domingo, 28 de agosto de 2016

Vídeo: A Farsa do Impeachment. A Batalha no Senado Golpista



"Em decorrência da crise econômica, da Lava Jato e da presença de Eduardo Cunha à frente da Câmara, abriu-se uma tripla janela de oportunidade. Michel Temer enxergou a chance de chegar ao poder. Os partidos conservadores vislumbraram a possibilidade de arruinar o PT, talvez para sempre. Os capitais viram a oportunidade de fazer um acerto de contas com os avanços sociais previstos desde 1988 e postos em prática, no ritmo homeopático conhecido, pelo lulismo. Por isso, a provável condenação de Dilma representa muito mais do que a perda de dois anos de estadia no Alvorada pela atual mandatária. Significa um golpe profundo contra a alma cidadã da Carta constitucional vigente." - André Singer

Leia o texto abaixo, de André Singer, sobre o curso do atentado parlamentar-golpista contra a Constituição....


Está em curso um atentado ao espírito da Constituição, por André Singer

Da Folha de S. Paulo (tambem no Jornal GGN)
Por André Singer
julgamento de Dilma Rousseff, cujo início efetivo teve lugar nesta quinta (25), no Senado, é mais importante pelo que oculta do que pelo que revela. A observância meticulosa dos dispositivos legais do processo faz parecer que tudo funciona de modo normal. Mas, por baixo da capa de legalidade, está em curso um atentado, que pode ser mortal, ao espírito da Constituição de 1988.
Os que têm paciência de acompanhar os debates entre a defesa e a acusação percebem que o tema de fundo é a política econômica desenvolvida pela presidente afastada no seu primeiro mandato. Os questionados decretos de suplementação orçamentária e pagamento do Plano Safra pelo Banco do Brasil, ambos de 2015, são meros pretextos para trazer à tona aquilo que realmente incomoda: os gastos de 2014.
Ocorre que tal conduta foi referendada nas urnas. Dilma acabou reeleita porque, apesar dos pesares, manteve o emprego e a renda dos trabalhadores, e isso não teria acontecido caso houvesse feitos os cortes que a ortodoxia econômica propunha. O fato de ter depois realizado o ajuste recessivo exigido, quando prometera não fazê-lo, é grave, mas não justifica o impeachment.
Se justificasse, Sarney precisaria ter sido afastado em 1987 e FHC em 1999. Respeitada a soberania popular, caberia ao eleitorado julgar, em 2018, o destino das forças políticas envolvidas no processo, tal como aconteceu em 1989 e 2002. Convém lembrar que, nos dois casos, a situação perdeu.
Mas, em decorrência da crise econômica, da Lava Jato e da presença de Eduardo Cunha à frente da Câmara, abriu-se uma tripla janela de oportunidade. Michel Temer enxergou a chance de chegar ao poder. Os partidos conservadores vislumbraram a possibilidade de arruinar o PT, talvez para sempre. Os capitais viram a oportunidade de fazer um acerto de contas com os avanços sociais previstos desde 1988 e postos em prática, no ritmo homeopático conhecido, pelo lulismo.
Por isso, a provável condenação de Dilma representa muito mais do que a perda de dois anos de estadia no Alvorada pela atual mandatária. Significa um golpe profundo contra a alma cidadã da Carta constitucional vigente. A maior demonstração está na PEC 241, que cria o teto para os gastos do Estado. Nas palavras do seu mentor, o ministro Henrique Meirelles, a 241 é nada mais nada menos que "a primeira mudança estrutural na questão da despesa pública desde a Constituição de 1988".
Até que ponto o conservador espírito de 2016 conseguirá desfazer o que foi acumulado em torno de 1988 só a luta real dirá. Mas convém a sociedade brasileira tomar consciência de que, por baixo dos formalismos senatoriais, há uma violenta ruptura em curso nestes dias.

Ensaio geral: o Melô da Melação na Lava Jato, veja com Gilmar e Janot. Análise política de Bob Fernandes






A revista Veja noticiou: Dias Toffoli, ministro do Supremo, teria sido citado em pré-delação por Leo Pinheiro, da OAS.

A OAS, a pedido, identificou infiltração na casa de Toffoli. O ministro contratou uma empresa e pagou pelo conserto.

O ministro Gilmar Mendes acusa procuradores de vazarem esse enredo contra Toffoli. E ataca: procuradores se acham "o ó do borogodó" por terem "atenção" da Mídia.

Gilmar acrescenta: "Esses falsos heróis vão encher cemitérios". E cobra:

-Estão (procuradores) possuídos por teoria absolutista, de combate ao crime a qualquer preço (...) Não se combate o crime cometendo crime.

Para Gilmar, quem defende validar provas ilegais desde que "obtidas de boa fé" é "cretino absoluto".

No Congresso o juíz Moro defendeu tal tese, da validade de provas ilícitas "de boa fé". Assim como há procuradores que a defendem.

Na Teologia, Poder Infinito, Perfeito e Divino, quem tem é Deus. No céu.

Aqui na Terra, a resposta do Procurador Janot para Gilmar é confissão para a História:

-A gente vaza aquilo que tem. Se não tem informação, não vaza.

No "Petrolão", no "Mensalão", tudo vazou e vaza. Sobre tanto, em público, silêncio quase absoluto do ministro Gilmar... Até agora.

Dilma e Lula tiveram parte de conversa gravada ilegalmente, e vazada. Teori e Marco Aurélio Mello, ministros do Supremo, criticaram o juiz Moro. E...seguiu o enterro.

Gilmar Mendes disse, então, que importante era discutir "o conteúdo", não o grampo e vazamento ilegais.

Claro. Porque ali se buscava, como no filme Casablanca, prender "os suspeitos de sempre".

"Tríplex do Lula". Vocês se lembram. Meses de vazamentos. Manchetes estrondosas em telejornais, revistas, rádios, jornais...

Bem, a Polícia Federal conclui relatório e não incriminou, não indiciou Lula. E dai? Dai, serviço feito. O "Inimigo Número 1" que se dane.

