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sexta-feira, 12 de setembro de 2025

UOL: 'Brasil tem sucesso onde EUA falharam', diz Steven Levitsky, Professor de Harvard, no New York Times após Bolsonaro ser condenado

 


Do UOL:

O New York Times publicou nesta sexta-feira (12) um artigo de opinião de Steven Levitsky, professor em Harvard e coautor do best-seller "Como as Democracias Morrem", e Filipe Campante, professor de economia em Johns Hopkins.



domingo, 28 de julho de 2019

Saiu no The New York Times: destruição da floresta Amazônica acelera no "governo" Bolsonaro



Jornal norte-americano destaca viés autoritário do governo e lembra de recente frase dita por Onyx Lorenzoni para jornalistas: “Aqui está uma pequena mensagem: não brinque com a gente

Do Jornal GGN:



Jornal GGN – Neste domingo (28), o New York Time publicou uma matéria sobre a relação entre o aumento da destruição da floresta Amazônica com o governo Jair Bolsonaro, por conta da redução dos esforços da gestão “para combater a extração ilegal de madeira, pecuária e mineração”.
“Proteger a Amazônia esteve no centro da política ambiental do Brasil nas últimas duas décadas. Em um ponto, o sucesso do Brasil em desacelerar a taxa de desmatamento fez dele um exemplo internacional de conservação e do esforço para combater a mudança climática”, escrevem Letícia Casado e Ernesto Londoño, que assinam a matéria.
“Mas com a eleição do presidente Jair Bolsonaro, um populista que foi multado por violar as regulamentações ambientais, o Brasil mudou substancialmente de rota, recuando dos esforços que fez para desacelerar o aquecimento global ao preservar a maior floresta tropical do mundo”, completam.
Os jornalista pontuam que, durante a campanha eleitoral, no ano passado, Bolsonaro declarou que as vastas terras protegidas do Brasil eram um obstáculo ao crescimento econômico, prometendo que iria abrir a região à exploração comercial.
Sete meses após assumir o Planalto, é isso que vem acontecendo. A Amazônia brasileira perdeu mais de 1.330 milhões de quilômetros quadrados de cobertura florestal, desde que Bolsonaro assumiu o poder. Um aumento de 39% em relação ao mesmo período do ano passado, de acordo com dados oficiais.
Somente em junho, durante a estação mais fria e seca, que facilita o corte de árvores, a taxa de desmatamento aumentou drasticamente em 80% em relação a junho de 2018.
“O desmatamento da Amazônia está aumentando à medida que o governo de Bolsonaro recua com medidas de fiscalização, como multas, advertências e apreensão ou destruição de equipamentos ilegais em áreas protegidas”, diz a reportagem.
Um levantamento com base nos registros públicos do próprio New York Times revela que as ações de fiscalização do governo brasileiro caíram em 20% nos seis primeiros meses de 2019, em comparação ao mesmo período de 2018.
A reportagem destaca que as duas tendências – o aumento do desmatamento e a crescente relutância do governo em enfrentar atividades ilegais – são preocupantes para pesquisadores, ambientalistas e ex-autoridades. Eles alegam que o mandato de Bolsonaro pode levar a perdas impressionantes de um dos recursos mais importantes do mundo.
“Estamos enfrentando o risco de desmatamento descontrolado na Amazônia”, escreveram oito ex-ministros do Meio Ambiente do Brasil em uma carta conjunta em maio, argumentando que o país precisava reforçar as medidas de proteção ambiental, e não enfraquecê-las.
Bolsonaro, por outro lado, rejeitou os dados mais recentes sobre desmatamento, chamando os dados que são do próprio governo – do INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) – de mentirosos. A declaração, tida como infundada por especialistas, aconteceu durante uma reunião com jornalistas estrangeiros, quando o presidente chamou a preocupação com o desmatamento na Amazônia de “psicose ambiental”. “A Amazônia é nossa, não sua”, prosseguiu Bolsonaro a um jornalista europeu.
“A posição do governo Bolsonaro tem atraído fortes críticas dos líderes europeus, injetando uma irritação a um acordo comercial fechado no mês passado entre a União Europeia e um bloco de quatro países sul-americanos, incluindo o Brasil”, reforça a matéria do NYT se referindo ao Mercosul.
O artigo lembra que, durante uma recente visita, à cidade de São Paulo, o ministro de Cooperação Econômica e Desenvolvimento da Alemanha, Gerd Müller, disse que proteger a Amazônia é um imperativo global, especialmente considerando o papel vital da floresta tropical na absorção e armazenamento de dióxido de carbono. Fenômeno contrário acontece quando as árvores são cortadas e queimadas, liberando mais ainda dióxido de carbono para a atmosfera, o que acelera o aquecimento global.
