segunda-feira, 18 de junho de 2018

Bob Fernandes: Na Copa, sumiu o Amarelo... Por que será?


"Atores da Farsa. Mídias sabiam quem eram Eduardo Cunha, Temer & Cia. Mesmo assim Cunha e milhões de Cunhas bancaram o impeachment. Cadeia só depois do serviço feito."

Do Canal do Jornal da Gazeta:


Análises, reportagens, pesquisas, manchetes buscam resposta: por que o amarelo ainda não tomou ruas a horas do início da Copa?
Explicações podem ser encontradas nas próprias manchetes. Do presente e do passado recente...
Com personagens e números que frequentaram, frequentam o noticiário.
O candidato que hoje teria apoio de até 49% dos brasileiros para se tornar presidente é Lula. Que está preso e ainda responde a uma fieira de processos.
Por ora com 19%, o segundo preferido é Bolsonaro. Que responde a dois processos no Supremo. Por racismo e incitação ao estupro.
Publicada a pesquisa Datafolha a mesma Folha informou, no país com 52 milhões de pobres:
-Bolsonaro defendeu esterilização... de pobres.
Atores da Farsa. Mídias sabiam quem eram Eduardo Cunha, Temer & Cia. Mesmo assim Cunha e milhões de Cunhas bancaram o impeachment. Cadeia só depois do serviço feito.
Agripino Maia, nesta terça 12 tornado réu por corrupção, frequentava manifestações. Sendo entrevistado e pontificando sobre... a corrupção petista...
...Como pontificavam Temer, Aécio, Alckmin, Jucá, Imbassay, ACM Neto, Serra, Cristiane Brasil... Dezenas desde então citados, indiciados, réus. Ou escondidos.
E escondem notícias. Mas, dos que emprestaram ou comandam vozes, muitos não resistem à história dos próprios negócios.
Números: 72% dizem que economia do Brasil piorou. Rapazes do “O Mercado” dizem que o problema é “o populismo”. Para não dizerem que...“o problema é o povo”.
O Banco Mundial informou: o povo, 100 milhões, precisa juntar tudo que têm para empatar com a fortuna de... seis, meia dúzia de brasileiros.
Rejeições em alta. Pesquisa Estadão/ Ipsos de abril: metade do país desaprova Moro.
Datafolha: escassos 14% “confiam muito” no Supremo. E só 16 % confiam totalmente na imprensa.
Forças Armadas? Queda de cinco pontos em dois meses, só 37% confiam plenamente. Dois terços do país não confiam no Congresso e nos partidos.
Mais de 62 mil homicídios no último ano já contabilizado, 2016... E a memória desses anos recentes...
... Junte-se tudo isso e talvez se encontre resposta para a dúvida cruel no Brasil em Transe... Cadê o amarelo?

Jessé de Sousa, em entrevista a Luis Nassif, discute a subcidadania brasileira manipulada pela Elite do Atraso



Do canal da TVPUC:



Após o sucesso de 'A tolice da inteligência brasileira' e 'A elite do atraso', o sociólogo e pesquisador Jessé Souza lança o livro "Subcidadania brasileira", também pela editora LeYa.
O livro consolida os pensamentos do autor, um dos mais profícuos e originais pensadores brasileiros que dedicaram buscar caminhos para a superação das grandes questões nacionais.

terça-feira, 12 de junho de 2018

Mauro Lopes comenta sobre o carinho do Papa Francisco a Lula e o ódio da direita golpista e retrógrada brasileira contra ambos


"(O Papa) Enviou a Lula, prisioneiro político há 67 dias, um terço e um bilhete pessoal, escrito a mão. Se o Papa tem afeto por Lula, o regime dos golpistas tem ódio. E, com a mesquinharia típica das ditaduras, proibiram o enviado especial de Francisco de entregar o terço pessoalmente e conversar com o ex-presidente. "

Do Brasil 247:




Lula é o maior líder político católico da história brasileira. E o Papa Francisco fez nesta segunda (11) uma demonstração inequívoca de seu carinho por ele. Enviou a Lula, prisioneiro político há 67 dias, um terço e um bilhete pessoal, escrito a mão. Se o Papa tem afeto por Lula, o regime dos golpistas tem ódio. E, com a mesquinharia típica das ditaduras, proibiram o enviado especial de Francisco de entregar o terço pessoalmente e conversar com o ex-presidente. O episódio é grave. Barrar um enviado do Papa numa visita a um preso político terá ampla repercussão contra o golpe, nacional e internacionalmente. Com o gesto de Francisco, fica claro que sua homilia há cerca de um mês, condenando os golpes de Estado patrocinados pelas mídias conservadoras referia-se de fato ao Brasil.
É um aparente paradoxo: no maior país católico do mundo, o maior líder político católico da história é odiado por milhares e milhares de católicos e católicas, a começar pelo líder do golpe, Michel Temer, e pelo ex-governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, ligado à Opus Dei. Nas rede sociais, católicos conservadores ofendem Lula, como ofenderam sua mulher, Marisa Letícia, até a morte, em 2017, e mesmo depois disso. A campanha persistente de ódio destes católicos a Lula não acontecem por serem católicos, mas por serem ferozmente de direita.  
O enviado do Papa à prisão foi ninguém menos que seu assessor para Assuntos de Justiça e Paz, o argentino Juan Grabois, homem da mais absoluta confiança de Francisco. Ao lado do cardeal Peter Turkson, prefeito do Departamento para o Serviço do Desenvolvimento Humano Integral do Vaticano, Grabois é o responsável pela organização dos Encontros Mundiais dos Movimento Populares, que reúne anualmente o Papa e lideranças de movimentos sociais de todo o planeta. Nestes encontros, Francisco tem feito críticas contundentes ao capitalismo. No segundo Encontro, em Santa Cruz de la Sierra (Bolívia), em julho de 2015, o papa qualificou o sistema de "ditadura sutil". Para Francisco Papa, o capitalismo "é insuportável: não o suportam os camponeses, não o suportam os trabalhadores, não o suportam as comunidades, não o suportam os povos...".
Lula deve ter recebido, se a Polícia Federal de fato o entregou, o terço enviado por Francisco -uma peça de contas pretas. O terço é um instrumento de oração e meditação de católicos usado há 800 anos e se compõe de uma sucessão de 10 Aves-Marias entremeadas por um Pai Nosso e uma invocação à Trindade. Os católicos de direita tentam estigmatizar Lula dizendo que ele é "comunista", "ateu" e "bêbado", mas o ex-presidente tem relações profundas com a Igreja Católica, com sua mulher tinha. 
As comunidades eclesiais de base da Igreja Católica foram decisivas para a formação do PT nos anos 1970/80. O partido foi criado pela confluência entre essa comunidades, o sindicalismo combativo liderado por Lula e seus companheiros e intelectuais de esquerda. O teólogo Leonardo Boff e Frei Betto são os principais conselheiros espirituais de Lula. Além de ambos, o padre Júlio Lancellotti e o monge católico Marcelo Barros foram até a prisão em Curitiba e, com eles, Lula tem comungado. 
No dia 17 de maio, na missa matinal em Santa Marta, que o papa preside sempre que está no Vaticano, o pontífice condenou o golpe de maneira dura. Sem citar o Brasil ou o nome de Lula diretamente, fez uma descrição perfeita do que acontece no país: "Criam-se condições obscuras para condenar uma pessoa. A mídia começa a falar mal das pessoas, dos dirigentes, e com a calúnia e a difamação essas pessoas ficam manchadas. Depois chega a Justiça, as condena, e no final, se faz um golpe de Estado".
A declaração do Papa aconteceu logo depois de um encontro com uma delegação de jovens brasileiros do grupo Igreja Povo de Deus em Movimento (IPDM), da Zona Leste de São Paulo, que foram a Roma para o encontro das Scholas Ocurrentes, um projeto político pedagógico para os jovens de Francisco inspirado nas comunidades eclesiais de base.
Os golpista imaginaram que Lula seria rapidamente esquecido e abandonado no cárcere em Curitiba. Não imaginaram a onda de solidariedade nacional e internacional que se levantaria a seu redor, a denúncia do caráter político de sua condenação e, menos ainda, os gestos do maior líder político do planeta, o Papa Francisco. 
Mauro Lopes

