quarta-feira, 29 de junho de 2016

Bob Fernandes sobre discursos e Patos... Bolsonaro, PMDB, PSDB, PT, DEM, empresários & escândalos



Mais um excelente comentário do analista da TV Gazeta Bob Fernandes, em vídeo e texto:



Sobre discursos e Patos... Bolsonaro, PMDB, PSDB, PT, DEM, empresários & escândalos

A correia de transmissão da Politica é o discurso. Discurso nos palanques, encontros...

...Discurso nas mídias, onde se constrói ou se desconstrói como mostram exemplos do hoje e do ontem...

Bolsonaro agora é réu no Supremo, acusado de "incentivo ao estupro". E investigado no conselho de ética da câmara por quebra do decoro ao homenagear o torturador Ulstra.


Por ora mudou o tom do discurso do deputado, que já defendeu nova ditadura e "morte de uns 30 mil". Discursa Bolsonaro agora:

-...Apelo humildemente aos ministros do Supremo...

Há um ano, num restaurante, Danilo Amaral, debochou do ex-ministro Padilha e do "Programa Mais Médicos". Danilo, então, discursou: "Nós, otários..." etc.

Agora Danilo está nas páginas policiais, citado na delação da família Machado. Como sócio da empresa Trindade, que teria recebido R$ 30 milhões no "Petrolão".

Por décadas PT e seus líderes discursaram contra a "roubalheira" do PMDB, PSDB, e em favor da ética... Quanto à ética, deu no que deu...

Nascida na farsa do discurso anticorrupção, a Ditadura cairia marcada pela violência, e pela corrupção.

Combatente contra a Ditadura, do MDB nasceria o PMDB de Quércia, Newtão Cardoso, Barbalhos, Sarneys, Renans e Cunha, entre tantas outras Temeridades...

Discursos contra os "ladrões do PMDB" embalaram a dissidência do partido que se transformaria no PSDB... O Partido que compraria a reeleição, entre tantos outros feitos.

E os discursos éticos do DEM, do Agripino, do Pauderney, do Paulinho da Força...entre muitos?

E as manchetes com discursos de personagens que deveriam estar nas manchetes policiais?

Júlio Plácido, sócio da J2A Eventos, manifestante recentíssimo, discursava em posts. Pregava "a morte", o assassinato de Haddad, Lula, e chamava a presidente Dilma de "Vaca"...

...Julio Plácido agora acusado no escândalo "Boca Livre", esse da Lei Rouanet.

Nos anos 70 um livro/panfleto se tornaria um clássico nos enfrentamentos; inescapáveis em tempos de ditaduras.

O panfleto radiografava o discurso dos personagens de Walt Disney e chamava-se "Para ler o Pato Donald".

Diante dos discursos do hoje, talvez seja a hora da paródia... "Para ler O Pato e os Patos".


Michel Löwy tenta compreender posicionamento progressista e crítico do neoliberalismo do Papa Francisco