“A Alemanha e a Noruega ajudam a financiar um fundo de conservação de US $ 1,3 bilhão para a Amazônia, mas o governo Bolsonaro questionou sua eficácia, levantando a possibilidade de que o esforço possa ser suspenso”, escreve o NYT.
Clareira aberta na floresta pelos madeireiros, usada para manobrar os caminhões e carregar as toras. Reserva Extrativista Riozinho do Anfrísio (RESEX), Altamira, Pará | Foto: Lilo Clareto
O jornal norte-americano lembra que ainda durante a campanha eleitoral, Bolsonaro prometeu acabar com o Ministério do Meio Ambiente, mas não cumpriu essa promessa por pressão do próprio agronegócio, que temia que a medida gerasse um boicote internacional contra os produtos brasileiros.
A matéria aponta também que, pouco depois de assumir o governo, Bolsonaro tirou o Brasil do compromisso de sediar os eventos da cúpula global sobre mudanças climáticas. E, em seguida, cortou em 24% o orçamento oficial do Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis).
A reportagem lembra que Bolsonaro acusou os órgãos ambientais de fiscalização de funcionarem como “indústrias da multa” que precisam ser fechados, prometendo que, em seu governo, eles teriam a autoridade enfraquecida.
Com essas medidas, Bolsonaro se tornou alvo de críticas internacionais, todas rejeitadas por ele, “argumentando que os pedidos para preservar grandes partes do Brasil fazem parte de um plano global para impedir o desenvolvimento de seu país”.
Seguindo a mesma trajetória, neste mês, em julho, Bolsonaro acusou os líderes europeus de pressionar o Brasil por uma conservação mais forte da Amazônia, porque eles esperam desenvolvê-la no futuro. “O Brasil é como uma virgem que todo pervertido do lado de fora quer”, disse Bolsonaro.
“O Brasil já havia tentado se apresentar como um líder na proteção da Amazônia e no combate ao aquecimento global. Entre 2004 e 2012, o país criou novas áreas de conservação, aumentou o monitoramento e retirou créditos governamentais de produtores rurais que foram apanhados arrasando áreas protegidas. Isso trouxe o desmatamento ao nível mais baixo desde que os registros sobre desmatamento começaram”, pontua o NYT.
A partir de 2014, o Brasil entrou em um período de recessão tornando-o mais dependente das commodities agrícolas, especialmente dos setores de carne bovina e soja, os grandes causadores do desmatamento e de poderosos do lobbies políticos. A partir de então, os níveis de desmatamento no país voltaram a subir.
A reportagem lembra que os setores ambientais de fiscalização atacados por Bolsonaro já autuaram o político, antes de assumir a presidência.
“Em 25 de janeiro de 2012, agentes ambientais interceptaram um pequeno barco de pesca em uma reserva ecológica no estado do Rio de Janeiro que o Sr. Bolsonaro, então deputado federal, estava a bordo. Ele discutiu com os agentes por cerca de uma hora e ignorou suas exigências de que ele fosse embora, disse José Augusto Morelli, o agente responsável pela equipe”.
O jornal norte-americano ressalta que Bolsonaro nunca pagou pela multa. “No final de março, Morelli foi rebaixado do cargo, decisão que ele considera uma forma de retaliação à multa de 2012”.
A recusa de Bolsonaro em pagar a multa é comum. Quase 5% das multas ambientais no Brasil são contestadas na justiça, um processo que muitas vezes se arrasta por vários anos.
Agora, o ministro do Meio Ambiente de Bolsonaro, Ricardo Salles, quer criar um mecanismo que daria ao governo o poder de reduzir ou suspender penalidades ambientais.
O NYT diz que Salles não aceitou a vários pedidos de entrevista, entretanto respondeu algumas perguntas que foram enviadas. Em uma delas, reconheceu as deficiências das agências de fiscalização ambiental encarregadas de policiar a atividade comercial em áreas protegidas. “Mas argumentou que o sistema havia sido esvaziado pelos governos anteriores”, diz a reportagem.
“Quanto ao meio ambiente, Salles disse que o governo está priorizando problemas urbanos, como a modernização dos sistemas de gerenciamento de esgoto e tratamento de esgoto, que ele disse estarem em um estado ‘vergonhoso’”.
O NYT também conseguiu resposta do ministro-chefe da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, que chamou a preocupação ambiental “de tentativas do exterior para moldar a política ambiental do Brasil”.
“Não somos ingênuos. Existe uma visão no mundo, patrocinada por organizações não-governamentais, que relativiza a soberania do Brasil sobre a Amazônia”, disse.
O NYT lembra que, em uma recente reunião com jornalistas, o mesmo ministro disse: “Aqui está uma pequena mensagem: não brinque com a gente”.

