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quinta-feira, 30 de agosto de 2018

Sobre hipocrisia política, Lawfare e perseguição judicial no Brasil e na América Latina atendendo interesses imperialistas externos. Por Adolfo Pérez Esquivel, Prêmio Nobel da Paz



"Desatou-se em todo o continente um processo de criminalização e perseguição dos governos e frentes políticas progressistas e populares. O nome técnico utilizado para essa estratégia é lawfare, o uso do sistema judicial contra o inimigo, numa espécie de guerra judicial. Não há casualidades, isso é parte da política de dominação para a América Latina impulsada pelos Estados Unidos e suas agências." - Adolfo Pérez Esquivel, Prêmio Nobel da Paz



26 DE AGO DE 2018 — 
Publicado em Carta Maior e no Change.org
Desatou-se em todo o continente um processo de criminalização e perseguição dos governos e frentes políticas progressistas e populares. O nome técnico utilizado para essa estratégia é lawfare, o uso do sistema judicial contra o inimigo, numa espécie de guerra judicial. Não há casualidades, isso é parte da política de dominação para a América Latina impulsada pelos Estados Unidos e suas agências. Há alguns anos, as embaixadas norte-americanas da região vêm trabalhando muito próximas a setores dos nossos poderes judiciários, através de financiamentos, convites a eventos nos Estados Unidos e celebrações com embaixadores. Os resultados são claros: os que sempre viajam, recebem financiamentos e visitam embaixadores são os mesmos que, com simultaneidade inusitada, estão atacando os direitos básicos (e consequentemente os direitos políticos) de figuras como Lula da Silva, Cristina Kirchner e Rafael Correa.

Na maioria dos casos, esses mecanismos atentam contra o Estado de direito em nome do Estado de direito, um paradoxo semelhante ao de declarar guerra em nome da paz. Porque o objetivo principal não é o de fazer justiça, e sim o de gerar suspeitas, desacreditar e condenar antes do julgamento. Como em qualquer guerra, não se pode vencer sem a propaganda massiva dos grandes meios de comunicação, que executam as campanhas de desprestigio contra os ex-mandatários e a ex-mandatária que souberam desenvolver políticas de justiça social e soberania nacional, como há muito tempo não acontecia na Pátria Grande.

Estes empregados judiciais locais das embaixadas dos Estados Unidos são atores/ diretores midiáticos, que dirigem cenas de diligências policiais invasivas, que prepararam confissões de supostos arrependidos (que logo se dementem) ajustadas aos relatos que interessam e aos tempos políticos dos governos neoliberais. O show que dirigem se chama “bailando para prender a(o) presidenta(e)”. Mas os diretores passam, e os canais de televisão ficam. Por isso, ao dar nome à guerra judicial no Brasil é preciso dizer “Rede Globo”, no caso da Argentina se diz “Grupo Clarín”, e no Equador “diário El Universo”.

Este processo não começou com a guerra judicial, e sim com os “golpes brandos” parlamentares em Honduras (2009), no Paraguai (2012) e no Brasil (2016); com blocos legislativos que também atacaram o Estado de direito, cancelaram a presunção de inocência dos mandatários e os deslocaram, para impor uma agenda de governo radicalmente oposta ao que os eleitores haviam consagrado nas urnas.

Os objetivos finais desta guerra são a consolidação de democracias restritas, onde o povo só possa optar por alternativas neoliberais de ajuste, privatização, endividamento e submissão da sua política exterior à dos Estados Unidos, como fazem Michel Temer, Mauricio Macri e Lenín Moreno. Em síntese, é a transferência de recursos do povo aos ricos, e a perda de soberania nacional para a recolonização continental dos nossos recursos naturais.

Esta péssima película, carregada de hipocrisia e ódio, eu acabei de reviver quando viajei ao Brasil, para visitar Lula na prisão. Ele é acusado injustamente por um delito que não cometeu, e sua condenação é usada para impedir que seja candidato presidencial nas eleições deste ano, pelos que têm medo dele. Medo, porque sabem que Lula pode ganhar as eleições e voltar a lutar por maior justiça redistributiva e mais soberania nacional. Por isso, ele não tem direito sequer a ser entrevistado pelos meios de comunicação, enquanto muitos presos por motivos de sangue aparecem na televisão o tempo todo. Lula é um preso político, e até a Organização das Nações Unidas (ONU), através de sua Comissão de Direitos Humanos, teve que expressar, dias atrás, que o Estado brasileiro está atentando contra os seus direitos mais elementares, ao não aceitar sua candidatura.

A falta de responsabilidade ético-jurídica e social nos espanta e nos faz lembrar dos piores momentos vividos no país e na região. A degradação a que são submetidos o povo e as instituições do Estado viola os direitos humanos e coloca em risco as democracias que tanto nos custaram construir.

A corrupção deve ser combatida, mas dentro dos parâmetros do Estado de direito, com responsabilidade, sem atropelar os direitos das pessoas. Ninguém é culpado até que o acusador demonstre o contrário, toda pessoa tem o direito a um juízo justo e a não cair nas mãos de um juiz que demonstra falta de equidade e equilíbrio para fazer justiça. Aqueles que respeitam a democracia esperam que o Poder Judiciário argentino respeite esses princípios e investigue também as contas offshore do presidente Mauricio Macri e de vários dos seus ministros, a causa do Correio Argentino (em que o governo perdoou uma dívida bilionária da Família Macri com o Estado), a das verbas não declaradas e usadas no financiamento ilegal de campanhas governistas, entre tantas outras.

Como povo, nos dói profundamente ver tamanha degradação dos valores e da equidade. Necessitamos fortalecer os direitos de viver em democracia para todos e todas, e resistir na esperança de que outro país e outra Pátria Grande sejam possíveis.

Adolfo Pérez Esquivel é ativista social argentino, lutador pelos direitos humanos e vencedor do Prêmio Nobel da Paz de 1980
*Publicado originalmente no Página12 | Tradução de Victor Farinelli
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sexta-feira, 17 de agosto de 2018

quinta-feira, 16 de agosto de 2018

Em vídeo, o Prêmio Nobel da Paz Adolfo Pérez Esquivel discute os propósitos políticos da injusta prisão de Lula


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Do DCM:




VÍDEO: “A prisão dele é uma ação política, para falsificar sua imagem”, diz Esquivel após visita a Lula

 

quinta-feira, 26 de abril de 2018

Desabafo de Leonardo Boff, em vídeo, sobre as aribtrariedades dos juízes "acima da Lei"


O vídeo à seguir foi divulgado pela TV 247:


Texto original da TV 247:

Leonardo Boff fala à TV 247 na Praça São Salvador, no Rio, sobre as exceções do Judiciário. "O golpe foi comandado pelo Judiciário", disse. Gravação de Túlio Ribeiro.


domingo, 22 de abril de 2018

O Teólogo e ecologista Leonardo Boff e o Prêmio Nobel da Paz Adolfo Pérez Esquivel falam em vídeo sobre o arbítrio e de um estado golpista de exceção agindo contra o Brasil e contra Lula

Resultado de imagem para Leonardo Boff Adolfo Pérez Esquivel

Leonardo Boff: "Lula, tiraram nossa humanidade e a tua"

Adolfo Pérez Esquiel: "Hoje o Brasil vive um Estado de Exceção após um Golpe de Estado contra a Presidenta Dilma Rousseff e agora toda esta campanha contra o Presidente Lula"