Para filósofo marxista, que estuda Teologia da Libertação há décadas, Papa vai além da defesa dos pobre e busca alternativas à própria lógica da mercantilização. Ele acrescenta: esquerda deveria inspirar-se nas igrejas para retomar trabalho de base
Entrevista a Gabriel Brito, no IHU (também no Outras Palavras)
O papado de Francisco continua a alvoroçar o catolicismo e a opinião pública mundiais, num pontificado que, ao lado da promessa de fomento à “opção pelos pobres”, tem ousado fazer críticas às engrenagens de um capitalismo em crise em níveis bem acima do esperado. Para discutir o papel daquele que muitos consideram o maior líder político da atualidade, o Correio da Cidadania entrevistou o filósofo franco-brasileiro Michael Löwy, estudioso da Teologia da Libertação.
“Obviamente, ele pretende levar a sério o compromisso da Igreja com os pobres, suprimir os vínculos dos bancos do Vaticano com a máfia e tentar reduzir o poder conservador da Cúria Romana. Sua tentativa de elaborar uma concepção um pouco mais aberta da família e da sexualidade foi diluída pelo Sínodo dos Cardeais… Há muitas resistências. Parece que os setores mais reacionários da Igreja têm uma prece especial sobre Bergoglio: ‘Nosso Pai que está no Céu, ilumine-o ou… Elimine-o’”, pontuou.
Ao mesmo tempo em que reconhece o papel e importância do novo papado, Löwy contrabalança parte da visão otimista que existe hoje relativamente às posturas de Francisco. Não por conta da polêmica em relação à ditadura argentina, mas por ponderar que a crítica ao capitalismo e aos modos de acumulação fazem parte da tradição da Igreja. O filósofo faz questão, de toda forma, de ressaltar, que “a esquerda deve tratar com respeito as convicções religiosas e considerar os militantes cristãos de esquerda como parte essencial do movimento de emancipação dos oprimidos. A teologia da libertação nos ensina também a importância da ética no processo de conscientização e a prioridade do trabalho de base”.
Na entrevista, Löwy também comenta o encontro do Papa em Havana com o patriarca Kiril, líder da Igreja Ortodoxa russa, e avalia a possibilidade de união entre as três grandes religiões monoteístas frente ao capitalismo, entre outras observações que podem ser lidas na íntegra a seguir.
Correio da Cidadania: Quem é Papa Francisco? O que pretende?
Michael Löwy: Gostaria, antes de responder sua pergunta, de homenagear a memória do fundador do Correio da Cidadania, meu querido amigo e companheiro de lutas Plínio de Arruda Sampaio, um cristão socialista comprometido com a luta do povo brasileiro por sua emancipação, um adversário intransigente da ditadura militar, do latifúndio, do imperialismo e do perverso sistema capitalista. Sua vida foi um exemplo de coerência ética e política, de dignidade e de coragem.
Jorge Mario Bergoglio, o Papa Francisco, não era considerado um homem de esquerda. Seu comportamento durante a ditadura militar argentina é um exemplo de “pecado por omissão”: não apoiou e tampouco se opôs ao regime. Não é, portanto, surpreendente que tenha sido eleito Pontifex Maximum pelo mesmo conclave que havia eleito Ratzinger – Bento XVI – pouco tempo antes.
Entretanto, apenas eleito, surpreendeu por uma sucessão de iniciativas corajosas, a começar pela visita a Lampedusa, para denunciar o tratamento dado pela Europa aos refugiados (muçulmanos em sua maioria). Em relação à Teologia da Libertação, sua atitude é radicalmente distinta da dos dois pontífices anteriores: Gustavo Gutierrez foi convidado ao Vaticano e o processo de canonização de Monsenhor Romero, aberto. Se lemos atentamente as encíclicas de Bergoglio, percebe-se a influência de uma corrente importante do catolicismo da Argentina: a Teologia da Libertação não-marxista, representada por pensadores como Juan Carlos Scannone.
Obviamente, ele pretende levar a sério o compromisso da Igreja com os pobres, suprimir os vínculos dos bancos do Vaticano com a máfia e tentar reduzir o poder conservador da Cúria Romana. Será que conseguirá? Sua tentativa de elaborar uma concepção um pouco mais aberta da família e da sexualidade foi diluída pelo Sínodo dos Cardeais… Há muitas resistências. Parece que os setores mais reacionários da Igreja têm uma prece especial sobre Bergoglio: “Nosso Pai que está no Céu, ilumine-o ou… Elimine-o”.
A encíclica Laudato Si ataca frontalmente o sistema capitalista. O que isto significa vindo de um Papa?
Bergoglio não é marxista e a palavra “capitalismo” não aparece na Encíclica. Mas fica muito claro que para ele os dramáticos problemas ecológicos de nossa época resultam das “engrenagens da atual economia globalizada”, engrenagens que constituem um sistema global, “um sistema de relações comerciais e de propriedade estruturalmente perverso”.
Quais são, para Francisco, estas características “estruturalmente perversas”? Antes de tudo, é um sistema no qual predominam “os interesses ilimitados das empresas” e “uma discutível racionalidade econômica”, uma racionalidade instrumental que tem por único objetivo aumentar o lucro. Para o Papa, esta perversidade não é própria de um país ou outro, mas de “um sistema mundial, onde predominam a especulação e o princípio de maximização do lucro, e uma busca de rentabilidade financeira que tende a ignorar todo o contexto e os efeitos sobre a dignidade humana e o meio ambiente. Assim, se manifesta a íntima relação entre degradação ambiental e degradação humana e ética”.
A obsessão do crescimento ilimitado, o consumismo, a tecnocracia, o domínio absoluto da finança e a divinização do mercado são outras características perversas do sistema. Em sua lógica destrutiva, tudo se reduz ao mercado e ao “cálculo financeiro de custos e benefícios”. Mas sabemos que “o meio ambiente é um desses bens que os mecanismos de mercado não são capazes de defender ou de promover adequadamente”.  O mercado é incapaz de levar em conta valores qualitativos, éticos, sociais, humanos ou naturais, isto é, “valores que excedem cálculos”.
O poder “absoluto” do capital financeiro especulativo é um aspecto essencial do sistema, como revelou a recente crise bancária. O comentário da Encíclica é contundente: “a salvação dos bancos a todo custo, fazendo a população pagar o preço, confirma o domínio absoluto das finanças que não têm futuro e só pode gerar novas crises, depois de uma longa, custosa e aparente cura”.
Sempre associando a questão ecológica e a questão social, Francisco constata: “a mesma lógica que dificulta tomar medidas drásticas para inverter a tendência ao aquecimento global é a que não permite cumprir com o objetivo de erradicar a pobreza”.
Existe uma longa tradição de crítica do capitalismo liberal, ou dos “excessos ” do capital na Igreja Católica. Mas nenhum Papa foi tão longe nesta condenação como Francisco.
Em 12 de fevereiro, Papa Francisco e o e o Patriarca Kirill, encontraram-se em nome de suas igrejas quase 1.000 anos após o cisma, em Cuba, e assinaram um documento que contém este texto:
“O nosso encontro fraterno teve lugar em Cuba, encruzilhada entre Norte e Sul, entre Leste e Oeste. A partir desta ilha, símbolo das esperanças do “Novo Mundo” e dos acontecimentos dramáticos da história do século XX, dirigimos a nossa palavra a todos os povos da América Latina e dos outros continentes”.
Um “Novo Mundo” na visão dos dois líderes religiosos é um mundo socialista?
Francamente, não atribuo tanta importância a este encontro, que tem mais a ver com a diplomacia das relações inter-religosas do que com a revolução cubana… O “Novo Mundo” de que falam não é o “mundo socialista”, mas simplesmente o continente americano, designado há séculos como “Novo Mundo”. O conceito de “socialismo” não faz parte do vocabulário de nenhum do dois líderes religiosos.
O que a Teologia da Libertação tem a ensinar para a esquerda mundial, considerando suas diferentes correntes de pensamento?
Em primeiro lugar, ela nos ensina que a religião pode ser outra coisa, diferente de simples “ópio do povo”. Aliás, Marx e Engels já haviam previsto a possibilidade de movimentos religiosos com uma dinâmica anticapitalista. A esquerda deve tratar com respeito as convicções religiosas e considerar os militantes cristãos de esquerda como parte essencial do movimento de emancipação dos oprimidos. A Teologia da Libertação nos ensina também a importância da ética no processo de conscientização e a prioridade do trabalho de base, junto às classes populares, em seus bairros, igrejas, comunidades rurais e escolas.
Uma unidade política de caráter anticapitalista e anti-imperialista entre as grandes religiões monoteístas (Cristã, Judaica e Islã) é possível no ponto de vista de alguns teólogos e mais, fundamental para superar o capitalismo em escala global. O que pensa sobre isso? É possível superar o capitalismo sem esta unidade?
Não acredito em unidade anticapitalista das “grandes religiões monoteístas”… O que pode existir é uma convergência ecumênica entre correntes progressistas, anticapitalistas, anti-imperialistas, ecologicamente conscientes, em todas as religiões, não só as três que menciona. Por exemplo, o budismo, o hinduísmo, religiões africanas, umbanda, candomblé, religiões indígenas das Américas etc.
Já existem redes progressistas, como a Associação de Teólogos do Terceiro Mundo, que é ecumênica. Não sei se superar o capitalismo sem esta convergência é possível ou não, mas ela é uma contribuição importante para a conscientização de amplas camadas populares.
A igreja católica no Brasil está alinhada ao Papa Francisco?
Boa parte dos bispos da CNBB está alinhada com Francisco. Alguns até gostariam que ele fosse mais longe. Outros, pelo contrário, acham que ele está colocando em perigo a doutrina da fé e tentam colocar obstáculos para suas propostas. Mas a Igreja brasileira, apesar de seus limites, em particular no que concerne ao direito das mulheres sobre seu corpo – divórcio, contracepção, aborto – é uma das mais progressistas do mundo católico.
Objetivamente, Papa Francisco tem condições de criar uma unidade internacional de caráter progressista para enfrentamento ao capitalismo?
Não! Nem objetivamente, nem subjetivamente. O Papa não se coloca tarefas deste tipo! Para enfrentar o capitalismo necessitamos da unidade internacional dos trabalhadores, da juventude, das mulheres, dos indígenas, dos explorados e oprimidos, que são a esmagadora maioria da humanidade. O Papa poderá, eventualmente, contribuir para uma tomada de consciência social e ecológica de um amplo setor dos fieis católicos. Já é muito!
A “Opção Preferencial pelos Pobres”, conjunto de ideias e ações práticas contrárias à lógica da acumulação e retenção de capital do atual sistema político e econômico, se colocada plenamente em prática resultará em confrontos violentos. Como se posicionará o Papa neste cenário, em sua avaliação?
A Igreja, tradicionalmente, busca “evitar” os confrontos violentos. Mas na Conferência de Medellín dos bispos latino-americanos, em 1968, foi adotada uma resolução importante que reconhece o direito de insurreição do povo contra tiranias e estruturas opressivas. Como sabemos, alguns membros do clero levaram sua opção libertária e seu compromisso com a luta dos pobres até as últimas consequências, participando de movimentos armados de emancipação.
Foi o caso de Camilo Torres na Colômbia, que resolveu aderir ao Exército de Libertação Nacional e foi morto em combate em 1966. Poucos anos depois, um grupo de jovens dominicanos deu seu apoio à ALN, dirigida por Carlos Marighella, no combate contra a ditadura militar. E nos anos 1970, os irmãos Cardenal e vários outros religiosos participaram da Frente Nacional de Libertação da Nicarágua.
É difícil prever, no momento atual, que tipo de “confrontos violentos” se darão contra o sistema capitalista, e menos ainda qual será a posição do Papa Francisco frente a uma situação deste tipo.
Mudando de assunto, mas para não deixar escapar a oportunidade, como você enxerga o atual momento político brasileiro? Que desfecho gostaria que a crise política, econômica, social e ética tivesse?
Vejo a conjuntura brasileira atual com muita preocupação. Tenho muitas críticas ao governo de Dilma Rousseff, fez demasiadas concessões ao capital financeiro, aos bancos, aos latifundiários e tomou várias medidas opostas aos interesses das classes populares. Por outro lado, não posso deixar de manifestar um repúdio categórico à aprovação do processo de impeachment que afastou a presidente, um verdadeiro golpe de Estado pseudo-legal.
É uma verdadeira farsa tragicômica o que acaba de se passar no Congresso: uma quadrilha de gângsteres políticos, comprometida com os escândalos de corrupção, derruba a presidenta democraticamente eleita – um dos poucos políticos não acusados de corrupção, – por supostas “irregularidades administrativas”. Tudo isso em nome de “Deus”, da “Pátria”, da “Família”, se escondendo atrás da bandeira nacional. Sem falar nos adeptos da ditadura militar e dos métodos de tortura do coronel Ustra. Uma vergonha!
É triste ver como o Partido dos Trabalhadores, que em sua origem tinha uma grande coerência ética e política, acabou sendo envolvido no escândalo da Petrobras. Mas ele está longe de ser o único! É absurdo pretender, como o faz a média conservadora, que o PT tem o monopólio da corrupção: os principais dirigentes da oposição, a começar pelo famigerado Eduardo Cunha – e dezenas de outros, do PSDB, do PMDB, do PP etc. – estão comprometidos com o “assunto”.
Minha esperança é que a Frente Brasil Popular, que inclui partidos de esquerda e movimentos sociais, consiga seus objetivos: ao mesmo tempo impedir o golpe e obrigar o governo de Dilma a romper com as políticas neoliberais. Só uma ampla mobilização do povo brasileiro, dos trabalhadores, da juventude, das mulheres, dos negros, de todos os explorados e oprimidos, poderá por um fim à tentativa da oligarquia reacionária de tomar o poder e acabar com a democracia no Brasil.
Minhas simpatias vão ao Partido do Socialismo e da Liberdade (PSOL), um dos poucos a não estar comprometido com Lava Jatos e outras ignomínias; ele é, a meu ver, o digno herdeiro do que de melhor havia no PT das origens, quando ainda se propunha a acabar com o grande inimigo dos trabalhadores e da democracia: o sistema capitalista.

