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quinta-feira, 26 de janeiro de 2023

Yanomamis: Crise humanitária em Roraima será enviada ao Tribunal Penal Internacional em Haia. Professora da FGV explica denúncia para o UOL

 

Do UOL:

Informações do colunista do UOL Jamil Chade: A situação de crise humanitária do povo yanomami será levada ao Tribunal Penal Internacional. O UOL obteve a confirmação de que as informações começam a ser preparadas para o envio para a corte em Haia, num processo que pode ainda levar algumas semanas para ser completado e que tem como foco o ex-presidente Jair Bolsonaro. No UOL News, a professora de Direito Eloísa Machado fala sobre o assunto.



sexta-feira, 24 de setembro de 2021

Reinaldo Azevedo: Bolsonaro assassina até (e também) a lógica

 

Do Canal BandNews FM:

A Anvisa recomendou uma quarentena à comitiva brasileira que viajou a Nova York. Imagens que circulam nas redes sociais, no entanto, mostram o presidente Jair Bolsonaro furando a recomendação. O ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, ficou sabendo do teste positivo dele para Covid-19 nesta terça-feira (21) durante a tarde. No mesmo dia, já sabendo do resultado do exame, segundo o jornal Folha de São Paulo, Bolsonaro abraçou e tirou fotos com apoiadores. O presidente ficou o tempo todo sem máscara. Esse foi um dos assuntos analisados por Reinaldo Azevedo durante o programa O É da Coisa desta quinta-feira (23 de setembro de 2021).




sábado, 3 de julho de 2021

Do El País: Ação contra Bolsonaro avança no Tribunal Penal Internacional de Haia, e indígenas vão denunciá-lo por genocídio e por ecocídio

 Do El País:

Nova denúncia soma-se à pedido apresentado em 2019 que está sob análise da Procuradoria do tribunal. Nunca antes uma acusação contra um mandatário brasileiro tinha chegado a essa fase

O presidente Jair Bolsonaro durante uma cerimônia no Palácio do Planalto, nesta terça-feira.ADRIANO MACHADO / REUTERS


JOANA OLIVEIRA


A Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB) apresentará em julho uma denúncia contra o presidente Jair Bolsonaro por genocídio e ecocídio perante o Tribunal Penal Internacional (TPI). “A APIB reuniu e analisou todos os atos praticados por Bolsonaro contra os povos originários desde o início de seu Governo e consideramos que existem elementos concretos para deflagrar uma investigação por parte do TPI”, afirma ao EL PAÍS Luiz Eloy Terena, advogado e coordenador jurídico da APIB. Na última quarta-feira, 23 de junho, uma comissão internacional de 12 juristas impulsionados pela sociedade civil tipificou o ecocídio como um crime contra o conjunto da humanidade, mas sobretudo contra o planeta e pretende incorporá-lo ao TPI.

Terena argumenta que Bolsonaro descumpre a Constituição de 1988, que garante a proteção dessas comunidades e o direito aos seus territórios. “Ele não só inviabiliza a demarcação de nossas terras como também a proteção das comunidades com áreas já garantidas por lei, ao incentivar a presença de grileiros, madeireiros e garimpeiros ilegais.” O especialista acrescenta que o direito ao território e a política de proteção ambiental são aspectos fundamentais para formalizar a denúncia por ecocídio, um crime no qual o Brasil se enquadra, segundo ele: “Não há como falar de proteção aos povos indígenas sem garantir o território. É isso que inviabiliza a sobrevivência física e cultural dos nossos povos. E não são apenas os indígenas os sujeitos de direito, mas os rios, os lagos, a fauna e a flora de nossos territórios e, na nossa cosmovisão, até os espíritos encantados que habitam esses espaços”, explica.