Em mais uma amostra clara do persecutório estado de exceção imposto por Moro a pedido dos EUA, Juan Grabois, consultor do Papa Francisco, é impedido de visitar Lula


Grabois disse que sua visita à carceragem da Polícia Federal, em Curitiba, foi barrada por “razões políticas”. 

Do Diário do Centro do Mundo:


Francisco e Grabois
Nesta segunda, dia 11, Lula ganhou um rosário enviado pelo papa Francisco através do advogado argentino Juan Grabois. 

Grabois disse que sua visita à carceragem da Polícia Federal, em Curitiba, foi barrada por “razões políticas”. 
Em 2016, quando foi nomeado consultor do papa, o Vatican Insiderfez um perfil dele. Ecce homo:
Ele tem 33 anos e é discreto. O Papa o estima e estima seu trabalho com os excluídos. Foi o verdadeiro artífice dos dois encontros mundiais dos movimentos populares dos quais Francisco participou. E há poucos dias externou, na Argentina, o mal-estar do Pontífice com a imprevista doação do governo de Mauricio Macri à Fundação Scholas Occurrentes. Chama-se Juan Grabois e no último sábado foi nomeado por Bergoglio consultor do Pontifício Conselho Justiça e Paz do Vaticano.
A notícia foi dada pela Sala de Imprensa da Santa Sé com um breve comunicado no qual detalhou que, entre outras coisas, ele é “cofundador do Movimento dos Trabalhadores Excluídos e da Confederação da Economia Popular”. E precisou que “é professor de Teoria do Estado e de prática profissional, respectivamente, na Universidade de Buenos Aires e na Universidade Católica Argentina”.
A nomeação não faz mais que certificar o apreço do líder católico pelo advogado, filho de um histórico dirigente peronista argentino Roberto “Pajarito” Grabois. Um jovem empreendedor, de trato direto e assíduo com o Papa em Roma. Seu objetivo? Organizar e estruturar os trabalhadores que se encontram à margem dos tradicionais sindicatos, alheios aos direitos trabalhistas básicos: empregados ambulantes, carrinheiros, trabalhadores por conta própria e camponeses.
Uma iniciativa que a imprensa chama de “CGT dos precários”, uma referência à Confederação Geral do Trabalho, a histórica sigla da representatividade sindical na Argentina, embora o próprio Grabois seja muito crítico ao gremialismo organizado que, na sua visão, deu as costas aos trabalhadores. Portanto, sua confederação já conta com mais de 80 mil filiados entre os quais se encontram vendedores, operários de fábricas recuperadas, motoqueiros, camponeses, entregadores de folhetos e beneficiários do Plano Argentina Trabalha.