segunda-feira, 27 de junho de 2016

O Fascismo do Século XXI e a Classe Média Brasileira, por André Calixtre




Há sinais claros de que uma parcela influente da sociedade brasileira está se aproximando cada vez mais dos valores totalitários específicos do fascismo.


Texto de André Calixtre / Carta Maior


Quem algum dia teve estômago para assistir ao maravilhoso e grotesco “Salo, 120 dias de Sodoma”, de Pasolini, encontrou lá a definição mais aguda sobre o fascismo e suas peculiaridades ante outras formas de totalitarismo. No filme, Pasolini escancara ao público uma personagem absurdamente banal e monstruosa de Mussolini, que se enclausura com sua alta cúpula de governo em uma mansão de campo, levando com ele dezenas de jovens, homens e mulheres, com as quais praticaria os mais abomináveis atos possíveis e imagináveis pela mente humana.

O que é que Salo tem que ajudaria a compreender a sociedade brasileira nos dias de hoje? Muito. Há sinais claros de que uma parcela influente da sociedade brasileira está se aproximando cada vez mais dos valores totalitários específicos do fascismo.

Essa percepção não vem somente dos recentes episódios de espancamentos físicos e morais de pessoas comuns, na maioria mulheres, inclusive mães com bebês, única e exclusivamente devido à roupa vermelha utilizada em espaço público. Não, a percepção de que o Brasil está gestando o fascismo do século XXI vem do comportamento de suas instituições, ou melhor, do estado de sítio a que elas estão sendo progressivamente submetidas.

O obsoleto sistema político brasileiro adotou como estratégia de sobrevivência o abandono das principais regras de convivência democrática, em prol do objetivo inescrupuloso de retirar do poder, a qualquer custo e sem fato concreto, um presidente democraticamente eleito. A celebração dessa festa bizarra assumiu contornos alarmantes quando nenhuma repreensão, fora do campo democrático, foi vista diante do vazamento a veículos alheios ao devido processo legal de escutas ilegais da mandatária máxima à mídia encastelada na defesa de seus interesses de derrubar o governo, expondo as garantias constitucionais aos ouvidos de todos.

