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sexta-feira, 22 de março de 2019

Entenda todos os passos do conflito entre Maia e Moro que "coincidentemente" precedeu a prisão de Temer e de Moreira Franco, sogro de Maia. Artigo de Alexandre Putti



As prisões de Michel Temer e Moreira Franco foram mesmo uma forma de Sérgio Moro atingir Rodrigo Maia?


O universo político brasileiro pegou fogo na manhã desta quinta-feira 21. O ex-presidente Michel Temer e seu ex- ministro de Minas e Energia, Moreira Franco, foram presos com um mandado expedido pelo juiz Marcelo Bretas, da força-tarefa da Lava Jato carioca.

A prisão dos membros do MDB aconteceu horas após uma rusga envolvendo o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, e o ministro da Justiça, Sérgio Moro. Na noite de quarta-feira, Moro enviou uma mensagem cobrando agilidade de Maia na votação do pacote anticrime. A resposta ao juiz, ou “funcionário de Bolsonaro”, foi dado em tom duro. Houve ainda uma réplica.

Entre vários parlamentares corre a teoria de que a prisão do ex-presidente e de seu companheiro de partido foi uma forma de Moro pressionar Maia. Franco é sogro do presidente da Câmara.

Eugênio Aragão, que chefiou a pasta ocupada hoje por Sérgio Moro durante o governo Lula, segue esse pensamento sobre as prisões decretadas nesta quinta. “Tudo que eles fazem tem timing. Justo quando o genro de um dos atingidos [pela prisão] começa a enfrentar publicamente o ex-chefe da operação, que agora está no governo? É, no mínimo, uma grande coincidência”, avalia.

Mas, afinal, o que aconteceu para os dois entrarem em guerra?

A incursão no mundo político do juiz Sergio Moro tem sido mais atribulada do que supunham seus admiradores. Apresentado como superministro, garantidor da lisura, da transparência e da ordem, o homem que combateria no governo a corrupção e o crime organizado, Moro acumula derrotas e constrangimentos em menos de três meses no cargo.

O mais recente revés aconteceu nesta quinta. O “passa-moleque” do presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, lembrou o magistrado de sua real posição no governo. Em entrevista coletiva, Maia enviou um recado ao ex-juiz dizendo que política não se resolve dessa maneira. “Eu acho que ele conhece pouco a política. Eu sou presidente da Câmara, ele é ministro, funcionário do presidente Bolsonaro. Ele está confundindo as bolas. Ele não é o presidente da República”, afirmou Maia.

Moro ficou irritado com a decisão do presidente da Câmara em determinar a criação de um grupo de trabalho para analisar seu projeto anticrime. Na prática, Maia congelou a tramitação da proposta, pois a elaboração deste grupo tem o prazo de 90 dias para debater as matérias.

Maia lembrou que a prioridade do governo é a aprovação da Reforma da Previdência e que qualquer outro assunto deve ser postergado. Alguns outros parlamentares da base de Bolsonaro já vinham mostrando preocupação em enviar um projeto tão polêmico ao mesmo tempo que a reforma.

Moro rebateu o presidente da Câmara e disse que era possível, sim, debater os dois projetos ao mesmo tempo. “O povo brasileiro não aguenta mais. Essas questões sempre foram tratadas com respeito e cordialidade com o senhor Presidente da Câmara, esperando eu que o mesmo possa ocorrer com o projeto e com quem o propôs”, disse Moro.

Freixo e Paulo Teixeira na Comissão

Não bastasse o presidente da Câmara colocar o projeto de Moro para escanteio, ele também selecionou parlamentares que são críticos a sua proposta para participar da Comissão. Na quarta-feira 20, Maia indicou Marcelo Freixo (PSOL-RJ) e Paulo Teixeira (PT-SP) para integrarem o grupo de trabalho que vai analisar o pacote anticrime.

“Quero que esse grupo seja o lugar para ouvirmos a sociedade civil sobre o pacote do Moro. Tenho muita experiência na
área, e eles reconhecem isso”, diz Freixo.

Copia e cola

As críticas do presidente da Câmara não foram apenas a Moro. Maia desqualificou o projeto anticrime apresentado pelo ministro e disse que o texto é um cópia e cola de proposta sobre o mesmo tema que foi apresentada no passado pelo ex-ministro da justiça Alexandre de Moraes, hoje ministro no STF.

“Ele conversa com o presidente Bolsonaro e, se o presidente Bolsonaro quiser, ele conversa comigo. Eu fiz aquilo que eu acho correto. O projeto é importante, aliás, ele está copiando o projeto direto do ministro Alexandre de Moraes. É um copia e cola. Não tem nenhuma novidade, poucas novidades no projeto dele”, disse.

