terça-feira, 11 de janeiro de 2022

Portal do José: A Petrobrás de Bolsonaro com militares no comando... aumento dos preços é mais combustível para o fim! O Fantoche do Trem Fantasma que ninguém respeita!

 

Do Portal do José:

Hoje a Petrobras anunciou mais um aumento nos preços dos combustíveis. Isso ataca a economia nacional e prejudica ainda mais os orçamentos familiares e empresariais.



11/01/22 - Faltam 263 dias para que o Brasil demita Bolsonaro pelo voto. O lixo da história pode ser muito cruel. Impressiona como Bolsonaro atua contra o próprio povo e principalmente contra ainda acredita nele. Os membros do governo só pensam em suas próprias sobrevivências. Férias, descansos e escapadas. Todos pressentem o fim. Isso abre espaço para vermos de perto os nossos problemas reais.

Hoje a Petrobras anunciou mais um aumento nos preços dos combustíveis. Isso ataca a economia nacional e prejudica ainda mais os orçamentos familiares e empresariais.

Caminhoneiros que faziam movimentos pró Bolsonaro estão sendo traídos a cada instante.

Que Brasil restará após a passagem deste trem fantasma que se abateu sobre nós?

Mas tudo tem um fim. E o destino dessa gente não apresenta perspectivas muito boas para eles...

Sigamos.

Amanhã, às 10:00 teremos um papo extra no PORTAL DO JOSÉ sobre o que acontece no mundo atormentado pela perspectiva de conflitos militares.

A anemia do espírito, por Leonardo Boff

 "(...) a cultura do capital que se funda no consumo afogou o espírito na materialidade opaca. E sem espírito perdemos o que há de melhor em nós: a comunicação livre, a cooperação solidária, a compaixão amorosa, o amor sensível e a sensibilidade cordial pelo outro lado de todas as coisas, de onde nos vêm mensagens de beleza, de grandeza, de admiração, de respeito, de veneração e de transcendência." - Leonardo Boff



do A Terra É Redonda


A anemia do espírito

por Leonardo Boff


Vivemos numa época particularmente anêmica de espírito. A falta de políticas governamentais por parte do atual Presidente para atacar o Covid-19 mostra mais que falta de empatia e de solidariedade para com os mais de cento e quinze mil mortos. Mostra – o que é mais grave – a falta de espírito. Parece que o presidente vive ainda no estágio pré-humano, dos primatas. Não cuida nem ama a vida, a vida de seu povo.

Acresce ainda que a cultura do capital que se funda no consumo afogou o espírito na materialidade opaca. E sem espírito perdemos o que há de melhor em nós: a comunicação livre, a cooperação solidária, a compaixão amorosa, o amor sensível e a sensibilidade cordial pelo outro lado de todas as coisas, de onde nos vêm mensagens de beleza, de grandeza, de admiração, de respeito, de veneração e de transcendência.

Há uma das festas da tradição cristãs, das mais importantes, Pentecostes, na qual os cristãos celebram a irrupção do Espírito sobre amedrontados seguidores de Jesus. Transformou-os em corajosos mensageiros de sua mensagem libertadora, alcançando-nos a nós até os dias de hoje. Nesse momento trágico de afogamento do espírito que é o mesmo que o assassinato da vida, deixada por conta de um vírus, que o atual Presidente negacionista desconsidera como um simples gripe, cabe uma reflexão sobre o espírito em minúsculo e sobre o Espírito em maiúsculo.

O espírito: primeiro no universo, depois em nós


Somos singularmente portadores de grande energia. É o espírito em nós. O espírito, na perspectiva da nova cosmologia (a ciência que estuda o surgimento do universo, sua expansão e evolução, para onde se dirige, qual é seu sentido e nosso lugar dentro deste processo), é tão ancestral quanto o cosmos. Espírito é aquela capacidade que os seres, mesmo os mais originários, como os hádrions, os topquarks, os prótons e os átomos tem de se relacionarem, trocarem informações e de criarem redes de interretroconexões, responsáveis pela unidade complexa do todo. É próprio do espírito criar unidades cada vez mais altas e elegantes.

O espírito primeiramente está no mundo; somente depois está em nós. Entre o espírito de uma árvore e nós a diferença não é de princípio. Ambos são portadores de espírito. A diferença reside no modo de sua realização. Em nós seres humanos, o espírito aparece como autoconsciência e liberdade. Na árvore por sua vitalidade e relações com o solo, com os raios solares, as energias da Terra e do cosmos; ela sente, se relaciona, se nutre e nutre a própria natureza sequestrando CO2 e dando-nos oxigênio sem o qual não vivemos.

Espírito humano é aquele momento da consciência em que ela se sente parte de um todo maior, capta a totalidade e a unidade e se dá conta de que um fio liga e religa todas as coisas, fazendo com que seja um cosmos, e não um caos. Como se relaciona com o Todo, o espírito em nós nos faz sermos um projeto infinito, uma abertura total ao outro, ao mundo e a Deus.

Portanto, a vida, a consciência e o espírito pertencem ao quadro geral das coisas, ao universo, mais concretamente: à nossa galáxia, à Via Láctea, ao sistema solar e ao planeta Terra, ao local onde vivemos. Para que tivessem surgido, foi preciso uma calibragem refinadíssima de todos os elementos, especialmente das assim chamadas constantes da natureza (velocidade da luz, as quatro energias fundamentais, a carga dos elétrons, as radiações atômicas, a curvatura do espaço-tempo entre outras). Se assim não fosse não estaríamos aqui escrevendo sobre isso.

Refiro apenas um dado do livro do astrofísico e matemático Stephen Hawking intitulado Uma breve história do tempo (2005): ”Se a carga elétrica do elétron tivesse sido ligeiramente diferente, teria rompido o equilíbrio da força eletromagnética e gravitacional nas estrelas e ou elas teriam sido incapazes de queimar o hidrogênio e o hélio, ou então não teriam explodido. De uma maneira ou de outra a vida não poderia existir” (p. 120). A vida pertence, pois, ao quadro geral das coisas e a vida possuída pelo espírito.