Veja o vídeo



Critica ao Estado de Exceção da República Morista

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

Adolfo Pérez Esquivel, Prêmio Nobel da Paz em 1980, propõe a Não Violência Ativa contra o Capitalismo militarista


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Capitalismo militariza-se a cada dia e não é possível vencê-lo pela força, diz Nobel da Paz. E acrescenta: rejeitar a brutalidade é o oposto de ser passivo
Entrevista a Daniel Santini, da Fundação Rosa Luxemburgo | Imagem: Albin Egger Lienz
Extraído do Outras Palavras
Desde 2013, três estados da região Norte do Paraguai encontram-se em estado de exceção permanente, ocupados por tropas das forças armadas. Designados originalmente para combate emergencial ao Exército do Povo Paraguaio (EPP), grupo guerrilheiro que tem como estratégia a realização de sequestros, os militares instalaram-se e passaram a policiar de maneira contínua os estados Amambay, Concepción e San Pedro. A ação de “pacificação” do território, que não tem data para acabar, não só não resolveu o problema com o EPP, como gerou outros, não faltando denúncias, por parte da população, de violações graves de direitos humanos. Na lógica de guerra instalada, quem vive na região passou a lidar com medo e estigmatização – em Assunção, as pessoas olham diferente quem vive no norte.
A tática de repressão pura e simples não foi adotada apenas no Paraguai. A mesma lógica subsidiou ações em diferentes partes do mundo, da ocupação dos morros do Rio de Janeiro por Unidades de Polícia “Pacificadora” às intervenções militares internacionais apresentadas como Missões de “Paz” e “estabilização” pela Organização das Nações Unidas (ONU). Via de regra, tal política, que ganha espaço em meio à ascensão do conservadorismo em diferentes partes, tem se revelado pouco eficiente em termos de paz efetiva – como comprova a permanência de graves índices de homicídios no Rio de Janeiro e o colapso total de países inteiros no Oriente Médio ou a instabilidade política e social ainda presente no Haiti.
É contra essas políticas de guerra que Adolfo Pérez Esquivel, Prêmio Nobel da Paz de 1980, defende a importância de desarmar consciências. Nesta entrevista concedida em meio ao Fórum Social do Norte*, em Horqueta, município de Concepción no epicentro das zonas em estado de exceção, o ativista argentino de 85 anos argumenta em favor da Não Violência Ativa como melhor caminho para resistir à militarização do mundo. Realizado pelo Serviço de Paz e Justiça (Serpaj), organização fundada por ele, o evento de caráter pacifista reuniu cerca de 1.500 pessoas, incluindo camponeses e camponesas de todo o país. A seguir, a entrevista.

adoRepressão e militarização ganham força no mundo como parte de um discurso bastante conservador. Como contrapor essa lógica a partir do conceito de Não Violência Ativa? 