A denúncia da APIB se somará a outra feita em 2019 pelo Coletivo de Advocacia em Direitos Humanos (CADHu) e pela Comissão Arns, formada por ex-ministros de vários governos e intelectuais brasileiros para atuar em defesa dos direitos humanos, que relataram à instituição estabelecida em Haia, nos Países Baixos, indícios de crimes contra a humanidade e incitação ao genocídio de povos indígenas praticados por Bolsonaro. Na ocasião, o avanço do desmatamento e os incêndios na Amazônia foram centrais para a elaboração do caso. Em dezembro de 2020, a Procuradoria do TPI informou que essa denúncia está formalmente sob avaliação preliminar de jurisdição, sendo a primeira vez que um caso desse tipo contra um presidente brasileiro avança no órgão e não é arquivada. “O cenário atual já é histórico e inédito. Na hipótese de a investigação ser aberta, seria uma revolução, porque não estamos falando de responsabilidade do Estado, mas da responsabilização de indivíduos, que podem sofrer condenação pela prática desses crimes”, comenta Eloísa Machado, advogada do CADHu.

MAIS INFORMAÇÕES

O TPI permite que denúncias já apresentadas sejam atualizadas ao longo do processo, e é isso que o CADHu e a Comissão Arns pretendem fazer, anexando fatos referentes à “negligência na gestão da pandemia de covid-19″, doença que ameaça até os indígenas isolados, e os recentes ataques de garimpeiros a comunidades dos povos Yanomami e Munduruku, que, segundo ambas entidades, são apoiados pelo Governo Federal. “É juridicamente confortável falar em crimes contra a humanidade e genocídio da comunidade indígena quando temos esse cenário”, ressalta Eloísa Machado. De acordo com a Secretaria Especial de Saúde Indígena do Ministério da Saúde, 728 indígenas faleceram por covid-19, sem considerar os casos e óbitos entre os indígenas que vivem em zonas urbanas. Já a APIB registra 1.126 óbitos entre os povos originários.

Ainda que o processo continue avançando e que Bolsonaro tenha um julgamento e venha a ser condenado por crimes previstos no Estatuto de Roma (que institui a Corte Internacional de Justiça), isso dificilmente seria concluído durante o exercício de seu mandato na Presidência: pelo histórico do TPI, a responsabilização de chefes ou ex-chefes de Estado nessa jurisdição costuma demorar cerca de uma década. Prisão por até 30 anos, o confisco de bens e reparações, como pedidos de desculpa e indenizações estão entre as possíveis penas na hipótese de condenação.

Em julho do ano passado, uma coalizão de mais de 60 sindicatos e movimentos sociais ―a maioria deles de profissionais de saúde, sob a liderança da Rede Sindical UniSaúde― levou outra denúncia ao Tribunal de Haia, pedindo a condenação do presidente brasileiro por genocídio.

Para além do TPI, as denúncias contra Jair Bolsonaro ganham, cada vez mais, a atenção da comunidade internacional. Alice Wairimu Nderitu, assessora do secretário-geral da ONU (Organização das Nações Unidas) para a prevenção de genocídio, citou o Brasil pela primeira vez ao falar do assunto na segunda-feira, em uma reunião do Conselho de Direitos Humanos da organização, em Genebra. “Na região das Américas, estou particularmente preocupada com a situação dos povos indígenas. No Brasil, Equador e outros países, peço aos governos que protejam as comunidades em risco e garantam a responsabilização pelos crimes cometidos”, disse Nderitu. Essa foi a primeira vez que o país foi citado na ONU atrelando-o a genocídio.

“Nunca vivemos uma situação como esta, de chegar ao triste ponto de precisar denunciar um presidente brasileiro à Justiça internacional. Sabemos que o processo no TPI é longo, mas nosso objetivo justamente era trazer o olhar da comunidade internacional para o que está acontecendo aqui”, comenta Juliana Vieira dos Santos, advogada da Comissão Arns. Ela acredita que o Governo Bolsonaro sistematizou uma “política anti-indigenista” no país.

Jurisdição

Denúncias como as apresentadas contra Bolsonaro podem ser levadas à Justiça internacional quando se considera que as autoridades jurídicas do próprio país não têm capacidade de apurar ou julgar tais irregularidades. Para o TPI, as organizações denunciantes alegaram que “não há sinalização de responsabilização por parte dos tribunais nacionais”. A advogada Juliana Vieira dos Santos, no entanto, é mais enfática: “Acionar a jurisdição internacional porque as autoridades competentes no país não quiseram fazer seu papel. O próprio Supremo [Tribunal Federal] não tem conseguido proteger as populações indígenas, porque se tem toda a máquina do Executivo se movimentando contra elas.”