O princípio andrópico fraco e forte


Para conferir alguma compreensão a essa refinada combinação de fatores, criou-se a expressão “princípio andrópico” (que tem a ver com o homem). Por ele se procura responder a esta pergunta que naturalmente colocamos: por que as coisas são como são? A resposta só pode ser: se fosse diferente nós não estaríamos aqui. Respondendo assim não cairíamos no famoso antropocentrismo que afirma: as coisas só têm sentido quando ordenadas ao ser humano, feito centro de tudo, rei e rainha do universo?

Há esse risco. Por isso os cosmólogos distinguem o princípio andrópico forte e fraco. O forte diz: as condições iniciais e as constantes cosmológicas se organizaram de tal forma que, num dado momento da evolução, a vida e a inteligência deveriam necessariamente surgir. Essa compreensão favoreceria a centralidade do ser humano. O princípio andrópico fraco é mais cauteloso e afirma: as pré-condições iniciais e cosmológicas se articularam de tal forma que a vida e a inteligência poderiam surgir. Essa formulação deixa aberto o caminho da evolução que demais a mais é regida pelo princípio da indeterminação de Heisenberg e pela autopoiesis dos biólogos chilenos Maturana e Varela.

Mas olhando para trás, nos bilhões de anos, constatamos que de fato assim ocorreu: há 3,8 bilhões de anos surgiu a vida e há uns quatro milhões de anos, a inteligência. Nisso não vai uma defesa do “desenho inteligente” ou da mão da Providência divina. Apenas que o universo não é absurdo. Ele vem carregado de propósito. Há uma seta do tempo apontando para frente. Como afirmou o astrofísico e cosmólogo Feeman Dyson: ”parece que o universo, de alguma maneira, sabia que um dia nós iríamos chegar” e preparou tudo para que pudéssemos ser acolhidos e fazer o nosso caminho de ascensão no processo evolucionário. Curiosamente, quando no processo da evolução apareceram as flores (antes era tudo verde), nesse momento surgiu nosso ancestral. Parece que o universo e Deus lhe prepararam um berço de flores para enfatizar a alta qualidade deste ser que estava iniciando sua jornada pelos séculos até chegar a nós.

O universo autoconsciente e portador e espírito


O grande matemático e físico quântico Amit Goswami, que muito vem ao Brasil, sustenta a tese de que o universo é autoconsciente (O universo autoconsciente, Record 2002). No ser humano ele conhece uma emergência singular pela qual o próprio universo através de nós se vê a si mesmo, contempla sua majestática grandeza e chega a certa culminância.

Cabe ainda considerar que o cosmos está em gênese, não está pronto, está ainda se autoconstruindo e em expansão contínua. Cada ser mostra uma propensão inata a irromper, crescer e irradiar. O ser humano também. Apareceu no cenário quando 99,96% de tudo já estava pronto. Ele é expressão do impulso cósmico para formas mais complexas e altas de existência.

Alguns aventam a ideia: mas não seria tudo puro acaso? O acaso não pode ser excluído, como mostrou Jacques Monod no seu livro O acaso e a necessidade, o que lhe valeu o prêmio Nobel em biologia. Mas ele não explica tudo. Bioquímicos comprovaram que para os aminoácidos e as duas mil enzimas subjacentes à vida pudessem se aproximar, constituir uma cadeia ordenada e formar uma célula viva seriam necessários trilhões e trilhões de anos. Portanto, mais tempo do que o universo e a Terra possuem de fato, que é de 13,7 bilhões de anos. O recurso ao acaso é dar honra à ignorância. Melhor é dizer que não sabemos.

Dizendo de forma mais exata: o recurso ao acaso mostre apenas nossa incapacidade de entender ordens superiores e extremamente complexas como a consciência, a inteligência, o afeto e o amor. Nesse sentido, talvez a visão de Pierre Teilhard de Chardin do universo, segundo a qual este mais e mais se complexifica e, assim, permite a emergência da consciência e da percepção de um ponto Ômega da evolução na direção do qual estamos viajando, seja mais adequada para expressar a dinâmica mesma do universo. Não seria melhor calarmos reverentes e respeitosos diante do mistério da existência e do sentido do universo?

Depois dessas reflexões, já estamos habilitados a abordar a dimensão teológica do espírito como Espírito Criador.

 O Espírito Criador e a cosmogênese


Como não podia deixar de ser, Deus também é incluído na dimensão do espírito. E por excelência. Está presente na primeira página da Bíblia quando se narra a criação do céu e da terra. Diz-se que sobre o touwabohu, isto é, sobre o caos, melhor, sobre as águas primitivas “soprava um ruah (um vento, uma energia) impetuoso” (Gn 1,2). Daquele caos tirou todas as ordens: os seres inanimados, os animados e o ser humano. A este, tirado do pó como todos os demais, Deus “soprou-lhe nas narinas o ruah de vida, o espírito, e ele tornou-se um ser vivo” (Gn 2,7). É no capítulo 37 de Ezequiel que irrompe, de forma insuperavelmente plástica, a força vital do espírito. Quando este vem, os ossos ressequidos ganham carne e se transformam em vida.

Também as expressões mais altas do ser humano são atribuídas à presença do espírito nele, como a sabedoria e a fortaleza (Is 11,2), a riqueza de ideias (Jo 32,28), o senso artístico (Ex 28,3), o desejo ardente de ver Deus e o sentimento de culpa e a consequente penitência (Ex 35,21; Jr 51,1; Esd 1,1; Es 26,9; Sl 34,19; Ez 11,19; 18,31).

Deus “tem” espírito


Essa força criadora e vivificadora é eminentemente possuída por Deus. As Escrituras falam com frequência do espírito de Deus (ruah Elohim). Ele é dado a Sansão para ter força portentosa (Jz 14,6; 19,15), aos profetas para terem coragem de denunciar em nome dos pobres da Terra as injustiças que padecem, para enfrentar o rei, os poderosos e anunciar-lhes o juízo de Deus.

