sexta-feira, 13 de julho de 2018

Bob Fernandes sobre a cínica hipocrisia da Elite do Atraso, dos coxinhas, dos midiotas e dos fascistóides de amarelo e terno e gravata.....






"Desde CBD a CBF é antro. Quem não foi pra cadeia se exilou no Brasil. Intocáveis. O assunto é tabu. Por quê?

Moro agiu fora da lei, disseram Ministros do Supremo...E Silêncio. Nas manchetes a parceria, política.

Por anos cobrado aqui: "Tudo, e todos, estão nos computadores e dados das empreiteiras...

... escolher quem investigar, ou poupar, trará desencanto, desesperança... e virão os fascistas quando, tardiamente, a podridão toda vier à tona

Veio a podridão. E eles vieram. Os fascistas estão ai.

Políticos com milhões em contas na Suíça, no Brasil. Para os de sempre a justiça remancha. E prescreve.

Para os suspeitos de sempre, mesmo sem contas, cadeia, humilhação. E o ódio do moralismo caolho, moralismo de viseiras, de classe.

O Brasil voltando ao Mapa da Fome. Pelas ruas, humanos como mulambos. País a venda, entregue a quadrilhas. Silêncio dos que se diziam indignados.".


Do Canal do Jornal da Gazeta

Bob Fernandes: Indignação, Espanto e o fascismo hipócrita
Desde sempre Caixa 2 era de lei para políticos, marqueteiros. E sempre, claro, acusando adversários por corrupção.

Tancredo, pela democracia, nadou em Caixa 2. Numa eleição em que Maluf, pela ditadura, pagou tanto quanto.

O inquérito-mãe da Polícia Federal nos anos Collor tinha 100 mil páginas. Mais de 400 empresas e 100 empresários investigados... Tudo prescreveu.


O governo FHC comprou parlamentares para a emenda da reeleição. E vendeu a Telefonia, R$ 22 bilhões, com gente embolsando... Deu em nada.

"Mensalões". Pro PT deu muita cadeia. Mas nasceu no PSDB, em 98. Só Eduardo Azeredo, 20 anos depois, paga.

Cerveró entregou: "Brasken é escândalo do governo Fernando Henrique". E...Silêncio.

E Silêncio quando Emílio Odebrecht entregou: "Todos esses poderes e imprensa sabiam", há décadas.

Palloci ameaçou: entregaria bancos e Mídias. Juiz e Mídias fingiram não ouvir.

No julgamento de Marin, em Nova York, delações: foi paga propina de US$ 15 milhões pelos direitos de transmissão das Copas 2026/ 2030...

Propina pelos direitos em 2002 e 2006 informaram procuradores suíços. Está no livro de Jamil Chade... Estrondoso o Silêncio.

Desde CBD a CBF é antro. Quem não foi pra cadeia se exilou no Brasil. Intocáveis. O assunto é tabu. Por quê?

Moro agiu fora da lei, disseram Ministros do Supremo...E Silêncio. Nas manchetes a parceria, política.

Por anos cobrado aqui: "Tudo, e todos, estão nos computadores e dados das empreiteiras...

... escolher quem investigar, ou poupar, trará desencanto, desesperança... e virão os fascistas quando, tardiamente, a podridão toda vier à tona".

Veio a podridão. E eles vieram. Os fascistas estão ai.

Políticos com milhões em contas na Suíça, no Brasil. Para os de sempre a justiça remancha. E prescreve.

Para os suspeitos de sempre, mesmo sem contas, cadeia, humilhação. E o ódio do moralismo caolho, moralismo de viseiras, de classe.

O Brasil voltando ao Mapa da Fome. Pelas ruas, humanos como mulambos. País a venda, entregue a quadrilhas. Silêncio dos que se diziam indignados.

Só agora barulho, indignação bufa. Berrada pelas vozes de sempre diante da "súbita" descoberta: "Oh.. justiça parcial !!!".

Como podem ser tão hipócritas? Como conseguem se olhar no espelho?

quarta-feira, 11 de julho de 2018

Jurista Fábio Konder Comparato afirma: "Acontece que o Moro goza de total impunidade. Estou convencido de que ele é um agente norte-americano" diante dos abusos do destruidor da Direito no Brasil




Por Eduardo Maretti
 
Na RBA e também no Jornal GGN
 
“A interferência do juiz (Sérgio) Moro foi absolutamente escandalosa. Ele já não tinha mais competência. O processo estava no tribunal, e, no entanto, ele próprio telefonou para a Polícia Federal para que ela não cumprisse as ordens do Favreto.” A opinião é do jurista e advogado Fábio Konder Comparato, sobre a guerra jurídica em torno do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, após o habeas corpus em que o desembargador Rogério Favreto, do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4), determinava a soltura de Lula, no domingo (8). “Acontece que o Moro goza de total impunidade. Estou convencido de que ele é um agente norte-americano”, opina o jurista.
 
A batalha, no domingo, terminou com a divulgação de despacho em que o presidente do tribunal, desembargador Carlos Eduardo Thompson Flores, determinou a manutenção da prisão do ex-presidente. Na terça-feira (10), a presidente do Superior Tribunal de Justiça (STJ), ministra Laurita Vaz, negou outro habeas corpus a Lula. Ela reafirmou a “absoluta incompetência do Juízo Plantonista (Favreto) para deliberar sobre questão já decidida” por tribunais de segunda e terceira instâncias. Nesta quarta, o STJ divulgou que a ministra negou 143 pedidos de habeas corpus para o ex-presidente Lula, apresentados nesta semana. As críticas à ministra por agir de forma parcial contra os direitos políticos de Lula ecoam nas redes sociais.
 
Para Comparato, a ministra do STJ, assim como os desembargadores do TRF4, foram parciais. “Os desembargadores do TRF4 se excederam, porque o assunto não tinha mais ligação com a ação criminal que deu origem à prisão. Eles já tinham julgado. Quando o juiz julga, não pode voltar atrás”, diz o jurista.
 
“Sobretudo, a presidente do Superior Tribunal de Justiça também não mostrou nenhuma isenção. Só atacou o (Rogério) Favreto, e não os outros desembargadores, inclusive o Thompson Flores (presidente do TRF4). Me parece evidente que o Lula jamais será julgado de forma imparcial.” E depois das eleições. “Mas depois das eleições, ele já não será mais candidato”, ironiza Comparato.
 
Na opinião do jurista, porém, na guerra jurídica de domingo, “dos dois lados houve incorreções”. O desembargador plantonista Rogério Favreto, “em princípio, não tinha imparcialidade”. “Ele trabalhou com o PT e no governo do PT.” O argumento de que havia um fato novo, Lula ser candidato, não se cristalizou juridicamente, diz. “A candidatura não havia sido oficializada.”
 
