terça-feira, 31 de janeiro de 2023

Marcelo Pimentel em entrevista a Luis Nassif: As forças armadas deixaram, incentivaram e protegeram os acampamentos golpistas

 

Da TV GGN:

O Coronel da reserva, Marcelo Pimentel, comenta como as ações de lideranças das forças armadas contribuíram para o que aconteceu no dia 8 de Janeiro. De acordo com Pimentel, não foram tomadas medidas para acabar com os acampamentos nos quartéis e sim para incentivá-los.



Portal do José: Os crimes de Bolsonaro, Damares e militares expostos, o cerco se fecha! STF vai com tudo! Quem salvou os Yanomamis? Eu e você ao combater Bolsonaro

 

Do Portal do José:

31/01/23 - BOLSONARO REPRESETAVA O FIM DE ÁLGUMAS NAÇÕES INDÍGENAS. NÓS CONSEGUIMOS INTERROMPER O GENOCÍDIO. MUITOS IRÃO PRA CADEIA. NOVOS FATOS. STF PARTE PARA O ATAQUE. SIGAMOS.



Sobral Pinto, o homem de coragem que desafiou os ditadores militares brasileiros

 

A cineasta Paula Fiúza teve acesso aos arquivos do STM, palco de atuação frequente de Sobral Pinto, bem como nas Auditorias Militares.


Acervo Paula

O documentário sobre Sobral Pinto, Sobral: O Homem que Não Tinha Preço, conta a trajetória do advogado que foi atuante em vários momentos políticos brasileiros, da ditadura à constituinte. O documentário é fruto da vivência e pesquisa de Paula Fiúza, cineasta e neta de Sobral Pinto.

O filme foi feito a partir da descoberta de arquivos secretos de áudio do Superior Tribunal Militar com registros de defesas de presos políticos durante a ditadura. No documentário é evidenciada a luta incansável de Sobral Pinto por justiça.

Paula Fiúza teve acesso aos arquivos do STM, palco de atuação frequente de Sobral Pinto, bem como nas Auditorias Militares. “O STM é o melhor tribunal do país. Nesta hora em que há um medo generalizado, e medo justificado porque ninguém está garantido quando agentes de segurança podem apanhar qualquer um e sumir o cidadão, este STM não tem medo”, afirmou Sobral Pinto.

Sobral Pinto nasceu em 5 de novembro de 1893, em Barbacena (MG) e morreu aos 98 anos em 30 de novembro de 1991. Formou-se em Direito pela Faculdade de Ciências Jurídicas e Sociais do Rio de Janeiro, que hoje é a Faculdade Nacional de Direito, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

O documentário traz depoimentos importantes de Luís Carlos Prestes e sua filha Anita Leocádia, de Zuenir Ventura e do próprio Sobral Pinto.

É o resgate da história do advogado que nunca se dobrou, colocou a justiça acima de qualquer ideologia e desafiou os ditadores brasileiros.

Veja o documentário no link abaixo.

Gestão da fundamentalista evangélica Damares Alves será investigada por negligência e omissão contra os Yanomami, anuncia governo Lula

 

Relatório oficial indica "falta de empatia e sensibilidade com os indígenas" durante o governo Bolsonaro. Leia a íntegra


Jornal GGN:

O Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC) do governo Lula anunciou nesta segunda-feira (3) que a gestão da senadora eleita Damares Alves na extinta pasta de Mulher, Famílias e Direitos Humanos (MMFDH) será investigada por omissões, negligência e violações aos direitos do povo Yanomami.

Sob o comando do jurista Silvio Almeida, o Ministério dos Direitos Humanos apresentou hoje um levantamento inicial das omissões observadas na gestão 2019-2022, no governo de Jair Bolsonaro.

Além de ignorar recomendações internacionais no âmbito da Comissão Interamericana de Direitos Humanos, a pasta então comandada por Damares “agiu com descaso” frente a processos encaminhados ao então Ministério.

O documento divulgado pelo governo Lula inclui sete processos administrativos de conhecimento de Damares, tendo sido produzido com base em informações oficiais.

O levantamento indicando a negligência de Damares e subordinados foi encaminhado ao Ministério da Justiça e Segurança Pública, agora capitaneado pelo ministro Flávio Dino, a fim de que os fatos sejam investigados.

A “iniciativa também implicará na responsabilização de agentes que promoveram ações deliberadas contra a dignidade humana na gestão passada”, afirma o novo Ministério dos Direitos Humanos.

Falta de empatia e sensibilidade


A deturpação do uso da máquina pública, utilizada apenas para propagar discursos de ódio, fez com que o governo Bolsonaro ignorasse a morte de um Yanomami em 9 de abril de 2020, vítima da pandemia de Covid-19.

Ao invés de investigar as condições sanitárias e de contaminação dos povos originários, a gestão de Damares – pastora evangélica e bolsonarista radical – reduziu o problema a uma questão que deveria ser resolvida apenas pela Fundação Nacional dos Povos Indígenas (FUNAI) e à Secretaria Especial de Saúde Indígena (SESAI), evidenciando a falta de empatia e sensibilidade com os indígenas.

Damares limitou-se a fazer “discursos vazios que em nada contribuíram para a construção da paz e da defesa da dignidade humana” nos territórios indígenas.

“A então titular da pasta preferia, por exemplo, colorir de rosa as delegacias de atendimento à mulher para enfrentar o feminicídio, em vez de construir políticas públicas efetivas”, diz o Ministério do governo Lula.

Omissões criminosas

Em 2020, a Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) demonstrava preocupação frente às invasões do território do povo Yanomami por garimpeiros nos estados de Roraima e Amazonas.

Em resposta, além de demonstrar falta de atuação na temática, a gestão Damares apresentou à instância internacional um parecer positivo sobre o Projeto de Lei nº 191/2020, que propõe a legalização do garimpo na região.

Damares também agiu com descaso durante a pandemia de Covid-19 e sugeriu a Bolsonaro vetar a obrigação do fornecimento de água e equipamentos básicos para as comunidades Yanomami.

