domingo, 2 de fevereiro de 2014

Olavo de Carvalho, o chefe da direita for dummies




Segue artigo de Paulo Nogueira sobre o "ex-astrólogo" que se diz filósofo, Olavo de Carvalho.


Na foto, o próprio "ex-astrólogo"

A direita brasileira está sem farol há muitos anos. Mais precisamente, desde a morte de Roberto Campos, em 2001.
Não que o Brasil tenha em algum momento produzido expoentes mundiais do pensamento conservador, gente do nível de Hayek e Mises, ou mesmo de Milton Friedman.
Mas, ainda que longe de Nobeis ou coisa do gênero, o Brasil teve no século passado representantes ilustres da direita: Eugenio Gudin, Octávio Bulhões, Roberto Campos e Mario Henrique Simonsen.
Não por coincidência, todos eles ocuparam posições de destaque no comando econômico dos governos militares depois do golpe de 1964. Fizeram o que se esperava que fizessem: contribuíram poderosamente para tornar o Brasil um campeão mundial da desigualdade social. Administraram economias de ricos, por ricos e para ricos.
Terminada a ditadura, os economistas da direita perderam o poder. Mas continuaram a divulgar suas ideias na mídia, sempre generosa em conceder espaço a eles.
Com a morte do último dos conservadores notáveis, Roberto Campos, o pauperismo tomou de assalto o pensamento de direita. Não houve reposição no mesmo nível de antes.
Foi neste vazio que cresceu Olavo de Carvalho. Ele não tem o gabarito intelectual Gudin ou Simonsen, mas, talvez por isso mesmo, é mais fácil de ler. Quem não é afeito a leituras tem a alternativa de ouvi-lo em vídeos postados no YouTube.
Em consequência de tudo isso, ele acabou tendo apelo sobre pessoas de capacidade limitada de absorção de ideias mais complexas.
A direita se vulgarizou com ele. Com Olavo de Carvalho tomou vulto no Brasil o que podemos definir como direita para dummies.
Olavo de Carvalho é, hoje, uma espécie de chefe de seita para a direita brasileira, incluídos aí analfabetos políticos que costumam ziguezaguear ao sabor dos ventos e dos modismos.
Uma peça importante no marketing de Olavo de Carvalho é a autocaracterização como “filósofo”, título que a rigor qualquer pessoa pode reivindicar desde que faça pose de pensador com alguma regularidade.
“Filósofo” lhe confere um ar doutoral que tem mesmeriza seus discípulos usuais. Morar nos Estados Unidos, ainda que numa cidade remota, é outro fator que ajuda na imagem dele perante sua manada.
(Ele se apresenta como correspondente nos Estados Unidos do DCI, jornal de Guilherme Afif, integrante do ministério de Dilma. É mais uma mostra da confusão ideológica do governo e dos rumos estranhos da chamada governabilidade.)
O poder de Olavo de Carvalho na nova direita brasileira se manifesta nos vários seguidores — ou ex-seguidores porque o chefe é encrenqueiro e dado a rupturas – presentes na mídia.
Três deles estão na Veja: Rodrigo Constantino, Lobão e Felipe Moura Brasil. Este último compilou frases do guru e as transformou num livro lançado recentemente.
O número expressivo de aprendizes de Olavo de Carvalho na Veja faz supor que sua pregação esteja chegando à nova geração da família Civita, os irmãos Gianca e Titi. Editorialmente, a impressão que se tem é que saiu Roberto Civita e entrou Olavo de Carvalho na Veja.
Outro seguidor conspícuo dele na mídia é a comentarista de TV Rachel Scherazade, do SBT. Há poucos dias, em sua página no Facebook, Olavo de Carvalho conclamou sua tropa a “gostar” de um vídeo no YouTube no qual Rachel dava uma cacetada nos rolezinhos.
Zeloso, ele contabilizou depois o número de aprovações registradas no vídeo de Rachel, e comemorou com os fieis.
Há na pregação de OC um fundamentalismo que remete aos pastores evangélicos. Também isso atrai um tipo de seguidor que quer certezas definitivas sem mergulhar nas asperezas das dúvidas existenciais.
Num artigo, Euclides da Cunha definiu assim o marechal Floriano Peixoto: cresceu não porque fosse grande, mas porque acontecera uma depressão a seu redor. O mesmo vale para Olavo de Carvalho. No deserto que caracteriza o pensamento de direita no Brasil destes dias, ele acabou por se tornar a principal referência no conservadorismo.
Keynes escreveu que todo economista é filho de algum economista morto. No Brasil de hoje, todo reacionário é filho de um reacionário vivo: Olavo de Carvalho.