Em representação protocolada no Conselho Nacional de Justiça (CNJ), a Associação Brasileira de Juristas pela Democracia (ABJD) pediu investigação contra Sérgio Moro. Na petição, a entidade esclarece que o objetivo da representação não é analisar os atos dos desembargadores mas “os descumprimentos legais” praticados por Moro “nos episódios do dia 8 de julho de 2018”. 
 
Segundo a argumentação, é considerado um princípio básico de direito que a participação de um juiz em um dado processo se esgota ao proferir a sentença. “Toda e qualquer sentença, seja ela condenatória ou absolutória, possui um efeito inexorável: seu efeito acarreta esgotamento da instância”, diz a petição. A competência do juiz de primeira instância se esgotou ao condenar Lula no dia 12 de julho de 2017, a 9 anos e 6 meses de prisão, segundo a argumentação.
 
“Desse modo, não há qualquer dúvida de que o juiz Sérgio Fernando Moro não possui competência para despachar em habeas corpus que verse sobre a liberdade de paciente cuja prisão decorra de sentença por ele mesmo proferida julgada em grau de apelação.”
 
O corregedor do CNJ, João Otávio de Noronha, determinou abertura de investigação dos desembargadores do TRF4 Rogério Favreto e João Pedro Gebran Neto, além de Sérgio Moro.

terça-feira, 10 de julho de 2018

Bob Fernandes: Juiz x Juizes onde ganha quem tem a seu favor os canhões de uma mídia tendenciosa



"Quem são os protagonistas nessa orgia jurídica?
Lula. Está preso. Solto venceria eleição, dizem pesquisas. Portanto, tanto.
Thompson Flores se escalou árbitro. Escancarou ainda mais o por ele já escancarado em agosto passado.
Presidente do Tribunal, então Thompson opinou antes do julgamento. Considerou "irretocável, irrepreensível" a sentença de Moro condenando Lula.
Mas acrescentou: "Não a li a prova dos autos". Escancarou: prova era dispensável.
Thompson é neto de Carlos Thompson Flores. Nomeado ministro do Supremo, em 68, pelo general-ditador Costa e Silva.


Do Canal do Jornal da TV Gazeta




 O desembargador de plantão no TRF-4 era Rogério Favreto. Concedeu liberdade a Lula. Errou. Sem fato novo deveria encaminhar o pedido ao STJ.
Moro interrompeu férias para descumprir a lei. Desobedeceu publicamente um superior, Favreto, e ordenou à Polícia Federal também desobedece-lo.
Presidente do TRF-4, Thompson Flores instruiu Moro passando por cima de Favreto. Errou.
Relator da Lava Jato, Gebran Neto estava de férias. Também voltou.Para determinar à PF descumprir a ordem do plantonista, Favreto.
Quem são os protagonistas nessa orgia jurídica?
Lula. Está preso. Solto venceria eleição, dizem pesquisas. Portanto, tanto.
Thompson Flores se escalou árbitro. Escancarou ainda mais o por ele já escancarado em agosto passado.
Presidente do Tribunal, então Thompson opinou antes do julgamento. Considerou "irretocável, irrepreensível" a sentença de Moro condenando Lula.
Mas acrescentou: "Não a li a prova dos autos". Escancarou: prova era dispensável.
Thompson é neto de Carlos Thompson Flores. Nomeado ministro do Supremo, em 68, pelo general-ditador Costa e Silva.
Favreto. Foi do PT antes de ser juiz.
Assim Alexandre de Moraes, que há pouco negou habeas corpus a Lula, foi do PSDB até chegar a Temer. E dele ao Supremo.
Gilmar Mendes foi Advogado Geral da União no segundo governo Fernando Henrique.
TRF-4. Em setembro de 2016 esse mesmo tribunal analisou representação contra Moro. Porque Moro vazara conversa da presidente Dilma com Lula.
Mais de uma hora de gravação ilegal. E vazamento também ilegal, disseram Teori Zavaski e Marco Aurélio, ministros do Supremo.
À época Moro pediu desculpas a Zavaski. Depois, Zavaski já morto, Moro diria não ter se arrependido.
Em 2016, no TRF-4, Morou ganhou por 13 a 1. Esse mesmo Favreto foi voto único contra Moro.
Acusou Moro de negligência, parcialidade, ferir o código de ética da magistratura e descumprir a lei...
Mas aquele Tribunal então decidiu: por ser "inédita" a Lava Jato teria direito a inéditas "decisões inéditas".
Ali, e assim, o TRF-4 referendou essa "jurisprudência" agora repetida: cada juiz faz o que quiser e como quiser...
Mas, claro, nessa orgia ganha sempre quem tem a favor... os canhões da Mídia.

segunda-feira, 9 de julho de 2018

The Intercept: A tentativa de soltar Lula mostra que o PT está certo em insistir em sua candidatura, ao mesmo tempo que mostra a parcialidade macartista do judiciário e mais uma vez seu apetite partidário voraz



Manifestantes protestam pela soltura de Lula em frente ao TRF-4 em Porto Alegre, neste domingo.
Agência RBS/Folhapress


"Internamente, o PT admite uma eleição sem Lula – e já cogita nomes. O problema é que o episódio da tentativa de soltura do ex-presidente, que não foi cumprida neste domingo, confirma uma tese cada vez mais forte: assim que Lula indicar alguém, a máquina judiciária tentará se mover mais rápido do que o calendário eleitoral para cassar também a nova candidatura, deixando, assim, o partido sem candidato. E não há dúvidas de que essa máquina pode operar rápido, muito rápido."

Do The Intercept Brasil:


A TENTATIVA DE SOLTAR LULA MOSTRA POR QUE O PT ESTÁ CERTO EM INSISTIR EM SUA CANDIDATURA




8 de Julho de 2018, 21h51




A PERGUNTA ÓBVIA que gira pelas conversas nas rodas da esquerda brasileira é esta: porque o PT insiste na candidatura de Lula?
Condenado e preso, mesmo que saia da cadeia, o ex-presidente ainda pode ser impugnado pela lei da Ficha Limpa e impedido de concorrer. Parece até evidente que será. É claro que todos os cenários ainda são possíveis: Lula poderia ser solto, poderia concorrer sob liminar, poderia até vencer e tomar posse. Mas convenhamos, isso já é mais desejo do que realidade. Se, como defendem os lulistas, Lula é um perseguido político-judicial, por que acreditar que ele terá uma série de vitórias improváveis daqui pra frente, contra tudo e contra todos, justamente nos tribunais que o odeiam?
Internamente, o PT admite uma eleição sem Lula – e já cogita nomes. O problema é que o episódio da tentativa de soltura do ex-presidente, que não foi cumprida neste domingo, confirma uma tese cada vez mais forte: assim que Lula indicar alguém, a máquina judiciária tentará se mover mais rápido do que o calendário eleitoral para cassar também a nova candidatura, deixando, assim, o partido sem candidato. E não há dúvidas de que essa máquina pode operar rápido, muito rápido.
Na tarde deste domingo, o desembargador do TRF4 Rogério Favreto – que havia determinado a soltura do ex-presidente – viu sua caneta ser esmagada em poucas horas, primeiro pelo juiz Sérgio Moro, que, mesmo em férias, se apressou em dizer que não cumpriria a ordem do tribunal superior; depois, pelo relator da Lava Jato em Porto Alegre, João Pedro Gebran Neto, que jogou a pá de cal
O PT é um partido político extremamente eficaz quando se trata de fazer a realpolitik. Então vamos a ela: o pedido de habeas assinado pelos deputados Wadih Damous, Paulo Pimenta e Paulo Teixeira entrou no sistema do tribunal na sexta-feira às 19h32. Caso tivesse sido feito meia hora antes, cairia diretamente nas mãos de Gebran. Teria chance zero de êxito. Graças a esses 32 minutos, foi parar no sistema do plantão, justamente com Favreto. E era evidente que a ficha de Favreto seria levantada 10 minutos depois que a notícia do habeas positivo saísse.
Ex-filiado ao PT, ele trabalhou na Casa Civil do governo Lula e é reconhecido como sendo a única voz potente no TRF4 contra o carro armado da Lava Jato: Favreto votou a favor da abertura de um processo administrativo disciplinar contra Moro, por exemplo. E foi vencido por esmagadores 13 votos contra o seu – todos os seus colegas consideraram “incensurável” o fato de Moro ter vazados áudios de uma conversa entre Lula e Dilma (depois Moro pediu desculpinhas).
Era óbvio que o nome de Favreto causaria reações, e que sua decisão seria classificada como política. É do jogo da realpolitik que o PT tão bem joga. E que sabia que a máquina de lama anti-petista se moveria nas redes sociais: que os robôs seriam ativados, que a Justiça em Curitiba ficaria em polvorosa, que a Polícia Federal da cidade – totalmente alinhada ao Ministério Público e ao juiz da Lava Jato – não cumpriria a ordem. O nascimento e a morte de uma esperança de soltura confirmaram o que se sabia, que essa engrenagem está afiada e não descansa nem mesmo nas férias.
Até agora, os nomes mais cotados em uma eventual substituição a Lula na corrida presidencial são o ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad e o ex-governador da Bahia, Jaques Wagner. Ambos já foram fisgados por anzóis da Lava Jato. Ainda que pequenos, os ganchos estão agarrados em suas bocas. Wagner foi citado por delatores da Odebrecht mas, até o momento, o Ministério Público não pediu abertura de inquérito contra ele. Haddad foi indiciado por caixa 2 por supostamente não ter declarado à Justiça Eleitoral despesas da campanha que teriam sido pagas pela empreiteira UTC.
São casos menores e colaterais, que talvez não dêem em nada. A não ser que Lula aponte um deles como seu sucessor. Aí, sim, há poucas dúvidas de que não sejam atingidos por arpões mais rápidos do que os votos de outubro.

domingo, 8 de julho de 2018

"Parem de pisotear e explorar pobres, migrantes e refugiados", pede o Papa Francisco



Papa Francisco. Foto: Wikimedia Commons

Publicado na IHU
Segundo o Papa Francisco, a única resposta razoável aos desafios apresentados pela migração contemporânea é “solidariedade e misericórdia”, menos preocupação com cálculos políticos e mais com uma distribuição equitativa de responsabilidades.
A reportagem é de Inés San Martín, publicada por Crux, 06-07-2018. A tradução é de Victor D. Thiesen.
Citando uma passagem da Bíblia, o Pontífice disse na sexta-feira que “os dias estão chegando, nos quais Deus mandará fome sobre a terra…. e sede da palavra do Senhor” sobre todos aqueles que “pisotearam os necessitados e os pobres”.
“Muitas pessoas pobres estão sendo arruinadas! Todos estes pobres são vítimas dessa ‘cultura do descartável’ que foi denunciada repetidas vezes”, incluindo os migrantes e refugiados que “continuam a bater à porta de nações que zombam de suas dificuldades”, ressaltou Francisco.
O discurso do Papa ocorreu em uma missa privada que ele celebrou na Basílica de São Pedro, em Roma, no Altar da Cátedra de Pedro, localizado atrás do altar principal, que costuma receber cerimônias menores. Cerca de 200 pessoas, incluindo migrantes e aqueles que trabalham com eles, estavam presentes.
Uma política de imigração justa, disse o Pontífice, é uma pessoa a serviço de outra, sendo capaz de fornecer soluções que possam garantir segurança, respeito pelos direitos e dignidade. É necessário que se garanta uma política voltada para o bem do próprio país levando em conta a dos outros num mundo cada vez mais interconectado ”.
Francisco disse que, embora Deus prometa liberdade a todos os oprimidos, ele precisa que cumpramos a sua promessa.
“Ele precisa de nossos olhos para ver as necessidades de nossos irmãos e irmãs. Ele precisa de nossas mãos para lhes oferecermos ajuda. Ele precisa da nossa voz para protestarmos contra as injustiças cometidas graças ao silêncio, muitas vezes cúmplice, de muitos”, disse o Papa, antes de listar vários “silêncios”, incluindo o do senso comum e o que justifica a injustiça, do tipo “mas sempre foi feito deste jeito”.
Comentando sobre uma passagem do Evangelho de Mateus, lida durante a missa, Francisco disse que Jesus repreende os fariseus, apontando o dedo para a “hipocrisia estéril daqueles que não querem ‘sujar as mãos’, como o sacerdote ou o Levita, na parábola do bom samaritano.”
“Esta é uma tentação presente em nossos dias. Ela transparece em nossos corações fechados para aqueles que têm o direito, assim como nós, de condições de vida dignas e seguras. Constrói paredes, reais ou virtuais, em vez de pontes”, acrescentou Francisco.
A missa foi celebrada para marcar o quinto aniversário da primeira viagem do Papa para fora de Roma. Ela ocorreu 8 de julho de 2013. Nessa ocasião, ele visitou a cidade de Lampedusa, no sul da Itália, considerada uma das portas de entrada para milhares de imigrantes e refugiados vindos da África e do Oriente Médio para a Europa.
Ao explicar sua decisão de fazer de Lampedusa o destino de sua visita pastoral, o pontífice disse em 2013 que os relatos da morte de pessoas desesperadas tentando buscar uma vida melhor tinham sido como “um espinho no coração”.
Sua viagem começou no início do verão, quando Lampedusa, a apenas 70 milhas da Tunísia, estava vendo um fluxo constante de barcos frágeis e inseguros chegando às suas margens. Essa é uma realidade que continua hoje, e ainda mais precária por decisões tomadas pelo governo da Itália e Malta no sentido de fechar seus portos ao resgate de barcos migrantes do afogamento no Mar Mediterrâneo, que Franciscodescreveu como “Maremortum“.
O pontífice argentino, filho de imigrantes italianos, fez do cuidado daqueles que foram deslocados à força, uma das bases sociais de seu pontificado. Chegou até mesmo a abrir as portas de propriedades do Vaticano a vários migrantes. Entre esses, estavam três famílias sírias que ele trouxe consigo vindos da Ilha grega de Lesbos para a Itália, como parte de uma iniciativa humanitária.
Falando em espanhol durante sua homilia na sexta-feira, o Papa disse que queria marcar a data com a presença de equipes do resgate e com os resgatados no Mar Mediterrâneo, para agradecê-los por “encarnar” a parábola do Bom Samaritano, “que parou para salvar a vida de um pobre homem espancado por bandidos. Ele não perguntou de onde ele era, suas razões para viajar ou pediu seus documentos. Ele simplesmente decidiu cuidar dele e salvar sua vida.”
“Reitero minha solidariedade e encorajamento, pois estou bem ciente das trágicas circunstâncias pelas quais vocês estão fugindo”, disse o pontífice, se dirigindo aos migrantes.
Ele pediu aos migrantes que permanecessem “testemunhas da esperança” em um mundo que tem pouca perspectiva para o futuro, esperando que com “respeito pela cultura e pelas leis do país que os recebem, trabalhem juntos no caminho da integração”.