Agora mora no sul da Argentina, em San Martín de los Andes, onde trabalha em uma escola de formação para militantes. Mas segundo ele mesmo contou em julho de 2014, sua relação com o Papa nasceu em 2005, durante uma missa presidida pelo então arcebispo de Buenos Aires na catedral em meio a um conflito envolvendo crianças que trabalham na coleta de lixo, os “papeleiros”, como são conhecidos no país sul-americano.
No governo da capital argentina destacam em Grabois sua capacidade de gestão e sua colaboração para evitar maior conflitividade com esse setor. Além disso, a imprensa atribui a ele a responsabilidade de ter conseguido que o Governo da cidade reconhecesse os carrinheiros durante a administração local do hoje presidente, Mauricio Macri.
No começo de 2007, o advogado ouviu várias homilias de Bergoglio sobre os pobres e os excluídos, e sentiu-se representado. Então decidiu convidá-lo para participar de um ato de 1º de maio. O arcebispo respondeu que não podia, mas o convidou para ir até seu escritório. Desse diálogo surgiu uma iniciativa concreta. Em 2008, o cardeal celebrou uma missa pública com carrinheiros e precários com o lema “Por uma pátria sem escravos nem excluídos”. A cerimônia repetiu-se ano após ano ininterruptamente até 2012.
O vínculo manteve-se entre Grabois e o novo Papa. Dessa maneira foi se gestando um encontro inédito, o primeiro Encontro Mundial de Movimentos Populares realizado em outubro de 2014 no Vaticano. Um evento que convocou representantes de dezenas de países e que terminou com um forte discurso do papa centrado em três palavras que já são um lema do pontificado: terra, teto e trabalho.
Um segundo encontro aconteceu em Santa Cruz de la Sierra em julho de 2015 durante a viagem apostólica de Francisco ao Equador, Bolívia e Paraguai. Em março passado, o advogado foi um dos oradores na assembleia plenária da Pontifícia Comissão para a América Latina do Vaticano. Foi convidado por uma específica solicitude do Papa para um encontro que versou sobre o papel dos leigos na Igreja.
Dois dias atrás, Juan Grabois apareceu na imprensa argentina para comentar a surpresa do Papa diante da milionária doação feita pelo governo do presidente Macri à fundação pontifícia Scholas Occurrentes, uma rede de escolas para o encontro impulsionada pelo próprio líder católico.
“Quem pensa que por dar dinheiro, especialmente recursos públicos, a uma fundação, escola, ONG, cooperativa ou movimento popular pelo simples fato de estar direta ou indiretamente vinculado ao Papa está fazendo um ‘gesto a Francisco’ é realmente um imbecil, além de corrupto e prevaricador”, disse, seco, o advogado ao jornal Página/12.
E não teve dúvidas em apontar: “Se o Estado financia uma organização deve ser por sua capacidade de melhorar a realidade do povo da Nação. A Scholas faz uma tarefa enorme na Argentina e em todo o mundo e é por isso que merece o acompanhamento do Estado. Mas apresentá-la como um favor ao Papa é uma barbaridade e algo que de modo algum ele aceitaria nesses termos. Vê-se que não conhecem Francisco”.


terça-feira, 5 de junho de 2018

Leonardo Boff: “Devemos manter a indignação”