Entre os processos levantados pelo MDHC constam, ainda, negativa de assistência humanitária ao governador do Estado de Roraima e a suspensão de policiamento ostensivo em favor do indígena Davi Kopenawa, integrante do Programa de Proteção aos Defensores de Direitos Humanos da pasta, expondo-o a atentado em novembro de 2022.

Defesa da morte


Autoproclamada contra o aborto legal por ser “defensora da vida”, Damares praticou o descaso total com a vida dos indígenas.

Entre 2019 e 2022, gestores públicos estiveram por cinco vezes no estado de Roraima. Entretanto, em nenhuma dessas missões foram apresentadas tratativas contra o garimpo ilegal, a segurança alimentar ou qualquer outra ação em defesa dos direitos humanos.

Além disso, enquanto Bolsonaro foi presidente e Damares, ministra, nenhuma visita foi feita ao território Yanomami mesmo diante de denúncias e recomendações em prol da dignidade humana dos povos originários.

Ainda em 2020, o governo ignorou pedido do movimento Coalizão Brasil Clima, Floresta e Agricultura para implementação do Plano Emergencial para Enfrentamento à Covid-19 nos territórios indígenas.

Já em 2021, o antigo MMFDH, diante de uma Ação Civil Pública destinada ao fornecimento de alimentação adequada e saudável aos pacientes em tratamento médico e acompanhamento nutricional em comunidades Yanomami, preferiu, novamente, terceirizar a responsabilidade a outros órgãos do governo.

Leia o relatório completo abaixo:

O Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC) do governo Lula anunciou nesta segunda-feira (3) que a gestão da senadora eleita Damares Alves na extinta pasta de Mulher, Famílias e Direitos Humanos (MMFDH) será investigada por omissões, negligência e violações aos direitos do povo Yanomami.

Sob o comando do jurista Silvio Almeida, o Ministério dos Direitos Humanos apresentou hoje um levantamento inicial das omissões observadas na gestão 2019-2022, no governo de Jair Bolsonaro.

Além de ignorar recomendações internacionais no âmbito da Comissão Interamericana de Direitos Humanos, a pasta então comandada por Damares “agiu com descaso” frente a processos encaminhados ao então Ministério.

O documento divulgado pelo governo Lula inclui sete processos administrativos de conhecimento de Damares, tendo sido produzido com base em informações oficiais.

O levantamento indicando a negligência de Damares e subordinados foi encaminhado ao Ministério da Justiça e Segurança Pública, agora capitaneado pelo ministro Flávio Dino, a fim de que os fatos sejam investigados.

A “iniciativa também implicará na responsabilização de agentes que promoveram ações deliberadas contra a dignidade humana na gestão passada”, afirma o novo Ministério dos Direitos Humanos.

Falta de empatia e sensibilidade

A deturpação do uso da máquina pública, utilizada apenas para propagar discursos de ódio, fez com que o governo Bolsonaro ignorasse a morte de um Yanomami em 9 de abril de 2020, vítima da pandemia de Covid-19.

Ao invés de investigar as condições sanitárias e de contaminação dos povos originários, a gestão de Damares – pastora evangélica e bolsonarista radical – reduziu o problema a uma questão que deveria ser resolvida apenas pela Fundação Nacional dos Povos Indígenas (FUNAI) e à Secretaria Especial de Saúde Indígena (SESAI), evidenciando a falta de empatia e sensibilidade com os indígenas.

Damares limitou-se a fazer “discursos vazios que em nada contribuíram para a construção da paz e da defesa da dignidade humana” nos territórios indígenas.

“A então titular da pasta preferia, por exemplo, colorir de rosa as delegacias de atendimento à mulher para enfrentar o feminicídio, em vez de construir políticas públicas efetivas”, diz o Ministério do governo Lula.

Omissões criminosas

Em 2020, a Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) demonstrava preocupação frente às invasões do território do povo Yanomami por garimpeiros nos estados de Roraima e Amazonas.

Em resposta, além de demonstrar falta de atuação na temática, a gestão Damares apresentou à instância internacional um parecer positivo sobre o Projeto de Lei nº 191/2020, que propõe a legalização do garimpo na região.

Damares também agiu com descaso durante a pandemia de Covid-19 e sugeriu a Bolsonaro vetar a obrigação do fornecimento de água e equipamentos básicos para as comunidades Yanomami.

Entre os processos levantados pelo MDHC constam, ainda, negativa de assistência humanitária ao governador do Estado de Roraima e a suspensão de policiamento ostensivo em favor do indígena Davi Kopenawa, integrante do Programa de Proteção aos Defensores de Direitos Humanos da pasta, expondo-o a atentado em novembro de 2022.

Defesa da morte

Autoproclamada contra o aborto legal por ser “defensora da vida”, Damares praticou o descaso total com a vida dos indígenas.

Entre 2019 e 2022, gestores públicos estiveram por cinco vezes no estado de Roraima. Entretanto, em nenhuma dessas missões foram apresentadas tratativas contra o garimpo ilegal, a segurança alimentar ou qualquer outra ação em defesa dos direitos humanos.

Além disso, enquanto Bolsonaro foi presidente e Damares, ministra, nenhuma visita foi feita ao território Yanomami mesmo diante de denúncias e recomendações em prol da dignidade humana dos povos originários.

Ainda em 2020, o governo ignorou pedido do movimento Coalizão Brasil Clima, Floresta e Agricultura para implementação do Plano Emergencial para Enfrentamento à Covid-19 nos territórios indígenas.

Já em 2021, o antigo MMFDH, diante de uma Ação Civil Pública destinada ao fornecimento de alimentação adequada e saudável aos pacientes em tratamento médico e acompanhamento nutricional em comunidades Yanomami, preferiu, novamente, terceirizar a responsabilidade a outros órgãos do governo.

Leia o relatório completo em: https://jornalggn.com.br/noticia/gestao-damares-sera-investigada-por-negligencia-contra-os-yanomami/

Com informações do MDHC



segunda-feira, 30 de janeiro de 2023

Portal do José: Fantástico finalmente deslancha os crimes contra a humanidade de Bolsonaro e asseclas

 

Do Portal do José:

FINALMENTE? BOLSONARO: MÍDIA PARTE PARA A INCRIMINAÇÃO! CAMINHO ABERTO PARA CADEIA. E OS CÚMPLICES?