Clique aqui para acessar a matéria do NYT na íntegra. 

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sexta-feira, 11 de janeiro de 2019

Conselho Editorial do The New York Times diz que, com Bolsonaro, 2019 será ano fatídico para o Brasil



"Mal Jair Bolsonaro tomou posse como presidente do Brasil no dia de Ano Novo, ele soltou uma enxurrada de decretos de extrema direita , minando as proteções ao meio ambiente, aos direitos indígenas à terra e à comunidade LGBT, colocando organizações não-governamentais sob monitoramento do governo e purgando governos que não compartilham sua ideologia. Este emocionado Donald Trump, que twittou com entusiasmo: "Parabéns ao presidente @JairBolsonaro que acaba de fazer um grande discurso de posse - os EUA estão com você!" " - The New York Times



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Um começo instável no Brasil (na tradução apresentada pelo GGN)
O presidente Jair Bolsonaro, apelidado de "Trump of the Trópicos", assume o poder. Com uma vingança.
O conselho editorial representa as opiniões do conselho, seu editor e o editor. É separado da redação e da seção Op-Ed.
Mal Jair Bolsonaro tomou posse como presidente do Brasil no dia de Ano Novo, ele soltou uma enxurrada de decretos de extrema direita , minando as proteções ao meio ambiente, aos direitos indígenas à terra e à comunidade LGBT, colocando organizações não-governamentais sob monitoramento do governo e purgando governos que não compartilham sua ideologia. Este emocionado Donald Trump, que twittou com entusiasmo: "Parabéns ao presidente @JairBolsonaro que acaba de fazer um grande discurso de posse - os EUA estão com você!"
O Sr. Bolsonaro devolveu o amor, twittando de volta : “Juntos, sob a proteção de Deus, vamos trazer prosperidade e progresso ao nosso povo!”
Suas ações mostram um desempenho triste, mas não inesperado, do novo líder do Brasil, um ex-oficial militar cujos 27 anos no Congresso brasileiro foram notáveis ​​apenas por insultos grosseiros a mulheres, minorias sexuais e negros. “Um bom criminoso é um criminoso morto”, declarou ele; ele prometeu enviar "bandidos vermelhos" para a prisão ou o exílio; dedicou seu voto pelo impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff ao oficial militar responsável por sua tortura sob a antiga ditadura militar.
Nada disso parecia importar para os eleitores, vivendo sob um colapso econômico, uma onda de criminalidade e um escândalo de corrupção que minou qualquer fé no establishment político. A promessa de mudança de Bolsonaro, qualquer mudança, foi suficiente para levá-lo ao poder com 55% dos votos em outubro . A linguagem de seu discurso inaugural - " Hoje é  um dia em que as pessoas se livraram do socialismo, da inversão de valores, do estatismo e do politicamente correto" - foi música para os ouvidos de sua base reacionária, investidores e do Sr. Trump, que compartilha seus valores e sua arrogância. O mercado de ações subiu para níveis recordes e o real se fortaleceu em relação ao dólar.
Mobilizar a raiva, o ódio e o medo tornou-se a estratégia familiar dos pretensos autoritários, e Bolsonaro desenhou de maneira liberal a cartilha de pessoas como Rodrigo Duterte, das Filipinas, Viktor Orban, da Hungria, e Recep Tayyip Erdogan, da Turquia. Ele também foi apelidado de “Trump dos Trópicos” por seus comentários ultrajantes e base política de cristãos evangélicos, elites endinheiradas, políticos covardes e falcões militares.
Mas atacar as minorias e fazer promessas grandiosas só valeu até agora para compensar a falta de competência governamental ou de um programa coerente. Na primeira semana da presidência de Bolsonaro, os mesmos investidores e oficiais militares que celebravam um presidente reacionário também receberam motivos para cautela. Enquanto seu ministro da Economia , Paulo Guedes, economista neoliberal educado na Universidade de Chicago, que ensinava economia no Chile durante a era Pinochet, prometeu reformar o pesado sistema previdenciário brasileiro, Bolsonaro fez comentários improvisados ​​sugerindo que estava pensando em uma idade mínima de aposentadoria bem abaixo de sua a equipe.
Ele também alarmou vários distritos eleitorais quando, ao contrário dos compromissos de campanha, falou de impostos crescentes e quando questionou uma proposta de parceria entre a Embraer e a Boeing , e quando sugeriu que permitisse uma base militar americana em solo brasileiro. Seu chefe de gabinete disse que o presidente estava "errado" com o aumento de impostos, as ações da Embraer despencaram.
O Sr. Bolsonaro está apenas começando. Como ele ganhará força, com a memória da ditadura militar ainda forte, muito dependerá da capacidade das instituições brasileiras para resistir ao seu ataque autocrático. Muito dependerá também da capacidade de Bolsonaro de realizar reformas econômicas extremamente necessárias. Esse teste começa em fevereiro, quando o novo Congresso se reúne - o presidente comanda apenas uma coalizão instável de vários partidos, e irá  encontrar forte oposição a suas reformas. Um ano fatídico começou para o Brasil.