A democracia é uma instituição frágil, convive mal com os sentimentos dos homens; mas tende a se consolidar na sociedade se houver tempo para florescer, e o Brasil esta longe desse exemplo. Na última década, a combinação das redes sociais com o decadente sistema político fermentou novas bases de avanço do fascismo, conferindo voz pública a pessoas que restringiam suas manifestações grotescas às mesas de bar, aos cultos, às lojas e agremiações sociais e à tribuna exercida por partidos antes nanicos e exóticos. Atores políticos participaram do banquete antropofágico e utilizaram a fragilidade das instituições democráticas para golpear valores fundamentais de nossa sociedade moderna. Em poucos anos, temos em curso a redução da maioridade penal, a restrição do conceito de família, a criminalização dos movimentos sociais, o ataque a múltiplos direitos fundamentais da seguridade social, a entrega da soberania sobre os recursos naturais às grandes corporações transnacionais. O fascismo do século XXI vai-se fortalecendo na desconstrução dos direitos constitucionais pactuados pela redemocratização.

Hannah Arendt ensina que a força totalitária espreita a qualquer ação política, mesmo dentro da democracia, alimentando-se de todos os campos ideológicos. O fascismo (considerando suas inúmeras variantes históricas) é a forma mais brutal desse governo, mas, para ele existir, precisa estar sempre hígido, cheiroso, impecável. O fascismo nutre-se do sentimento de pureza das pessoas de bem ao seu redor, em suas camisas negras ou verdes-amarelas, convictas de que contribuem para a ampliação da democracia, quando fazem o inverso. Atrás da montanha de vaidades construída pela “beleza” fascista é que se operam os campos de concentração na Sodoma dos homens.

Nesse invólucro que protege o fascismo dele mesmo, os cidadãos do lado claro da montanha não podem saber o que acontece no lado escuro dela. Enquanto a turba ocupa as ruas exigindo candidamente o verde-amarelo do fim da corrupção (de toda a corrupção!), o fascismo corrompe o sistema democrático ao turvar as garantias individuais em nome do jogo de poder. Juízes transformam-se em justiceiros e assumem as feições sobre-humanas do fascismo. Heróis acima da lei capazes de guiar o destino dos homens comuns. O fascismo é uma epopeia peculiar, pois se mobiliza nos heróis-ninguéns, em pessoas esquecidas pelas elites sociais, culturais ou intelectuais que, repentinamente, são alçadas à condição de semideuses. Não é por menos que, nos períodos em que o fascismo impera como sistema, a produção artística rebaixa-se em quantidade e, principalmente, em qualidade.

A Classe Média é a referência política de qualquer sistema social moderno e capitalista. Por isso, a disputa do fascismo está dentro de seus determinantes, na qual esse avança à medida que o sistema político não encontra mais formas de equacionar democraticamente o conflito distributivo no interior do desenvolvimento socioeconômico. Diferentemente do que afirmou Mussolini ao definir a sociedade por meio de um Estado totalitário em que nada estaria abaixo dele, o fascismo na verdade representa uma ruptura radical da separação entre Estado e Indivíduo, fundindo-os numa força sem regras que limitem a existência de ambos. A engenharia social, ao mesmo tempo racista e racionalista, é a principal propaganda de atração dos descontentes e dos desesperados em meio às crises cíclicas do capitalismo.

A Classe Média brasileira é peça chave na direção do processo democrático, e, infelizmente, tem demonstrado intensa fadiga desde sua peculiar consolidação no período do Regime Militar, cujos valores republicanos foram deturpados pelo ambiente de ausência de liberdades civis e pela impensável concentração de renda e riqueza promovida pela ditadura. A meritocracia, modo de operação da legitimidade de qualquer classe média no mundo, é uma falácia no Brasil, pois não há igualdade de oportunidades em nenhum estágio de vida entre um membro do interior da Classe Média e outro de fora dela.

Nos anos 2000, o convívio com os subalternos foi promovido pela tentativa de estruturação do mercado de trabalho e pelo resgate das políticas públicas.

Muitos pontos de contato foram produzindo tensões entre a Classe Média e as novas classes trabalhadoras em ascensão. Nos espaços públicos, nas universidades, nos lares, tudo parecia em disputa. A intensidade do crescimento econômico favorecia muito mais as rendas baixas que as médias-altas. Em termos geracionais, os filhos da Classe Média pós-ditadura sentem-se em desvantagem ante os filhos das classes trabalhadoras. Esta é a principal origem do ódio de classes hoje no Brasil. Mas o fascismo não vive apenas de ódio, ele precisa de algo mais: deve-se justificar na ideia de pureza dos cidadãos de bem. É preciso que este ódio vista a máscara dos símbolos da Classe Média; cujo centro é a sempre meritocracia.

Como o código de ascensão social ancorado por políticas públicas afronta simbolicamente o mito da meritocracia, a Classe Média inteira não é capaz de proteger a incorporação dos outros extratos, portanto ela se fragmenta entre uma subclasse progressista e outra profundamente reacionária. O fascismo atua diretamente sobre essa cisão, aprofundando o antagonismo entre as frentes de posicionamento e fragilizando a defesa histórica que a Classe média deveria ter para com a democracia. A promessa do fascismo é de um caminho mais curto de retrocessos sociais, amplificando o desespero social em medidas que ignoram as regras do jogo democrático. O objetivo último, a volta dos novos atores a seus lugares do passado, é o que importa.

Amparado pela propaganda cotidiana dos monopólios mediáticos, a fração reacionária da Classe Média acredita, como um fetiche, ser a real portadora da mudança moral do país. Isso é o mecanismo mais profundo de florescimento do fascismo: a transferência para o outro de todo o lado sombrio da montanha. Reproduza isso a um partido político, que em segundos a onda fascista atinge as instituições, acovardando-as ante os heróis-ninguéns criados no processo histórico. O fascismo do século XXI representa este atalho no retrocesso social, e a Classe Média pode-se transformar em sua vanguarda contra revolucionária.

domingo, 26 de junho de 2016

Alex Solnik sobre o retorno espetaculoso de Sérgio Moro: Operação Custo Brasil? Nada disso, Operação Impeachment

   "Eu já desconfiava que as ações espetaculosas de hoje dentro de uma operação chamada Custo Brasil tinham alguma coisa a ver com o processo de impeachment, mas, quando soube que na terça-feira o ministro da Justiça, Alexandre de Moraes, visitou o juiz Sergio Moro, em Curitiba a minha desconfiança se transformou em certeza. A prisão de Paulo Bernardo foi decidida para atingir sua mulher, a senadora Gleisi Hoffmann, que tem se destacado na comissão do impeachment como a mais aguerrida defensora da presidente Dilma."