Especialmente no judaísmo inter-testamentário, esperava-se para os fins dos tempos a efusão do espírito sobre toda a criatura (Jl 2,28-32; At 2, 17-21). O Messias será “forte no espírito” e virá dotado de todos os dons do espírito (Is 11,1ss).

É nesse contexto do judaísmo tardio que surge a tendência de personificar o espírito. Ele continua sendo uma qualidade da natureza, do ser humano e de Deus. Mas sua ação na história é tão densa que começa a ganhar autonomia. Assim se diz, por exemplo, que “o espírito exorta, se aflige, grita, se alegra, consola, repousa sobre alguém, purifica, santifica e enche o universo”. Jamais se pensa nele como criatura, mas como algo do mundo de Deus que, quando se manifesta na vida e na história, tudo transforma.

O Espírito é Deus, Deus é Espírito


A compreensão começou a mudar quando se cunhou uma expressão decisiva: “espírito de santidade” ou “espírito santo”. Essa formulação guarda certa ambiguidade, pois se pode dizer espírito santo para se evitar dizer o nome de Deus (coisa que os judeus até hoje, por respeito, evitam) como pode-se significar o próprio Deus. Para a mentalidade hebraica, “santo” é o nome por excelência de Deus, o que equivale dizer na compreensão grega: Deus como transcendente, distinto de todo e qualquer ser da criação.

Em resumo, podemos afirmar: pela palavra espírito (ruah) aplicado a Deus (Deus “tem” espírito, Deus envia o seu espírito, o espírito de Deus) os judeus expressavam a seguinte experiência: Deus não está atado a nada; irrompe onde quer; confunde planos humanos; mostra uma força à qual ninguém pode resistir; revela uma sabedoria que torna estultície todo o nosso saber. Assim, Deus se mostrou aos líderes políticos, aos profetas, aos sábios, ao povo, especialmente, em momentos de crise nacional (Jz 6,33; 11, 29; 1 Sam 11,6).

Assim como é dado ao rei para que governe com sabedoria e prudência, no caso o rei Davi (1 Sam 16,13), (oxalá o dê ao presidente anti-espírito que nos (des)governa) será dado também ao servo sofredor, destituído de toda pompa e grandiloquência (Is 42,1). Em Is 61,1 diz-se explicitamente: ”o espírito de Javé está sobre mim porque Javé me ungiu… para anunciar a libertação dos cativos e a boa-nova para os pobres”, texto que Jesus aplicará a si na sua primeira aparição na sinagoga de Nazaré (Lc 4, 17-21). Por fim, o espírito de Deus não sinaliza apenas sua ação inovadora no mundo, mas aponta para o próprio ser de Deus. O espírito é Deus. E Deus é Espírito. Como Deus é santo, o Espírito será o Espírito Santo.

O Espírito Santo penetra tudo, abarca tudo, está para além de qualquer limitação. “Para onde irei para estar longe de teu Espírito? Para onde fugirei a fim de estar longe de tua face? Se eu escalar os céus, aí estás, se me colocar no abismo, também aí estás” (Sl 139,7) Até o mal não está fora de seu alcance. Tudo o que tem a ver com mutação, ruptura, vida e novidade tem a ver com o espírito. O Espírito Santo está tão unido à história que ela de profana se transforma em história santa e sagrada.

O Espírito num mundo sem espírito e em degradação


Hoje sentimos a urgência da irrupção do Espírito Santo como na primeira manhã da criação. A Carta da Terra, face à crise mundial ecológica, com energias negativas que nos podem arrastar ao abismo, afirma: “Como nunca antes da história, o destino comum nos conclama a buscar um novo começo. Isso requer uma mudança na mente e no coração. Requer um novo sentido de interdependência global e de responsabilidade universal… Temos ainda muito a aprender a partir da busca conjunta por verdade e sabedoria (final)”.

O Papa Francisco diz igualmente em sua encíclica Sobre o cuidado da Casa Comum: “Nunca maltratamos e ferimos a Casa Comum como nos último dois séculos (n. 53). Se “não mudarmos nosso estilo de vida insustentável- continua- só poderemos desembocar nas catástrofes” (n.161).

Cabe ao Espírito iluminar nossa mente e transformar nosso coração. Se fizermos essa conversão, dificilmente escaparemos das ameaças que pesam sobre o sistema-vida e sistema-Terra. Cabe ao Espírito a capacidade de transformar o caos destrutivo em caos criativo, como operou no primeiro momento do Big Bang. Ele pode transformar a tragédia como a atual do Covid-19 numa crise acrisoladora que nos permite dar um salto de qualidade rumo a uma nova ordem, mais alta, mais humana, mas cordial, mais amorosa e mais espiritual. O universo, a Terra e cada um de nós somos templos do Espírito. Ele não permitirá que seja desmantelado e destruído. Esse pedido é urgente para a atual situação quando a Terra como um todo é atacada por um vírus letal que está dizimando milhares de vidas.

Importa suplicar ao Espírito: Vem, Espírito Criador! Renove a face da Terra, aqueça nossos corações e rasgue um horizonte de sentido e de esperança para a nossa realidade humana desumanizada e agora posta sob o risco de milhares desaparecerem vitimas da intrusão do Covid-19. A ciência, a técnica a vacina são fundamentais. Mas apenas com elas não está garantido que evitemos voltar ao que era antes. Para isso precisamos de outro espírito que dê centralidade ao que conta: a vida, a cooperação, a interdependência, a generosidade e o cuidado para com a natureza e para uns para outros. Se não fizermos esta viragem paradigmática, podemos ser atacados novamente e de forma ainda mais letal.