Primeiro, a violência que estamos vendo é um problema cultural, incrementado muitíssimo pelos meios de comunicação. Por meio dos filmes, pelo jornalismo, mas também pelas condutas, temos uma cultura da violência. Desde criança, se aprende que a violência é algo natural, que é viável. Para mudar isso há um eixo fundamental, que é desarmar a razão armada. A violência baseia-se no poder, na dominação. Quem a exerce quer se impor ao outro que é mais fraco pela força e, como diz Dom Hélder Câmara, esse arcebispo amigo de caminhada pela América Latina, a mãe de todas as violências é a mentira. A mentira exerce a violência porque faz crer o que não é.
Nesse sentido, falar de uma Missão de “Paz” da ONU ou uma Unidade de Polícia “Pacificadora” é algo emblemático, não? É semântica para minimizar ações que são simplesmente intervenções militares.
Sim, Missões de “Paz” não têm nada de paz. Trata-se de justificar a violência por meio da mentira. Foi o que George Bush, ex-presidente dos EUA fez com as Torres Gêmeas, com a invasão do Iraque. Porque ele precisava da justificativa e da mentira, e foi uma mentira coletiva, com os meios de comunicação, com toda a propaganda. É como agora com Síria, Líbia, Afeganistão. Está tudo baseado em mentiras. Lógico que houve reação de alguns setores, que reagiram violentamente e trataram de justificar essa reação por meio de fanatismos religiosos, segundo os quais todos aqueles que se opusessem teriam que ser combatidos porque isso seria anti-islâmico.
A Não Violência não tem nada a ver com passividade, é uma dinâmica permanente de uma transformação social, cultural, política e econômica. Não se deve reagir a uma violência com outra violência porque isso não resolve o problema. Ficamos com duas violências, mas não a solução do problema. Para saber desarmar a razão armada é preciso saber escutar o outro, antes de mais nada escutar. Depois ver se há possibilidade de abrir uma instância de diálogo. Se não se consegue, é preciso buscar um intermediador, um moderador que ajude a resolver o conflito. Isso acontece com os casais, com as famílias, as relações sociais e políticas, e até nas relações entre países.
Há algum contexto em que a luta armada é válida?
Não creio na guerra justa, por mais que os teólogos, os grandes professores teólogos como Santo Agostinho ou São Tomás de Aquino falem em guerras justas. Para mim, nenhuma guerra é justa, todas as guerras levam à destruição e à morte. Acredito, isso sim, em causas justas, não em guerras justas. Um povo oprimido tem direito a rebelar-se contra o opressor e há razão para isso. Há muitos caminhos, alguns que recorrem à violência. Por exemplo, em Cuba, Fidel Castro, de Sierra Maestra, começa todo um trabalho de resistência para se opor à ditadura de Fulgêncio Batista e ao final triunfa. Cuba, depois de vários anos e de ver isso com claridade, não recorre à violência para se sustentar, mas sim ao desenvolvimento cultural, social, político. A economia, mesmo com o bloqueio dos Estados Unidos, segue com dificuldade mas se sustenta por mais de cinquenta anos. Fazem não violentamente, mas quando uma potência como os Estados Unidos de Kennedy  tratam de invadir a Baía dos Porcos, Cuba reage com as armas. Pense nas forças invasoras dos Estados Unidos, há uma dinâmica entre as relações de forças. Muitas vezes, fala-se de situações extremas. O que alguém faria ao ver um agressor está para matar um filho? Por aí pode ser que se recorra a uma ação violenta, mas esse não é um eixo central, é um momento que por aí encontrou esse caminho, não algo definitivo. O que fez Mahatma Gandhi pela liberação da Índia tem vários aspectos. Tem o conteúdo ético, religioso, social, mas também uma estratégia na relação de forças. Se Ghandi se opusesse ao Império Britânico pelas armas, perderia.
Falando em extremos, pensando em um caso hoje, o que fazer se Trump começar a concretizar muito do que disse que faria durante sua campanha em termos de perseguições, de políticas claramente racistas? Já estão ocorrendo marchas anti-Trump. Há um limite contra as ações fascistas?
Fundamentalmente a Não Violência, é ação coletiva. É quando um povo toma consciência e diz “tenho que resolver esse conflito, mas de outra forma, não com o mesmo método do opressor”. Sem isso, muitos oprimidos, quando triunfam, tornam-se opressores. Tratam de repetir os mesmos mecanismos. Por exemplo, a revolução, de que tanto se fala, é uma roda. Estão abaixo os oprimidos, quando gira, os debaixo terminam em cima. Mas, se não há mudanças, se não se avança, repete-se o mesmo.
Em meio à crise de democracia no mundo, muita gente questiona os formatos de poder. Em sua apresentação no Fórum Social Norte, você defendeu uma democracia mais participativa do que representativa, com mais transparência sobre as estruturas de poder. Trata-se de fazer com que a democracia se radicalize?
A democracia é um sistema que significa direito e igualdade para todos, mas que hoje não atende a todos, e sim a alguns. Depois que votamos, ficamos em um estado de indefesa jurídica total. Não temos a capacidade de modificar absolutamente nada e o governante sabe disso e aproveita. O governante tem que ser um servidor do povo e não se servir do povo para seus interesses. Na democracia representativa, o povo não tem capacidade de mudar isso; mas em uma democracia participativa sim. Por meio de plebiscitos, consultas populares e representações de diversos tipos, pode-se chegar a controle ou mesmo revogar o mandato, quando necessário. Por isso digo, a violência sempre se baseia no poder e na mentira.
Rosa Luxemburgo dizia que não existe democracia sem socialismo e não existe socialismo sem democracia. 
Claro, estou totalmente de acordo com o socialismo de redistribuição dos bens, da participação social, cultural. Que tipo de democracia queremos? Falei hoje das utopias. Thomas Morus, quando fala dessa famosa ilha chamada Utopia [nome do livro de Morus], descreve os utopianos organizados por meio de uma participação interativa. Creio que é isso, e o socialismo tende a isso. Não é fácil porque requer uma tomada de consciência através da educação. Nós fomos educados para uma cultura de violência. Os protótipos que nos apresentam são todos heróis e guerreiros. Quando nos ensinam História, as épocas se dividem pelas guerras e revoluções, não pelos avanços sociais, culturais, políticos. A cultura que temos é de violência. Desarmar a consciência armada é gerar consciência crítica e valores nos jovens, para que possam discernir, não é impor-lhes um modelo.
Uma educação Não Violenta não tem nada a ver com a passividade, é uma dinâmica permanente de relações humanas entre as pessoas e os povos. O ser humano tem necessidades básicas – saúde, educação, habitação, trabalho – para poder ser feliz, e tem também o sentimento de pertencimento, uma identidade, valores, religião. Existe uma diversidade de pensamentos filosóficos, culturais, políticos, religiosos e temos que alcançar a convivência na diversidade e não na uniformidade. A riqueza dos povos é a diversidade. A mais perigosa dos monoculturas é a monocultura das mentes. Nós temos parâmetros que a sociedade nos impõem, que cortam a liberdade de decidir.
Quando fala em diversidade, há relação com o conceito do Bem Viver, não?Sim, claro. Exatamente.
Em pelo menos dois países, Equador e Bolívia, onde houve uma aproximação com esse discurso, onde foram adotados Estados Plurinacionais e toda uma linha de institucionalização da diversidade, depois de um momento inicial, os governos se afastaram dos princípios. Mantiveram o discurso, mas adotaram práticas que não tem nada que ver com Bem Viver. E há também casos como os dos governos progressistas que entraram em crise e há críticos que relacionam o fracasso de muitas estratégias a partir das políticas baseadas muito mais em consumo do que em cidadania. Há os que fazem essa mesma crítica à União Soviética, por exemplo.
São processos de aprendizagem. Por exemplo, quando se fala de desenvolvimento, trata-se do uso justo das necessidades do ser humano. A gente precisa da mineração, dos combustíveis, mas, quando há consumismo, existe um abuso. Recordo do meu tio, que era correntino [de Corrientes, na Argentina], que, nas Cataratas do Iguaçu, me ensinava a pescar os dourados, peixes lindos. Ele me ensinou a pescar com miolo de pão, fazer bolinhas de pão, jogar na água e depois com um anzol tirar o dourado. Mas ele me dizia: não se esqueça que tem que pescar o que vai comer. Não mais que isso. Se vai comer um, pesca um. Se dois, dois. Não mais. Porque dos mesmos peixes dependem outros pescadores. Uma coisa é o desenvolvimento, outra a exploração. O que fazem as grandes corporações com a soja ou com as megamineradoras é exploração, é privilegiar o capital financeiro em detrimento da vida dos povos. Isso prejudica a vida dos povos. Veja os agrotóxicos. Os agrotóxicos rompem a biodiversidade, a cadeia da vida. É curioso ver que na monocultura não há pássaros, não há sapos, não há mosquitos, não há nada. Não há alimento.
Quem defende agrotóxicos argumenta que, em termos de eficiência, eles permitem produzir mais rápido, com velocidade.Creio que é isso que está provocando hoje danos mundiais. Porque os agrotóxicos esgotam a terra, contaminam a lavoura, a vida, os animais, os vegetais. Na Argentina uma empresa de mineração, a Barrick Gold contaminou diferentes rios, mas isso não interessa às empresas [mais informações sobre esse caso e outros relacionados disponíveis na publicação Na Justiça]. As empresas querem ganhar dinheiro, o ser humano não conta. O ser humano, como diz o Papa Francisco, está submetido a uma cultura de descarte. O ser humano já não conta, cada vez é menos necessário pela tecnologia. A fábrica que antes necessitava de cem operários hoje faz o mesmo com dois.
adolfoperezesquivel
Com a situação política atual mais dura, com os avanços conservadores, com esse contexto econômico, como falar de utopia? Como manter a esperança?
Dentro de todo esse caos mundial há lugares em que as pessoas trabalham com alternativas. Alternativas agrícolas, por exemplo, agroecologia, criação de bancos de sementes naturais, as chamadas sementes crioulas. Esse processo ainda não tem uma dimensão política, mas tem sim uma dimensão social. É preciso traduzir tudo isso em alternativas políticas. Hoje os dirigentes políticos não estão preparados para isso como os cientistas, por exemplo. Fritjof Capra, um físico, começa a descobrir como a ciência está unida à espiritualidade e escreve O Tao da física. E há um livro em que ele fala sobre a medicina holística que se chama O ponto de mutação. Na medicina tradicional, se te dói o fígado, te curam o fígado mas destroem todo o resto. O médico não se preocupa em ver que a dor no fígado tem a ver com todo o organismo. Nós temos um pensamento cartesiano, analítico, que aportou muito, mas que é muito fragmentado. Hoje temos que ter um pensamento holístico, integrador. Nós somos parte de um todo, e esse todo é parte da gente. É como compreendemos não só a mãe terra, mas o cosmos. Havia um paleontólogo francês, Teilhard de Chardin, que falava da evolução do ser humano. Ele trata da biogênese, da antropogênese e da cosmogênese. Ou seja, o ser humano não está limitado e completo, nós estamos em um processo de construção. Se estamos destruindo a biogênese com tudo isso que falamos, estamos nos prejudicando. A evolução não vai ser natural, mas sim forçada, como uma semente da Monsanto. Na antropogênese, o ser humano está em um processo evolutivo, não só fisicamente, mas de consciência. A cosmogênese é quando um se considera parte do todo. Por isso, quando alguém diz, somos filhos das estrelas, faz sentido. O ser humano é filho das estrelas, tudo que existe é filho dessa famosa explosão mundial. Chardin sintetiza a espiritualidade também. O ser humano evolui espiritualmente também, com todas as suas contradições. Más há uma consciência que é de toda humanidade.
Quando fala em espiritualidade, sua perspectiva é diferente da do fundamentalismo, não só do islâmico, mas do fundamentalismo cristão também. No Brasil, temos hoje avanços de linhas religiosas fundamentalistas. Há quem analise esse fenômeno a partir da percepção de que os políticos ignoraram e deixaram de fazer trabalho de base e na política não existe vácuo. Grupos muito fundamentalistas ganharam espaço entre o povo.
Sim, existe isso, lamentavelmente. É o que eu designo como monocultura das mentes. É o absoluto e depois o abismo. Se sai disso, não há nada. Os fundamentalismos são como agrotóxicos, contaminam-se uns aos outros. É isso que se vê também nas forças armadas, na polícia. Eu muitas vezes tento imaginar que um ser humano torture, mate e depois lave as mãos, chegue em casa e ame a mulher, os filhos? Isso é a suspensão da consciência. É o que acontece quando todo um grupo faz o mesmo. É o que aconteceu com os nazistas, com as ditaduras latino-americanas, com os soldados que vão combater no Oriente Médio. São fundamentalismos. Se todos fazem o mesmo, violam, matam, torturam, a culpabilidade se dilui no coletivo. É incrível como isso se dá. Uma tomada de consciência, uma compreensão da Não Violência, não é somente quando se está diante de um conflito, mas na forma de viver, na forma de compreender a realidade. A Não Violência não se aplica somente nos conflitos; quando se chega a um conflito a pessoa já se sabe o que fazer. 
Viver é um ato político. 
Sim, e isso tem a ver com o olhar que cada um tem para com os demais e consigo mesmo. É preciso colocar em prática tudo isso. Eu muitas vezes falo de Henry David Thoreau, que escreveu A desobediência civil, ele é o Não Violento que inspirou Gandhi, Luther King. Ele, em algum momento, diz que toda pessoa amante da liberdade deve ser respeitosa com a lei. Porque a lei em uma sociedade é necessária. Porém, em seguida, Thoreau diz: cuidado, nem toda lei é justa. Devemos resistir às leis injustas, é preciso rebelar-se contra as leis injustas até sua total nulidade. Ele negou-se a pagar os impostos da guerra de Estados Unidos contra México, porque dizia que não poderia dar aval a uma guerra injusta. Por isso foi preso, mas manteve a posição de não aceitar uma injustiça.
Para finalizar, quais são as suas principais referências?
Para mim, a espiritualidade. Quando alguém lê o Evangelho, vai descobrindo as coisas. Além disso, há os exemplos de vida de muita gente que conheci e que também estudei como Gandhi, Luther King, Cesar Chavez [líder sindicalista de trabalhadores rurais mexicanos nos Estados Unidos], Hélder Câmara. Há Leônidas Proaño, bispo dos índios do Equador. E há o trabalho com as comunidades de base, indígenas, camponeses, homens, mulheres. É com essas vivências que uma pessoa aprende. Se a gente não muda e aprende, acaba entrando nesse caminho de autodestruição. O apocalipse está sendo gerado pelo próprio ser humano quando destrói a natureza, a vida, o próximo. A gente pode ser feliz, não estamos aqui para sermos desgraçados, mas  para sermos homens e mulheres livres. Como transformamos a cultura de violência em uma cultura de paz? A cultura de paz não é ausência de conflitos, mas sim a cultura das relações. É preciso trabalhar, estudar, aprender, sempre respeitando a diversidade. Se não respeitamos, entramos nesse caminho sombrio que não sabemos onde vai dar.
Pela história sabemos, não?
Claro. Há um escritor argentino Leopoldo Marechal que diz que muitos se metem nos labirintos e depois não podem sair. Mas dos labirintos a gente sai por cima. Genial. Así es.
IMAGENS: Foro Social del Norte 2016-SERPAJ-PY (foto em Horqueta), Arquivo Pessoal e Flickr de Emiliano Ortiz (foto na Argentina)
* Sobre o Fórum Social do Norte de 2016
O encontro realizado na cidade de Horqueta, em Concepción, no norte do Paraguai, teve como lema “Por território, soberania e direitos humanos” e foi organizado pelo Serpaj-PY com apoio de DiakoniaFundação Rosa Luxemburgo e Oxfam.
E veja também o pronunciamento final da missão de observação com os relatos de denúncias de violações.

