"Quando vejo as agressões ao Chico — e não estou falando do bate-boca na calçada, mas da campanha difamatória da qual os ignorantes do Leblon são meros leitores —, para mim é como se chutassem uma santa ou rasgassem a Torá. Como sou a favor da liberdade total de expressão, inclusive quando ela fere o sagrado dos outros, limito-me a torcer para que passem a eternidade ouvindo Lobão e Fábio Jr., intercalados com discursos do Alexandre Frota e Cunha tocando bateria. Uma coisa é certa: a oposição e sua trilha sonora se merecem."
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segunda-feira, 28 de dezembro de 2015
terça-feira, 28 de julho de 2015
Articulista do Portal Fórum discute o raro momento de lucidez e humor de qualidade na tv, no programa Zorra em quadro que satiriza os coxinhas e os saudosistas da Ditadura militar
O dia em que, na Globo, um programa humorístico fez humor político de qualidade

Uma grande sacada dos roteiristas do Zorra Total: parodiar os festivais de música popular brasileira fins da década de 1960 criticando os que pedem a volta da Ditadura.
Várias Tvs brasileiras promoveram festivais musicais naquela época, o mais famoso e que bateu recorde de audiência foi o de 1967 da TV Record, feito que entrou para o Guinness Book.
A Globo, na esteira das emissoras como a Excelsior, Record, Tv Rio, Tv Tupi, passou a produzi-los e adotou o nome dado pela Tv Rio: FIC (Festival Internacional da Canção).
Na paródia feita pelo programa Zorra (ex- Zorra Total) que será (foi) exibido hoje à noite (25/07) e está disponível em seu site, no lugar das músicas de protestos entram canções reacionárias, com apresentadores vestidos em traje de gala, ao estilo dos apresentadores dos clássicos festivais da Record, orquestra no palco, plateia, flores para decoração.
Cheio de pompa e circunstância os apresentadores anunciam a abertura do FICO- Festival Internacional do Coxinha, o primeiro festival musical de apoio à volta da ditadura.
A jovem guarda e suas cantoras estilo ternuninha viram guardas jovens: e no lugar de “Pare o Casamento” cantado por Wanderléa, jovens atrizes globais aparecem vestidas de guardas e cantam um “Seeeeenhor miliiiiico pare os rolezinhos”.
Disparada de Jair Rodrigues, vira Disparate, uma paródia pedindo a volta da censura e cantada por “Capitão Rodrigues”.
A banda do Legislativo – Corrupção Urbana- , canta a volta do pau de arara num xote que abomina a classe C, os aeroportos cheios de pobres viajando de avião pós Era Lula. Travestidos como deputados mauricinhos, estilizados como o mais caricato deles, Bolsonaro, eles louvam a ditadura.
Enquanto a plateia de coxinhas vibra com cartazes repletos de frases em prol da ditadura: “o povo não tem cura, volta ditadura” os apresentadores anunciam a próxima atração do FICO: um Chico Buarque às avessas cantando a Banda às avessas, vestido com camisa polo, cardigã amarrado no pescoço, bem coxinha, bem almofadinha, bem mauricinho, a Banda marcial Almeida Prado Melo Franco de Holanda pratica autotrollagem: “dá choque neste coxinha que adora torturador”
Encerrando o festival “Os Paramilitares do Retrocesso” fazem a crítica à truculência das PM brasileiras: “Dou porrada em playboy black bloc e peão, a gente não livra ninguém”
Assistam ao quadro e apreciem a raridade que é o Zorra (ex- Zorra Total) fazer humor político e com qualidade:
PS. Um leitor me informou que toda a direção do Ex Zorra Total, atual Zorra foi trocada e tem outra proposta.
Aleluia, pelo visto ao menos neste programa, a Globo vai abandonar os lixos que andou produzindo nas últimas décadas nos supostos programas de humor, como o lamentável, reacionário e preconceituosoCasseta & Planeta que, infelizmente, substituiu o genial TV Pirata e parece que para compensar o novo Zorraabrirá mão de fazer piadas sem graça atacando grupos estigmatizados na sociedade. Aleluia!
Veja a matéria do Mauricio Stycer sobre o novo programa: “No ‘Zorra’ é proibido piada homofóbica”, conta Marcius Melhem.
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