Mais tarde e mais calmo, Maia deu uma entrevista à Band News e afirmou que o “copia e cola” não era uma crítica e sim uma afirmação feita pelo próprio ministro . “O próprio Moro me disse que tinha copiado muitos artigos (do projeto de Moraes) é por isso que eu disse isso”. O presidente da Câmara contou que o próprio presidente Jair Bolsonaro havia pedido para ele prioridade total na previdência e que deixasse os outros projetos para depois.

Capa de revista

Moro sempre foi protagonista nos processos da operação Lava Jato. Nesses cinco anos, o juiz ganhou fama no pais e vinha se comportando como um superstar da Justiça. Entrevistas, prêmios, coletivas e jantares faziam parte da rotina do magistrado.

Além disso, a imprensa sempre era avisada com antecedência sobre qualquer movimentação da operação. O presidente da Câmara ironizou o ministro e insinuou que Moro busca destaque na mídia ao querer aprovar a proposta apresentada. “O projeto vai andar no momento adequado, ele pode esperar para ter um Jornal Nacional, um Jornal da Band, ou da TV Record, ele pode esperar”, disse.

A ilusão do superpoderes

Sérgio Moro vinha sendo considerado o herói contra a corrupção do Brasil. Após a vitória de Bolsonaro, o presidente convidou o ex-juiz para comandar o Ministério da Justiça e lhe garantiu superpoderes e total autonomia.

Moro disse ter aceitado o convite de Bolsonaro por estar “cansado de tomar bola nas costas”. Ele assumiu o cargo dizendo que teria total autonomia e status de super ministério. Isso foi só ilusão, pois, na prática, até o momento, Moro só teve derrotas.

Como primeira medida, o presidente Jair Bolsonaro fez um decreto flexibilizando a posse de armas. Moro tentou se desvincular dessa ideia e propôs ao presidente que o decreto permitisse apenas 2 armas por pessoa. A ideia de Moro foi completamente ignorada e o decreto surgiu permitindo quatro armas por pessoa.

E quando o ministro enviou ao Congresso o projeto anticrime, o Palácio do Planalto exigiu que a proposta de criminalização do caixa dois tramitasse separadamente do restante do projeto.

O clã Bolsonaro se irritou com o ministro quando ele indicou Ilona Szabó para o Conselho Nacional de Política Criminal e Penitenciária. A magistrada é contrária ao afrouxamento das regras de acesso a armas e criticou a ideia de ampliação do direito à legítima defesa que está no projeto do ministro. Moro foi obrigado a exonera-la após a pressão do presidente.

Alexandre Putti

sábado, 19 de março de 2016

Os juizes parciais e midiáticos, promotores da imbecilidade no Brasil

Moro assinou sua falência ao declarar que o grampo que divulgara era ilegal, que a divulgação, portanto, era ilegal, mas que 'isso não era relevante'.

Flávio Aguiar, pesquisador e professor da USP - Blog da Boitempo

Em conjunto, eles se acham a nova encarnação da Santa Ceia: um bando de apóstolos, em torno 
de um Messias. Não há Judas no meio deles, no entanto. O Judas está fora, deve ser caçado, 
condenado, expurgado, esfolado vivo, trancafiado, e impedido de concorrer ao que quer que seja 
daqui para a frente.

Ao redor deles, o Supremo Juiz, mais alguns, os áulicos promotores, a soldadesca da PF á solta 
age como se fora a Legião de Anjos da Morte enviados para limpar o antigo Egito de seus, não, 
de seu primogênito.

Agem de modo semelhante como agia o bando de oficiais da Aeronáutica reunidos em torno de 
Carlos Lacerda nos anos 50, contra Vargas, fanatizados ídolos e próceres de uma classe média 
ascendida que se sentia ameaçada pelos aumentos do salário mínimo concedidos pelo governo 
de Vargas. O manifesto das forças terrestres se chamava “O manifesto dos coronéis”. Entrou 
para a vergonha da história brasileira.

Hoje os coronéis e outros oficiais estão recolhidos a sua função constitucional, o que é bom para 
todos. Então o conluio messiânico, que corresponde aos anseios das hordas fascistas reunidas em 
todo o Brasil mas sobretudo na Avenida Paulista do dia 13, encontra representação na seara jurídica.