30/01/23 - BOLSONARO AINDA NÃO SAIRÁ DA MÍDIA. Seus crimes precisam ser lembrados o tempo todo. Ontem o Fantástico apresentou abordagem inédita sobre o genocídio yanomami. Se tivessem feito a mesma coisa na época da pandemia, Bolsonaro já estaria preso. A fila está andando. SIGAMOS.



Ataques em Brasília: Lilia Schwarcz discute a comparação de ação de golpistas bolsonaristas com Estado Islâmico em entrevista ao UOL

 

Do UOL:

O UOL Entrevista da terça 17 de janeiro recebey a historiadora e antropóloga Lilia Schwarcz. A entrevista é conduzida por Fabíola Cidral e os colunistas do UOL Josias de Souza e Carla Araújo.



Bozo nazifascista. Nosso crime é não sermos violentos como eles, por Armando Coelho Neto, jornalista, delegado aposentado da Polícia Federal e ex-representante da Interpol em São Paulo

 

Fato: os grupos neonazistas proclamaram incondicional apoio ao ex-presidente, cujo estafe reafirmou o tempo todo a recíproca



Bozo nazifascista. Nosso crime é não sermos como eles

por Armando Coelho Neto

O genocídio dos Yanomamis é um dos capítulos não apenas da tentativa de golpe, frustrada no dia 8 de janeiro último, mas também tentativa de implantação do nazifascismo no Brasil, com os já conhecidos patrocinadores e incentivadores, inclusive dentro de instituições como membros das Forças Armadas. Nazifascismo, note-se, é símbolo de discriminação, supressão de direitos, extermínio de diferentes.

O trato desse tema sob essa perspectiva nesse GGN é fruto da perda da antropóloga Adriana Dias, pesquisadora que encontrou uma carta do ex-presidente foragido, dirigida a neonazistas. O Brasil perdeu ontem uma das maiores autoridades do Brasil sobre neonazismo, a qual não perdia oportunidade de não só denunciar páginas do gênero, mas também “printar” para instruir seu trabalho de alta relevância.

Nesse espaço, um esforço para resumir entrevista concedida ao jornalista Vinicius Souza (MediaQuatro), antes das eleições, onde afirma ter iniciado suas pesquisas há 20 anos, tendo como pressuposto honrar vítimas do nazifascismo. Um trabalho inicialmente voltado para a comunidade judaica, LGTBQI+, e logo constatou que atos, fatos e símbolos de anos atrás estavam se repetindo.

Adriana começou entrevistando vítimas do holocausto numa comunidade judaica a qual integrava, no bairro do Bom Retiro (São Paulo). Ao fazê-lo, um universo de horror se abriu. “O nazifascismo suspende a noção de racionalidade”, diz, ressaltando ser esse o erro da esquerda, que busca racionalidade onde simplesmente não há. Vige a supressão do sentido e a intolerância à diversidade.

A visão nazista, afirma, é a de que o progresso (em sentido amplo) vem por meio do homem branco. Sobretudo o homem, macho, branco, sem deficiência, de origem europeia. Mas, “é a diversidade que constrói a civilização humana”. Já o nazismo quer o uno – excluindo negros, judeus, homossexuais, migrantes e uniões inter-raciais. Eis o paradoxo: o ser humano é plural por excelência, destaca.

Culto ao machismo, estupro e pedofilia são ingredientes do que a antropóloga chama de cultura do ressentimento. Uma cultura onde se professa meritocracia, desprezando qualquer ideia de que as pessoas se originam de experiências diferentes. Uma criança que nasce no Nordeste é diferente das que nascem no Sudeste, as de bairros ricos diferem das que nascem nas periferias. Elementar, não?

Na entrevista, as comparações entre o ex-presidente e Hitler são inevitáveis. Ambos trabalhavam com ressentimentos, ódio, discurso contra a corrupção, além da eleição de culpados “por tudo isso que está ai”. Entre os culpados, surgem o comunismo, a comunidade LGBTQI+, uma combinação estranha no processo de destruição da destruição da democracia (que é plural), rumo ao discurso do estado totalitário.

Trata-se de processo no qual igreja, empresas e poder sanitário se fazem presentes. Empresas para dar sustentação financeira, igrejas pelo simbólico papel na difusão do medo, enquanto os médicos para ter o controle dos corpos das pessoas. Nesse ponto, ela lembra de Hitler, que selecionou empresas que interessavam ao regime e os empregados obrigados a votar no partido. Havan?

As igrejas se encarregam da pauta moral, com certa reminiscência a um passado supostamente bom (que nunca existiu) ao qual é preciso voltar. Eis um elemento fundamental tentar dar atestado de idoneidade aos propósitos nazistas. Se no Brasil usaram os evangélicos, Hitler usou luteranos e católicos, sob o slogan Pátria, Família, Nação. Viram de onde vem o Brasil acima de tudo e Deus acima de todos?

Outro elemento importante são os médicos, os quais, por meio da Ciência, útil na eugenia – espécie de racismo disfarçado de Ciência. O que dizer do genocídio de Yanomamis? O que dizer das quase 700 mil vítimas da pandemia da Covid 19, na qual, os órgãos de classe da medicina nada fizeram, fato que estabelece estreita relação entre médicos e o projeto fascista nacional, destaca a pesquisadora.

Consolidado no poder, o passo seguinte seria o controle de leis e de vidas, e a consequente perda de cidadania. O site Apocalipse Suásticas sugere que um dos primeiros a perder cidadania seria a comunidade LGBTQIA+. Para tanto, eliminar o Poder Judiciário seria dado fundamental. Aqui, urge lembrar o cabo e o soldado citado pelo filho do ex-presidente, e os sucessivos ataques à Supremo Corte.

Controle de consciências por meio do terror, representado por um conjunto de medos, que pode ir do simples assalto na rua ao medo de perder o emprego. Sem contar os monstros representados pelos pedófilos, comunistas. Nesse conjunto de medos, por que não lembrar as imagens aterrorizantes criadas pela ex-ministra da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos do desgoverno findo?