Provas deverão ser anuladas, mas estrago já foi feito

Gleisi Hoffmann é o alvo? - Foto: Marcos Oliveira/Agência Senado
Gleisi Hoffmann é o alvo? – Foto: Marcos Oliveira/Agência Senado
Eu já desconfiava que as ações espetaculosas de hoje dentro de uma operação chamada Custo Brasil tinham alguma coisa a ver com o processo de impeachment, mas, quando soube que na terça-feira o ministro da Justiça, Alexandre de Moraes, visitou o juiz Sergio Moro, em Curitiba a minha desconfiança se transformou em certeza.
A prisão de Paulo Bernardo foi decidida para atingir sua mulher, a senadora Gleisi Hoffmann, que tem se destacado na comissão do impeachment como a mais aguerrida defensora da presidente Dilma.
O fato de a operação ter sido deflagrada por São Paulo aumenta ainda mais a suspeição, pois Paulo Bernardo não tem nada a ver com São Paulo e sim com Curitiba, e Alexandre de Moraes tem tudo a ver com São Paulo.
Flagrado por jornalistas, Moraes explicou que foi visitar Moro para oferecer infraestrutura e apoio.
A explicação não passa num detector de mentiras. Se o motivo fosse esse ele não precisaria ir até lá, bastaria enviar um ofício de seu gabinete. Para que perder um dia de trabalho que ele parece prezar tanto para fazer uma coisa que podia fazer por internet?
O encontro pessoal só se justifica para tratar de um assunto à prova de telefone ou internet, ou seja, um assunto altamente sigiloso. E um assunto altamente sigiloso só poderia dizer respeito à Lava Jato que é o púnico de que Moro cuida há dois anos.
Ou Moraes foi sugerir a operação ou receber informações de que a operação seria feita. Qualquer que seja a hipótese foi uma interferência direta do ministro da Justiça na Operação Lava Jato.   
A conclusão possível é que Temer está preocupadíssimo com a votação do impeachment e resolveu lançar mão de meios mais truculentos do que o simples oferecimento de cargos em troca de votos, como foi feito na fase 1.
A operação, no entanto, foi desastrada porque foi flagrada e o juiz paulista autorizou busca e apreensão na residência oficial de uma senadora da República, o que só poderia ter feito com permissão do STF.
O fato de não ter solicitado a permissão, que sabia que deveria fazer, revela que ela foi organizada às pressas e precisava ser rápida.
É praticamente certo que as provas colhidas serão anuladas, mas o que importava era desestabilizar a senadora e dar um aviso aos demais opositores de Temer de que o jogo, de agora em diante, será bruto.
O verdadeiro nome da Operação Custo Brasil é Operação Impeachment.
Alex Solnik

Em quase 50 anos de jornalismo, trabalhou nos maiores jornais e revistas do país, sem abrir mão de suas convicções libertárias e princípios éticos, em busca da verdade e do texto perfeito
Link curto: http://brasileiros.com.br/R5uHz

Nas entrelinhas da "grande" imprensa (Manual do perfeito midiota - 29), por Luciano Martins Costa

O ex-ministro do Planejamento do governo Lula e das Comunicações no governo Dilma, Paulo Bernardo, foi preso nesta quinta-feira. Foto: EBC
O ex-ministro do Planejamento do governo Lula e das Comunicações no governo Dilma, Paulo Bernardo, foi preso nesta quinta-feira (23). Foto: EBC
Segue o texto de Luciano Martins Costa, no site Brasileiros

A notícia de que o ex-ministro das Comunicações Paulo Bernardo foi para uma cela deixou os midiotas animadinhos com a possível reabertura da temporada de caça a políticos petistas. 
Quem sabe, desta vez os persistentes investigadores da Lava Jato chegam ao grande troféu, aquele que personifica o regime de economia social inaugurado em 2003.
Essa seria a melhor tática para fazer o povo esquecer a sequência de fiascos do governo provisório e as acusações que pesam sobre alguns de seus potentados.
A revelação de que os articuladores do afastamento da presidente constitucional usaram o processo de impedimento para tentar limitar o alcance das investigações quebrou um pouco o ânimo daqueles que compunham a chamada massa crítica para o golpe.
Você imaginou que havia se engajado numa luta visceral entre a Justiça e o crime, entra a honestidade e a corrupção, e saiu por aí de verde-amarelo, bateu panelas, xingou a tela da TV.
Mas, se prestar um pouco mais de atenção ao noticiário dos principais jornais e naquelas revistas semanais de informação que formam a matriz da mídia tradicional, vai perceber que o eixo das operações do sistema da Justiça no campo político segue uma pauta de claro viés ideológico.
Com um pouquinho mais de esforço, você vai identificar uma conexão entre esse viés ideológico e as ações que o governo enterino e seus aliados tentam passar no Congresso.
Trata-se de uma agenda extremamente conservadora, para não dizer absolutamente reacionária, que se opõe ao programa aprovado nas urnas em 2014.
Sim, porque, ainda que descaracterizado por muitos desvios de rota, o governo interrompido de Dilma Rousseff mantinha o DNA da política econômica com fundamento social, mesmo depois das mudanças propostas pelo então ministro da Fazenda Joaquim Levy.
É contra a continuidade das políticas sociais que tiraram da miséria milhões de brasileiros que se move esse sistema, coordenado pelos principais meios de comunicação do País. Sua estratégia é reduzir os investimentos sociais e desmantelar a estrutura dos direitos trabalhistas, para dar mais liberdade ao capital no combate às crises que ele mesmo cria periodicamente.
Mas essa rede não se limita aos três diários de circulação nacional, à TV Globo ou àqueles panfletos semanais – o sistema da desinformação alcança até modestos jornais do interior, conectados à matriz conservadora pelos movimentos sociais reacionários.
Por exemplo, um empresário da cidade paulista de Rio Claro se suicidou após ter sido obrigado a demitir 200 funcionários – e o jornal local publica comentários dizendo que ele foi “vítima de Lula e Dilma”.
A central sindical com a qual ele negociava é a UGT, União Geral dos Trabalhadores, historicamente ligada ao PSDB, DEM, PPS e PMDB paulista – mas não importa: para o jornalismo antidemocrático, o que interessa é a versão.
E a versão de que os delinquentes do PT são mais criminosos do que os delinquentes do PSDB ou do PMDB precisa prevalecer, para que o sistema da Justiça quebre as bases eleitorais que sustentam as políticas de cunho social.
Por isso você vai ver novas cenas de policiais vestidos para a guerra nas próximas edições do Jornal Nacional.
Faz parte do show.
*Jornalista, mestre em Comunicação, com formação em gestão de qualidade e liderança e especialização em sustentabilidade. Autor dos livros “O Mal-Estar na Globalização”,”Satie”, “As Razões do Lobo”, “Escrever com Criatividade”, “O Diabo na Mídia” e “Histórias sem Salvaguardas”
#Luciano Martins Costa
JornaJornalista, mestre em Comunicação, com formação em gestão de qualidade e liderança e especialização em sustentabilidade, além de autor de vários livros
Link curto: http://brasileiros.com.br/q6GSl
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Emir Sader: Temer é a aposta da Direita para desmoralizar a política para acabar com a Democracia

Temer como presidente do Brasil é para acabar de desmoralizar a política. Um político corrupto, golpista, traidor, medíocre, sem nenhuma ideia na cabeça para dirigir o pais é o objetivo maior dos que querem acabar com o que há de democracia no Brasil e entregar de vez o poder nas mãos dos mercados e das corporações midiáticas.