Santos lembra que qualquer denúncia contra um presidente da República deve ser encaminhada pela Procuradoria Geral da República —atualmente nas mãos de Augusto Aras, alinhado com Bolsonaro. “Há essa armadilha do presidencialismo de coalizão que contamina outras instituições. É por isso que o Congresso não consegue abrir um processo de impeachment, por exemplo”, continua a advogada.

É por isso que ela e outros denunciantes consideram que o TPI tem um desafio à frente caso decida levar adiante o caso de genocídio contra Bolsonaro: terá que voltar seu olhar para um país de renda média, com uma Constituição em vigor e sem um conflito deflagrado, quando está acostumado a investigar situações em países pobres e em guerra ou sob regimes ditatoriais. “O TPI é acusado de ser seletivo e de não investigar países grandes ou poderosos, mas essa é uma oportunidade de mostrar que não é assim”, diz Eloísa Machado. Como precedente, ela cita a decisão em 2020 de investigar a atuação de tropas dos Estados Unidos no Afeganistão. “No caso do Brasil, o ataque sistemático aos povos indígenas tem chamado a atenção”, conclui ela, esperançosa.


sábado, 19 de junho de 2021

Atos conscientes pelo Fora Bolsonaro reuniram mais de 750 mil pessoas no Brasil e no mundo

 

Protestos ocorreram no dia em que o Brasil alcançou 500 mil mortes decorrentes da gestão desastrosa e charlatã de Jair Bolsonaro, que negligenciou a compra de vacinas e empurrou cloroquina, um remédio ineficaz, para os brasileiros


Protesto na Paulista

Protesto na Paulista (Foto: Ricardo Stuckert)

Da Rede Brasil Atual - Mais de 750 mil pessoas saíram às ruas em cidades por todo o país, e também no exterior, neste sábado (19) em mais uma grande manifestação contra Bolsonaro organizada pelas frentes Brasil Popular e Povo sem Medo, centrais sindicais e partidos políticos. Foram 427 atos nas 27 unidades da federação em mais de 400 municípios daqui e outros 17 de fora, em um coro contra a gestão genocida do presidente da República. No mesmo dia, o país alcançou a sombria marca de 500 mil mortes pela covid-19, doença cuja vacina foi oferecida e recusada por Bolsonaro e o ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello. Teve cartaz culpando Bolsonaro pela morte de parentes.

Veja fotos do dia

Nos atos, sobraram faixas, bandeiras, cartazes, flâmulas, pinturas e gritos pela Vacina no Braço e Comida no Prato. Exigindo auxílio emergencial de R$ 600 até o final da crise sanitária. Reivindica-se atenção aos pequenos e médios produtores e comerciantes, respeito à soberania nacional, ao serviço a ao patrimônio público. Teve passeata, intervenção artística, bicicletada, carreata, plenária e até ato virtual. Houve muita preocupação com a segurança sanitária, máscara, álcool, evitando proximidade e toque.

A manifestação contra Bolsonaro começou bem cedo, as primeiras notícias vieram de pequenos municípios. Logo cresceu e tomou Brasília, Recife, capitais e grandes cidades do Norte e Nordeste, Sul, Centro-Oeste. Depois Rio, Belo Horizonte e São Paulo. A Presidente Vargas e a Paulista fecharam, com direito à presença de Chico Buarque, Fernando Haddad e muitas outras personalidades. O tema pautou também as redes sociais.

Chico Buarque, por sinal, completou 77 anos. “Na ditadura, nós não teríamos um programa como esse, não estaríamos falando disso aqui. E o que este governo quer, evidentemente, é a volta da ditadura, no sentido da censura, da proibição da difusão de ideias, de maneira que o programa da Regina não possa mais ir ao ar, os sites de esquerda, de oposição ao governo seriam banidos”, disse.