Eis a íntegra da homilia do Papa Francisco proferida na missa celebrada na Basílica de São Pedro pelos migrantes, cinco depois da viagem à Lampedusa.

«Ouvi isto, vós que esmagais o pobre e fazeis perecer os desfavorecidos da terra (…). Eis que vêm dias em que lançarei fome sobre o país, (…) fome de ouvir as palavras do Senhor» (Am 8, 4.11).
A advertência do profeta Amós revela-se ainda hoje de veemente atualidade. Quantos pobres são hoje esmagados! Quantos desfavorecidos são feitos perecer! Todos eles são vítimas daquela cultura do descarte que repetidamente foi denunciada. E, entre eles, não posso deixar de incluir os migrantes e os refugiados, que continuam a bater às portas das nações que gozam de maior bem-estar.
Recordando as vítimas dos naufrágios há cinco anos, durante a minha visita a Lampedusa, fiz-me eco deste perene apelo à responsabilidade humana: «“Onde está o teu irmão? A voz do seu sangue clama até Mim”, diz o Senhor Deus. Esta não é uma pergunta posta a outrem; é uma pergunta posta a mim, a ti, a cada um de nós» [Insegnamenti I(2013)-vol. 2, 23]. Infelizmente, apesar de generosas, as respostas a este apelo não foram suficientes e hoje choramos milhares de mortos.
A aclamação de hoje ao Evangelho contém este convite de Jesus: «Vinde a Mim, todos os que estais cansados e oprimidos, que Eu hei de aliviar-vos» (Mt 11, 28). O Senhor promete descanso e libertação a todos os oprimidos do mundo, mas precisa de nós para tornar eficaz a sua promessa. Precisa dos nossos olhos para ver as necessidades dos irmãos e irmãs. Precisa das nossas mãos para socorrê-los. Precisa da nossa voz para denunciar as injustiças cometidas no silêncio – por vezes cúmplice – de muitos. Na realidade, deveria falar de muitos silêncios: o silêncio do sentido comum, o silêncio do «fez-se sempre assim», o silêncio do «nós» sempre contraposto ao «vós». Sobretudo o Senhor precisa do nosso coração para manifestar o amor misericordioso de Deus pelos últimos, os rejeitados, os abandonados, os marginalizados.
No Evangelho de hoje, Mateus narra o dia mais importante da sua vida: aquele em que foi chamado pelo Senhor. O Evangelista recorda claramente a censura de Jesus aos fariseus, com tendência fácil a murmurar: «Ide aprender o que significa: Prefiro a misericórdia ao sacrifício» (9, 13). É uma acusação direta à hipocrisia estéril de quem não quer «sujar as mãos», como o sacerdote e o levita na parábola do Bom Samaritano. Trata-se duma tentação muito presente também nos nossos dias, que se traduz num fechamento a quantos têm direito, como nós, à segurança e a uma condição de vida digna, e que constrói muros, reais ou imaginários, em vez de pontes.
Perante os desafios migratórios da atualidade, a única resposta sensata é a solidariedade e a misericórdia; uma resposta que não faz demasiados cálculos, mas exige uma divisão equitativa das responsabilidades, uma avaliação honesta e sincera das alternativas e uma gestão prudente. Política justa é aquela que se coloca ao serviço da pessoa, de todas as pessoas interessadas; que prevê soluções idôneas a garantir a segurança, o respeito pelos direitos e a dignidade de todos; que sabe olhar para o bem do seu país tendo em conta o dos outros países, num mundo cada vez mais interligado. É para um mundo assim, que olham os jovens.
O Salmista indicou-nos a atitude justa que, em consciência, se deve assumir diante de Deus: «Escolhi o caminho da fidelidade e decidi-me pelos vossos juízos» (Sal 118/119, 30). Um compromisso de fidelidade e de juízo reto que esperamos realizar juntamente com os governantes da terra e as pessoas de boa vontade. Por isso, acompanhamos atentamente o trabalho da comunidade internacional para dar resposta aos desafios colocados pelas migrações atuais, harmonizando sabiamente solidariedade e subsidiariedade e identificando recursos e responsabilidades.
Desejo concluir com algumas palavras dirigidas particularmente aos fiéis que vieram da Espanha.
Quis celebrar o quinto aniversário da minha visita a Lampedusa convosco, que representais os socorristas e os resgatados no Mar Mediterrâneo. Aos primeiros, quero expressar a minha gratidão por encarnarem hoje a parábola do Bom Samaritano, que parou para salvar a vida daquele pobre homem espancado pelos ladrões, sem lhe perguntar pela sua proveniência, pelos motivos da sua viagem ou pelos seus documentos: simplesmente decidiu cuidar dele e salvar a sua vida.
Aos resgatados, quero reiterar a minha solidariedade e encorajamento, pois conheço bem as tragédias de que estais a fugir. Peço-vos que continueis a ser testemunhas da esperança num mundo cada vez mais preocupado com o próprio presente, com reduzida visão de futuro e relutante a partilhar, e que elaboreis conjuntamente, no respeito pela cultura e as leis do país de acolhimento, o caminho da integração.
Peço ao Espírito Santo que ilumine a nossa mente e inflame o nosso coração para superarmos todos os medos e inquietações e nos transformarmos em instrumentos dóceis do amor misericordioso do Pai, prontos a dar a nossa vida pelos irmãos e irmãs, tal como fez o Senhor Jesus Cristo por cada um de nós.

sábado, 7 de julho de 2018

Bob Fernandes: Dallagnol ofende Supremo, bancada da Bancada da Bíblia, do Boi e da Bala proibide alimentos orgânicos em favor dos envenenados por agrotóxiicos e as contpinuas imbeclidades de um certo candidato de extrema-dr eita....