Por ora, a delação da OAS está suspensa; além dos "suspeitos de sempre", tinha, tem citação de doações ilegais para campanhas de Temer, Aécio, Serra, Marina...

Reveladora pergunta e resposta de Janot sobre esse Melô da Melação na Lava Jato:

-A quem e por que a Lava Jato está incomodando tanto? Essas reações nos últimos dias me fizeram pensar muito.

A Cruz Autoritária dos Golpistas, por Márcia Tiburi

Jeronimus Bosch. Cristo carregando a Cruz, cerca de 1500.

Jeronimus Bosch. Cristo carregando a Cruz, cerca de 1500.
 Digamos que Cristo represente no quadro de Bosch a democracia.
Ele carrega a cruz que lhe foi posta nos ombros pelos que não suportam seu ideal de amor e justiça social para com os pobres, as mulheres, os excluídos em geral. Então ele vai ser crucificado porque assim decidiram esses homens da lei acima representados. Na imagem, os donos do poder fazem pensar no nosso momento brasileiro: deputados,  juízes,  jornalistas que respondem como sacerdotes da igreja midiática na grande missa negra que se tornou o jornal nacional e outros rituais de extermínio televisivo que incitam ao ódio como demônios disfarçados de gente de bem.
Perdoem-me se a interpretação soa forte demais, mas minha intenção é apenas fazer pensar. Nossos deputados, juízes e jornalistas parecem, no momento, “eunucos pelo reino de Deus”: poder e capital.
A cruz é o autoritarismo, a covardia, o estado de exceção, a maldade, a perversão política, a crueldade do poder que quer se perpetuar a qualquer custo. Nesse momento às custas da democracia. Esse poder é eunuco, mas também estuprador político de nossa presidenta – mulher – e também, por isso, estamos estarrecidos.
Em dias como hoje todos os que confiam na democracia, mesmo aqueles que são ateus, sentem-se meio Cristos carregando essa cruz.
Ao redor, esses homens que não representam ninguém, somente sua própria feiura, nos fazem pensar. Enquanto isso, manipulam a cruz, pensando que ninguém perceberá seu peso.
Os nomes dos personagens na imagem acima poderiam ser marcados como em uma foto de facebook. Mas não precisamos dizê-los.
Dizem que quando você pronuncia o nome do diabo ele aparece. E não seria bom ter companhias ainda piores nesse momento em que devemos  nos fortalecer para enfrentar 180 dias no deserto.
Lutemos pela ressurreição do corpo democrático. Quebremos essa cruz do golpe fortalecendo a democracia com amor, com esperança, com as redes socias e com as ruas.
O reino da democracia precisa ser construído por cada um junto com os mais próximos. Movimentos sociais são um bom lugar para estar nesse momento.
Texto de Marcia TIburi, extraído da Revista Cult

Marcia Tiburi é filósofa

Marcia Tiburi é graduada em filosofia e artes e mestre e doutora em filosofia. Publicou diversos livros de filosofia, entre eles “As Mulheres e a Filosofia” (Ed. Unisinos, 2002), Filosofia Cinza – a melancolia e o corpo nas dobras da escrita (Escritos, 2004); “Mulheres, Filosofia ou Coisas do Gênero” (EDUNISC, 2008), “Filosofia em Comum” (Ed. Record, 2008), “Filosofia Brincante” (Record, 2010), “Olho de Vidro” (Record 2011), “Filosofia Pop” (Ed. Bregantini, 2011) e Sociedade Fissurada (Record, 2013). Publicou também romances: Magnólia (2005), A Mulher de Costas (2006) e O Manto (2009), Era meu esse Rosto (Record, 2012). É autora ainda dos livros Diálogo/desenho, Diálogo/dança, Diálogo/Fotografia e Diálogo/Cinema (ed. SENAC-SP).
É professora do programa de pós-graduação em Educação, Arte e História da Cultura da Universidade Mackenzie e colunista da revista Cult.

A propósito da condenação de uma governanta inocente: corrupção e corrupções, por Leonardo Boff em artigo para o Jornal do Brasil

"A presidenta Dilma está sendo condenada mediante um tribunal de exceção por um Congresso Nacional no qual 60% dos membros enfrentam acusações criminais. O Senado que a julga não possui nenhuma moral pois mais da metade dele, 49 senadores, estão sob acusação de distintos crimes. Contra Dilma não se conseguiu provar nenhum crime. A condenação da Presidenta Dilma se inscreve nesta lógica da corrupção que tomou conta de grande parte da casta politica. O que faz contra ela é uma injustiça sem tamahno: condenar uma inocente e uma governante honesta."


A charge publicada no jornal americano The New York Times representa bem a farsa do impeachment de Dilma Rousseff, "uma reação conservadora, retrógrada que se exprime em tentativas autoritárias de impedir o avanço da sociedade ", de acordo com o economista Luiz Gonzaga Belluzo