quarta-feira, 7 de setembro de 2016

Carta Pública de um Prêmio Nobel sobre o Golpe ocorrido no Brasil este ano: A Democracia está de Luto



Transcrevemos aqui a carta do Prêmio Nobel da Paz Adolfo Perez Esquivel, ativista dos Direitos Humanos, publicada na revista Carta Capital:

Brasil, democracia de luto, nossa América na luta
Problemas da educação não são resolvidos com menos educação, problemas de transparência não são resolvidos com menos transparência, os da igualdade não resolvidos com menos igualdade, nem os problemas da democracia se resolvem com menos democracia.
Um punhado de parlamentares acusados de corrupção pré-condenou discursiva e midiaticamente uma presidenta – eleita pelo voto majoritário de seu povo – por atos de corrupção que não foram comprovados. Como não podiam removê-la do cargo por esta razão, criminalizaram atos de governo públicos e publicados, que já foram usados por governos anteriores e de outros países, estabelecendo um grave precedente jurídico para os atos de governo de administrações atuais e futuras da região.
Então, por que a presidente Dilma Rousseff não é mais presidente do Brasil? Sim, porque houve um golpe parlamentar.
Falei na reunião de 28 de abril no Senado do Brasil, disse aos senadores que o País estava caminhando para um "golpe de Estado". A verdade envergonha alguns e fortalece outros. Não é por acaso que, depois de minhas palavras, senadores da oposição exigiram censurar minha frase no registro taquigráfico.
Se já era questionada a democracia representativa por deixar as pessoas em um quase-estado de desamparo, no qual os governantes podem fazer o que querem e não o que devem. Com este golpe no maior país da América do Sul, nem mesmo a democracia representativa está garantida. Ou seja, no momento em que 51 senadores podem votar contra 54 milhões, a democracia entra em luto.
Alguns governos latino-americanos retiraram seus embaixadores como um sinal de compromisso com o futuro das nossas democracias. E os órgãos regionais deveriam exigir que o governo usurpador convoque novas eleições.
Enquanto isso, o povo brasileiro tem o nosso apoio nesta fase de resistência para a defesa das nossas democracias. Não é a primeiro golpe brando neste século e não será o último, pois há muitos muitos embaixadores do golpismo.
Esta é uma operação regional que não para no gigante do sul, e logo vai para a Venezuela, Equador, Bolívia... para o futuro de todas as alternativas políticas que não querem abaixar a cabeça. A esperança é sempre nos povos, que são os fiadores para democratizar as democracias, para converter o luto em vida, o luto na luta.
"A esperança é sempre nos povos, para converter o luto em vida, o luto na luta"
"A esperança é sempre nos povos, para converter o luto em vida, o luto na luta" - Esquivel e a Presidenta Dilma

segunda-feira, 2 de maio de 2016

Adolfo Pérez Esquivel: ‘Golpe no Brasil é parte de um projeto de recolonização da América Latina’

Adolfo Pérez Esquivel: “Hoje, basta ter os meios de comunicação, alguns juízes e dirigentes políticos da
oposição para provocar a desestabilização de um governo.”
Foto: Guilherme Santos/Sul21
Adolfo Pérez Esquivel, Nobel da Paz em 1980, precisou falar apenas um minuto no Senado brasileiro para sentir de perto a fúria da oposição que busca derrubar a presidenta Dilma Rousseff. O arquiteto e ativista argentino utilizou a palavra “golpe” para definir o que está acontecendo hoje no Brasil, o que levou a oposição a exigir do senador Paulo Paim (PT-RS), que presidia a sessão, a retirada da palavra dos anais da sessão, demanda que acabou atendida. “Não falei mais de um minuto. Eles me pediram para que eu fizesse uma saudação e eu expliquei por que estava aqui no Brasil, para apoiar a democracia, a continuidade constitucional e evitar a consumação de um golpe de Estado”, relata Esquivel em entrevista ao Sul21.