quinta-feira, 3 de janeiro de 2019

Vídeo sobre a má impressão causada pelo discurso raso, fantasioso e populista de extrema-direita de Bolsonaro nos grandes jornais internacionais



Vídeo do Canal do Blog da Cidadania e texto do Blog da Cidadania:

Bolsonaro faz Brasil pagar mico internacional



O discurso de posse de Bolsonaro foi um amontado de baboseiras ideológicas, de insultos a adversários, de falta de educação e de mau-gosto. Não disse um A sobre os verdadeiros problemas do país. O problema da Educação, por exemplo, não é o “socialismo”. Nunca houve “socialismo no Brasil. Por conta dessa cretinice, passamos vergonha diante do mundo.
Na falta do que propor ao país, o novo presidente da República inventou uma enorme baboseira sobre um tal de “socialismo” que jamais existiu por aqui – onde já se viu bancos lucrarem como lucram os brasileiros ou existirem bilionários como os nossos em algum regime “socialista”?
Devido à estupidez desse sujeito e à má-fé de seu discurso – ele sabe que inventou essa conversa fiada sobre “socialismo” –, a imprensa internacional caiu matando, como revela o site da Veja.
Promessa de Bolsonaro de ‘livrar’ o país do socialismo repercutiu forte mundo afora. Sucederam-se na imprensa internacional relatos estupefatos de que o novo presidente brasileiro segurou uma bandeira nacional e disse estar disposto a “dar sangue” para que ela não se torne “vermelha”, em alusão à palavra de ordem de grupos militantes de extrema-direita.
Foi um mico internacional. Os maiores jornais do mundo estamparam a declaração maluca do novo chefe de Estado Brasileiro de que vai livrar o Brasil de algo que jamais existiu por aqui.
O diário inglês The Guardian chamou Bolsonaro de “populista de extrema direita” dizendo que ele convenceu os brasileiros de que pode resgatar o país da corrupção virulenta, do aumento do crime e da estagnação econômica.
O The New York Times, maior jornal do mundo, como todos os outros, destacou a invenção sobre ter existido “socialismo” no Brasil algum dia.
Já o site do diário italiano Corriere della Sera chamou Bolsonaro de “líder da extrema direita” e “populista. O jornal também criticou as “pobres referências” aos programas econômicos do novo governo e destacou que Bolsonaro “admitiu repetidamente não entender nada” sobre economia.
O francês Le Monde também deu destaque às declarações acaloradas de Bolsonaro. O jornal citou as promessas do presidente de livrar o país das “ideologias nocivas” que “destroem nossas famílias”, como as da “teoria do gênero” que abomina, ou “marxismo”, que ele acredita haver nos livros didáticos.
Tudo somado, Bolsonaro não decepcionou. Não propôs absolutamente nada para resolver o mergulho que o país está dando na pobreza e na estagnação econômica e vendeu ao seu eleitorado idiota a bobagem de que um país com tanta desigualdade e tantos multi bilionários teria algum tipo de “socialismo” causando problema.
Essa falta do que dizer se transformará em falta do que fazer em um cenário em que o Brasil está mergulhando em recessão, pobreza, desigualdade e violência. Vai demorar pouco para a bugrada cair na real. E, aí, sai de baixo, Bolsonaro, porque a impopularidade vai ser gigantesca. Aguarde.
Confira a reportagem em vídeo



domingo, 5 de março de 2017

The New York Times: "refromas" de Michel Temer são "pressão sobre os menos favorecidos"