Capital federal

Brasília abrigou uma das maiores mobilizações do dia. O ato contou com a participação de estudantes, servidores públicos, indígenas, integrantes LGBTQIA+ e lideranças políticas de partidos de oposição. Começou por volta das 9h em frente à Biblioteca Nacional. As dezenas de milhares de manifestantes fecharam o Eixo Monumental e, após passarem pela Esplanada dos Ministérios, seguiram até o Congresso Nacional. A mobilização contou com os indígenas do Levante pela Terra, que estão na capital federal há 11 dias em resistência a projeto sobre demarcações.

No Rio, uma multidão de manifestantes tomou as ruas do centro e fez um minuto de silêncio em nome das 500 mil vítimas da covid-19. Militantes de movimentos sociais, partidos políticos e população em geral fecharam a Avenida Presidente Vargas, tradicional reduto de manifestações na capital fluminense. Em frente à Igreja da Candelária, um boneco representando Bolsonaro foi queimado. Passaram também pelo Monumento Zumbi dos Palmares. Já no Recife, ao contrário do ocorrido no 29M, quando policiais atacaram os manifestantes, o clima foi de tranquilidade. Poucos policiais acompanham à distância e agentes de conciliação foram escalados para conter eventuais abusos. O Batalhão de Choque não foi mobilizado.

São Paulo

Mais para o final da tarde ocorreu a manifestação em São Paulo. Como de costume, concentrou-se na Avenida Paulista, com a presença de diversas representações da sociedade. Logo os quarteirões começaram a ser preenchidos e a multidão foi formada, fechando toda a via. Os cartazes, faixas e dizeres foram todos na mesma linha do visto em todas as outras capitais e localidades. Revolta contra o governo federal. Lembrara, também, os ex-ministros Eduardo Pazuello (Saúde) e Ernesto Araújo (Relações Exteriores), co-responsáveis de Bolsonaro no nefasto atraso da compra de vacinas. Paulo Guedes, da Economia, foi outro criticado na manifestação contra Bolsonaro pela falta de política para o auxílio emergencial de R$ 600 enquanto durar a pandemia.


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O conhecimento liberta.

sábado, 6 de junho de 2020

Bolsonaro (e seus militares) quer(em) invisibilizar mortos pela Covid-19, dizem secretários de saúde


"A vida é nosso valor maior, com ela não se negocia, relativiza ou transige", afirma Conselho de secretários de Saúde, após Bolsonaro confirmar mudanças na divulgação dos dados da pandemia
Foto: Agência Brasil
Jornal GGN O Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass), presidido por Alberto Beltrame, emitiu nota pública neste sábado (7) repudiando a tentativa do governo Bolsonaro de invisibilizar os mortos pelo coronavírus no País.
Por determinação do Planalto, o Ministério da Saúde tirou do ar o site que consolida os dados diários da pandemia, passou a atrasar os boletins e promete revisar a metodologia dos óbitos, porque consideram o número “fantasioso”.
“A tentativa autoritária, insensível, desumana e antiética de dar invisibilidade aos mortos pela Covid-19, não prosperará”, afirmou o Conass.
Leia a nota completa abaixo:
O CONASS repudia com veemência e indignação as levianas afirmações do Secretário de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos do Ministério da Saúde, Carlos Wizard.
Ao afirmar que Secretários de Saúde falseiam dados sobre óbitos decorrentes da Covid-19 em busca de mais “orçamento”, o secretário, além de revelar sua profunda ignorância sobre o tema, insulta a memória de todas aquelas vítimas indefesas desta terrível pandemia e suas famílias.
A tentativa autoritária, insensível, desumana e antiética de dar invisibilidade aos mortos pela Covid-19, não prosperará.
Nós e a sociedade brasileira não os esqueceremos e tampouco a tragédia que se abate sobre a nação.
Ofende Secretários, médicos e todos os profissionais da saúde que têm se dedicado incansavelmente a salvar vidas.
Wizard menospreza a inteligência de todos os brasileiros, que num momento de tanto sofrimento e dor, veem seus entes queridos mortos tratados como “mercadoria”.
Sua declaração grosseira, falaciosa, desprovida de qualquer senso ético, de humanidade e de respeito, merece nosso profundo desprezo, repúdio e asco.
Não somos mercadores da morte.
A vida é nosso valor maior, com ela não se negocia, relativiza ou transige.
O povo brasileiro é forte e resiliente, seguiremos a seu lado e juntos para preservar sua saúde e salvar vidas.