Na entrevista, o arquiteto e ativista argentino chama a atenção para o fato de que o que está acontecendo no Brasil não é um ponto fora da curva, mas sim parte de um projeto de recolonização da América Latina capitaneado pelos Estados Unidos. Para Esquivel, não há acasos em tudo o que está acontecendo agora contra o governo de Dilma. “Isso faz parte de um projeto de recolonização continental. Já houve experiências piloto no continente que devem ser lembradas. A metodologia é a mesma. O que aconteceu em Honduras, com a derrubada de Manuel Zelaya, e depois no Paraguai, contra o governo de Fernando Lugo, foram ensaios de golpes de Estado de um novo tipo”, sustenta.

“Esse projeto”, acrescenta, tem como objetivos estratégicos o controle dos nossos recursos naturais e, como já disse Michel Temer, a privatização das empresas estatais”. “Esse é o objetivo do golpe de Estado. Caso ele se consume, o país terá um governo com essa agenda que não foi eleito pelo povo”.

Como o senhor avalia a situação política que o Brasil vive hoje, em especial a tentativa de derrubada do governo da presidente Dilma Rousseff?

Pelo trabalho que realizo, sempre olho para a realidade de um país da América Latina sob a perspectiva de uma visão continental. Não há casualidades em tudo o que está acontecendo agora contra o governo de Dilma. Isso faz parte de um projeto de recolonização continental. Já houve experiências piloto no continente que devem ser lembradas. A metodologia é a mesma. O que aconteceu em Honduras, com a derrubada de Manuel Zelaya, e depois no Paraguai, contra o governo de Fernando Lugo, foram ensaios de golpes de Estado de um novo tipo. Golpes de Estado que não necessitam dos exércitos. Basta ter os meios de comunicação, alguns juízes e dirigentes políticos da oposição para provocar a desestabilização de um governo.

"É preciso fazer uma leitura mais profunda sobre o que está acontecendo no Brasil. Essa leitura para além da superfície tem a ver com o projeto em curso de recolonização do continente". (Foto: Guilherme Santos/Sul21)
“É preciso fazer uma leitura mais profunda sobre o que está acontecendo no Brasil. Essa leitura para além da
superfície tem a ver com o projeto em curso de recolonização do continente”.
Foto: Guilherme Santos/Sul21
O que me assombra é que tenham escolhido o Brasil, um país líder no continente, para aplicar esse modelo de golpe. É o mesmo procedimento dos ensaios realizados anteriormente: o uso massivo dos meios de comunicação para alimentar um processo de desprestígio por meio de uma série de acusações, a cumplicidade de alguns juízes, como é o exemplo de Sérgio Moro, que chegou a vazar escutas telefônicas privadas envolvendo o ex-presidente Lula e a própria presidente da República. O que Dilma fez de errado, afinal, para justificar um impeachment? Ela utilizou procedimentos que outros governos anteriores também aplicaram e não sofreram nenhum tipo de sanção por isso. Contra Dilma, bastou isso para justificar um pedido de impeachment. Isso é, abertamente, um golpe de Estado brando. Há alguns dias, disse isso no Senado brasileiro e houve um escândalo. Não falei mais de um minuto…

E pediram para retirar a palavra “golpe” das atas do Senado relativas ao seu pronunciamento…

Sim. Eles me pediram para que eu fizesse uma saudação e eu expliquei por que estava aqui no Brasil, para apoiar a democracia, a continuidade constitucional e evitar a consumação de um golpe de Estado. Bastou isso para provocar uma situação conflitiva. Mas é preciso fazer uma leitura mais profunda sobre o que está acontecendo no Brasil. Essa leitura para além da superfície tem a ver com o projeto em curso de recolonização do continente. Esse projeto tem alguns objetivos estratégicos: o controle dos nossos recursos naturais e, como já disse Michel Temer, a privatização das empresas estatais. Esse é o objetivo do golpe de Estado. Caso ele se consume, o país terá um governo que não foi eleito pelo povo, que ficará marginalizado da ação democrática. Como ocorreu em Honduras e no Paraguai, isso terá como consequência uma forte repressão aos movimentos sociais. Essa é a lógica da imposição de uma política regressiva: provocar situações de conflitos sociais e usar a forma repressiva para conter esses conflitos. Já há uma lei antiterrorista aprovada pelo Congresso, como aconteceu em quase todos os países.

Há uma diferença entre o que está acontecendo no Brasil e o que vemos hoje na Argentina, onde a direita chegou ao governo por meio de eleições livres. Ganhou por muito pouco, mas ganhou e está legitimada pelo voto. Nos primeiros quatro meses de governo, Macri levantou impostos que eram cobrados de empresas mineradoras e de latifundiários, entre outras medidas. O Observatório Social da Universidade Católica argentina registrou que, neste período, o país já tem um milhão e quatrocentos mil de pobres a mais e cem mil desempregados a mais. Isso em quatro meses apenas.

Na sua avaliação, esse projeto de recolonização tem os Estados Unidos como centro de origem e de articulação?

Sim, é uma política dos Estados Unidos, que nunca abriu mão de seu objetivo de ter a América Latina como seu quintal. A política norte-americana nos golpes em Honduras e no Paraguai ficou muito clara. É preciso ter em mente que os Estados Unidos e também a Europa estão esgotando seus recursos e necessitam dos recursos naturais de nossos países, incluindo recursos minerais estratégicos e os recursos do Aquífero Guarani, uma das grandes reservas mundiais de água, um bem cada vez mais escasso. Então, não são pequenos os interesses dos Estados Unidos na região. Não é por outra razão que eles mantém bases militares na América Latina.

"Os Estados Unidos e também a Europa estão esgotando seus recursos e necessitam dos recursos naturais de nossos países". (Foto: Guilherme Santos/Sul21)
“Os Estados Unidos e também a Europa estão esgotando seus recursos
e necessitam dos recursos naturais de nossos países”.
Foto: Guilherme Santos/Sul21
Se olharmos para a história recente da América Latina, houve outras tentativas de golpe de Estado no Equador, na Bolívia e na Venezuela que vive uma situação crítica, onde a posição ganhou o Parlamento e o governo de Nicolas Maduro está muito debilitado, com graves problemas econômicos, fundamentalmente causados pela queda do preço do petróleo, base da economia venezuelana. Então, as tentativas de golpe de Estado na América Latina não terminaram. Houve algumas muito violentas, com muitas mortes, como a que ocorreu no massacre de Pando, na Bolívia. No Equador, tivemos uma tentativa de golpe disfarçada de uma mobilização salarial da polícia. Era uma tentativa de golpe de Estado contra Rafael Correa. Esse é o panorama que temos hoje na região. Teríamos que falar ainda de Haiti, Guatemala, El Salvador e Honduras onde ocorreu uma repressão brutal, com mortes como a de Berta Caceres, uma dirigente do povo Lenca com a qual trabalhamos em Honduras.