Como a Veja se tornou uma olavete

Paulo Nogueira

Extraído do site da Revista Carta Capital

Bandeira de Mello fez uma das melhores definições de 2013, pela brevidade e pela acurácia: Joaquim Barbosa é um homem mau.
Poderia estar na lápide de Barbosa: “Foi um homem mau”. Seria justo. Finalmente Joaquim Barbosa e a justiça se encontrariam, e juntos permaneceriam per omnia saeculae saeculorum.
Existem coisas na mídia para as quais a definição de Bandeira de Mello sobre JB se aplicam perfeitamente.
São muitas, aliás. Mas nenhuma marca se equipara hoje, em maldade, à revista Veja. Sua alma é má. Os defeitos são inumeráveis, e as virtudes simplesmente desapareceram.
Se alguém acredita no céu ou no inferno das revistas, a Veja vai rumar direto para os braços de Lúcifer. É uma revista canalha. Já que falamos de lápides, poderia estar escrito isso na da Veja: “Foi uma revista canalha”.
Nos dias de hoje, a canalhice se traduz em coisas como a caça impiedosa, assassina e abjeta a Dirceu.
No último almoço de final de ano da Abril em que Roberto Civita estava vivo, um grupo de editores da Veja ria e vibrava, com o sadismo do celerado, com a perspectiva de ver Dirceu preso.
Ninguém estava ali discutindo como esticar a vida de uma revista que vende cada vez menos e capta cada vez menos anúncios na Era Digital, por razões óbvias.
Não, os cérebros estavam concentrados em antecipar o sofrimento de Zé Dirceu, e se regozijar com isso como era comum com oficiais nazistas nos fornos dos campos de concentração: a alegria na miséria alheia.
Onde a Veja se perdeu?
Ela não foi sempre esse horror, essa escória. Trabalhei lá em boa parte dos anos 1980, e era uma revista admirada pelos brasileiros. Conservadora, mas digna como é, por exemplo, a Economist.
Você pode fazer jornal ou revista de direita sem descer à ignomínia abissal. Você pode ser de direita sem ser um predador.
Burke, o grande liberal inglês, é uma pequena mostra disso. Num de seus grandes ensaios, Burke reprova a Revolução Francesa pela cavalheiresca razão de que homem nenhum acudiu Maria Antonieta quando o povo revoltoso a insultou em Versalhes.
Mas a Veja enveredou pelo direitismo predador. Não é Burke que a governa em seu conservadorismo, como acontece com a Economist. É Olavo de Carvalho, o mistificador que se autoproclamou filósofo depois de ler os astros como astrólogo.
A Veja é hoje uma olavete.
A presença de Olavo de Carvalho é visível a 10 mil quilômetros. Basta ver as contratações feitas nos últimos meses. Dois discípulos entusiasmados de Olavo de Carvalho foram incorporados aos quadros da revista: Rodrigo Constantino, o ‘reaça-econômico’, e Felipe Moura Brasil, o ‘reaça-engraçado’.
Isso para não falar em Lobão, o ‘reaça-iconoclasta’, outra aquisição recente da revista que repete bobagens de Olavo de Carvalho como se estivesse citando Platão.
Olavo de Carvalho ocupou a Veja. Por que não contratá-lo diretamente, em vez de povoar a revista com seguidores pedestres?
Por covardia.
A revista não quer correr o risco de colocar Olavo de Carvalho em pessoa em suas páginas, por ser um nome universalmente abominado e desprezado fora de um pequeno círculo de extrema direita – aquele para o qual a Veja fala hoje.
A Veja 2013 e, ainda mais, 2014 é uma olavete.
Repito: é uma olavete. E da pior espécie: a olavete envergonhada e covarde.