*Leonardo Boff é ecoteólogo, um dos redatores da Carta da Terra e escritor. Autor, entre outros livros de Meditação da luz: o caminho da simplicidade (Vozes). Fonte do texto: Jornal GGN

Margareth Dalcolmo defende vacinação infantil e celebra baixo alcance do movimento necropolítico bolsonarista antivacina no Brasil

 "Felizmente entre nós, não viceja a mobilização anti-vacina, com retórica de liberdade individual irrestrita", afirma a pesquisadora

www.brasil247.com - Margareth Dalcolmo

Margareth Dalcolmo (Foto: Peter Iliciev/ Divulgação)

247 – A pneumologista Margareth Dalcolmo, que é também pesquisadora da Fiocruz, celebra, em artigo publicado no jornal O Globo, o avanço da vacinação no Brasil e o baixo alcance das campanhas antivacina no Brasil. "Não é difícil para a opinião pública brasileira observar que a despeito do grande impacto da nova variante, e tendo alcançado uma boa taxa de imunização, o resultado constatado é o aumento exponencial de casos, porém sem repercussão de mortes ou ocupação de leitos de terapia intensiva até agora. Mesmo sabendo que pode haver pressão sobre o sistema de saúde por demanda de emergências e de internações em enfermarias, a nossa preocupação maior hoje é a paralisação de serviços pelo imenso número de infectados e afastados do trabalho ao mesmo tempo. Esse fenômeno hoje se revela de modo flagrante em países europeus e América do Norte", escreve a pesquisadora, em artigo publicado no Globo.

"Felizmente entre nós, não viceja a mobilização anti-vax, com retórica de liberdade individual irrestrita. Tem sido frustras por aqui as tentativas e bravatas se aproveitando das crianças, no óbvio apelo que essas despertam. Na França, ao contrário, se chega ao cúmulo de deputados que defendem a política de vacinação encontrarem na entrada de suas casas, bonecas vudu deformadas, e com bilhetes violentos, colocadas por grupos anti vacina. Mesmo que torpes e anônimos, são facilmente identificáveis, em clara ameaça às famílias contra o que esses chamam de 'ditadura sanitária'. Inacreditável, no berço do Iluminismo", pontua.

Bolsonaro não tem mais utilidade para os planos de poder dos militares e está sendo descartado, aponta a jornalista Cristina Serra em sua coluna na Folha de São Paulo

 

"Bolsonaro não serve mais como instrumento de seu projeto de poder e, ao que parece, eles irão buscar alternativas", diz a jornalista após nota de Barra Torres

www.brasil247.com - Antonio Barra Torres e Jair Bolsonaro

Antonio Barra Torres e Jair Bolsonaro (Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado | Alan Santos/PR)

247 - "Alcançou grande repercussão a carta do diretor-presidente da Anvisa, Antonio Barra Torres, cobrando de Bolsonaro uma retratação diante de suspeitas infundadas a respeito de decisões da agência sobre vacinas. Barra Torres vem se afastando do presidente, mas daí a considerar que estão em campos opostos vai uma longa distância", escreve a jornalista Cristina Serra na Folha de S.Paulo.

    A jornalista avalia que a posição agora adotada por Barra Torres faz parte de "movimentos oportunistas". "Agora que Bolsonaro derrete nas pesquisas, outros tomam atitudes que contrariam o chefe. O comandante do Exército, Paulo Sérgio de Oliveira, determinou a vacinação contra a Covid para que militares retornem ao trabalho presencial. E proibiu que divulguem notícias falsas em redes sociais. Oliveira foi quem poupou o general Pazuello de punição quando este participou de um ato com Bolsonaro, em evidente transgressão disciplinar".

    "Outro exemplo é o ex-ministro da Defesa, Fernando Azevedo e Silva, que toma ares de democrata ao assumir cargo no TSE. É o mesmo que celebra o golpe de 1964 e que jogou dinheiro público no lixo ao autorizar a produção de cloroquina no laboratório do Exército".

"São movimentos oportunistas, típico "reposicionamento de marca" de uma parcela dos militares. Bolsonaro não serve mais como instrumento de seu projeto de poder e, ao que parece, eles irão buscar alternativas. Isso não os torna menos golpistas nem anula o fato, negativo em todos os sentidos, de que estão fazendo política quando deveriam estar nos quartéis". Leia a íntegra.

Carta de almirante general da Anvisa, Antônio Barra Torres, é histórica e humilhante para Bolsonaro e sua necropólítica. Reportagem de Cíntia Alves

 

"Barra Torres faria uma nota com essa contundência sem ter o respaldo de outros oficias superiores das Forças Armadas?"


A carta aberta que o oficial general Antonio Barra Torres, diretor-presidente da Anvisa, enviou a Jair Bolsonaro no último sábado (08), em resposta aos ataques que a instituição tem sofrido por causa da vacinação infantil, é um documento histórico e humilhante para o presidente da República. É o que avaliam dois políticos de oposição ao atual governo, o deputado federal Paulo Pimenta (PT) e o governador do Maranhão, Flávio Dino (PSB).

Em mensagem a Bolsonaro, Barra Torres pediu que o presidente não “prevarique” e abra imediatamente uma investigação contra os funcionários da Anvisa se tiver provas de agenda obscura na vacinação infantil, ou então que se “retrate” das ilações que fez em público. A resposta ocorreu após Bolsonaro questionar quais é o “interesse da Anvisa” em permitir a vacinação das crianças a partir de 5 anos.

“Esse documento integra a história do Brasil por dois motivos: trata-se de um oficial-general reagindo às múltiplas agressões daquele que deveria honrar as Forças Armadas, e não o faz. E é o registro de um tempo em que a coação e a mentira são métodos de governo”, apontou o governador Flávio Dino.

“Essa nota do Barra Torres é a maior humilhação sofrida por um presidente da República, no exercício do cargo, na história política do Brasil. O comandante em chefe das Forças Armadas, Capitão Cloroquina, foi chamado de corrupto, ladrão, covarde, sem caráter, falso cristão, etc”, opinou Pimenta.

O deputado ainda usou o Twitter para lançar a seguinte questão: “Barra Torres faria uma nota com essa contundência sem ter o respaldo de outros oficias superiores das Forças Armadas?”

Até a tarde deste domingo (9), Bolsonaro ainda não havia reagido à carta de Barra Torres.

Leia, abaixo, a carta de Barra Torres a Bolsonaro.

segunda-feira, 10 de janeiro de 2022

Portal do José: Honra em questão! Comandante do Exército, Paulo Sérgio Nogueira de Oliveira, e o Almirante Antônio Barra Torres, atual presidente da Anvisa, desmoralizam Bolsonaro e Braga Neto! Qual a saída? Covardia ou desculpas?