   A propósito da condenação de uma governanta inocente: corrupção e corrupções
Leonardo BoffJornal do Brasil
    A presidenta Dilma está sendo condenada mediante um tribunal de exceção por um Congresso Nacional no qual 60% dos membros enfrentam acusações criminais. O Senado que a julga não possui nenhuma moral pois mais da metade dele, 49 senadores, estão sob acusação de distintos crimes. Contra Dilma não se conseguiu provar nenhum crime. Por isso inventam-se outras razões como pelo “conjunto da obra”, coisa que contradiz a matéria do processo vindo da Câmara: alguns atos governamentais somente do ano 2015.
  O economista Luiz Gonzaga Belluzzo bem resumiu a tônica geral deste processo perverso: ”Trata-se de uma reação conservadora, retrógrada que se exprime em tentativas autoritárias de impedir o avanço da sociedade. Somos uma sociedade profundamente antidemocrática, preconceituosa e mais que isso, culturalmente deformada. Estamos assistindo hoje uma degeneração do que já é degenerado. Aqui não prosperaram os ideais de democracia e o Estado de Direito. Tudo é feito com truculência, com arbitrariedade, mesmo aquilo que pretensamente é feito em nome da lei”(em Carta Maior 27/06/2016).
   Uma outra crítica contundente nos vem do sociólogo, ex-presidente do IPEA, que escreveu um instigante livro: A tolice da inteligência brasileira (Leya 2015): “O golpe foi contra a democracia como princípio de organização da vida social. Esse foi um golpe comandado pela ínfima elite do dinheiro que nos domina sem ruptura importante desde nosso passado escravocrata. Desde então o Brasil é palco de uma disputa entre esses dois projetos: o sonho de um país grande e pujante para a maioria; e a realidade de uma elite da rapina que quer drenar o trabalho de todos e saquear as riquezas do país para o bolso de meia dúzia”(Quem deu o golpe e contra quem, em FSP,04/2016).
   O que estamos assistindo é a retomada deste segundo projeto, socialmente perverso e negador de nossa soberania. Basta observar a truculência do ministro das relações exteriores que de diplomata não possui nada. É um agente das privatizações e do alinhamento do Brasil à lógica do neoliberalismo dos países centrais, rompendo com nossos aliados vizinhos, do Mercosul e traindo os ideais de uma diplomacia “ativa e altiva”em diálogo com todos os povos e tendências ideológicas.
   Há muitas formas de corrupção. Comecemos pela palavra corrupção. Santo Agostinho explica a etimologia:corrupção é ter um coração (cor)rompido (ruptus) e pervertido. O filósofo Kant fazia a mesma constatação:“somos um lenho tão torto que dele não se podem tirar tábuas retas”. Em outras palavras: há a força do Negativo em nós que nos incita ao desvio. A corrupção é uma das mais fortes.
   Antes de tudo, o capitalismo aqui e no mundo é corrupto em sua lógica, embora aceito socialmente. Ele simplesmente impõe a dominação do capital sobre o trabalho, criando riqueza com a exploração do trabalhador e com a devastação da natureza. Gera desigualdades sociais que, eticamente, são injustiças, o que origina permanentes conflitos  de classe. Por isso, o capitalismo é por natureza antidemocrático, pois  a democracia supõe uma igualdade básica dos cidadãos e direitos garantidos, aqui violados pela cultura capitalista.
   Pensando no Brasil podemos dizer que a maior corrupção de nossa história é o fato de as oligarquias haverem mantido grande parte da população, durante quase 500 anos, na marginalidade e terem empreendido um processo de acumulação de riqueza dos mais altos do mundo, a ponto de 0,05% da população(71 mil pessoas) controlarem grande parte da renda nacional.
   Temos exemplos escandalosos de corrupção, denunciados ultimamente pelo “Petrolão”, pelo Zelotes e pelo Panamá Papers. Mas não nos enganemos. Há coisa pior. O Sindicato Nacional dos Procuradores da Fazenda Nacional, em seu “Sonegrômetro” denunciaram que em 2015 somente em cinco meses houve uma sonegação de 200 bilhões de reais (AntônioLassance, em Carta Maior 02/05/2015). Isso é muito mais do que o “Petrolão” e em apenas 5 meses. Aqui se escondem os grandes corruptores e corruptos que procuram sempre se esconder.
   Bem dizia Roberto Pompeu de Toledo em 1994 na Revista Veja: “Hoje sabemos que a corrupção faz parte de nosso sistema de poder tanto quanto o arroz e o feijão de nossas refeições”.
  A condenação da Presidenta Dilma se inscreve nesta lógica da corrupção que tomou conta de grande parte da casta politica. O que faz contra ela é uma injustiça sem tamahno: condenar uma inocente e uma governante honesta.
  A história não os perdoará. Carregam em suas biografias o estigma de golpistas merecedores de uma soberana repulsa dos que buscam caminhos transparentes e éticos para o nosso país.

  Leonardo Boff é professor emérito de Ética da UERJ e escritor.


sábado, 27 de agosto de 2016

Desconstruções e transformações... A Alquimia Interior para a depuração da alma...



Sim, nós aprendemos...
Por vezes, porém, de toda a carga que nos dão (ou que inconscientemente escolhemos)
Haverá um momento em que se tornam pesos e amarras
A serem quebradas...
Ah, pena que nos acomodamos tantas vezes às prisões
Quando a porta por vezes está aberta
Necessitando apenas da coragem de levantar-se
E por nosso rosto em frente da Luz que há lá fora...

Carlos Antonio Fragoso Guimarães

O Jornal Francês Le Monde desmascara o golpe


“Se esse não é um golpe de Estado, é no mínimo uma farsa. E as verdadeiras vítimas dessa tragicomédia política infelizmente são os brasileiros.”

Dilma Rousseff, a primeira presidente mulher do Brasil, está vivendo seus últimos dias no comando do Estado. Praticamente não há mais dúvidas sobre o resultado do julgamento de sua destituição, iniciado na quinta-feira (25) no Senado. A menos que aconteça uma reviravolta, a sucessora do adorado presidente Lula (2003-2010), que foi afastada do cargo em maio, será tirada definitivamente do poder no dia 30 ou 31 de agosto.

Dilma Rousseff cometeu erros políticos, econômicos e estratégicos. Mas sua expulsão, motivada por peripécias contábeis às quais ela recorreu bem como muitos outros presidentes, não ficará para a posteridade como um episódio glorioso da jovem democracia brasileira.

Para descrever o processo em andamento, seus partidários dizem que esse foi um “crime perfeito”. O impeachment, previsto pela Constituição brasileira, tem toda a roupagem da legitimidade. De fato, ninguém veio tirar Dilma Rousseff, reeleita em 2014, usando baionetas. A própria ex-guerrilheira usou de todos os recursos legais para se defender, em vão.

Impopular e desajeitada, Dilma Rousseff acredita estar sendo vítima de um “golpe de Estado” fomentado por seus adversários, pela mídia, e em especial pela rede Globo de televisão, que atende a uma elite econômica preocupada em preservar seus interesses supostamente ameaçados pela sede de igualitarismo de seu partido, o Partido dos Trabalhadores (PT).