quinta-feira, 4 de junho de 2020

Coronavírus: Novo recorde no Brasil de Bolsonaro e Mourão, com mais de 1.300 mortes em 24h




Com isso, o país carrega 32.548 mortos e 584.016 casos confirmados no total - relevando-se a enorme subnotificação.
Jornal GGN Mais um dia de triste recorde no Brasil: em 24 horas 1.349 pessoas perderam a vida para o coronavírus Covid-19, e mais 28.633 novos casos de infecção foram registrados. Com isso, o país carrega 32.548 mortos e 584.016 casos confirmados no total. Os dados são do Ministério da Saúde e foram divulgados ontem, dia 3, às 22h. Normalmente os dados são atualizados às 19h, mas agora atrasam cada vez mais.
O último recorde foi divulgado na terça, dia 2, com 1.262 novos óbitos e, neste dia, o país ultrapassou a triste marca dos 30 mil mortos desde o início da contagem da pandemia. Este é o segundo dia consecutivo de recorde tétrico.
O Ministério da Saúde não deu entrevista ontem, com a equipe técnica para apresentar o perfil epidemiológico da Covid-19, adiando para hoje, dia 4. Desde que o ministro interino general Eduardo Pazuello assumiu, o Ministério tem atrasado ou se omitido em dar explicações.
As coletivas, antes diárias, agora acontecem em dias alternados e sem análise dos números apresentados. Além disso, a pasta fica festejando os recuperados em detrimento do total de mortes.
Neste último boletim, sabe-se apenas que das mortes confirmadas nesta quarta, 408 ocorreram nos últimos três dias e o restante em dias anteriores, sem distribuição por data.
O boletim do Ministério da Saúde aponta que o país soma 4.115 óbitos em investigação.

sexta-feira, 15 de maio de 2020

Vídeo do Meteoro Brasil: Sobre Ministros, Arrogâncias e Frituras



"Em breve, o Brasil terá um novo ministro da saúde, provavelmente militar; será o terceiro desde o início da pandemia. Como Bolsonaro frita seus comandados tão rapidamente? É o que tentamos descobrir neste vídeo."

Do Canal Meteoro Brasil:


domingo, 3 de maio de 2020

Voltar à “normalidade”, como quer o insano Bolsonaro e seus apoiadores ricos que vão ficar em casa enquanto seus empregados se contamim, é auto-condenar-se. Leia o texto de Leonardo Boff

Quando passar a pandemia do coronavírus não nos é permitido voltar à “normalidade” anterior. Seria, em primeiro lugar,um desprezo pelos milhares que morreram sufocados pelo vírus e uma falta de solidariedade para com os parentes e amigos. Em segundo lugar, seria uma demonstração de que não aprendemos nada daquilo que é ou foi mais que uma crise, mas um chamado urgente para mudarmos a nossa forma de habitar a única Casa Comum. Temos a ver com um  apelo da própria Terra viva, esse super-organismo que se autoregula do qual somos sua porção inteligente e consciente.



(Foto: REUTERS/Brendan Mcdermid)


