domingo, 21 de julho de 2013

A lógica da Reencarnação


A lógica da Reencarnação

I parte: Ciência
Memória Extra-Cerebral: Evidências a favor da Reencarnação

Carlos Antonio Fragoso Guimarães

Memória Extra-Cerebral.... É este o termo técnico usado por cientistas e parapsicólogos para as lembranças espontâneas de crianças que, geralmente a partir do começo da fala ao redor dos dois anos, parecem demonstrar recordações referentes a pessoas e fatos existentes ou ocorridas antes de seu nascimento (STEVENSON, 1995; ANDRADE, 1993; SHRONDER, 2001). As crianças não dizem lembrar-se que vêem tais pessoas ou fatos, mas que são estas pessoas e que vivenciaram pessoalmente estes fatos.
A memória extra-cerebral traz o incômodo paradoxo de que as lembranças narradas (e, em vários casos, posteriormente confirmadas através de documentos, etc.) não foram registradas através da aparelhagem neuropsicomotora do sujeito que as detêm, mas, a principio, pelo "cérebro" e demais órgãos sensoriais de uma outra pessoa, impreterivelmente morta à época em que a criança espontaneamente narra suas lembranças, muitas vezes referentes a outras famílias e em outros locais que não estão em relação com a família da criança hoje (STEVENSON, 1995; ANDRADE, 1993; SHRODER, 2001). Este fenômeno faz questionar se o modelo mecanicista da mente dominante na ciência não será limitado demais... Pois o fenômeno parece ter um substrato psíquico não necessariamente associado ao sistema nervoso da criança que recorda (veja-se ao final deste texto o exemplo da reencarnação do piloto de caça da Segunda Guerra Mundial, James Houston Jr, em uma criança nascida nos anos 901).
Hoje, a pesquisa da Memória Extra-Cerebral adentra os corredores das universidades. Entre estas, temos de destacar as pesquisas iniciadas pelo Dr. Ian Stevenson na Universidade de Virgínia, Estados Unidos, onde foi professor de Psiquiatria e Psicologia e, mas recentemente, chefe da Divisão de Estudos da Personalidade. A Psychical Research Foundation, da mesma universidade, possui uma revista própria, científica, dedicada a todos os aspectos metodológicos da pesquisa que sugiram a sobrevivência após a morte do corpo físico, incluindo todos os fenômenos parapsicológicos, além dos estudos de casos de Memória Extra-Cerebral. A revista chama-se THETA, não sem razão o nome dado aos prováveis agentes não-físicos causadores de vários dos fenômenos paranormais ligados à teoria da sobrevivência (Poltergeists, Memória Extra-Cerebral, Aparições, etc.). As pesquisas neste sentido realizadas por pesquisadores da Universidade de Virgínia ganhou o nome de "Projeto THETA".
Diversos fatores diferenciais são utilizados como métodos e técnicas de indícios de Reencarnação. Citemos:
1) Experiências de Regressão de Memória Artificialmente Provocadas quer seja através de hipnose ou de relaxamento profundo. Tem o incoveniente de que a sugestão da regressão possa provocar lembranças fictícias para atender a expectativa do hipnólogo, mas, ao mesmo tempo, pode atingir realmente instâncias profundas do inconsciente (PINCHERLE, 1990);
2) Regressão de Memória Espontânea. Caso raro em que certas pessoas entram em transe espontâneo e recordam de eventos prováveis de vidas passadas;
3) Memórias Espontâneas. Geralmente ocorrem em crianças e adolescentes que, em dado momento, começam a recordar nitidamente reminiscências ligadas a uma personalidade que elas dizem ser em outro tempo e lugar. Em algumas destas lembranças existem marcas de nascença que, de alguma forma, estão ligados a traumas físicos que elas dizem ter causado a morte na sua vida anterior.
Entre os primeiros investigadores europeus a realizar estudos sobre memórias espontâneas ligadas a marcas de nascença, está o Dr. Resart Bayer, psiquiatra e presidente da Sociedade Turca de Parapsicologia. Fala o Dr. Bayer que "Certos sinais ou marcas congênitas, muito evidentes, como cicatrizes, etc., que não têm explicações dentro das leis biológicas mas que obrigatoriamente têm de ter uma causa" geralmente associadas às lembranças espontâneas em sua quase totalidade ligadas a ferimentos e traumas que causaram a morte em outra vida, e obrigam a ciência a ocupar-se com seriedade destes fenômenos. O Dr. Stevenson publicou um livro, em dois volumes, com mais de mil páginas, com casos documentados de memórias espontâneas ligadas a marcas de nascença (STEVENSON, 1997). Estes casos são muito raros, mas o conjunto de casos levantados por Stevenson e colaboradores não podem ser negligenciados como as melhores evidências a favor da hipótese da Reencarnação.
II parte: Filosofia
Pitágoras de Samos (570-500 a.C.) foi um filósofo, músico e matemático grego, sendo mais conhecido pelo famoso teorema matemático geométrico que leva seu nome. Contudo, seu legado vai muito além deste teorema, tendo assentado as bases da divisão tonal musical e deixando uma série de nobres ensinos morais que conhecemos hoje por uma série de fragmentos que sobreviveram ao tempo.
Pitágoras nasceu na ilha de Samos, então parte da Grécia e que hoje pertence  à Turquia. Em Mileto, outra ilha grega, convive com o filósofo e matemático Tales (624-546 a.C.). Profundamente estudioso, e com o apoio de alguns amigos e admiradores, passa anos a  viajar pela África e Ásia, estudando com sábios do Egito, da Babilônia e de parte da Índia. São que permitem a Pitágoras aprofundar sua ciência e filosofia, em especial confirmando sua convicção na reencarnação.