“Artimanha”, “farsa”, “golpe”: as opiniões de Dilma sobre o impeachment

Inimiga número um de parte dos brasileiros

Essa guerra de poder aconteceu tendo como pano de fundo uma revolta social. Após os “anos felizes” de prosperidade econômica, de avanços sociais e de recuo da pobreza durante os dois mandatos de Lula, em 2013 veio o tempo das reivindicações da população. O acesso ao consumo, a organização da Copa do Mundo e das Olimpíadas não conseguiam mais satisfazer o “povo”, que queria mais do que “pão e circo”. Ele queria escolas, hospitais e uma polícia confiável.

O escândalo de corrupção em grande escala ligado ao grupo petroleiro Petrobras foi a gota d’água para um país maltratado por uma crise econômica sem precedentes. Profundamente angustiados, parte dos brasileiros fizeram do juiz Sérgio Moro, encarregado da operação “Lava Jato”, seu herói, e da presidente sua inimiga número um.

A ironia quis que a corrupção fizesse milhões de brasileiros saírem para as ruas nos últimos meses, mas que não fosse ela a causa da queda de Dilma Rousseff. Pior: os próprios arquitetos de sua derrocada não são santos.

O homem que deu início ao processo de impeachment, Eduardo Cunha, ex-presidente da Câmara dos Deputados, é acusado de corrupção e de lavagem de dinheiro. A presidente do Brasil está sendo julgada por um Senado que tem um terço de seus representantes, segundo o site Congresso em Foco, como alvos de processos criminais. Ela será substituída por seu vice-presidente, Michel Temer, embora este seja considerado inelegível durante oito anos por ter ultrapassado o limite permitido de doações de campanha.

O braço direito de Temer, Romero Jucá, ex-ministro do Planejamento do governo interino, foi desmascarado em maio por uma escuta telefônica feita em março na qual ele defendia explicitamente uma “mudança de governo” para barrar a operação “Lava Jato”.

Se esse não é um golpe de Estado, é no mínimo uma farsa. E as verdadeiras vítimas dessa tragicomédia política infelizmente são os brasileiros.

Fonte: Le Monde e Contexto Livre

sexta-feira, 26 de agosto de 2016

A mídia - capitaneada pela Globo - fez o golpe. Como democratizá-la?