A mestra dá conta do inequívoco renascimento do antissemitismo, posto que, inclusive, já se cogita de formas para se alcançar novamente os judeus. No submundo da net, diz ela, consta até que a culpa do crescimento da comunidade LGBTQIA+ é responsabilidade dos judeus. Irônica, diz, se antes, na Alemanha de Hitler os judeus haviam criado o comunismo, agora a desculpa é outra.

Fato: os grupos neonazistas proclamaram incondicional apoio ao ex-presidente, cujo estafe reafirmou o tempo todo a recíproca – seja por meio de símbolos, gestos, ingestão de leite em público, recriação de cenários Joseph Goebbels, motociatas, cortes de cabelo, palavras de ordem, intolerância, apitos para cachorro. Como disse a antropóloga Adriana Dias, o nosso crime é não sermos como eles…

Armando Rodrigues Coelho Neto é jornalista, delegado aposentado da Polícia Federal e ex-representante da Interpol em São Paulo

quinta-feira, 26 de janeiro de 2023

Meteoro Brasil: como fundamentalistas neopenteconstais se tornaram perigosos radicais de extrema direita em busca de poder

 

Do Meteoro Brasil:


Dizem que Deus é amor, mas ele pode ser também poder. Um plano de poder. No Brasil, até não muito tempo atrás, esse arranjo aparecia principalmente no Congresso Nacional, e tinha nome e sobrenome: bancada evangélica.



Bob Fernandes: Um Brasil doente de fanatismo fascista finge não ver o genocídio dos Yanomami, finge não ter sido golpeado pelos militares...

 

Do Canal do Analista Político Bob Fernandes:

Esse Brasil que fingia não ver assalto e genocídio nas terras Yanomami, nos últimos 6 anos, desde o impeachment de Dilma, finge também não ter sido, nas sombras, golpeado e tutelado por uma casta militar. Mas não só.

Golpe também parlamentar e jurídico, lá no início.

Com auxílio luxuoso de porções do judiciário lavajatista tornado instrumento de ascensão política e econômica.


UM BRASIL DOENTE FINGE NÃO VER O GENOCÍDIO DOS YANOMAMI, NÃO TER SIDO GOLPEADO PELOS MILITARES...

Um Brasil está doente e precisa de divã.

Fingiu, nos últimos quatro anos, não ver o genocídio dos Yanomami.

Agora, com imagens que correm o mundo, o estarrecimento.

Crianças e velhos com costelas à mostra, só pele, osso, barrigas inchadas.

Só entre as crianças Yanomami, ao menos 570 mortos. Por fome, desnutrição, doenças.

Esse Brasil que fingia não ver assalto e genocídio nas terras Yanomami, nos últimos 6 anos, desde o impeachment de Dilma, finge também não ter sido, nas sombras, golpeado e tutelado por uma casta militar. Mas não só.

Golpe também parlamentar e jurídico, lá no início.

Com auxílio luxuoso de porções do judiciário lavajatista tornado instrumento de ascensão política e econômica.

Perceba-se onde estão, o que são hoje as duas figuras centrais daquilo tudo, Moro e Dallagnol.

Estão no Congresso. Que ao impeachment se associou em maioria. Boa parte deles, em especial entre os que pontificavam, corruptos.

Isso a história se encarregaria de demonstrar nos anos seguintes àquela dantesca noitada de votação na largada do impeachment.

Invocam os acertos da Lava Jato. Não esqueçam o desnudar da Farsa e farsantes expostos na Vaza Jato.

Fingem não saber. Foi o ministro da Justiça, Moro, quem paralisou a demarcação das terras indígenas e os entregou ao banditismo.

O indigenista assassinado, Bruno Araújo, deixou a FUNAI, substituído por um evangélico inexperiente na gestão Moro.

Bruno coordenava o sensível contato com índios isolados.

E Moro havia nomeado o delegado da Polícia Federal Marcelo Xavier para a presidência da FUNAI.

Deu nisso aí.

O Brasil doente é aquele que, embora tenha meios e oportunidade para saber, prefere fingir não ter os meios e as oportunidades.

Fosse esse país uma pessoa, o diagnóstico inicial seria o da negação.

Persistindo e se agravando a patologia teríamos a recusa. Neurose que se expandiu não sem motivos.

São anos sob governo perverso, que evoluiu para a psicopatia.

Espessa a camada de recusa e fingimento. Mas no contexto pós posse de Lula e terror no 8 de janeiro, o Diário de Guerra do site Sumaúma, incrustado na Amazônia, expôs com imagens, reportagem e manchete o horror:

- Não estamos conseguindo contar os corpos.

Em quatro anos de governo de Jair, 570 crianças com menos de 5 anos morreram no território Yanomami.

Cerca de 30 mil vivem no território entre Roraima e o Amazonas. Velhos também estão morrendo às pencas.

Submetido a um apagão estatístico na era Bolsonaro, relata Sumaúma, não se sabe a dimensão da subnotificação.

Mortes por fome e suas consequências: pneumonia, vermes, diarreia.

E a malária, que se alastra, transmitida por garimpeiros picados pelos mosquitos.

O mundo estarrecido com cenas e corpos de crianças que remetem aos campos de concentração nazistas.

Lula, ministros e equipes voaram para Roraima para anunciar medidas de emergência.

700 mil mortos depois da irresponsabilidade criminosa na Covid, foragido nos EUA, Bolsonaro novamente assumiria com habitual naturalidade seu papel de genocida.

Mesmo diante do que salta aos olhos e sentidos, disse:

- Isso é uma farsa da esquerda.

Não há análise ou relato jornalístico objetivo que impeça uma constatação: Bolsonaro é um psicopata escroto.

Já vemos, lemos e ouvimos ólogos vários debatendo se o ismo da vez é ou não nazismo.

Da mesma forma assistimos nos últimos anos o “é ou não é o fascismo?”. Como se qualquer desses ismos brotasse do nada, de um dia para o outro e sem hospedeiros.

Fábio Wajngarten chefiou a Secretaria de Comunicação, SECOM, de Bolsonaro.

Agora, mesmo com imagens de corpos de crianças indígenas lembrando o horror nos campos de concentração do nazismo ele, publicamente, fingiu não ver.