Em torno do ano 525 a. C, Pitágoras retorna à Grecía e, logo depois, transfere-se para uma colônia grega em Crotona, uma cidade ao sul da península da atual Itália, onde funda a Ordem Pitagórica, escola filosófico-religiosa que chegou a juntar centenas de alunos selecionados, atraídos pelos ideais de respeito e justiça em harmonia com a natureza, e terá uma influência sobre toda a cultura grega.  A escola, ou melhor, a sua tradição se prolongou por quase  mil anos.  
A Escola Pitagórica tinha um caráter peculiarmente duplo: por um lado, dedicava-se a questões espirituais: os pitagóricos acreditavam na imortalidade da alma e na reencarnação e tinham a autorreflexão como um dever consciente e imprescindível na espiritualização da vida; por outro lado, como parte dessa espiritualização, incluía estudos de Matemática, Astronomia e Música, o que lhe imprimiu um carácter também científico, no sentido moderno da palavra. O estudo da Matemática - confundindo-se com a filosofia, pois "tudo é número" - era feito para promover a harmonia da alma com o cosmo.
Ensinava-se lá a reencarnação, o aperfeiçoamento do homem, a astronomia, as virtudes e a obrigação com os deveres sociais. O homem, em essência, um espírito que deve se aperfeiçoar, não poderia desenvolver todas as suas capacidades e superar todas as suas imperfeições em uma única vida. Responsável pelos seus atos, deveria assumir seus  erros e retificá-los. Punições ou castigos após a morte, em um intervalo entre uma vida e outra, seriam apenas consequências do desvio humano ante à lei do progresso e constituíram apenas um remédio amargo para a correção de curso e de atitudes, nunca uma punição definitiva e eterna o que, por si só, perderia toda a razão de ser e mostraria Deus mais como um ser vingativo que um pai. Aprender a disciplina para se obter o autocontrole era uma das práticas da escola pitagórica, uma forma de se preparar para a vida e o progresso, pois o mal que atrasa a evolução do indivíduo tem origem nos abusos, nos vícios, e por consequência, no descontrole emocional.  A divindade, sábia e paciente, pois, permite ao homem voltar para corrigir-se e aperfeiçoar-se, bem como para ajudar aos seus semelhantes e o próprio mundo a evoluir.
Platão (427 – 3278 a. C), nascido e morto em Atenas e discípulo de Sócrates, também é um outro famoso (entre vários outros) da era clássica da filosofia que também defendia a imortalidade da alma, o caráter retificador das dores e castigos momentâneos (que, contudo, parecem eternos enquanto são vivenciados). Ele escreve em A República, mas também no Fédon e vários outros diálogos, que a alma é imortal e recebe de Deus a chance de se aperfeiçoar em várias vidas até o dia em que:

“Se a alma se retira pura (...) e estando sempre recolhida, meditando sempre, isto é, filosofando (porque a filosofia não é uma preparação para a morte?); se a alma se retira, digo, neste estado, se dirige aos seres semelhantes a ela, torna-se um ser divino, imortal, cheio de sabedoria, livre de seus erros, de sua ignorância, de seus temores (...)”