Jornal norte-americano The New York Times critica a "desigualdade" nas reformas fiscais em curso no Brasil; jornal relata que, enquanto os trabalhadores terão benefícios cortados, juízes e políticos têm aumentos de salários e cita que o Congresso, "em vias de aprovar uma reforma previdenciária", agora está permitindo que seus membros obtenham pensão vitalícia depois de apenas dois anos; para o jornal americano, o governo defende que todos precisam aderir ao programa de austeridade, mas sua postura indica que "a pressão é sobre os menos favorecidos".

247 - O jornal norte-americano The New York Times critica a "desigualdade" nas reformas fiscais em curso no Brasil. Em reportagem publicada na sexta-feira, 3, o jornal relata que, enquanto os trabalhadores terão benefícios cortados, juízes e políticos têm aumentos de salários e cita que o Congresso, "em vias de aprovar uma reforma previdenciária", agora está permitindo que seus membros obtenham pensão vitalícia depois de apenas dois anos.


O texto lembra que Michel Temer defende o corte de gastos, mas não ajudou a sua popularidade realizar um "banquete pago com dinheiro de contribuintes" para persuadir os deputados a aprovarem suas reformas. Para o NYT, embora alguns sinais de recuperação econômica tenham surgido, a situação do povo nas ruas "conta uma história diferente".
A partir do depoimento de personagens, o jornal afirma que o governo defende que todos precisam aderir ao programa de austeridade, mas sua postura indica que "a pressão é sobre os menos favorecidos". Menciona que uma das principais "conquistas" do governo Temer - a aprovação de um teto para os gastos públicos - é também um dos seus calcanhares de Aquiles.

"O sistema tem tudo para aumentar a desigualdade, mas Temer está minimizando a ideia de que o Brasil precisa de uma reforma no estilo grego", comenta Pedro Paulo Zahluth Bastos, economista da Unicamp. A falta de cobrança de impostos sobre os rendimentos de proprietários de ações também é citada como um dos pontos críticos.

A reportagem do correspondente Simon Romero também cita a situação financeira do Rio de Janeiro, que é vista como um "case" da seriedade do problema no Brasil. Em função do descontentamento da população, completa o jornal, políticos ultraconservadores como Jair Bolsonaro vem ganhando espaço no País.
Leia em inglês a reportagem do New York Times.

sexta-feira, 2 de setembro de 2016

Do The New York Times: com o Golp impeachment, Brasil se torna vergonha mundial

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Editorial desta quinta-feira 1º do The New York Times, um dos jornais mais influentes do mundo, é dedicado ao processo de impeachment de Dilma Rousseff; "Será uma vergonha se a História mostrar que ela estava certa", diz o texto, que lembra que muitos senadores que votaram 'sim' pelo afastamento são alvos de investigação; o NYT também relembra os avanços no País com o PT no poder, mas destaca erros de Dilma, como a nomeação de Lula para a Casa Civil; sobre Michel Temer, diz que ele não deve se colocar entre as investigações da Lava Jato, rejeitando "iniciativas do legislativo com o objetivo de minar o trabalho dos promotores"; e o aconselha a respeitar a plataforma aprovada pelos brasileiros no pleito de 2014, tomando cuidado com cortes em programas sociais.


247 - O The New York Times, um dos jornais mais influentes do mundo, dedicou um de seus editoriais desta quinta-feira 1º para o cenário político brasileiro. "Será uma vergonha se a História mostrar que ela estava certa", diz o texto, em referência a Dilma Rousseff, afastada por 61 votos a 20 pelo Senado nesta quarta-feira.