No sábado, imagens estarrecendo Brasil e mundo, Wajngarten preferiu protestar contra a demissão do comandante do Exército.

E falando em “interferência nas Forças Armadas”.

Quem vai avisar ao cidadão que presidente da república é comandante-em-chefe das Forças Armadas?

E que sob omissão cúmplice também de militares, isso pra não ir além, golpistas tocaram o terror contra os Três Poderes há duas semanas?

Em que planeta habita o ex-comunicólogo do Jair?

Ele não entendeu ou fingiu não entender o significado de, em 2018, no Clube Hebraica do Rio e ao lado da bandeira de Israel, Bolsonaro usar o termo “arrobas” para definir o peso de pretos?

E de dizer isso:

- Nem um centímetro para indígena e quilombola!

O Brasil que tem como saber e finge não ver por quatro anos desconheceu o genocídio sendo exposto nos relatórios do Conselho Indigenista Missionário. Estava tudo lá.

As fotos de Rios, como Madeira entre tantos, inundados pelo mercúrio que envenena águas e pessoas.

Fingiram não ver o que o resto do mundo viu. Em todos os continentes, como aqui mostramos em uma edição só com manchetes.

Fingiram não ouvir Bolsonaro dizer: “A Amazônia não é mais nossa”.

Como não notaram a cara de espanto do aliado, o falecido Major Olímpio, ao ouvir tal disparate.

Nunca se interessaram e quando provado seguiam fingindo não ver. Diário da Câmara dos Deputados, 16 de abril de 1998. Fala o deputado Jair Bolsonaro, então projeto de genocida:

- A cavalaria brasileira foi muito incompetente. Competente, sim, foi a cavalaria norte-americana, que dizimou seus índios no passado e hoje em dia não tem esse problema em seu país.

E seguia o Messias: “Apresentei projeto para tornar sem efeito a reserva Yanomami. Para minha surpresa, até mesmo deputados da bancada amazônica votaram em peso contra esse projeto”.

O fascismo, o nazismo, não caem das árvores, são construções.

Não vê, não ouve, não sabe quem não tem como saber. Ou os que não querem ou fingem não saber.

Há quantas décadas esse Brasil finge não saber das levas de suicídio entre indígenas, principalmente jovens, entre 9, 10 e os 24, 25 anos?

E entre os Guarani Kaiowá, em Dourados, Mato Grosso do Sul, mas não apenas. Brasil afora.

Já mais de mil suicidas, o CIMI denuncia, entidades denunciam, mas esse Brasil finge não ver, não saber, e desconhecer os motivos.

Sul da Bahia, onde nasceu esse outro Brasil, que há cinco séculos era dos indígenas. Há dias mais assassinatos. E… registros protocolares.

Militares. General Mourão, ex-vice-presidente e à frente do Conselho Nacional da Amazônia Legal... E… nada.

Agora diz que Lula busca alimentar a crise com militares.

Não, general Mourão. Ou seria senador Mourão?

Aliás, antes de mais nada o general senador ou senador general precisa decidir e informar ao distinto público com que persona estamos a falar.

Com o general, com o senador ou com a dupla personalidade?

Pois, general ou senado, Lula não parece alimentar crise com militares, e sim, numa missão quase impossível, tenta minimizar a crise.

Porque militares e sua já secular fome pelo Poder e suas benesses são, eles mesmo, a crise.

General na reserva, Sérgio Etchegoyen. De família centenária no Exército.

E desde o avô, Alcides, envolvida em golpes de Estados, tentativas, quarteladas.

Disse que Lula foi covarde ao criticar militares. Por saber que nenhum general na ativa iria responder ou contestar.

É essa a percepção arrogante, prepotente, de gente acostumada a exercer a tutela. Um pavão.

General não tem que responder nada. Tem que cumprir ordens. Que emanam do ministro da Defesa e do comandante-em-chefe. No caso, o presidente.

Para profundo desgosto de Etchegoyen. Que não aceitou ter a Comissão da Verdade incluído seu pai, Leo, e seu tio, Ciro, entre militares de alguma foram responsáveis por crimes durante a última ditadura.

Um ano antes de impeachment, golpe contra Dilma, Etchegoyen e o comandante do Exército, Villas Bôas, se reuniam com o então vice Michel Temer.

Que traiu Dilma. Com apoio dos militares. Isso é a história. E está nos livros.

Na última semana, Lula demitiu o ex-comandante do Exército, general Júlio César de Arruda.

Por evidente omissão - finjamos que foi só omissão do Exército - no ataque aos Três Poderes em 8 de janeiro.

Façamos de conta seguir não entendendo o “Chame-Gente” para as portas dos quartéis por mais de dois meses.

O general Tomás Miné Paiva é o novo comandante do Exército. Às vésperas da nomeação, fez discurso bonito sobre respeito às instituições, ao voto etc.

Ok, beleza. Façamos de conta não saber do resto. Saber, atrapalha.

O general comandava até então o poderoso II Exército, o Sudeste. Baseado em São Paulo.

Durante dois meses assistimos a convescote golpista às portas do QG em São Paulo. Lula até citou o fato às vésperas da nomeação.

E Tomas Miné, como vocês já ouviram aqui algumas vezes nos últimos anos, comandava a AMAN quando, em novembro de 2014, dentro da ACADEMIA foi, ilegalmente, lançada a candidatura de Bolsonaro à presidência da República.

O general Tomás não soube, não viu a cena, gravíssima, que pra começar fere o próprio Estatuto dos Militares, a lei 6.880?

A solução, portanto, foi a solução possível para superar o impasse do momento entre o Poder Executivo e militares. Que secularmente se têm e se enxergam como tutores do Brasil.

Nesta segunda-feira, em Buenos Aires, ao lado do presidente Alberto Fernández, Lula mandou mensagens múltiplas. Para a Argentina, para a América do Sul e além.

E para os militares do Brasil; inclusive as polícias militarizadas. Mensagem essa com doses milimetricamente calibradas, calculadas.

- E tive uma boa conversa com o comandante, e ele pensa exatamente com tudo que tenho falado sobre as Forças Armadas. As Forças Armadas não servem a um político. Elas não existem para servir a um político. Ela existe para servir à soberania de nosso país.