Voltando um pouco à situação da Argentina, nos primeiros meses do governo Macri houve também um aumento da repressão aos movimentos sociais e um dos principais símbolos disso foi a prisão de Milagro Sala. Qual é o cenário atual desse quadro de repressão e violação de direitos?

Milagro Sala é uma presa política. Ela foi presa por conta de um protesto social organizado por cooperativas e pelo grupo Tupac Amaru. Nós fomos visitá-la na prisão, na província de Jujuy, cerca de 1.500 quilômetros de Buenos Aires. Falamos também com o governador de Jujuy, Ruben Gerardo Morales. Após a prisão de Milagro Sala começaram a surgir uma série de outras acusações contra ela, envolvendo denúncias de corrupção e outras coisas. Mas ela foi condenada antes de ser julgada. Ela é uma presa política já há quatro meses e nós cobramos isso do governador. Houve também uma forte repressão policial em Buenos Aires e em outros lugares contra protestos de trabalhadores. O governo Macri vai avançando em suas políticas neoliberais. Até agora, não falou abertamente sobre isso, mas planeja a privatização de empresas do Estado.

Macri também está fazendo um acordo com os fundos abutres para o pagamento de uma dívida externa imoral e ilegítima. Aí temos um problema que vem dos governos anteriores que não fizeram uma auditoria para determinar o que é dívida legítima e o que não é. Agora, Macri necessita de recursos para enfrentar a situação do país e está tentando obter empréstimos com altas taxas de juro. Os orçamentos para educação e políticas sociais sofreram grandes cortes e as obras do Estado estão paralisadas. As universidades também sofreram um drástico corte orçamentário. De modo geral, elas têm recursos para pagar os salários do mês de junho e depois não se sabe como será.

Diante desse cenário de avanço conservador, qual é, na sua opinião, a capacidade de reação dos movimentos sociais e do movimento sindical na Argentina, no Brasil e em outros países da América Latina? Há força suficiente para resistir a esse projeto de recolonização?

"No caso da Argentina e de outros países da América Latina também, a política de direitos humanos também enfrenta sérias dificuldades já há algum tempo". (Foto: Guilherme Santos/Sul21)
“No caso da Argentina e de outros países da América Latina, a política de
direitos humanos também enfrenta sérias dificuldades já há algum tempo”.
Foto: Guilherme Santos/Sul21
Os movimentos sociais estão muito fragmentados e isso coloca-os em uma forte situação de debilidade. Não há coesão ou força integradora entre eles. No caso da Argentina e de outros países da América Latina, a política de direitos humanos também enfrenta sérias dificuldades já há algum tempo. Esse projeto de recolonização terá um impacto negativo muito grande para a população, especialmente para os setores mais carentes. Há uma cláusula democrática dentro de organismos regionais como Mercosul e Unasul, que já foi aplicada ao Paraguai por ocasião do golpe contra Lugo. O Paraguai foi suspenso desses blocos regionais. Não sei se isso vai acontecer com o Brasil. Se, do golpe, surgir um governo Temer penso que ele terá o reconhecimento ao menos dos Estados Unidos e da Argentina. Na Argentina, o governo Macri está rechaçando os acordos regionais.

Aqui no Brasil, estamos assistindo à emergência de grupos de direita e mesmo de extrema direita, com traços fascistas, que contam inclusive com representação parlamentar como é o caso do deputado Bolsonaro que, recentemente, voltou a fazer apologia de torturadores. Esse fenômeno também está ocorrendo na Argentina ou em outros países da região? Até que ponto, essa emergência preocupa?

Na Argentina, isso não é muito evidente. Houve editoriais apoiando a ditadura, como o publicado pelo jornal La Nación no dia seguinte à posse de Macri, defendendo a libertação de militares condenados por crimes na ditadura. Há grupos de direita, mas, neste momento, como estão praticamente no governo, não se manifestam publicamente. Isso não significa que não existam. Aqui no Brasil me chama muito a atenção o fato de um deputado ter feito a defesa de um torturador. Isso é a apologia de um crime, um delito. Não sei como vão tratar isso, pois os deputados têm foro privilegiado. A questão importante é se haverá unidade dos movimentos sociais e populares para enfrentar essa situação.

O senhor acompanha a situação dos direitos humanos na América Latina há muitos anos. Após um ciclo de ditaduras houve um período de redemocratização e uma ascensão de governos de esquerda e progressistas na região. Agora, parece que estamos entrando mais uma vez em um período conservador com regressão no campo dos direitos. Parece que parcelas importantes das sociedades latino-americanas abrem mão muito facilmente de direitos. Como avalia a situação atual após um período em que ocorreram importantes avanços na área dos direitos humanos e sociais?

"Nós fizemos um trabalho de monitoramento da situação da tortura em prisões e delegacias na Argentina. No ano passado registramos mais de 100 mil casos de tortura em 50 instituições penitenciárias". (Foto: Guilherme Santos/Sul21)
“Nós fizemos um trabalho de monitoramento da situação da tortura em prisões e delegacias na Argentina.
No ano passado registramos mais de 100 mil casos de tortura em 50 instituições penitenciárias”.
Foto: Guilherme Santos/Sul21
Neste último período, nós acompanhamos com preocupação a situação dos direitos humanos mesmo em governos democráticos. Há governos que não têm políticas repressivas, mas há como que uma base já institucionalizada. Em muitos países, as torturas em prisões e delegacias de polícia, por exemplo, continuam até o dia de hoje. Na Argentina, esse problema é tremendo. Nós fizemos um trabalho de monitoramento da situação em prisões e delegacias. No ano passado registramos mais de 100 mil casos de tortura em 50 instituições penitenciárias. Não são políticas de Estado, mas sim mecanismos e práticas que seguiram vivas nas forças de segurança e que seguem vigentes.

Os direitos humanos seguem sendo violados porque há impunidade jurídica. Quem viola os direitos humanos sempre é o Estado. Fora disso, há os delitos que devem ser enquadrados na legislação vigente. A situação dos direitos humanos, considerados em sua integralidade, é preocupante em muitos países. Não estou falando apenas de torturas ou mortes, mas também de problemas ambientais, dos agrotóxicos, do impacto das grandes mineradoras. Há casos como o do Chile, onde a lei antiterrorista foi aplicada contra o povo mapuche.

Direitos humanos e democracia são valores indivisíveis. Se os direitos humanos são violados, a democracia se debilita. Estamos trabalhando para tentar uma mudança de comportamento e de mentalidade, mas há muitas consciências armadas com práticas repressivas. Antes de vir ao Brasil, estivemos no México, país que tem mais desaparecidos que a Argentina na época da ditadura, com governos constitucionais. Em Cidade Juarez, até sairmos de lá, havia a marca de 1.500 mulheres assassinadas por feminicídios. Estamos falando da fronteira com os Estados Unidos. No estado de Guerrero, temos o caso dos 43 estudantes que desapareceram e sobre os quais não há notícia até hoje. Passou um ano e meio e não se sabe absolutamente nada do paradeiro de 43 estudantes. Não estamos falando de uma ditadura.

