiciário – direito constitucional de acesso à Justiça - não se traduz na impossibilidade de se encontrar alternativas que conciliem os interesses da população de João Pessoa - e não de seus governantes – e as atividades do AEROCLUBE, em condições dignas de funcionamento e operações.

João Pessoa, 25 de fevereiro de 2011.

A DIRETORIA