Por Emir Sader, Cientista Político, na Rede Brasil Atual


 
Do que se trata é de desmoralizar definitivamente a política. O Brasil pode ser governado pelo Lula ou pelo Temer. Igualar tudo por baixo. Se trata de tentar envolver o maior líder político que o Brasil já teve na mesma lista de suspeitos de corrupção. Não importa que não exista prova alguma contra o Lula. Não importa que os outros sejam acusados de corrupção direta de milhões, enquanto Lula é acusado de ter um sítio e um apartamento que não são seus. O que interessa é jogar todos na mesma fogueira. Ou para buscar um salvador da pátria de fora da política, na mídia, ou de ter sempre governos fracos, que tenham que se render aos mercados e às campanhas da mídia.

Para isso Temer é perfeito. Ninguém duvida que é um corrupto, um pulsilânime, um tipo que vai passar rápido pela história para desaparecer depois de ter prestado o serviço de dar um golpe na democracia e tirar o PT do governo, devolvendo-o aos ricos e poderosos. E, com isso, receber em troca, a absolvição dos seus casos de corrupção.

E aí está o Supremo Tribunal Federal, que deveria ser a instância superior do Judiciário, que se não se pronuncia sobre se houve ou não crime de responsabilidade, não serve para nada. E, como cala, consente com o mais grave golpe contra a democracia, porque se faz supostamente dentro da democracia. E confirma, junto com as ações arbitrárias da PF e de promotores, que a política está completamente corrompida.

O cinismo com que a direita apoia o governo Temer serve para confirmar que, se todos os políticos são corruptos, pode governar qualquer um, contanto que enfraqueça mais ainda o Estado e a política. Temer serve duplamente: confirma a canalhice dos políticos e debilita o Estado.

Os fins justificam os meios e isso justifica o apoio da direita ao governo Temer. Se tudo correr como a direita deseja, o pais estara’ desmontado em 2018, tanto o patrimônio publicado, que será privatizado, como os direitos dos trabalhádores, recortados, e os recursos para políticas sociais, diminuídos. Além da reinserção internacional do Brasil, que passará de uma política externa soberana a outra, subordinada.

O Globo retoma o que sempre achou: a fonte da corrupção não é o dinheiro privado, mas as estatais. Privatizar tudo moralizaria o pais. Os próprios processos de privatização do governo FHC desmentem isso, mas é preciso esquecer o passado vergonhoso, para promover um futuro vergonhoso. Se possível sem Estado, sem políticos, sem partidos, mas principalmente sem o Lula, sem a esquerda, sem sindicatos, sem campanhas salariais. Em suma, uma ditadura com roupagem de democracia.

Cabe à esquerda tratar de evitar isso, buscando alternativas que impeçam os dois terços no Senado, com que a direita trata de consolidar o golpe e o desmonte do Brasil.
 

*Emir Sader é sociólogo e cientista político

Como o Primeiro Mundo vê a mídia golpista (no caso, a Folha e a Rede Globo) brasileira e seus midiotas seguidores



 No vídeo que se segue, gravado em Londres, jornalista internacional expõe com muita clareza a máfia conspiradora da Casa Grande e como funciona a política golpista brasileira, com a ação manipuladora e alienadora da grande mídia nacional e suas famílias historicamente comprometidas com os Golpes da velha Direita.  Assistam e tirem suas conclusões...

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A confissão da senadora golpista Rose de Freitas, do PMDB. Por Paulo Nogueira

Não foi pedalada
Não foi pedalada


É uma confissão que, em circunstâncias normais, seria classificada como estarrecedora. Mas, no Brasil deste inverno golpista, ela passa quase que despercebida.

A senadora Rose de Freitas, líder do governo no Congresso, admitiu numa entrevista que o afastamento de Dilma nada tem a ver com pedalada. “Na minha tese, não teve esse negócio de pedalada.”

Ela não falou de orelha. Tem conhecimento específico. “Eu estudo isso. Faço parte da Comissão do Orçamento.”
Machado de Assis escreveu que o pior pecado depois do pecado é a publicação do pecado. A confissão de Rose é exatamente isso: a publicação do pecado.
O impeachment é uma farsa. Um circo. Um crime.
Um golpe.
O que as futuras gerações dirão sobre o que está ocorrendo? Como jovens brasileiras e brasileiros lidarão com a vergonha suprema do impeachment? Como vão encarar um capítulo da história tão baixo, tão cínico, tão mentiroso?
O PSDB pagou 45 000 reais a Janaína Paschoal para produzir qualquer coisa que derrubasse Dilma. Não importava que essa coisa fosse inventada: as pedaladas.
A origem da sujeira está aí.
Soam agora ainda mais patéticas as cabeçadas desvairadas de Janaína num vídeo em que ela parecia a garota possuída pelo demônio de O Exorcista, sob o olhar bovino de seu cúmplice Hélio Bicudo. E o que dizer da intimação da ministra Rosa Weber a Dilma para que se explicasse sobre o uso da palavra golpe?
Você pode se defender de uma acusação quando tem alguma chance de desbaratá-la. Mas como se defender de uma mentira que os acusadores sabem ser mentira?
Esta é a situação de Dilma.
É um pesadelo que remete aos julgamentos de Moscou nos anos 1930. Sob o comando de Stálin, bolcheviques dedicados foram ao tribunal sob acusações infames de traição à causa à qual dedicaram a vida.
Era tudo mentira, mas isso não importava: os vereditos estavam prontos antes que o processo se iniciasse.
Os responsáveis pelo impeachment estão usando o mesmo método estalinista. A culpa está determinada mesmo que o condenado seja inocente.
Hoje, essa aberração é vista como normal num país que sofreu uma lobotomia de plutocratas predadores.
Mas não é. É uma aberração mesmo. E assim o episódio será visto no futuro.
A mesma confissão fora feita pelo ministro Gilmar Mendes numa visita à Suécia. Lá, a um jornalista do Cafezinho, Gilmar disse que era irrelevante se Dilma tinha ou não pedalado.
É estalinismo. Em Moscou também não importava se o acusado tinha ou não cometido o crime.
É pior ainda: sob Stálin, ao contrário do que ocorre hoje no Brasil, ninguém admitia que a acusação eram mentirosa.
(Acompanhe as publicações do DCM no Facebook. Curta aqui).
Paulo Nogueira
Sobre o Autor
O jornalista Paulo Nogueira é fundador e diretor editorial do site de notícias e análises Diário do Centro do Mundo.