No México, nos reunimos com o presidente da Comissão Nacional de Direitos Humanos e ele nos relatou as muitas dificuldades enfrentadas para avançar nas investigações sobre casos de violações de direitos naquele país. Há uma situação de terror muito grande. Tanto é assim que o governo dos Estados Unidos emitiu um comunicado recomendando aos turistas norte-americanos para que não viajem ao estado de Guerrero, em especial para Acapulco. Estivemos em Acapulco e os hotéis estão vazios. Claro que, no caso do México, penetrou com muita força o problema da droga, dos carteis do narcotráfico. Uma coisa que nós podemos comprovar na América Latina é que as guerras, hoje, são financiadas com a droga. Isso está acontecendo agora no Oriente Médio também. As guerras têm que ser financiadas de algum modo e estão sendo pelas drogas. Por isso, elas não vão desaparecer tão facilmente assim. O narcotráfico está desempenhando um papel sumamente importante hoje na economia das guerras.

Então, quando falamos da realidade da América Latina hoje supomos que todos os governos são democráticos, mas isso não é assim. Veja o caso da Colômbia também, onde agora está prestes a ser assinado um acordo de paz com as FARC. Mas o problema da Colômbia não se resume à relação entre as FARC e o governo de Santos. São quase 60 anos de guerrilha, mas também de narcotráfico, de grupos paramilitares e parapoliciais. O panorama do continente é muito complexo.

Sempre há saídas e possibilidades de mudança, desde que o povo se una. Mas, na América Latina, as esquerdas estão divididas". (Foto: Guilherme Santos/Sul21)
Sempre há saídas e possibilidades de mudança, desde que o povo se una.
Mas, na América Latina, as esquerdas estão divididas”.
Foto: Guilherme Santos/Sul21
O senhor está pessimista em relação ao futuro?

Eu sempre digo que sou um pessimista esperançoso. Eu não penso que não há saída para todos esses problemas. Sempre há saídas e possibilidades de mudança, desde que o povo se una. Na América Latina, as esquerdas estão divididas. A direita tem dificuldades, mas não está dividida porque tem objetivos claros. Mas as esquerdas estão muito divididas na Argentina, no Brasil, em qualquer país. Assim, é difícil construir frentes que possam oferecer alternativas a essa situação da qual falamos. Se o golpe se consumar aqui no Brasil o que vai ocorrer com a população. Estamos aqui acompanhados de movimentos sociais e de grupos comprometidos com a defesa da democracia, mas qual é a força real que têm?

O que me preocupa, no caso do Brasil, são as possíveis repercussões em todo o continente e no mundo inteiro. O Brasil é um país líder, com uma presença importante não só na América Latina. Para mim, com tudo o que escutei nestes dias, me parece que o afastamento de Dilma já é praticamente um fato consumado, a não ser que, de última hora, a situação atual possa ser revertida. Mas não é para se desesperar. Sempre há possibilidades de mudanças. O fato é que os Estados Unidos seguem trabalhando pela recolonização da região pois necessitam dos recursos deste continente.

Já devastaram a África, que não é um continente pobre, mas é um continente empobrecido. A África tem grandes recursos que estão sendo explorados por grandes corporações. Eu participei de uma comissão de investigação sobre a África do Sul e a Namíbia. Durante os oito meses que durou a comissão creio que não dormi em função do que vi, os indicadores de pobreza, o saqueio sem piedade dos recursos destes países. Levamos o resultado dessa investigação à Assembleia Geral das Nações Unidas, onde foram aprovadas sanções que não foram cumpridas.

Marco Weissheimer
No Sul21

sábado, 30 de abril de 2016

Papa Francisco anuncia apoio à Dilma Roussef e declara ser contra golpe

O pontífice é também argentino e mantém estreita ligação com movimentos de defesa dos direitos humanos na América Latina.
Papa Francisco anuncia apoio à Dilma Roussef e declara ser contra golpe
O vencedor do prêmio Nobel da Paz
 em 1980, o argentino Adolfo Pérez 
Esquivel revelou, em entrevista ao 
jornalista Darío Pignotti, do jornal 
Página 12, que levou à presidente 
Dilma Rousseff o apoio do Papa 
Francisco.


O pontífice é também argentino e 
mantém estreita ligação com 
movimentos de defesa dos direitos
 humanos na América Latina.


"O papa Francisco está muito 
preocupado com o que está acontecendo no Brasil; tudo isso vai trazer consequências negativas 
para toda a região e teremos um grave retrocesso democrático."


Esquivel se reuniu ontem com a presidente Dilma e depois, no Senado, denunciou o golpe da tribuna, 
sob protestos de opositores como Ronaldo Caiado (DEM-GO), que exigiram que a palavra golpe fosse retirada das notas taquigráficas.


Esquivel disse ainda que vai escrever ao Papa sobre os acontecimentos no Brasil e afirmou que o impeachment não passa de um golpe brando. Ele também disse que Dilma é uma mulher honesta 
denunciada por corruptos
FONTE: Brasil 247

quinta-feira, 28 de abril de 2016

Nobel da Paz fala em "golpe" no plenário do Senado e revolta os descarados canalhas escravagistas e ex-cassados fichas sujas da oposição




O argentino Adolfo Pérez Esquivel, prêmio Nobel da Paz de 1980

LEANDRO COLON
DÉBORA ÁLVARES
MARIANA HAUBERT
DE BRASÍLIA para a Folha de São Paulo


O uso do microfone do plenário do Senado pelo argentino Adolfo Pérez Esquivel, Prêmio Nobel da Paz de 1980, causou revolta entre senadores da oposição nesta quinta-feira (28).

Esquivel falou em "possível golpe de Estado" sentado em uma cadeira da Mesa Diretora do plenário durante sessão presidida pelo senador petista Paulo Paim (RS). As palavras foram ditas ao lado de Paim e de outros senadores petistas, que cercaram o Nobel da Paz na hora do pronunciamento.

"Venho aqui ao Brasil trazendo a solidariedade e o apoio de muita gente da América Latina e a minha pessoal que se respeite a continuidade da Constituição e do direito do povo a viver em democracia", afirmou Esquivel. "Creio que neste momento há grande dificuldades (oriundas) de um possível golpe de Estado. E já se utilizou esse mecanismo de funcionamento em outros países do continente, como Honduras e Paraguai", ressaltou.

Pouco antes, Esquivel havia visitado a presidente Dilma Rousseff para apoiá-la contra o processo de impeachment que ela sofre no Congresso.

O líder do DEM, Ronaldo Caiado (GO) (aquele acusado, entre outras maldades, de usar trabalho escravo em suas fazendas), reagiu imediatamente e exigiu a retirada da palavra "golpe" dos registros das notas taquigráficas. "Não podemos ser surpreendido com essas montagens, não foi por acaso que esse senhor veio aqui fazer esse pronunciamento. Isso é uma estratégia que esse plenário não admite. Essa situação é inaceitável. Nunca vi, com 22 anos de Congresso Nacional, as autoridades que nos visitam, sem ter o consentimento de todos os líderes, usarem o microfone para fazer pronunciamento", afirmou Caiado.

Sob pressão, Paim concordou com o pedido para retirar a expressão "golpe".

"Em nenhum instante, o regimento autoriza que a sessão do Senado possa ser interrompida para conceder a palavra a um não-senador", afirmou o líder do PSDB, Cássio Cunha Lima (PB) (aquele que foi cassado como governador).