Aguardemos capítulos futuros sobre a ânsia pela tutela militar.

E o outro Poder, esse que está acima das nações e é invisível e onipresente, O O Mercado?

Feroz combatente contra o Estado, o que tem a dizer sobre a bilionária picaretagem das Lojas Americanas?

Vocês leram, ouviram manchetes citando, sempre em Off, o que pensa “O O Mercado” sobre o bilionário tombo?

Damares. Como senadores conviverão com essa farsante que, ministra, vivia a falar sobre indígenas e crianças?

O que esse ser humano abjeto tem a dizer sobre o genocídio de crianças indígenas?

E como deputados que sejam decentes aceitarão a companhia asquerosa de Ricardo Salles?

Ele, que confessadamente arregaçou a Amazônia para sua boiada, seu gado. Que escancarou a floresta para o contrabando de madeira.

Como, vendo as imagens dos corpos de crianças indígenas, chegar perto de Salles sem ter ânsia de vômito? Ou ânsias de algo muito pior?

E os ministros da Saúde? Queiroga ou aquele também general, Pazuello?

O que têm a dizer sobre o genocídio indígena estes senhores?

A Inteligência Militar não soube de 21 alertas sobre o genocídio em andamento?

O jornalismo. De quando em quando uma reportagem alertava para a tragédia.

Eliane Brum, a mesma da Sumaúma que agora expôs as mortes de crianças indígenas, Alceu Castilho, de Olho nos Ruralistas, André Trigueiro na Globo, Rubens Valente e Fabiano Maisonnave, então na Folha, estes, estas, alguns entre os que por anos denunciaram a tragédia em andamento.

Mas as grandes corporações do jornalismo, por que não se moverem como deveriam?

Por que só se movem agora com as imagens de crianças famélicas correndo o mundo?

O que esse silêncio cúmplice tem a nos dizer sobre o jornalismo?

Porque o Agro é pop?

Há que se debater por que cada vez mais o jornalismo submete-se à doença do cliquismo, a busca estúpida, emburrecedora, pela audiência a qualquer custo.

Ao assistir por anos à Jovem Klan, entre outras e outras, empilhando influencers fascistas como se jornalistas fossem, ou jornalistas fascistas no papel de influencers. Inescapável um debate sobre o jornalismo, as mídias.

Da ausência de regulamentação, capitalista como se vê mundo afora, que busque coibir monopólios, nacional e regionais e abra espaços econômicos para o pluralismo.

Mas não apenas. Que se debata também ao que levou o fim da regulamentação da profissão de jornalista.

À profusão de Monarks, Constantinos, Figueiredos como se jornalistas fossem.

A química entre arrivistas despreparados, ou muito mal intencionados, o pior do jornalismo e estruturas fossilizadas ajuda a explicar a doença. O Brasil que finge não ver e não saber.


Yanomamis: Crise humanitária em Roraima será enviada ao Tribunal Penal Internacional em Haia. Professora da FGV explica denúncia para o UOL

 

Do UOL:

Informações do colunista do UOL Jamil Chade: A situação de crise humanitária do povo yanomami será levada ao Tribunal Penal Internacional. O UOL obteve a confirmação de que as informações começam a ser preparadas para o envio para a corte em Haia, num processo que pode ainda levar algumas semanas para ser completado e que tem como foco o ex-presidente Jair Bolsonaro. No UOL News, a professora de Direito Eloísa Machado fala sobre o assunto.



quarta-feira, 25 de janeiro de 2023

O Globo: Bolsonaro via os Yanomâmis como “ameaça” há 30 anos e se "vingou" deles por morarem em terras ricas

 

Matéria de O Globo, apresentado também pelo Blog da Cidadania:


Bolsonaro se vingou dos Ianomamis


Na Câmara, ele não conseguiu acabar com a terra indígena. Na Presidência, deixou seus habitantes morrerem de fome


Por Bernado Mello Franco


Foto: Divulgação/Carolina Antunes/PR

Jair Bolsonaro vivia seu primeiro ano em Brasília quando o governo Fernando Collor demarcou a terra ianomâmi. Três dias depois, o jovem deputado subiu à tribuna para protestar. “Essa área é a mais rica do país. Por que instituir uma reserva indígena lá?”, reclamou.

Em tom conspiratório, ele sustentou que os ianomâmis seriam uma ameaça à segurança nacional. Da noite para o dia, poderiam iniciar um movimento separatista. “A curto prazo, essa área poderá tornar-se independente, e a perderemos definitivamente”, fantasiou. Começava ali, em novembro de 1991, sua cruzada contra a maior terra indígena da Amazônia.

Bolsonaro tentou convencer o Supremo Tribunal Federal a derrubar a demarcação. Sem sucesso na Corte, apresentou um projeto para anular o ato no Congresso. “Amanhã se dirá aí que estamos massacrando os ianomâmis. Em nome dos direitos humanos, quem garante que tropas estrangeiras não vão ocupar a Amazônia?”, discursou, em 1992.

Em meio ao palavrório, o deputado deixou escapar seu real objetivo: liberar a exploração predatória da floresta. “Como o homem perdeu o paraíso através de uma maçã, os brasileiros vão perder o paraíso que é esse atual território. Não através de uma maçã, é lógico, mas através do nióbio, da cassiterita, do diamante”, disse.

A Câmara arquivou a proposta naufragou, mas Bolsonaro insistiu em perseguir os ianomâmis. Ao longo de sete mandatos, ele testou diferentes argumentos para depreciar os indígenas. No governo Fernando Henrique, alegou que eles seriam fantoches de ONGs controladas pela Casa Branca.

Na era Lula, trocou de inimigo imaginário e passou a atacar a China. A potência asiática estaria interessada em colonizar “grandes espaços vazios” nos confins da Amazônia. “Vão lotar seus cargueiros e despejar esse excesso populacional”, delirou.

Em 1998, o deputado chamou o Exército de “incompetente” por não ter aniquilado os povos originários. “Competente, sim, foi a cavalaria norte-americana, que dizimou seus índios no passado e hoje em dia não tem esse problema em seu país”, disse.