Apoio das bancadas do boi -ruralistas-, da bala e da bíblia e outra comissão aprovou: uso de mais agrotóxicos nos alimentos. De pesticidas proibidos mundo afora.

E Bolsonaro quer mais 10 ministros no Supremo. São 11, seriam 21. Bolsonaro diz que indicaria "10 isentos". Vindo de quem vem, o desejo revela intenção perigosa.

O mesmo Bolsonaro já disse ser a favor de dar um "golpe". De uma "guerra civil" e de se "matar uns 30 mil, a começar por Fernando Henrique".

Do Canal do Jornal da TV Gazeta:


Procurador ofende Supremo. Comida Envenenada por desejo dos ruralistas e das bancadas da Bala e da Bíblia e Bolsonaro... Como chegamaos a isso?


Comissão na Câmara aprovou: proibido vender alimentos orgânicos em supermercados ou varejo. Salvo se vencida burocracia estabelecida pela bancada do boi. . Apoio das bancadas do boi -ruralistas-, da bala e da bíblia e outra comissão aprovou: uso de mais agrotóxicos nos alimentos. De pesticidas proibidos mundo afora. . E Bolsonaro quer mais 10 ministros no Supremo. São 11, seriam 21. Bolsonaro diz que indicaria "10 isentos". Vindo de quem vem, o desejo revela intenção perigosa. . O mesmo Bolsonaro já disse ser a favor de dar um "golpe". De uma "guerra civil" e de se "matar uns 30 mil, a começar por Fernando Henrique". . Em Natal, Bolsonaro disse: "A Amazônia não é nossa, aquilo é vital para o mundo. (...) É com muita tristeza que digo isso, mas é uma realidade". . Deltan Dallgnol acusa: "Toffoli cancela cautelares do seu ex-chefe". Referência a uma medida cautelar relacionada a José Dirceu. . Dallagnol disse isso no Twitter... . ...Como se Toffoli não fosse ministro do Supremo. E como se ele, Dallagnol, fosse um boçal de rede social e não um procurador da República. . Monique Cheker, procuradora, tuitou: "Os caras ganham por fora com companheiros que beneficiam". E Monica Bergamo publicou na Folha: . -Procuradora (Monique) será investigada a pedido de Toffoli e Gilmar Mendes. . Depois da repercussão a procuradora disse não ter insinuado que ministros do Supremo "ganham por fora". . Como chegamos a esse estágio de decomposição? . Por 11 anos o Brasil debateu corrupção. Mas derrubaram uma presidente acusando-a de "pedaladas", não de ser corrupta. . Quem derrubou? Bandos chefiados por Eduardo Cunha e seus "milhões de Cunhas". Chefiados por Geddéis e Chefes mais graduados. . Presidente da República considerado ruim se tira nas urnas, não com manchetes, helicópteros e numa Farsa. . Que a Farsa não termine em Tragédia. Que não se entregue o país a fascistas carregados de ressentimento e ódio... . ...E, antes de tudo, portadores de ignorância interminável, estratosférica. Exibida diariamente, com grande orgulho.

terça-feira, 3 de julho de 2018

Bob Fernandes comenta: Enquanto a seleção vence, os ruralistas pró-temer enfiam veneno na sua comida


"...Numa comissão da Câmara a bancada ruralista aprovou o que chama "modernização" na lei de agrotóxicos.
Aprovou mesmo foi o uso de pesticidas proibidos nos Estados Unidos e Europa. Mais veneno cancerígeno na comida que chega à sua mesa.
Quando se fala em bancada ruralista, ou do boi, inevitável a companhia: bancadas da bala e da bíblia. Atacam em leque, como o Brasil na Copa.
É imprescindível radiografa-las. O que pensam, querem, fazem as bancadas BBB? "

Do canal do Jornal da TV Gazeta



Bob Fernandes: Enquanto a seleção vence, ruralistas enfiam veneno na sua comida


O Brasil passou pelo México, 2 a 0. Nas quartas de final vai enfrentar a Bélgica. Enquanto isso...
...Numa comissão da Câmara a bancada ruralista aprovou o que chama "modernização" na lei de agrotóxicos.
Aprovou mesmo foi o uso de pesticidas proibidos nos Estados Unidos e Europa. Mais veneno cancerígeno na comida que chega à sua mesa.
Quando se fala em bancada ruralista, ou do boi, inevitável a companhia: bancadas da bala e da bíblia. Atacam em leque, como o Brasil na Copa.
É imprescindível radiografa-las. O que pensam, querem, fazem as bancadas BBB?
Fato: naquela grotesca noitada do impeachment estavam juntas, coesas. Estavam, estão com o desmoralizado Temer. E cobram a conta.
Só entre emendas e renúncias já levaram mais de R$ 32 bilhões para manter Temer no cargo. E, mantido, vender pedaços do Brasil nesse clima de vale-tudo.
A ponto do ministro Lewandowski intervir com exótica liminar no Supremo: para vender o contrôle de estatais o congresso terá que autorizar antes.
Eletrobras, Caixa, nacos da Petrobras são pechinchas da vez. Mas as bancadas BBB e aliados querem mais. Têm candidatos à presidência e ideologia preferenciais.
Não por acaso, um fascista o mais destacado dos seus candidatos.
Que pode até não ganhar, mas o arrastar mais 20% de assemelhados para o Congresso significa mais veneno, mais bala, mais obscurantismo.
Candidatos desse campo falam em "armar o Brasil". Como se o problema do país fosse falta e não sobra de armas. E de assassinatos, mais de 60 mil/ ano.
O que querem mesmo é armar grupos já poderosos. Que já praticam violência e pregam mais violência.
Quando BBBs falam em "escola sem partido" escancaram o que buscam: rebaixar Educação e educadores ao seu nível, rasteiro. Impor limites à liberdade de pensar, debater.
Já ocupam vastíssimos espaços nas TVs, rádios. E querem ampliar o obscurantismo, igualar todos aos seus.
Basta ver quem são, o que pensam, como votam e o que fazem os BBBs.

domingo, 1 de julho de 2018

Armandinho e Jung sobre a relatividade e limitações do "Normal"


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As repulsivas reações covardes do Brasil pós-golpe de Temer diante das mais novas crueldades de Trump. Artigo de João Filho para o The Intercept Brasil


(Nova York - Estados Unidos, 18/09/2017) Jantar de trabalho oferecido pelo presidente dos Estados Unidos da América, senhor Donald Trump. Foto: Beto Barata/PR
(Beto Barata/PR)

"Essa flagrante violação dos direitos humanos de brasileiros no exterior não foi suficiente para fazer Michel Temer dar alguma declaração. Até o Papa repudiou a ação do governo Trump, mas o presidente brasileiro simplesmente ignorou o assunto. É como se ele tivesse vestido o mesmo casaco de Melania Trump, usado em visita às crianças separadas de seus pais, com os dizeres “I really don’t care. Do you?” (“Não estou nem aí. Você está?”)"