O atual sistema põe em risco as bases da vida
Voltar à conformação anterior do mundo, hegemonizado pelo capitalismo neoliberal, incapaz de resolver suas contradições internas e cujo DNA é sua voracidade por um crescimento ilimitado à custa da super-exploração da natureza e da indiferença face à pobreza e miséria da grande maioria da humanidade produzida por ele,  é esquecer que tal conformação está abalando os fundamentos ecológicos que sustentam toda a vida no planeta. Voltar à “normalidade”anterior (bisness as usual) é prolongar uma situação que poderá significar a nossa própria auto-destruição.
Se não fizermos uma “conversão ecológica radical”, nas palavras do Papa Francisco, a Terra viva  poderá reagir e contra-atacar com vírus ainda mais violentos, capazes de fazer desaparecer a espécie humana. Essa não é uma opinião meramente pessoal, mas de muitos biólogos, cosmólogos e ecologistas que sistematicamente acompanham a crescente degradação dos sitema-vida e do sistema-Terra. Dez anos atrás (2010), como fruto de minhas  pesquisas em cosmologia e novo paradigma ecológico, escrevi o livro:Cuidar da Terra-proteger a vida: como evitar o fim do mundo”(Record). Os prognósticos que avançava, se viram plenamente confirmados pela atual situação.
O projeto capitalista e neoliberal foi refutado
Uma lição que eruimos da pandemia é esta: se tivésses seguido os ideais do capitalismo neoliberal, -competição, acumulação privada, individualismo, primazia do mercado sobre a vida e a minimilização do Estado - a maioria da humanidade estaria perdida. O que nos tem salvado foi a cooperação, a interdependência de todos com todos, a solidariedade e um Estado suficientemente apetrechado para ofecer a chance universal de tratamento docoranovírus, no caso do Brasil, o SUS  (Sistema Único de Saúde).
Fizemos algumas descobertas: precisamos de um contrato social mundial, pois somos ainda reféns do ultrapassado soberanismo de cada país. Problemas globais exigem uma solução global, concertada entre todos os países. Vimos o desastre na Comunidade Europeia, na qual cada país tinha seu plano, sem considerar a cooperação necessária de outros países. Foi uma devastação generalizada na Itália,Espanha e  ultimamente nos USA onde a medicina é toda privatizada.
Outra descoberta foi a urgência de um centro plural de governança global para garantir à toda a comunidade de vida (não só a humana mas de todos os seres vivos) o suficiente e decente para viver. Os bens e serviços naturais são escassos e muitos não renováveis. Com eles devemos atender as demandas básicas do sistema-vida, pensando ainda nas futuras gerações. Aqui é o lugar de se criar uma  renda universal mínima para todos, pregação persistente do valoroso e digno político Eduardo Suplicy.
Uma comunidade de destino compartilhado
Os chineses viram com clareza esta exigência ao impulsionar “uma comunidade de destino compartilhado para toda a humanidade”,texto incorporado no renovado artigo 35 da Constituição Chinesa. Desta vez, ou nos salvamos todos ou todos engrossaremos o cortejo dos que rumam em direção da sepultura coletiva. Por isso temos que mudar urgentemente o nosso modo de nos relacionar com a natureza e a Terra, não como senhores, montados sobre ela, delapidando-a mas como partes conscientes e responsáveis, colocando-nos junto e ao pé dela, cuidadores de toda a vida.
Ao famoso TINA (There Is No Alternative), “não há outra alternativa” da cultura do capital, devemos contrapor outra TINA (There Is a New Alternative) “há uma nova alternativa”. Se na primeira alternativa a centralidade era ocupada pelo lucro, pelo mercado  e pela dominação da natureza e dos outros (imperialismo), nesta segunda será a vida em sua vasta diversidade, também humana com suas muitas culturas e tradições que organizará a nova forma de habitar a Casa Comum. Isso é possível e está dentro das possibilidades humanas: temos ciência e tecnologia, temos uma acumulação fantática de riqueza monetária, mas falta à grande maioria da humanide e, pior, dos chefes de Estado a consciência desta necessidade e a vontade política de implementá-la. Talvez, face a um risco real de nosso desaparecimento como espécie, porque atingimos os limites insuportáveis da Terra, o instinto de sobrevivência nos fará sociáveis, fraternos e todos colaboradores e solidários uns para com  os outros. O tempo da competição passou. Agora é o tempo da cooperação.
A inauguração de uma civilização biocentrada
Creio que iremos inaugurar uma civilização biocentrada,cuidadosa, amiga da vida e como dizem alguns, “a Terra da boa esperança”. O “bien vivir e convivir” dos andinos terá condições de  realizar-se: a harmonia de todos com todos, na família, na sociedade, com os demais seres da natureza, com as águas, com  montanhas e até com as estrelas do firmamento.
Como bem disse o Nobel de economia Joseph Stiglitz: “teremos uma ciência não a serviço do mercado, mas o mercado à serviço da ciência”e eu acrescentaria, e a ciência à serviço da vida.
Não sairemos da pandemia do roconavírus como entramos. Seguramente far-se-ão mudanças significativas, quem sabe, até estruturais. Acertadamente disse a liderança indígena muito conhecida, Ailton Krenak, daetnia krenak, do vale do Rio Doce:”Não sei se vamos sair dessa experiêndcia da mesma maneira que entramos. É como um tranco para olharmos o que realmente importa; o futuro é aqui e agora, podemos não estar vivos amanha; tomara que não voltemos à normalidade”(O Globo,01/05/2020, B 6).