joão-roberto-marinho-e-Eduardo-Cunha
Eduardo Cunha, então presidente da Câmara, cumprimenta JoãoRoberto Marinho. Compõem a cena os deputados Rômulo Gouveia (vice-presidente do Grupo Globo) e Luiz Carlos Hauly
Discurso uníssono da chamada "Grande Midia" empresarial em favor do impeachment atingiu opinião pública. Esquerda institucional, no governo por treze anos, não ousou reformar comunicações. Agenda é cada vez mais crucial
Por Fernando Marcelino - no Outras Palavras
O golpe institucional em curso no Brasil só foi produzido porque teve o apoio incondicional da grande mídia. Sem o bombardeamento negativo diário da mídia monopolista – sob o comando da Globo, Record, Band, Estadão, Folha de São Paulo e outros jornais, revistas e mídias digitais –, seria impossível a intensa partidarização das instituições de Estado para desfechar o golpe contra Dilma, num processo totalmente maculado pela fraude e pela manipulação. E desde que Temer assumiu como presidente interino, ocorre uma ampla campanha de informação visando assentar as bases da autoridade do governo golpista com aparência de continuísmo, legalidade e legitimidade.
Durante o século XX passou a ser cada vez mais vital para as classes dominantes manter sua hegemonia pelos grandes meios de comunicação privados. Podendo chegar com uma única voz a grande maioria dos brasileiros, cria-se um “consenso” sem vozes dissonantes e consegue-se pautar a agenda de debates no país.
Não é a toa que, pelo menos desde a década de 1950, a grande mídia privada vem sendo um dos principais articuladores da desestabilização política e econômica no país, participando do cerco político que culminou no suicídio de Getúlio Vargas, nas tentativas de inviabilizar a posse de Juscelino e na execução do golpe contra Jango em 1964. Nestes casos, os meios de comunicação de massa brasileiros foram decisivos como complementos das ações políticas que definiram os rumos do país.
Com a ditadura, a grande mídia – capitaneada pela Rede Globo – foi altamente conivente com as práticas de censura, tortura e perseguição política, tentando legitimar a ação dos governos militares.
Com a redemocratização a grande mídia privada continuou poderosa. Durante os governos Collor e FHC os maiores veículos de comunicação atuaram numa linha “chapa-branca”, omitindo-se perante os inúmeros esquemas de corrupção que envolveram as privatizações e o processo de desnacionalização desenfreada dos anos 1990.
A partir de 2003, durante os governos liderados pelo PT, a grande mídia passou a se esforçar em demonstrar que o Brasil estava virando um caos. Mais recentemente, além de promover ataques ao governo, se ampliaram as campanhas para criar um clima de ódio e de espetacularização ao “combate a corrupção” com a estratégia de vazamentos seletivos de informações sigilosas para imprensa executada pela Operação Lava Jato. O resultado foi que, diante das tentativas de golpe a partir da eleição de 2014, nem governo, partidos ou organizações populares se mostraram em condições de fazer frente à avalanche de mentiras, omissões e calúnias da grande mídia privada, o que acabou levando parte considerável da sociedade a defender o golpe institucional travestido de impeachment da presidente Dilma.
Em pleno século XXI, o Brasil continua sendo um dos países com maior concentração da mídia no mundo. Menos de dez grupos familiares concentram os principais meios de comunicação no Brasil, num verdadeiro esquema de monopólios e oligopólios em âmbito regional e nacional, violando a Constituição Federal de 1988 e desequilibrando o jogo democrático da representação política. A legislação do setor também não inclui dispositivos que limitem a concentração de propriedade.
As redes nacionais de comunicação incluem emissoras de rádio e TV, jornais e revistas de circulação nacional. Seus principais proprietários são sete famílias. Os Marinhos da Rede Globo (a família mais rica do Brasil), a família Abravanel (de Sílvio Santos) do SBT, Edir Macedo da Record, a família Saad da Band, os Frias da Folha de S. Paulo, os Mesquitas do Estadão e os Civita da editora Abril e Veja. São sete famílias que representam unicamente mais de 80% de tudo que entra para os brasileiros.
Este nível de concentração também existe nos grupos regionais de afiliados nas redes nacionais de TV, formando oligopólios estaduais ligados a famílias políticas tradicionais, como a família Magalhães (de ACM Neto – DEM) na Bahia, a família Sarney (de José Sarney – PMDB) no Maranhão, a família Collor (de Fernando Collor de Mello – PTC) em Alagoas, a família Maia (de Jose Agripino Maia – DEM) e família Alves (de Garibaldi Alves Filho – PMDB) no Rio Grande do Norte, a família Jereissati (de Tasso Jereissati – PSDB) no Ceará, a família Franco (de Albano Franco – PSDB) no Sergipe, a família Sirotsky no Rio Grande do Sul, família Câmara em Goiás e Tocantins, os Barbalho e Maiorana no Pará.
No Paraná apenas cinco famílias que comandam a grande comunicação de massa privada. Existe a família Petrelli (dona da RIC Record), a família Malucelli (dona da TV Bandeirantes Curitiba e Maringá, BandNews FM, CBN Curitiba, Jornal Metro e Rádio Globo Curitiba e Paranaguá), a família Massa Martinez do apresentador Ratinho e seu filho, o deputado e secretário de Beto Richa, Ratinho Junior (PSD) (donos da Rede Massa, que domina o SBT no Paraná) e a família Cunha Pereira que, junto com a família Lemanski, (donos do GRPCOM – Grupo Paranaense de Comunicação, que domina a RPC TV com oito emissoras de TV afiliadas à Rede Globo, os jornais Gazeta do Povo, Jornal de Londrina, Gazeta Maringá e Tribuna, as rádios 98FM, Mundo Livre FM e Cultura FM. E a família Mussi Pimentel (da Rede Mercosul de Comunicação).
Em 2011, a Gazeta do Povo publicou matéria chamada “Políticos são donos de 15% das rádios no PR” onde revelou que pelo menos 54 emissoras de rádio das 355 com registro no governo federal pertencem a políticos ou familiares. A reportagem identificou que entre os empresários do setor estão ex-governadores, conselheiro do Tribunal de Contas do Estado, secretários de estado, deputados federais e estaduais, prefeitos, ex-prefeitos e vereadores. Ao todo, foram identificados pelo menos 45 donos de rádio que exercem, ou exerceram, cargos eletivos.
Em algumas cidades do interior, todas as rádios estão nas mãos de políticos.
Na cidade de Ivaiporã existem três emissoras: a Uba Limitada, a Ivaiporã FM e a Rádio e Televisão Rotioner. A Uba tem entre os sócios o ex-governador Orlando Pessuti (PMDB). Regina Fischer Pessuti, mulher do ex-governador, é sócia da Ivaiporã FM e a Rotioner tem entre os proprietários Paula Pimentel e Luiz Guilherme Gomes Mussi. Ela, desde 2008, é mulher do deputado estadual Alexandre Curi (PMDB) e ele, sogro de Curi e suplente do senador Roberto Requião (PMDB). Além deles, o pai de Alexandre Curi, Aníbal Khury Júnior, é um dos donos da Rádio Poema, no município de Pitanga. Situação semelhante acontece na cidade de Guarapuava. Com pouco mais de 167 mil habitantes e 117 mil eleitores, duas tradicionais famílias políticas disputam os ouvintes. De um lado está a família do conselheiro do Tribunal de Contas do Estado Artagão de Mattos Leão, dona da rádio Difusora Guarapuava e da Emissora Atalaia. Do outro, a família Ribas Carli, são sócios da rádio Guairacá de Guarapuava. Em Maringá, a família de Ricardo Barros é dona da rádio Nova Ingá e da rádio Difusora.
temer-marinhoSão estes punhados de famílias políticas e empresariais que morrem de medo de quebrar seu monopólio dos meios de comunicação, acusando propostas de regulação do setor de mídia de censura. E como a grande mídia pertence à classe dominante, compreende-se que propagandeiem objetivos políticos alinhados a seus interesses corporativos de manter a hiper-concentração da grande mídia. Estas famílias da grande mídia não estão interessadas em atender o equilíbrio informativo, o respeito à privacidade e a honra das pessoas, os espaços no rádio e na TV aos movimentos sociais, a promoção da cultura nacional e a regionalização da produção artística e cultural pela regulação econômica da mídia. Até aí tudo bem. Inexplicável é a falta de compreensão da esquerda e dos governos liderados pelo PT sobre o caráter estratégico de uma agenda de comunicação alternativa popular. Afinal, porque não houve iniciativas para demonstrar o caráter político e distorcido da grande mídia? Porque o governo, repetidamente, não atacou de frente as mentiras ditas dia e noite pela grande mídia? Porque não levou a cabo a regulação da mídia como uma questão chave? Porque não houve esforços para realizar o que o jornalÚltima Hora, criada com apoio de Getúlio Vargas e editada por Samuel Wainer, fez em defesa dos interesses populares e nacionais?
De qualquer forma, diante dos atuais retrocessos do governo Temer, uma série de ações pela democratização dos meios de comunicação continua na ordem do dia, como impedir os retrocessos na Empresa Brasileira de Comunicação e no Marco Civil da Internet, denunciar a perseguição política e jurídica a blogs e coletivos de comunicação alternativa. Para ampliar a pluralidade de vozes e representatividade da população nos meios de comunicação também é necessário pressão da sociedade para proibir a propriedade cruzada, isso é, o domínio pelo mesmo grupo de comunicação de concessões para operar diferentes plataformas (TV, jornal e portais), proibir a concessão de meios de comunicação a pessoas com cargo eletivo – como deputados e senadores – e vedar a manutenção de dezenas de canais de comunicação a uma mesma empresa.
Estas medidas mais gerais devem ser combinadas com ações concretas específicas, no sentido de defender os meios de comunicação alternativos públicos e comunitários, inclusive garantindo seu sustento material. Somente desta forma haverá contraponto as notícias e informações disseminadas pela grande mídia. E, neste momento em que está colocado de maneira aguda o impasse entre a força dos golpistas e sua ilegitimidade democrática, mais do que nunca devemos defender a liberdade de expressão contra a violência exercida pela monopolização da informação.