O plano de extermínio não prosperou, mas o capitão nunca se deu por vencido. Eleito presidente, ele desmontou a Funai, incentivou o garimpo ilegal e deixou os indígenas morrerem de fome. Bolsonaro se vingou dos ianomâmis.

O Globo

segunda-feira, 23 de janeiro de 2023

Leonardo Boff: Bolsonaro é o grande criminoso nacional

 

Em apelo ao STF, teólogo defende que Bolsonaro, Damares, e Salles sejam processados por seus crimes

www.brasil247.com - Teólogo Leonardo Boff

Teólogo Leonardo Boff (Foto: Reprodução)

247 - O teólogo Leonardo Boff fez um veemente apelo ao STF para que Jair Bolsonaro e seus parceiros Damares e Salles sejam processados por seus crimes.

Neste domingo (22), Boff publicou em sua conta no Twitter: "Creio que ainda em janeiro, antes que os parlamentares assumam suas funções, Bolsonaro, Damares, Salles deveriam ser processados por seus crimes.É urgente acusar criminalmente Bolsonaro e fazê-lo voltar antes que procure algum refúgio. É o grande criminoso nacional. É um apelo ao STF".

Qual é a vida que tanto se defende? (Sobre a proteção incondicional da vida já existente)

 "É inconcebível que, no Século XXI, agrupamentos populacionais estejam relegados ao descaso, ao abandono, à iniciativa sistemática de dizimação de pessoas e suas culturas. E, mais ainda, que isto seja patrocinado por um governo, cujas missões e responsabilidades se acham delimitadas na Constituição Federal e nas leis pertinentes. A gestão de Bolsonaro legou mais este tétrico episódio – sistemático – calcado na retirada dos elementos relativos à proteção e salvaguarda das comunidades, bem como dos mínimos direitos de saúde, saneamento, educação, alimentação suplementar, moradia e dignidade."

Do Espiritismo com Kardec


Conselho de Gestão ECK

 Foto: Ricardo Stuckert/ Palácio do Planalto

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“O forte deve trabalhar para o fraco”
(Resposta parcial ao item 685-a, de “O livro dos Espíritos”, de Allan Kardec).
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Atônitos. Estarrecidos. Indignados. Eis como nos sentimos desde que a mídia local (e internacional) noticiou, ontem, o descaso para com os índios Yanomamis em território da Amazônia brasileira. As cenas são fortes, lamentáveis, entristecedoras. Obviamente, qualquer cidadão brasileiro, de todos os cantos do país, recebeu em choque as imagens dos povos indígenas Yanomami de Roraima.

É inconcebível que, no Século XXI, agrupamentos populacionais estejam relegados ao descaso, ao abandono, à iniciativa sistemática de dizimação de pessoas e suas culturas. E, mais ainda, que isto seja patrocinado por um governo, cujas missões e responsabilidades se acham delimitadas na Constituição Federal e nas leis pertinentes. A gestão de Bolsonaro legou mais este tétrico episódio – sistemático – calcado na retirada dos elementos relativos à proteção e salvaguarda das comunidades, bem como dos mínimos direitos de saúde, saneamento, educação, alimentação suplementar, moradia e dignidade.

O “mote” para tal política (tanto ativa como comissiva, porque ações e omissões governamentais foram registradas e estão sendo apuradas). Já se constatou que a gestão Bolsonaro utilizou o Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República (GSI) para a liberação de garimpos ilegais, o que ocasionou a contaminação das terras e das águas por mercúrio e isto ocasiona diretamente na disponibilidade de alimento nas comunidades. Vale relembrar que, em 2022, O Ministério Público Federal (MPF), em 2022, já havia pedido a retomada das ações de proteção assim como as operações policiais de desmonte do garimpo ilegal no local.

Em paralelo, Bolsonaro também desmontou ações do Ministério da Saúde, tanto as preventivas quanto as corretivas, bem como às associadas ao saneamento básico. Em novembro do ano passado, o mesmo MPF apresentou solicitação de intervenção, ao Ministério da Saúde, em um dos distritos sanitários locais, tendo em vista a má gestão e a suspeita de desvios de recursos públicos.

Resultado: uma crise sanitária sem precedentes com os indígenas vítimas de desnutrição e outras doenças, como malária e pneumonia. O quadro já ocasionou a morte de 570 crianças nos últimos anos, das quais 505 com idade inferior a um ano e foram documentados 11.530 casos de malária na terra Yanomami, em Roraima, considerada a maior área de terras indígenas do país. A desassistência é tanta que foram suspensos os veículos de transporte dos indígenas de suas aldeias para os postos de saúde e locais de assistência, inclusive alimentar.

As autoridades governamentais, em especial o Ministro da Justiça e Segurança Pública, Flávio Dino, já determinou a abertura de inquérito para a apuração de supostos crimes ambientais e de genocídio, na premissa de que o tratamento dado pelas autoridades públicas é distante daquilo que se considera necessário e fundamental aos seres humanos, e inexistem dúvidas de que o povo indígena estava em completo abandono, diante do descaso e da indiferença do mandatário e suas equipes de governo.

Numa ação conjunta com a Ministra dos Povos Indígenas, Sônia Guajajara, está sendo construído um hospital de campanha, em parceria com as Forças Armadas, objetivando a melhora das condições de atendimento aos povos indígenas.

O descaso para as comunidades indígenas não é um “privilégio” do (des)governo Bolsonaro. Também os negros, os pardos, os lgbts, os pobres, os socialmente marginalizados também foram desprezados pela gestão federal e, especialmente, pelo então presidente, inclusive com suas piadinhas e declarações preconceituosas e infames. Felizmente, esta página já foi virada e é hora de retomar a proteção e o cuidado, sobretudo com os mais carentes. É o que se depreende, inclusive, do excerto de “O livro dos Espíritos” que abre este nosso Editorial: o fraco sendo assistido e atendido pelo forte, independente de sua etnia, escolaridade, faixa etária e condição social.