O jornal lembra que muitos senadores que votaram 'sim' pelo afastamento da petista são alvos de investigação por corrupção. O NYT também relembra a trajetória do PT e "um transformando período de 13 anos" do partido no governo, mas também recorda o que considera erros de Dilma, como a nomeação do ex-presidente Lula para o ministério da Casa Civil.
Sobre Michel Temer, o jornal recomenda que ele não deve se colocar entre as investigações da Lava Jato, rejeitando "iniciativas do legislativo com o objetivo de minar o trabalho dos promotores". E aconselha o peemedebista a respeitar a plataforma aprovada pelos brasileiros no pleito de 2014, tomando cuidado com cortes do ajuste fiscal e redução em programas sociais.
Leia abaixo a íntegra do editorial, em português:
A presidente brasileira deposta
O Brasil teve quatro presidentes eleitos desde que a democracia foi restaurada, em 1985. Dois deles cumpriram seus mandatos. Na quarta-feira (31), Dilma Rousseff foi a segunda a ser deposta enquanto no cargo, em meio a um turbilhão político e denúncias de malfeitos.
Os senadores votaram por larga maioria no impeachment de Rousseff pelo uso de fundos de bancos estatais para sustentar o orçamento do governo antes de sua reeleição em 2014, o que eles consideraram um crime; alguns de seus antecessores usaram truques orçamentários semelhantes. A saída de Rousseff marca o fim de um regime transformador de 13 anos do Partido dos Trabalhadores, de esquerda, que usou as receitas do Estado geradas por um apogeu das matérias-primas para tirar milhões de pessoas da pobreza, mas perdeu o apoio quando a economia entrou em recessão nos últimos anos.
Rousseff denunciou o processo como um golpe de adversários políticos que a consideravam uma ameaça porque não impediu um inquérito sobre corrupção que envolvia dezenas de membros da classe governante do país. Rousseff comparou o caso contra ela com o período do regime militar, quando foi uma das centenas de pessoas detidas e torturadas.
"Hoje o Senado tomou uma decisão que entrará para a história como uma grande injustiça", disse ela em um discurso desafiador, depois que os legisladores votaram por 61 a 20 por seu impeachment. "Sessenta e um senadores reverteram a vontade expressa por 54,5 milhões de votos."
Rousseff prometeu combater o que ela descreveu como a tentativa de uma coalizão de políticos homens de direita, eles mesmos manchados por denúncias de corrupção, para sequestrar o processo político. "O projeto nacional progressista, inclusivo e democrático que represento está sendo interrompido por uma poderosa força conservadora e reacionária", disse ela.
Será uma vergonha se a história provar que ela tem razão. Mas o legado de Rousseff, e os fatos que levaram a sua queda, são mais complexos do que ela admite. Rousseff tornou-se profundamente impopular quando a recessão se instalou e ela não conseguiu criar a coalizão necessária para governar com eficácia. Quando investigadores da corrupção se concentraram em seu antecessor na Presidência, Luiz Inácio Lula da Silva, ela abusou de sua autoridade ao lhe dar um cargo de ministro, para protegê-lo de um processo.
Há passos concretos que o governo pode dar para começar a restaurar a fé dos brasileiros em sua elite política assolada por escândalos. Michel Temer, que se tornou presidente interino em maio quando Rousseff foi afastada, deve permitir que continuem as investigações de corrupção e rejeitar as iniciativas legislativas destinadas a enfraquecer os promotores.
Desde que ele assumiu o cargo, a economia do Brasil melhorou modestamente, conforme os mercados reagiram positivamente a seus planos econômicos, que incluem a privatização de companhias estatais e a reforma do inchado sistema de aposentadorias do país. Equilibrar o orçamento exigirá cortes dolorosos, mas Temer deve ser judicioso ao reescalonar os programas sociais que deram popularidade ao Partido dos Trabalhadores. Até que os brasileiros possam eleger um novo presidente, em 2018, ele poderia honrar o processo democrático do país ao permanecer razoavelmente fiel à plataforma que eles aprovaram na última vez.
Tradutor: Luiz Roberto Mendes Gonçalves, via UOL

sábado, 19 de março de 2016

The New York Times: Acusações contra Lula são “obscuras”



Matéria publicada hoje no New York Times fala da perseguição política contra Lula e quando tenta descrever de que o presidente é acusado, limita-se a dizer: "It is unclear what the specific charges are."  - Não está claro quais são as acusações.
Claro, porque as acusações, em nossa ditadura Globo/Moro vem apenas depois! Primeiro vem a violência, a execração midiática, a prisão preventiva perpétua. Depois vem as acusações, a investigação e, por fim, uma sentença que é apenas uma formalidade inútil.
***