Um comentário:

  1. Teacher and Guru Olasninho

    Em primeiro lugar quero pedir desculpas pelas palavras sem acentuacao pois meu teclado esta com defeito em alguma teclas. Em varios artigos e videos publicados na internet, o pseudo duble de filosofo e vigarista Olasno de Carvalho(Olasno=Olavo+Asno) defeca pela boca teorias sobre as mais diversas areas do conhecimento humano bem como as regras que regem as relacoes humanas no mundo atual. A Historia ja presenciou o surgimento de inumeros charlatoes e vigaristas ao longo de seu curso, mas nunca houve alguem que pudesse chegar perto do autointitulado “filosofo” Olasno. Em materia de mentira, vigarice e charlatanismo, Olasno é imbativel e esta num patamar superior e inalcansavel da burrice humana. Senao vejamos: Olasno proclama aos 4 ventos que ninguém pode acreditar na Teoria da Evolucao e que nao ha evidencias que possam comprova-la. Nao bastasse isso o vigarista contumaz afirma que a Teoria da Relatividade, as Leis de Sir Isaac Newton e outras ideias e trabalhos brilhantes de espetaculares mentes humanas nao sao validas. Vigarista mentiroso. A humanidade so alcancou o atual estagio devido ao esforco de cientistas inteligentissimos que precisaram conviver e vencer ideias retrogadas e falsas, a maioria delas embasadas em puro fanatismo religioso. Olasno afirma tb ser capaz de provar que certas teorias nao existem, como a Primeira Lei de Newton, a Lei da Inercia. Burro imbecil. Se nao ha inercia como ele explica que um corpo nao esteja em movimento? Ha! Ja sei! Olasno explica tudo atraves da sua “fantastica” e “revolucionaria” teoria da “Paralaxe Cognitiva”. Se a ciencia e os cientistas que proporcionaram o desenvolvimento humano sao falsas, por que o “filosofo” picareta nao apresenta evidencias contrarias e provas cabais sobre suas teses idiotas e sem nenhum ebasamento cientifico?
    Mas a picaretagem e a vigarice nao param por ai. Na sua ansia de explicar os problemas e questoes envolvendo a mente humana, o pequeno Olasninho(perdao pela redundancia) profere diversos cursos sobre estudos das mais diversas areas do conhecimento humano. Engracado. Nunca tinha visto um vigarista exercer tantas “profissoes” como Olasninho o faz: Medico, Engenheiro, Fisico, Psicologo, Historiador, Filosofo, Advogado, Administrador, Economista, o sujeito se arroga sabedor de tudo, absolutamente tudo em todas as areas do conhecimento humano. Entretanto, a mais “impressionante” “habilidade” do burro Olasno é aquela na qual ele afirma ser capaz de fazer previsoes sobre o futuro, tudo gracas ao seu “poder” de “astrologo”! Sim, o sujeito é “astrologo”, inclusive disse que pode fazer “previsoes” sobre qualquer coisa, tais como desastres naturais que possam acontecer no planeta. Incrivel nao? So nao entendi como é que ele ainda nao ficou rico, pois ja que pode prever o futuro por que nao joga na Mega-Sena? Parece que o pequeno Olasninho aprendeu tudo com o seu grande mestre Walter Mercado. Ligue dja!!! As “Olasnetes” podem ficar tranquilas pois o Guru e chefe da Seita Olasniana ja deixou ate um trabalho postumo feito em vida. Quem quiser conhecer Os “Postulados" do Teacher e Guru Olasninho basta ir no link a seguir e conferir alguns pensamentos do Asno Mor: http://medicoanimosico.blogspot.com.br/2012/03/olavo-de-carvalho-o-palhaco-mor-da.html
    O que Olasninho escreve e produz sobre o conhecimento humano e ciencia nao causa surpresa a mim e a ninguem. Esta perfeitamente de acordo com as cretinices que o imbecil costuma zurrilhar enquanto esta pastando. Afinal de contas, faz juz ao seu proprio nome: Olasno de Carvalho.

    Fernando Souza de Porto Alegre, RS/Brasil.

    ResponderExcluir

Olá... Aqui há um espaço para seus comentários, se assim o desejar. Postagens com agressões gratuitas ou infundados ataques não serão mais aceitas.