terça-feira, 14 de abril de 2026

Alexandre Ramagem, bolsonarista, é preso pelo ICE nos EUA após fugir do Brasil condenado por tentativa de golpe. Reportagem de Camila Bezerra

 

 

Do Jornal GGN:


Ex-diretor da Abin e ex-deputado federal, condenado a 16 anos de prisão pelo STF, foi detido em Orlando por questões migratórias


Crédito: Reprodução/ TV Justiça


O ex-deputado federal Alexandre Ramagem (PL-RJ) foi preso nesta segunda-feira (13) pelo Serviço de Imigração e Controle de Aduanas dos Estados Unidos (ICE), em Orlando, na Flórida. A detenção ocorreu por volta de 12h (horário de Brasília).

Ramagem foi levado a um centro de detenção na cidade. A informação foi confirmada pela Polícia Federal, que está em contato com autoridades norte-americanas para dar prosseguimento aos trâmites de retorno ao Brasil.

“A prisão é fruto da cooperação internacional Brasil-Estados Unidos no combate ao crime organizado. Ramagem é um cidadão foragido da Justiça brasileira e, segundo autoridades norte-americanas, está em situação migratória irregular”, afirmou o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues.

Fuga

Ramagem deixou o Brasil clandestinamente em setembro de 2025, no mesmo dia em que o ministro Alexandre de Moraes, do STF, votou pela sua condenação, o que levou à decretação imediata de sua prisão.

Investigações da PF revelaram que ele cruzou a fronteira entre Roraima e a Guiana pela cidade de Bonfim (RR), onde apenas um rio separa os dois países, fazendo o percurso de carro. Já em território guianense, embarcou para Miami.

Há registro da sua chegada aos Estados Unidos em 11 de setembro de 2025. Embora tenha entrado sozinho no país, passou a residir lá acompanhado da esposa e dos filhos. Aliados do ex-parlamentar afirmavam que ele pretendia solicitar asilo político nos EUA.

Condenação

Ramagem foi condenado pelo STF a 16 anos de prisão por integrar o núcleo central da trama golpista que tinha como objetivo manter o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) no poder após a derrota nas eleições de 2022.

O ministro Alexandre de Moraes também determinou a inclusão de seu nome na lista vermelha da Interpol, o que viabilizou a possibilidade de detenção por autoridades estrangeiras.

Em 30 de dezembro de 2025, o Ministério da Justiça formalizou o pedido de extradição, encaminhando a documentação por meio da Embaixada do Brasil em Washington ao Departamento de Estado dos EUA. Em janeiro de 2026, o órgão confirmou ao STF que o pedido havia sido recebido pelo governo norte-americano.

Sanções

Enquanto permanecia foragido, Ramagem acumulou uma série de punições. Em dezembro de 2025, teve o mandato de deputado federal cassado pela Mesa Diretora da Câmara, em decorrência da condenação criminal.

Na sequência, perdeu o passaporte diplomático. Por determinação do STF, a Câmara também bloqueou seus vencimentos parlamentares.

Perfil

Delegado da Polícia Federal desde 2005, Ramagem ganhou projeção ao chefiar a segurança de Jair Bolsonaro após o atentado em Juiz de Fora, durante a campanha de 2018.

No governo Bolsonaro, dirigiu a Agência Brasileira de Inteligência (Abin). Sua gestão é alvo de investigações por suposto uso da estrutura para monitorar ilegalmente adversários políticos, caso conhecido como “Abin Paralela”.

Em 2020, Bolsonaro tentou nomeá-lo diretor-geral da PF, mas a indicação foi suspensa pelo próprio Moraes pela proximidade entre os dois. Eleito deputado federal em 2022, também disputou a prefeitura do Rio de Janeiro em 2024, terminando em segundo lugar.

*Com informações do g1 e Metrópoles.

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