Em entrevista exclusiva concedida à Fórum, o teólogo Leonardo Boff falou sobre política, religião e, claro, sobre o ex-presidente Lula, seu amigo há mais de 30 anos. “Não se resigna. Mesmo preso, é um homem livre”
Foto: Mídia Ninja
Poucos episódios ligados à política nacional brasileira deste ano foram tão tristes como o dia em que o teólogo Leonardo Boff, aos seus 79 anos, foi impedido de visitar o ex-presidente Lula na superintendência da Polícia Federal em Curitiba, onde está preso há quase dois meses.
A imagem de Leonard Boff sentado à sombra da cabine policial, aguardando para visitar seu amigo há mais de 30 anos, rodou o mundo e ajudou a denunciar uma Justiça arbitrária e insensível.
“Negaram a minha humanidade e a do ex-presidente Lula”, disse Boff, aos prantos, na ocasião.
Semanas depois, sob o preceito das Regras de Mandela, o teólogo finamente conseguiu  visitar o seu velho amigo. “Nos abraçamos e choramos”, disse Boff.
A fatídica foto que rodou o mundo e mostra Leonardo Boff sentado à sombra da sede da PF após ser impedido de visitar Lula. Foto: Eduardo Matysiak
Nesta semana de feriado de Corpus Christi, tão representativo aos cristãos e católicos no Brasil, Fórumprocurou Leonardo Boff, que é uma das maiores referências no que tange à teologia e à Teologia da Libertação para analisar o momento político sob sua visão humanista e espiritual. Ex-sacerdote franciscano, Boff falou sobre religião, política e, claro, sobre o ex-presidente Lula.
“Não se resigna. Mesmo preso, é um homem livre”, pontuou.
A entrevista começa com Leonardo Boff analisando as recentes declarações do Papa Francisco sobre golpes de Estado. Para o teólogo, não resta dúvidas: o pontífice mandou, sim, um recado direto ao Brasil.
“O Papa se interessa muito pelo Brasil e acompanha a nossa tragédia. Eu creio, sim, que o Papa Francisco pensou no Brasil. Eu mesmo entrei em contato com um jornalista, expert em Vaticano e muito próximo ao Papa, Raffaele Luise, pedindo que de alguma forma [o pontífice] desse a entender a situação escabrosa do país. Quem entende o linguajar dos Papas não tem dúvidas de que mandou um recado aos golpistas”, revelou.
Quando convidado a mandar uma mensagem àqueles que sentem-se desiludidos com a situação do Brasil, Boff não tergiversou. “Hoje devemos manter a indignação contra os malfeitos que o presidente ilegítimo e usurpador Michel Temer fez contra o povo, especialmente contra os pobres e os aposentados, e coragem para nos organizarmos para superar a situação, reelegermos Lula e dar continuidade à revolução pacífica que iniciou, mudando o perfil do Brasil face a nós mesmos e face ao mundo. Portanto, coragem”.
Confira.
Fórum – Leonardo, recentemente o Papa Francisco fez uma fala sobre como a mídia ajuda a manchar a imagem de lideranças e, assim, acontecem os golpes de estado. Muitos interpretaram essa fala como um recado ao Brasil. O que acha disso? Acredita que ele tem consciência da atual situação política brasileira?
Leonardo Boff – O Papa se interessa muito pelo Brasil e acompanha a nossa tragédia. Na época do impeachment ele mandou uma carta pessoal à Dilma. Ela não quis publicá-la por achar que era algo privado quando, no meu entender, era altamente político, pois todos admiram este Papa.
Eu creio, sim, que o Papa Francisco pensou no Brasil. Eu mesmo entrei em contato com um jornalista, expert em Vaticano e muito próximo ao Papa, Raffaele Luise, pedindo que de alguma forma [o pontífice] desse a entender a situação escabrosa do país. Quem entende o linguajar dos Papas não tem dúvidas de que mandou um recado aos golpistas.
Fórum – Como você tem avaliado, em linhas gerais, o papado de Francisco? Acredita que ocorra uma mudança, de fato, com relação aos velhos dogmas da Igreja Católica ou as declarações de Francisco fazem parte apenas de uma estratégia para “melhorar” a imagem da Igreja?
Leonardo Boff – Esse Papa não tem nada do figurino dos Papas da tradição. Ele inovou em todos os sentidos. Antes de tudo, porque veio de fora da velha cristandade europeia em franca decadência. Basta dizer que na Europa vivem apenas 25% dos católicos do mundo, enquanto na América são 62% e os restantes na África e na Ásia. Esse Papa disse e repetiu muitas vezes que respeita os dogmas. Mas isso não é importante. Mais importante é apresentar um Cristo que ama a todos, também aos homoafetivos, e o que vale é o encontro com as pessoas, levando-lhes esperança e o fato de a misericórdia de Deus não ter limites.
Portanto, podemos sempre contar com Deus, viver sem medos, pois não existe condenação eterna, como repetiu algumas vezes. O curioso é que este Papa, como nenhum antes na história dos pontífices, tem atacado diretamente o capitalismo como um sistema anti-vida e assassino dos pobres. Ele tem lado, ao lado das vítimas deste sistema inimigo da vida da natureza e insensível face ao sofrimento da maioria da humanidade. Ele vem do caldo cultural da teologia da libertação na versão argentina que é libertação do povo oprimido e da cultura silenciada. Ele introduziu este discurso no seio do próprio Vaticano e o tornou oficial.
Fórum – A Teologia da Libertação, junto aos trabalhos de base da igreja católica, ajudaram a consolidar o próprio PT e a esquerda brasileira após a redemocratização. Após o golpe e diante da conjuntura política no Brasil, aumento das desigualdades e perseguição dos movimentos sociais, acredita que a Igreja Católica possa voltar a ter um papel relevante no Brasil na construção de um novo caminho para as esquerdas e as camadas populares? Se sim, de que maneira?
Leonardo Boff – Sou da opinião que este Papa está criando uma nova genealogia de Papas que virão das partes mais numerosas e mais criativas da atual Igreja, quer dizer, do Grande Sul, do que chamávamos de Terceiro e Quarto Mundo. Ele tem consolidado um tipo de Igreja que está à altura dos problemas mundiais, especialmente a grande injustiça social mundial, a questão das ameaças que pesam sobre o planeta Terra. Ele está desocidentalizando a Igreja e também despatriarcalizando os estilos palacianos que a Igreja ainda apresenta. Ele despojou-se de tudo. Não foi viver no palácio pontifício, mas numa casa de hóspede. Ainda come com todos e diz com humor: “assim é mais difícil que me envenenem”.
Quanto à Igreja da base, vale dizer as Comunidades Eclesiais de Base, os movimentos sociais nascidos no interior dessa Igreja como o MST, o CIMI (Centro Indigenista Missionário), que cuida dos problemas indígenas, a CPT (Comissão da Pastoral da Terra), que cuida das pastorais sociais, dos afrodescendentes, das mulheres, da infância e outros, todos esses movimentos ajudaram na fundação do PT. Não é que eles entraram no PT. Eles constituíram células e grupos do partido. Portanto, ajudaram a fundar o PT.
A convicção era e continua sendo: as políticas sociais dos governos Lula-Dilma realizavam os ideais que amadureceram nas bases de justiça social e de participação popular. Em dialeto cristão se diz: essas políticas para os pobres mostram os bens do Reino de Deus que são feitos de justiça, de participação, de solidariedade e de amor efetivo, especialmente para os mais invisíveis. Lula sempre reconheceu a importância deste fato.
Fórum – Qual a sua opinião sobre a indicação do ex-presidente Lula para o Prêmio Nobel da Paz? Que características ele carrega que o fazem merecedor do prêmio?
Leonardo Boff – Eu creio e assim também o confirmou o prêmio Nobel da Paz, Adolfo Pérez Esquivel, que Lula preenche todas as características para ganhar o prêmio Nobel da Paz. Principalmente pelas políticas sociais que permitiram que 36 milhões de pessoas saíssem da fome e da miséria e entrassem na sociedade organizada. E outros projetos que beneficiaram os mais vulneráveis. E, além disso, ele irrompe como uma liderança mundial única, já que vivemos num mundo sem grandes líderes que convoquem a humanidade para algo melhor do que agora temos, que é uma barbárie para as grandes maiorias do mundo. Mas por trás há sempre um jogo político, pois cada país tem os seus “heróis” que mereceriam esse título, o que duvido realmente.