Não surpreende. O sistema judiciário brasileiro sempre foi o setor mais conservador da nossa sociedade. 
Mais que os militares. Ele é presa constante, por exemplo, da Opus Dei. Ele goza de um sentimento 
corporativo entre seus pares maior do que o militar, o eclesiástico e o universitário juntos. Por isto a 
atitude de Moro, da trinca Cássio Marx, José Carlos Engels e Fernando Hegel, de outros juízes e 
motores açodados em busca de manchetes apressadas, não surpreende.

Há uma novidade. Olhando-se a foto dos juízes militares que julgavam a então futura presidenta Dilma 
nos temos da Resistência Armada à Ditadura de 64, vê-se que eles, pudicamente, tapam os olhos, como
 aqueles macaquinhos de prateleira, já que tapavam os ouvidos aos direitos da acusada e tapavam a
 boca desta. Agora não. Estes promotores da demência e os juízes da agonia do regime democrático 
escancaram a face, os olhos cúpidos ou fascistas, e arreganham os dentes em sorrisos que mais
parecem escárnios, na TV Globo, nas manifestações de estilo nazi-messiânico que promovem
o ego ressentido dos que se sentem prejudicados pela melhora da situação dos pobres que as
administrações populares promoveram, não só na esfera federal, mas em todas, as estaduais e as
municipais também.

Como dito antes, eles pensam que são os enviados do Senhor: a Corte do Justiceiro que desce do 
Planalto de Curitiba em busca de galgar o Planalto do Palácio ou o Palácio do Planalto 
(alguém ainda duvida que Moro quer ser o Berlusconi brasileiro?).

Mas quem são eles na verdade? O promeresidente, fazer operações escusas e ilegais que apenas 
coroam sua carreira de vtido Messias é um juiz medíocre, vingativo ao ponto de ao se ver privado de 
seu alvo, o ex-piolações dos direitos básico da cidadania, um proto-fascista em busca de seu público-
alvo. Já pensaram num juiz que diz que “se deve ouvir a voz das ruas”? Alguém se lembra do imortal 
filme dirigido por Stanley Kramer, O julgamento de Nuremberg (1961, Oscar de melhor ator 
coadjuvante para Maximilien Shell no papel do advogado de defesa dos nazistas)? Um juiz tão 
medíocre que, sem saber o que faz, cita a Operação Mãos Limpas, um desastre para a Itália, e o 
caso Watergate, uma bênção, ainda que tardia, para os EUA, em seu favor. Só dá pra dizer: 
perdoamos, porque ele não sabe o que fala.

Sobre a trinca pseudo-marxista e hegeliana já se falou. Quanto aos restantes, bem, serão lembrados 
não como as legiões do Senhor, mas as hordas nazis que perseguiam judeus e inimigos do regime, 
remanescentes da ditadura de 64, cujo final melancólico estava mais para um regime policial (que é o 
que querem implantar agora) do que até mesmo para um regime militar stricto sensu.



O juiz Moro assinou sua completa falência ao declarar que o grampo que divulgara era ilegal, que a 
divulgação, portanto, era ilegal, mas que “isso não era relevante”. Caramba, eu não votaria neste 
homem nem para juiz de futebol de várzea, até porque pela fama que está criando ele seria trucidado 
no primeiro pênalti que marcasse. Ele conta com a Rede Globo, a Folha, o Estadão, o Globo, etc.

Mas não adianta. Ele vai entrar para a história como o Grande Torquemada do século XXI no Brasil.
 Os outros, como os pequenos. A PF comprometida com tais desmandos, como os neo-SS ou neo-SA 
ou ainda neo-pandorgas da ditadura que se queria impingir ao Brasil.


De todo modo, o melhor que poderá acontecer a toda esta caterva de medíocres e arrogantes será 
caírem no esquecimento da História. Que o pó lhes seja leve.

***


Flávio Aguiar nasceu em Porto Alegre (RS), em 1947, e reside atualmente na Alemanha, onde 
atua como correspondente para publicações brasileiras. 
Pesquisador e professor de Literatura Brasileira da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas 
da USP, tem mais de trinta livros de crítica literária, ficção e poesia publicados. Ganhou por três 
vezes o prêmio Jabuti da Câmara Brasileira do Livro, sendo um deles com o romance Anita (1999), 
publicado pela Boitempo Editorial. Também pela Boitempo, publicou a coletânea de textos que t
ematizam a escola e o aprendizado, A escola e a letra (2009), finalista do Prêmio Jabuti, 
Crônicas do mundo ao revés (2011) e o recente lançamento A Bíblia segundo Beliel (2012). 
Colabora com o Blog da Boitempo quinzenalmente, às quintas-feiras.




Créditos da foto: Fabio Rodrigues Pozzebom / Agência Brasil

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