Logicamente, não podemos imaginar que as transformações se farão de um dia para o outro. É comprensível que as fábricas e as cadeias produtivas vão querer retomar a lógica anterior. Mas não serão mais aceitáveis. Deverão submeter-se a um processo de reconversão no qual todo o aparato produtivo industial e agroindustiral deverá incorporar como elemento essencial o fator ecológico. Não basta a responsabilidade social das empresas. Impor-se-á uma responsabilidade sócio-ecológica.
Buscar-se-ão energias alternativas às fósseis, menos impactantes sobre os ecossitemas. Cuidar-se-á mais da atmosfera, das águas e das florestas. A salvaguarda da biodiversidade será fundamental para o futuro da vida e da alimentação humana e de toda a comunidade de vida.
Que tipo de Terra queremos para o futuro?
Seguramente haverá uma grande discussão de ideias sobre que futuro queremos e que tipo de Terra na qual queremos habitar. Qual será a conformação mais adequada à atual fase da Terra e da própria humanidade, a fase da planetização e da percepção cada vez mais clara que não temos outra CasaComum para habitar senão esta. E que temos um destino comum, feliz ou trágico. Para que seja feliz, importa cuidar dela para que todos possam caber dentro, a natureza incluida.
Há o risco real de uma polarização de modelos binários: por um lado movimentos de integração de cooperação geral e por outro, a reafirmação das soberanias nacionais com seu proteccionismo. Por um lado o capitalismo “natural” e verde e por outro o comunismo reinventado e de terceira geração como prognosticam Alain Badiou e Slavoy Zizek.
Outros temem um processo de radical brutalização por parte dos “donos do poder econômco e militar” para garantir seus privilégios e seus capitais. Seria um despotismo de forma diferente pois contaria com os meioscibernéticos e a inteligência artificial com seus complexos algoritmos, um sistema de vigilância sobre todas as pessoas do planeta. A vida social e asliberdades estariam permanentemente ameaçadas. A todo poder sempre emerge um anti-poder. Surgeriram grandes confrontos e conflitos por causa da exclusão e da miséria de milhões que, apesar da vigilância,  não se contentarão com as migalhas que cairem  das mesas dos ricos epulões.
Não são poucos que propõem uma glocalização vale dizer, o acento será colocado no local, na região com suas especificidades geológicas, físicas, ecológicas e culturais mas aberta ao global que a todos  envolve. Nesse bioregionalismo poder-se-ia realizar de fato um real desenvolvimento sustentável, aproveitando os bens e serviços locais. Praticamente tudo se realizará na região, com empresas menores, com uma produção agroecológica, sem precisar de  longos transportes que consomem energias e poluem. A cultura, as artes e as tradições serão reanimadas como parte importante da vida social. A governança será participativa, diminuindo as desigualdades e tornando menor a pobreza, sempre possível, nas sociedades complexas. É a tese que o cosmólogo Mark Hathaway e eu defendemos em nosso livro comum O Tao da Libertação (2010) que teve boa acolhida no meio científico e entre os ecologistas a ponto de Fritjob Capra ter se oferecido a fazer um instigante prefácio.
Outros veem a possibilidade de um ecosocialismo planetário, capaz de realizar aquilo que o capitalismo, por sua essência competitivo e excludente se mostra incapaz defazer: um contrato social mundial, igualitário e inclusivo, respeitador da natureza no qual o nós (o comunitário e societário) e não o eu (individualismo) será o eixo estruturador das sociedades e da comunidade mundial. Ele encontrou no franco-brasileiro Michael Löwy o seu mais brilhante formulador. Teremos em fim  como  reafirma a Carta da Terra bem como a encíclica do Papa Francisco “sobre o cuidado da Casa Comum” um modo realmente sustentável de vida e não apenas um desenvolvimento sustentável.
Enfim, passaremos de uma sociedade industrialista/consumista para uma sociedade de sustentação de toda a vida com um consumo sóbrio e solidário; de um cultura de acumulação de bens materiaspara uma cultura humanístico-espiritual na qual os bens intangíveis como a solidariedada, a justiça social, a cooperação, os laços afetivos e não em último lugar a amorosidade e a logique du coeur  estarão em seus fundamentos.
Não sabemos qual tendência predominará. O ser humano é complexo e indecifrável, é movido por benevolência mas também por boçalidade. É completo mas não está ainda totalmente pronto. Irá aprender, por erros e acertos, que a melhor conformação para a convivência humana junto com todos os demais seres da Mãe Terra deve se orientar pela lógica do próprio universo:este está estruturado, como nos dizem notáveis cosmólogos e físicos quânticos, por redes complexas de inter-retro-relações. Tudo é relação. Na existe fora a da relação. Todos se entreajudam para continuar existindo e podendo co-evoluir. O próprio ser humano é um rizoma (bulbo de raízes) de relações em todas as direções.
Se me é permitido dizer em termos teológicos: é a imagem e semelhança da Divindade que emerge como a íntima relação de três Infinitos,cada um sigular (as singularidades não se somam) de Pai, Filho e Espírito Santo que eternamente existem um para o outro, com o outro, no outro e através dooutro, constituindo um Deus-comunhão de amor, de bondade e de infinita beleza.
Tempos de crise como o nosso, de passagem de um tipo demundo para outro, são também tempos de grande sonhos e utopias. São elas que nos movem na direção do futuro, incorporando o passado, mas fazendo a própria pegada no chão da vida. É fácil pisar na pegada deixada por outros. Mas ela não nos leva mais a nenhum caminho esperançador. Devemos fazer a nossa pegada, marcada pela inarredável esperança da vitória da vida, pois o caminho se faz caminhando e sonhando. Então caminhemos.
Fonte: 247