O Prêmio Nobel da Paz, Adolfo Perez Esquivel, e Leonardo Boff, após conseguirem, finalmente, visitar o ex-presidente Lula (Foto: Mídia Ninja)
Fórum – O senhor foi o primeiro que conseguiu autorização para visitar o ex-presidente Lula na categoria de “assistência espiritual”, que agora acontece todas as segundas-feiras. Qual a importância deste tipo de visita?
Leonardo Boff – Eu atendi a um pedido do próprio Lula, que é meu amigo já há mais de 30 anos. De tempos em tempos ele me chama junto com a minha companheira Márcia para um diálogo. Como não venho do campo político, nem sou membro do PT, ele tem muita confiança e gosta de ouvir opiniões de fora da política partidária. Eu fui junto com o portador do prêmio Nobel da Paz, o argentino Perez Esquivel. Segundo uma determinação da ONU, um portador deste título pode em qualquer país do mundo entrar nas prisões e visitar lugares de conflito. É a chamada Lei Mandela. Argumentamos junto à juíza Carolina Lebbos, que é o braço direito de Sérgio Moro, mas ela não quis nem saber. Alegou que isso não vale para o Brasil, no maior desrespeito a um portador mundialmente conhecido que é Adolfo Perez Esquivel. Tivemos que ir embora. Somente depois que se completaram 30 dias na prisão que a autoritária juíza permitiu que eu fosse visitá-lo. Começamos por aquilo que a Constituição ou a Justiça Penal prevê: que o encarcerado possa receber assistência espiritual. Não havia mais como negá-lo.
Fórum – Como o senhor se sentiu na primeira vez em que foi impedido de visitar o ex-presidente?
Leonardo Boff – Eu fiquei penalizado pela injustiça que essa proibição significa. Como religioso e teólogo fui cumprir o preceito evangélico que diz “estive preso e vieste me visitar”. A foto minha sentado à sombra da cabine policial na entrada da Polícia Federal girou o mundo. Dez minutos depois vinham mensagens de protesto de vários países da Europa e da América Latina. Muitos escreveram belos artigos sobre essa foto pois era altamente significativa.
Boff posa ao lado do fotógrafo Eduardo Matysiak, autor da imagem que rodou o mundo.
Fórum – Espiritualmente falando, como está ex-presidente Lula? Ele está esperançoso?
Leonardo Boff – Encontrei o Lula surpreendente assim como o conhecemos. Nada desfigurado. Sorridente. Nos abraçamos e nos comovemos juntos. Eu era o primeiro, afora os filhos e os advogados, que ele encontrava. Ele sente a falta de contato com o povo. Mas se consola ao ouvir às oito horas da manhã o “Bom Dia Lula” e o “Boa Noite Lula” vindos do acampamento em frente ao edifício da polícia. E ele escuta perfeitamente. Isso o consola.
O maior consolo vem de dentro, pois diz que sua consciência não o acusa de nada. Não participou de nenhum roubo, não recebeu uma única propina. Chega a dizer: “se alguém disser que eu dei cinco centavos a alguém ou recebi cinco centavos de alguém é um mentiroso. Aprendi com a minha mãe Lindu ser sempre correto e nunca pegar nada dos outros”.
Espiritualmente, isso lhe dá tranquilidade. Mas revela muita indignação pela injustiça que lhe é feita. Ele fez um desafio e pediu que eu o dissesse publicamente: “Se o Moro apresentar uma única prova sobre a propriedade a mim atribuída do triplex quero ser condenado e preso”. Até hoje não apareceu nenhuma prova. Sente-se, com razão, vítima do ódio deste juiz, instruído nos Estados Unidos a praticar o lawfare, quer dizer, distorcer as leis e sua interpretação para condenar o acusado. Ninguém pode prender seus e os nossos sonhos. Mesmo preso é um homem livre. Nunca se resigna. Disse-me claramente: “não quero cair de pé. O que quero é não cair. E não vou cair como eles desejam”.
Fórum – Que mensagem o senhor enviaria ao leitor da Fórum que está desiludido com o país e indignado com a situação do ex-presidente Lula?
Leonardo Boff – A minha mensagem vem de Santo Agostinho, um dos maiores pensadores cristãos, nascido na África e bispo de Hipona, hoje Argélia, aí pelos anos 450 da atual era. Diz ele: “devemos manter a esperança que não pode morrer nunca”. “A esperança”, dizia mais, “tem duas belas irmãs: a indignação contra as coisas erradas que vemos e a coragem para superá-las”.
Hoje devemos manter a indignação contra os malfeitos que o presidente ilegítimo e usurpador Michel Temer fez contra o povo, especialmente contra os pobres e os aposentados, e coragem para nos organizarmos para superar a situação, reelegermos Lula e dar continuidade à revolução pacífica que iniciou, mudando o perfil do Brasil face a nós mesmos e face ao mundo. Portanto, coragem, coragem. Era o que o Cardeal Dom Paulo Evaristo Arns de São Paulo sempre repetia aos resistentes ao regime militar e aos que sofriam a violência do Estado terrorista.
Fórum – Se Lula saísse da prisão e fosse presidente do Brasil novamente, o que o senhor lhe recomendaria repetir enquanto governante e o que o senhor lhe recomendaria evitar ou mudar?
Leonardo Boff – Eu diria duas coisas e ele concordou dizendo: “Se for novamente Presidente, primeiro vou revogar as medidas antipopulares e antinacionais que os golpistas introduziram contra a própria Constituição”. Depois, isso ele o repetiu muitas vezes, iria radicalizar as política sociais unidas à uma consciência de cidadania e de participação. Em segundo lugar, eu diria que ele deveria manter permanente contato com o povo e os movimentos sociais para equilibrar as alianças que se vê obrigado a fazer no parlamento para poder governar. Ele não quer fazer o mesmo. Quer levar mais a fundo e radicalizar o combate à injustiça social e dar mais lugar aos colocados injustamente à margem, especialmente os afrodescendentes face aos quais temos uma dívida até hoje nunca paga.
Leonardo Boff é amigo de Lula há mais de 30 anos e o acompanhou em diversos momentos, como na Caravana da Cidadania, em 1994. (Foto: Arquivo/Reprodução)
Fórum – Como Leonardo Boff, em uma visão filosófica, definiria o Brasil de hoje?
Leonardo Boff – Minha visão é mais de uma ecologia integral na linha do que diz o Papa Francisco na sua encíclica “como cuidar da Casa Comum”. Acredito que dentro de pouco tempo toda a economia deverá passar pela ecologia, vale dizer, pelos bens e serviços da natureza. Estes estão se esgotando mais e mais. A Terra entrou no vermelho, o assim chamado The Overshoot Day, o dia da ultrapassagem dos limites suportáveis para o equilíbrio da Terra. Este ano foi no dia 2 de maio. Até o final do ano iremos tirar à força da dispensa da Terra para podermos viver e sobreviver e manter, de forma irracional, o consumo das elites consumidoras.
Um projeto infinito de acumulação não pode ser suportado por um planeta finito. Ou mudamos de paradigma e de hábitos ou vamos ao encontro de um caminho sem retorno. Mas o Brasil, no contexto do mundo, tem tudo para ser a mesa posta para as fomes e sedes do mundo inteiro. Aqui está a maior biodiversidade. Aqui está a maior reserva de água doce do mundo, 13%. Aqui estão as maiores florestas úmidas que equilibram os climas da Terra. Aqui vive um povo inteligente, hospitaleiro que mostra, no meio do sofrimento, alegria de viver, que festeja seus carnavais e o seu futebol, com uma arte invejável, que elabora uma música apreciada e imitada pelo resto do mundo.
Como Darcy Ribeiro dizia: podemos ser a Roma tropical tardia, na província mais bela e ridente da Terra. Estimo que o futuro da humanidade e da vida poderá passar pelo Brasil. Não porque o queremos, mas porque Deus nos deu tanta riqueza, diversidade e originalidade que podemos contribuir e garantir o futuro da nossa civilização e da Casa Comum que é a Terra