 

Do Portal do José:

Extra- Novos enfrentamentos a Bolsonaro o desmoralizam ainda mais!

Onde isso irá parar?

De quanta terra precisa um homem? Texto de Leonardo Boff

 

"É a lógica do capital. Nele vivemos e sofremos", escreve Leonardo Boff

Do 247:

www.brasil247.com - Moedas de reais

Moedas de reais (Foto: REUTERS/Bruno Domingos

Numa roda, cercado de rústicos peões de sua fazenda Yasnaya Polyana, Léon Tolstói (1828-1910) o grande escritor russo, contou-lhes a seguinte estória que eu me permito resumir para exemplificar como funciona a cabeça de um capitalista.

“Havia um camponês pobre mas muito desejoso de possuir mais a mais terra para cultivar e ficar rico. Pensou: “Vou fazer um pacto com o diabo. Este vai me dar sorte”, disse ele à mulher, que torceu o nariz e advertiu-o: “Meu marido, cuidado com o diabo, nunca sai coisa boa fazendo um pacto com ele; essa sua vontade de ficar rico, vai ainda pô-lo a perder”.

Mas, por insistência do marido, resolveu acompanhá-lo. Com tal que partiram, levando poucos pertences.

Souberam que longe daí havia um grupo de ciganos que vendiam terras baratas. Para aquelas paragens rumou o casal. Chegando lá, eis que o diabo já estava de pé, todo apessoado, dando ares de um influente mercador de terras. O camponês e sua mulher cumprimentaram educadamente os ciganos. Quando iam expressar seu desejo de adquirir terras deles, o diabo, sem cerimônias, logo se antecipou e disse:

“Bom senhor, vejo que veio de longe e é tomado por um grande desejo de  fazer  fortuna. Tenho uma excelente proposta para você, melhor do que aquela dos ciganos. Faço-lhe a seguinte proposta: você deixa uma quantia razoável de dinheiro  numa bolsa aqui onde estou de pé. Se você percorrer um território durante o tempo de um dia, do nascer ao pôr do sol, e estiver de volta antes de o sol se pôr, toda a terra percorrida será sua. Caso contrário perderá as terras percorridas e o dinheiro da bolsa”.

Os olhos do camponês, ávido por riqueza, brilharam de emoção e disse: 

“Acho uma excelente proposta. Tenho pernas fortes e aceito. Amanhã bem cedo, ao nascer do sol, ponho-me a correr e todo o território que minhas pernas puderem alcançar, será meu”. 

 O diabo, sempre malicioso, sorriu todo faceiro.

De fato, bem cedo, mal o sol rompeu a fímbria do horizonte, o camponês, tomado de cobiça, se pôs a correr. Correu e correu muito. Pulou cercas, atravessou riachos e, não contente, sequer parou para descansar. Via diante de si uma ridente planície verde e logo pensou: “aqui vou plantar trigo em abundância”. Olhando à esquerda, se descortinava um vale muito plano e pensou: “aqui posso fazer toda uma plantação de linho para dar e vender”.

Subiu, ofegante, uma pequena colina e eis, que lá em baixo se abria um campo de terra virgem. Logo pensou: “quero também aquela terra. Aí vou criar gado e ovelhas e vou encher as burras com muito dinheiro. 

E assim percorreu muitos quilômetros, não satisfeito com o que tinha conquistado, pois os lugares que via, eram atraentes e alimentavam ainda mais seu desejo incontido de também possui-los.

De repente olhou para o céu e se deu conta de que o sol estava se pondo atrás da montanha. Disse de si para consigo mesmo:

“Não há tempo a perder. Tenho que voltar correndo, senão perco todos os terrenos percorridos e, por cima ainda, o dinheiro. “Um dia de dor, uma vida de amor”, pensou como dizia seu avô.

Pôs-se a correr com uma velocidade espantosa para suas pernas cansadas. Mas tinha que correr sem reparar os limites dos músculos retesados. Sempre olhava a posição do sol, já perto do horizonte, enorme e vermelho como sangue. Mas não se havia ainda posto totalmente. Mesmo cansadíssimo, corria mais e mais e já nem sentia as pernas. Pesaroso pensou: “talvez abarquei demais terras e posso perder tudo. Mas vamos em frente”.

Vendo, porém, ao longe o diabo, solenemente, de pé e ao seu lado a sacola de dinheiro, recobrou mais o ânimo, certo de que iria chegar antes do pôr do sol. Reuniu todas as energias que tinha e fez um derradeiro esforço. Pulou uma cerca, atravessou um riacho e corria, quase voando. Não muito longe da chegada, atirou-se para frente, quase perdendo o equilíbrio. Refeito, deu ainda alguns passos longos.

Foi então que, extenuado e já sem nenhuma força, se estatelou no chão. E morreu. A boca sangrava e todo o corpo estava coberto de arranhões e de suor.

O diabo, maldosamente, apenas sorriu e tomou para si a bolsa de dinheiro. Indiferente ao destino do morto, deu-se ainda ao trabalho de fazer uma cova com o tamanho do camponês e ajeitou-o lá dentro. Eram apenas sete palmos de terra, a parte menor que lhe cabia de todos os terrenos andados. Não precisava de mais do que isso. A mulher, petrificada, assistia a tudo, chorando copiosamente”.

Esse conto nos faz lembrar o poeta pernambucano João Cabral de Melo Neto (1920-1999) que nos deixou a comovente obra Morte e Vida Severina (1995). No funeral do lavrador diz:“Esta cova em que estás, com palmos medida, é a conta menor que tiraste em vida; é a parte que te cabe deste latifúndio”.