Wagner Moura: há um holofote Internacional iluminado as trevas do Golpe da direita hipócrita e corrupta brasileira

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Veja o vídeo e leia os dois artigos abaixo:



Ator agradece declarações de artistas e intelectuais globais como Susan Sarandon, Noam Chomsky e Oliver Stone, que, nesta quarta-feira 24, assinaram um manifesto contra o golpe no Brasil e em apoio à presidente Dilma Rousseff; "Estamos profundamente agradecidos por essas importantes palavras de apoio de nossos colegas na Grã-Bretanha, Estados Unidos, Canadá e Índia. Os políticos corruptos que lideram a articulação para depor Dilma têm de saber que há um holofote internacional iluminando suas ações", disse.


247 - O ator Wagner Moura, crítico do processo de impeachment, agradeceu as declarações divulgadas nesta quarta-feira 24 por artistas e intelectuais globais como Susan Sarandon, Noam Chomsky e Oliver Stone, contra o golpe parlamentar no Brasil e em apoio à presidente Dilma Rousseff. 
"Estamos profundamente agradecidos por essas importantes palavras de apoio de nossos colegas na Grã-Bretanha, Estados Unidos, Canadá e Índia. Os políticos corruptos que lideram a articulação para depor Dilma têm de saber que há um holofote internacional iluminando suas ações", disse Wagner Moura.
"Se eles derem continuidade ao seu plano, serão lembrados pela história como os responsáveis pelo mais sinistro ataque à democracia desde o Golpe de 1964", acrescentou o ator.
Leia aqui o manifesto dos artistas e intelectuais divulgados nesta quarta.

Artistas e intelectuais estrangeiros se manifestam contra golpe de estado no Brasil



Fonte: http://www.otvfoco.com.br/artistas-e-intelectuais-estrangeiros-se-manifestam-contra-golpe-de-estado-no-brasil/#ixzz4ITKXINOA

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Percebendo a situação em que vive o Brasil, que é melhor exposta em jornais internacionais do que na nossa imprensa local, um grupo de artistas e intelectuais estrangeiros lançou nesta quarta (24) um manifesto contra o processo fraudulento de impeachment no Brasil.

Entre eles, nomes de peso do cinema, como o cineasta Oliver Stone, diretor do premiadíssimo “Platoon”; a atriz Susan Sarandon, 5 vezes indicada ao oscar e ganhadora da estatueta em 1995; o ator Viggo Mortensen, o Aragorn de “O Senhor dos Anéis”; Danny Glover, e Noam Chomsky, este considerado um dos maiores intelectuais vivos do mundo.
O texto declara solidariedade com aqueles que lutam pela democracia e questionam a base jurídica e a falta de evidências convincentes mostrando que os principais promotores da campanha do impeachment estão tentando remover a presidente para parar a investigação contra a corrupção.
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Susan Sarandon (Foto: Reprodução)

Além disso, o manifesto fala sobre o quadro de ministros identificados como homens brancos e ricos, em um país onde a maioria são negros, pardos, e mulheres. O texto ainda destaca que esse tipo de situação não pode ocorrer em um país tão importante no cenário mundial como o Brasil, que vinha avançando muito nos últimos anos na diminuição da desigualdade e nos direitos das minorias. Confira na íntegra.
“Nos solidarizamos com nossos colegas artistas e com todos aqueles que lutam pela democracia e justiça em todo o Brasil.
Estamos preocupados com o impeachment de motivação política da presidenta, o qual instalou um governo provisório não eleito. A base jurídica para o impeachment em curso é amplamente questionável e existem evidências convincentes mostrando que os principais promotores da campanha do impeachment estão tentando remover a presidenta com o objetivo de parar investigações de corrupção nas quais eles próprios estão implicados.
Lamentamos que o governo interino no Brasil tenha substituído um ministério diversificado, dirigido pela primeira presidente mulher, por um ministério compostos por homens brancos, em um país onde a maioria se identifica como negros ou pardos. Tal governo também eliminou o Ministério das Mulheres, Igualdade Racial e dos Direitos Humanos. Visto que o Brasil é o quinto país mais populoso do mundo, estes acontecimentos são de grande importância para todos os que se preocupam com igualdade e direitos civis.
Esperamos que os senadores brasileiros respeitem o processo eleitoral de 2014, quando mais de 100 milhões de pessoas votaram. O Brasil emergiu de uma ditadura há apenas 30 anos, e esses eventos podem atrasar o progresso do país em termos de inclusão social e econômica por décadas. O Brasil é uma grande potência regional e tem a maior economia da América Latina. Se este ataque contra suas instituições democráticas for bem sucedido, as ondas de choque negativas irão reverberar em toda a região.”
Tariq Ali – escrtor, jornalista e cineasta
Harry Belafonte – ativista, cantor e ator
Noam Chomsky – linguista
Alan Cumming – ator
Frances de la Tour – atriz
Deborah Eisenberg – escritora, atriz e professora
Brian Eno – compositor, cantor e produtor
Eve Ensler – dramaturga
Stephen Fry – ator e diretor
Danny Glover – ator e diretor
Daniel Hunt – produtor musical e cineasta
Naomi Klein – jornalista e escritora
Ken Loach – cineasta
Tom Morello – músico
Viggo Mortensen – ator
Michael Ondaatje – novelista e poeta
Arundhati Roy – escritor e ativista
Susan Sarandon – atriz
John Sayles – roteirista e director
Wallace Shawn – ator, dramaturgo e comediante
Oliver Stone – cineasta
Vivienne Westwood – estilista