sábado, 28 de março de 2020

CNBB, OAB e ABI acusam o néscio e perigoso Bolsonaro de ameaçar saúde da população


As organizações se reuniram virtualmente nesta sexta-feira, após o governo federal anunciar uma campanha publicitária contra as medidas de isolamento social que tentam conter o coronavírus.


Do Blog da Cidadania, de Eduardo Guimarães, citando O Globo:



Em rara nota conjunta, seis entidades da sociedade civil acusam o presidente Jair Bolsonaro de promover uma “campanha de desinformação” e criar uma “grave ameaça à saúde de todos os brasileiros”.
As organizações se reuniram virtualmente nesta sexta-feira, após o governo federal anunciar uma campanha publicitária contra as medidas de isolamento social que tentam conter o coronavírus.
A nota é encabeçada pelo presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), dom Walmor Oliveira de Azevedo. O documento pede que a população continue em casa, “respeitando as recomendações da ciência, dos profissionais de saúde e da experiência internacional”.
“A campanha de desinformação desenvolvida pelo presidente da República, conclamando a população a ir para a rua, é uma grave ameaça à saúde de todos os brasileiros”, afirma o texto.
Além da CNBB, assinam a nota os presidentes das seguintes entidades: Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Asssociação Brasileira de Impernsa (ABI), Academia Brasileira de Ciências (ABC), Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) e Comissão Arns.

quinta-feira, 26 de março de 2020

Do Meteoro Brasil: A Aliança pelo Vírus (e por ele mesmo) de Bolsonaro



Do Canal Meteoro Brasil:



  Neste vídeo lista-se alguns posicionamentos de Bolsonaro e algumas medidas de seu governo que não deixam dúvida: no Brasil da pandemia, é cada um por si e o presidente contra todos. Se você ainda o apoia, esta pode ser a última chamada para fazer uma revisão de seus conceitos.