Fonte do texto: Leonardo Boff 

sexta-feira, 1 de junho de 2018

Importante mensagem de Charlie Chaplin em tempos sombrios de imbecilidade, midiotia e manifestações acéfalas de quem abusa de liberdade para pedir de volta a Ditadura de Militares

Resultado de imagem para luta pela democracia


Segue vídeo (e sua transcrição) especialmente montado com imagens atuais a partir do discurso em prol da Democracia feito por Charlie Chaplin ao final de seu filme crítico ao fascismo, "O Grande Ditador", de 1940:



Desculpem, mas eu não quero ser um imperador. Isso não é do meu interesse... Não pretendo governar ou conquistar quem quer que seja. 

Gostaria de ajudar – se possível – a judeus, gentios... negros... brancos.

Todos nós desejamos no íntimo ajudar uns aos outros. Os seres humanos são assim. Desejamos viver para a felicidade do próximo – não para a sua miséria. Por que havemos de odiar e desprezar uns aos outros? Neste mundo há espaço para todos. A terra, que é boa e rica, pode prover a todas as nossas necessidades.

O caminho da vida pode ser de liberdade e da beleza, porém nós nos perdemos no caminho. 


A cobiça envenenou a alma dos homens... levantou no mundo as muralhas do ódio... e colocou-nos em marcha para a miséria e a destruição de vidas. 

Criamos a época da velocidade, mas nos sentimos enclausurados dentro dela. A máquina, que produz abundância, tem ironicamente nos deixado em penúria. Nossos conhecimentos fizeram-nos cínicos; nossa inteligência, duros e cruéis. Pensamos em demasia e sentimos bem pouco. 

Mais do que de máquinas, precisamos de humanidade. Mais do que de inteligência, precisamos de afeição e doçura. Sem essas virtudes, a vida será de fria violência e tudo será perdido.

O avião e o rádio aproximaram-nos muito mais. A própria natureza dessas coisas é um apelo eloqüente à fundamental bondade do homem... um apelo à fraternidade universal... à união de todos nós. 


Neste mesmo instante a minha voz chega a milhares de pessoas pelo mundo afora... milhões de desesperados, homens, mulheres, criancinhas... vítimas de um sistema que tortura seres humanos e encarcera inocentes. Aos que me podem ouvir eu digo: “Não desespereis! A desgraça que tem caído sobre nós não é mais do que o produto da cobiça em agonia... da amargura de homens que temem o avanço do progresso humano. Os homens que odeiam desaparecerão, os ditadores sucumbem e o poder que do povo arrebataram há de retornar ao povo. E assim, enquanto morrem homens, a liberdade nunca perecerá.

Soldados! Não vos entregueis a esses brutais... que vos desprezam... que vos escravizam... que arregimentam as vossas vidas... que ditam os vossos atos, as vossas idéias e os vossos sentimentos! Que vos fazem marchar no mesmo passo, que vos submetem a uma alimentação regrada, que vos tratam como gado humano e que vos utilizam como bucha de canhão! Não sois máquina! Homens é que sois! E com o amor da humanidade em vossas almas! Não odieis! Só odeiam os que não se fazem amar... os que não se fazem amar e os inumanos!

Soldados! Não batalheis pela escravidão! Lutai pela liberdade! 


No décimo sétimo capítulo de São Lucas está escrito que o Reino de Deus está dentro do homem – não de um só homem ou grupo de homens, mas de todos homens todos! Está em vós! Vós, o povo, tendes o poder – o poder de criar máquinas. O poder de criar felicidade! Vós, o povo, tendes o poder de tornar esta vida livre e bela... de faze-la uma aventura maravilhosa. Portanto – em nome da democracia – usemos desse poder, unamo-nos todos nós. Lutemos por um mundo novo... um mundo bom que a todos assegure o ensejo de trabalho, que dê futuro à mocidade e segurança à velhice.

É pela promessa de tais coisas que desalmados têm subido ao poder. Mas, só mistificam! Não cumprem o que prometem. Jamais o cumprirão! Os ditadores liberam-se, porém escravizam o povo. Lutemos agora para libertar o mundo, abater as fronteiras nacionais, dar fim à ganância, ao ódio e à prepotência. Lutemos por um mundo de razão, um mundo em que a ciência e o progresso conduzam à ventura de todos nós. Soldados, em nome da democracia, unamo-nos!

Hannah, estás me ouvindo? Onde te encontrares, levanta os olhos! Vês, Hannah? O sol vai rompendo as nuvens que se dispersam! Estamos saindo da treva para a luz! Vamos entrando num mundo novo – um mundo melhor, em que os homens estarão acima da cobiça, do ódio e da brutalidade. Ergue os olhos, Hannah! A alma do homem ganhou asas e afinal começa a voar. Voa para o arco-íris, para a luz da esperança. Ergue os olhos, Hannah! Ergue os olhos!

Charles Chaplin - 1940

quinta-feira, 31 de maio de 2018

Bob Fernandes: Agora, maquiando os interesses dos poderosos mesmo que o Brasil desça ladeira abaixo, STF e generais dizem defender a "democracia"




Numa parceria com o Sistema Judiciário, manchetes condenam antes. 


Quando o Sistema Judiciário toma lado no processo político, a democracia já está em risco. 



Um juiz, Moro, vazou para emissora de Tv telefonema da presidente da República. Feriu a lei.


Supremos sabem, até disseram isso. Mas, na prática, avalizaram a ilegalidade. Ali a democracia foi gravemente ferida.


Eduardo Cunha já era quem era. Mas só depois de liberar o impeachment o removeram. Com uma gambiarra. Que feria a democracia, já profundamente ferida pela Farsa. 


Agora, dois anos depois, caminhões desgovernados ladeira abaixo. E lamentos tardios sobre a democracia ferida. 


A cada semana uma medida para encurralar os tidos (pelas velhas elites) como "inimigos". 



A "justiça do Paraná" proíbe e multa acampamentos em Curitiba. O que dizem Polícias e Justiça do Paraná sobre os tiros contra Caravana e contra acampamento pró Lula? 


Ouçam o barulho do silêncio... 