A mulher do camponês estava certa em sua advertência: “Cuidado com o diabo, pois, te estimula a ter mais e mais e, por fim, acaba contigo e toma todo o teu dinheiro”. É a lógica do capital. Nele vivemos e sofremos. Avançando sobre as florestas ele nos trouxe o Covid-19. Como nos livraremos dele?

sexta-feira, 7 de janeiro de 2022

Um salve aos Espíritas Progressistas e vida longa aos Coletivos Espíritas Progressistas, por Alexandre Jr

 


Pensando o momento sociopolítico que vivemos, e a aproximação evidente do movimento espírita brasileiro com o conservadorismo extremo, este mesmo conservadorismo que dá vida e voz ao Governo Federal que com suas políticas neoliberais vem demarcando suas práticas com Aporofobia e Necropolítica. Assusta-nos demasiadamente, quando vemos protagonistas deste movimento espírita conservador defenderem publicamente o atual presidente e as ações neoliberais e capitalistas que são as suas marcas registradas.

Não encontramos a possibilidade de coadunarmos: Capitalismo, Necropolítica, Aporofobia, Racismo, LGBTQIAP+fobia, Sexismo, Femínicídio, Misoginia, Xenofobia, Desmatamento Florestal, Invasão de Terras Indígenas, Política Armamentista, com amor ao próximo, em que pese, alguns conceitos enviesados sejam utilizados para produzir a já tão conhecida do referido movimento, Pedagogia do Medo e da Culpa, antes alimentada apenas pela obsessão, pelos obsessores e pelo famigerado umbral, hoje amplia-se esta relação causal dos pavores acrescentando o maldito progressismo e o não menos satânico “Comunismo.”

Segundo algumas pessoas o objetivo maior deste Movimento Progressista é conduzir àqueles que forem tocados por seus seguidores obsidiados e com as suas atuais encarnações em derrocada ao umbral, além é claro, de trazer perturbação ao movimento hegemônico onde reina a absoluta paz divina.

Diz o poeta que: “Paz sem voz, não é paz é medo.”

Portanto, precisamos compreender o preço desta suposta paz, que consiste em invisibilizar vidas, pessoas, intimidades, silenciar os que pensam diferente sob pena de cancelamentos. Se o Espiritismo não for capaz de dialogar com as minorias sociais e oferecer-lhes acolhimento, afeto, amor, compreensão, amparo, e oportunidade de engajamento significa dizer que colocamos a doutrina acima das pessoas, e assim sendo, precisamos repensar de que valem os espaços espíritas.

Acusam-nos de enquanto Espíritas Progressistas: democratizarmos o conhecimento espiritista, de discutirmos as minorias sociais com elas e não para elas, de darmos voz aos excluídos, resgatarmos os autores clássicos do Espiritismo, de dialogarmos com as ciências humanas para podermos criar justiça na nossa escrita e na nossa fala, oferecendo aos protagonistas silenciados a oportunidade de eles próprios falarem e escreverem as suas Histórias, as suas vivências, dores e conquistas, tirando-os de debaixo do tapete como tem sido feito desde o século XIX. Chamam a isso de “comunismo”!

Sendo assim, precisamos manter acesa está chama que arde no Brasil chamada Movimento Espírita Progressista que foi trabalhada por mentes libertas de dogmas e livres pensadoras e pensadores, que deram a oportunidade aos coletivos Espíritas de encontrarem algum respaldo para a construção de suas práticas, e respeito aos seus legados.

Um salve a Allan Kardec, Léon Denis, José Herculano Pires, Deolindo Amorim, Humberto Mariotti, Manuel Porteiro, Wilson Garcia, Dora Incontri, Sérgio Aleixo, Célia Arribas, Sinuê Miguel e Ana Cláudia Laurindo.

Vida longa a CEPA – Associação Espírita Internacional; CPDoc – Centro de Pesquisa e Documentação Espírita; o Ágora Espírita; Coletivo Girassóis – Espíritas Pelo Bem Comum; Instituto de Filosofia Espírita Herculano Pires – IFEHP; ABREPAZ – Associação Brasileira Espírita de Direitos Humanos e Cultura de Paz; CEJUS – Coletivo de Estudos Espiritismo e Justiça Social; Coletivo Espírita pela Transformação Social; Coletivo Espírita Maria Felipa e Espíritas à Esquerda.

Partindo da premissa de que não se precisa de chancela de nenhuma personalidade ou ente federativo para praticarmos, pensarmos e\ou dialogarmos com o Espiritismo, as mentes Progressistas e livres pensadoras promovem a possibilidade de uma alternativa ao que até o presente se encontra exposto como única corrente pensadora espírita, de forma hegemônica e reprodutora de conteúdo.

Dialogar com as ciências humanas com honestidade intelectual é robustecer a doutrina espírita, equipando-a de recursos capazes de munir seus adeptos a se relacionarem com as questões sociais de seu tempo e não serem apenas contempladores do plano-Terra à espera de viverem uma vida de ócio nas colônias espirituais que não foram pensadas para as minorias sociais e para os menos abastados.

Tomando como referência a frase popular: “Tal vida, tal morte,” se as referidas colônias forem o retrato daquilo que nos diz o IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, senso 2010. Sendo as colônias espirituais aquilo que é o movimento espírita hegemônico, ou seja, branco, hétero e classe média, podemos concluir que não há espaço para as outras categorias e há lutas de classe até para se ter acesso aos “céus Espíritas”, isso não podemos negar.

O que nos leva a crer que a democratização da espiritualidade tem levado incomodo a uma parcela dos espíritas hegemônicos, que seguindo a frase já citada: “Tal vida, tal morte,” desejam levar os seus privilégios para o mundo espiritual, como na Terra não visam compartilhar aeroporto com determinadas classes sociais, no “céu” não visam partilhar “aeróbus e colônia espiritual”.

O Movimento Espírita Progressista se fortaleceu e parece mesmo que continuará sua trajetória de luta para a produção de conhecimentos e saberes que se deem na troca e na partilha, produzidos por livres pensadoras e pensadores, nunca por força da imposição dogmática, da opressão oficial, do cancelamento ou da negação ao diálogo com diferentes.