Ex-President of Brazil, Luiz Inácio Lula da Silva, Faces Charges

by Simon Romero, for New York Times
RIO DE JANEIRO — Prosecutors filed charges on Wednesday against former President Luiz Inácio Lula da Silva, one ofBrazil’s most prominent political figures, shaking the country’s already anxious political establishment.
The charges, brought by prosecutors in São Paulo State, are connected to claims of money laundering and misrepresentation of assets involving a luxury apartment in the beachfront city of Guarujá. It is unclear what the specific charges are.
Federal investigators say that Mr. da Silva effectively acquired the property, a claim he denies, and that O.A.S., a construction company, paid for improvements at the apartment with funds that may have come from the giant graft scheme at Petrobras, the national oil company.
The charges came after Mr. da Silva, 70, was held for questioning and his home raided by the police last week.
While a judge still needs to decide whether to accept the charges and put Mr. da Silva on trial, the positioning of the former president at the center of the Petrobras scandal is focusing scrutiny on him — and his handpicked successor, President Dilma Rousseff. Mr. da Silva, who was president from 2003 to 2010, still wields unrivaled sway in the governing leftist Workers Party. Mr. da Silva’s supporters have condemned the legal maneuvering against him, contending it is part of a media conspiracy to oust Ms. Rousseff and prevent Mr. da Silva from running again in 2018.
In a statement, Mr. da Silva’s lawyer questioned whether the lead prosecutor in the case, Cássio Conserino, harbored political motivations.
The lawyer, Cristiano Zanin Martins, also said Mr. da Silva had never concealed paying installments toward buying the apartment but decided against taking control of the property last year.
FONTE: O Cafezinho

sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

O The New York Times afirmou - e os fatos o comprovam - que a Rede Globo é a TV que ilude, manipula e corrói o Brasil





  Um artigo publicado no jornal New York Times, e reproduzido  no site UOL, é de causar constrangimento a todo brasileiro mais crítico. Nele, Vanessa Bárbara revela com contundente precisão o quanto a TV  Globo historicamente interfere no cotidiano de um país que figura entre os de mais baixa qualificação de ensino do planeta. Lembrar que William Bonner comparou o telespectador médio de TV do país com Homer Simpson chega a ser obrigatório.


New York Times diz que a Globo é a TV que ilude o Brasil

Da Redação do Conexão Jornalismo

Gigante da mídia cativa os telespectadores com novelas vazias e comentários ineptos no noticiário.


Vanessa Barbara, no International New York Times, via UOL

Em São Paulo

No ano passado, a revista "The Economist" publicou um artigo sobre a Rede Globo, a maior emissora do Brasil. Ela relatou que "91 milhões de pessoas, pouco menos da metade da população, a assistem todo dia: o tipo de audiência que, nos Estados Unidos, só se tem uma vez por ano, e apenas para a emissora detentora dos direitos naquele ano de transmitir a partida do Super Bowl, a final do futebol americano".

Esse número pode parecer exagerado, mas basta andar por uma quadra para que pareça conservador. Em todo lugar aonde vou há um televisor ligado, geralmente na Globo, e todo mundo a está assistindo hipnoticamente.

Sem causar surpresa, um estudo de 2011 apoiado pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) apontou que o percentual de lares com um aparelho de televisão em 2011 (96,9) era maior do que o percentual de lares com um refrigerador (95,8) e que 64% tinham mais de um televisor. Outros pesquisadores relataram que os brasileiros assistem em média quatro horas e 31 minutos de TV por dia útil, e quatro horas e 14 minutos nos fins de semana; 73% assistem TV todo dia e apenas 4% nunca assistem televisão regularmente (eu sou uma destes últimos).

Entre eles, a Globo é ubíqua. Apesar de sua audiência estar em declínio há décadas, sua fatia ainda é de cerca de 34%. Sua concorrente mais próxima, a Record, tem 15%.

Assim, o que essa presença onipenetrante significa? Em um país onde a educação deixa a desejar (a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico classificou o Brasil recentemente em 60º lugar entre 76 países em desempenho médio nos testes internacionais de avaliação de estudantes), implica que um conjunto de valores e pontos de vista sociais é amplamente compartilhado. Além disso, por ser a maior empresa de mídia da América Latina, a Globo pode exercer influência considerável sobre nossa política.