O líder do governo no Senado, Humberto Costa (PT-PE), respondeu: "Entendo que isso cause urticária naqueles que são oposição. Estão ai pesquisas de opinião de que a população não aceita que o conspirador mor assuma", disse o petista, em referência ao vice-presidente, Michel Temer, que assumirá a presidência interinamente no caso de o processo de impeachment de Dilma ser aberto pelo Senado.


segunda-feira, 21 de março de 2016

Nobel da Paz envia carta em apoio a Dilma e Lula



Prêmio Nobel da Paz argentino envia carta de solidariedade a Dilma e Lula
Monica Yanakiew, de Buenos Aires – Correspondente da Agência Brasil
O Prêmio Nobel da Paz argentino, Adolfo Pérez Esquivel, enviou hoje (16) carta em solidariedade à presidenta Dilma Rousseff e ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Para Pérez Esquivel, os dois são vítimas de "uma forte campanha" para "derrubar" o governo e "destruir o PT".
“Quase todos os políticos que apoiam o impeachment de Dilma têm vários processos penais em andamento por atos de corrupção. Isso indica que isso não é a variável determinante”, escreveu o ganhador do Nobel da Paz. “A corrupção não se combate violando a Constituição. Se combate com transparência e mais democracia”, acrescentou.
Em entrevista sobre os 40 anos do golpe na Argentina, no próximo dia 24, Pérez Esquivel também falou da situação no Brasil. “O que está acontecendo no Brasil agora? Querem tirar Dilma e Lula do governo. Ou seja, existe uma condenação antes de se saber se [as denúncias] são verdadeiras ou não.”
Pérez Esquivel também enviou uma carta ao presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, que visitará a Argentina, depois de ir a Cuba. Obama tinha previsto ficar em Buenos Aires nos dias 23 e 24 de março. Mas, na carta, Pérez Esquivel sugeriu ao presidente norte-americano mudar seus planos, uma vez que a visita no dia em que os argentinos saem às ruas para homenagear milhares de desaparecidos da ditadura poderia ser vista como “uma provocação”.
“A agenda de Obama mudou e agora ele vai passar o dia 24 de março em Bariloche, conhecendo as belezas naturais do Sul da Argentina, o que foi uma boa ideia”, disse o ganhador do Nobel.
Edição: Juliana Andrade
Fonte: O Cafezinho

quarta-feira, 16 de março de 2016

Prêmio Nobel da Paz Adolfo Pérez Esquivel denuncia tentativa de Golpe no Brasil

A baixo segue o texto que Adolfo Pérez Esquivel, Nobel da Paz escreveu para portal internacional de notícias.  


março 16, 2016 1:12 am Comentários desativados em Nobel da Paz Adolfo Pérez Esquivel denuncia tentativa de Golpe no Brasil Fonte: Ceilândia em Alerta-
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A corrupção não se combate violando a Constituição. Se combate com transparência e mais democracia. Transparência não somente do poder executivo, mas também dos poderes Judiciais e suas estruturas.
Temos que estar atentos nas articulações que estão presentes no continente. Durante décadas obscuras vivemos ditaduras impostas mediante a Golpes de Estado, seguido por governo constitucionais e as democracias frágeis   dos anos 80 e 90, que foram fortalecidas com grande esforço, tratando de encontrar caminhos de desenvolvimento e de resistência em sua luta contra a pobreza, a fome e marginalização. 
Após um período de grandes avanços no século XXI , hoje a região está passando por situações de conflito , com novas tentativas para desestabilizar as instituições democráticas em países com governos progressistas .
Estamos preocupados com os ataques da oposição política , a mídia e setores do poder judiciário contra a Presidenta do Brasil, Dilma Rousseff e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que esteve recentemente vítima de uma operação Policial para levá-lo preso. A ação política clara e injusta, que tem como objetivo a demoralização pública do ex-presidente, acusando-o de corrupção para parecer culpado sem nada for provado contra ele.
A oposição política e seus aliados lançaram uma forte campanha para derrubar a Presidenta Dilma e destruir o PT, utilizando a metodologia de golpe suave , imposta no continente para derrubar o ex-presidente Manuel Zelaya em Honduras e Fernando Lugo no Paraguai, com o cumplicidade do poder judicial e / ou parlamentares , forças armadas , empresas e o apoio dos Estados Unidos .
Golpes que se juntam às tentativas de golpes de Estado e ações violentas como aconteceu na Venezuela, em 2002, onde falhou por uma mobilização popular em defesa de Hugo Chávez. Ação policial contra o presidente Rafael Correa, do Equador , em 2010 , falhou devido à rápida intervenção da Unasul . E o presidente da Bolívia , Evo Morales , que sofreu várias envestidas e ações violentas para derrubá-lo
Hoje, o governo da Venezuela, está cercado por uma guerra econômica para gerar desestabilização como no planejado golpe de Estado de 1973, no Chile. Enquanto a oposição continua tentando derrubar o presidente Nicolas Maduro , como no momento tentou e falhou com Chávez .
Há grandes interesses económicos e políticos que procuram a desgastar e causar todos os esforços para desacreditar certos governos, e não prejudicar os outros que tentam tomar o apoio de seu povo.
Quase todos os políticos que apoiam impeachment Dilma têm vários processos penais em curso para a corrupção. Isto indica que esta não é a variável determinante, mas o que está em jogo é a direção das políticas do Estado e quem deve realizar.
A corrupção não se combate violando a Constituição. Se combate com transparência e mais democracia. A transparência não só do executivo, mas também do judiciário poderosa e os seus funcionários.
Quero expressar a minha solidariedade e apoio para Dilma e Lula, para o seu serviço ao povo brasileiro e unidade continental. E também para chamar o povo brasileiro a avaliar criticamente as contribuições feitas, sem ser arrastado para baixo por aqueles que procuram desestabilizar o país causando golpes suaves.
O Progressismo latino-americano sabe como perder as eleições porque é democrático. Os últimos ajustados eleições Argentina e Bolívia são outro exemplo claro e recente deste. Aqueles que não sabem como perder e pedir neogolpismo e apoio em nome da democracia, a sua vocação autoritária, ou sua moral ilibada, não são muito diferentes daqueles previamente suportado ou ficaram em silêncio com as ditaduras genocidas de nosso continente.
Governos progressistas constantemente atacado por se atrever a tomar medidas contra os poderosos e em favor da redistribuição de renda, deve repensar suas estratégias de diálogo e construção de confiança e de consenso, a fim de evitar confrontos estéreis que se desviam o apoio popular. Eles devem ter a capacidade de iniciativa propor esperança na mudança das estruturas de dependência e desigualdade que nossas necessidades região, e também Papa Francis disse quando pediu para ” não falar das velhas e novas formas de colonialismo ” não “não há desabrigados família, não há camponês sem-terra, há trabalhadores sem direitos, sem soberania Ninguém, nenhuma pessoa sem dignidade, nenhuma criança sem infância, nenhum jovem sem chances, sem ancião sem uma velhice venerável “.
Nenhuma democracia é perfeita, mas é perfectível , se a vontade política do povo e seus governantes democraticamente eleitos.
Esperamos que o povo irmão do Brasil para refazer desta forma não abandonar as boas políticas de Estado que conseguiu conquistar e pertencem , e não tem que viver um avançado políticas anti- populares, como os que hoje vivem na Argentina
Jean Volpato