Do The Intercept Brasil:


AS REPULSIVAS REAÇÕES NO BRASIL DIANTE DA MAIS NOVA CRUELDADE DE TRUMP



EM MEIO A CRISE de refugiados na Europa em 2015, o então primeiro-ministro britânico David Cameron se referiu aos imigrantes que tentavam entrar na Inglaterra como um “enxame de pessoas”.
Nessa semana, Donald Trump usou também uma metáfora com insetos para se referir à chegada de imigrantes nos EUA: “infestação”.
A escolha semântica revela a forma desumana com que alguns líderes de nações ricas encaram aqueles que arriscam suas vidas em busca de melhores oportunidades. São tratados como se fossem insetos que ameaçam o conforto do mundo civilizado. Nem sempre Donald Trump lança mão de metáforas desumanizadoras. Muitas vezes ele consegue ser repugnantemente franco. Em reunião com congressistas sobre a reforma migratória no começo deste ano, perguntou “Por que todas essas pessoas de países de merda vêm para cá?” Ao mesmo tempo, sugeriu que os Estados Unidos deveriam receber imigrantes de lugares como a Noruega. A gente sabe o que isso significa.
Mesmo conhecendo o histórico do presidente americano, não houve quem não se chocou com aplicação de política de tolerância zero contra a imigração ilegal. Adultos que entram ilegalmente são presos para aguardar um julgamento. Crianças são mandadas para abrigos do governo, que muitas vezes ficam em outros Estados. Boa parte dos pais e mães presos desconhecem o paradeiro de seus filhos. Em 6 semanas, pelo menos 2.300 bebês e crianças foram separados de seus pais e abrigadas em jaulas. Desses, 49 são brasileiros.
Essa flagrante violação dos direitos humanos de brasileiros no exterior não foi suficiente para fazer Michel Temer dar alguma declaração. Até o Papa repudiou a ação do governo Trump, mas o presidente brasileiro simplesmente ignorou o assunto. É como se ele tivesse vestido o mesmo casaco de Melania Trump, usado em visita às crianças separadas de seus pais, com os dizeres “I really don’t care. Do you?” (“Não estou nem aí. Você está?”)
O nosso chanceler Aloysio Nunes também evitou a fadiga e preferiu usar suas redes sociais para falar sobre o assunto preferido da política externa brasileira: Venezuela. Como é de conhecimento geral, se Maduro tivesse separado crianças brasileiras de suas famílias, Aloysio certamente estaria babando contra o bolivarianismo. Só após o recuo de Trump em separar as famílias, o Itamaraty se limitou a emitir uma nota protocolar que começa dizendo que o “governo brasileiro acompanha com muita preocupação” e aponta medidas administrativas que irá tomar.
O recado é apenas de preocupação. Dezenas de crianças brasileiras estão tendo direitos violados, e o governo brasileiro não toma uma postura política firme, tratando tudo de forma burocrática. Nem uma crueldade dessa envergadura foi capaz de abalar a fidelidade canina do governo Temer aos EUA.
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Crianças que foram separadas de seus pais em abrigo no Texas.
 
(Foto: Alfândega e Proteção de Fronteiras dos EUA)
Trump foi pressionado internacionalmente e internamente, inclusive por republicanos, o que motivou um recuo parcial. Enquanto isso, na Câmara brasileira, o deputado cristão pastor Marco Feliciano defendia com fervor a ação do governo americano. Ele começou dizendo que é um “entusiasta de Trump”e que foi “estudar o assunto”, mas logo em seguida emendou com uma série de bobagens próprias de quem não estudou o assunto.
Depois de dizer que a esquerda americana foi quem criou a lei que determina a separação da crianças dos pais, afirmou que “Donald Trump apenas fez cumprir a lei”, o que é mentira. Não existe nenhuma lei nesse sentido. Até o início dessa política de tolerância zero, governos democratas e republicanos jamais separaram famílias de imigrantes ilegais que chegavam nos EUA. Mas, mesmo que houvesse uma lei, é estarrecedor imaginar que um parlamentar brasileiro, ainda mais um pastor, defenda a crueldade da ação da qual seus compatriotas estão sendo vítimas.
Crianças e bebês estão sofrendo danos psicológicos irreparáveis, mas Feliciano, sempre muito preocupado com fetos humanos, prefere  defender o indefensável e transformar uma questão humanitária em um conflito entre direita e esquerda. A pobreza de espírito desse nobre cristão foi capaz de fazê-lo elogiar Trump também por ter se retirado do Conselho de Direitos Humanos da ONU: “Ele é macho. Tem coragem de tomar atitudes que o Brasil e o mundo precisariam tomar”.
A coluna de Rodrigo Constantino na Gazeta do Povo parece ter sido a única fonte de estudo de Feliciano. Trumpista de carteirinha, o colunista residente da Flórida escreveu um texto perturbador intitulado “Trump não está separando filhos dos pais, mas apenas cumprindo a lei”. A linha de defesa adotada por esses reacionários brasileiros lembra muito a dos nazistas no Tribunal de Nuremberg: eles estariam apenas cumprindo ordens.
Analogias com o nazismo são sempre temerárias, mas as recorrentes práticas de Trump são merecedoras. Para o filósofo Theodor Adorno, “a incapacidade de identificação foi, sem dúvida, a condição psicológica mais importante para que pudesse suceder algo como Auschwitz entre homens de certa forma educados e inofensivos”.
Quem tem relação amigável com supremacistas brancos, faz analogia de imigrantes com insetos, chama países pobres de “merda” e considera aceitável separar um bebê da sua mãe em nome da ordem interna não possui capacidade de identificação e flerta com os mesmos mecanismos do nazismo. E quem defende por questões ideológicas, como Felicianos e Constantinos, ou se omite, como o governo brasileiro, também.

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João Filhojoao.filho@​theintercept.com@jornalismowando


Dois meninos brasileiros estão processando o governo dos EUA por separá-los de seus pais. Reportagem de Ryan Devereaux para o The Intercept



"Na quarta-feira, enquanto o presidente Donald Trump se preparava para assinar um decreto com potenciais implicações devastadoras sobre a detenção de imigrantes, os meninos se tornaram os mais recentes autores de uma ação que questiona as práticas do governo na separação de famílias. As petições iniciais, protocoladas em Chicago, fazem referência a um mesmo acordo de ajustamento de conduta em âmbito federal, conhecido como “acordo Flores”, que o presidente agora está tentando contornar."