Um exemplo: há dois anos, em um leve pedido de desculpas, o grupo Globo confessou ter apoiado a ditadura militar do Brasil entre 1964 e 1985. "À luz da História, contudo", o grupo disse, "não há por que não reconhecer, hoje, explicitamente, que o apoio foi um erro, assim como equivocadas foram outras decisões editoriais do período que decorreram desse desacerto original".

Com esses riscos em mente, e em nome do bom jornalismo, eu assisti a um dia inteiro de programação da Globo em uma terça-feira recente, para ver o que podia aprender sobre os valores e ideias que ela promove.

A primeira coisa que a maioria das pessoas assiste toda manhã é o noticiário local, depois o noticiário nacional. A partir desses, é possível inferir que não há nada mais importante na vida do que o clima e o trânsito. O fato de nossa presidente, Dilma Rousseff, enfrentar um sério risco de impeachment e que seu principal oponente político, Eduardo Cunha, o presidente da Câmara, está sendo investigado por receber propina, recebe menos tempo no ar do que os detalhes dos congestionamentos. Esses boletins são atualizados pelo menos seis vezes por dia, com os âncoras conversando amigavelmente, como tias velhas na hora do chá, sobre o calor ou a chuva.

A partir dos talk shows matinais e outros programas, eu aprendi que o segredo da vida é ser famoso, rico, vagamente religioso e "do bem". Todo mundo no ar ama todo mundo e sorri o tempo todo. Histórias maravilhosas foram contadas de pessoas com deficiência que tiveram a força de vontade para serem bem-sucedidas em seus empregos. Especialistas e celebridades discutiam isso e outros assuntos com notável superficialidade.

Eu decidi pular os programas da tarde -a maioria reprises de novelas e filmes de Hollywood- e ir direto ao noticiário do horário nobre.

Há dez anos, um âncora da Globo, William Bonner, comparou o telespectador médio do noticiário "Jornal Nacional" a Homer Simpson -incapaz de entender notícias complexas. Pelo que vi, esse padrão ainda se aplica. Um segmento sobre a escassez de água em São Paulo, por exemplo, foi destacado por um repórter, presente no jardim zoológico local, que disse ironicamente "É possível ver a expressão preocupada do leão com a crise da água".

Assistir à Globo significa se acostumar a chavões e fórmulas cansadas: muitos textos de notícias incluem pequenos trocadilhos no final ou uma futilidade dita por um transeunte. "Dunga disse que gosta de sorrir", disse um repórter sobre o técnico da seleção brasileira. Com frequência, alguns poucos segundos são dedicados a notícias perturbadoras, como a revelação de que São Paulo manteria dados operacionais sobre a gestão de águas do Estado em segredo por 25 anos, enquanto minutos inteiros são gastos em assuntos como "o resgate de um homem que se afogava causa espanto e surpresa em uma pequena cidade".

O restante da noite foi preenchido com novelas, a partir das quais se pode aprender que as mulheres sempre usam maquiagem pesada, brincos enormes, unhas esmaltadas, saias justas, salto alto e cabelo liso. (Com base nisso, acho que não sou uma mulher.) As personagens femininas são boas ou ruins, mas unanimemente magras. Elas lutam umas com as outras pelos homens. Seu propósito supremo na vida é vestir um vestido de noiva, dar à luz a um bebê loiro ou aparecer na televisão, ou todas as opções anteriores. Pessoas normais têm mordomos em suas casas, que são visitadas por encanadores atraentes que seduzem donas de casa entediadas.

Duas das três atuais novelas falam sobre favelas, mas há pouca semelhança com a realidade. Politicamente, elas têm uma inclinação conservadora. "A Regra do Jogo", por exemplo, tem um personagem que, em um episódio, alega ser um advogado de direitos humanos que trabalha para a Anistia Internacional visando contrabandear para dentro dos presídios materiais para fabricação de bombas para os presos. A organização de defesa se queixou publicamente disso, acusando a Globo de tentar difamar os trabalhadores de direitos humanos por todo o Brasil.

Apesar do nível técnico elevado da produção, as novelas foram dolorosas de assistir, com suas altas doses de preconceito, melodrama, diálogo ruim e clichês.

Mas elas tiveram seu efeito. Ao final do dia, eu me senti menos preocupada com a crise da água ou com a possibilidade de outro golpe militar -assim como o leão apático e as mulheres vazias das novelas.

* Vanessa Barbara é uma colunista do jornal "O Estado de São Paulo" e editora do site literário "A Hortaliça".
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