Apesar das pserseguições ulteriores à idéia da reencarnação, ela sempre sobreviveu e mais de um filósofo moderno a levou em consideração, de uma forma ou de outra. Um francês (M. Franck) do Instituto politécnico de Paris, no século XIX cehgou a escrever que:

“Reconduzir a alma à saúde, purifica-la de suas manchas, levantá-la de suas quedas, revesti-la de uma nova força para marchar com um passo mais firme nas vias em que ela falhou e para alcançar mais ditosamente a perfeição moral que ela desdenhara de perseguir, não está ai a única eficácia que se possa conceber de uma pena, quando o ser que a inflige tem, para agir sobre a alma, o poder e a inteligência? A justiça de Deus se harmoniza necessariamente com sua sabedoria e sua misericórdia, isto é, com a razão e o amor, considerados em sua essência eterna; então, não é necessário representar-se a outra vida cheia de suplícios arbitrários, e que parecem ter para objetivo menos a expiação do que a vingança”.

            E um teólogo protestante do mesmo século, o Senhor Muston, criticando a forma literal e superficial como muitos interpretam as escrituras, sem levar em conta o contexto das época em que foram escritas, escreveu também:

“Representa-se, de um modo0 geral, o estado das almas na vida futura como um estado passivo e imutável. O julgamento de Deus, que decide dessa eternidade estacionária, torna-se, segundo essa teoria, análogo àquele de um tribunal que, sobre as peças de um processo, condena ou absorve as partes, e depois não se ocupa mais de sua sorte.
“Assim, nossas almas criadas por Deus e imortais, durante a curta duração de uma única vida terrestre, teriam tido diante delas uma perspectiva de aperfeiçoamento, aprendizagem, se bem agiu, ou de corruptibilidade , em caso contrário, encerradas abruptamente com a morte, sem que diante da vida eterna elas pudessem se encontrar com novas possibilidades de aperfeiçoamento ou resgate?
“Essa maneira de ver não me parece de acordo nem com o amor e o perdão do Evangelho e nem com a filosofia.
“O Evangelho nos chama a sermos perfeitos como Deus é perfeito, o que não pode acontecer nesta terra; e a filosofia nos ensina que a razão de um ser não poderia cessar de agir, sem que esse ser fosse destruído, o que só poderia acontecer em um não-ser.
“Além disso, as penas eternas, consideradas como um estado invariável e sem saída, seriam uma nulidade na vida universal, visto que devendo durar para sempre, elas não terminariam me seriam, por consequência, sofrimento completamente inúteis. A lógica nos força a reconhecer que as penas infinitas não estão em relação lógica com as faltas finitas.
“Qual é o pai que entregaria seus filhos aos sofrimentos sem termo, tendo o poder de os libertar destes? Se a maldição nos revolta no homem, o que seria ela em Deus?”


Veja o seguinte vídeo de uma história de reencarnação, em duas partes:



Bibliografia
  • Andrade, Hernani Guimarães. Reencarnação no Brasil. Matão, 1993, Casa Editora O Clarim.
  • Shroder, Tom. Almas Antigas - A busca de evidências científicas da reencarnação. Rio de Janeiro, Sextante, 2001.
  • Pezzani, André. A Pluralidade das existência das Almas. Rio de Janeiro, editora Lorenz, 2009.
  • Pincherle, Livio et al. Terapia de Vida Passada. São Paulo, Summus Editorial, 1990.
  • Stevenson, Ian. Twenty Cases Suggestive of Reincarnation. Charlotteville, University Press of Virginia, 1995.
  • ______________ Reincarnation and Biology, vol. 1: BirthmarksVol. 2: Birth Defects and Other Anomalies. Esport, Connecticut. Prager, 1997

Um comentário:

  1. As verdades filosóficas fundamentais, que tantas discussões levantaram nos milênios, resolver-se-ão com simples uso da razão, por isso que vossa inteligência progrediu. Aquilo que antes, para outras forças intelectuais, devia necessariamente constituir mistério de fé ou dogma, ficará reduzido a questão de simples raciocínio; ficará demonstrável e, portanto, verdade obrigatória para todo ser pensante.
    Pietro Ubaldi

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