Do The Intercept:






NO INTERIOR DO CENTRO Internacional de Resgate de Crianças de Heartland, em Chicago, Illinois, dois meninos esperam sentados. Um deles tem 15 anos. O outro tem 9. Seus pais estão a mais de 1.500 km de distância, em dois centros de detenção privados, com fins lucrativos, perto da fronteira. As duas famílias vieram do Brasil para pedir asilo nos EUA, mas acabaram, em vez disso, sendo presas. Já faz quase um mês que os quatro foram separados. Apenas um dos meninos conseguiu falar com o pai, e, mesmo assim, a conversa foi breve.
Na quarta-feira, enquanto o presidente Donald Trump se preparava para assinar um decreto com potenciais implicações devastadoras sobre a detenção de imigrantes, os meninos se tornaram os mais recentes autores de uma ação que questiona as práticas do governo na separação de famílias. As petições iniciais, protocoladas em Chicago, fazem referência a um mesmo acordo de ajustamento de conduta em âmbito federal, conhecido como “acordo Flores”, que o presidente agora está tentando contornar.
Mas, ao contrário do decreto assinado por Trump, que se baseou na falsa premissa de que o acordo Flores exige que as famílias sejam separadas na fronteira, a petição em favor dos meninos destaca o que o acordo realmente determina: que o governo dos EUA não promova a detenção prolongada e desnecessária de crianças.
A ação, proposta pela organização sem fins lucrativos Aldea – Centro Popular de Justiça e pelo escritório de advocacia Amy Maldonado, reflete uma narrativa que se tornou comum nas últimas semanas, à medida que as implicações da “doutrina de tolerância zero” de Trump evoluíram para um escândalo nacional. As famílias vieram de países latino-americanos onde a situação de segurança é terrível e buscaram refúgio nos EUA, só para se encontrar em outra situação assustadora: separadas por um governo que sequer tem um sistema instalado para reunir os pais e filhos que estão sendo sistematicamente afastados.
Os meninos, cujas adversidades foram inicialmente noticiadas na sexta-feira (22) pela Associated Press, são identificados nas ações por suas iniciais. O menino de 15 anos é identificado como W.S.R, e o de 9 anos, como C.D.A. De acordo com as petições iniciais, os meninos chegaram aos EUA com seus pais para pedir asilo. Suas experiências individuais eram distintas, mas ambas as famílias alegam terem sido alvos do crime organizado. Eles cruzaram a fronteira dos EUA no final de maio, no estado do Novo México, mais de um mês depois que o decreto de “tolerância zero” entrou em vigor.
No caso de C.D.A., o menino de 9 anos, a petição alega que pai e filho tentaram entrar nos EUA por uma porta de entrada de fronteira, como havia sido recomendado aos solicitantes de asilo pelo governo, mas foram informados de que ela estaria “fechada”. A dupla então atravessou a fronteira em um ponto entre portas. W.S.R. e seu pai fizeram o mesmo. Eles foram prontamente detidos por agentes da Patrulha de Fronteira dos EUA, e, segundo os advogados das famílias, expressaram sua intenção de pedir asilo.
Já faz quase um mês que as famílias foram separadas. Apenas um dos meninos conseguiu falar com seu pai.
Esse é um padrão que está acontecendo nas fronteiras com cada vez mais frequência, segundo Bridget Cambria, uma das advogadas das duas famílias. “A maior parte das pessoas de que temos notícia, eles tentaram se apresentar em uma porta de entrada e tiveram a entrada negada”, relatou Cambria para The Intercept. “E é por isso que eles são capturados, essencialmente, por estarem procurando um agente de fronteira a quem pedir proteção.”
Embora não tenha sido possível confirmar a prevalência desse padrão específico, The Intercept e diversas outras organizações de notícias e de ativismo jurídico documentaram numerosos casos em que agentes de fronteira recusaram solicitantes de asilo nas portas de entrada, tornando praticamente impossível para essas pessoas exercer seu direito da única forma considerada válida pelo governo Trump.
Os pais foram presos, acusados, e, por fim, processados por entrar no país sem inspeção, uma mera contravenção penal de âmbito federal. As famílias passaram duas noites sem dormir nas instalações de detenção da Patrulha de Fronteira. Certa noite, um funcionário público norte-americano se dirigiu a C.D.A, de 9 anos, e a seu pai. Como narra a petição em nome do menino, o funcionário teria dito ao pai que a dupla precisava ser separada para um “processo”, e garantiu que isso duraria apenas três a cinco dias, quando então eles seriam reunidos. O reencontro nunca aconteceu. Karen Hoffman, advogada que também atua no caso dessas famílias, diz que a separação entre W.S.R. e seu pai foi semelhante. Hoffman conta que os meninos estavam aos prantos e foram tranquilizados por seus pais: “Vou rever você em breve. Prometo que não vou deixar você sozinho.”
“Basicamente, o governo dos EUA os transformou em mentirosos, porque isso já faz quase um mês”, disse ela a The Intercept. “Eles não se viram mais. Em um dos casos, eles ainda nem se falaram.”
Segundo fontes que atuaram recentemente em casos de separação de famílias contaram a The Intercept, e funcionários do governo confirmaram na quarta-feira, o governo dos EUA não tem um sistema específico instalado para reunir as milhares de famílias que foram separadas ao longo da fronteira. As petições iniciais nos casos de C.D.A. e W.S.R. alegam que seus pais não receberam nenhuma informação sobre o paradeiro dos filhos após a separação. Ambos os meninos foram enviados para Chicago, enquanto seus pais ficaram sob custódia de oficiais de justiça. Até o protocolo das petições na quarta-feira, o pai de C.D.A. ainda não sabia o nome do local onde seu filho em idade escolar estava sendo mantido.
De acordo com a petição de W.S.R., seu pai levou três semanas para conseguir o número da linha direta que o governo está franqueando aos pais cujos filhos foram levados embora. Na primeira e única conversa desde a separação, o pai de W.S.R. expressou que seu filho está “extremamente infeliz e transtornado, e está desesperado para se reunir a seu pai”.  Já de acordo com a petição de C.D.A., seu pai também conseguiu o número da linha direta do governo, que é administrada pelo Escritório de Reassentamento de Refugiados [Office of Refugee Resettlement], o órgão dos Serviços Humanos e de Saúde responsável pela custódia de menores no sistema de imigração.
O pai tentou “repetidamente” ligar para o número, afirma a petição. “Ele diz que pegaram seus dados e disseram que iriam ligar de volta”, segue o relato. “Ele não conseguiu descobrir se pode receber ligações no centro de detenção onde se encontra”.
Os pais dos dois meninos estão atualmente presos em centros de detenção no Novo México e no Texas, onde aguardam entrevistas com os agentes de asilo para apresentar suas solicitações.
OS ADVOGADOS DAS famílias argumentam que a detenção continuada dos dois meninos é uma violação direta do acordo Flores, o acordo de ajuste de conduta em âmbito federal de 1997, que limita o total de tempo pelo qual o governo pode manter uma criança detida e determina uma série de proteções para as crianças sob custódia dos EUA.