Senado sob cerco da velha mídia golpista, capitaneada pela Rede Globo com apoio da Casa Grande - texto de Esmael Morais



   Engana-se quem acha que a última operação da Polícia Federal, a Custo Brasil, era para atingir o PT. Foi apenas um meio para iniciar o cerco ao Senado, de fora para dentro, na tentativa de assegurar o resultado favorável ao impeachment no mês de agosto.
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Muito provavelmente, se o jornalista William Bonner da Globo disputasse uma eleição em colégio eleitoral restrito, como é o Senado, com 81 membros, sua probabilidade de derrota seria de 100%.
O moço global também levaria uma sova se concorre a síndico de um condomínio residencial qualquer, do mafioso Sistema S, de um sindicato, enfim, a mídia não tem votos para enfrentar os senadores num enfrentamento interno direto.
Então, como age a mídia golpista? Ela faz o cerco de fora para dentro nessas instituições. Busca apoio nos círculos sociais desses agentes, como família, funcionários, amigos, etc.
Não foi à toa que durante a votação do impeachment na Câmara, em abril, a esmagadora maioria dos deputados votou “pela mulher, pela família, pelo papagaio, pela amante…” menos pela decência e pela ética na política, contra a corrupção. 
No íntimo, os parlamentares sabiam da “M” que estavam fazendo ao abrir caminho para o interino Michel Temer (PMDB) e Eduardo Cunha (PMDB-RJ) darem o golpe de Estado, mas, por pressão de seu círculo social, onde a mídia atuou com competência e impôs sua ideologia — que é a falsa representação da verdade –, prevaleceu idiotização midiática subsidiada pelo Facebook.
espetáculo midiático da ação da PF na manhã de quinta-feira, que prendeu o ex-ministro Paulo Bernardo, marido da senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR), teve as finalidades de: 1- tirar a parlamentar de combate e 2- reativar os idiotas adormecidos pelo desastroso governo corrupto de Temer.
A infrutífera busca na sede do PT em São Paulo foi apenas simbólica cujo objetivo era fazer a fotografia para grudar o ódio nos integrantes do partido, portanto.
Note que essas operações da Lava Jato surgem sempre nas vésperas das votações no Congresso Nacional. Elas desequilibram o jogo no parlamento em favor do golpe de Estado. Foi assim na Câmara, em 17 de abril, e na primeira votação do Senado, em 12 de maio.
Por último, para refletir, também se engana quem acha que o pensamento democrático, contra o golpe, tem vencido o embate nas redes sociais. Nem no Facebook nem em lugar algum. O que assistimos é o “efeito manada” ativado pela Globo com o claro objetivo de fazer o cerco no Senado.
Fonte: Blog do Esmael Morais

Líder do PMDB no Congresso admite que pedaladas foram desculpa para tirar Dilma




Depois do deslize do presidente em exercício Michel Temer, ao afirmar à imprensa internacional que tirou o avião da Força Aérea Brasileira (FAB) da presidente afastada Dilma Rousseff para impedir que ela denunciasse ‘o golpe’ pelo país, agora, a líder do governo no Congresso Nacional, senadora Rose de Freitas (PMDB), admite que não houve pedaladas fiscais e que o motivo do impeachment é outro.
“Por que o governo saiu? Na minha tese, não teve esse negócio de pedalada. Eu estudo isso, faço parte da Comissão de Orçamento. O que teve foi um país paralisado, sem direção e sem base nenhuma para administrar. A população não queria mais e o Congresso não dava a ela os votos necessários para tocar nenhuma matéria. E o país não podia ficar parado”, afirmou em entrevista à Itatiaia.
A senadora acredita que o processo de impeachment no Senado não será revertido e que Dilma será afastada definitivamente na votação prevista para acontecer em agosto. “Eu fiz uma pergunta para aqueles que advogam pela reversão citando uma música do Caetano (Veloso) que diz ‘se foi para desfazer, por que fez?’”, argumentou.
“Se voltar esse quadro, o que você vai fazer? Vai ter um país parado outra vez? Não é possível”, completou.
Na opinião de Rose de Freitas, a equipe econômica de Michel Temer ouve mais o Brasil do que o grupo formado por Dilma. Sobre os escândalos que já afastaram três ministros escolhidos pelo presidente em exercício, a senadora se posicionou.
“Eu como presidente não levaria ninguém que tivesse qualquer processo, ainda que a pessoa fosse inocente, eu esperaria o tempo para ela provar sua inocência para depois voltar ou ser nomeada. Mas ele tinha mais proximidade e conhecia melhor essas pessoas do que eu. Portanto, acho que não comprometerá o presidente se ele estiver trabalhando com a folha corrida limpa e estiver disposto a ajudar o Brasil”, finalizou.

Governo interino golpista de Temer tentou evitar divulgação de comunicado da ONU criticando fim da CGU


 