Le Monde publica manifesto do Senado Francês em repúdio ao ‘golpe de baixo nível’ no Brasil








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WhatsAppTwitterFacebookFoto: Reprodução/ Le Monde

Dilma Rousseff, vítima de uma manobra política de baixo nível

no Le Monde / Tradução: Solange de Andrade Lima Lisboa
  No Brasil as máscaras caem. Antigas escutas telefônicas revelaram as manobras que precederam o processo de impeachment da presidenta brasileira Dilma Rousseff.  Tomou-se conhecimento que alguns parlamentares procuravam escapar da acusação de corrupção, que os ameaçavam por meio do impeachment de Dilma Rousseff, reeleita em 2014 com 54 milhões de votos (51,64%). Assistimos à tomada de poder, sem legitimidade popular, por aqueles que perderam a disputa presidencial, com o intuito de colocar em prática seus programas rejeitados pelas urnas.  Formou-se um governo composto exclusivamente de homens, que em nada reflete a diversidade que compõe a sociedade brasileira.
  As primeiras decisões do governo interino, dirigido por Michel Temer, foram claras: extinção dos ministérios da Cultura, do Ministério das Mulheres, da Igualdade Racial e dos Direitos Humanos e o órgão independente de controle do aparelho estatal (Controladoria Geral da União). Em seguida ele anunciou o fim dos programas sociais como “Minha Casa, Minha Vida”, programa de financiamento para aquisição de moradia para população de baixa renda, “Mais Médicos”, programa que permite a vinda de médicos estrangeiros em áreas menos favorecidas, e a instauração de um plano econômico de austeridade. Trata-se de um golpe de Estado institucional visando destruir todas as reformas sociais que permitiram a mais de 40 milhões de brasileiros sair da situação de miséria, durante treze anos de governo de esquerda. Os homens deste governo interino têm pressa e não se importam com a instabilidade política, econômica e social em que eles estão mergulhando o Brasil.

  Um governo que não dá para se relacionar

  Nós, políticos franceses eleitos, afirmamos que o processo constitucional de impeachment foi instrumentalizado por uma maioria parlamentar oportunista. Este processo, que se aplica apenas para crimes ou graves infrações, foi instaurado devido aos decretos retificadores do orçamento de 2015, adotados pelo governo de Dilma Rousseff.  Foi aberto no meio de dezembro de 2015 antes mesmo do fim do ano orçamentário e antes mesmo do exame de validação do orçamento pela Controladoria das Contas do Estado e pelas duas Câmaras.

  Nós frisamos que a presidenta afastada não foi citada em nenhum dos inúmeros casos de corrupção que atingem a classe política, notadamente o escândalo da Petrobras. Não é o caso dos sete dos ministros do governo Temer. Um dentre eles, Romero Jucá, ministro do Planejamento, está envolvido no caso das escutas reveladoras da realidade do processo de impeachment e já foi forçado a se demitir.  Da mesma forma, alguns dias mais tarde, Fabiano Silveira, ministro da “Transparência”, que também está envolvido nas escutas. Até o presidente interino foi declarado inelegível por oito anos pela justiça de São Paulo por fraudes nas contas de sua campanha.
  Outro traço relevante e significativo deste governo: o ministro da Justiça (equivalente ao ministério do interior francês) Alexandre de Morais foi advogado da organização criminosa PCC (Primeiro Comando Capital). Estamos também preocupados com o envolvimento no golpe de Estado da grande mídia brasileira pertencentes a grandes grupos financeiros, por uma campanha extremamente violenta a favor da destituição e criminalização da esquerda. Essas mesmas mídias apoiaram o golpe de Estado Militar de 1964 a partir do qual construíram verdadeiros impérios midiáticos. Ficamos chocados pelas justificativas dos votos dos deputados em favor do impeachment, invocando Deus, suas famílias e um deles chegando mesmo a enaltecer o coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, torturador de Dilma Rousseff, hoje falecido.
  Milhões de brasileiros se mobilizam hoje em todo pais para defender a democracia, exigindo a saída deste governo ilegítimo e o retorno da presidenta eleita democraticamente. Nós os apoiamos. Nós, parlamentares, esperamos que a Corte Suprema Federal, que ainda não se pronunciou sobre o mérito, condenará o abuso do processo de impeachment. Nós parlamentares franceses, pedimos ao governo de François Hollande de se pronunciar e de condenar este golpe contra a democracia. Nós parlamentares denunciamos, após a destituição dos presidentes eleitos em Honduras e no Paraguai, este terceiro golpe institucional e afirmamos nosso compromisso e respeito ao voto popular como única forma de acesso à direção de um país. Nós pedimos a comunidade internacional condenar este golpe de Estado. Seria muito grave para todos que o maior pais da América Latina se afunde num impasse político, econômico e social.
 Assinado:
Patrick Abate, sénateur de Moselle (CRC), Aline Archimbaud, sénatrice de Seine-Saint-Denis (Les Verts), Eliane Assassi, sénatrice de Seine-Saint-Denis et Présidente CRC, Marie-France Beaufils, sénatrice d’Indre-et-Loire (CRC), Esther Benbassa, sénatrice du Val-de-Marne (EELV), Michel Billout, sénateur de Seine-et-Marne (CRC), Marie Blandin, sénatrice du Nord (groupe écologiste), Eric Bocquet, sénateur du Nord (CRC), Jean-Pierre Bosino, sénateur de l’Oise (CRC), Corinne Bouchoux, sénatrice de Maine-et-Loire (groupe écologiste), Laurence Cohen, sénatrice du Val-de-Marne (CRC), Cécile Cukierman, sénatrice de la Loire (CRC), Ronan Dantec, sénateur de Loire-Atlantique (EELV), Annie David, sénatrice de l’Isère (CRC), Karima Delli, députée européenne (EELV), Michelle Demessine, sénatrice du Nord (CRC), Evelyne Didier, sénatrice de la Meurthe-et-Moselle (CRC), Christian Favier, sénateur du Val-de-Marne (CRC), Thierry Foucaud, sénateur de Seine-Maritime (CRC), Brigitte Gonthier-Maurin, sénatrice des Hauts-de-Seine (CRC), Pierre Laurent, secrétaire national du PCF et sénateur de Paris (CRC), Michel Le Scouarnec, sénateur du Morbihan (CRC), Noël Mamère, député de la Gironde (groupe écologiste), Christine Prunaud, sénatrice des Côtes-d’Armor (CRC), Jean-Louis Roumégas, député de l’Hérault (groupe écologiste), Bernard Vera, sénateur de l’Essone (CRC), Paul Vergès, sénateur de la Réunion (CRC), Dominique Watrin, sénateur du Pas-de-Calais (CRC).