Em 2014, em resposta a um aumento no número de mulheres e crianças que chegavam à fronteira, o governo Obama expandiu drasticamente a detenção de famílias. O Judiciário por fim interveio, decidindo que o governo, em regra, não poderia manter em detenção por mais de 20 dias crianças desacompanhadas ou crianças capturadas com um membro da família. Em vez disso, as famílias deveriam receber liberdade condicional enquanto seus pedidos de imigração tramitassem pelos tribunais.
Autoridades militaristas e anti-imigração de extrema direita, dentro do governo Trump ou próximos a ele, tais como o procurador-geral Jeff Sessions e o consultor da Casa Branca Steven Miller, há muito tempo manifestam seu ódio contra o acordo, que consideram uma “brecha” frequentemente explorada por mulheres e crianças. O governo vem insistindo que a única forma de prosseguir é a detenção, argumentando que, se as famílias forem libertadas na comunidade, irão simplesmente desaparecer.
O acordo Flores determina que as crianças não sejam detidas por mais de vinte dias. Determina também “contato com os familiares que foram presos com o menor”.
Trata-se de um falso dilema. Como observou recentemente a Comissão de Mulheres Refugiadas, que lida cotidianamente com famílias no sistema de imigração, “o governo também pode incluir as famílias em programas alternativos à detenção (ATD, “alternative to detention”). Infelizmente, o governo eliminou no ano passado um dos programas ATD mais promissores e com melhor relação custo-benefício – o Programa de Gestão de Casos de Família (FCMP, “Family Case Management Program”) –, a despeito de se tratar de uma alternativa muito mais adequada para as famílias que buscam asilo do que a detenção ou a separação.
No âmbito do acordo Flores, segundo os advogados, ambos os meninos brasileiros têm direito a questionar a decisão do governo de entregá-los ao Escritório de Reassentamento de Refugiados. Em ambos os casos, defendem as petições, os meninos foram separados “sem que fosse feita qualquer consideração sobre os irreparáveis danos físicos e psicológicos que a separação causa às crianças, e sem motivo. Não houve, em nenhum momento, alegação de abuso, negligência, ou inadequação parental, e o governo não promoveu nenhuma audiência ou processo antes da decisão de separar.”
As petições mencionam ainda várias outras supostas violações ao acordo Flores, além da violação à Quinta Emenda [à Constituição dos EUA], “que não permite nem pode permitir ao governo dos Estados Unidos que separe à força uma família que solicita asilo, pai e filho, sem justificativa ou audiência”. Pelos termos do acordo Flores, observa a petição, órgãos governamentais envolvidos na detenção de crianças devem “tratar todos os menores sob custódia com dignidade, respeito, e especial atenção à vulnerabilidade específica da condição de menor”. Essa obrigação inclui colocar as crianças “na situação menos restritiva adequada à idade e às necessidades especiais do menor”. A petição argumenta que “uma criança separada não está colocada na situação menos restritiva adequada se ela foi detida com um dos pais.”
O acordo Flores prevê diversas proteções para as crianças detidas. Além de exigir que não permaneçam presas por mais de vinte dias, o acordo também determina que elas recebam água potável, comida e cuidados médicos. Determina ainda “contato com os familiares que foram presos com o menor”. No caso dos meninos brasileiros, seus advogados sustentam que o governo não cumpriu esse requisito. As petições prosseguem demonstrando que, pelo acordo Flores, a primeira opção do governo deveria ser reunir a criança com seus pais, sempre que possível. E argumentam que o governo, no lugar do cumprimento do acordo e da busca pela solução menos restritiva para a presença dessas duas famílias solicitantes de asilo nos EUA, aderiu ao curso de ação mais punitivo possível.
Na quarta-feira em que expediu o decreto, Trump pediu a Sessions que protocolasse um requerimento na justiça federal do Distrito Central da Califórnia, para modificar o acordo Flores “de forma a permitir que o secretário, na atual situação de restrição de recursos, detenha conjuntamente as famílias de estrangeiros na pendência de processo criminal por entrada indevida ou de remoção ou qualquer outro procedimento de imigração”. Na quinta-feira, o pedido foi protocolado. Essa medida é uma tentativa clara do governo de afastar o acordo Flores, permitindo que as famílias de imigrantes sejam detidas pelo tempo necessário ao julgamento de seus processos de imigração. Dado o acúmulo de processos no juízo de imigração, isso significaria que solicitantes de asilo com processos viáveis poderiam passar meses ou até anos atrás das grades.
Embora tenha ostensivamente pleiteado o fim das separações de famílias como aconteceram nas últimas semanas, houve relatos conflitantes sobre o status atual da campanha de “tolerância zero” do governo na esteira do decreto de Trump na quinta-feira. No entanto, em havendo milhares de famílias já separadas e crianças espalhadas pelo país, permanece urgente a questão de como se dará a reunificação. A União Americana pelas Liberdades Civis (ACLU) ingressou com uma ação coletiva demandando que o governo reúna com seus filhos os pais detidos na imigração.
Em uma entrevista telefônica na quinta-feira, Lee Gelernt, o advogado veterano que encabeça a ação da ACLU, disse que a organização a que pertence duvida que o acordo Flores possa ser revertido pelo Congresso ou pelos tribunais. “O motivo é que ele está embasado na Constituição”, disse Gelernt. “O princípio constitucional do devido processo legal exigiu esse acordo.” A ACLU está atualmente pleiteando uma medida liminar em âmbito nacional para reunificar imediatamente as crianças que foram separadas de seus pais. A história do segundo coautor na ação da ACLU, também brasileiro, é incrivelmente semelhante às experiências de C.D.A., W.S.R, e seus pais. Para Cambria, a advogada, a única diferença é que, depois que a ACLU entrou com a ação, as famílias foram reunidas.
O governo Trump tem insistido no argumento de que o acordo Flores exige que as crianças sejam separadas de seus pais, e que ele deve ser rasgado para que o governo não precise separar famílias. O acordo, porém, não exige nada disso. “Teremos uma discussão interessante quando formos a juízo, sobre quem é efetivamente objeto da proteção do acordo Flores, que são as crianças e seus interesses”, disse Cambria. “Eles querem derrubar o acordo, não porque se preocupem em manter as crianças com seus pais. Eles querem derrubá-lo porque isso irá contribuir para um aumento expressivo no encarceramento de famílias e crianças, e eles vão lucrar com isso.”
“O objetivo não é reunir as famílias”, acrescentou. “O objetivo deles é eliminar as proteções e os direitos que as crianças têm na detenção, e isso é repugnante.”

Tradução: Deborah Leão

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