Carmen Lúcia preside o Supremo Tribunal. Ela disse que Brasil vive "grave momento político e social". E que "a democracia é o único caminho legítimo". . A ministra tem razão. Mas cabem observações: juízes opinam em público sobre investigações. Numa parceria com o Sistema Judiciário, manchetes condenam antes. . Quando o Sistema Judiciário toma lado no processo político, a democracia já está em risco. . Um juiz, Moro, vazou para emissora de Tv telefonema da presidente da República. Feriu a lei. . Supremos sabem, até disseram isso. Mas, na prática, avalizaram a ilegalidade. Ali a democracia foi gravemente ferida. . Eduardo Cunha já era quem era. Mas só depois de liberar o impeachment o removeram. Com uma gambiarra. Que feria a democracia, já profundamente ferida pela Farsa. . Agora, dois anos depois, caminhões desgovernados ladeira abaixo. E lamentos tardios sobre a democracia ferida. . A cada semana uma medida para encurralar os tidos (pelas velhas elites) como "inimigos". . A "justiça do Paraná" proíbe e multa acampamentos em Curitiba. O que dizem Polícias e Justiça do Paraná sobre os tiros contra Caravana e contra acampamento pró Lula? . Ouçam o barulho do silêncio... . Quase três meses depois segue a pergunta: quem matou, quem mandou matar Marielle, a "esquerdista" do PSOL? . Ainda na ativa o general Mourão ameaçou a democracia. Passaram a mão na cabeça. . Ainda general da ativa, em agosto Etchegoyen ameaçava: . -(...) Precisamos de soluções extraordinárias. Vamos tratar com antibiótico, com todos os efeitos colaterais. . Ontem, já como Chefe do Serviço de Inteligência do Brasil, Etchegoyen se viu obrigado a dizer: . -Intervenção militar é assunto do século passado, não vejo mais sentido. . Mas agora ignorância e idiotia já galopam. E as imagens correm mundo... . ...Dom Pedrito, Rio Grande do Sul. Diante de um quartel um cidadão bate continência e discursa: . -Caminhoneiro Sena apresentando tropas para o Exercito. . Em seguida, ordena: "Pelotão de caminhoneiros, sentido!" . . Caminhoneiros e familiares obedecem. Juntam calcanhares, batem no chão as solas dos sapatos e das sandálias de borracha.

Francisco das Chagas Leite Filho: Globo e golpistas querem parlamentarismo para evitar que o povo decida escolher o Presidente





     "Uma manobra sórdida toma força nas hostes golpistas para suspender a eleição presidencial de 7 de outubro e instituir o Parlamentarismo, regime pelo qual o governo será exercido diretamente pelo Parlamento, ou seja, o Congresso Nacional. O ponta-pé já foi dado pela presidente do Supremo, Carmen Lúcia. Ela desenterrou uma ação que lá dormitava há 21 anos e que indaga se o Congresso pode instituir um novo regime, já que a Constituição é clara: isto só pode ser feito por uma Assembleia Constituinte."

terça-feira, 29 de maio de 2018

Manifesto de acadêmicos e intelectuais internacionais, incluindo nomes como Boaventura de Sousa Santos, Noam Chomsky, Slavoj Zizek e Thomas Piketty, entre outros, pedem a urgente liberdade de Lula




Trezentos acadêmicos e intelectuais acabam de lançar um manifesto intitulado "Lula da Silva é um prisioneiro político. Lula Livre!"; o documento declara que a comunidade internacional deve pedir sua imediata libertação. O manifesto é assinado por juristas, intelectuais e acadêmicos de grande peso, como  Tariq Ali, Noam Chomsky, Angela Davis, Leonardo Padura, Thomas Piketty, Boaventura de Sousa Santos e Slavoj Žižek.

247 - Trezentos acadêmicos e intelectuais acabam de lançar um manifesto intitulado "Lula da Silva é um prisioneiro político. Lula Livre!", denunciando a prisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A petição discute em detalhe a natureza arbitrária do processo conduzido pelo juiz federal Sérgio Moro contra Lula, afirmando que ele é nada menos do que um prisioneiro político. O documento declara que a comunidade internacional deve trata-lo como tal e demanda sua imediata libertação. O manifesto é assinado por juristas, intelectuais e acadêmicos de grande peso, como  Tariq Ali, Noam Chomsky, Angela Davis, Leonardo Padura, Thomas Piketty, Boaventura de Sousa Santos, Slavoj Žižek, Karl Klare e Friedrich Müller.
O manifesto é apoiado por acadêmicos e intelectuais de todo o mundo, mas principalmente dos EUA e da Europa. Ele será traduzido para outras línguas e está aberto para apoio acadêmico adicional no site https://chn.ge/2kpoxzi.
A petição declara que "os abusos do poder judiciário contra Lula da Silva configuram uma perseguição política mal disfarçada sob manto legal. Lula da Silva é um preso político. Sua detenção mancha a democracia brasileira. Os defensores da democracia e da justiça social no Oriente e no Ocidente, no Norte e no Sul do globo, devem se unir a um movimento mundial para exigir a libertação de Lula da Silva."
O manifesto é endossado por juristas mundialmente famosos, tais como Karl Klare, Friedrich Müller, António José Avelãs Nunes e Jonathan Simon. Eminentes pesquisadores do poder e da perseguição judicial (Lawfare), como John Comaroff, Eve Darian-Smith, Tamar Herzog e Elizabeth Mertz, também são apoiadores.
Adicionalmente, a petição é subscrita por intelectuais de renome global como Tariq Ali, Robert Brenner, Wendy Brown, Noam Chomsky, Angela Davis, Axel Honneth, Fredric R. Jameson, Leonardo Padura, Carole Pateman, Thomas Piketty, Boaventura de Sousa Santos e Slavoj Žižek.
Sociólogos proeminentes como Fred Block, Mark Blyth, Michael Burawoy, Peter Evans, Neil Fligstein, Marion Fourcade, Frances Fox Piven, Michael Heinrich, Michael Löwy, Laura Nader, Erik Olin Wright, Dylan Riley, Ananya Roy, Wolfgang Streeck, Göran Therborn, Michael J. Watts e Suzi Weissman também assinaram o manifesto.
O documento é apoiado por especialistas reconhecidos e diretores de centros de pesquisa em Estudos Latino-Americanos como Alex Borucki, Aviva Chomsky, Brodwyn Fischer, Barbara Fritz, James N. Green, Victoria Langland, Mara Loveman, Carlos Marichal, Teresa A. Meade, Tianna Paschel, Erika Robb Larkins, Aaron Schneider, Stanley J. Stein e Barbara Weinstein.

Ademais, é endossado por economistas globalmente reconhecidos como Dean Baker, Ha-Joon Chang, Giovanni Dosi, Gérard Duménil, Gary Dymski, Geoffrey Hodgson, Costas Lapavitsas, Marc Lavoie, Thomas Palley, Robert Pollin, Pierre Salama, Guy Standing, Robert H. Wade e Mark Weisbrot.