A "máfia Vip" do Congresso na farsa do julgamento enquanto o povo grita "Fora Temer"





Toledo e as pesquisas municpais. Só dá “Fora Temer”, de Note a Sul

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“Pulei” a oportunidade de comentar as pesquisas de intenção de voto para prefeito das capitais, divulgadas anteontem e ontem, por terem pouca relevância do ponto de vista do quadro nacional. São eleições despolitizadas e desmobilizadas como poucas vezes vi em minha vida e, ainda por cima, ao menos no Rio e em São Paulo por candidatos de pouca densidade política, Celso Russomano e Marcelo Crivella, exceto pelo fato de ambos terem mostrado uma enorme capacidade de se desfazerem ao longo da campanha.
O mais interessante nelas, feito ontem pelo colega Fernando Molica no Rio de Janeiro, é analisado nacionalmente hoje pelo ótimo José Roberto de Toledo: qual é o quadro da avaliação de Michel Temer nas principais cidades do país.
E o quadro é tão devastador que Toledo “mata a charada” da ausência do presidente interino dos palanques municipais.  Mais fácil que ser excesso de relo com sua base, é ser falta  de convite, mesmo porque espanta votos.

Temer longe da urna

José Roberto de Toledo, no Estadão
Às vésperas de perder o “interino” de seu título, e em tempo de estrear na política internacional em viagem à China, Michel Temer deve manter-se longe da política local – dos palanques, ao menos. O presidente em exercício anunciou que não fará campanha nas eleições municipais. Foi uma decisão esperta. A julgar pelos resultados das pesquisas Ibope em 22 grandes e médias cidades divulgados esta semana, seria, sim, por falta de convite.
Temer tem saldo negativo de popularidade em 22 das 22 cidades pesquisadas. Em todos elas, as taxas de ótimo e bom atribuídas ao seu governo são menores do que as taxas de ruim e péssimo. O tamanho do buraco varia de município para município, de região para região, mas, sem exceção, mais eleitores desaprovam a gestão Temer do que a elogiam. Logo, sua presença em palanques teria mais chance de atrapalhar do que ajudar um candidato.
É improvável que essa impopularidade onipresente mude em tempo de transformar o futuro ex-interino em um cabo eleitoral para candidatos a prefeito. Seria necessária uma reversão relâmpago da recessão e uma melhoria instantânea das expectativas econômicas para que Temer deixasse de ser um peso na urna.
Mesmo nas metrópoles onde seu partido, o PMDB, tem candidato com chances eleitorais palpáveis, Temer deve manter-se longe de comícios e propagandas na TV ou no rádio. Não apenas porque eventualmente assim prefira, mas porque os marqueteiros teriam um enfarte se precisassem inserilo ao lado do cliente.
Tome-se o caso de São Paulo. Marta, que não quer mais ser chamada de Suplicy, é a candidata peemedebista. Largou em segundo lugar, com 17% das intenções de voto estimuladas no Ibope. Tem boas chances de ir ao 2.º turno. Mas o endosso explícito de Temer não ajudaria em nada essa missão: 41% dos paulistanos acham o governo do interino ruim ou péssimo.
Na verdade, Temer tem uma taxa de ótimo e bom entre os paulistanos tão baixa quanto a do impopular prefeito petista Fernando Haddad: 13%. O saldo de popularidade presidencial em São Paulo é de 28 pontos negativos. E está longe de ser a cidade onde o presidente interino é mais mal avaliado.
No Rio de Janeiro, onde Eduardo Paes (PMDB) pena para eleger o candidato Pedro Paulo (tem 6% de intenção de voto e está em quarto lugar), Temer tampouco ajudaria. Sua popularidade está 30 pontos no vermelho. Ou seja, 25 pontos pior do que a de Paes.
Do Nordeste, então, Temer deve manter mais distância ainda. Em Salvador, ACM Neto (DEM) nada em popularidade. Tem 71% de ótimo e bom. Se a eleição fosse hoje, ele se reelegeria já no 1.º turno com 81% dos votos válidos. Para que arriscar um apoio explícito de Temer, que tem 53% de ruim e péssimo na cidade?
Em Feira de Santana (BA) a situação é igual: o candidato do DEM se reelegeria no 1.º turno e Temer amarga 50% de ruim e péssimo contra 10% de ótimo e bom. A maré de impopularidade presidencial também vai alta em outras cidades nordestinas.
No Recife, o presidente interino tem 48% de desaprovação. São 49% de ruim e péssimo em Teresina, 45% em Aracaju, 44% em Natal, 49% em Fortaleza e 46% em Maceió. Na capital de Alagoas, o governador, filho de Renan Calheiros, é mais popular do que Temer: 32% de ótimo/bom e 25% de ruim/péssimo: saldo de 7.
O fenômeno se repete em outras regiões. Em Belo Horizonte, Temer tem 47% de ruim e péssimo contra apenas 13% de ótimo e bom. Em Porto Alegre, onde o PMDB tem candidato a prefeito, Temer só não é mais impopular do que o governador peemedebista José Ivo Sartori. Tem saldo negativo de 32% contra 43% do governador. O cenário se repete no interior paulista, em cidades como Campinas, Ribeirão Preto, São Carlos, Araraquara e Sorocaba. Lá, Temer é mais mal avaliado do que Geraldo Alckmin (PSDB).
Para sorte do presidente, não há eleição municipal em Brasília.