Sigamos firmes cientes de que não há, principalmente nos dias atuais, uma única vertente, ou um único caminho a ser seguido, bom, que possamos dizer que não se trata de estarmos ou não com a razão, mas, de termos o direito de professarmos os nossos pensamentos com todas, todos e todes àquelas pessoas que desejarem, o que faz o Movimento Espírita Progressista plural e diverso, aumentando ainda mais as suas formas e áreas de atuação.

Por isso: Um Salve aos Espíritas Progressistas e vida longa aos coletivos Espíritas Progressistas.

Alexandre Júnior – Pedagogo, Pós-graduado em Gestão Educacional e Coordenação Pedagógica. Escritor. Pesquisador de Gênero, Sexualidades e Espiritualidades. Coordenador do Ágora Espírita.

Referência Bibliográfica

Música Paz sem voz é medo. Compositores: Alexandre Monte De Menezes / Lauro Jose De Farias / Marcelo De Campos Lobato / Marcelo Falcão Custodio / Marcelo Fontes Do Nascimento Vi Santana

Fonte: https://institutoherculanopires.blogspot.com/2022/01/artigo-um-salve-aos-espiritas.html

quarta-feira, 5 de janeiro de 2022

Espiritualidade versus Religiosidade institucionalizada: O Sentido da Cruz e o Espírito da História: Especulações Filosóficas sobre o Cristianismo. Texto de Nathan Caixeta

 Unindo os diálogos, deixo pimentas espalhados pelos séculos de história para cozinhar o caldo dos leitores: É possível traçar uma linha condutora entre a Cruz e os eventos contemporâneos, dos quais destaco, a concentração da riqueza, o narcisismo individualista, a revolução tecnológica e, especialmente, a união entre fé e razão?

Biblioteca IBGE

Segue o texto de Nathan CaixetaPós Graduando em Desenvolvimento Econômico pelo Instituto de Economia da Unicamp, publicado no Jornal GGN

Nos últimos dias, tive a oportunidade de conversar com dois seres absolutamente marcantes na minha trajetória. O primeiro, Reinaldo Paublo, o pai que ganhei da vida, assim como, sua esposa Andréia e meus irmãos, Gabriel e Anderson, este último que nos presenteou com Lorena e meu sobrinho Rafael. O segundo, foram as conversas prodigiosas com Luiz Gonzaga Belluzzo a respeito de Hegel, Marx e o novo livro de Jürgen Habermas, o qual escolhemos não nos arriscar na leitura da edição alemã e esperamos a tradução para o inglês.

Reinaldo faz do tipo “paizão”, habita nele um coração que mal cabe em seu peito, embora sua experiência seja denunciada pelos cabelos brancos, misturados aos loiros que ainda lhe restam. Comungamos da mesma fé e sempre que nos encontramos, o papo vai e vem e acaba na mais deliciosa das discussões: o estudo e compartilhamento do espírito cristão. Sempre me despeço renovado, pois embora não tenha completado o seminário de teologia, o famoso “Juca”, amealhou tamanha reflexão sobre as escrituras que receber dele tal conhecimento é um deleite para os ouvidos e uma benção para o coração.

Discordando ao concordar, fomos do livro de Genesis ao Apocalipse, passando pelo Velho Testamento, perambulando pela história de Israel e dos povos gentis, e terminando na Cruz de Cristo. A pergunta que rodeou nossa conversa é a mais fundamental, e curiosamente a mais esquecida de todas dentre os círculos daqueles que hoje se denominam “cristãos”: “qual o sentido da morte e ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo?”

Séculos de filosofia escolástica, rodearam estas questões, até que Nietzche, Freud e Darwin embalados pela revolução cientifica iniciada por René Descartes, entraram na conversa para cravar a aposta de Pascal como meio termo entre fé e razão. Nem tanto para lá, ou para cá, a questão está resolvida, justamente por ser ela indissolúvel em termos da filosofia metafisica, e mesmo da filosofia da história, que dirá da roleta russa lançada pela teologia moderna.

Belluzzo, por outro lado, me lançou uma indagação daquelas de arregalar mais que os olhos, perturbando os neurônios até que as palavras se reúnam num discurso minimamente coerente: como analisar a história das religiões, tal como empreendeu Weber, sem lançar mão da dialética histórica. Cheguei à conclusão que o método Weberiano, embora assertivo em seus termos finais, sofre de um problema gravíssimo: fechar a “gaiola da modernidade” na qual a liberdade e o sentido da vida mutilam-se mutuamente através do mero estreitamento gradual entre as dimensões materiais e culturais/religiosas da vida moderna. Ao falarmos sobre Habermas, auxiliados pelo artigo de Seyla Benhabib “Habermas’s new Phenomenology of Spirit: Two centuries after Hegel”, verificamos na intenção do último dos moicanos da Teoria Crítica, uma janela teórica fundamental: a abertura da gaiola Weberiana a partir da incorporação do Espírito da História hegeliano que oferece como fio condutor da modernidade rumo às ruínas, um sútil vórtice, percebido e avançado por Marx: são as categorias universais que em movimento de transformação conduzem e remodelam as categorias particulares. Logo, são as conquistas modernas de liberdade, igualdade, identidade e razão que se transformam em atores da contenda entre a manutenção da tradição e o atropelo do secularismo.

Unindo os diálogos, deixo pimentas espalhados pelos séculos de história para cozinhar o caldo dos leitores: É possível traçar uma linha condutora entre a Cruz e os eventos contemporâneos, dos quais destaco, a concentração da riqueza, o narcisismo individualista, a revolução tecnológica e, especialmente, a união entre fé e razão?

O relato da estruturação entre o espiritual e o social, oferece uma ligação fundamental com o ato da ressureição. O Sumo Sacerdote deveria entrar uma vez ao ano nas tendas em que estavam separados, homens, mulheres e crianças para então entregar a mensagem divina. As tendas separadas pelo véu, só poderiam ser rompidas pelo Sumo Sacerdote, amarrado por uma corda na cintura. Caso estivesse em pecado, ao entrar na tenda, o pecado recebia seu salário, abocanhando o Sacerdote para a morte. Caso contrário, o véu era rompido e a presença do Espírito Santo se manifestava enquanto a mensagem divina era repassada para o povo. A separação entre o espiritual e o social, tinha uma clara demarcação: o véu que cobria as tendas, não apenas representava a intermediação entre Deus e os Seres Humanos através do Sumo Sacerdote, mas profetizavam o fino corte realizado na Cruz.