A partir desta premissa, nos perguntamos: onde está o meio espírita, institucionalizado, figurativamente nas grandes instituições locais e nacionais, para se manifestar diante deste horrendo e hediondo quadro envolvendo nossos irmãos indígenas? Em especial, todo aquele “vigor” demonstrado por entidades e lideranças espíritas ao falar da temática do aborto, com a costumeira “bandeira” do “não ao aborto” e da “proteção incondicional ao direito à vida”, onde foi parar?

Nos parece que a cruzada dos espíritas pela defesa do viver está limitada, infelizmente, a dois quadrantes da existência corporal, humana: a da concepção e a da fase terminal da vida. Ou seja, aos espíritas “em geral” importa a defesa (militante) da vida contra o aborto e a eutanásia. Dizem, eles: “a vida é dom divino”. Sim, de fato, é uma prerrogativa divina ou universal a existência corporal, que tem a finalidade de propiciar o progresso aos Espíritos, como prescrevem as obras de Allan Kardec, em vários títulos e capítulos.

Mas, senhoras e senhores, QUAL vida? E a vida com dignidade? E a vida dos Yanomamis? E as dos demais povos indígenas? E a dos negros, pardos, cafuzos, mamelucos, amarelos, brancos? Sobretudo os que estão na marginalidade, os que vivem nas ruas, ou em favelas e regiões desprovidas de qualquer estrutura? E as populações lgbts? E os transexuais? E os portadores de deficiência? E os pobres, miseráveis, de qualquer etnia?

Estes não possuem, igualmente o tal “direito à vida”, incondicionalmente? Eles não merecem políticas protetivas e de salvaguarda? Não carecem de que os “fortes” provenham suas necessidades e, principalmente, do alto das tribunas ou no âmbito de portais, sítios eletrônicos e periódicos espíritas, se levantem vozes e tintas para a DEFESA INCONDICIONAL DA VIDA dos marginalizados?

Alguém viu uma linha sequer de tais “palestrantes renomados”, “dirigentes aclamados”, “médiuns reconhecidos”, “instituições relevantes” acerca do dantesco episódio vivenciado pelos nossos irmãos Yanomamis? Não! E, talvez, a partir deste nosso Editorial, resolvam se manifestar… Ou não! Podem continuar preferindo tratar de temas mais convenientes, ou, então, como vimos há pouco, tratar estas questões apenas do ponto de vista religioso e, nas entrelinhas, combater a gestão do governo entrante e a já demonizada política – tratando-a como “assunto irritante e polêmico”. Políticas sociais, políticas públicas, políticas inclusivas, políticas governamentais devem ser, sempre, objeto de análise e posicionamento dos espíritas. Isto é da vida em sociedade (“O livro dos Espíritos”, parte terceira, capítulo VII) e do progresso dos indivíduos e povos (idem, capítulo VIII) e, ainda mais, de solidariedade, fraternidade, justiça, amor e caridade (ibidem, capítulo XI).

Espírita que não se indigna, na verve e na escrita, contra as malfadadas ações do recém-findo governo Bolsonaro, ou, pior, que se manifesta, ainda, em “apoio” ao que o mesmo representou e representa, certamente não aprendeu as lições da Espiritualidade Superior, transcritas nas diversas obras do Professor francês.

Veja-se, algumas.

No item 54, de “O livro dos Espíritos” tem-se que as diversas etnias que caracterizam a espécie humana, em várias partes da Terra são, entre si, irmãs, “porque são animados pelo espírito e tendem para o mesmo alvo”. É de se perguntar: os espíritas em geral consideram, na verve e, sobretudo, na prática, como irmãos aqueles que descrevemos linhas atrás?

Em “O evangelho segundo o Espiritismo”, no Capítulo III, “Há muitas moradas na casa de meu Pai”, itens 13 a 15 ao enfocar os Mundos de Expiações e Provas, como a Terra, Agostinho menciona a existência de raças selvagens, formadas, segundo ele, em sua maioria, de “Espíritos que apenas saíram da infância”, cujo objetivo é se desenvolverem a partir do contato com os mais adiantados. É de se perguntar: os espíritas em geral se consideram mais adiantado, com os que foram mencionados antes, a ponto de contribuírem efetivamente com o aperfeiçoamento deles?

Já em “A Gênese”, Capítulo XI, “Gênese espiritual. Raça adâmica”, novamente é mencionada a condição de certos agrupamentos humanos que estão, ainda, na “infância espiritual”, e que necessitam do amparo daqueles que já se encontram em melhores condições de civilização e progresso. É de se perguntar: os espíritas em geral, por suas instituições e lideranças, quando e o que fizeram em benefício das coletividades antes referidas?

É preciso, então, que, na vanguarda destes novos dias, em pleno terceiro milênio e no curso, já, da terceira década do Século XXI, outros espíritas assumam o protagonismo de orientações e práticas. O período religioso, calcado na ideia exclusiva da adoração e veneração aos Espíritos Superiores e da premente preocupação com o porvir (pós-morte, vida espiritual) precisa ser substituído por outras ações e discursos, implementando a fase intermediária que nos levará ao período de regeneração social. Note-se, bem: regeneração, que importa a modificação dos atuais parâmetros de vida em sociedade, substituindo um conjunto de práticas sociais para permitir avanços individuais e coletivos.

No que concerne ao tema deste Editorial, os indígenas de nosso território, em especial os da Amazônia brasileira, é preciso salientar que o bioma Amazônia não existe sem gente, sem humanidade, que é marcante nos indígenas, quilombolas e nos brancos que escolheram residir em tais agrupamentos humanos. E que este contexto requer a mais ampla proteção, para resistir às explorações extrativistas: especulação imobiliária, mineradoras, grileiros, latifundiários, monocultores e, também, o crime organizado, como para permitir que a existência (humana) dos Espíritos que ali se encontram, permita-lhes o alcance do progresso (intelecto-moral), para o natural avanço proporcionado pela encarnação.

Por isso, que o silêncio e a omissão dos espíritas diante de tais questões possa ser substituído pela indignação escrita e pela efetiva ação social espírita, seja nos ambientes mais próximos de nós como na Amazônia. A vida que se defende não pode ser somente nem a intrauterina nem a terminal, mas ela em todos os quadrantes e contextos: vida, e vida com qualidade!