Do Estadão (que, aliás, é um joral eminentemente Golpista de Direita):
A ONU critica a decisão do governo de Michel Temer de transformar a Controladoria-Geral da União (CGU) no Ministério da Transparência, Fiscalização e Controle e questiona a “interferência” do Palácio do Planalto na direção da Empresa Brasil de Comunicações (EBC).
Num comunicado emitido ao mesmo tempo pela ONU e pela Comissão Interamericana de Direitos Humanos, as entidade também alertam para os riscos para a liberdade de expressão.
Nos últimos dias, a diplomacia brasileira tentou evitar que o comunicado dosse divulgado, temendo a repercussão negativa que poderia ter. Mas, nesta sexta-feira, as entidades decidiram ir adiante com a medida.
“A interferência na direção da EBC e a conversão da CGU em Ministério são passos negativos para um país conhecido pelo seu sólido compromisso com a liberdade de opinião e expressão”, afirmaram o relator das Nações Unidas (ONU) sobre a Promoção e Proteção do Direito à Liberdade de Opinião e Expressão, David Kaye, e o relator Interamericano para a Liberdade de Expressão, Edison Lanza.
“Nos últimos anos, os principais avanços alcançados no Brasil em termos de promoção do direito à informação se beneficiaram fortemente do trabalho da CGU”, apontou Lanza. Segundo ele, foi a instituição que promovei a Lei de Acesso à Informação de 2011.
“Por conta de sua ligação direta à Presidência da República, a CGU pode oferecer uma oportunidade de recurso a todos aqueles a quem o acesso à informação havia sido negado por ministérios e outras instituições federais. É importante garantir a manutenção dessa capacidade no novo arranjo institucional”, disse o relator.
“As Organizações que proporcionam o acesso à informação e promovem a prestação de contas devem ser protegidas de interferências politicas. Qualquer alteração no funcionamento da antiga CGU deveria visar torná-la mais autônoma e independente de determinações do Poder Executivo”, insistiu Kaye.
Ele ainda ” expressou preocupação com as notícias de que o novo Ministro da Transparência sugeriu que funcionários da instituição insatisfeitos com o novo governo deixassem a organização “.
Outra critica apresentava se refere à decisão do presidente interino, Michel Temer, de substituir o diretor da EBC, Pedro Varoni. ” Em 2 de junho, o diretor da EBC foi reconduzido ao seu cargo por uma liminar do Supremo Tribunal Federal. Antes do seu retorno, a nova direção havia suspendido o contrato de alguns jornalistas em razão de um alegado “viés politico” contrário ao novo Governo e cancelado alguns programas de televisão “, afirmou a nota da ONU.

sábado, 25 de junho de 2016

Leonardo Boff: Para onde vamos? Os impasses da atual crise


"Efetivamente, aqui se formou um bloco coeso, fortemente solidificado, constituído por um capitalismo que nunca foi civilizado (manteve a sua voracidade manchesteriana das origens), financeiro e rentista, associado ao empresariado conservador e anti-social e ao latifúndio voraz que não teme avançar sobre as terras do donos originários de nosso país, os indígenas e de acréscimo as dos quilombolas (...) Estas elites altamente endinheiradas se associaram a poucas famílias que controlam os meios de comunicação ou são donos delas."



Para onde vamos? Impasses da atual crise
Por Leonardo Boff  no Caros Amigos
A atual crise brasileira, talvez a mais profunda de nossa história, está pondo em xeque o sentido de nosso futuro e o tipo de Brasil queremos construir.
Celso Furtado com frequência afirmava que nunca conseguimos realizar nossa auto-construção, porque forças poderosas internas e externas ou articuladas entre si sempre o tinham e têm impedido.
Efetivamente, aqui se formou um bloco coeso, fortemente solidificado, constituído por um capitalismo que nunca foi civilizado (manteve a sua voracidade manchesteriana das origens), financeiro e rentista, associado ao empresariado conservador e anti-social e ao latifúndio voraz que não teme avançar sobre as terras do donos originários de nosso país, os indígenas e de acréscimo as dos quilombolas. Estes sempre frustraram qualquer reforma política e agrária, de sorte que hoje 83% da população vive nas cidades (bem dizendo, nas periferias miseráveis), pois esta sentia-se deslocada e expulsa do campo. Estas elites altamente endinheiradas se associaram a poucas famílias que controlam os meios de comunicação ou são donos delas.
Esse bloco histórico será difícil de ser desmontado, uma vez que o tempo das revoluções já passou. As poucas mudanças de orientação popular e social introduzidas pelos governos do PT estão sendo bombardeadas com os canhões mais poderosos. Os herdeiros da Casa Grande e o grupo do privilégio estão voltando e impondo seu projeto de Brasil.
Para sermos sucintos e irmos logo ao ponto central, trata-se do enfrentamento de duas visões de Brasil.
A primeira: ou nos submetemos à lógica imperial, que nos quer sócios incorporados e subalternos, numa espécie de intencionada recolonização, obrigando-nos a ser apenas fornecedores dos produtos in natura (commodities, grãos, minério, água virtual etc.) que eles pouco possuem e dos quais precisam urgentemente.
A segunda: ou continuamos teimosamente com a vontade de reinventar o Brasil, com um projeto sobre bases novas, sustentado por nossa rica cultura, nossas riquezas naturais (extremamente importantes após a constatação dos limites da Terra e do aquecimento crescente), capaz de aportar elementos importantes para o devenir futuro da humanidade globalizada.
Esta segunda alternativa realizaria o sonho maior dos que pensaram um Brasil verdadeiramente independente, desde Joaquim Nabuco, Florestan Fernandes, Caio Prado Jr e Darcy Ribeiro até Luiz Gonzaga de Souza Lima num livro que até agora não mereceu a devida apreciação e atenção ("A refundação do Brasil: rumo à sociedade biocentrada", RiMA, São Carlos, SP 2011) e da maioria dos movimentos sociais de cunho libertário.
Estes sempre projetaram uma nação autônoma e soberana mas aberta ao mundo inteiro.
A primeira alternativa que agora volta triunfante sob o presidente interino Michel Temer e seu ministro das relações exteriores José Serra, prevê um Brasil que se rende resignadamente ao mais forte, bem dentro da lógica hegeliana do senhor e do servo. Em troca recebe imensas vantagens, beneficiando especialmente os endinheirados (Jessé Souza) e os seus controlados.
Estes nunca se interessaram pelas grandes maiorias de negros e pobres que eles desprezam, considerando-os peso morto de nossa história. Nunca apoiaram seus movimentos. E quando podem, os rebaixam, difamam suas práticas e com o apoio do estado elitista por eles controlado, os criminalizam.
Eles contam com o apoio dos USA, como o nosso maior analista de política internacional Moniz Bandeira, em sucessivas entrevistas, tem chamado atenção, pois não aceitam a emergência de um potência nos trópicos.
Donde nos poderá vir uma saída? De cima não poderá vir nada de verdadeiramente transformador. Estou convencido de que ela só poderá vir de baixo, dos movimentos sociais articulados, de outros movimentos interessados em mudanças estruturais, de setores de partidos vinculados à causa popular. O dia em que as comunidades favelizadas se conscientizarem e projetarem um outro destino para si e para o Brasil, haverá a grande transformação, palavra que hoje substitui a de revolução. As cidades estremecerão.
Aí sim poderão os poderosos serem alijados de seus tronos, como dizem as Escrituras, o povo ganhará centralidade e o Brasil terá sua merecida independência.

 Leonardo Boff é filósofo, teólogo e professor aposentado de Ética da UERJ