Mauro Lopes e Leonardo Attuch comentam que nem as elites golpeadoras aguentam o Temer que elas puseram no poder, mas não querem soluções democráticas via eleições


Da TV 247:


Empresários já começam a planejar o pós-Temer IMPONDO o parlmentarismo, por ser mais fácil de manipular o Congresso e o 1º Ministro (no caso, Rodrigo Maia). Veja também, sobre este novo golpe, com apoio do STF e TSE, o texto do 247 abaixo:

O Supremo Tribunal Federal (STF), corte máxima do país, e o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), responsável pela condução dos processos eleitorais no Brasil, estão colocando em andamento duas operações contra a realização das eleições em 2018: a presidente do STF, Cármen Lúcia, trama a volta do parlamentarismo; nesta terça (29) à tarde o TSE vira de ponta cabeça toda a jurisprudência sobre candidaturas para tirar Lula da disputa eleitoral, numa decisão que pode alijar também Jair Bolsonaro do pleito. Enquanto isso, o presidente do TSE está colocando  em questão a própria realização das eleições em de outubro: “[a greve] acendeu um sinal quanto à própria realização das eleições”, afirmou Luiz Fux ontem. Para que se tenha uma ideia do estado de espírito nos tribunais superiores, Fux chegou a afirma que a greve dos caminhoneiros não deve ser resolvida nos tribunais e sim por um “ato de força”.
Até agora, qualquer pessoa poderia ser lançada candidata por um partido político e sua candidatura era analisada pelo tribunal caso houvesse pedidos de impugnação. Agora tudo pode mudar, para tirar Lula da disputa. Na semana passada, o ministro Napoleão Maia Filho, aliado de Temer, reviu um voto seu e decidiu admitir a discussão na corte sobre a possibilidade teórica de um réu condenado ser candidato a presidente da República. Anteriormente ele havia negado o debate afirmando que era evidente que uma consulta sobre o assunto, apresentada por um deputado do DEM, dizia respeito a Lula. Mas outros magistrados apelaram, e ele mudou o entendimento. O assunto entra na pauta na sessão de hoje à tarde e espera-se que o veto a Lula seja aprovado.
Com a decisão, os condenados em segunda instância não poderiam mais registrar suas candidaturas. A decisão pode também atingir Jair Bolsonaro, que é alvo de duas ações penas no STF. Se a manobra for bem sucedida ficarão fora do pleito os dois candidatos que têm, somados, a intenção de voto de mais da metade dos eleitores. Com isso, as elites desenham aos poucos, um tipo de "democracia" na qual só candidatos "tolerados" serão admitidos aos processos eleitorais. 
Enquanto isso, Cármen Lucia prepara-se para colocar em pauta no Supremo a discussão sobre a implantação do parlamentarismo por meio de uma emenda à Constituição. O desejo das elites brasileiras de liquidar com as eleições diretas para presidente e manter o controle do país com maiorias conservadoras no Parlamento é antiga. Foi o que aconteceu em 1961, quando as elites, para evitar a posse de João Goulart na Presidência, depois da renúncia de Jânio Quadros, tiraram da cartola o parlamentarismo para evitar um presidente progressista. O sistema durou 17 meses, sendo derrotado num plebiscito em 1963 e acabou sendo um ensaio para o golpe militar de 1964.

Análise de Bob Fernandes sobre os últimos acontecimentos: greve-loucaute de caminhoneiros e o perigoso fascismo que avança





"Os Caminhoneiros": num país de joelhos, mais um ato da Farsa, Comédia... e Tragédia


Até uma semana antes, diante de um país ajoelhado e crente, pregavam-se os poderes divinos do "Deus Mercado".
"Mercado" é imemorial engrenagem da vida econômica-social. Mas, nestes tempos, vendido e comprado como ente onipresente, Supremo.
Esse "Mercado" tornado divino foi atropelado. Junto, atropelado o país crente e ajoelhado.
Atropelado por outra entidade apresentada como sobrenatural: "Os Caminhoneiros". Na vida terrena ele seriam 1,5 milhão entre autônomos e sindicalizados.
Obviamente de todos os credos. Mas é fato que Bolsonaro os atiçou publicamente. Antes e depois, prometendo perdoar multas aplicadas nos dias de greve.
É fato que muitos "Caminhoneiros" juraram amor a Bolsonaro... Assim como é fato que trancaram estradas para derrubar Dilma.
É fato que agora, sem perceber o (perigo) que avançava no rastro do caos, também esquerdas a princípio embarcaram nessa.
Só depois se perceberia: "Caminhoneiros" são peões. E seus patrões exploraram suas pautas e misérias. Tramaram e pilotaram essa "greve"; o "locaute", ilegal.
Razões são infindáveis: a geopolítica dos produtores mundiais de petróleo. Tensões múltiplas no Oriente Médio. Trump ameaçando o Irã...
...Valorização do dólar de apostadores externos diante do real...
...Política de preços da Petrobras; para corrigir retenção via subsídios do governo Dilma, a diarréia mercadísta de agora: em 30 dias, 16 aumentos da gasolina e diesel...
... País refém de caminhões em rodovias, sem sistema ferroviário, hidroviário etc.
...Mas não faltaram avisos, por escrito. Dos patrões e peões. Para governo que inexiste. Por ser ilegítimo, produto de uma Farsa.
Farsa porque depôs um governo acusando-o de corrupção sabendo que empossaria quadrilhas.
Farsa porque berros anticorrupção silenciariam. Porque seletivos, mesmo diante da mais escancarada corrupção.
Farsa porque tantos que comandaram espaços, vozes, helicópetros e atos não resistem às próprias histórias. E a de seus negócios.
Farsa por venderem que "o Estado" é "O Mal" e só "O Mal". E que "O Mercado" é "Divino".
Agora, note-se a conta do locaute: R$ 10 bilhões em subsídios... Do Estado...ou seja, dos contribuintes. E prejuízos, até aqui, estimados em mais de 10 Bilhões.
Farsa com entreatos de comédia; como pizzas sendo entregues a cavalo pela cidade de São Paulo.
Farsa que, com ou sem "Caminhoneiros", não acabará... Farsas podem se transformar em tragédia.