Ao ser pregado na Cruz, Jesus, Deus-Filho, Deus-Homem, encarnou o perdão da humanidade, redimindo pelo sangue derramado todos os pecados do fruto do Éden até os mais imperceptíveis e inescapáveis desvios do caminho da salvação, somente redimidos pela graça de Deus, diria o Apostolo aos Romanos. Descendo ao Inferno, Jesus rasga o véu que separa o Homem de Deus, abrindo as portas para a descida do Espírito Santo no dia de Pentecoste. Ao rasgar o Véu, Cristo oferece a humanidade, as duas grandes marcas do mundo posterior a sua ressurreição: a liberdade, conferida pelo amor ao próximo e a Deus sobre todas as coisas; e a igualdade, pois todos somos redimidos por Cristo na Cruz, sob a graça do amor á Deus, condição única e irrestrita para a salvação.

Não por menos, quando a Ordem Revelada é absorvida pela Instituição da Igreja e o espalhamento e comunhão das religiões, a razão cede lugar à prisão da tradição político-religiosa. Precisamente, na modernidade, inaugurada com o rolamento da cabeça dos Reis, a liberdade e a igualdade retornam como promessas à humanidade, sob nova feição: como autoproclamação individual, desconectada de sua raiz espiritual e vendida como símbolo da conquista material. Aqui encontramos o ponto de contato. Da Cruz à Hegel, deste à Weber, de Weber à Habermas: a profecia de João no Livro de Apocalipse, hoje se encontra tão viva quanto os passeios do espírito da história. A adoração do próprio homem pelo próprio homem marcado pelo cifrão monetário conduz da Cruz ao estalido da trombeta pelo Arcanjo, a liberdade e a igualdade oferecida por Cristo, modificada pelo Narcisismo dos homens, entregam um destino múltiplo e desconhecido, embora com data marcada nos mil anos, transcorridos em um dia para Deus. A Gaiola Weberiana não se encontra, portanto, estreitada até esmagar os ossos da razão e da liberdade, mas se expande até não encontrar horizonte visível, pois, disse o profeta entregando a mensagem de Deus aos homens: Eis que estou à porta e bato. Se alguém ouvir a minha voz e abrir a porta, entrarei e cearei com ele, e ele comigo (Apocalipse, 3:20).

Adianto que esse texto é uma especulação nascida do ato da dúvida. Longe de mim, empurrar crenças aos corações dos leitores. Mas, neste novo ano, deixo como mensagem o que de Cristo recebi: o amor.

Relembrando: Bolsonaro foi eleito ‘Corrupto do Ano’ pelo consórcio internacional de jornalistas investigativos Organized Crime and Corruption Reporting Project (OCCRP)

 




SÃO PAULO, 30 DEZ (ANSA) – O presidente Jair Bolsonaro foi eleito “Personalidade do Ano” por seu papel na promoção do crime organizado e da corrupção pelo Organized Crime and Corruption Reporting Project (OCCRP), um consórcio internacional que reúne jornalistas investigativos e centros de mídia independente.   

“Eleito após o escândalo da Lava Jato como candidato anticorrupção, Bolsonaro se cercou de figuras corruptas, usou propaganda para promover sua agenda populista, minou o sistema de justiça e travou uma guerra destrutiva contra a região da Amazônia que enriqueceu alguns dos piores proprietários de terras do país”, afirma o OCCRP.   

Segundo o relatório, Bolsonaro venceu “por pouco” outros dois líderes populistas, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o líder turco, Recep Tayyp Erdogan, que também causaram “grandes danos aos seus países, regiões e ao mundo”.   

O texto enfatiza que ambos os políticos “lucraram com a propaganda, minaram as instituições democráticas em seus países, politizaram seus sistemas de justiça, rejeitaram acordos multilaterais, recompensaram círculos internos corruptos e moveram seus países da lei e da ordem democráticas para a autocracia”.   

Além disso, o consórcio destaca a denúncia contra o senador Flávio Bolsonaro, filho do presidente, no caso das “rachadinhas” na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), quando ele era deputado estadual.   


As investigações contra o vereador Carlos Bolsonaro, outro filho do mandatário, também por um suposto esquema de repartição de salários de assessores; a verba depositada por Fabrício Queiroz na conta da primeira-dama, Michele Bolsonaro; e as denúncias contra o próprio Bolsonaro também foram ressaltadas no documento.   

De acordo com Drew Sullivan, editor do OCCRP e um dos nove jurados, as acusações paira sobre os familiares do líder brasileiro. “A família de Bolsonaro e seu círculo íntimo parecem estar envolvidos em uma conspiração criminosa em andamento e têm sido regularmente acusados de roubar do povo.” disse Sullivan.   

“Essa é a definição de livro de uma gangue do crime organizado”> A publicação cita ainda que o prefeito afastado do Rio, Marcello Crivella, “amigo e aliado” do presidente, foi preso por liderar uma organização criminosa.   

Amazônia – O consórcio internacional enfatizou que as ações do Bolsonaro “não afetam apenas o Brasil”, porque ele “abriu grandes extensões da Amazônia para a exploração por aqueles que já haviam se beneficiado da destruição da região crítica e ameaçada”.   

“A destruição contínua da Amazônia está ocorrendo por causa de escolhas políticas corruptas feitas por Bolsonaro. Ele encorajou e alimentou os incêndios devastadores”, afirmou o jurado Rawan Damen, diretor do Arab Reporters for Investigative Journalism.   

Para ele, “Bolsonaro fez campanha com o compromisso explícito de explorar – ou seja, destruir – a Amazônia, que é vital para o meio ambiente global”.   

O presidente da Rússia, Vladimir Putin, e o líder das Filipinas, Rodrigo Duterte, também já venceram a premiação. (ANSA)